Blog do Valmir Guedes - Laguna
E-mail: valmirguedes@yahoo.com.br
14 junho 2026
13 junho 2026
Uma caminhada pelas ruas da Laguna com Santo Antônio dos Anjos
Como tradicionalmente
e anualmente acontece a poucas horas antes de sua Transladação, a imagem de Santo
Antônio dos Anjos deixa a Matriz e vai em direção ao bairro Magalhães ou Progresso.
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Foto: Valmir Guedes Júnior |
No caminho faz a tradicional viradinha defronte a algumas residências, muitas delas enfeitadas com balões coloridos e cartazes do padroeiro.
Vídeo: Sheila Lindermann
Além dos Irmãos
da Irmandade que levam o Padroeiro em seu andor, muitos fiéis o acompanham no trajeto.
Uma tradição
histórica, religiosa, misto de amor e fé.
11 junho 2026
Santo Antônio casamenteiro e as simpatias. Se milagres desejais...
As tradições nada mais são
do que a ciência de um povo, cultura, hábitos, normas e doutrinas que compõe o
arcabouço de seu patrimônio imaterial, atravessando gerações.
São as mais diversas as
tradições que o povo lagunense mantem ao longo dos anos, em relação ao seu
padroeiro Santo Antônio dos Anjos.
Uma delas é que, ao encerrar
da festa, os devotos, pós-procissão, colhem as flores do andor. Uma verdadeira
relíquia para os fiéis, mesmo com pedidos para não o fazerem.
Outra tradição, ainda
amplamente praticada, é a colocação de bilhetinhos em nichos da imagem ou aos
pés do Santo, antes de ser ele reconduzido ao altar-mor após as festividades ou
mesmo durante os dias alusivos.
Nos bilhetes, os mais
variados pedidos ou agradecimentos por graças alcançadas, em gestos de
esperança e fé do povo.
Aos pés de Santo Antônio dos Anjos
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Os tradicionais bilhetes aos pés de Santo Antônio dos Anjos com pedidos e agradecimentos dos fiéis, deixados com muita fé e orações. Foto: Valmir Guedes Júnior |
De todos os santos é bem
provável que Santo Antônio seja o mais venerado.
Veio de Portugal para o
Brasil com fama de casamenteiro e por aqui se tornou também conhecido.
Além de ser o santo das
causas perdidas, a quem o crente recorre no momento de desespero e de procura,
através do responso.
A paradinha do Santo
Outra tradição que foi
incorporada à cultura local, é a famosa paradinha da imagem do santo.
Dizem os costumes que, se no
dia da Procissão o santo der uma paradinha casual defronte a uma casa e nela
estiver uma moça solteira, é batata. Casamento na certa. E em breve.
E que ninguém duvide, porque
atestam os mais antigos que Santo Antônio dos Anjos já operou verdadeiros
milagres por essas bandas, “desencalhando” muitas titias que já eram dadas como
casos perdidos.
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Na procissão de Santo Antônio dos Anjos a paradinha casual defronte à casa é sinal de casamento à vista na residência. Foto: Valmir Guedes Júnior |
No entanto, um detalhe: se o
santo desse a paradinha e não houvesse moça com vistas a matrimônio, morreria
uma pessoa ali residente.
Imagine às vezes a torcida de
inimigos, de algum adversário ou até de um vizinho mais maldoso.
Bem por isso, contam os mais
antigos da Laguna, que casais de mais idade ou que não tinham filhas,
convidavam sobrinhas, parentes ou moças conhecidas para se postarem nas janelas
de suas casas.
Uma forma de fugir a
presságios, digamos, funestos. Como se alguém pudesse ludibriar o santo...
O Toc-Toc-Toc na porta da
igreja
Outra tradição que ainda se
perpetua até os dias atuais, se dá por volta da meia-noite do dia 12 (Dia dos
Namorados) para 13 de junho quando, com a igreja fechada, moças e atualmente
também muitos rapazes, se posicionam defronte às portas frontais da
matriz, formulando o desejo de encontrar seu príncipe (ou princesa) encantado(a).
