04 setembro 2026

A derrubada do Consistório da igreja Matriz e a procissão com todos os santos pelas ruas da Laguna

 Foram muitas as reformas físicas, alterações e ampliações efetuadas na nossa igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos ao longo dos tempos.
Uma das grandes obras aconteceu entre os anos de 1945 a 1947. Foi trocada toda a armação do prédio, forros, pisos e derrubado o chamado “Consistório” da igreja. Ao fim das obras uma grande procissão com todas as imagens de santos e santas da nossa igreja foi realizada pelas ruas da Laguna.

Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos - Laguna - SC na década de 1930. A seta indica onde ficava o Consistório da igreja que foi derrubado quando das obras na década de 1940.

As obras
A Igreja Matriz da Laguna foi construída em etapas. A primeira delas em 1696 que hoje constituí a parte do altar-mor em substituição a primeira capela de pau-a-pique.
A segunda etapa de construção foi terminada em 1735 ou 1738, que incluiu o corpo principal e o espaço dos altares laterais. Anos depois foram construídas a Capela do Santíssimo Sacramento, Capela de Nosso Senhor Morto e a Capela Sagrado Coração de Jesus, além das chamadas tribunas.
Grandes obras aconteceram em 1894, 1904, 1911, 1933, 1945, 1970 e 2000.
As reformas de 1894 alteraram a parte frontal da igreja, com o erguimento de duas torres feitas pelos mestres de obras Marcos Gazolla e Batista Uliano. Gazolla mais tarde, em 1915, vai construir o chafariz bem ao centro do Jardim Calheiros da Graça.
As obras de 1904 constaram da reforma do telhado pela firma Bianchini & Irmão, assoalho do adro e pintura.
Em 1911 todo o piso da nave principal foi ladrilhado. Piso que foi retirado nas obras efetuadas em 2000, restando alguns poucos metros à entrada.
Em 1912, pela primeira vez a igreja recebeu bancos para os fiéis se sentarem, conforme matéria já divulgada neste Blog.
Em 1935 foi instalado o relógio entre as duas torres da igreja, matéria já publicada neste Blog. 
Nos primeiros anos da década de 1970 a Matriz foi restaurada e pintados nichos, colunas e altares pelo mestre entalhador e pintor, artista João Rodrigues, o Português, que também desenhou e pintou anjos e arabescos no forro da nave central da igreja, além de restaurar algumas imagens. É dessa época que todo o dourado da igreja foi feito com aplicações de lâminas de ouro baixo.
As obras realizadas no ano de 2000 constaram de substituição do piso por tábuas de madeira, refazimento do reboco, pintura, telhado...

 Os obreiros
Pelas informações que constam nos jornais da época, ficamos sabendo que em 1945 o antigo telhado da igreja tinha mais de 60 anos e que foi substituído, ainda no século XIX pelo mestre de obras Cipriano Lucidônio.
Nos anos de 1945 a 1947 foram trocadas todas as linhas, os caibros, ripas e telhas.
Um pedreiro de nome José Alano com 67 anos na época e ainda prestando serviços no retelho em meados da década de 1940, havia trabalhado no levantamento das duas torres em 1894, quando tinha 16 anos.
E informa O Albor, a título de curiosidade, que José Alano, com 67 anos em 1945, era “o pedreiro mais velho que hoje vive em Laguna”.
Lembrando que a expectativa de vida no Brasil naquele ano de 1945 era de aproximadamente 45 anos.
Luciano Zukoski “administrou os principais serviços sem remuneração”.
Uma comissão de engenheiros formada por Luciano Bertazzi, Haroldo Cintra e Enéas Vasconcelos de Queiroz acompanhou as obras, conferindo detalhadamente os trabalhos e resistência do material empregado.
Padre Bernardo Phillippi era quem dirigia a paróquia e que aqui esteve de fevereiro de 1933 a 25 de janeiro de 1948. 
Sim, sim naqueles tempos eles costumavam ficar muitos anos.

