24 setembro 2012

Nova pesquisa eleitoral

Os resultados de uma nova pesquisa eleitoral à prefeitura da Laguna devem ser divulgados até quinta-feira sábado desta semana em jornais da região.
Vamos ver qual está sendo a tendência do eleitorado lagunense a pouco mais de dez dias das eleições.

Obras importantes recebidas

Recebo em mãos da professora Deisi Scunderlick Eloy de Farias, do Grupo de Pesquisas em Educação Patrimonial e Arqueologia – Grupep/Unisul, algumas obras, que me presenteia.
O livreto “Arqueologia e Preservação – Sambaqui do Morro do Peralta”, de autoria da professora juntamente com Daniela da Costa Claudino, aborda o sítio arqueológico descoberto aqui na Laguna em 2007, no Morro do Peralta, ali na Paixão, lembram?


Foi em abril daquele ano quando um proprietário de terreno e casa naquele local, Rogério Mota, descobriu em frente a sua residência, praticamente na soleira, vestígios de sepultamentos.
Contatado, o Iphan de nossa cidade através da arquiteta Ana Paula Cittadin comunicou o ocorrido ao Grupep, que imediatamente foi ao local, constatou que o patrimônio arqueológico estava em risco e solicitou ao Iphan autorização para realizar o salvamento.
O terreno foi dividido em quadrículas de 1 m X 1m, que foram escavados lentamente, até a exposição total dos sepultamentos. Além dos dois esqueletos do sexo feminino, com cerca de 2 mil anos, todos os vestígios arqueológicos foram desenhados em papel milimetrado, depois fotografados. Por fim, o material arqueológico foi retirado com cuidado e levado ao Grupep-Arqueologia, para higienização, catalogação e análise.
Saul Ulysséa, em seu livro “Laguna de 1880”, já nos fala da presença de um sambaqui naquele local, chamado de “Sambaqui das Alminhas”, que se localizava por todo o lado sul do Morro, abrangendo toda a área onde se localiza hoje um prédio de uma empresa de telefonia. Por conta de calcário e de retirada de material para sedimentação de ruas, o sambaqui foi destruído.

Da professora Deisi, juntamente com Andreas Kneip, também recebo o livro “Panorama Arqueológico de Santa Catarina – Editora Unisul, 2010. 306 p.
A obra, em seus capítulos iniciais “fala do conceito de sítio arqueológico, da diversidade de apresentação desses sítios, das tradições culturais que representam”.
Mas a quase totalidade de suas páginas é a listagem dos sítios por município catarinense, com a identificação nominal e numérica, a localização geográfica exata, a atribuição cultural, idade e estado de conservação, além de outros dados quando existentes.

Professora Deisi e Andreas Kneip

 Trabalho de fôlego, sem dúvida, que demonstra um grande potencial de pesquisa em Santa Catarina.

Meus agradecimentos sinceros à professora Deisi e à equipe do Grupep pelas obras recebidas, e as congratulações pelos trabalhos que realizam no entendimento de nossa pré-história e na contribuição e influência no processo de gestão e preservação dos sítios arqueológicos de Santa Catarina.

19 setembro 2012

Por falta de um Museu na Laguna, material retirado das escavações em sambaquis está sendo armazenado em Tubarão

Ontem conversei com a coordenadora do Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia (Grupep) da Unisul, professora Deisi Escunderlick Eloy de Farias.

Trabalhos de escavações continuam
A coordenadora explicou que os trabalhos de escavação no sambaqui de Cabeçuda começaram há três semanas e devem ser encerrados nos próximos dias. “Há toda uma complexidade nos trabalhos, temos que detalhar os achados, fotografá-los, etiquetá-los. Além dos artefatos líticos, adornos e manchas de fogueira, havíamos encontrado onze esqueletos e nesta terça-feira encontramos mais quatro, totalizando até agora, 15 esqueletos".

A professora informou que este sambaqui era utilizado como uma área de ritual, antes ou após os sepultamentos. O sambaqui tem uma idade aproximada entre 4 a 5 mil anos.
 
Os dois locais de escavação estão situados exatamente onde serão fincados dois pilares para a futura ponte.

Na foto, pode-se observar três esqueletos descobertos no dia de ontem

- Para onde vai o material retirado, indaguei.
- Todo o material retirado do local será levado para o laboratório do Grupep, na Unisul, em Tubarão.
- E depois?