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O Toc-toc-toc nas portas da Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos já é uma tradição praticada sempre à meia-noite de 12 para 13 de junho. Foto: Elvis Palma ano 2025. |
Em cada batida na porta o
diálogo com o santo, deve ser repetido três vezes:
- Toc. Toc. Toc.
Santo Antônio, Santo Antônio,
se estais dormindo acorda.
Se estais acordado,
responda pela boca de alguém
o nome da pessoa com quem
vou me casar.
Nas próximas 24 horas deve-se
ficar com as orelhas em pé, captando as conversas dos outros para ouvir um nome
que será o do futuro amado. Não vale diálogos de familiares ou amigas.
As 13 moedas para 13 pessoas
Outra simpatia muito usada
há alguns anos nas ruas da Laguna, era doar no dia 13 de junho, 13 moedas para
13 diferentes pessoas oferecendo a moeda em nome de Santo Antônio. A tradição é
que o gesto caridoso abria caminhos para o amor.
Papéis embaixo do
travesseiro
Outra simpatia muito usada antigamente
por aqui era na noite de 12 para 13 de junho escrever os nomes de seus
pretendentes em pequenos papéis, dobrá-los e colocá-los embaixo do travesseiro
ao se deitar.
Na manhã seguinte, ao
acordar, sem olhar, pega-se o primeiro papel. O nome que constar será o(a)
futuro companheiro (a).
Mesma roupa e até repetição
de peças íntimas
A sempre lembrada Nair
Ulysséa, estudiosa que foi das manifestações religiosas em nossa cidade, em sua
obra “Três Séculos na Matriz...”, relembra que muitos devotos na Festa de Santo
Antônio dos Anjos “prometiam assistir a todas as novenas, com a mesma roupa
para conseguirem o que estavam pedindo ao santo”.
“Moças, ao contrário,
assistiam a todas as novenas, cada noite com um vestido novo, para casar-se
naquele ano”.
Há quem fale que algumas
pessoas repetiam em todas as noites de trezenas as mesmas peças íntimas.
Treze dias com a mesma
calcinha? Com a mesma cueca?
- Qué qué isso minha
gente!...
O que é que não se faz... olha o sacrifício em busca de um amor.
Essas são algumas – há outras dezenas - de simpatias que contam os historiadores e memorialistas lagunenses
mais antigos.
08 junho 2026
Uma igreja sem bancos (bancadas) até 1912. E onde os fiéis se sentavam?
Quem frequenta a
nossa igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos e senta-se em um dos seus dezenove
pares de adornados bancos, murmurando orações com muita fé, assistindo missas e
novenas, não imagina que antes o local não era assim.
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Interior da Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos da Laguna em junho de 2026 com seus adornados bancos preparados para as novenas. Foto: Valmir Guedes Júnior. |
E era diferente
porque simplesmente esses enormes e compridos móveis de madeira não existiam. Pelo menos
até o ano de 1912.
E onde os fiéis se sentavam?
Conforme a
saudosa dª Nail Ulysséa, de tradicional família, catequista, estudiosa da
religião católica em nossa cidade, em suas pesquisas que nos legou publicadas em 1976 no livro “Santo Antônio dos Anjos da Laguna – Seus Valores Históricos e Humanos”,
no capítulo Três Séculos na Matriz:
“A igreja, até
1912, não possuía bancos. As senhoras e crianças, se quisessem, sentavam-se no
chão, que era todo ladrilhado ou assoalhado, ou nos degraus dos altares. Os
homens sempre de pé.
Em agosto de
1912, foram colocados os primeiros bancos na igreja, bancos muitos simples”.
De fato,
encontramos no jornal lagunense Democrata de 21 de abril de 1912, uma
pequena nota registrando a compra dos bancos.
Ela informa que o
vigário da época, padre Francisco Xavier Giesbert (esse o sobrenome correto) foi quem contratou o
marceneiro Antônio Magalhães Castro, residente em Tubarão, para execução de
vinte bancos para serem instalados na Matriz. Mais tarde outros dez bancos
foram encomendados e colocados.
