Em 2012, em pesquisas sobre Laguna, descobri num parágrafo de um pequeno folheto
editado pelo nosso historiador Oswaldo Rodrigues Cabral, a informação preciosa que
D. Pedro I havia passado por Laguna, aqui pernoitado e assistido uma missa em
1826.
Um fato histórico até então desconhecido do grande público, de
escritores, pesquisadores, jornalistas, professores e alunos de história. Ou seja: a passagem por essa região de um vulto da família imperial, história nunca abordada pela
imprensa lagunense do século XIX e XX.
Fui em busca de maiores dados e pude assim escrever a matéria que publiquei
em meu Blog em 7 de setembro de 2012, lá se vão treze anos. Na época ninguém deu maior importância. Aqui
Eis uma passagem histórica que merece sim! ser registrada e entrar para o nosso calendário histórico-turístico-cultural, inclusive com encenações teatrais (como ocorre neste sábado), cavalgadas, palestras, etc.
A avenidas Costa Carneiro e Lucas Bicalho não existiam no século XIX e primeiras décadas do XX
Em 1826 não existiam as ruas Costa Carneiro e Lucas Bicalho. Logo, D.
Pedro I não pode ter passado ou chegado ao centro da cidade cavalgando por ali.
E não sou eu que estou dizendo que as vias não existiam, mas sim Saul Ulysséa em seu livro A Laguna de 1880,
quando diz textualmente na página 63 se referindo ao Mar Grosso:
“NÃO HAVIA AS AVENIDAS COSTA CARNEIRO E BICALHO”.
E aí leitor, se não existiam essas ruas em 1880, data-base referência da obra
de Ulysséa, imaginem em 1826!
A Costa Carneiro foi inaugurada em 1919 e a Lucas Bicalho na década de
1940.
Depois, já na década de 1960, foi aberta a rua Luiz Severino Duarte
(curvas do Iró), com o fechamento e desaparecimento da Lucas Bicalho para
construção do Laguna Tourist Hotel.
Mas, como tudo hoje são narrativas...
E como se chegava à Laguna?
No século XIX chegava-se à Laguna, é óbvio, pelo mar, a bordo de navios e barcos. Ou
pelo Norte, através de picadas, trilhas e cavalgando pelas areias das praias.
Por exemplo, o viajante vinha de Desterro e ao chegar ao costão do Iró
com seu alto paredão de pedras, costeava esse costão pela franja do morro em
direção à rua Almirante Lamego, no Campo de Fora, saindo depois já no centro da
cidade.
Bem por isso a Estação da Estrada de Ferro foi construída em 1880 e inaugurada em 1º de setembro de 1884, bem
ao lado de um Sambaqui existente então chamado Caeira.
Era a única passagem, já que toda a extensão ao lado, em direção aos hoje bairros
Progresso e Portinho, eram lagoas profundas e cômoros de areia perigosos ao viajante. Intransitável.
Dois viajantes contam suas chegadas à Laguna por terra no século XIX
Esse foi o trajeto que o viajante Auguste de Saint-Hilaire fez em 1820 quando
passou por nossa cidade (então Vila), vindo de Desterro:
“Passamos paralelo ao Morro da Laguna e chegamos à Laguna à margem leste
da lagoa também desse nome,” registrou ele em seu diário.
Outro viajante Roberto Avé-Lallemant que aqui passou em 1858 disse:
“Afinal, pareceu terminar então nossa cavalgada. Um dorso da montanha nos
obrigou a abandonar a costa e a andar mais uma légua sobre areia. Depois, subitamente,
defrontou-se-nos Laguna, com a sua larga baía e, minutos depois, era eu amavelmente
recebido pelo Dr. Vieira, primeiro magistrado da pequena cidade”.
