19 agosto 2026
Faleceu Antônio Carlos Marega +
Faleceu na manhã
de hoje (19), em Porto Alegre, onde estava residindo, o ex-bancário, artista
plástico, colecionador, professor e memorialista lagunense Antônio Carlos Marega, aos 79
anos.
Nascido em 7 de
julho de 1947, Marega estudou na icônica Escola da dª Mimi, Grupo Escolar
Jerônimo Coelho e Conjunto Educacional Almirante Lamego.
Aprovado em
Concurso para o Banco do Brasil, trabalhou em Caçador e depois solicitou sua
transferência para Laguna, onde se aposentou.
Lecionou Contabilidade Bancária no
Colégio Comercial Lagunense (CCL), foi presidente da Associação de Assistência
e Defesa contra Lepra.
Foi sócio e
membro da diretoria do Clube Blondin. Foi sócio do Cordão Carnavalesco Bola
Branca e junto com Zavério Erght desenharam muitas fantasias dessa entidade
carnavalesca de salão.
Foi Irmão da Loja
Maçônica Fraternidade Lagunense e depois da Loja Maçônica Tordesilhas onde foi Venerável.
Devoto de Santo
Antônio dos Anjos, colecionava tudo o que podia sobre o taumaturgo, além de
imagens e lembranças das Festas anuais.
Colecionava motos em miniaturas, álbuns com figurinhas das Copas do Mundo e também dos "santinhos" de candidatos políticos.
Em 2023 foi homenageado na 41ª Semana Cultural da Laguna com a Comenda Domingos de Brito Peixoto.
Tornou-se fonte de pesquisas das mais variadas sobre a história e personagens da nossa Laguna colaborando com seus conhecimentos com professores, estudantes, pesquisadores, historiadores, jornalistas e escritores.
Era dotado de uma memória prodigiosa. Para quem apreciava era uma grande prazer ouvir o Marega, principalmente as histórias não oficiais, os causos que não se encontram registrados nas páginas de livros e jornais antigos.
Quando o encontrava e o visitava tornava-me ouvinte atento, a absorver tantas histórias. Trocamos opiniões e materiais, abordamos reminiscências e curiosidades. Aprendi muito. Sou e serei sempre credor de todas as suas valiosas informações e materiais que me cedeu.
Por minha
sugestão criou em 2012 um Blog intitulado Baú do Marega, com interessantes
matérias iniciais, mas pouco depois, interrompido.
Um adendo: Marega também produzia homeopatia, principalmente para doenças respiratórias como bronquites. Muita gente se curou com seus remédios.
Foi casado com
Solange Remor Marega, de saudosa memória, com quem teve cinco filhos: Graziela, Gabriel, Gláucia, Giovana e
Gabriela.
Sentimentos aos amigos
e familiares.
Cerimônia de velório vai ocorrer amanhã, quinta-feira (20) das 8 horas às 16h na Sala Mortuária Santo Antônio da Casa Funerária Gomsan, com cerimônia de despedida logo após, no Crematório São Matheus, em Capivari de Baixo.
14 agosto 2026
Rua do “Letreiro Borrado” no Centro da Laguna
Hoje, ao passar aqui na esquina da rua Barão do Rio Branco, no centro e
avistar a charmosa placa com o nome desta via, me lembrei de uma historinha
curiosa contada – dentre tantas - por Saul Ulysséa, em seu livro Laguna
de 1880.
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Hoje a rua Barão do Rio Branco mereceu uma bela placa no estilo das antigas, em esmalte azul na parede de seu casario colonial da esquina, totalmente restaurado pelo advogado Frederico Nunes. |
Antes uma explicação:
A hoje denominada rua Barão do Rio Branco, em homenagem a José da Silva
Paranhos Júnior, professor, diplomata, historiador, escritor, jornalista,
antigamente era chamada de rua 1º de março.
E por que 1º de março?
Em
homenagem à data em que aconteceu a vitória aliada na Batalha de Aquidabã, que
pôs fim à Guerra do Paraguai, em 1875.
