02 fevereiro 2026

Cacareco, o Bloco de carnaval que marcou época e foi sucesso na Laguna

 
Em 1960 estreou no carnaval da Laguna o Bloco de rua carnavalesco-humorístico Cacareco, nascido no bairro Magalhães.

Bloco Cacareco -1962 - Laguna -SC - Acervo: Valmir Guedes Júnior

Logo o bloco se tornou a alegria das crianças e o queridinho do público. Mas também assustava com os malabarismos e performances de um hipopótamo, de um gorila  e seu domador. Bem por isso justamente o sucesso.
 
O carnaval lagunense começou mais cedo em 1960
Na noite do dia primeiro de janeiro a Escola de Samba Brinca Quem Pode inovou, botou o bloco mais cedo na rua e saiu desfilando pelas vias do centro histórico mostrando “o batuque de seus tamborins”.
O Xavante do Magalhães não ficou atrás e também fez o mesmo, mas somente após uma quinzena, quando desfilou na noite de 17 daquele mesmo mês de janeiro.
Era acompanhado de seu Bloco infanto-juvenil Os Aymorés.
Choveu muito nos dias dos desfiles oficiais de 1960, em fevereiro. Mas nada que prejudicasse a alegria dos foliões.
Nos intervalos dos aguaceiros o público se divertia, principalmente com a estreia do Bloco Cacareco e seus bichos. Um sucesso!

No Cacareco, o gorila e Gonçalo Barbosa de domador com a corrente e a vara com ponta de ferro que arrancava faíscas nos paralelepípedos.  A criançada atenta adorava a brincadeira. À esquerda na foto, quase encoberto o então vereador (e futuro prefeito) João Gualberto Pereira.

Entre os componentes Inaiá Rodrigues da Rosa (filho do maestro Felipe Rosa), Melquiades Soares, Ivo Simião da Luz, Íris Luz, Carlos Felipe de Queiróz, Antônio Tavares (que incorporava o gorila, dividindo-se com Gonçalo Barbosa de domador), Mozart (Carioca), Nereu Machado, Dodô do Pedro Maurício,  César Guedes, entre muitos outros.
Maioria deles morador da rua João Henrique, a conhecida rua do Valo, no bairro Magalhães.
Vários membros pertenciam às diretorias dos Clubes Ideal e 3 de maio, além de também serem componentes da Bandinha Maluca e Os Palhaços de Momo.
 
Candidato Cacareco, o mais votado em São Paulo
Cacareco, o nome do Bloco, foi em homenagem a um popular personagem que no ano anterior havia entrado para o folclore-político-brasileiro.
Em 1959, ano de eleições municipais, os eleitores de São Paulo mandaram um recado aos políticos incompetentes.
Como na época se escrevia na cédula o nome do candidato a ser eleito, os eleitores votaram num rinoceronte (na verdade uma fêmea) chamado Cacareco.
O bicho havia sido emprestado do Zoológico do Rio de Janeiro a pedido do governador de São Paulo, Jânio Quadros que havia criado o Zoológico de São Paulo em 1957 (inaugurado em 1958).
Cacareco havia sido o primeiro rinoceronte nascido em cativeiro na América do Sul.
A população paulista compareceu em massa ao Zoológico, cujos bichos fizeram muito sucesso, principalmente o Cacareco.
Foi o que bastou para que o jornalista Itaboraí Martins, do jornal O Estado de São Paulo, numa mesa de bar lançasse a candidatura de Cacareco para o cargo de vereador na eleição de 4 de outubro de 1959.

Rinoceronte Cacareco - Foto/Crédito: Alesp

Até “santinhos” do bicho foram impressos e distribuídos. E teve jingle: “Cansados de tanto sofrer/E de levar peteleco/Vamos agora responder/Votando no Cacareco”.
Resumindo: a candidatura de Cacareco recebeu quase 100 mil votos, sendo estrondosamente o mais votado. Sua votação daria para eleger os 15 vereadores mais votados na época.
É evidente que o TRE-SP declarou como nulos os votos do Cacareco.
Dias depois, certamente para evitar que o povo paulista empossasse na marra o rinoceronte, ele foi devolvido ao Zoológico do RJ.
Anos mais tarde, em 1988 no RJ, outro bicho seria consagrado nas urnas: o macaco Tião. Mas isso é outra história.

Estreia do Bloco Cacareco na Laguna
O jornal O Albor registrou a estreia do Bloco Cacareco no carnaval lagunense de 1960: 
“Menção especial merece o Cacareco que quase “entrou bem”, numa história muito particular.
Os integrantes daquele conjunto que muito se divertiram com as arremetidas do hipopótamo-chefe, prometem para amanhã nova e sensacional apresentação daquela equipe e que se denominará “Cacareco encontra Gorila”. Vamos ver”.

Taça do Bloco mais preferido em 1962
No carnaval de 1961 novamente o bloco esteve presente, trazendo inclusive um carro alegórico intitulado “Foguete à Lua”, que fez grande sucesso entre o público.
No carnaval de 1962, o Bloco Cacareco recebeu da Rádio Difusora, então situada num prédio da Praça Vidal Ramos, a “Taça do Bloco mais preferido”, juntamente com o Cordão Carnavalesco Bola Preta, Bola Azul, Respingados e Xavante, igualmente homenageados.

A enorme galinha do Bloco Cacareco, que tanto sucesso fez no carnaval lagunense.

E pelos anos seguintes, inclusive nos primeiros da década de 1970, o Cacareco participou do carnaval lagunense, sempre com muita alegria e descontração, inovando, trazendo novos bichos para as ruas da cidade, entre eles uma enorme galinha e mais sapos, cobras e lagartos.
Mas em seguida, por um motivo ou outro, o Bloco Cacareco desapareceu do cenário do nosso carnaval.

No Bloco Cacareco, Gonçalo Barbosa como domador e sua lança e o assustador (para a época) gorila.

Da minha infância lembro do saudoso Gonçalo Barbosa, que se dividia entre o personagem gorila e o domador, tirando chispas dos paralelepípedos com sua lança-chicote com ponta de metal.
À noite, o efeito colorido das faíscas impressionava. Era teatral e assustador. 

"A fera espalhava a multidão"
O lagunense Oclândio Siqueira em seu livro “Em cantos da alma”, dá o seu testemunho sobre o Bloco Cacareco:
 
“O Cacareco, homenagem a um rinoceronte do jardim zoológico de São Paulo que, numa das eleições municipais para vereador recebera a maior votação registrada a um candidato a esse cargo eletivo, era agora objeto de tributo de um bloco de carnaval, que vinha do Magalhães.
Devidamente caracterizada, assim se compunha toda a turma do boteco do Íris. O rinoceronte, muito bem-feito, sua confecção inspirada no estilo das bernunças dos bois-de-mamão, bravio, espalhava a multidão e era vigorosamente contido por seu domador, o próprio Íris, que, coberto com peles que nem um viking, segurava com ares de força a inquietação da fera.
Carlos Queiroz, vulgo “Cabrito”, auxiliava Íris a conter o ímpeto do bicho, que investia contra a troça que o rodeava.
Também assim acontecia com um enorme orangotango, preso por pesada corrente da qual de vez em quando se soltava, e que, arrastando aqueles pesados grilhões pelos paralelepípedos das ruas, tirava faíscas e amedrontava a todos.
Dizem, no entanto, que o bafo que os componentes do bloco exalavam era, surpreendentemente, de outra fera: o de “onça” ...

O retorno do Bloco
Em 15 de agosto de 1988 foi ensaiado o retorno ao carnaval lagunense do Bloco Cacareco, numa tentativa de reerguê-lo, inclusive com registro oficial e constituição de CNPJ. Quem encabeçava a volta era um velho componente, o Dodô do Pedro Maurício.
O Cacareco, em nova fase, desfilou nos carnavais de 1989 e 1990, juntamente com outros blocos que haviam surgido em anos anteriores, como Saímos Sem Querer, Saímos na Marra, Bloco da Pulguinha, Bloco da Latinha, além do Bloco Pirão d’Água, da Roseta (atual bairro Progresso).
O Pirão d’Água foi outra agremiação tradicional do nosso carnaval com registros de sua participação desde a década de 1950.
Seu criador foi Mané Pintado, sob a batuta do maestro Vicente. O bloco satirizava a pobreza lagunense com suas cantigas e jogos de vozes e fazia muito sucesso.
Eis outra história que também merece um futuro capítulo aqui neste Blog.