Quatro meses depois, o jornal lagunense O Albor de 18 de agosto de 1912, já registrava a colocação dos primitivos bancos trazendo a manchete:
"A
nossa Igreja Matriz"
"A nossa Igreja acaba de passar por uma reforma, que se torna de grande conveniência para o Culto: referimo-nos ao melhoramento que nesse templo foi agora introduzido com a colocação de bancadas para a assistência dos fieis aos atos do culto divino.
Não há dúvida, que assim fornecido o amplo recinto da Igreja, desses bancos, a Irmandade S. Antônio dos Anjos proporcionou uma comodidade ao público, dando-lhe igualmente ocasião para mais pia e reverentemente acompanhar-se os ofícios e solenidades da nossa religião".
E dª Nail
completa as informações sobre esses primeiros bancos da igreja Matriz:
“Em 1952 esses
bancos foram substituídos pelos atuais, já, então, em estilo condizente com a
igreja, desenho de um sacerdote do Colégio Dehon e confeccionados nas oficinas
da Estrada de Ferro, entrando a igreja apenas com o material, por gentileza do
Dr. Anes Gualberto, que era diretor da ferrovia”.
Balaustradas ao
redor
Ao redor do adro
havia balaustradas, como se pode observar na raríssima foto acima publicada, datada do
início do século XX, mais precisamente de 1905. E na foto abaixo, de 1921.
“Sobre estas
balaustradas as mães costumavam sentar as crianças pequenas”, informa dª Nail.
"Entre os anos de
1924 e 1928, para dar maior comodidade aos fiéis, essas balaustradas foram
retiradas".
Ladrilhos
hidráulicos
Quando foram
colocados os primeiros bancos em 1912 todo o piso central da igreja desde 1902 havia
sido ladrilhado com os chamados ladrilhos hidráulicos.
A frente e os
corredores laterais continuaram assoalhados, somente recebendo os ladrilhos mais de três décadas depois, em
1944.
Com a última
grande reforma na igreja (ano 2000) todos esses ladrilhos foram retirados e
substituídos por madeira. A meu ver, erroneamente. Hoje periodicamente essas
tábuas têm que ser substituídas por apodrecerem e/ou quebrarem.
Ficaram alguns
exemplares desses ladrilhos nas soleiras das três portas da entrada frontal que se juntam com as pedras de gnaisse. E na soleira da porta lateral norte, como
se pode observar no local e nas fotos abaixo:
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Soleira da porta principal da Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos da Laguna, com faixa de ladrilhos formando desenhos geométricos de estrelas. Foto: Valmir Guedes Júnior. |
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Soleira da porta lateral norte com faixa de ladrilhos formando desenhos geométricos de estrelas. Foto: Valmir Guedes Júnior. |
Parabéns, Elvis Palma
Parabéns, Elvis Palma pelas
fotos das Festas de Santo Antônio dos Anjos feitas desde o ano de 2015. Ele,
que completa este ano de 2026 seus doze anos consecutivos de cobertura
fotográfica.
Uma importante missão e verdadeira maratona em
registrar os momentos da maior festa religiosa do nosso município. Uma preciosa galeria histórica.
E pelas lentes atentas do
Elvis acompanhamos cada momento em centenas de cliques dos festejos.
A charge publicada em seu face mostra bem a correria em que ele vive esses dias.
05 junho 2026
Jornalista escreve sobre o Farol de Santa Marta e o camarão da Laguna
Jornalista Luana
Miguel do Portal NSC Total vem emplacando ótimas reportagens sobre aspectos sociais,
econômicos e turísticos de municípios do sul do estado.
No dia 3 de
junho último, ela abordou o nosso Farol de Santa Marta, ponto turístico dos
mais conhecidos, além de sua importância para a navegação.
A reportagem
traz antigas fotos do Farol e seu entorno, buscadas do Arquivo Público de Santa
Catarina. Além de fotos atuais.