- Por lei todo o material deve voltar ao local de origem, mas por falta de um local apropriado na Laguna, afinal não há um Museu específico, o material depois de analisado e etiquetado, fica depositado em caixas e sacos guardados no laboratório da Unisul.

Professora Deisi conferindo os trabalhos
Vejam, senhores, a oportunidade que estamos desperdiçando há muitos anos por não possuírmos um museu do sambaqui. Eleição após eleição, candidatos lançam em seus planos de governo a criação deste museu, mas tão logo eleitos esquecem a promessa. Fica tudo no papel, balela para ludibriar incautos eleitores ligados à cultura de nosso município.

Um esqueleto

Depois de eleitos, se pudessem – e alguns até já o fizeram – patrolavam todas essas áreas para futuros loteamentos.

Observe leitor a riqueza que possuímos em nossa Laguna, através -  também - de sítios arqueológicos onde as populações primitivas deixaram sinais ou marcas de sua passagem.
Por que então, além de conservar e estudar, não explorar mais esse potencial histórico-turístico?
Estudantes, professores, historiadores, curiosos, poderiam observar in loco um sambaqui, através de um roteiro e depois conferir o material retirado, seus estudos e explicações, visitando um Museu do Sambaqui.

A volta do chocolate Lollo

Leio na imprensa que a Nestlé vai relançar o chocolate Lollo, lembram?
O chocolate foi um dos ícones de gerações de crianças e adolescentes dos anos 70 e 80. Claro que também lembram do slogan do produto? “O chocolate fofinho da Nestlé”?
Nhannn... Hummmm...
A empresa atende assim aos inúmeros pedidos, principalmente em redes sociais.
E ele volta ao mercado com a receita original e a mesma embalagem original, para encantar saudosistas e em busca de novos fãs.
Daqui a pouco vocês verão na mídia o mote da propaganda “Ele voltou”.
Sou primeirão da fila...

E aí me bate uma saudade e as glândulas gustativas da memória me trazem o sabor e a delícia de saborear outras guloseimas que marcaram época.
Que tal o retorno do pirulito Zorro? Da bala Chita? Ou para os mais antigos, da bala Juquinha e do drops Dulcora?
Vontade de encher os bolsos com as balas Jujuba e quase se afogar com as Soft, remember? As balas redondinhas Soft num descuido da gente deslizavam inteiras para a garganta e aí era um salve-se-quem-puder de alguns segundos angustiantes.
E da torradinha quentinha vendida por alguns rapazes (O Valdir “Banana” era um deles) naqueles copinhos, onde a gente sempre pedia um chorinho a mais? Ou uma inhapa, como se dizia.

Saudade de mascar um chiclete Ping Pong comprado na Miscelânea ou no baleiro do Cine Mussi, molhar o papel com a língua para transferir as tatuagens que vinham estampadas. Depois pressioná-lo em nossos braços e mãos ou nas peles rosadas de namoradinhas e amiguinhas, o que já era considerada uma precoce conquista.
Tatuagens que assim como aqueles nossos verdes anos eram efêmeras e na primeira lavadela iam embora de nossos corpos, mas como se percebe, ficaram grudadas e estampadas em nossas memórias. Para todo o sempre.
Saudades... Saudades...

18 setembro 2012

E a Laguna não fica com nada?

Por conta das obras da ponte que vão acontecer em Cabeçuda, na BR-101, equipe do Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia (Grupep) da Unisul há algumas semanas realiza escavações no sambaqui daquela localidade.
Até o momento onze esqueletos, artefatos líticos e adornos foram encontrados numa pequena área onde ficará o 10º pilar da nova ponte.
Calcula-se em 4 a 5 mil anos a idade deste sambaqui, um dos mais ricos da região.

Reportagem da sempre atenta Amanda Manger, estampada na edição de hoje do jornal Diário do Sul, aborda o assunto.
Sabemos que esse tipo de salvamento é realizado – e exigido por lei – quando existem obras que impactam um sítio arqueológico, como pontes, túneis, rodovias, barragens e lagos.
Sabe-se que do sambaqui de Cabeçuda já foram retirados muitos materiais e mais de 300 esqueletos em escavações anteriores. Onde foram parar? Onde estão? Para onde foram levados?
O que também chama a atenção na matéria do DS é quando salienta que “Todo o material retirado do local será levado para o laboratório do Grupep, na Unisul, em Tubarão”.

E aí fiquei matutando com meus botões: e a nossa cidade não fica com o material para futuras exposições à população? Afinal o sambaqui está situado na Laguna.
A verdade é que há muito tempo deveria ter sido criado em nossa cidade um Museu do Sambaqui, que constituiria em mais uma atração histórica, cultural e turística de grande monta, além de preservar a história de nossos antepassados, dos primeiros habitantes que aqui chegaram e viveram.
Mas os governantes parecem não se interessar pelo assunto.  Vejam vocês quanto material dos nossos sambaquis foi e continua sendo levado daqui.
E ninguém diz nada, ninguém fala nada, não há um protesto, uma reivindicação pelo material escavado, como se fosse normal levar da nossa cidade as descobertas.
Alô, alô prefeito, alô, alô vereadores, alô, alô Iphan, o que dizem? Fica por isso mesmo? Não vamos reivindicar o material retirado?

Para ler a matéria do DS basta clicar em:

17 setembro 2012

O Museu Anita Garibaldi foi reinaugurado, mas está quase vazio

Em linguagem bem popular, pode-se dizer que o Museu Anita Garibaldi foi reinaugurado à meia boca no que tange ao seu precioso acervo.
Vejamos. O Museu Anita Garibaldi foi reinaugurado em fins de julho passado (dia 28) pela atual administração da Laguna. Portanto, há quase dois meses.
Jornais, rádios, blogs e sites destacaram o fato, mas por certo até hoje lá não estiveram para conferir in loco.
Se lá comparecessem, constatariam o que vou divulgar.
Painéis, muitos painéis

Foram dois anos e quatros meses (O prédio do Museu foi fechado ao público em 24 de março de 2010, mas as obras só iniciaram em 17 de agosto do mesmo ano).
Esperava-se obviamente que além do prédio restaurado e revitalizado e entregue à população e visitantes no dia 28 de julho último, todo o rico e importante acervo já estivesse presente, limpo, conservado, etiquetado e em exposição.
Qual o quê!
Visitantes que lá chegam se deparam com um prédio praticamente vazio, alguns poucos móveis, salas com painéis e artefatos indígenas. E é só.

E para mostrar isso, quatro ou cinco funcionários estão presentes e tem que se pagar R$ 5,00 pelo ingresso. Para ver o quê?
- Onde estão todos os objetos? Perguntou um turista.
- Estão guardados no arquivo técnico e também em cima do Mercado Público, respondeu uma das atendentes.
- E quando serão aqui expostos?
- Não sabemos, na real só o prédio foi reinaugurado, completou.

Salas vazias, paredes nuas

O senhor já pagou os R$ 5 reais da entrada?

Gente, o Museu Anita Garibaldi externamente está completamente às escuras e internamente quase vazio! O que é isso?

Após DOIS ANOS E QUATROS MESES fechado a um custo de R$ 423.130,39, mais aditivo e “captações de saldos residuais”, o Museu foi reinaugurado à meia-boca, faltando grande parte de seu acervo.
Para entregar o prédio e abri-lo desta maneira o melhor era deixá-lo lacrado, em minha modesta opinião.
Pergunto: Quando realmente, VERDADEIRAMENTE, o Museu Anita Garibaldi será entregue à população e visitantes?

O que diz a Fundação Lagunense de Cultura - O outro lado
De acordo com informações prestadas a este blog na tarde desta segunda-feira pela presidente da Fundação Lagunense de Cultura, Maria Célia Bernardo da Silva, a reinauguração do Museu foi feita meio às pressas para aproveitar as comemorações do aniversário da cidade, em julho. A iluminação externa está a cargo da secretaria de Obras que até hoje não a refez. Como assim? Não estava incluída no projeto?
E continua: “Grande parte do acervo do Museu está depositada a sete chaves em cima do Mercado Municipal, no arquivo técnico e algumas peças estão expostas na Casa de Anita”, diz Célia.
“Dependemos de logística, de caminhões da prefeitura para o transporte, mas esta semana mesmo vamos começar a trazer todo o acervo para o Museu”, prometeu a presidente da Fundação Lagunense de Cultura.