01 fevereiro 2026

Bloco da Pracinha: Abadás já estão à venda

 
Carnavalescos Sérgio Farias Gomes, o popular Minguifa com a primeira dama do Bloco, sua esposa Maria Nunes convidam:
Venham para o Bloco da Pracinha, o maior do sul do Brasil.
Os abadás já estão à venda (R$ 50,00) na Praça Sousa França (Pracinha do Necrotério Bar, no Magalhães) na loja Edna Variedades.
Contato: 99694-6080.

26 janeiro 2026

FOTO-RETRÔ

 

Funcionários do Banco Inco Agência da Laguna em 1958. Foto do acervo do saudoso Carlos Augusto Baião da Rosa

Funcionários da Laguna do Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina S/A (INCO), em foto na escadaria defronte à agência na rua Oswaldo Cabral, em 1958:
Na fila dos degraus de cima da esquerda para direita: Ézio Heleodoro de Souza, Carlos Brandl, Luiz Ernesto Schiefler, Osvaldo Rollin, Custódio Ezequiel de Souza, Loreta Delgado, Gabriela Grandemagne, Vedelino Marçal, Enita Vieira, Noé Mendonça, Benjamin Nicolazzi, Itanê Schneider, Aurélio Schneider, Sônia Costa, Irene Perfeito e Ricardo Fiúza Brandl.
Na fila do degrau de baixo da esquerda p/direita: Marianto Fernandes, Haroldo Candemil, Valdéia Elias, Altamiro Heleodoro de Souza e Asdrúbal Alcântara. 

Um pouco de história

O Banco Indústria e Comércio de Santa Cataria S.A. (INCO), foi fundado em 1934 por um grupo do Vale de Itajaí. A ideia da criação surgiu com Irineu Bornhausen e Otto Renaux.
Oficialmente a entidade bancária foi constituída em assembleia geral no dia 23 de fevereiro de 1935.

Agência do Banco INCO na rua Oswaldo Rodrigues Cabral, na Laguna, na década de 1950. Prédio em arquitetura Arte Dêco com colunas de inspiração Dórica. No local, posteriormente, a partir de 1968, vai funcionar o Banco Bradesco que incorporou o INCO.

A terceira filial foi instalada na Laguna em 28 de março de 1936. O que demonstra o poder político e econômico de nossa cidade na época.
Primeiramente funcionou num prédio da rua Raulino Horn nº 47 (hoje no local é a Relojoaria Werner). 

Publicidade do INCO e sua sede primeira na rua Raulino Horn nº 145. Revista Cidade Juliana - 1947.

Somente naquela manhã, foram abertas 80 cadernetas com depósitos populares.
Foi o primeiro gerente da filial de nossa cidade, Hercílio Guimarães. 
Como contador Luiz Francalazzi e auxiliares Jubal Ribeiro, Oswaldo Correia, Aírton Alcântara, Ludgero Pereira e Dovaldo Martins. 
Era prefeito da Laguna, Giocondo Tasso. Mário Mattos era o presidente da Associação Comercial de nossa cidade. O lagunense Antônio Guimarães Cabral (o Pereira) foi o orador à ocasião.
Irineu Bornhausen, então prefeito eleito de Itajaí, empresário, um dos fundadores do banco e futuro governador de Santa Catarina, esteve presente à inauguração.
Na ocasião, ano de 1935, existiam somente duas filiais do INCO. Uma em Brusque e outra em Rio do Sul. A matriz era em Itajaí. O Banco foi incorporado pelo Bradesco em 1968.

23 janeiro 2026

Nos tempos de banhos pelados no Mar Grosso

 
Houve épocas na Laguna que bastava iniciar o verão para que grupos de pessoas se banhassem completamente nus nas águas do Mar Grosso.
A atitude provocava escândalos nos demais banhistas que se queixavam de afronta  à moral e aos bons costumes.
Além de ser enquadrado como crime de atentado público ao pudor.

Praia do Mar Grosso (Pedras do Iró) - 1950. Laguna. Acervo: Valmir Guedes Júnior

Seria modismo? Ato de puro exibicionismo dos nossos antepassados? Ou uma previsão do que poderia ter sido uma praia naturista? Isso antes, bem antes da Praia do Pinho em Balneário Camboriú.
Era a Laguna lá no passado lançando moda, pioneira, exibida.

Por várias vezes, e isso no começo do século XX, os jornais da nossa cidade alertavam as autoridades sobre o fato, pedindo providências:

“Estão tomando banho pelados na praia do Mar Grosso”, gritavam as manchetes.

“É uma vergonha, uma imoralidade, ninguém respeita as senhoras e crianças”, xingavam os periódicos.

As turmas banhavam-se como Adão e Eva vieram ao mundo. Quer dizer: soltavam os balangandãs, deixavam os bichos soltos, sem usar folhas para esconderem suas identidades. Não estavam nem aí para cobras e lagartos.
Isso em épocas em que o Mar Grosso ainda recebia pouco público e em que as pessoas, mesmo com o calor, caminhavam pelas areias em trajes sociais. Isso mesmo. De vestidos, chapéus e ternos.
Como pode-se observar nessa antiga foto da década de 1940. 
Dê um clique para ampliá-la:

Praia do Mar Grosso (Praia de Banho) - Laguna - Década de 1940. Acervo: Valmir Guedes Júnior

Veja a foto acima: Ao longo do que seria hoje às imediações da avenida beira-mar existiam pequenas residências de madeira chamadas de casas de veraneio.
Ao fundo, os morros da Barra. Se a gente notar com mais atenção, veremos duas motos. Uma delas estacionada e outra circulando na areia. Além de um automóvel Ford. Sim, sim, naquela época veículos já invadiam as areias.
Nos cômoros, dois cachorros (deviam ser tatataravôs dos atuais) observam as pessoas na chamada “Praia de Banho”, como escrito no rodapé da fotografia e era assim chamado o Mar Grosso.

Nossos antepassados não eram querubins

E não eram somente jovens que se banhavam nus. Tinham marmanjos no meio. Até senhores de ilibadas reputações pertencentes à tradicionais famílias da cidade, “sem os necessários calções”.

Tal e qual os povos originários, os chamados índios lá no descobrimento do Brasil que "mostravam suas vergonhas" como escreveu Pero Vaz de Caminha em sua famosa carta.

Bem, mas muitos de nós descendemos dos Carijós, não é verdade? Com seus tacapes e lanças.

Não se sabe se a polícia tomou providências, se ficou tocaiando atrás dos cômoros para pegar a turma com as calças nas mãos. Ou melhor, sem as calças.

Os jornais nada falam sobre isso. É provável que não. Afinal era verão, um calor danado e a polícia tinha mais o que fazer do que ficar prendendo marmanjo com o bilau de fora.

Mas isso aconteceu várias vezes na Laguna há muitos e muitos anos.

E o mais surpreendente, é que a turma não tinha medo dos enormes siris que naquela época "abundavam"  nas águas e finas areias, com suas rápidas e afiadas garras azuis.

Vai que um deles... zip... E o “negócio” já era, sujeito virava eunuco.

Mas o que devia abundar mesmo eram outras partes da anatomia humana, aliás, brancas, cabeludas, cheias de acnes, escondidas o ano inteiro, merecendo raios de sol sem protetores. Produtos que ainda não existiam no mercado.

Bem que nosso historiador Oswaldo Rodrigues Cabral já alertava que nossos antepassados não eram inocentes e ingênuos querubins como muita gente imagina.

Vejamos:

Em 4 de março de 1904, portanto comecinho do século XX o jornal O Albor já trazia: 

“Abuso cometido por mocinhos”
“Pedem-nos para chamarmos a atenção das autoridades competentes sobre o abuso cometido por mocinhos desta cidade que, sem o menor pudor nem respeito às famílias que veraneiam na praia do Mar Grosso, vão ali banhar-se, pleno dia, em trajes adâmicos.
No Código Penal da República há duas posições claríssimas referentes a esses abusos, e delas dar conhecimento a certos moçotes seria uma obra de misericórdia, que muito recomendaria o sr. comissário de polícia à consideração das famílias”.

Jornal O Albor de 4 de março de 1904.

No ano seguinte, em 4 de março de 1905 o local dos banhos nus mudou e passou para o centro da cidade, defronte ao Morro de Nossa Senhora do Rosário, bem defronte à igrejinha então existente lá no alto. O mesmo jornal O Albor publicava:

 “Sem vergonhismo na poética lagoa”
  “Chamamos a atenção do sr. Comissário de polícia para um certo grupo de moços, alguns maiores de dezessete anos, que em trajes endêmicos, à moda de Adão, costumam refrescar-se dos ardores ferroantes da canícula, banhando-se, à plena luz do dia, na ponta do Morro de N. Senhora, com grave afronta ao decoro das famílias que por ali circunvizinham.
  É cômoda e econômica esta maneira de afogar pela fresquíssima água da nossa poética lagoa as alfinetas de uma brotoeja insipientes; mas, depois que os nossos primeiros pais comeram do pomo proibido, é indecente e de um sem vergonhismo muito característico.
  À autoridade competente, em nome da moralidade, pedimos pôr um paradeiro a este indecoríssimo abuso”.

    Três anos depois O Albor voltava ao assunto, em sua edição de 7 de junho de 1908, portanto, em pleno inverno. Agora eram pescadores que, completamente nus no Pontal dos Molhes, tarrafeavam as tainhas com ajuda dos botos. Nem se preocupavam com chumbadas ou em engalhar no nylon. A manchete do jornal era:

"Pescadores nus no Pontal”
   “Pedem-nos chamar a atenção de quem competir o inqualificável abuso de estarem pescadores, domingo último, pescando no Pontal, completamente nus.
   Sendo este local procurado por famílias para passeios, bem se compreende que o procedimento destes indivíduos está exigindo uma providência enérgica da autoridade competente”.

O Albor 7 de junho de 1908.


    Nos próximos anos seguintes não há registros nos jornais de novos casos. Mas, alguns anos depois, o banhar-se nu na nossa principal praia voltou a acontecer. 
   O jornal O Dever em sua edição de 16 de março de 1919 registrou:

     “Senhores sem calções”
   “No Mar Grosso - Como si a praia do Mar Grosso lagunense fosse um lugar desabitado; como se, ali, à tarde, as famílias não fizessem os seus passeios costumeiros, andam, agora, alguns senhores fazendo uso de banhos, sem os necessários calções, demonstrando assim, nenhuma educação!
   Além desses senhores, outros moços bonitos mudam de vestes, para se banharem, em plena praia e com o sol alto!
  A autoridade policial, pois deve agir, para fazer cessar esse desrespeito às pessoas ali residentes.  
   Esperemos”.

Jornal O Dever de 16 de março de 1919.

    Acabou? Que nada. Dezenas de anos depois, em 1997, houve registros de banhos nus, como bem contou com humor o saudoso cronista Munir Soares em sua página publicada no meu jornal Tribuna Lagunense de 22 de fevereiro de 1997: 

“Pelados na Praia do Mar Grosso – Sereios eróticos”
“Boquinha da noite na praia do Mar Grosso, em pleno carnaval.
Os rapazes, após alguns minutos de malhação, vão tirando a roupa e colocando numa trouxa, sobre a areia.
Pelados, correm e mergulham, furando as ondas.
Conta-se, pela cidade, que quando algumas moças se aproximavam, fazendo “cooper”, os rapazes vinham para à beira da praia e mostravam os “documentos”.
A polícia foi acionada, contam.
No local, seguraram a roupa dos garotões, e ficaram aguardando a saída dos “sereios eróticos”.
Teria sido uma longa espera. Finalmente, o frio os empurrou para terra.
Os mocinhos teriam tentado reagir para recuperar as roupas.
Depois do bate-boca teria acontecido o “pau-a-pau”.
Segundo testemunhas, os rapazes levaram desvantagem.  Haviam ficado tanto tempo n’água que suas “armas” estavam murchas”.

20 janeiro 2026

Comunidade lagunense acolhe novos Padres da Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos

 
Na noite do último domingo (18), aconteceu a posse canônica dos novos padres da igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos.
A acolhida dos novos sacerdotes em suas novas missões foi durante a Missa das 19 horas presidida pelo bispo diocesano Dom Adilson Pedro Busin.

Foto: Paróquia Santo Antônio dos Anjos

O novo pároco é o padre Claudemir Serafim; e o vigário, o padre Vanderlei Tezza.
Sejam bem-vindos padres Claudemir e Vanderlei. Que o Divino Espírito Santo os ilumine e sustente no cumprimento da missão.

Pároco Claudemir Serafim e Vigário Vanderlei Tezza. Fotos sobre vídeo da Paróquia Santo Antônio dos Anjos da Laguna.


Pároco Claudemir, Vigário Vanderlei e Bispo Dom Adilson Busin.