É também,
coincidentemente, a data da fundação da cidade do Rio de Janeiro.
Diz Ulysséa, que essa rua teve anteriormente o nome de rua da Banca e
conta o porquê:
“Naturalmente em época muito anterior existiu alguma banca de peixe que
lhe deu o nome, em frente a esta rua, porque em 1880, era a banca em frente à
rua Tenente Bessa”.
Rua do Letreiro Borrado
E é aí que Saul Ulysséa passa a narrar o fato curioso:
“Anos antes foi Juiz de Direito da Comarca o dr. Duarte Pereira,
apelidado “Capivara”. Não sei se devido à irascibilidade ou exigência ao
cumprimento da lei ou outra qualquer coisa, o que é certo é que gozava pouca
simpatia por parte da população.
Os vereadores da Câmara, não sabemos por que motivo, entenderam dar seu
nome a uma rua da cidade.
Vê-se que já naquele tempo faziam parte da Câmara, como nos tempos
modernos, indivíduos que não compreendiam o valor da homenagem prestada a uma
pessoa, dando seu nome a uma rua.
A escolhida para homenagear o juiz, foi a rua da Banca. Foi colocada
placa com o nome de dr. Duarte Pereira.
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Placa do Letreiro Borrado (Rua Dr. Duarte Pereira) é a atual Barão do Rio Branco, no Centro Histórico da Laguna. Imagem gerada por IA. |
Ficou a rua da banca apelidada: “Rua do letreiro borrado”.
Não demorou
muito foi o d. Duarte Pereira removido e penso que nulificaram a homenagem
porque não consta nos livros da municipalidade a mudanças do nome da rua da
Banca se não para 1º de Março”.
Quem foi Duarte Pereira
Luiz Duarte Pereira foi juiz da Comarca da Laguna por quase dez anos, de 1862 a 1871, ainda durante o Império.
Nosso historiador Oswaldo Rodrigues Cabral informa que o apelido "Capivara" não se sabe se já existia "ou se na Laguna lhe colocaram a alcunha com que passou à posteridade, através das colunas dos jornais da época. O apelido lhe foi dado por pintar os cabelos que, com a tintura, ficavam malhados, de cor indefinida, entre o chocolate e o cinza".
Devia ser uma loção capilar avó do Pindorama que surgiu na década de 1940.
Cabral diz que o "dr. Luiz Duarte Pereira encheu as páginas da história da politicagem lagunense com os mais interessantes e pitorescos episódios".
Era um Conservador intransigente, sempre em briga com os políticos Liberais da Laguna.
O juiz Duarte era dado a processar jornalistas que o criticavam e promotores públicos.
Mandou até prender um barbeiro que demorou uns minutos para lhe atender.
Teve abaixo-assinado e extinção da Comarca da Laguna
Um abaixo-assinado foi feito com dezenas de assinaturas para remover o juiz. O documento foi enviado ao Imperador. O pedido não obteve êxito.
Para removê-lo, em abril de 1869 a Assembleia Legislativa, através dos deputados Liberais conseguiram a aprovação de projeto extinguindo - vejam só - a Comarca da Laguna, anexando-a à de Lages.
Com isso o Juiz Duarte foi nomeado Chefe de Polícia de Santa Catarina, e removido para Desterro.
E nesse novo cargo também aprontou poucas e boas, inclusive com perseguições a deputados que votaram pela extinção da Comarca lagunense.
Um ano depois, a mesma Assembleia revogou seu próprio ato e Laguna voltou a ter a sua Comarca, aí já com novo Juiz, Manoel do Nascimento da Fonseca Galvão.
Como se vê, Luiz Duarte Pereira, o Capivara, merece uma matéria especial sobre ele, em breve neste Blog.
09 agosto 2026
Os anti-heróis anônimos
Durante grande parte de sua vida Richard Calil
Bulos, o Chachá, de saudosa memória, mais até do que as artes plásticas (arte naif),
exerceu o jornalismo em nossa cidade. Bem por isso fundou inúmeras publicações
e foi redator de várias outras.
