05 novembro 2026

Sertanejo, um barco à deriva nos mares do sul (*)

 

É manhã de quarta-feira, seis de junho de 1917, quando o barco de pesca à vela de nome Sertanejo saiu pela Barra da Laguna.
Dia límpido com uma brisa média soprando do Norte. A bordo, cinco marujos-pescadores vão tentar a sorte na pescaria em águas mais ao Sul do litoral.

Imagem gerada por IA.

Dois deles são os irmãos Luiz e José Demétrio, proprietários da embarcação. Foi Luiz quem nomeou o barco em homenagem ao seu pai, oriundo do Norte do país e que nas dificuldades sempre dizia: o sertanejo é antes de tudo um forte, uma velha frase de Euclides da Cunha em Os Sertões.
Outros dois tripulantes são os primos Leopoldo e Custódio Cardoso. O quinto membro é um jovem amigo de nome João. Todos são moradores do Magalhães, bairro conhecido na cidade por abrigar muitas casas de pescadores e portuários.

A mudança do tempo

Poucas horas depois, na altura de Torres na divisa com o Rio Grande do Sul, deu-se repentinamente a mudança. O vento virou. Um pampeiro, como é conhecido na região, os atingiu. Relâmpagos, trovões e muita chuva. As vagas cresceram, enfurecidas, chacoalhando a embarcação.
O velame rasgou-se. Costurada às pressas, mesmo molhada, foi recolocado no mastro. Tornou-se a abrir, esgarçando-se. A força dos ventos era tanta que o mastro partiu, levando junto a retranca e as cruzetas.
Com isso o barco ficou a vagar ao sabor das ondas, das marés, distanciando-se da costa. A água salgada penetrava na embarcação, ameaçando soçobrá-la.
Algumas tábuas da borda foram arrancadas para dar melhor escoamento as águas.
O homem ao leme, mestre Luiz Demétrio, era continuamente arremessado de encontro à câmara, mas, persistente, logo retornava a sua função. Redes e demais petrechos foram atirados ao mar para deixar livre o convés.

Perdidos no mar

Em pouco tempo o barco estava sem rumo, simples joguete na imensidão do oceano. As horas passavam rapidamente. Anoiteceu. Uma cerração cobria distâncias. Estavam perdidos.
Dois dias depois a tempestade acalmou e perceberam que estavam em alto-mar, distantes de tudo.
Mais três dias se passaram, com as provisões que levavam, mesmo economizadas entre os cinco tripulantes, se esgotando. A água potável tornou-se muito pouca. A sede era insana.
O desespero tomava conta dos pescadores, menos de Luiz Demétrio que não largava o leme e, homem de fé, suplicava o tempo todo à Nossa Senhora dos Navegantes:

Ó Nossa Senhora dos Navegantes,
Mãe de Deus, Criador do céu,
Da terra, dos rios e mares,
Protegei-me em todas as minhas viagens.

Contavam os dias pelo transcorrer das noites, devidamente assinalados num canto da popa com pequenos riscos de um canivete.
Foi o pescador João quem primeiramente viu um vapor ao longe. Rapidamente queimaram um naco de toucinho e uns pedaços da lona, levantando fumaça. Mas não foram avistados.
Nove dias já estavam ao mar. Ao sabor das marés e ventos. E do destino. Alguns, como Leopoldo e Custódio deitavam-se no porão. Os demais, na maior parte do tempo ficavam sentados no convés, olhando em vão para o horizonte, ainda esperançosos.

Treze dias de passaram

Tentaram impulsionar a embarcação com dois velhos remos. Mas, em que direção? Faltava-lhe forças também para o manejo. Emagreciam a olhos vistos, sofridos, desanimados, lábios rachados do sal e do sol. Treze dias se passaram desde que partiram da Barra da Laguna.
Em seus pensamentos se perguntavam, com saudades, como estariam se sentindo as famílias com suas ausências. O desespero das esposas, os filhos. Os companheiros de profissão certamente lhes julgavam mortos, depositados para todo o sempre no fundo do mar.
Será que algum barco saiu a procura deles? Com certeza, mas como encontrá-los se estavam tão distantes da costa, em alto-mar?
Mais uma noite passada a esmo. O cansaço e o desânimo instalados. Só restava aguardarem a morte, que não tardaria. Quatorze dias desaparecidos no mar. Era muito, era o fim.

Fenômeno ou milagre?

