09 outubro 2026

Beto, o carneiro-mascote da Banda Musical União dos Artistas

Um dia ele apareceu na sede da Banda Musical União dos Artistas. Em silêncio ficou ouvindo e observando os ensaios. O tempo foi passando. Procuraram seu dono. Não o encontraram. Foi adotado pelos músicos.
Passado um tempo era visto desfilando todo garboso em frente à banda. Parecia conhecer até o repertório, como se distinguisse marcha de dobrado, sustenidos de bemóis. Fizeram um uniforme para ele, da mesma cor e tecido usado pelos músicos. As crianças o adoravam e quando ele passava pelas ruas aplaudiam e o chamavam pelo nome. 
Beto. Sim, era assim chamado. Beto, o carneiro-mascote da banda. Mas, tinha um trecho de uma rua da Laguna que ele não passava de jeito nenhum. Nunca. Qual seria o motivo?

Tempos atrás, era praxe que uma entidade musical, civil ou militar que utilizasse estandarte, adotasse uma mascote para acompanhar seus desfiles e marchas.

Imagem gerada por IA.

O animal mais comumente adotado era o cachorro, mas também se utilizava o carneiro, como foi o caso certa vez do Batalhão Naval no Rio de Janeiro.
Alguns músicos da Banda Musical União dos Artistas da Laguna quando souberam disso, copiaram logo a ideia e adotaram e batizaram como Beto um pequeno carneiro que apareceu certa vez na área em frente à sede da banda.

Apareceu e foi ficando 

O carneiro apareceu e foi ficando por ali. Procuraram por alguns dias seu dono, mas ele não apareceu e nunca ninguém soube quem era.
O carneiro Beto ficava observando da porta os ensaios, compenetrado, em silêncio, sem atrapalhar.
Foi crescendo robusto, bem alimentado pelo pessoal. Com o tempo distinguia repertórios, marchas de dobrados, sustenidos e bemóis. Reconhecia o maestro, componentes e uniformes da Banda.
Tempos depois, bem escolado, o Beto já marchava todo garboso à frente da Banda, usando uniforme idêntico da agremiação que um músico pediu que sua esposa, que era costureira, confeccionasse.
Não tinha medo do espocar dos foguetes, era a alegria da criançada e parecia adorar os aplausos.

Beto, o carneiro-mascote da Banda Musical União dos Artistas. Imagem gerada por IA.

Houve ocasiões que Beto passou dos limites, causando problemas.
Certa vez entrou no Jardim Calheiros da Graça ali na frente da Matriz e mastigou uma flor que encontrou no canteiro.
O jardineiro gritou com o Beto que nunca mais foi visto cometendo o delito.
Mas o que causou estranheza durante muito tempo foi uma atitude do Beto.

Um trecho de rua o Beto não passava 

A Banda União dos Artistas quando vinha de sua sede no bairro Campo de Fora, percorria a rua Voluntário Fermiano e Santo Antônio em direção à Matriz Santo Antônio dos Anjos. O Beto vinha sempre alegre e saltitante à frente, como sempre.
Mas, ao chegar à esquina da Sociedade Recreativa União Operária o Beto simplesmente levantava a cabeça, olhava pra cima dos muros das casas e mudava de rumo. Descia rapidamente a rua Tenente Bessa e seguia pela Duque de Caxias, até reencontrar todo alegre novamente a Banda União dos Artistas na Praça Vidal Ramos.
No retorno da Banda, ele fazia exatamente o mesmo caminho, inversamente.
Ninguém compreendia essa brusca mudança de roteiro, o desvio na quadra. O que causaria isso? Várias hipóteses foram aventadas.
Até que um músico mais atento percorreu devagar o pequeno trecho, observando a área. Desconfiou de um motivo e depois de muito pensar matou a charada.

Os cachorros de porcelana portuguesa que o carneiro-mascote Beto tinha verdadeiro pavor.

É que o carneiro Beto tinha verdadeiro pavor daqueles dois cachorros de porcelana portuguesa postados lado a lado no alto dos pilares do antigo casarão onde funcionou a Coletoria Estadual.
Vai que os dois caninos saltem lá de cima para me pegar, deveria assim pensar o prevenido carneiro-mascote.
Morreu de velhice, o Beto, sempre lembrado em suas peripécias pelos mais antigos músicos da Banda Musical União dos Artistas.

07 outubro 2026

Entrevista ao Rádio Revista na Difusora

Conforme anunciado, estive no Programa Rádio Revista da Rádio Difusora, 91,5 FM apresentado pelo radialista Celso Fernandes, tendo na técnica Anderson Passos da Rocha, o popular Rochinha.
Foi um papo sadio e gostoso, pena que muito rápido, somente uma hora para relembrar tanta gente e fatos da nossa histórica Laguna.
Agradeço o convite e a grande participação dos ouvintes, dos amigos que ligaram e que deixaram seus recados.
Para assistir no Facebook 

Ou pelo canal de You Tube abaixo:

 


O adeus a Nair Barbosa de Castro +

      Faleceu dª Nair Barbosa de Castro, aos 103 anos.
    O velório ocorre na capela mortuária da Funerária Cristo Rei, a partir do meio-dia, e o sepultamento será às 17h, no Cemitério do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio dos Anjos.
    Dona Nair era viúva do comerciante Sílvio Castro, com quem teve os filhos Neuza, Nívea, Sérgio, Nice, Silvio, Nésia, Noeli e Sandro.
Sentimentos aos amigos e familiares.


06 outubro 2026

Entrevista ao Programa Rádio Revista, na Difusora, com Celso Fernandes

 
 Fui convidado, e amanhã, quarta-feira (7), das 9h às 10h estarei na Rádio Difusora da Laguna (91,5 FM) no programa Rádio Revista, apresentado pelo radialista Celso Fernandes, tendo na técnica Anderson Passos da Rocha, o popular Rochinha.

Radialista Celso Fernandes, Rádio Difusora da Laguna 91,5 FM - Programa Rádio Revista.

Será um bate-papo descontraído sobre a imprensa e o rádio lagunense & outras histórias.
Para participar ligue e deixe seu recado pelo WhatsApp da emissora: (48) 3644-0025
Assista e comente o programa pelo facebook da rádio.

28 setembro 2026

Café Colonial da Mamãe Bebê foi, mais uma vez, um sucesso

 
O Café Colonial promovido neste domingo (27) pela Associação das Voluntárias Mamãe Bebê, foi, mais uma vez, coroado de sucesso.
Além das guloseimas, teve sorteio de tradicionais mantas e brindes.
Parabéns às esforçadas voluntárias, na pessoa de sua presidente Maria Helena Parente, pela organização e brilho do evento realizado no Centro Cultural Santo Antônio dos Anjos.
Foi mestre de cerimônias o radialista Celso Fernandes e cobertura fotográfica de Elvis Palma.
Alguns registros:


21 setembro 2026

Parteiras ao longo da história da Laguna

 
Não posso deixar de trazer alguns nomes de parteiras ao longo da história da Laguna, até como forma de homenageá-las, além de Maria Macarini Ferreira que atuou nessa profissão por muitos anos, conforme post anterior.
Foram épocas com poucos recursos, instrumentos e cursos técnicos- profissionalizantes. Tempos em que os ensinamentos eram transmitidos oralmente, na prática, quase sempre de mãe para filha ou para sobrinhas.

Maternidade do Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos - Laguna. Foto sem data do livro A Trajetória da Enfermagem na cidade de Laguna.

       Saul Ulysséa em seu livro A Laguna de 1880, registra três parteiras que atuavam naquele ano do século XIX no centro da nossa cidade.
Na rua Fernando Machado (rua do Rincão), morava a parteira de nome Maria Lúcia, que a criançada chamava "Dindinha Lúcia". Era parteira mais cotada.
Nas imediações da Carioca, morava Luíza, esposa de Antônio Wanzeller que era cozinheiro do Patacho Wanzeller e membro da Irmandade de Nª Sª do Parto.
Na subida do hospital (Morro da Figueirinha como então se chamava) morava uma parteira de nome Rufina, apelidada Muchôcho.
 
O livro A Trajetória da Enfermagem na cidade de Laguna, escrito pelas enfermeiras Cínthia Ferreira Corrêa Vieira, Maria Heloísa Fernandes e Regina Ramos dos Santos, em 2005, relaciona nomes de parteiras que atuaram em localidades do nosso município ao longo dos anos.
Foram contratadas como parteiras (1952-1981) pelo Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos, Isabel Inês de Jesus, que residia em Cangueri, em Imaruí.
Ema Araújo (1969-1987), Vera Lúcia Motta (1973-2002), Maria Isabel Uliano (1976-1981), Maria Zelândia Rosa (1976-1981 e 1987-1994) e Maria da Graça Lúcio (1979).
E muitas outras parteiras e obstetras nos anos seguintes prestaram serviços no hospital.
Em Pescaria Brava, Antônia Medeiros de Souza nas décadas de 1960 e 1970 foi atendente de saúde pública e fazia partos.
Na Madre, Maria Loch Buss atendeu muitas parturientes. “Muitas crianças da Madre, canal da Madre, Cortiçal e Tubarão nasceram auxiliadas por ela”.
No Ribeirão Grande destacou-se durante muitos anos a parteira Maria Fernandes.
Em Ribeirão Pequeno, Maria Generosa e Cecília Maria de Jesus durante muito tempo atenderam parturientes.
A filha de Cecília, Rosa de Jesus, seguiu os ensinamentos da mãe e tornou-se parteira.
Em Parobé, existiram na localidade cinco parteiras: Minervina Alexandrina de Jesus, Benvinda Zelindro, Teresa Fernandes (do Osório) e Moraci Joana Andrade. E antes delas, Francisca (Chica) Zelindro.
No Bananal, na década de 1950 e por cerca de 30 anos, a atendente de enfermagem Valdira Moreira, que além de curativos e injeções, também realizava partos.
Na Ponta da Barra foi parteira Ana Machado Mota, que “orgulhava-se de jamais ter perdido um bebê, sendo que apenas um precisou ser levado ao hospital”.
Na Passagem da Barra marcou época a partir da década de 1920, Adélia Varela. Anos depois, Margarida Peixoto foi atendente de enfermagem e parteira do lugar.
A partir da década de 1950, Beatriz Varela Krammer que aprendeu o ofício com sua mãe Adélia, fez curso de parteira/atendente e passou a atuar.
Em Campos Verdes, a partir da década de 1950, Teodolina Biehl foi atendente e parteira. Assim como a parteira Minervina.
Na região do Farol de Santa Marta, durante muitos anos trabalhou como parteira, Maria Isaura Bernardo.

14 setembro 2026

Maria Macarini: Parteira de gerações de lagunenses

 

Nascida em 1905 em Nova Veneza, no sul do estado, Maria Macarini ainda jovem veio morar na Laguna. Aprendeu o ofício de parteira e durante décadas, a partir de 1936, atuou em nossa cidade. Foram mais de 14 mil partos realizados de lagunenses. Todos os nascimentos devidamente anotados em cadernos, com as respectivas datas, nomes das crianças e pais. Nunca perdeu um só bebê, ela dizia.

Maria Macarini Ferreira (1905-1995).

A parteira Maria Macarini nasceu no então Distrito de Nova Veneza, no sul catarinense, em 1905, filha de imigrantes italianos.
Os pioneiros do sobrenome “Macarini”, integraram as levas de imigrantes que chegaram à antiga Colônia de Nova Veneza na década de 1891. Vieram de Bérgamo, na região de Lombardia, norte da Itália.
Em sua juventude, Maria Macarini, em busca de melhores condições de vida, veio para Laguna, hóspede de Catarina de Bona Crippa e de seu marido Leandro Crippa. 
Macarini continuou seus estudos em nossa cidade e cedo aprendeu o ofício de parteira, passando a atuar na comunidade lagunense atendendo parturientes em suas próprias residências, inclusive em localidades do interior do município onde só se chegava a bordo de canoas.
Depois, a partir da década de 1940, passou a atuar no Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, auxiliando o corpo clínico daquela casa hospitalar.

Construção da Maternidade
Em 1954 Maria Macarini foi nomeada para exercer a função de enfermeira-obstetra pelo Departamento de Saúde Pública Estadual.
Em setembro de 1955 foi inaugurada a Maternidade do Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos com dez quartos.

Fachada do prédio do antigo Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos, em 1905.

Lembrando que o nosso hospital recebeu essa denominação pela Lei nº 1017, de 10 de maio de 1883.

A parteira Maria Macarini, em pé na foto, na ala da Maternidade do Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos, Laguna - SC.

Estranha-se que atualmente a palavra “Senhor” tenha sido retirada de sua denominação histórica.
Maria Macarini também exerceu o cargo, a partir de 1960, no Posto de Puericultura da Laguna.

O enfermeiro e marido João
Aqui na Laguna Maria Macarini conheceu o enfermeiro João Ferreira, com quem se casou.
João era uma pessoa muito popular na cidade, bondoso, sorridente, simpático. Atendia a todos que o procuravam com alegria e responsabilidade. Aplicava injeções e trabalhava em Institutos de Previdência.
Mais tarde, com a junção de todos os Institutos, irá trabalhar no Instituto Nacional de Seguridade Social (INPS).

João Ferreira.

O casal também trabalhou no Serviço de Atendimento Médico Domiciliar de Urgência (SAMDU), na gestão do prefeito Walmor de Oliveira na década de 1950.
João Ferreira foi membro do Coral Santo Antônio dos Anjos, reorganizado na década de 1970 pelo padre e maestro Antônio Gerônimo Herdt. Inclusive João está na foto junto aos demais coralistas do primeiro LP gravado pelo Coral, em 1979.
O casal mantinha cadernos onde anotavam todos os nascimentos em que Maria Macarini participou como parteira. E foram mais de 14 mil atendimentos.

Também nasci pelas mãos de Maria Macarini em 22 de janeiro de 1960.
Um trabalho de parto difícil, demorado, iniciado lá em casa, na rua Voluntário Benevides e finalizado em nosso hospital com o auxílio do doutor Aurélio Pinho Rótolo, conforme narrava minha mãe.
O registro de nascimento consta, entre milhares de outros lagunenses, nos livros da parteira Maria Macarini.

Lembranças da dª Selma Ávila
Dª Selma Ávila foi vizinha do casal Maria Macarini e João Ferreira durante muitos anos na rua Oswaldo Aranha, no Centro Histórico.
Selma, viúva do saudoso músico Orgel Ávila, conta que Maria e João formavam um casal harmonioso e muito trabalhador.

“Maria Macarini, devido às muitas dificuldades que passou na vida era de uma personalidade muito forte, mas tinha um coração brando e bom. Era sincera ao extremo”.
Dª Selma diz que foi muito feliz tendo eles como vizinhos. Inclusive Maria Macarini foi a parteira de seus filhos.
Ela relembra:
“Depois da aposentadoria dos dois eles viajaram muito. Ela gostava muito dos nossos vizinhos, do seu Pedro Bascherotto e família, do seu Claudimiro Rosa e da filha Tereza Oliveira.
Quando ficou enferma e foi internada no hospital, lhe fiz companhia em várias ocasiões.
Temos que sempre nos lembrar dessas pessoas valorosas que passaram por nossa Laguna, para que elas nunca fiquem no esquecimento”. 

Frases fatídicas sobre a morte e que se cumpriram
Em outubro de 1959, quando chegou em sua casa pela manhã após ter feito um show e participado de festas no Rio de Janeiro, a cantora e compositora Dolores Duran disse brincando e sorrindo para sua empregada:
- Não me acorde. Estou cansada. Vou dormir até morrer.
E assim se despediu do mundo, vítima de infarto enquanto dormia para nunca mais acordar.
Uma variação dessa fatídica frase e desfecho trágico, também aconteceu aqui na Laguna com João Ferreira, o João da Macarini, como era mais conhecido.
E quem nos conta o fato é novamente dª Selma Ávila que, como já informei, foi amiga e vizinha:

“Era uma quinta-feira, 3 de maio de 1984, o dia estava ensolarado, muito bonito e quente.
Por volta das 10 da manhã o João apareceu à porta da minha cozinha, deu bom-dia e disse:
- Selma, tenho que falar contigo, contar um segredo. Eu estava toda atarefada, preparando o almoço, meu irmão Luiz estava conversando comigo. Respondi indagando se a conversa não podia ser mais tarde. Ele respondeu que sim e ao sair pelo corredor disse bem alto:
- Que dia lindo para morrer.
Dali a alguns minutos ouvi a Arina, sobrinha deles, que morava com eles, correndo e gritando pelo corredor ao lado, que seu tio João havia caído na varanda".

João faleceu naquele exato momento, vítima de infarto fulminante. E levou seus segredos que tanto queria contar.
Assim como Dolores Duran, João também se despediu do mundo, mas não da memória de muitos que o conheceram e que com ele conviveram.

Agraciada com a Comenda Domingos de Brito Peixoto
Em 29 de julho de 1992, numa sessão solene realizada no Centro Cultural Santo Antônio dos Anjos, o município da Laguna homenageou Maria Macarini Ferreira com a Comenda Domingos de Brito Peixoto.

Maria Macarini Ferreira em 29 de julho de 1992, aos 87 anos, quando foi homenageada com a Comenda Domingos de Brito Peixoto.

Era a última noite da Semana Cultural daquele ano, gestão de Nelson Abrahão Neto-Zeno Alano Vieira (1989-1992).

Os homenageados com a Comenda Domingos de Brito Peixoto em 1992: Agenor dos Santos Bessa, representado pelo seu sobrinho Marianto Bessa Fernandes. Empresários Emilio Batistella e Santos Guglielmi. Atrás: Walter Baumgarten Júnior, representado por sua filha Amélia Baumgarten de Ulysséa Baião,  Maria Macarini Ferreira e o jogador Mengálvio Figueiró. Foto: Álbum de família de Fernando Lopes Fernandes.

   Os demais homenageados foram o jogador de futebol Mengálvio Figueiró, o maestro e músico Agenor dos Santos Bessa, representado na ocasião por seu sobrinho Marianto Bessa Fernandes; Walter Baumgarten Júnior, representado por sua filha Amélia Baumgarten de Ulysséa Baião e os empresários Santos Guglielmi e Emilio Batistella.
Sobre a homenagem à parteira lagunense o colunista Munir Soares, fiel ao seu estilo escreveu:

“Quem disser que não acredita na cegonha, jamais ouviu falar de Maria Macarini.
Por suas mãos, 14 mil seres vieram ao mundo. Macarini, a parteira de mãos de fada. Seus dedos, movidos por fios divinos, buscavam no interior de cada mulher, o sagrado fruto do seu ventre. Nunca perdeu um só nenê.
Com os próprios ouvidos, colados à mãe, ela estudava e analisava cada som, cada movimento acontecido no útero.
Macarini fazia como ninguém, a ultrassonografia de ouvido.
Ironicamente, Maria Macarini, mãe de 14 mil filhos, dos outros, nunca teve seus próprios filhos.
Este é o destino da Cegonha, parceira do Criador no supremo ato da concepção, do amor, como fonte de vida.
Maria Macarini, meus filhos também vieram ao mundo por tuas mãos e com a graça de Deus”.

Falecimento de Maria Macarini
Maria Macarini Ferreira depois de vários períodos enferma na Laguna, foi morar com familiares em Caravaggio, Nova Veneza, sua cidade natal, onde faleceu em 29 de abril de 1995, aos 90 anos e foi sepultada no cemitério municipal daquela cidade.
Com ela partiam milhares de histórias sobre partos e nascimentos de lagunenses que atravessaram gerações.
Deixou um legado através de cada um dos 14 mil lagunenses que nasceram com ajuda de suas mãos e seus conhecimentos.