Vigário Vanderlei Tezza, Pároco Claudemir Serafim e Bispo Dom Adilson Busin.

Algumas frases ditas pelo Padre Vanderlei Tezza durante a Missa, em sua apresentação à comunidade católica:


“Agradeço a Deus pelo dom da vida e do sacerdócio”.
“Chego a Laguna com o desejo sincero de ser pastor”.
“Quero caminhar junto com todos aqueles que encontram nesta Casa a Casa de Deus, a porta do céu”.
“Quero acolher a todos com muito carinho, transparência e tranquilidade”.
Finalizou dizendo: “Se milagre desejai, recorrei a Santo Antônio”.

Já o Pároco Claudemir Serafim assim se expressou:
“Sei que não estamos sozinhos, porque não viemos sozinhos. Obrigado pela presença de todos vocês, inclusive de Humaitá e Pedras Grandes aqui presentes”.
Citando trechos da letra do Hino da Laguna, de autoria de Osmar Cook:
“O poeta disse: Laguna terra querida, celeiro de boa gente, tu tens no peito a vida, a alma de um continente.
Louvado seja Deus pelas almas boas e fiéis que fazem acontecer o dia a dia desta Paróquia. Vamos em frente, com coragem sob este céu que é tão azul, conduzidos e guiados pela Virgem da Glória, no alto do morro. Vamos juntos fazer esta Pátria deslumbrada dar a grande caminhada em direção ao CÉU”.

Bispo Dom Adilson Busin
O Bispo lembrou que certa vez numa ordenação lá no Paraguai, chovia muito e o povo dizia que a chuva era uma benção.
“Como está chovendo agora vocês dois estão abençoados”, registrou o bispo.
“Que surjam santas vocações e que Santo Antônio interceda”.
“Santo Antônio foi o Santo mais rápido que a Igreja canonizou”.
Antes da oração do Pai Nosso abençoando a todos os presentes, Bispo Adilson lembrou de um padre que foi morto aqui na Laguna.
 “Li sua história, ele foi um mártir da verdade”, disse.
Referia-se ao padre Araújo Vilella, trucidado pelas tropas farroupilhas em 1839.

BIOGRAFIAS

Padre Claudemir Serafim

Padre Claudemir Serafim - Pároco. Foto: Diocese TB

Natural de Braço do Norte (SC), nasceu em 7 de outubro de 1986.
Foi ordenado diácono em 12 de abril de 2014, na Paróquia Imaculada Conceição, em Morrotes, Tubarão.
Sua ordenação como presbítero foi no dia 2 de agosto de 2014, na Igreja Matriz Santa Rosa de Lima, em Rio Bonito, Braço do Norte.
Em 2014 foi Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Morrotes, Tubarão.
Em 2015, foi nomeado Vigário Paroquial da Paróquia São Marcos, em Rio Fortuna (SC). Dois anos depois, foi nomeado Pároco.
Em 2019, foi nomeado Pároco da Paróquia São Gabriel Arcanjo e Nossa Senhora da Salete, em Pedras Grandes (SC).

Padre Vanderlei Tezza

Padre Vanderlei Tezza - Vigário. Foto: Diocese TB

Natural de Meleiro (SC), nasceu em 24 de agosto de 1961.
Foi ordenado diácono em 16 de junho de 1990, na Igreja Matriz de Biguaçu (SC).
Foi ordenado presbítero em 14 de outubro de 1990, na Igreja Matriz Nossa Senhora da Glória, em Meleiro (SC).
Em 1990, foi nomeado Vigário Paroquial da Paróquia São Roque, em Morro da Fumaça e Içara, SC.
Em 1991, Vigário Paroquial da Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Lauro Müller, SC.
Em 1992-1994 - Pároco da Paróquia Santo Alexandre, em Treviso, SC.
Em 1995-1997, Pároco em Santana dos Brejos, Diocese de Bom Jesus da Lapa, BA.
Em 1998, Pároco da Paróquia Santo Antônio, em Paratinga, Diocese de Bom Jesus da Lapa, BA.
Em 1999, Capelão do Exército, em Salvador, BA e Vigário Paroquial (três meses) em Oliveira de Brejinhos, diocese da Barra, BA.
Em 2000, Pároco da Paróquia São João Batista, em São João do Sul, Diocese de Criciúma, SC.
De 2001 a 2004, Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo, na Cabeçuda, Laguna, SC.
De 2005 a 2013, Pároco da Paróquia São Gabriel Arcanjo, em Pedras Grandes, SC.
De 2014 a 2017, Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Bom Parto, em Sangão, SC.
Em 2018, Vigário Paroquial da Paróquia São Ludgero, em São Ludgero, SC.
Em 2020, Vigário Paroquial da Paróquia São Marcos, em Rio Fortuna, SC.
Em 2020, Residente em Arroio do Silva (tratamento de saúde).
Em 2022, Vigário Paroquial na Paróquia Nossa Senhora. de Fátima, Humaitá, Tubarão (SC).

