Foram muitas as
reformas físicas, alterações e ampliações efetuadas na nossa igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos ao longo dos
tempos.
Uma das grandes obras aconteceu entre os anos de 1945 a 1947. Foi trocada toda a armação do prédio, forros, pisos e derrubado o chamado “Consistório” da igreja. Ao fim das obras uma grande procissão com todas as imagens de santos e santas da nossa igreja foi realizada pelas ruas da Laguna.
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Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos - Laguna - SC na década de 1930. A seta indica onde ficava o Consistório da igreja que foi derrubado quando das obras na década de 1940. |
As obras
A
Igreja Matriz da Laguna foi construída em etapas. A primeira delas em 1696 que hoje
constituí a parte do altar-mor em substituição a primeira capela de
pau-a-pique.
A segunda etapa
de construção foi terminada em 1735 ou 1738, que incluiu o corpo principal e o espaço
dos altares laterais. Anos depois foram construídas a Capela do Santíssimo Sacramento,
Capela de Nosso Senhor Morto e a Capela Sagrado Coração de Jesus, além das
chamadas tribunas.
Grandes obras
aconteceram em 1894, 1904,
1911, 1933, 1945, 1970 e 2000.
As reformas de
1894 alteraram a parte frontal da igreja, com o erguimento de duas torres
feitas pelos mestres de obras Marcos Gazolla e Batista Uliano. Gazolla mais
tarde, em 1915, vai construir o chafariz bem ao centro do Jardim Calheiros da
Graça.
As obras de 1904
constaram da reforma do telhado pela firma Bianchini & Irmão, assoalho do
adro e pintura.
Em 1911 todo o
piso da nave principal foi ladrilhado. Piso que foi retirado nas obras efetuadas em 2000,
restando alguns poucos metros à entrada.
Em 1912, pela primeira vez a igreja recebeu bancos para os fiéis se sentarem, conforme matéria já divulgada neste Blog.
Em 1935 foi
instalado o relógio entre as duas torres da igreja, matéria já publicada neste Blog.
Nos primeiros
anos da década de 1970 a Matriz foi restaurada e pintados nichos, colunas e
altares pelo mestre entalhador e pintor, artista João Rodrigues, o Português, que também desenhou e pintou
anjos e arabescos no forro da nave central da igreja, além de restaurar algumas imagens. É dessa época que todo o dourado da igreja foi feito com aplicações de lâminas de ouro baixo.
As obras
realizadas no ano de 2000 constaram de substituição do piso por tábuas de
madeira, refazimento do reboco, pintura, telhado...
Os obreiros
Pelas
informações que constam nos jornais da época, ficamos sabendo que em 1945 o
antigo telhado da igreja tinha mais de 60 anos e que foi substituído, ainda no
século XIX pelo mestre de obras Cipriano Lucidônio.
Nos anos de 1945
a 1947 foram trocadas todas as linhas, os caibros, ripas e telhas.
Um pedreiro de
nome José Alano com 67 anos na época e ainda prestando serviços no retelho em
meados da década de 1940, havia trabalhado no levantamento das duas torres em
1894, quando tinha 16 anos.
E informa O
Albor, a título de curiosidade, que José Alano, com 67 anos em 1945, era “o
pedreiro mais velho que hoje vive em Laguna”.
Lembrando que a expectativa
de vida no Brasil naquele ano de 1945 era de aproximadamente 45 anos.
Luciano Zukoski “administrou
os principais serviços sem remuneração”.
Uma comissão de
engenheiros formada por Luciano Bertazzi, Haroldo Cintra e Enéas Vasconcelos de
Queiroz acompanhou as obras, conferindo detalhadamente os trabalhos e resistência
do material empregado.
Padre Bernardo Phillippi era
quem dirigia a paróquia e que aqui esteve de fevereiro de 1933 a 25 de janeiro
de 1948.
Sim, sim naqueles tempos eles costumavam ficar muitos anos.
Os benfeitores
Para realização
das obras buscava-se ajuda entre os fiéis. E havia, coimo ainda hoje, os que,
além de arrecadar os valores doavam objetos particulares para serem vendidos em
quermesses e rifas.
Para angariar
donativos para essas obras específicas de meados da década de 1940, foi nomeada
uma Comissão Auxiliadora formada por Turqueza Teixeira Tasso, Lilita Soares
Bento, Joana Mussi, Diva Neto Cardoso, Letícia Remor Teldo, Alice Petreli e
Vera Ulysséa Nunes.
Listas de
subscrições foram remetidas a lagunenses residentes em outros municípios e
estados.
Uma barraca foi
montada ao lado da Matriz para aos sábados, domingos e feriados vender prendas,
doadas por colaboradores. A quermesse ficou a cargo de Francisco Pestana e
Eliziário Fernandes.
Dª Ludinira
Fonseca Carneiro promoveu bailes e festas no tradicional Clube Blondin,
sociedade em que seu marido, o médico e futuro prefeito da Laguna, Paulo
Carneiro era presidente.
Comandava todo o
financeiro, o comerciante Adelino Waterkemper, dos mais atuantes, ilibados e
honrados que existiu em nossa cidade. Prestava contas de cada centavo que entrava
e saía, apresentando todos os comprovantes. Aliás, como necessariamente, obrigatoriamente deve ser.