Luana escreve sobre aspectos
da construção do Farol, materiais utilizados na obra, além de alguns
dos mistérios que rondam aquele Cabo, chamado de “Esquina do Atlântico” e onde verdadeiramente o vento faz a curva.
Um deles foi o “Navio
Fantasma” que apareceu à deriva por lá em 1879, sem tripulantes. E cita minhas
pesquisas sobre esse estranho naufrágio e já publicadas Aqui no Blog.
Lembrando que o
Farol de Santa Marta abre para visitação pública no primeiro fim de semana de
cada mês, das 9h às 11h e das 14h às 17h. Para visitá-lo basta doar um quilo de alimento não perecível.
Para ler a
matéria sobre o Farol clique Aqui
Um dia antes,
outra ótima reportagem da jornalista abordou o camarão rosa da Laguna e sua importância
econômica e social.
Para ler esta reportagem
clique Aqui
04 junho 2026
FOTO-RETRÔ
Convenção da
Saudade dos Lions Clubes de Santa Catarina, de 27 a 29 de abril de 1973 em
Brusque-SC.
Na foto, a delegação da Laguna.
De acordo com Carlinhos Horn, um dos presentes ao encontro, nessa jornada o Lions da Laguna foi classificado como o clube de maior representação, em proporção.
Da esquerda
p/direita:
dr. Arno Schimidt, Eliete Silva Nedef, Carlos Alberto Mussi, Nelson Gomes Mattos, Jaime de Souza Siqueira, Márcio Spillere da Silva e Maria Águeda Barreto Spillere, Leandro (Juca) José Crippa, Sônia Maria Brum Ribeiro (Horn), então casada com Carlinhos Horn), Vinicius Uliano, João Batista de Bassi Filho, Antônio Joaquim de Castro Faria
(Tuba).
As duas domadoras ao lado de Vinícius Uliano uma delas é a Bernadete Araújo Crippa, casada com o Juca Crippa. A outra ainda não reconheci. Quem sabe algum leitor...
Agachados: José Carlos
Natividade (Bujú), Francisco Zanella Nunes, Carlos Araújo Horn, Joselino Alves de Oliveira, dr. João
Rui Szpoganicz, Sérgio Martins Nacif e Reinaldo Domingos.
As duas domadoras na extrema direita: a primeira é a Maria Salete Rodrigues (Domingos) (então casada com Reinaldo Domingos). A segunda é Neusa da Silva Mattos (casada com Nelson Gomes Mattos), conforme reconhecimento do nosso leitor Fernando (Mego) Lopes Fernandes.
Foto: Acervo Joselino Alves de Oliveira.
31 maio 2026
Ministra da Cultura recebeu livro sobre centenária Banda Musical lagunense
Ministra da Cultura
Margareth Menezes recebeu exemplar do livro Sociedade Musical União dos
Artistas – Atravessando Os Séculos, de minha autoria.
A entrega foi
feita pelo presidente da nossa centenária sociedade musical, Giovani Cardoso na
última sexta-feira, 29, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Na ocasião era realizado um debate sobre cultura, onde a ministra ouviu demandas do setor e apresentou ações e resultados do seu ministério.
Portal de Notícias Agora Laguna sempre em cima do lance, divulgou o momento da entrega da obra, lançada com grande sucesso em 2022 no hall do Cine Teatro Mussi.
Para ler a matéria publicada no Agora Laguna clique Aqui
Aliás, o livro serviu como base para o tema de enredo da Escola de Samba Mocidade Independente para o carnaval de 2027, cujo samba já foi escolhido na noite de sábado, 23 de maio último, no Mercado Público.
29 maio 2026
Memórias das Festas de Santo Antônio dos Anjos da Laguna
Como programada,
divulgada e ansiosamente aguardada, a tradicional Festa em Honra ao Padroeiro
Santo Antônio dos Anjos da Laguna 2026 vai acontecer de 31 de maio a 14 de junho.
Um encontro
religioso de muita fé e devoção que atravessa gerações.