15 janeiro 2026

Posse Canônica do Padre Itamar Nunes Faísca na Paróquia de Morrotes

 
Hoje dia 15 de janeiro, às 19h30m acontece a posse canônica do Padre Itamar Nunes Faísca, do Vigário Paroquial padre Rodrigo e do Seminarista Jonatha, na Paróquia Imaculada Conceição em Morrotes.
Que sejam abençoados na nova jornada.

13 janeiro 2026

Missa de despedida do padre Itamar da Paróquia Santo Antônio dos Anjos

 
Nesta terça-feira (13) às 6h30m celebrou a última missa como vigário da igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos, o lagunense padre Itamar Nunes Faísca, que assumirá como pároco da Paróquia Imaculada Conceição, nos Morrotes, em Tubarão.

Padre Itamar Nunes Faísca.

Ao final da missa, padre Itamar foi bastante aplaudido pelos fiéis. Visivelmente emocionado agradeceu dizendo: “Só tenho gratidão pelo carinho de vocês e corresponder e servir e ficar sempre à disposição de todos”.
Já a celebração da última missa como pároco da Laguna do padre Lenoir Steiner Becker será às 19h de hoje. Padre Lenoir seguirá para Tubarão onde será o novo pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Humaitá.
No próximo dia 18, às 19h será rezada a missa de acolhida aos dois novos sacerdotes que irão dirigir a Paróquia Santo Antônio dos Anjos, padres Claudemir Serafim (pároco) e Vanderlei Tezza (vigário).
As mudanças foram anunciadas em meados do mês de novembro passado pelo bispo Dom Adilson Pedro Busin.

12 janeiro 2026

Entrevista à Radio Cidade (89.1 FM) - Criciúma - Programa Estúdio Cidade, do jornalista Marcus Matildes

Convidado, no último sábado pela manhã (10) fui entrevistado pelo jornalista Marcus Matildes, da Rádio Cidade em Dia 89.1 FM de Criciúma, em seu Programa Estúdio Cidade, transmitido logo após o Programa Notícias da Cidade.
A emissora é uma rádio de jornalismo que combina modernidade e acessibilidade com credibilidade.

Navio Malteza S encalhado e naufragado na Praia do Gy em 26 de maio de 1979.

A pauta foi os naufrágios em nosso litoral sul, principalmente na região do Cabo de Santa Marta, denominado como local de “cemitérios de navios”.
E são dezenas de naufrágios, vários deles já destacados neste Blog. E outros que ainda pesquiso e publicarei em breve.
Há naufrágios misteriosos, com desaparecimentos de toda a tripulação e embarcação, navio pirata com baús de tesouros enterrados, navio “fantasma”...
O tempo da entrevista foi exíguo para pormenorizar alguns dos naufrágios, mas, os vinte minutos dedicados ao tema, deram uma amostra como o assunto é interessante.
Bem por isso as várias mensagens e e-mails que recebi logo após a entrevista.
Agradeço o convite do jornalista Marcus Matildes em seu programa de grande audiência em Criciúma e em toda a região sul.
Para quem desejar assistir a entrevista, ela está situada no tempo entre 4.03 e 4.24 na página do Programa no YouTube linkado abaixo:
                  


11 janeiro 2026

O adeus a dois lagunenses ligados à cultura

      Matéria publicada no jornal Agora Laguna, em sua edição de n.º 38, página 15, onde comento sobre despedidas a dois nomes ligados à cultura lagunense, Leamir Antunes e Sidnei Soccas Ribeiro, falecidos nos últimos dias de 2025.

Clique na imagem para ampliá-la.

Jornal Agora Laguna, edição de n.º 38.