Mas aí deu-se a surpresa. Foi no meio da tarde. Um grito rouco, abafado, do jovem João despertou a todos. Seria miragem? Uma silhueta de montanha se mostrou ao longe. Rochedos de granito róseo que tão bem conheciam.
Eram os costões da Praia do Gravatá, ao lado do Morro do Tamborete, distante poucos metros da embocadura da Barra da Laguna de onde haviam partido quatorze dias antes. 
Como isso pode ter acontecido, voltar depois de tanto tempo exatamente ao ponto de partida? Teriam sido as marés? Flutuamos em círculos? Se perguntavam, incrédulos.
- Foi a Virgem, foi a Virgem dos Navegantes que se compadeceu de nós e guiou este barco, forte como um sertanejo, gritava feliz Luiz Demétrio, com toda a sua crença, olhando para o alto, agradecido.
Um iate que retornava de viagem logo os avistou e os rebocou ao porto. O sinaleiro lá em cima do Morro do Pau do Sinal levantou uma bandeira utilizada quando dessas situações. Era o Sertanejo que retornava e que todos já supunham perdido para sempre.
A tarde continuava fria naquele mês de junho com o sol caminhando para seu ocaso por de trás do Morro Grande.
A boa notícia logo se espalhou. Amigos e familiares, num misto de alegria e aflição, acorreram ao Pontal para assistir à chegada da embarcação. Será que estavam todos bem? Como sobreviveram todo esse tempo? Era um milagre.

Imagem gerada por IA.

Para descer no cais, todos eles quase desfalecidos tiveram que ser amparados nos braços dos companheiros em terra. Alguns foguetes espocaram no ar, comemorativos.
Três dos pescadores, o mais velho Luiz, e os primos Leopoldo e Custódio foram rapidamente levados ao Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos, onde ficaram internados alguns dias. Hipotermia, desidratação. O tempo correu.

A missa em devoção à Nossa Senhora dos Navegantes na Capela do Magalhães

Em 1º de julho, um domingo pela manhã, a Capela Nossa Senhora dos Navegantes, cuja pedra fundamental foi lançada alguns anos antes, em cinco de novembro de 1911 e primeira missa de inauguração realizada em 25 de dezembro de 1913, no bairro Magalhães, tornou-se pequena ao receber tanta gente.

Jornal O Albor 1º de julho de 1917.

Era uma Missa em Ação de Graças mandada rezar em agradecimento à Virgem protetora dos navegantes. Os cinco marujos-pescadores estavam presentes, acompanhados de seus familiares e amigos. Ao cântico das Filhas de Maria a emoção tomou conta de todos.
No presbitério, a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes em seu manto azul postada em pé no convés de um pequeno barco de madeira utilizado nas procissões marítimas, contemplava os presentes.
Seu olhar irradiava ternura e amor mostrando que a verdadeira fé reside na convicção interior e na confiança em Cristo.
Bem-aventurados os que não viram e creram, disse o Mestre.
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(*) Conto de autoria deste autor classificado em 1º lugar no IIIº Concurso Literário - Categoria Contos, organizado e realizado entre os dias 4 de maio a 30 de junho de 2026, pela Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina - Seccional Laguna.