Foi um mestre na arte de escrever e de produzir
uma manchete chamativa, com pinceladas sensacionalistas.
Em seu estilo
registrou muitos acontecimentos do dia a dia da cidade. Ele sabia criticar,
elogiando. E extrair de um pequeno fato a seiva do texto que prenderia a atenção
dos leitores.
Tipos populares
Era justo em seus escritos aos elogios a
personalidades políticas, empresariais ou autoridades que se destacavam na
sociedade à ocasião.
Mas, também sabia fazer o mesmo ou até melhor
com os desvalidos pela sorte, com os não agraciados pela riqueza e sobrenomes,
pedintes e andarilhos que perambulavam pela nossa Laguna.
Hoje diríamos, pessoas em situação de rua.
São os chamados “tipos
populares”. Estes sempre existiram, em grande quantidade, em todas as épocas.
![]() |
Marengo. Gente da Minha Terra, de José Bessa. |
Vitória, João Frade, Felipe da Rebeca, Zé dos Papéis, Zé Bode, Edite Pandorga, Lata,
Andrino, Bibi-tudo, Arina, Sovai, Linguinha, Zé Bombril, Pesquisa, Gengivinha, Biguá, Clemente, Ibraim, Jiqui, Clóvis, Maria do Benoni, Quintino...
Foram tantos...
O lagunense José Bessa, em seu livro “Gente
da Minha Terra”, retratou muito bem alguns deles, pequenos e humildes, a
quem os chamou de “anti-heróis anônimos que em certa medida exprimem a alma
coletiva, ensinam verdade humana abeberada na fonte”. Seres humanos. Era o que bastava Quando do falecimento dos que mais se destacavam na sociedade lagunense, nosso jornalista Chachá produzia matérias memoráveis, despedidas emocionantes, tecendo loas aos seus nomes e destacando posições galgadas e currículos. Mas, também encontrava tempo e espaço no
jornal para registrar igualmente a morte dos que "viviam à margem da
sociedade", como se convencionou chamá-los. Eram seres humanos com seus dramas e
infelicidades, suas manias, vícios e psicoses. Seres humanos... Para Chachá era o que
bastava. Precisa realmente de algo mais? Até porque, cumpridos seus resgates, suas
jornadas terrenas, muitos desses personagens, ditos populares, devem estar
hoje em melhores moradas espirituais. Talvez, e bem ao contrário de alguns outros
figurões que tiveram discursos elogiosos, cortejos pomposos, enterrados com
seus títulos e vaidades. Estes, ainda podem estar vagando perdidos, odiosos e
odiados, mergulhados em seus segredos, mesquinharias e maldades de uma vida. Três registros obituários A título de curiosidade busquei em meus
arquivos de antigos jornais, três pequenos textos obituários produzidos pelo
Chachá. São registros de humildes falecimentos de
conhecidos personagens populares que marcaram época e gerações na história da
nossa Laguna. Mas, observem as singelezas dos textos! As
expressões de facetas sentimentais e poéticas nos despretensiosos
apontamentos de um adeus.
Sobre a morte do Quintino (Jan 1980): ...E os sinos emudeceram Ao contrário do romance “Por quem os sinos
dobram”, de Ernest Miller Hemingway (editado em 1940), os sinos da Matriz
Santo Antônio dos Anjos emudeceram no justo instante em que o errante
Quintino, diante da igreja, em caixão de degradante qualidade, era carregado
rumo ao cemitério público, na tristonha manhã de 15 do corrente. Momentos antes, eles haviam repicado, lenta,
mas sucessivamente, em sinal de adeus à uma dama da nossa sociedade, que, por
infelicidade, tivera em data igual o mesmo destino que ele. Que Quintino não trabalhava ou não gostava
de trabalhar lá isso é verdade. Todavia representou para Laguna a imagem do
indolente sem ser nocivo, do vagabundo que, se à época de Charles Spencer
Chaplin, teria servido de inspiração ao inconfundível ator e cineasta inglês,
criador da personagem dolorosamente cômica de Carlitos. Quem conhece a produção literária de
Hemingway, verá que os nomes dados a duas de suas obras se amoldam, por
ironia, a este fato que narro com pesar: - Por quem os sinos dobram? - Eles dobram por ti, por nós, por todos. “O sol também se levanta” (editado em 1926).