Os benfeitores
Para realização das obras buscava-se ajuda entre os fiéis. E havia, coimo ainda hoje, os que, além de arrecadar os valores doavam objetos particulares para serem vendidos em quermesses e rifas.
Para angariar donativos para essas obras específicas de meados da década de 1940, foi nomeada uma Comissão Auxiliadora formada por Turqueza Teixeira Tasso, Lilita Soares Bento, Joana Mussi, Diva Neto Cardoso, Letícia Remor Teldo, Alice Petreli e Vera Ulysséa Nunes.
Listas de subscrições foram remetidas a lagunenses residentes em outros municípios e estados.
Uma barraca foi montada ao lado da Matriz para aos sábados, domingos e feriados vender prendas, doadas por colaboradores. A quermesse ficou a cargo de Francisco Pestana e Eliziário Fernandes.
Dª Ludinira Fonseca Carneiro promoveu bailes e festas no tradicional Clube Blondin, sociedade em que seu marido, o médico e futuro prefeito da Laguna, Paulo Carneiro era presidente.
Comandava todo o financeiro, o comerciante Adelino Waterkemper, dos mais atuantes, ilibados e honrados que existiu em nossa cidade. Prestava contas de cada centavo que entrava e saía, apresentando todos os comprovantes. Aliás, como necessariamente, obrigatoriamente deve ser.
Alguns fiéis doavam valores altos para a época, como Cr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros) ou Cr$ 10,00 (dez cruzeiros), conforme as condições financeiras de cada um.
Os jornais da época, como O Albor, publicavam quase que semanalmente, relação com os nomes dos doadores e os respectivos valores.
Outra benemérita lagunense foi Joana Mussi, que se desdobrava em busca de recursos.
O futuro governador Irineu Bornhausen doou toda a madeira compensada para o forro.
E tem mais: Odete Pinho ofereceu 200 flores artificiais de sua autoria para serem vendidas. A senhora Elisa Mussi ofereceu uma pintura a óleo com a imagem de Cristo para ser leiloada.
Um cordão de ouro foi oferecido à Comissão de Obras pela senhora Margarida Remor e posto à venda. Foi adquirido pela quantia de Cr$ 500 (quinhentos cruzeiros) por Francisco Vieira, proprietário da Padaria Santo Antônio, no bairro Magalhães.
A firma Miranda & Abrahão (leia-se Otávio Miranda e Batista Abrahão) proprietários da Casa Popular doou 13 metros de ladrilhos. Oito metros do mesmo material foram doados pela firma A Principal, de Tancredo (Donga) Mattos.

O Consistório foi ao chão
As obras realizadas por dois anos a partir de 1945 foram das mais grandiosas. Foi trocada toda a armação do prédio, forros, pisos e derrubado o chamado “Consistório” da igreja.
E o que é um Consistório?
No vocabulário da arquitetura religiosa, é um espaço existente para reuniões, assembleias, encontros de conselhos e irmandades. Em geral, fica anexo ao corpo principal do templo.
Era o caso do Consistório da nossa igreja.
Nail Ulysséa em seu escrito “Três Séculos na Matriz”, informa: 

“Havia, ainda, junto à parede do corpo da igreja, do lado norte, uma meia-água, com uma sala, em que se realizavam as reuniões e que denominavam pomposamente de “consistório”. Possuía uma porta e duas janelas para a rua e era ligada à igreja por uma porta interior para a Capela do Santíssimo. Foi demolida em 1944”.

Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos, Laguna -SC nos dias atuais.

Houve um pequeno engano quanto à data em que o Consistório foi demolido, pois ainda em março de 1945, portanto um ano depois do informado, o jornal O Albor registrava o início das obras e sugeria a derrubada do Consistório: 

“Devido ao mau estado da armação da Matriz, está sendo completamente reformada.
A nossa igreja construída em 1737 é internamente um dos mais belos templos do estado.
Seus altares trabalhados por entalhadores portugueses daquela afastada época, ainda hoje despertam admiração pelas suas belezas artísticas.
O edifício de estilo toscano, apresenta harmonioso aspecto, entretanto na estética de seu conjunto, nota-se uma falha, oriunda, talvez, da conveniência do serviço interno, refiro-me ao chamado Consistório, construído ao lado direito do Templo.
Seria de grande vantagem para a sua beleza externa, a demolição do Consistório, aproveitando a ocasião em que se procede as obras.
Há ideia de ali ser feito um pequeno jardim moderno o que daria à nossa Matriz aspecto externo mais belo e de harmonia com o seu estilo”. 

A nota é assinada pelas iniciais S.U. Trata-se de Saul Ulysséa, colaborador do jornal. O jardim chegou a ser implantado, mas anos depois toda aquela área lateral foi cimentada.

Uma procissão pelas ruas da Laguna com todos os santos
Para a realização das obras na igreja, que levaram dois anos, a partir de 1945, todas as imagens de santos e santas foram retiradas do prédio.
Imagens como Senhor Morto, Nossa Senhora do Parto, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Dores, São Miguel, São João, foram remanejadas para as salas térreas do Prédio da Associação São Vicente de Paula (Vicentinos), situado ao lado da Matriz.

Procissão com todos os santos e santas. Imagem gerada por IA.