03 novembro 2026

Todos pela Camile – Uma corrente de amor e esperança pela vida

                                                                                                         
           Texto: Cristhiane Palma

Nossa família está enfrentando um dos momentos mais difíceis de nossas vidas e, com o coração cheio de esperança, viemos pedir a sua solidariedade.
Camile Palma Martins, de 35 anos, é esposa do Lenine, mãe do Antônio, de apenas 10 anos e filha de Elvis Palma e Cristhiane.
Técnica de enfermagem, sempre dedicou sua vida profissional a cuidar de outras pessoas com carinho, responsabilidade e dedicação. Hoje, é ela quem precisa de cuidados, apoio e da nossa união.
Recentemente, Camile foi diagnosticada com um meningioma, um tumor cerebral localizado em uma região extremamente delicada, próxima ao tronco encefálico, responsável por funções vitais do nosso organismo.
Para enfrentar esse desafio, Camile precisará viajar até Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde será submetida a uma cirurgia cerebral de alta complexidade para a retirada do tumor. O procedimento exige uma equipe médica especializada, além de acompanhamento e cuidados durante todo o processo de tratamento e recuperação.
O tempo é um fator importante nessa jornada. A preocupação com a evolução do quadro e os riscos envolvidos tornam ainda mais urgente a busca pelo tratamento adequado.
Diante dessa situação, decidimos unir forças e criar esta vaquinha solidária com o objetivo de arrecadar R$ 100.000,00, valor que será destinado a ajudar a cobrir parte das despesas relacionadas à cirurgia em Porto Alegre, ao tratamento, aos deslocamentos, à hospedagem, à alimentação, aos medicamentos e aos cuidados necessários durante sua recuperação.
Mais do que arrecadar recursos, queremos reunir pessoas dispostas a fazer parte de uma corrente de amor, fé e solidariedade, oferecendo a Camile todo o apoio necessário para enfrentar essa etapa tão importante de sua vida.
Cada contribuição, independentemente do valor, representa muito para nós. É um gesto que nos aproxima da possibilidade de proporcionar à Camile o tratamento e os cuidados de que ela tanto precisa.
Sabemos que nem todos podem contribuir financeiramente. Por isso, compartilhar esta campanha, fazer uma oração ou enviar uma mensagem de carinho também são formas valiosas de nos ajudar.
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Doe pelo site vakinha.com
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pela Conta Corrente Pessoa Física:
Camile Matos Palma Martins
Caixa Econômica Federal (CEF 104)
Agência 0421 (Laguna)
C/C: 594351178-0
CPF 076.817.859-22

28 outubro 2026

A noite que o Boitatá “apareceu” no bairro Campo de Fora

 
 O músico lagunense Adelaido Sebastião Pires, de saudosa memória, durante muitos anos foi uma das figuras mais atuantes da Banda Musical União dos Artistas, inclusive membro de sua diretoria em várias gestões.
Ele contava uma história que atravessou os tempos e entrou no anedotário da tradicional sociedade musical de nossa cidade.
                       
Quando os fatos a seguir narrados aconteceram, a iluminação pública da Laguna era precária. Lâmpadas somente nos postes do centro da cidade. Nos bairros reinava a completa escuridão.
Bem por isso as pessoas evitavam sair à noite, a não ser em função de compromissos inadiáveis, problemas com a saúde ou um outro caso de extrema necessidade.
Naqueles tempos os músicos da Banda União dos Artistas, após a jornada de trabalho, ensaiavam todas as noites na então sede situada na rua Voluntário Fermiano.
Quando finalizavam os ensaios, alguns músicos ficavam jogando dominó ou jogo de cartas até mais tarde em uma sala aos fundos, onde existia um reservado e um pequeno bar.
Um desses músicos que morava no final do bairro Campo de Fora ao término dos ensaios naquela noite se dirigiu para sua casa.
Conhecia o caminho de olhos vendados, caminhando reto pela rua Almirante Lamego. Era lua nova.

O músico retornou apavorado. O que teria acontecido?

Quinze ou vinte minutos após ter saído ele retornou e adentrou apavorado na sede da banda.
Olhos arregalados, esbaforido, gaguejava dizendo que tinha visto o Boitatá soltando fogo pelas fuças.
Os colegas trouxeram um copo d’água, procurando acalmá-lo. Ele retornou à mesma narrativa: havia visto o Boitatá.
Em ato contínuo, cinco colegas se reuniram para acompanhá-lo até sua casa para passar a limpo a aparição do bicho.
Diz a lenda que o Boitatá é uma espécie de monstro, uma cobra com olhos flamejantes do tamanho de sua cabeça e que persegue os viajantes noturnos. 
Dizem que é visto correndo de um lado para outro na mata, protegendo-a dos que realizam queimadas. É uma criatura fantástica do folclore brasileiro.


Foram em direção ao bicho


Quando os cinco amigos chegaram um pouco antes da Estação Ferroviária no Campo de Fora, ao olharem à esquerda viram realmente uma figura gigantesca e escura soltando faíscas na imensidão da noite.
Alguns quiseram correr, mas como estavam em turma criaram coragem e foram em direção ao bicho.
Ao chegarem bem perto, meio que ainda receosos, constataram a grande confusão.
                        
A Estrada de Ferro mantinha uma locomotiva para fins de manobras e que de tão antiga e barulhenta recebeu o apelido de “Chocolateira”.
O que pareceu um horrendo Boitatá ao assustado músico, nada mais era do que o foguista a remexer o braseiro da locomotiva com as fagulhas a voarem ao sabor do vento sul e se perdendo no breu da noite lagunense.
O resto ficou por conta do medo e do que a imaginação pode causar.
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* Texto inserido em meu livro Sociedade Musical União dos Artistas - Atravessando os Séculos, lançado em 2022.

