Hoje, ao passar aqui na esquina da rua Barão do Rio Branco, no centro e
avistar a charmosa placa com o nome da via me lembrei de uma historinha
curiosa contada – dentre tantas - por Saul Ulysséa, em seu livro Laguna
de 1880.
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Hoje a rua Barão do Rio Branco mereceu uma bela placa no estilo das antigas, em esmalte azul na parede de seu casario colonial da esquina, totalmente restaurado pelo advogado Frederico Nunes. |
Antes uma explicação:
A hoje denominada rua Barão do Rio Branco, em homenagem a José da Silva
Paranhos Júnior, professor, diplomata, historiador, escritor, jornalista,
antigamente era chamada de rua 1º de março.
E por que 1º de março?
Em
homenagem à data em que aconteceu a vitória aliada na Batalha de Aquidabã, que
pôs fim à Guerra do Paraguai, em 1875.
É também,
coincidentemente, a data da fundação da cidade do Rio de Janeiro.
Diz Ulysséa, que essa rua teve anteriormente o nome de rua da Banca e
conta o porquê:
“Naturalmente em época muito anterior existiu alguma banca de peixe que
lhe deu o nome, em frente a esta rua, porque em 1880, era a banca em frente à
rua Tenente Bessa”.
Rua do Letreiro Borrado
E é aí que Saul Ulysséa passa a narrar o fato curioso:
“Anos antes foi Juiz de Direito da Comarca o dr. Duarte Pereira,
apelidado “Capivara”. Não sei se devido à irascibilidade ou exigência ao
cumprimento da lei ou outra qualquer coisa, o que é certo é que gozava pouca
simpatia por parte da população.
Os vereadores da Câmara, não sabemos por que motivo, entenderam dar seu
nome a uma rua da cidade.
Vê-se que já naquele tempo faziam parte da Câmara, como nos tempos
modernos, indivíduos que não compreendiam o valor da homenagem prestada a uma
pessoa, dando seu nome a uma rua.
A escolhida para homenagear o juiz, foi a rua da Banca. Foi colocada
placa com o nome de dr. Duarte Pereira.
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Placa do Letreiro Borrado (Rua Dr. Duarte Pereira) é a atual Barão do Rio Branco, no Centro Histórico da Laguna. Imagem gerada por IA. |
Ficou a rua da banca apelidada: “Rua do letreiro borrado”.
Não demorou
muito foi o d. Duarte Pereira removido e penso que nulificaram a homenagem
porque não consta nos livros da municipalidade a mudanças do nome da rua da
Banca se não para 1º de Março”.
Quem foi Duarte Pereira
Luiz Duarte Pereira foi juiz da Comarca da Laguna por quase dez anos, de 1862 a 1871, ainda durante o Império.
Nosso historiador Oswaldo Rodrigues Cabral informa que o apelido "Capivara" não se sabe se já existia "ou se na Laguna lhe colocaram a alcunha com que passou à posteridade, através das colunas dos jornais da época. O apelido lhe foi dado por pintar os cabelos que, com a tintura, ficavam malhados, de cor indefinida, entre o chocolate e o cinza".
Devia ser uma loção capilar avó do Pindorama que surgiu na década de 1940.
Cabral diz que o "dr. Luiz Duarte Pereira encheu as páginas da história da politicagem lagunense com os mais interessantes e pitorescos episódios".
Era um Conservador intransigente, sempre em briga com os políticos Liberais da Laguna.
O juiz Duarte era dado a processar jornalistas que o criticavam e promotores públicos.
Mandou até prender um barbeiro que lhe demorou uns minutos para lhe atender.
Teve abaixo-assinado e extinção da Comarca da Laguna
Um abaixo-assinado foi feito com dezenas de assinaturas para remover o juiz. O documento foi enviado ao Imperador. O pedido não obteve êxito.
Para removê-lo, em abril de 1869 a Assembleia Legislativa, através dos deputados Liberais conseguiram a aprovação de projeto extinguindo - vejam só - a Comarca da Laguna, anexando-a à de Lages.
Com isso o Juiz Duarte foi nomeado Chefe de Polícia de Santa Catarina, e removido para Desterro.
E nesse novo cargo também aprontou poucas e boas, inclusive com perseguições a deputados que votaram pela extinção da Comarca lagunense.
Um ano depois, a mesma Assembleia revogou seu próprio ato e Laguna voltou a ter a sua Comarca, aí já com novo Juiz, Manoel do Nascimento da Fonseca Galvão.
Como se vê, Luiz Duarte Pereira, o Capivara, merece uma matéria especial sobre ele, em breve neste Blog.


Que legal, outra história que eu não conhecia. A turma é criativa há muito tempo.
ResponderExcluirValmir... muito bom você ter "ressuscitado" este famoso Juiz (olha aí que já tinha alguém da justiça cometendo... digamos, gafes), por procedimentos, palavras e conduta ética não muito imperialista (já que a República era um sonho). Como relatado... este notável causou muito problema na cidade e perseguiu adversários políticos... o que viria a "fazer escola" no Século XXI.
ResponderExcluirGrande abraço do Adolfo Bez Filho - Joinville / SC.
Valmir, mais uma ótima história da nossa Laguna. Já dá pra fazer uns dois livros. Tomara que venham mais por aí. Parabéns
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