Já a imagem do padroeiro da Laguna, Santo Antônio dos Anjos foi transferida e guardada na Capela do Hospital, junto à imagem do Senhor dos Passos, que batiza aquele nosocômio.
Com as obras concluídas, na tarde de domingo, 6 de abril de 1947, uma grandiosa procissão partiu do prédio dos Vicentinos com todas as imagens que ali estavam depositadas.
O préstito, acompanhado por numerosa multidão de fiéis, Banda Musical União dos Artistas e de todas as irmandades existentes na época, foi em direção à rua Voluntário Carpes.
Ao dobrar à direita na esquina com a rua Oswaldo Aranha fez ligeira parada aguardando pela imagem de Santo Antônio dos Anjos que partiu da Capela do Hospital, descendo a ladeira.
A procissão fez seu trajeto tradicional pelas ruas da cidade, mas no sentido inverso.
E o cortejo deu entrada na Matriz que foi reaberta com benção e com todas as imagens. Uma missa solene foi realizada e Te Deum (A ti, Deus nós louvamos) e mais tarde as imagens foram devidamente instaladas em seus respectivos altares.
Deve ter sido uma tarde de domingo de muita emoção, fė e orações.


28 agosto 2026

Zavério Eghert, o mago do visual do carnaval lagunense

 
Foram dezenas de pessoas que podemos chamar de baluartes do carnaval lagunense ao longo da nossa história.
Dentre os nomes de carnavalescos, alguns já destacados neste Blog, está o de Zavério Eghert.

Zavério Bergamini Eghert, em foto de 1955.

Em 3 de agosto de 1921, nasceu na Laguna, na casa de nº 73 na rua Voluntário Fermiano, no Centro Histórico, Zavério Bergamini Eghert.
Filho de Beatriz Bergamini Eghert e Franz Eghert.
Seus avós maternos foram dos primeiros imigrantes italianos que se estabeleceram no sul de Santa Catarina.
Seus nomes? Giácomo Bergamini e Luigia Frontini Bergamini, que tiveram duas filhas nascidas no Brasil: Beatriz e Ida.
Beatriz casou-se com o alemão Franz Eghert que veio para Laguna trabalhar como mecânico na Companhia de Mineração e Metalurgia do Brasil (Cobrasil), responsável pela construção dos Molhes da Barra da Laguna.
Foram irmãos de Zavério, hoje já falecidos: Fernando, Orestes (Mestre), Sinalda, Rinalda, Humberto e Helaine.

Família de veia artística
Todos eles dotados de veia artística. Fernando foi músico, compositor e coralista na Matriz Santo Antônio dos Anjos. Compôs muitos sambas e marchas de carnaval. Pertenceu à Sociedade Musical União dos Artistas.
Rinalda foi atuante durante muitos anos em peças teatrais exibidas em nossa cidade.
Orestes Bergamini Eghert, chamado Mestre, foi folião do nosso carnaval, sempre compondo personagens críticos, satíricos.
Do Mestre, o radialista e colunista João Carlos Wilke certa vez escreveu:
 
“O Mestre era criador de frases absolutamente espirituosas, as quais caíam como uma luva no gosto popular.
Sabia como ninguém fazer pilhérias do gênero, divertindo e encantando a todos, contrapondo às mais sérias e céticas situações do nosso cotidiano”.

Cordão Carnavalesco Bola Branca
Zavério entrou para o Cordão Carnavalesco Bola Branca em 1953, quando assumiu como responsável pela Comissão de Fantasia. Seu irmão Orestes já havia pertencido à diretoria, como 2º tesoureiro por alguns mandatos no início da década de 1940.
As décadas de 1950 e 1960 foram a época de ouro do carnaval de salão lagunense.
O Bloco Bola Branca rivalizava com o Bola Preta e as belezas de suas fantasias, luxuosas, ultrapassavam fronteiras.
Enquanto os componentes às entradas e nos desfiles nos salões recebiam os aplausos, Zavério assistia de longe, modesto, a glória dos vitoriosos.
E foram muitas as fantasias de Zavério que entraram para a história do carnaval lagunense do Bola Branca, entre outras
Barba Azul (1953), Fidalgos de Verona (1954), Adoradores do Sol (1955), Caudilhos de Cuba (1957), Tártaros (1958), Rigoletto (1959), Guerreiros Astecas (1961), Rei da Folia (1962), Satã o Rei do Inferno (1963), Cigano Rico (1964), Balumbas (1966), Maracatu Dourado (1967), Kon-Tiki (1968)...

Cordão Carnavalesco Bola Branca - Fantasia Cigano Rico - Ano 1964. Componentes fila superior da esquerda p/direita: José E. Fonseca, Miscelau Speck, João Carlos Pacheco, João Oliveira Neto, Juarez Fonseca de Medeiros, Hamilton Goulart e Norberto Pinho. Fila abaixo, da esquerda p/direita: Ivan Vieira, Pedro Tasso Oliveira, Nivaldo Ulysséa Mattos, a rainha Maria da Graça Silva, Oclândio Siqueira, Alberto Prudêncio e João Batista S. Pereira.

Zavério era muito inteligente. Leitor voraz, autodidata, dominava muitos assuntos, principalmente artes e história. Mas falava sobre óperas e até geologia.
Desenhava suas fantasias estilizadas baseadas em figurinos de filmes assistidos, em páginas de revistas e livros que estampavam povos, origens, costumes, vestimentas.