Um vídeo feito em 2009 registrou todo o acervo do Museu
Há algum tempo já publiquei esta filmagem neste espaço. Pois a repito.
Está lá no Youtube. É uma ótima gravação de todo o acervo existente no Museu Anita Garibaldi, em 2009.
São 9 minutos e 56 segundos e já foi visto por mais de seis mil pessoas
É praticamente um levantamento (inventário) em imagens coloridas para que nosso patrimônio possa ficar registrado para todo o sempre.
É um vídeo amador, para fim escolar e didático diz o autor, Sebastião da Cruz que informa ser “aposentado, gastando seu tempo fazendo esse tipo de trabalho cultural, pessoalmente, sem vínculo com qualquer entidade pública ou privada. Assim espero estar contribuindo com a cultura de nosso povo”.
Bravo Sebastião, que ainda nos brinda com uma ótima trilha sonora.

Todo esse material que aparece gravado no vídeo tem que retornar ao Museu, e urgentemente, pois é patrimônio da população lagunense.
Confira o vídeo:

16 setembro 2012

Unisul TV realiza debate com candidatos à prefeitura da Laguna

A Unisul TV realiza neste domingo, 16/9, o sexto debate eleitoral de 2012. Desta vez, os convidados são os candidatos a prefeito da Laguna Everaldo dos Santos (PMDB), Ronaldo Rosinha (PHS), Tanara Cidade (PT) e Tono Laureano (DEM). Os quatro aceitaram os convites para a participação no programa que começa às 21 horas. A mediação será do jornalista e professor Rafael Matos.
O debate será dividido em cinco blocos. No primeiro os candidatos se apresentarão e farão um destaque do plano de governo. No segundo, terceiro e quarto blocos serão realizadas perguntas entre os candidatos de modo que todos façam perguntas entre si, sem repetições. No quinto e último eles terão tempo para as considerações finais.
O programa poderá ser assistido em Tubarão pelo Canal 4 (TV aberta) e Canal 22 (TVCabo), e na região da Laguna pelo Canal 26. No rádio ou internet, o áudio do programa será retransmitido pela Bandeirantes 1090 AM de Tubarão e Rádio Garibaldi 1270 AM, da Laguna.

15 setembro 2012

O Museu Anita Garibaldi

O Museu Anita Garibaldi foi inaugurado em 17 de abril de 1956, por ocasião das comemorações do centenário da Comarca da Laguna. O então prefeito Walmor de Oliveira só assinou a Lei Municipal nº 222, que o criava, em 15 de outubro de 1956, seis meses após.
A solenidade contou com a presença do governador do estado Jorge Lacerda. Fez uso da palavra à ocasião o professor Ruben Ulysséa.

(Em meu blog anterior, dias 08 e 12 de outubro de 2006, há matérias a respeito, inclusive com fotos da inauguração, basta clicar em

Um dos seus maiores baluartes – se não o maior – foi o Juiz de Direito João Thomaz Marcondes de Mattos.
Quem viveu à época e foi testemunha ocular dos fatos, conta que o juiz Marcondes percorria longas distâncias em busca de uma peça, de um artefato para o Museu. Por diversas vezes cruzou nossas Lagoas a bordo de barcos e até canoas rumo a localidades do interior onde pudesse angariar algo que viesse a enriquecer o acervo da entidade.

Várias foram as famílias de nossa cidade que, instadas a colaborar, doaram relíquias de suas coleções particulares, como talheres em prata, máquinas de escrever e de costurar, escarradeiras em porcelana, louças, papel-moeda, relógios, pinturas, armas, brasões, fotografias, documentos, medalhas, urinóis, uniformes, bandeiras, móveis de várias épocas, canhões e outros artefatos bélicos, além de material retirado dos nossos sambaquis, etc.
E também o prelo onde foi impresso o pioneiro jornal de nosso estado, O Catharinense, em 28 de julho de 1831, doado por Saul Ulysséa e Mário Mattos.
Mais tarde uma das gaitas, fotos e discos de Pedro Raimundo passaram a fazer parte do acervo.

Um grande arquivo de processos pertencente a nossa Comarca, foi exposto em enormes armários na última sala ao sul.
De Anita Garibaldi que leva o nome, o Museu propriamente tinha muito pouco, além, é evidente, do valor maior que é o próprio prédio onde consta, David Canabarro de sua sacada proclamou a República.
Uma tesoura que, dizem, pertenceu a ela, a ata que instalou a República Catarinense (ou Juliana) e a mesa onde foi assinado o documento. O mastro do Seival, o lampião do barco, pinturas e fotos de visitas de familiares de Garibaldi a nossa cidade. Quase todo esse material foi transferido e está exposto na Casa de Anita, ao lado da Matriz, quando ela foi inaugurada em 1975.