22 outubro 2026

Pescaria Brava comemora 14 anos de emancipação com a 2ª Semana Cultural e obras de infraestrutura

 
Na última segunda-feira (19), o prefeito de Pescaria Brava, Luiz Henrique Castro ocupou a tribuna da Câmara de Vereadores para, em Audiência Pública, divulgar as obras que estão sendo realizadas e as previstas em infraestrutura no município, além da programação da 2ª Semana Cultural de Pescaria Brava a ser realizada nesta sexta-feira, sábado e domingo.

Prefeito Luiz Henrique Castro, de Pescaria Brava, na coletiva à imprensa, na última segunda-feira (19).

O evento marca a comemoração dos 14 anos de emancipação político-administrativa do jovem município situado no sul do estado, às margens da Lagoa do Imaruí.
“É a segunda vez que realizamos a comemoração e celebração do aniversário do nosso município, disse o prefeito.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Pescaria Brava.

“É uma festa para motivar o nosso povo, falando de nossa história e cultura, no sentido de pertencimento, de orgulho bravense, trazendo felicidade para as pessoas”.
O presidente da Câmara. Vereador José Eraldo Francisco também falou sobre a expectativa para as comemorações:
“Vai ser uma semana marcante para todos de Pescaria Brava. Desejo que esta festa seja um sucesso para a região toda”.
A expectativa da organização do evento é receber um público de cerca de 15 mil pessoas.

Confira a programação completa:

Sexta-feira – 23 de outubro
08:00 – Dia do Mar, na Ponta das Laranjeiras.
14:00 – Abertura oficial com o Grupo 60+, no CTG do Preto.
19:00 – Culto Evangélico, no CTG do Preto.
20:00 – Show Gospel, no CTG do Preto.
22:00 – Show com a Banda Veredas, no CTG do Preto.

Sábado – 24 de outubro
06:00 – 2.ª Edição Desperta Brava, no Centro Histórico.
09:00 – 1.º Torneio de Laço Comprido, na Cancha Bruno Joaquim.
09:00 – 3.º Torneio de Arremesso de Tarrafa, no CTG do Preto.
19:30 – Missa com o Pe. Jerônimo, no CTG do Preto.
21:00 – Show com o Grupo Plano B, no CTG do Preto.
23:30 – Show com Rony Max, no CTG do Preto.

Domingo – 25 de outubro
16h00 – Apresentação Musical PIE, no CTG do Preto.
18h00 – Canta Viola Sul com Adriano Marçal, no CTG do Preto.
20h00 – Show com Jeito Louco, no CTG do Preto.
20h45 – Corte do bolo de aniversário, com continuação do show de Jeito Louco.
22h00 – Show nacional com Henrique & Diego, no CTG do Preto.

Obras
Na audiência o prefeito Luiz Henrique Castro detalhou investimentos de mais de R$ 20 milhões para 2027, com 16 obras que já estão em andamento.
Os recursos vieram de um superávit de R$ 7 milhões da prefeitura e de parcerias com o governo do estado e repasse de emendas parlamentares.
Na ocasião, também foi apresentado o projeto da Praça Inclusiva, cujas obras já estão em andamento e será a maior de Santa Catarina.
O projeto Bravinha, transporte coletivo gratuito para a população, terá seus horários ampliados, de oito para dez e com instalação de wifi gratuito e aplicativo.
Atualmente o Bravinha atende dois mil passageiros por mês em 14 comunidades do município.

18 outubro 2026

Morreu Benito Di Paula. Em 1975 o cantor e compositor se apresentou na Laguna

O cantor, compositor e pianista Benito Di Paula, que morreu na noite deste domingo (18) aos 84 anos, em São Paulo, em decorrência de um câncer, no início de sua carreira de sucesso se apresentou na Laguna em 1975.
Benito Di Paula foi um dos nomes mais populares da Música Popular Brasileira.

Benito Di Paula, em foto de 1975 quando se apresentou na boate do Laguna Tourist Hotel. Foto/Acervo: valmirguedes.blogspot.com

    Seu primeiro sucesso nacional veio em 1973, com Retalhos de Cetim. Outros grandes sucessos foram: Se não for por amor (1974), Charlie Brown, Beleza que é você mulher (1975), e Vai ficar na saudade, de 1976.