Na Vila Isabel e Os Bem Amados
Mais tarde, com o declínio dos cordões carnavalescos, tendo com principal motivo os altos custos das fantasias, Zavério se transferiu para a Escola de Samba Vila Isabel.
Foi um período auge da “Escola do Morro”, com muito luxo e brilho em suas fantasias.
E, ainda, a partir de meados da década de 1970, Zavério colaborou nas fantasias da Escola de Samba Os Bem Amados, trazendo cores e luxo para a rua Conselheiro Jerônimo Coelho, a então nossa passarela do carnaval.

Falecimento
Zavério Bergamini Eghert faleceu na madrugada de 11 de julho de 1983 aos 61 anos em hospital de Florianópolis, onde estava internado.
Seu corpo foi transladado para Laguna e sepultado no dia seguinte às 11 horas.
É nome de via pública no bairro Portinho.

Rua Zavério Bergamini Eghert, no bairro Portinho.

Quando do falecimento de Zavério, o saudoso colunista Munir Soares escreveu: 

“Lidava com as cores como ninguém, era um misto de Morubixaba e Pagé. Era o que já se chamou de “Mago do visual”.
Morreu Zavério, o mágico das cores, foi levado numa urna escura, fria, sem nenhuma combinação de cores, para um túmulo cinzento. Se a morte, como afirmam as religiões, é a passagem para uma vida melhor, então porque se usam nos enterros cores tão tétricas.”

Quando do seu funeral, um velho sambista cantarolou um antigo samba do seu irmão Fernando Eghert que fez muito sucesso anos antes:

“Vesti a camisa amarela,
E fui para a avenida sambar
Por acaso encontrei-me com ela,
A mulher que não soube amar
Você não quis...você não quer...”
(silêncio)

Já Ivaldo Roque, músico e compositor, também de saudosa memória, escreveu em sua coluna de jornal:

“Quem é carnavalesco sabe que morre um folião, mas sempre surge outro dando ênfase à alegria. Mas o falecimento do Zavério desanima nossa folia”.

O legado de Zavério Bergamini Eghert o tempo não apagará. Seu nome continua na galeria dos notáveis, dos grandes baluartes do carnaval lagunense.

24 agosto 2026

Nos tempos da datilografia - Me respeitem, porque fiz o curso

 “Batidas na porta da frente. É o tempo...”
(Aldir Blanc)

Me respeitem, porque fiz o curso de datilografia. 
Antigamente, saber datilografia era obrigatório para se obter um emprego. Concursos públicos assim o exigiam. Era necessário para confecção de cartas, ofícios, petições, tabelas...
A datilografia era feita nas chamadas máquinas de escrever. Não existia o silêncio dos suaves e anatômicos teclados atuais feitos de plástico. Era um barulhão, um trovejar de sons ecoando nas salas abafadas de escritórios e redações de jornais.
Um antigo e valioso certificado
Em uma antiga pasta que pertenceu ao meu pai, encontro um documento que imaginava há muito tempo perdido.
Ao lê-lo mergulho em lembranças e passo a folhear algumas páginas do livro das memórias.
Foi em meados de 1975. Tinha eu quinze anos e querendo comprar uma máquina de escrever havia a necessidade de primeiro cursar datilografia. Era obrigatório.
Tinha aulas pela manhã no Científico no então Conjunto Educacional Almirante Lamego (Ceal) e à noite Ciências Contábeis no Colégio Comercial Lagunense (CCL), no mesmo prédio.
Com as tardes vagas me matriculei na Escola de Datilografia Stella Maris, no Colégio do mesmo nome. Duas ou três aulas por semana, uma hora cada.
Fim de ano, em dezembro, recebi o tão almejado Certificado de Habilitação em Datilografia. Irmã Blandina Theis foi quem assinou o documento e me entregou em pequena solenidade. Era a diretora e professora das aulas.
Austera, atenciosa, rígida nos horários, bondosa com todos os alunos. Ótima com os bons alunos.
Meses depois, com as aulas e o Certificado em mãos, estava contratado na Agência da Receita Federal da Laguna. Aos 16 anos, carteira profissional assinada, CLT. Meu primeiro emprego.

Remington 25

Com o primeiro salário comprei a tão sonhada máquina de escrever. Uma Remington 25, design moderno, revestimento na cor laranja. Um luxo!
Três anos depois, já com 18 anos e prova de datilografia em uma das duas etapas, fui aprovado em meus dois primeiros e únicos concursos. Para o INSS e Eletrosul. Optei pela última e me transferi para Florianópolis para trabalhar e estudar. 
Mas isso é outra história pessoal, sem qualquer interesse.

TEC-TEC-TEC, DINNNG, VRUMMMMM...
Escrever antigamente em enormes máquinas de datilografia era onomatopeico.
Não existia o silêncio dos suaves e anatômicos teclados modernos feitos de plástico. Ou toques sensíveis em telas Touch Screen de celulares e tablets. Era um barulhão, um trovejar de sons ecoando nas salas abafadas de escritórios, nas redações de jornais.
Som metálico. Ferro batendo no ferro. Ou melhor: letras e caracteres de chumbo marcando a folha virgem de papel. Entre os dois uma frágil fita de seda bicolor. Sim, duas cores, preto e vermelho.

Máquinas de escrever quando eram expostas no Museu Anita Garibaldi. Ano 2004. Foto: Valmir Guedes Júnior

E o som tinha cheiro. Cheiro de óleo de máquina, de tinta-carbono, cheiro de corretivo.
As frases iam sendo escritas na cadência das pontas dos dedos. Todos eles devidamente, exaustivamente utilizados. Os dez, incluindo o mindinho. Principalmente o mindinho.
Dinnng... era o barulho da sineta embutida na máquina avisando o fim da margem. Havia que se separar as sílabas, rapidamente, corretamente.
Aliás, frases devidamente tabuladas e com parágrafos. Escala zerocêntrica, marginadores visíveis. 

Os raízes, como se diz hoje, devem lembrar
Manualmente você puxava o carrinho com uma pequena haste torta para o lado e reiniciava ou continuava a frase em nova linha. E sem qualquer letra trocada, do contrário tinha que recomeçar em nova folha de papel.
Só mais tarde vão surgir umas fitas corretoras ou um líquido branco em minúsculos recipientes de vidro passado a pincel no papel. Era necessário precisão e soprar para secar. Depois, retornar uma casa e datilografar por cima com a letra correta. Mesmo assim ficava feio o resultado.
O raciocínio e a memória com o tempo e a prática acompanhavam o ritmo das batidas.
Era assim que antigamente se escrevia a máquina. Sim, se dizia respeitosamente: Máquina de Escrever, com iniciais maiúsculas. Marcas Remington, Olivetti, Olympia, Underwood...

Anúncio da máquina de escrever Remington no Jornal lagunense O Albor de 7 de julho de 1956.

E quem nelas escrevia chamava-se datilógrafo. Havia escolas, aulas práticas e teóricas. E exames. No final de meses, os formandos recebiam certificados de conclusão. Como o meu aí de cima.
Não antes dos alunos serem submetidos à prova final, eliminatória, de memorização do teclado. Olhos vendados só ouvindo o ditado da professora. 
Ali era a prova dos nove. Quem aprendeu, aprendeu, quem não aprendeu...
Quanto mais velocidade melhor. Um bom datilógrafo conseguia a média de 100 palavras por minuto.
Havia até o dia 24 de maio em  homenagem ao Datilógrafo.
Datilografia era obrigatória para se obter um emprego. Concursos públicos a exigiam. Era necessária para as cartas, ofícios petições, tabelas...

Os cata-milhos
Os cata-milhos dificilmente tinham vez. Não eram aprovados.
Cata-milhos? Sim, era como chamavam com depreciação os que datilografavam usando um ou dois dedos das mãos, procurando meio que perdidos as letras no teclado.
Não se falava em bullying naquela época. Já existia, claro, mas a gente é que não sabia o seu significado.

Uma sala de aula de datilografia na década de 1970. Imagem gerada por Inteligência Artificial.

   Com a datilografia você aprendia disciplina, destreza, paciência, coordenação, o tal foco, como hoje chamamos.
E havia a postura. Ahhh a postura...
Ainda hoje, quando fico mais à vontade ao digitar, cervical torta, ombros desalinhados, pés sobre um puf, cotovelos apoiados sobre à mesa, tenho a impressão de ouvir uma voz.
Deve ser a Irmã Blandina lá dos céus com seu sotaque carregado de erres dizendo às minhas costas:
- Seu Guedes, olha a posssturrrra...
Evidentemente que logo me recomponho, ereto, disciplinado, obediente.
Certas lembranças da gente não há tecla moderna de delete que apague dos recantos da nossa memória.
 
A máquina de escrever saiu de cena
A máquina de escrever saiu de cena com a popularização do computador nas décadas de 80 e 90. Aulas de datilografia viraram aulas de informática. Tudo o que tinha na máquina de escrever foi para o editor Word. Moderno, eficaz, funcional.
Tudo digital e agora com reconhecimento de voz e Inteligência Artificial.
E pensar que tudo começou com a máquina de escrever, uma invenção das mais importantes da história.
Hoje, olhando para trás, passado mais de meio século, agradeço ter aprendido o charme da datilografia. Tempo em que escrever era quase uma arte.
E daí, leitor, leitora, conta para nós sua experiência com a datilografia. Fez curso também?

19 agosto 2026

Faleceu Antônio Carlos Marega +

Faleceu na manhã de hoje (19), em Porto Alegre, onde estava residindo, o ex-bancário, artista plástico, colecionador, professor e memorialista lagunense Antônio Carlos Marega, aos 79 anos.

Antônio Carlos Marega. Foto: Geraldo Luiz da Cunha-Gê.

Nascido em 7 de julho de 1947, Marega estudou na icônica Escola da dª Mimi, Grupo Escolar Jerônimo Coelho e Conjunto Educacional Almirante Lamego.
Aprovado em Concurso para o Banco do Brasil, trabalhou em Caçador e depois solicitou sua transferência para Laguna, onde se aposentou.
Lecionou Contabilidade Bancária no Colégio Comercial Lagunense (CCL), foi presidente da Associação de Assistência e Defesa contra Lepra.
Foi sócio e membro da diretoria do Clube Blondin. Foi sócio do Cordão Carnavalesco Bola Branca e junto com Zavério Erght desenharam muitas fantasias dessa entidade carnavalesca de salão.
Foi Irmão da Loja Maçônica Fraternidade Lagunense e depois da Loja Maçônica Tordesilhas onde foi Venerável.

Antônio Carlos Marega - Foto: Valmir Guedes Júnior

Devoto de Santo Antônio dos Anjos, colecionava tudo o que podia sobre o taumaturgo, além de imagens e lembranças das Festas anuais.
Colecionava motos em miniaturas, álbuns com figurinhas das Copas do Mundo e também dos "santinhos" de candidatos políticos.
Em 2023 foi homenageado na 41ª Semana Cultural da Laguna com a Comenda Domingos de Brito Peixoto.
Tornou-se fonte de pesquisas das mais variadas sobre a história e personagens da nossa Laguna colaborando com seus conhecimentos com professores, estudantes, pesquisadores, historiadores, jornalistas e escritores.
Era dotado de uma memória prodigiosa. Para quem apreciava era uma grande prazer ouvir o Marega, principalmente as histórias não oficiais, os causos que não se encontram registrados nas páginas de livros e jornais antigos.
Quando o encontrava e o visitava tornava-me ouvinte atento, a absorver tantas histórias. Trocamos opiniões e materiais, abordamos reminiscências e curiosidades. Aprendi muito. Sou e serei sempre credor de todas as suas valiosas informações e materiais que me cedeu.

Antônio Carlos Marega pelo cartunista José Custódio Rosa Filho.

Por minha sugestão criou em 2012 um Blog intitulado Baú do Marega, com interessantes matérias iniciais, mas pouco depois, interrompido.
Um adendo: Marega também produzia homeopatia, principalmente para doenças respiratórias como bronquites. Muita gente se curou com seus remédios.
Foi casado com Solange Remor Marega, de saudosa memória, com quem teve cinco filhos: Graziela, Gabriel, Gláucia, Giovana e Gabriela.
Sentimentos aos amigos e familiares.

Cerimônia de velório vai ocorrer amanhã, quinta-feira (20) das 8 horas às 16h na Sala Mortuária Santo Antônio da Casa Funerária Gomsan, com cerimônia de despedida logo após, no Crematório São Matheus, em Capivari de Baixo.

14 agosto 2026

Rua do “Letreiro Borrado” no Centro da Laguna

 
Hoje, ao passar aqui na esquina da rua Barão do Rio Branco, no centro e avistar a charmosa placa com o nome desta via, me lembrei de uma historinha curiosa contada – dentre tantas - por Saul Ulysséa, em seu livro Laguna de 1880.

Hoje a rua Barão do Rio Branco mereceu uma bela placa no estilo das antigas, em esmalte azul na parede de seu casario colonial da esquina, totalmente restaurado pelo advogado Frederico Nunes.

Antes uma explicação:
A hoje denominada rua Barão do Rio Branco, em homenagem a José da Silva Paranhos Júnior, professor, diplomata, historiador, escritor, jornalista, antigamente era chamada de rua 1º de março.
E por que 1º de março?
Em homenagem à data em que aconteceu a vitória aliada na Batalha de Aquidabã, que pôs fim à Guerra do Paraguai, em 1875.
É também, coincidentemente, a data da fundação da cidade do Rio de Janeiro.
Diz Ulysséa, que essa rua teve anteriormente o nome de rua da Banca e conta o porquê:
“Naturalmente em época muito anterior existiu alguma banca de peixe que lhe deu o nome, em frente a esta rua, porque em 1880, era a banca em frente à rua Tenente Bessa”.

Rua do Letreiro Borrado
E é aí que Saul Ulysséa passa a narrar o fato curioso: 

“Anos antes foi Juiz de Direito da Comarca o dr. Duarte Pereira, apelidado “Capivara”. Não sei se devido à irascibilidade ou exigência ao cumprimento da lei ou outra qualquer coisa, o que é certo é que gozava pouca simpatia por parte da população.
Os vereadores da Câmara, não sabemos por que motivo, entenderam dar seu nome a uma rua da cidade.
Vê-se que já naquele tempo faziam parte da Câmara, como nos tempos modernos, indivíduos que não compreendiam o valor da homenagem prestada a uma pessoa, dando seu nome a uma rua.
A escolhida para homenagear o juiz, foi a rua da Banca. Foi colocada placa com o nome de dr. Duarte Pereira.

Placa do Letreiro Borrado (Rua Dr. Duarte Pereira) é a atual Barão do Rio Branco, no Centro Histórico da Laguna. Imagem gerada por IA.

    O povo ou alguns indivíduos, como protesto, em uma noite borraram a placa da rua, que era pintada em tábua com os cantos arredondados tendo em volta uma tarja preta. Fundo branco com letras pretas.
Ficou a rua da banca apelidada: “Rua do letreiro borrado”.
Não demorou muito foi o d. Duarte Pereira removido e penso que nulificaram a homenagem porque não consta nos livros da municipalidade a mudanças do nome da rua da Banca se não para 1º de Março”.

Quem foi Duarte Pereira
Luiz Duarte Pereira foi juiz da Comarca da Laguna por quase dez anos, de 1862 a 1871, ainda durante o Império.
Nosso historiador Oswaldo Rodrigues Cabral informa que o apelido "Capivara" não se sabe se já existia "ou se na Laguna lhe colocaram a alcunha com que passou à posteridade, através das colunas dos jornais da época. O apelido lhe foi dado por pintar os cabelos que, com a tintura, ficavam malhados, de cor indefinida, entre o chocolate e o cinza".
Devia ser uma loção capilar avó do Pindorama que surgiu na década de 1940.
Cabral diz que o "dr. Luiz Duarte Pereira encheu as páginas da história da politicagem lagunense com os mais interessantes e pitorescos episódios".
Era um Conservador intransigente, sempre em briga com os políticos Liberais da Laguna.
O juiz Duarte era dado a processar jornalistas que o criticavam e promotores públicos.
Mandou até prender um barbeiro que demorou uns minutos para lhe atender.

Teve abaixo-assinado e extinção da Comarca da Laguna
Um abaixo-assinado foi feito com dezenas de assinaturas para remover o juiz. O documento foi enviado ao Imperador. O pedido não obteve êxito.
Para removê-lo, em abril de 1869 a Assembleia Legislativa, através dos deputados Liberais conseguiram a aprovação de projeto extinguindo - vejam só - a Comarca da Laguna, anexando-a à de Lages. 
Com isso o Juiz Duarte foi nomeado Chefe de Polícia de Santa Catarina, e removido para Desterro. 
E nesse novo cargo também aprontou poucas e boas, inclusive com perseguições a deputados que votaram pela extinção da Comarca lagunense.
Um ano depois, a mesma Assembleia revogou seu próprio ato e Laguna voltou a ter a sua Comarca, aí já com novo Juiz, Manoel do Nascimento da Fonseca Galvão.
Como se vê, Luiz Duarte Pereira, o Capivara, merece uma matéria especial sobre ele, em breve neste Blog.

09 agosto 2026

Os anti-heróis anônimos


Durante grande parte de sua vida Richard Calil Bulos, o Chachá, de saudosa memória, mais até do que as artes plásticas (arte naif), exerceu o jornalismo em nossa cidade. Bem por isso fundou inúmeras publicações e foi redator de várias outras.
Foi um mestre na arte de escrever e de produzir uma manchete chamativa, com pinceladas sensacionalistas. 
Em seu estilo registrou muitos acontecimentos do dia a dia da cidade. Ele sabia criticar, elogiando. E extrair de um pequeno fato a seiva do texto que prenderia a atenção dos leitores.

Tipos populares 
Era justo em seus escritos aos elogios a personalidades políticas, empresariais ou autoridades que se destacavam na sociedade à ocasião.
Mas, também sabia fazer o mesmo ou até melhor com os desvalidos pela sorte, com os não agraciados pela riqueza e sobrenomes, pedintes e andarilhos que perambulavam pela nossa Laguna. 
Hoje diríamos, pessoas em situação de rua.
São os chamados “tipos populares”. Estes sempre existiram, em grande quantidade, em todas as épocas.

Marengo. Gente da Minha Terra, de José Bessa.

Vitória, João Frade, Felipe da Rebeca, Zé dos Papéis, Zé Bode, Edite Pandorga, Lata, Andrino, Bibi-tudo, Arina, Sovai, Linguinha, Zé Bombril, Pesquisa, Gengivinha, Biguá, Clemente, Ibraim, Jiqui, Clóvis, Maria do Benoni, Quintino... 
Foram tantos...
O lagunense José Bessa, em seu livro “Gente da Minha Terra”, retratou muito bem alguns deles, pequenos e humildes, a quem os chamou de “anti-heróis anônimos que em certa medida exprimem a alma coletiva, ensinam verdade humana abeberada na fonte”.

