sábado, 28 de outubro de 2017

O Café Tupy marcou época na Laguna e atravessou gerações

No início do século XX foi inaugurado um estabelecimento comercial na Laguna que marcou época na cidade e em todo o sul do estado, atravessando gerações: o tradicional Café Tupy. Situado no centro, entre as ruas Raulino Horn e XV de Novembro, o local será palco e testemunha das transformações sociais, econômicas e políticas da sociedade lagunense. Sua esquina democrática se transformará em ponto geográfico de referência.
Eis uma foto das mais simbólicas de uma época da Laguna. À esquerda o Café Tupy e a placa do estabelecimento na esquina. Em seguida a placa vertical da Panificadora Imperatriz em sua entrada pelos fundos, onde ficava os fornos; no prédio seguinte no térreo funcionava a sinuca do Nonô e na parte superior a Rádio Difusora; a casa seguinte, na cor verde, era residência da dª Gabriela Grandemagne, que será derrubada para construção do prédio da Joana Papelaria; depois um terreno baldio do Miguel Chede, onde em 1977 vai surgir a Pizzaria Chedão, depois vendido para o Besc; depois a casa de Luiz Remor, hoje do Marega. À direita, na esquina, a Relojoaria Werner, de Fernando Guedes; em seguida a Barbearia Santos, do Zé Barbeiro; e a Miscelânea, de Antônio Urbano. Na esquina, com seu vasto bigode, vendo a banda passar, Carlos Rollin que acha que a foto foi feita no começo da década de 1960. Como o primeiro veículo na foto é uma Variant, da Volks, lançado em 1969/1970, acho que é mais por aí. O segundo veículo é um Opala, da GM, que foi lançado no Brasil a partir de 1968. Logo... Enfim, essa esquina tem histórias...
Democráticas esquinas
Muitos foram os lugares onde desde imemoráveis tempos o homem exerceu o direito de se manifestar. Exprimir-se democraticamente ou aos cochichos, olhando para os lados temendo eventuais ditaduras e perseguições de governos, através de suas polícias políticas.
 
No interior ou defronte às antigas boticas, em armazéns, mercados e bodegas, cafés e bares, simpatizantes, candidatos e filiados, jornalistas, artistas e escritores se reúnem em conversas e discussões, compartilhando dúvidas e sugestões, criando, aliviando tensões, fomentando oposições, criando resistências e apoios a esse ou àquele governo.
Os cafés sempre foram ponto de encontros democráticos
São lugares de suma importância como fórum de socialização política, de pluralidade opinativa.
Alguns desses locais, bares e cafés, esquinas e ruas ficaram famosos e são lembrados por gerações.

Em Porto Alegre: A esquina da avenida Sarmento Leite com avenida Osvaldo Aranha, no bairro Bom Fim, é um deles. Durante anos foi conhecida como Esquina Maldita. Nos bares da região reuniam-se intelectuais, professores e alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A rua da Praia igualmente é uma via onde pulsam as notícias e novidades assim também como o Largo da prefeitura.

Em Florianópolis: A conhecida esquina democrática, entre a Trajano e Felipe Schmidt, com seu tradicional Ponto Chic, durante anos abrigou os mais diferentes públicos. Do funcionário do governo que dava uma fugidinha para um cafezinho e saber das últimas, a jornalistas em busca de fontes; do vendedor de bilhetes de loteria ao “mordedor” em busca de uns trocados. Político que se prezava tinha que diariamente dar uma passada por ali onde facilmente se encontrava vereadores, prefeito, deputados e até o governador.
Basta ver que o próprio presidente da República João Batista Figueiredo em novembro de 1979 lá passou para um tradicional cafezinho e logo depois resultou numa confusão que já vinha desde o Palácio Cruz e Souza e Praça XV, no episódio conhecido como Novembrada. A confeitaria do Chiquinho e sua famosa empada também marcou época.

Em Curitiba: A Boca Maldita, o espaço ao redor de cafés, bancas de revistas e calçadão da rua Luiz Xavier (Rua das Flores) é um conhecido local no centro da cidade das mais diferentes manifestações políticas, sociais e artísticas. Há até um obelisco em homenagem à área.
E também uma confraria que “existe para debater e criticar tudo sem qualquer restrição, expressando as vontades e expressões populares”.
O lema da entidade, por paradoxal que seja é “Nada vejo, nada ouço, nada falo”.
Anualmente há um jantar quando pessoas recebem o título de “Cavaleiro da Boca Maldita”.

No Rio de Janeiro: A Confeitaria Colombo, na rua Gonçalves Dias, criada em fins do século XIX tornou-se ponto obrigatório de uma elite que desde a República frequentou seus salões desfilando elegância e luxo tão bem apreciados e descritos pelos cronistas.
Ponto de encontro de artistas, intelectuais e políticos, como Olavo Bilac, Rui Barbosa, Chiquinha Gonzaga, Villa Lobos, Getúlio Vargas...
Seus gigantescos espelhos belgas, mármores e o mobiliário são testemunhas até hoje de mais de um século de história.
A Rua do Ouvidor igualmente é conhecida por ser uma das mais famosas da então Capital Federal. Um escritor a ela assim se referiu:
“A Rua do Ouvidor, a mais passeada e concorrida, e mais leviana, indiscreta, bisbilhoteira, esbanjadora, fútil, noveleira, poliglota e enciclopédica de todas as ruas da cidade do Rio de Janeiro”.
A Cinelândia também vai marcar sua época.

Em São Paulo: O Vale do Anhangabaú, as Avenidas São João e Ipiranga, com seu cruzamento imortalizado na canção Sampa, de Caetano, também são lembradas. E o Centro Novo com seus bares, confeitarias, restaurantes, livrarias, e estúdios das principais emissoras de rádio e redações de jornais.

O surgimento do Café Tupy
Em 22 de outubro de 1905, um domingo, surgia na Laguna, na esquina das ruas XV de Novembro com Raulino Horn, um empreendimento que vai marcar época na cidade e em todo o sul do estado e se tornar o mais famoso estabelecimento comercial lagunense: O Café-Restaurant Tupy, de propriedade de Ulysséa e Cia, tendo como gerente-proprietário, Jacob Ulysséa.
O jornal O Albor assim noticiou o fato:
 
Na verdade, era uma troca de nome, uma transformação com pequenas modificações nas instalações, já que no mesmo local funcionava o Café Lagunense, inaugurado em 1900, do mesmo proprietário.

Jacob Pinto de Ulysséa
De acordo com Rogério Ulysséa em seu livro sobre a genealogia da família Ulysséa, Jacob nasceu na Laguna, em 1º de outubro de 1872. Era filho do importador e exportador (Casa Ulysséa) português Joaquim José Pinto de Ulysséa e de Alexandrina Luiza Dias de Pinho Ulysséa. Foi quem construiu, em 1867, a casa ao lado da Carioca, cópia de uma Quinta de Portugal.
Jacob Pinto de Ulysséa.
Após os primeiros estudos em nossa cidade, Jacob foi para o Rio de Janeiro trabalhar com seu irmão Saul. Lá conheceu a espanhola de Barcelona Laura Santandreu, com quem casa em 1897 e terá onze filhos (Iracema, Jandyra, Pery, Jacy, Irê, Arary, Juracy, Juracy, Jupy, Jupyra e Jupy). A repetição de dois nomes é pelos falecimentos dos primeiros em tenra idade.
Após o nascimento de sua primeira filha Iracema, retornará a Laguna, tentando vários negócios na cidade.
Morava no mesmo prédio de seu estabelecimento comercial. Conserta va máquinas de costura. A esposa Laura ajudava no sustento da casa, costurando sacos de alinhagem para o comércio.
“Era boníssimo, querido por todos na cidade. Andava sempre a cavalo e gostava de nomes indígenas que colocou em todos os seus filhos”, diz Rogério Ulysséa na genealogia.
Vem daí, leitor, o batismo de seu Café com o nome Tupy, língua falada e do povo indígena que habitava a maior parte do litoral do Brasil.
Era frequentador do Centro Espírita e da Loja Maçônica, sendo de ambos, fundador e membro da diretoria.

A festa de inauguração
A inauguração do Café Tupy deu-se ao meio-dia e foi um grande acontecimento na cidade, noticiada em jornais.
A Banda União dos Artistas participou quando da abertura das portas, e a Banda Carlos Gomes fez uma retreta ao entardecer. Diz O Albor, noticiando o fato com detalhes:

“Ao meio-dia já era muito elevado o número de pessoas que ia levar ao simpático proprietário, nosso estimado conterrâneo Jacop Pinto de Ulysséa alegre e efusivos cumprimentos pela criação do útil estabelecimento e percorria todas as dependências do Tupy: - O buffet, a sala do bilhar, a destinada a diversos jogos, e a esplêndida entrada ao ar livre, ladeada de dois elegantes galpões, onde estão colocadas algumas mesas, galpões que arrematam num pequeno chalet que tem pintado no fundo, caprichosamente, um belo chafariz, cujo efeito, à noite, torna-se deslumbrante pela luz magnífica do acetileno.
Meia hora depois, aproximadamente, comparecia a Banda de Música União dos Artistas, recebida num espocar de foguetes, e, oferecido gentilmente um copo de deliciosa cerveja aos assistentes, inaugurava-se o Café Restaurant Tupy. Usaram da palavra n’essa ocasião os nossos amigos dr. Américo Rabello e Antônio Cabral, aos quais saudaram o fundador d’aquela casa que vinha satisfazer incontestavelmente uma palpitante necessidade de nosso meio e representava mais um passo dado pela Laguna  na estrada amplíssima do progresso.
Dispersado o grande círculo que se formara em torno dos oradores, improvisaram-se logo partidas de tiro ao alvo, de bilhar de damas, de dominó e de muitos outros jogos, ao passo que os que não queriam jogar fortaleciam o estômago com doces, sanduíches, pastéis, queijo, fiambres, etc.
A banda musical à que já nos referimos permaneceu no Café até 3 horas da tarde, executando belos trechos de música e atraindo ao estabelecimento muitas pessoas.
Mais tarde apresentou-se a “filarmônica” Carlos Gomes, que fez uma magnífica retreta, mantendo-se o Tupy sempre concorrido e animado até perto da 1 hora da madrugada”.

Como vimos um grande acontecimento, com participação das duas Bandas, além da boca-livre com gentis copos de deliciosa cerveja, doces, sanduíches, pastéis, queijos, fiambres... Hummm... E foguetes, muitos foguetes que a cidade, sabemos todos nós, é fogueteira desde sempre. E a festa foi até à uma hora da manhã! À luz de bruxuleantes lampiões!
“Além de servir doces e salgados, possuía bilhar, jogo de damas, dominó e tiro ao alvo. Sua maior atração era um “zonofone” uma espécie de gramofone (fonógrafo), avô dos toca-discos, e bisavô dos CD's, aonde os fregueses iam ouvir música”. Hoje diríamos curtir um som. Em 1905!
E tinha até teatrinho em seu interior. Em 18 de fevereiro de 1906, os jornais anunciavam no Café Tupy a apresentação de “Um variado espetáculo de cenas cômicas, nas quais tomarão parte o impagável Joca Barbeiro e o afamado Zé Guedes”.
Este último certamente algum antepassado meu. Mas um Guedes cômico? Tão difícil... Um ponto fora da curva.

Em 27 de janeiro de 1907, menos de dois anos após a inauguração, Jacob põe o Café Tupy à venda “por necessidade de se retirar para fora da cidade”, explica no anúncio publicado no O Albor.
Jacob Ulysséa após outros investimentos no comércio, mais tarde foi nomeado fiscal do Imposto de Consumo, inicialmente na Laguna e depois transferido para Joinville e Itajaí, onde vai falecer, aos 52 anos, em 1925. Sua esposa Laura falece em 1962, aos 82 anos, em Florianópolis, deixando extensa prole.

Otávio Teixeira o segundo proprietário
Quem adquire o estabelecimento é Otávio Teixeira que vai administrá-lo até 1927, quando do seu falecimento.
Teixeira, o novo proprietário por vinte anos, “vinha encontrar um local digno”, diz Agenor Bessa numa crônica intitulada “Memórias do Boêmio”, publicada no jornal O Renovador de 8 de abril de 1989:

“O prédio que fazia frente para a rua Direita (Raulino Horn), vinha encontrar, além do salão mais confortável possível, dois varandões que o cercavam pelo sul, deixando o centro ao ar livre; ditos varandões, cobertos e bem mobiliados, proporcionavam à sociedade, os momentos mais agradáveis capazes, principalmente nas noites de verão”, descreve Bessa.
O prédio antigo do Café Tupy.
À noite, o local era iluminado por lampiões a querosene. Isso até 1915, quando a cidade passou à luz elétrica gerada por uma usina a óleo, da prefeitura.
Dois personagens caminham, em 1924, pela rua Direita (Raulino Horn). À direita da foto o prédio do Café Tupy, com o letreiro, já meio apagado pelo tempo, pintado na parede do estabelecimento.
Ruben Ulysséa numa crônica publicada no jornal Semanário de Notícias em 26 de março de 1977, escrevendo sobre cafés e bares de sua mocidade (nasceu em 1902), relembra:

“Digno de nota, só o tradicional Café Tupy, de propriedade de Otávio Teixeira. O Café Tupy na realidade, pouco café vendia; vendia mais cerveja e cigarros “Colossista”, fabricado por um irmão do proprietário. Era, sobretudo, o ponto onde os grandes tacos da comuna se reuniam para os jogos de bilhar, cercados sempre de grande assistência de desocupados que torciam em silêncio”.

Manoel Fiúza Lima o terceiro proprietário
O terceiro proprietário será Manoel Fiúza Lima, que adquire o velho imóvel, com o falecimento de Otávio Teixeira em 1927, conforme já informado. O prédio é demolido para construção de um novo edifício, de dois andares, que é o mesmo existente até os dias atuais.
Informa Bessa que Fiúza Lima “Em vista do não pequeno número de familiares, viu-se na contingência de desmanchar o prédio para construir outro no mesmo local, que pudesse residir com a família, além de ficar o andar térreo para a parte comercial, substituindo então, o poético pelo útil”.

Fiúza Lima dotou o estabelecimento de farto sortimento de bebidas e gêneros alimentícios, como se pode constatar neste reclamo, como então se denominava a publicidade:
A frequência e o ambiente eram seletos, “liderado pelo proprietário, Fiúza Lima, homem culto, inteligente e boêmio, deu-nos a impressão de que ali, era o centro da intelectualidade lagunense”, sublinha Bessa.
Em suas mesas podiam ser vistos, em variados anos, o jornalista José (Zeca) Duarte Freitas rabiscando suas crônicas para a Rádio Difusora, João Clemente de Carvalho, Boaventura Barreto, Eitel Bürger Frambach, médicos Ângelo Novi e Paulo Carneiro, Germano Donner, Pompílio Pereira Bento, Walmor de Oliveira, Manoel Américo de Barros, Dante Tasso, Luiz Remor, Antônio Bessa, Alberto Crippa, Juaci Ungaretti, Joca Moreira, Fernando Guedes (CEF), Giocondo Tasso, Nelson Almeida, Agilmar Machado, Archimedes de Castro Faria, João de Oliveira, Osmar Cook...
Sem falar dos carnavalescos de todas as épocas, Egeu Laus, Remi Fermino, Zavério Erght e muitos outros, de Blocos, Bolas e Escolas de Samba, “que ali permaneciam a desenvolver palestras das mais elevadas, que prendiam um e outro notívago que lá chegasse”.

E finaliza Bessa, poético:
“Eruditos e boêmios, que necessitavam horas de espiritualidade, procuravam àquelas mesas para tais encontros, onde a literatura, a filosofia, a história universal, eram abordadas naqueles momentos em que se confundiam com alguma quantidade de álcool, o incentivador das ideias adormecidas”.
Logo o local se tornou dos mais conhecidos. Talvez tenha sido sua fase mais áurea.
Anos depois, com o surgimento do serviço de alto falante Tupã, com sua corneta instalada na esquina em frente e depois a criação da Rádio Difusora, em 1946, memoráveis crônicas serão ali rabiscadas pelos nossos mais competentes cronistas, embalados por xícaras de café e rodadas de cerveja. Ali acorrerão populares para ouvir os resultados das apurações eleitorais. Gritos de torcedores em comemorações esportivas e aplausos ressoarão nos desfiles carnavalescos.

O mundo político, industrial e comercial, intelectual e jornalístico ali vai se reunir por gerações. Em suas mesas de tampos de mármore e pés de ferro, confabulações serão feitas, planos urdidos, dobradinhas formadas. Suas paredes testemunharão nascimentos de associações, times de futebol, entidades carnavalescas...
Poetas declamarão versos, embalados pelo vento nordeste que certamente soprará lá fora, dobrando a esquina em rajadas ou ao vento sul, vindo da Lagoa. Músicos comporão partituras e com seus mais variados instrumentos musicais puxarão acordes que se perderão no tempo.