Apresentação na Laguna
Benito Di Paula, então com 34 anos, se apresentou na noite de 13 de dezembro de 1975, um sábado, na Boate do Laguna Tourist Hotel.
Na época, Benito apresentava pela Rede Tupy de Televisão, o programa de grande audiência Brasil Som 75.
Em entrevista ao jornal Semanário de Notícias, de nossa cidade, Benito disse que “achou a boate do Tourist de muito bom gosto e localizada nesta cidade que é maravilhosa".

Manchete do jornal Semanário de Notícias de 24 de dezembro de 1975.

Junto com Benito se apresentou o Grupo Musical Itamone, de Caxias do Sul (RS).
No baile, se apresentaram, como debutantes, 48 representantes de várias cidades catarinenses.
Presenças de cronistas sociais, várias autoridades do estado, entre eles o governador Konder Reis, deputados federais, estaduais e o então ministro de Minas e Energia, Shigeaki Ueki, cuja esposa Luci era a patronesse das debutantes.

Benito de Paula em 1975, quando se apresentou na Laguna, lendo o jornal Semanário de Notícias de propriedade do cartorário Luiz Paulo Carneiro. Foto/Acervo: valmirguedes.blogspot.com

A festa foi até ao amanhecer, com muitos convidados que estavam hospedados se dirigindo diretamente para o café da manhã no hotel.

Benito Di Paula em capa de disco de 1976.

Quem trouxe Benito Di Paula à Laguna foi a Status Produções Artísticas Ltda. de São Paulo, através do empresário Nilo Franco Jablonski.

09 outubro 2026

Beto, o carneiro-mascote da Banda Musical União dos Artistas e sua estranha mania

Um dia, lá pela década  de 1940, ele apareceu na sede da Banda Musical União dos Artistas. Em silêncio ficou ouvindo e observando os ensaios. O tempo foi passando. Procuraram seu dono. Não o encontraram. Foi adotado pelos músicos.
Passado um tempo era visto desfilando todo garboso em frente à banda. Parecia conhecer até o repertório, como se distinguisse marcha de dobrado, sustenidos de bemóis. Fizeram um uniforme para ele, da mesma cor e tecido usado pelos músicos. As crianças o adoravam e quando ele passava pelas ruas aplaudiam e o chamavam pelo nome. 
Beto. Sim, era assim chamado. Beto, o carneiro-mascote da banda. Mas, tinha um trecho de uma rua da Laguna que ele não passava de jeito nenhum. Nunca. Qual seria o motivo?

Tempos atrás, era praxe que uma entidade musical, civil ou militar que utilizasse estandarte, adotasse uma mascote para acompanhar seus desfiles e marchas.

O mascote Beto à frente da Banda. Imagem gerada por IA.

O animal mais comumente adotado era o cachorro, mas também se utilizava o carneiro, como foi o caso certa vez do Batalhão Naval no Rio de Janeiro.
Alguns músicos da Banda Musical União dos Artistas da Laguna quando souberam disso, copiaram logo a ideia e adotaram e batizaram como Beto um pequeno carneiro que apareceu certa vez, na década de 1940, na pequena área em frente à sede da banda.

Apareceu e foi ficando 

O carneiro apareceu e foi ficando por ali. Procuraram por alguns dias seu dono, mas ele não apareceu e nunca ninguém soube quem era.
O carneiro Beto ficava observando da porta os ensaios, compenetrado, em silêncio, sem atrapalhar.
Foi crescendo robusto, bem alimentado pelo pessoal. Com o tempo distinguia repertórios, marchas de dobrados, sustenidos e bemóis. Reconhecia o maestro, componentes e uniformes da Banda.
Tempos depois, bem escolado, o Beto já marchava todo garboso à frente da Banda, usando uniforme idêntico da agremiação que um músico pediu que sua esposa, que era costureira, confeccionasse.
Não tinha medo do espocar dos foguetes, era a alegria da criançada e parecia adorar os aplausos.

Beto, o carneiro-mascote da Banda Musical União dos Artistas. Imagem gerada por IA.

Houve ocasiões que Beto passou dos limites, causando problemas.
Certa vez entrou no Jardim Calheiros da Graça ali na frente da Matriz e mastigou uma flor que encontrou no canteiro.
O jardineiro gritou com o Beto que nunca mais foi visto cometendo o delito.
Mas o que causou estranheza durante muito tempo foi uma atitude do Beto.