Seres humanos. Era o que bastava 

Quando do falecimento dos que mais se destacavam na sociedade lagunense, nosso jornalista Chachá produzia matérias memoráveis, despedidas emocionantes, tecendo loas aos seus nomes e destacando posições galgadas e currículos.

Mas, também encontrava tempo e espaço no jornal para registrar igualmente a morte dos que "viviam à margem da sociedade", como se convencionou chamá-los.
Eram seres humanos com seus dramas e infelicidades, suas manias, vícios e psicoses.
Seres humanos... Para Chachá era o que bastava. 
Precisa realmente de algo mais?
Até porque, cumpridos seus resgates, suas jornadas terrenas, muitos desses personagens, ditos populares, devem estar hoje em melhores moradas espirituais.
Talvez, e bem ao contrário de alguns outros figurões que tiveram discursos elogiosos, cortejos pomposos, enterrados com seus títulos e vaidades. 
Estes, ainda podem estar vagando perdidos, odiosos e odiados, mergulhados em seus segredos, mesquinharias e maldades de uma vida.

Três registros obituários
A título de curiosidade busquei em meus arquivos de antigos jornais, três pequenos textos obituários produzidos pelo Chachá.
São registros de humildes falecimentos de conhecidos personagens populares que marcaram época e gerações na história da nossa Laguna.
Mas, observem as singelezas dos textos! As expressões de facetas sentimentais e poéticas nos despretensiosos apontamentos de um adeus. 

Sobre a morte do Quintino (Jan 1980):

...E os sinos emudeceram

Ao contrário do romance “Por quem os sinos dobram”, de Ernest Miller Hemingway (editado em 1940), os sinos da Matriz Santo Antônio dos Anjos emudeceram no justo instante em que o errante Quintino, diante da igreja, em caixão de degradante qualidade, era carregado rumo ao cemitério público, na tristonha manhã de 15 do corrente.
Momentos antes, eles haviam repicado, lenta, mas sucessivamente, em sinal de adeus à uma dama da nossa sociedade, que, por infelicidade, tivera em data igual o mesmo destino que ele.
Que Quintino não trabalhava ou não gostava de trabalhar lá isso é verdade. Todavia representou para Laguna a imagem do indolente sem ser nocivo, do vagabundo que, se à época de Charles Spencer Chaplin, teria servido de inspiração ao inconfundível ator e cineasta inglês, criador da personagem dolorosamente cômica de Carlitos.
Quem conhece a produção literária de Hemingway, verá que os nomes dados a duas de suas obras se amoldam, por ironia, a este fato que narro com pesar:
- Por quem os sinos dobram?
- Eles dobram por ti, por nós, por todos.
“O sol também se levanta” (editado em 1926). Por sua vez, traduz que o sol também se levanta para as criaturas pobres, como o fora em vida o Quintino.

Sobre a morte do Clóvis (Fev 1979):

 A cidade perdeu Clóvis

Clóvis de tal. Que Deus o tenha na sua guarda infinita e inviolável.
Pobre criatura de ontem. Palhaço de muitos, escravo da desilusão e do infortúnio.
Clóvis, o farrapo humano que carreteava pelas ruas centrais em busca de alimentos e de míseros cruzeiros. Um ser desajeitado, sem atrativos físicos e proprietário de grave deformidade psíquica.
Ele, como muitos afirmam, não morreu da bebida. Na realidade, Clóvis conheceu a morte e com ela se foi devido ao pouco caso que a sociedade lagunense lhe endereçava.
Morreu sem conhecer um prato de comida ladeado de garfo e faca, sem conhecer a intimidade de uma mulher, sem haver tido sobre o corpo uma roupa decente.

Sobre a morte de Edith "Pandorga" (Out 1995):

O céu ganha a sua Pandorga
Edith cumpriu à risca seu papel como espantalho de carne e osso. Tão ao ponto e com inigualável singularidade, que a cidade a definiu como sua musa.
Atriz das madrugadas, tristes e longas madrugadas, montou sua ribalta ao relento, assistida por uma plateia tão gélida como a lápide sepulcral.
Uma certa semelhança com outra Edith, dela separada por um oceano. Apenas, entre elas, a inversão do tempo. Uma, mendigou na mocidade e morreu entre aplausos. A outra, gozou bem a juventude, acabando na miséria.
Edith Piaf, conviveu com prostitutas na França e foi símbolo da música popular francesa.
Edith, a “Pandorga”, de moça viçosa a farrapo humano, símbolo da resignação. Edith Severina de Jesus nasceu em Cangueri – Imaruí, aos 12 de maio de 1910, sinal impagável da singeleza.