Por sua vez, traduz que o sol também se levanta para as criaturas pobres,
como o fora em vida o Quintino. Sobre a morte do Clóvis (Fev 1979):
Clóvis de tal. Que Deus o tenha na sua
guarda infinita e inviolável. Pobre criatura de ontem. Palhaço de muitos,
escravo da desilusão e do infortúnio. Clóvis, o farrapo humano que carreteava
pelas ruas centrais em busca de alimentos e de míseros cruzeiros. Um ser
desajeitado, sem atrativos físicos e proprietário de grave deformidade
psíquica. Ele, como muitos afirmam, não morreu da
bebida. Na realidade, Clóvis conheceu a morte e com ela se foi devido ao
pouco caso que a sociedade lagunense lhe endereçava. Morreu sem conhecer um prato de comida
ladeado de garfo e faca, sem conhecer a intimidade de uma mulher, sem haver
tido sobre o corpo uma roupa decente. Sobre a morte de Edith "Pandorga" (Out 1995): O céu ganha a sua Pandorga Edith cumpriu à
risca seu papel como espantalho de carne e osso. Tão ao ponto e com inigualável
singularidade, que a cidade a definiu como sua musa. Atriz das
madrugadas, tristes e longas madrugadas, montou sua ribalta ao relento,
assistida por uma plateia tão gélida como a lápide sepulcral. Uma certa
semelhança com outra Edith, dela separada por um oceano. Apenas, entre elas, a
inversão do tempo. Uma, mendigou na mocidade e morreu entre aplausos. A outra,
gozou bem a juventude, acabando na miséria. Edith Piaf, conviveu com prostitutas na França e foi símbolo da música popular francesa. Edith, a “Pandorga”,
de moça viçosa a farrapo humano, símbolo da resignação. Edith Severina de Jesus
nasceu em Cangueri – Imaruí, aos 12 de maio de 1910, sinal impagável da singeleza. |
08 agosto 2026
O adeus a Lenita Luiza Lindermann +
Faleceu nesta madrugada
em Criciúma, Lenita Luiza Lindermann, aos 77 anos, filha de Afonso e Helena Lindermann.
Durante muitos
anos atuou na tradicional empresa Comercial Silvio Castro.
Por mais de quinze
anos, entre as décadas de 80 e 90, presidiu o Sindicato dos Comerciários de
nossa cidade.
Um início difícil, de conquistas da categoria,
palmilhando passo a passo cada vitória, enfrentando obstáculos os mais
diversos, reações, caras feias e um status quo que até então
tudo podia.
Através do Sindicato dos Comerciários Lagunenses, Lenita conseguiu implantar horários de atendimento para o nosso
comércio, saídas e entradas pré-estabelecidas dos empregados, fixadas em
acordos de categoria, antes não cumpridos por muitos membros da classe
patronal.
Lutas por pisos salariais, melhores condições
de trabalho e diversas outras conquistas trabalhistas foram uma constante.
Honesta, correta em suas atitudes e decisões,
até porque foi também comerciária, oriunda da base da categoria, conhecia
profundamente os problemas encontrados. E os enfrentou com galhardia e coragem.
Muitas das conquistas hoje desfrutadas pela
categoria dos comerciários da Laguna são oriundas de lutas da época de sua
gestão.
Em 4 de outubro de 2020, em seu aniversário de
72 anos lhe dediquei neste Blog algumas linhas pelo seu trabalho, dedicação e caráter.