Alguns fiéis
doavam valores altos para a época, como Cr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros) ou
Cr$ 10,00 (dez cruzeiros), conforme as condições financeiras de cada um.
Os jornais da
época, como O Albor, publicavam quase que semanalmente, relação com os
nomes dos doadores e os respectivos valores.
Outra benemérita
lagunense foi Joana Mussi, que se desdobrava em busca de recursos.
O futuro
governador Irineu Bornhausen doou toda a madeira compensada para o forro.
E tem mais:
Odete Pinho ofereceu 200 flores artificiais de sua autoria para serem vendidas.
A senhora Elisa Mussi ofereceu uma pintura a óleo com a imagem de Cristo para
ser leiloada.
Um cordão de
ouro foi oferecido à Comissão de Obras pela senhora Margarida Remor e posto à
venda. Foi adquirido pela quantia de Cr$ 500 (quinhentos cruzeiros) por
Francisco Vieira, proprietário da Padaria Santo Antônio, no bairro Magalhães.
A firma Miranda
& Abrahão (leia-se Otávio Miranda e Batista Abrahão) proprietários da Casa
Popular doou 13 metros de ladrilhos. Oito metros do mesmo material foram
doados pela firma A Principal, de Tancredo Mattos.
O Consistório
foi ao chão
As obras
realizadas por dois anos a partir de 1945 foram das mais grandiosas. Foi
trocada toda a armação do prédio, forros, pisos e derrubado o chamado
“Consistório” da igreja.
E o que é um
Consistório?
No vocabulário
da arquitetura religiosa, é um espaço existente para reuniões, assembleias,
encontros de conselhos e irmandades. Em geral, fica anexo ao corpo principal do
templo.
Era o caso do
Consistório da nossa igreja.
Nail Ulysséa em
seu escrito “Três Séculos na Matriz”, informa:
“Havia,
ainda, junto à parede do corpo da igreja, do lado norte, uma meia-água, com uma
sala, em que se realizavam as reuniões e que denominavam pomposamente de
“consistório”. Possuía uma porta e duas janelas para a rua e era ligada à
igreja por uma porta interior para a Capela do Santíssimo. Foi demolida em 1944”.
Houve um pequeno
engano quanto à data em que o Consistório foi demolido, pois ainda em março de
1945, portanto um ano depois do informado, o jornal O Albor registrava o
início das obras e sugeria a derrubada do Consistório:
“Devido
ao mau estado da armação da Matriz, está sendo completamente reformada.
A
nossa igreja construída em 1737 é internamente um dos mais belos templos do
estado.
Seus
altares trabalhados por entalhadores portugueses daquela afastada época, ainda
hoje despertam admiração pelas suas belezas artísticas.
O
edifício de estilo toscano, apresenta harmonioso aspecto, entretanto na
estética de seu conjunto, nota-se uma falha, oriunda, talvez, da conveniência
do serviço interno, refiro-me ao chamado Consistório, construído ao lado direito
do Templo.
Seria
de grande vantagem para a sua beleza externa, a demolição do Consistório,
aproveitando a ocasião em que se procede as obras.
Há
ideia de ali ser feito um pequeno jardim moderno o que daria à nossa Matriz
aspecto externo mais belo e de harmonia com o seu estilo”.
A nota é
assinada pelas iniciais S.U. Trata-se de Saul Ulysséa, colaborador do jornal. O jardim chegou a ser implantado, mas anos depois toda aquela área lateral foi cimentada.
Uma procissão pelas
ruas da Laguna com todos os santos
Para a
realização das obras na igreja, que levaram dois anos, a partir de 1945, todas
as imagens de santos e santas foram retiradas do prédio.
Imagens como
Senhor Morto, Nossa Senhora do Parto, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora
da Conceição, Nossa Senhora das Dores, São Miguel, São João, foram remanejadas
para as salas térreas do Prédio da Associação São Vicente de Paula (Vicentinos), situado ao lado
da Matriz.
Já a imagem do
padroeiro da Laguna, Santo Antônio dos Anjos foi transferida e guardada na
Capela do Hospital, junto à imagem do Senhor dos Passos, que batiza aquele
nosocômio.
Com as obras
concluídas, na tarde de domingo, 6 de abril de 1947, uma grandiosa procissão
partiu do prédio dos Vicentinos com todas as imagens que ali estavam
depositadas.
O préstito,
acompanhado por numerosa multidão de fiéis, Banda Musical União dos Artistas
e de todas as irmandades existentes na época, foi em direção à rua Voluntário
Carpes.
Ao dobrar à direita na esquina
com a rua Oswaldo Aranha fez ligeira parada aguardando pela imagem de Santo
Antônio dos Anjos que partiu da Capela do Hospital, descendo a ladeira.
A procissão fez
seu trajeto tradicional pelas ruas da cidade, mas no sentido inverso.
E o cortejo deu
entrada na Matriz que foi reaberta com benção e com todas as imagens. Uma missa solene foi realizada e Te Deum (A ti, Deus nós louvamos) e mais tarde as
imagens foram devidamente instaladas em seus respectivos altares.


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