Mas, no passado, Festas de Santo Antônio já foram adiadas e até cancelada
A título de
curiosidade, ao longo da história católica lagunense há registros de adiamentos e até cancelamento dos tradicionais
festejos em honra a Santo Antônio dos Anjos.
Pelos mais diferentes
motivos:
Ano 1886 – Coincidência
com a data do Espírito Santo
As festividades
em honra a Santo Antônio dos Anjos que seriam realizadas no dia 13 de junho
desse ano de 1886 foram adiadas para o dia 20 do mesmo mês, precedidas de cinco
novenas, com missa solene e procissão pelas ruas do centro.
Qual teria sido
o motivo?
De acordo com
aviso publicado no jornal Echo Lagunense em sua edição de 19 de junho
daquele mês, a mudança foi provocada pela coincidência das festividades do
Espírito Santo ter caído justamente no dia 13.
Na época existia
em nossa paróquia uma Irmandade do Espírito Santo congregando muitos irmãos.
Nail Ulysséa em Três
séculos na Matriz, informa que a Irmandade do Espírito Santo “Realizava a
festa mais importante da cidade, suplantando a festa do padroeiro”.
O aviso vinha
assinado por José Monteiro Cabral, secretário da Irmandade do Santíssimo
Sacramento e Santo Antônio dos Anjos.
Ano 1902 – Santo
Antônio dos Anjos estava no Rio de Janeiro
Neste ano as
festividades tradicionalmente programadas para o mês de junho não aconteceram.
Isso porque a
imagem de Santo Antônio dos Anjos não se encontrava na Laguna.
Como assim?
Explico. É que
no início do ano a Irmandade decidiu enviá-la ao Rio de Janeiro para ser
encarnada (restaurada) por técnicos da área.
Era para estar
de volta após os trabalhos finalizados, ainda no começo do mês de junho, em
tempo para as festividades.
Os dias passaram,
junho se aproximava e nada do Santo retornar.
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Clichê com desenho de Santo Antônio dos Anjos publicado no jornal lagunense Correio do Sul de 13 de junho de 1942. Notem que o Menino Jesus ainda estava sem sua tradicional roupinha. |
Nesse meio tempo
correu a notícia na Laguna que a imagem teria causado grande impressão entre
religiosos e apreciadores de arte sacra no Rio de Janeiro desde que chegou. Bem
por isso estaria havendo propostas para troca por outra imagem do santo
casamenteiro.
Imagine o
rebuliço que essa notícia causou na Laguna. O disse-me-disse pelas esquinas,
cafés e boticas tomou conta da cidade.
Não se sabe se a
notícia tinha algum fundamento ou foi uma fake news da época.
Logo aconteceram
várias reuniões com pedidos de providências urgentes.
O provedor da
Irmandade, que agora já era João Monteiro Cabral, o Janjão, foi convocado e tomou o primeiro
navio com destino ao Rio de Janeiro. Missão: apressar os trabalhos e trazer a
imagem de volta à Laguna.
Somente em 8 de
julho o provedor retornou com a imagem do santo encaixotada à bordo do vapor Industrial.
Houve uma grande
recepção. A imagem foi levada para a capela do Hospital com a transladação para
a matriz prevista para o dia 19 do mesmo mês. No dia marcado caiu um temporal e
o translado não aconteceu.
Somente no dia
26 de julho de 1902 é que a imagem, “com grande número de fiéis” foi
transportada da Capela do Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos para seu altar
na matriz.
No dia seguinte
Missa cantada e Te-Deum pela volta da imagem.
Para ler com
mais detalhes essa história já publicada neste Blog clique Aqui
Ano 1905 – Falta
de recursos
O jornal O
Albor em sua edição de 11 de junho deste ano publicava a notícia que por
falta de recursos para bancar as festividades em honra a Santo Antônio dos
Anjos, iria ser rezada “unicamente” uma missa cantada e terço à noite no dia 13
de junho.
O caixa deveria estar mesmo zerado. Outro
motivo provável é porque a igreja matriz estava em péssimas condições físicas,
necessitando de obras de manutenção e melhoramentos. Desde o ano anterior os
jornais da cidade alertavam que o madeiramento do teto da igreja ameaçava ruir.
Tanto é verdade
que o jornal O Albor dizia:
“Não há recursos
para as obras mais urgentes e o sr. João Monteiro Cabral faz um apelo
justíssimo ao povo lagunense para contribuir à medida de suas forças para que a
matriz de nossa terra não desabe”.
A não realização
da festa e procissão não deve ter caído muito bem junto à comunidade católica e
as críticas foram muitas.
Quitéria Cabrita reclamou pelo jornal
Uma longa carta
publicada na edição seguinte, de 18 de junho no mesmo O Albor com o
título “O Nosso Padroeiro” reclamava da decisão.
Era assinada com
o estranho pseudônimo de Quitéria Cabrita, que tanto podia ser alguma carola da
igreja, um membro da Irmandade desgostoso com a decisão. Ou até mesmo alguém da
redação do jornal. Vai saber.
Pois a Quitéria
Cabrita reclamava que não acreditou quando leu a notícia em O Albor.
E logo a seguir
sobrou para os membros da Irmandade quando ela diz:
“Que os juízes
não se importem com a festa, que neguem mesmo dinheiro e dedicação...
lamenta-se, mas tolera-se... O que não se compreende, nem se tolera, nem se
perdoa, é que os irmãos em Santo Antônio se reúnam e resolvam nada fazer por
falta de dinheiro.
Uma missa
cantada, três ladainhas, e uma procissão não consomem assim tanto dinheiro...”.
E
depois de comentar sobre várias pessoas da comunidade que poderiam ajudar
gratuitamente na realização da festa com ornamentação, velas e foguetes, ela continua
dando pauladas:
“Só
o que faltou, meu amigo, foi vontade da Irmandade, e isto digo mesmo nas
bochechas de qualquer irmão.
Se
se tratasse de um baile, de um grupo carnavalesco, de um espetáculo ou de uma
eleição, o dinheiro não faltaria; mas como se trata de Santo Antônio, que só
tem feito bem a todos... a crise é tremenda...”.
(...) “Uma missa
rezada só... e Santo Antônio que se contente com isso, que a Irmandade não tem
dinheiro...”.
E ela finaliza
saudosista dos velhos tempos quando Laguna ainda era uma Vila e de seu finado
marido, levando obviamente a gente concluir que ela era viúva:
“Pois olhem... –
quando isto era Vila um só ano não se passou sem que a festa do miraculoso
orago fosse feita inteirinha, com trezenas, missa solene, a procissão e
sermão...
Aquilo
é que eram tempos.... Ai! Que saudades eu tenho d’aqueles tempos e do meu
defunto marido”.
Ano
1963 – Morte do Papa
Neste
ano, tendo em vista a morte do Papa João XXIII ocorrida no dia 3 de junho de
1963, as festividades de Santo Antônio dos Anjos foram adiadas do dia 13 de
junho para 23 do mesmo mês.
Mas
já a partir do dia 11 as novenas foram realizadas, cantadas pelo Coral Santo
Antônio dos Anjos, com alguns músicos das Bandas Musicais Carlos Gomes e União
dos Artistas.
A
Transladação na noite de 22 com a imagem veio da igreja Nossa Senhora
Auxiliadora, na então Roseta, hoje bairro Progresso.
No
dia 23 Missa solene pela manhã na Matriz com a presença do bispo Diocesano D.
Anselmo Pietrulla.
À
tarde aconteceu a procissão pelas ruas do centro.
Mesmo
com o adiamento da transladação e procissão para os dias 22 e 23,
respectivamente, todas as noites “havia concorridas barraquinhas, acompanhadas
de músicas que alegravam o ambiente, até bem tarde”, diz O Albor de 29
de junho de 1963, de onde retirei essas informações.
Foram
juízes da festa, Osmar Brum e Dilma Neto Mendonça.
E
divulgados os nomes de Pedro Bascherotto e Cerize Rollin Remor como juízes do
ano seguinte, 1964.
Na
época chamava-se de juízes aos atuais festeiros, formados somente por um par
(casal), não necessariamente casado.
Em
tempo: O novo Papa escolhido em conclave para substituir João XXIII foi o
cardeal Giovanni Montini que adotou o nome de Paulo VI.
Ano
1984 – Morte do padre
Estava
tudo pronto para a realização da festa nesse ano. Iria acontecer de 1º a 17
daquele mês de junho.
Na
noite de 31 de maio a cidade foi dormir mais tarde devido à carreata acontecida
à partir da meia-noite. Naquela época dizia-se serenata.
No
dia seguinte, uma sexta-feira após às 10 horas da manhã, a notícia chegou e
percorreu rapidamente toda à cidade.
Um
acidente automobilístico havia ceifado a vida do padre Luiz Agostinho Zocche
Saccon, aos 29 anos de idade, pároco auxiliar ou vigário cooperador, como então
se chamava, da Matriz Santo Antônio dos Anjos da Laguna.
Era
um sacerdote amigo e conselheiro sempre prestes a ajudar o próximo. Era ligado
aos grupos de jovens existentes na comunidade e comandava a Pastoral da
Juventude.
Velório
aconteceu durante todo o dia em nossa própria matriz. Fim de tarde seu corpo
foi levado a a cidade de Meleiro, onde foi sepultado.
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Jornal lagunense O Renovador de 8 de junho de 1984, com anúncio da festa e a data adiada para 8 a 17 de junho. |
Por
causa de seu falecimento, a festa em Honra ao padroeiro da Laguna foi adiada,
só iniciando na sexta-feira seguinte, 8, após a realização da Missa de Sétimo
Dia.
Padre
Agostinho (e não Augustinho como está escrito na creche criada tempos depois em
sua homenagem) estava escalado para ser o orador da primeira trezena.
Para
ler mais sobre a trajetória de vida e o acidente que causou a morte do padre Agostinho e que já foi publicada neste Blog clique Aqui
Ano
2020 – Pandemia – Covid
Por
causa das restrições sanitárias causadas pela pandemia da Covid, as
tradicionais festividades de junho de 2020 não ocorreram.
Inicialmente
a festa foi transferida para o mês seguinte, período de 3 a 16 de agosto. Mas
depois foi cancelada.
Sem
a possibilidade da realização de trezenas, aconteceram de 1º a 12 de junho a
partir das 19 horas devocionais ao padroeiro feitas pelos padres Lenoir Steiner
Becker e Itamar Faísca Nunes, com mensagens a cargo dos festeiros de 2020/2021.
Transmissão
pelo Facebook, além de mostras de vídeos e fotos de trezenas de anos
anteriores.
No
dia 13 aconteceu a Alvorada, com carreatas partindo de várias regiões da
cidade.
Em
seguida saudação à Carreata feita por Neusa Preuss e Gero Perito, com uma live
logo após da Sociedade Musical União dos Artistas.
A
imagem de Santo Antônio dos Anjos ficou exposta aos fiéis em frente à Matriz,
tendo guarda de honra da Irmandade. Veja foto abaixo.
Atendendo a pedidos, fiéis depositaram em frente quilos de alimentos a serem distribuídos às famílias necessitadas.
E pela primeira vez na história, tendo em vista as restrições sanitárias, a imagem de Santo Antônio dos Anjos (a grande) percorreu em veículo motorizado as ruas e avenidas da cidade, graças ao trabalho da Irmandade que tinha em Leonardo Demétrio, o seu esforçado e atuante Provedor.
Houve
distribuição dos tradicionais pãezinhos.
Às
12 horas aconteceu repique de sinos em todas as igrejas das três paróquias.
Às
17 horas procissão motorizada. Às 18 horas live da Sociedade Musical
Carlos Gomes. Às 19 horas na Matriz foi realizada Santa Missa em honra ao
Padroeiro e às 20 horas Terço em honra ao Sagrado Coração de Jesus.
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