Para ler clique Aqui
Em 2001 Lenita foi
representante do Sindicato dos Comerciários junto ao Conselho Municipal de
Saúde.
Foi catequista na Matriz Santo Antônio dos Anjos em 2004. Foi festeira de Santo Antônio dos Anjos.
Atuou também na
área da Saúde na Unidade Municipal no bairro Mar Grosso.
Foi Voluntária
na Casa de Recuperação Nascer de Novo, ao lado de José Nazareno Duarte.
Junto ao NDN, onde foi tesoureira, colaborou - e muito - para retirar jovens
das drogas e do alcoolismo.
Velório inicia
às 13 horas na Capela Ametista, do Crematório Milenium, em Criciúma, com
cerimônia de despedida às 17 horas.
Sentimentos aos
familiares e amigos, em especial aos irmãos José Ricardo (Zezo) e Ruth e as sobrinhas
Sheila, Juliana (Juju), Maria Helena, Fernando, Daniel, Raquel, Valéria, Leonardo e Fernanda.
07 agosto 2026
O navio Dente de Coelho naufragou na Laguna e levou com ele uma locomotiva
Tarde de verão de um mês de março. Um barco, como tantos outros rotineiramente faziam, se aproxima da embocadura da Barra da Laguna. Em seu porão transporta uma locomotiva. A travessia pelo canal é para ser rápida, cinco a dez minutos de duração. Após esse tempo chega-se a um porto franco, seguro e abrigado. De repente a embarcação vai em direção às pedras do Morro do Tamborete. O que teria acontecido?
![]() |
Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA). |
Domingo, 18 de
março de 1917. O relógio ia marcar pontualmente 16 horas. Tarde quente daquele
verão.
O Iate Dente
de Coelho oriundo do Porto de Paranaguá, no Paraná, trazia em seu porão uma
locomotiva e vinte e três volumes de ferragens diversas destinadas à Estrada de
Ferro D. Teresa Cristina.
Era sua primeira
viagem com destino ao Porto da Laguna. Além de velas era movido por um motor a
gasolina de 70 cavalos.
Seis homens
compunham sua tripulação.
Os
Molhes da Barra estavam em construção
Iniciadas em 1903, continuavam as
obras de construção dos molhes do Porto da Laguna com o intuito de maior vazão e aumento do calado.
Em 1917 o guia
do Molhe Norte estava com 700 metros de extensão já implantados. Já o guia do
Molhe Sul ainda não havia sido iniciado.
O choque com as pedras do Morro do Tamborete
Procurando
entrar no canal através da boca da Barra, o navio perdeu seu rumo e minutos
depois chocou-se às pedras de granito róseo do Morro do Tamborete, fazendo
água. Logo a seguir, arrastado pela vazante, naufragou parcialmente sua proa e
encalhou nos baixios.
Algumas
testemunhas que estavam pescando nos costões próximos ao local, disseram que o
navio parecia ter perdido o leme.
Os tripulantes
conseguiram descer o escaler. Com muita dificuldade chegaram nas areias de uma
pequena enseada situada ali perto, onde desembarcaram. Estavam assustados, mas são
e salvos.
A capatazia do
porto foi logo avisada e um rebocador da Alfândega de Florianópolis foi chamado
pelo telégrafo. Poucas horas depois ao chegar ao local do acidente, nada mais
podia ser feito.
A bordo do
rebocador veio João Sanford, guarda-mor da repartição.
Uma jangada para salvar a locomotiva
Chamado às
pressas nos escritórios da Estrada de Ferro, em Tubarão, o diretor Roberto
Helling se dirigiu ao local.
Visando salvar a
locomotiva deu ordens para construção de uma jangada com um guindaste a bordo
para içar a máquina.
Mas, com o
passar das horas e a força das ondas que batiam em seu costado, o navio adernou
demasiado.
Foram
infrutíferos todos os esforços de salvamento.