Um trecho de rua o Beto não passava 

A Banda União dos Artistas quando vinha de sua sede no bairro Campo de Fora, percorria a rua Voluntário Fermiano e Santo Antônio em direção à Matriz Santo Antônio dos Anjos. O Beto vinha sempre alegre e saltitante à frente, como sempre.
Mas, ao chegar à esquina da Sociedade Recreativa União Operária o Beto simplesmente levantava a cabeça, olhava pra cima dos muros das casas e mudava de rumo. Descia rapidamente a rua Tenente Bessa e seguia pela Duque de Caxias, até reencontrar todo alegre novamente a Banda União dos Artistas na Praça Vidal Ramos.
No retorno da Banda, ele fazia exatamente o mesmo caminho, inversamente.
Ninguém compreendia essa brusca mudança de roteiro, o desvio na quadra. O que causaria isso? Várias hipóteses foram aventadas.
Até que um músico mais atento percorreu devagar o pequeno trecho, observando a área. Desconfiou de um motivo e depois de muito pensar matou a charada.

Os cachorros de porcelana portuguesa que o carneiro-mascote Beto tinha verdadeiro pavor.

É que o carneiro Beto tinha verdadeiro pavor daqueles dois cachorros de porcelana portuguesa postados lado a lado no alto dos pilares do antigo palacete onde funcionou a Coletoria Estadual.
Vai que os dois caninos saltem lá de cima para me pegar, deveria assim pensar o prevenido carneiro-mascote.
Morreu de velhice, o Beto, sempre lembrado em suas peripécias pelos mais antigos músicos da Banda Musical União dos Artistas.
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* Texto inserido em meu livro Sociedade Musical União dos Artistas - Atravessando os Séculos, lançado em 2022.

07 outubro 2026

Entrevista ao Rádio Revista na Difusora

Conforme anunciado, estive no Programa Rádio Revista da Rádio Difusora, 91,5 FM apresentado pelo radialista Celso Fernandes, tendo na técnica Anderson Passos da Rocha, o popular Rochinha.
Foi um papo sadio e gostoso, pena que muito rápido, somente uma hora para relembrar tanta gente e fatos da nossa histórica Laguna.
Agradeço o convite e a grande participação dos ouvintes, dos amigos que ligaram e que deixaram seus recados.
Para assistir no Facebook 

Ou pelo canal de You Tube abaixo:

 


O adeus a Nair Barbosa de Castro +

      Faleceu dª Nair Barbosa de Castro, aos 103 anos.
    O velório ocorre na capela mortuária da Funerária Cristo Rei, a partir do meio-dia, e o sepultamento será às 17h, no Cemitério do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio dos Anjos.
    Dona Nair era viúva do comerciante Sílvio Castro, com quem teve os filhos Neuza, Nívea, Sérgio, Nice, Silvio, Nésia, Noeli e Sandro.
Sentimentos aos amigos e familiares.


06 outubro 2026

Entrevista ao Programa Rádio Revista, na Difusora, com Celso Fernandes

 
 Fui convidado, e amanhã, quarta-feira (7), das 9h às 10h estarei na Rádio Difusora da Laguna (91,5 FM) no programa Rádio Revista, apresentado pelo radialista Celso Fernandes, tendo na técnica Anderson Passos da Rocha, o popular Rochinha.

Radialista Celso Fernandes, Rádio Difusora da Laguna 91,5 FM - Programa Rádio Revista.

Será um bate-papo descontraído sobre a imprensa e o rádio lagunense & outras histórias.
Para participar ligue e deixe seu recado pelo WhatsApp da emissora: (48) 3644-0025
Assista e comente o programa pelo facebook da rádio.

28 setembro 2026

Café Colonial da Mamãe Bebê foi, mais uma vez, um sucesso

 
O Café Colonial promovido neste domingo (27) pela Associação das Voluntárias Mamãe Bebê, foi, mais uma vez, coroado de sucesso.
Além das guloseimas, teve sorteio de tradicionais mantas e brindes.
Parabéns às esforçadas voluntárias, na pessoa de sua presidente Maria Helena Parente, pela organização e brilho do evento realizado no Centro Cultural Santo Antônio dos Anjos.
Foi mestre de cerimônias o radialista Celso Fernandes e cobertura fotográfica de Elvis Palma.
Alguns registros: