As tradições nada mais são
do que a ciência de um povo, cultura, hábitos, normas e doutrinas que compõe o
arcabouço de seu patrimônio imaterial, atravessando gerações.
São as mais diversas as
tradições que o povo lagunense mantem ao longo dos anos, em relação ao seu
padroeiro Santo Antônio dos Anjos.
Uma delas é que, ao encerrar
da festa, os devotos, pós-procissão, colhem as flores do andor. Uma verdadeira
relíquia para os fiéis, mesmo com pedidos para não o fazerem.
Outra tradição, ainda
amplamente praticada, é a colocação de bilhetinhos em nichos da imagem ou aos
pés do Santo, antes de ser ele reconduzido ao altar-mor após as festividades ou
mesmo durante os dias alusivos.
Nos bilhetes, os mais
variados pedidos ou agradecimentos por graças alcançadas, em gestos de
esperança e fé do povo.
Aos pés de Santo Antônio dos Anjos
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Os tradicionais bilhetes aos pés de Santo Antônio dos Anjos com pedidos e agradecimentos dos fiéis, deixados com muita fé e orações. Foto: Valmir Guedes Júnior |
De todos os santos é bem
provável que Santo Antônio seja o mais venerado.
Veio de Portugal para o
Brasil com fama de casamenteiro e por aqui se tornou também conhecido.
Além de ser o santo das
causas perdidas, a quem o crente recorre no momento de desespero e de procura,
através do responso.
A paradinha do Santo
Outra tradição que foi
incorporada à cultura local, é a famosa paradinha da imagem do santo.
Dizem os costumes que, se no
dia da Procissão o santo der uma paradinha casual defronte a uma casa e nela
estiver uma moça solteira, é batata. Casamento na certa. E em breve.
E que ninguém duvide, porque
atestam os mais antigos que Santo Antônio dos Anjos já operou verdadeiros
milagres por essas bandas, “desencalhando” muitas titias que já eram dadas como
casos perdidos.
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Na procissão de Santo Antônio dos Anjos a paradinha casual defronte à casa é sinal de casamento à vista na residência. Foto: Valmir Guedes Júnior |
No entanto, um detalhe: se o
santo desse a paradinha e não houvesse moça com vistas a matrimônio, morreria
uma pessoa ali residente.
Imagine às vezes a torcida de
inimigos, de algum adversário ou até de um vizinho mais maldoso.
Bem por isso, contam os mais
antigos da Laguna, que casais de mais idade ou que não tinham filhas,
convidavam sobrinhas, parentes ou moças conhecidas para se postarem nas janelas
de suas casas.
Uma forma de fugir a
presságios, digamos, funestos. Como se alguém pudesse ludibriar o santo...
O Toc-Toc-Toc na porta da
igreja
Outra tradição que ainda se
perpetua até os dias atuais, se dá por volta da meia-noite do dia 12 (Dia dos
Namorados) para 13 de junho quando, com a igreja fechada, moças e atualmente
também muitos rapazes, se posicionam defronte às portas frontais da
matriz, formulando o desejo de encontrar seu príncipe (ou princesa) encantado(a).
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O Toc-toc-toc nas portas da Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos já é uma tradição praticada sempre à meia-noite de 12 para 13 de junho. Foto: Elvis Palma ano 2025. |
Em cada batida na porta o
diálogo com o santo, deve ser repetido três vezes:
- Toc. Toc. Toc.
Santo Antônio, Santo Antônio,
se estais dormindo acorda.
Se estais acordado,
responda pela boca de alguém
o nome da pessoa com quem
vou me casar.
Nas próximas 24 horas deve-se
ficar com as orelhas em pé, captando as conversas dos outros para ouvir um nome
que será o do futuro amado. Não vale diálogos de familiares ou amigas.
As 13 moedas para 13 pessoas
Outra simpatia muito usada
há alguns anos nas ruas da Laguna, era doar no dia 13 de junho, 13 moedas para
13 diferentes pessoas oferecendo a moeda em nome de Santo Antônio. A tradição é
que o gesto caridoso abria caminhos para o amor.
Papéis embaixo do
travesseiro
Outra simpatia muito usada antigamente
por aqui era na noite de 12 para 13 de junho escrever os nomes de seus
pretendentes em pequenos papéis, dobrá-los e colocá-los embaixo do travesseiro
ao se deitar.
Na manhã seguinte, ao
acordar, sem olhar, pega-se o primeiro papel. O nome que constar será o(a)
futuro companheiro (a).
Mesma roupa e até repetição
de peças íntimas
A sempre lembrada Nair
Ulysséa, estudiosa que foi das manifestações religiosas em nossa cidade, em sua
obra “Três Séculos na Matriz...”, relembra que muitos devotos na Festa de Santo
Antônio dos Anjos “prometiam assistir a todas as novenas, com a mesma roupa
para conseguirem o que estavam pedindo ao santo”.
“Moças, ao contrário,
assistiam a todas as novenas, cada noite com um vestido novo, para casar-se
naquele ano”.
Há quem fale que algumas
pessoas repetiam em todas as noites de trezenas as mesmas peças íntimas.
Treze dias com a mesma
calcinha? Com a mesma cueca?
- Qué qué isso minha
gente!...
O que é que não se faz... olha o sacrifício em busca de um amor.
Essas são algumas – há outras dezenas - de simpatias que contam os historiadores e memorialistas lagunenses
mais antigos.




Este ano vou lá na sexta bater na porta e chamar o Antônio pra ver se ele me arruma um namorado. Tá difícil a coisa . Os bons estão todos ocupados.
ResponderExcluirTem várias simpatias mas ficar usando uma calcinha 13 dias é de matar. Até dá pra usar só nas novenas e tirar quando chegar em casa. Mas o cheiro...
ResponderExcluirÉ muito sacrifício pra arranjar um marido