A chegada de ferragens e maquinários como locomotivas em porões de navios para a Estrada de Ferro D. Teresa Cristina vai se tornar rotina, principalmente a partir da década de 1940 com a criação do porto carvoeiro da Laguna. Como se pode observar na foto abaixo:
![]() |
Cais do Porto Carvoeiro da Laguna, década de 1940. Uma locomotiva é içada do porão de um navio. Autor desconhecido. |
Um inquérito
marítimo para apurar o sinistro foi aberto pela Capitania dos Portos e Mesa de
Rendas da cidade. Naquela época as duas repartições federais participavam
conjuntamente quando de sinistros marítimos.
Problemas mecânicos e imperícia
Foram realizadas
as oitivas das testemunhas, dos tripulantes da embarcação e do Prático da
Barra.
Constatou-se em
averiguação técnica na embarcação, que o leme apresentava defeitos, sem
condições de segurança e resistência. “A parte superior da peça era embutida
numa cavidade insuficiente e não se achava fixada à respectiva base por pinos
que o varassem”, registrou o relatório.
Além do problema
mecânico, o inquérito concluiu que o mestre do navio, Joaquim Antunes colaborou
para o incidente “por haver efetuado as manobras com imperícia ao faltar o
governo do navio, não utilizando-se das âncoras e motor da embarcação para
evitar, pelo menos, o desastre total".
Como penalidade
o mestre foi suspenso por três meses de suas funções.
A carcaça de um navio junto com uma locomotiva repousam no fundo do mar
Com essas
informações, ficamos sabendo que em frente aos rochedos de granito róseo da
Ponta do Tamborete, situados poucos metros depois da entrada do Molhe Sul da
Barra da Laguna, repousa a carcaça do navio Dente de Coelho, tendo em
seu interior uma locomotiva e suas ferragens.
A embarcação não
estava no seguro, conforme noticiou a imprensa da época.
O prejuízo foi
calculado em 80:000$000 (Oitenta contos de réis), moeda de 1917.
Utilizando-se parâmetros
hipotéticos de atualização, como critério de compra (numa proporção histórica)
daria atualmente um valor estimado de R$ 4 milhões e meio de reais.
No cálculo, cada
conto de réis da época convertido para os dias de hoje valeria R$ 56 mil reais.
O proprietário era norte-americano e morava no Paraná
O iate Dente
de Coelho era de propriedade de Réo Benett, fazendeiro no município de
Guaratuba no litoral paranaense.
Benett foi um
empreendedor norte-americano que emigrou para o Brasil no início do século XX.
Ficou conhecido por atuar como concessionário de grandes obras de
infraestrutura e exploração mineral no Sul e Centro-Oeste do Brasil.
Juntamente com
sua esposa Catarine Benett fixaram residência na região de Cubatão, no Paraná e
iniciaram plantação de banana caturra com sementes oriundas de Santa Catarinas,
além de outros empreendimentos.
05 agosto 2026
Faleceu a professora Amélia Baumgarten de Ulysséa Baião+
Faleceu nesta quarta-feira (5) em hospital de Tubarão onde estava internada, nossa eterna Orientadora Educacional, professora Amélia Baumgarten de Ulysséa Baião, aos 91 anos.
Nascida em 11 de
fevereiro de 1935, filha de Yvonne Cabral Baumgarten e Walter Baumgarten
Júnior. Irmã de Lúcia Baumgarten.
Fez os estudos
primários no então Grupo Escolar Jerônimo Coelho. O Ginasial e a Escola Normal
no Ginásio Lagunense.
Formou-se em Pedagogia,
com Especialização Escolar na antiga Feesc, em Tubarão.
Em 1957 casou-se
com Jairo Ulysséa Baião, de saudosa memória (faleceu em 17 de dezembro de 2020).
Aliás, seu professor no Ginásio Lagunense.
Da feliz união nasceram os filhos
Sílvia, Maurício, Antônio José (Dedô) e Vera.
Há muitos anos
era moradora no entorno da Praça República Juliana número 53, no Centro Histórico da Laguna.
Estudou em sua
infância piano e balé. Mas foi na Educação que encontrou seus objetivos de vida
e profissionais.
Era adepta de um viver saudável. Mesmo com já certa idade
pedalava sua inseparável bicicleta todas as manhãs até o Mar Grosso para
banhar-se.
Foi professora primária, depois secundária e Orientadora Educacional no Conjunto Educacional Almirante Lamego (Ceal) e Colégio Comercial
Lagunense (CCL). Aliás, sendo precursora na Laguna nessa última atividade.
Em muitas
solenidades culturais esteve presente com seus inteligentes discursos que
pregavam o amor, falavam em Educação e na Laguna e emocionavam os presentes.
Acompanhava
atentamente o noticiário, inclusive o local, ouvindo as emissoras de rádio e
assinando os jornais da nossa cidade.
Foi Voluntária
da Caixa de Socorro aos Tuberculosos, e da Rede Feminina de Combate ao Câncer.
A partir do ano
de 1983, e por seis anos consecutivos na gestão de João Gualberto
Pereira-Rogério Wendhausen (1983-1988), dª Amelinha, como era conhecida
carinhosamente, foi Secretária Municipal de Educação, Saúde e Promoção Social.
Na gestão Jorge Zanini-Nazil
Bento Júnior (1993-1996), assumiu a titularidade da Secretaria de Educação e
Esportes.
Foi oradora da
Creche Padre Agostinho (1998).
No ano de 1999
recebeu uma série de homenagens
Foi agraciada
com a Medalha de Mérito Domingos de Brito Peixoto, na segunda gestão do
prefeito João Gualberto Perera-Rogério Wendhausen (1997-2000).
Em Sessão Solene
realizada na Laguna pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina
(IHGSC), recebeu a Medalha Celebrativa do Sesquicentenário da morte de Anita Garibaldi.
Foi homenageada
pela diretoria do Asilo Santa Isabel, de nossa cidade, quando das comemorações
do cinquentenário dessa entidade filantrópica, em que muito contribuiu.
Foi uma das
homenageadas pelo, hoje extinto, Colégio Comercial Lagunense (CCL), quando das
comemorações do cinquentenário desta instituição de ensino. Era diretor na
ocasião, o professor Danilo Prudêncio Costa.
Ainda em 1999,
pelos relevantes serviços prestados à Educação, foi homenageada com o Troféu O
Pyrilampo, organizado e promovido pelo cronista social Thiago Santiago do
jornal O Correio.
Em 2008, na
gestão do prefeito Célio Antônio-Aderbal Zapelini Mendes (2005-2008) assumiu a
presidência da Fundação Irmã Vera.
Em 2016, em
Sessão Plenária do Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina (CEE-SC), recebeu o Diploma
Mérito Educacional, como símbolo de reconhecimento dos membros do Colegiado
pelo trabalho voltado à educação catarinense. A indicação partiu do lagunense,
professor Maurício Fernandes Pereira, integrante do Colegiado.
Quando de seu discurso como homenageada, dª Amélia assim se manifestou em suas palavras finais:
“O ser humano tem condições de
armazenar conhecimentos, muitas vezes inúteis e sem conexão com a vida. E essa
conexão precisa existir, obrigatoriamente.
Estamos tentando! Claro que sim…. Mas
ainda vivemos esse dilema. O importante é continuarmos tentando sempre, até um
dia em que viveremos o triunfo da educação! E o Brasil será rico
verdadeiramente”.
Ainda em 25 de
março de 2026, foi homenageada pela Câmara de Vereadores da Laguna, juntamente
com outras trinta e nove mulheres de nossa cidade, com a Medalha Professora Júlia
Nascimento.
A honraria
valoriza trajetórias inspiradoras e reconhece o papel fundamental das mulheres
no desenvolvimento da Laguna, destacando atuações nas áreas social, cultural,
econômica e comunitárias.
Representando dª
Amelinha, sua filha Vera recebeu a homenagem em plenário especial instalado no Cine Teatro Mussi.
Nossos
sentimentos aos amigos e familiares pelo falecimento.
PS: Velório acontece das 7 horas às 14 horas dessa quinta-feira (6) na Sala Mortuária Diamante, da Funerária Central de Luto Cristo Rei. Logo após, sepultamento no Cemitério da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio dos Anjos.
29 julho 2026
Parabéns, Laguna pelos teus 350 anos!
A Laguna de todos nós comemora seu 350º aniversário na data de hoje. Uma
quarta-feira úmida, chuvosa.
Uma Laguna de valores e vultos notáveis, berço de
heróis da pátria. Uma terra abençoada por Deus em suas belezas naturais.
Laguna das tradições do seu povo, da religiosidade, da cultura,
gastronomia, das praias, de seus casarios, do carnaval, dos botos, do Farol de
Santa Marta, da Pedra do Frade, de Anita Garibaldi, de Nossa Senhora da Glória,
de Santo Antônio dos Anjos. Laguna o lugar de nossas vidas.
Em depoimentos orais, nas nossas memórias e de nossos antepassados, na
leitura de livros e jornais que marcaram época, a constatação da pujança de uma
cidade que foi pioneira no sul do estado nas mais diversas áreas.
Tantas histórias...
Laguna foi tudo!
Mas também uma Laguna há muito tempo maltratada pela incúria dos homens,
traída em seus ideais, negociada em suas aspirações.
Uma Laguna que já perdeu tanto, inclusive grande parte de seu
território.
Uma Laguna do já teve e que sonha em voltar a ter.
Laguna que a tudo resiste, teimosa, impávida, única.
Porque os homens passam e alguns ficam nos rodapés da história, enquanto
outros são esquecidos para todo o sempre.
Laguna de esperanças...
Parabéns, Laguna de todos nós que amamos essa terra, em seus 350 anos.
28 julho 2026
Resultados do IIIº Concurso Cultural promovido pela ALBSC - Laguna
Academia de
Letras do Brasil de Santa Catarina–Seccional Laguna (ALBSC-Laguna), divulgou o
resultado do IIIº Concurso Cultural que promoveu dentro das Comemorações dos
350 anos do Aniversário de Fundação da Laguna. (Leia o resultado abaixo).
Eis um Concurso
de muita importância em prol da Cultura.
Tive a
oportunidade de participar com o Conto Sertanejo, um barco à deriva nos
Mares do Sul classificado em primeiro lugar.
Parabéns a todos
os participantes pelos trabalhos apresentados nas categorias Conto, Poesia,
História em Quadrinhos, Desenho e Roteiro de Teatro.
E parabéns a todos
os organizadores do evento, aos confrades e confreiras da nossa Academia de Letras nas pessoas do presidente da ALBSC Maurício de Oliveira Silva e da secretária
Karmensita da Rocha Cardoso, grandes baluartes dessa entidade de Letras.
![]() |
Participantes e classificados no Concurso Cultural com integrantes da Academia de Letras do Brasil, de Santa Catarina - Seccional Laguna. Foto: Julita da Silva Barreiros Guedes. |
Nesta noite de
terça-feira (28), em solenidade no Clube Blondin durante o Café e Sarau
Literário da ALBSC, foram entregues Medalhas e Certificados aos participantes e
classificados.
O evento contou com uma linda homenagem ao saudoso Comendador Leamir Antunes da Rocha, apresentação das cantoras do Grupo Cantoria do Sesc e do cantor Joãozinho Rodrigues.
Mestre de Cerimônia foi o radialista Paulo Cereja, sempre com competência e humor.
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Presidente da Academia de Letras do Brasil - Seccional Laguna quando da entrega do Certificado de Participação e Medalha pelo Terceiro Lugar na Categoria Contos a este autor. Fotos: Elvis Palma. |
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Mestre de Cerimônias radialista Paulo Cereja, sempre com competência e bom humor. |
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