Em 1968 o local estava fechado e deteriorado quando por sugestão do prefeito Juacy Ungaretti, Haroldo Izidro da Costa (pai do Aurélio do Antigo Big Ben) e mais tarde proprietário da lanchonete Brasão, assumiu o local em sociedade com seu Iugui Andrade.
Há uma completa reformulação nas instalações, com aquisição de modernos balcões e mesas em fórmica, geladeiras, freezers, etc. Transforma-se numa lanchonete, condizente com aqueles anos. Um ano depois será vendido. Diversos outros proprietários e arrendatários passaram pelo Café Tupy: Otto Pereira, Luiz Moreira, Irê Santiago da Silva, Pedro Cardoso, Jucemar Fernandes, José de Bem,  Luiz de Bem, Rui Silva, etc. 

Em meados da década de 1980 o imóvel, de propriedade de Cirilo Faria, novamente encontrava-se fechado, inclusive com tapumes em seu redor. É quando Paulo Roberto Lopes Magalhães e João Batista dos Santos (Batista da lotérica) o adquirem em sociedade. Paulo para ali transfere a Instaladora Rádio Elétrica, que havia pertencido a Aliatar Barreiros e posteriormente vendida a Dário Carvalho e Batista dos Santos.

Hoje no local do Café Tupy encontra-se a Instaladora Rádio Elétrica e outras lojas. No andar superior funciona a Associação Comercial e Industrial da Laguna – Acil, além do escritório da Junta Comercial (Jucesc). A parte superior já foi residência de várias famílias ao longo dos anos. Lembro que o saudoso radialista João Manoel Vicente ali também morou. No local também funcionou a Câmara de Vereadores.

 Evidentemente que existem e existiram outros locais como palcos democráticos para manifestações. Salões e buffets de clubes como o do Blondin, Congresso, Anita, 3 de Maio, barbearias, boticas, farmácias, armazéns, livrarias, bancas e padarias.
Os bares do Mercado Municipal em seu primeiro e segundo prédio,  da rodoviária antiga, o Café Bascherotto, o Monte Carlo, Café do Comércio, Brigitte Bar, o Brasão, Bar do Chico, para ficarmos em alguns mais recentes.

Mas, o Café Tupy (e sua decantada esquina), talvez – também - pela sua longevidade, pontifica na liderança como o mais conhecido. Ainda hoje, mesmo após anos de seu desaparecimento é comum ouvir de pessoas que viveram àqueles anos, a utilização do nome Café Tupy como ponto de referência.

E nos dias atuais? Existirá uma esquina na Laguna que ainda represente o palco e plateia onde se mesclam atores e público, em que o pensamento navega em desconhecidos mares e a palavra é livre? Onde se pratica o hábito desde que o homem é homem, de falar da vida alheia?
Em qual estabelecimento ainda reúnem-se seres em torno de uma mesa em busca da ágape fraternal que satisfaça paladares e igualmente forneça respostas existenciais e espirituais para nossas dúvidas?

5 comentários:

  1. Conheci o café tupy. Foi bem isso que escrevesse. Ali se reunia a elite política de Laguna. Depois virou simples lanchonete. Mais uma coisa que Laguna já teve. Dá uma saudade... E uma tristeza. José de Abreu

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  2. O Café Tupy e sua esquina movimentada na política e no carnaval. Aliás aquela rua ali junto com a miscelânea foi passarela de muita gente. Valeu Valmir pela lembrança e informações. Wilmar Coelho

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  3. Bom dia! Quanta informação para nos deleitarmos com nossas histórias. A propósito: Em floripa,quando passou por lá o Gal. Figueiredo, em 1979, não seria o Senadinho? Posso estar enganada... Enfim, adorava o local porque lá nos fundos, nos fornos da Imperatriz, meu pai trabalhava. Era na madrugada dos desfiles de carnaval que ele sempre vinha nos trazer aquele pãozinho quentinho... Eita tempo bom!
    Obrigada mais uma vez!

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    1. Oi Fátima, o Ponto Chic na esquina da Trjanao com Felipe, era também chamado de senadinho. Diariamente ali batia ponto, o "senador" Alcides Ferreira, trajado num terno branco e era assim conhecido. Bebia seu café no pires. Figuraço da Ilha. Bem por isso, todo local onde se reúnem algumas pessoas para comentar a vida alheia, a política, o futebol, etc. é conhecido como "senadinho".

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  4. Valmir, o Zé Guedes deve ser o meu bisavô, conhecido por suas piadas e peças que pregava nas pessoas. Segundo alguns parentes, ninguém escapava de suas brincadeiras, que muitas vezes, acabavam mal para ele.

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