Como se vê, era um Museu eclético, não temático como muitos existentes pelo Brasil e pelo mundo. Não se podia compará-lo, porque era diferente. E bem por isso tornava-se rico porque misturava todos esses elementos das mais diversas épocas, compondo um mosaico de preciosidades que encantava quem o visitasse.
E como o Museu recebia visitante! Ônibus de excursões estacionam as dezenas semanalmente ao redor da Praça, trazendo professores, estudantes, curiosos, historiadores e os mais variados turistas.

Lembro-me bem disso tudo porque, quando criança e em minha juventude, morador do entorno do prédio, passei várias tardes conversando com seus funcionários. Entre eles seu Luiz Nascimento, autodidata em história que conhecia tudo sobre a epopéia Farroupilha e Anita e Garibaldi e que costumava ciceronear os visitantes; havia ainda o Joaquim (Quinca) Domiciano e o Waldemar Medeiros da Silva, mais conhecido como Pulga.
Como responsável pelo Museu, Jorge Marcondes, mais conhecido como Jorge da Santinha e bem depois o Manuel Américo de Barros. Houve outros funcionários é bem verdade, mas esses citados fazem parte de minhas lembranças.
De tanto observar em silêncio as explicações e as demonstrações do seu Luiz Nascimento, aprendi muito, ao ponto de seu Luiz algumas vezes me solicitar que o ajudasse com os muitos turistas. Penso que vem daí meu gosto pela História, desde os 12, 13 anos. Bem por isso conhecia cada peça do Museu.

Pois há alguns anos apareceu por aqui um museólogo do patrimônio histórico e com autorização do órgão alterou todo o acervo do Museu. Inúmeras peças foram retiradas e depositadas no tal de acervo técnico, então situado na sala fechada ao norte do prédio.
Pelo novo projeto proposto não se admitiu a miscelânea de peças e que por isso mesmo, por esse diferencial, repito, compunha seu maior valor.
De nada adiantaram as súplicas de alguns lagunenses para que não se mexesse e se alterasse o acervo do Museu. As alterações foram feitas porque o poder pode tudo e alguns profissionais dizem-se profundos conhecedores dessa área, mormente quando concluem cursos superiores, pós-graduações e mestrados.

Fiz toda esta introdução, que já se alonga em demasia, para que o leitor mais jovem tenha uma panorâmica do é o Museu e o que ele representa e representou para nossos antepassados e para todos nós, lagunenses que ainda se preocupam com essa terra e com sua história e que não vivem de apenas sugá-la para depois jogar o bagaço fora.

Esta iniciação serve também para o post (matéria) que estou finalizando e que vou publicar na continuação, sobre a atual situação do Museu Anita Garibaldi.

13 setembro 2012

A vanguarda e o atraso

(...)
“Tem coisa mais antiga do que roubar dinheiro público? Ou usar a “máquina” para favorecer amigos e laranjas? Ou praticar crimes como manter parte da contabilidade dos partidos no caixa 2? Pois os partidos “de vanguarda” fazem isso ou coisas parecidas com maior ou menor desfaçatez. Igualam-se, nessas práticas, aos velhos partidos. Acabam todos tendo a mesma “idade”.
É por essas e por outras que a credibilidade dos políticos anda tão baixa. Nos discursos de campanha querem representar o novo, são contra a velha política e, quando têm a oportunidade e assumem o poder, envelhecem rapidamente. E aprendem com facilidade a fazer “o que todos fazem”.
É dura a vida do eleitor. Escolher alguém para entregar o cheque em branco do mandato político nunca foi tão difícil”.
(De César Valente, em seu Blog).

12 setembro 2012

Parabéns João Carlos Nunes

No último sábado, João Carlos Nunes rodeado de familiares e amigos, comemorou seus sessenta anos com uma bela festa no Laguna Praia Clube.
João Carlos, funcionário aposentado da Caixa Econômica Federal, é filho de dª (Ana)Continha  e do seu João Nunes (João da Vivi, como são carinhosamente conhecidos), casal tão bem relacionado em nossa sociedade.
Por motivos alheios à minha vontade não pude comparecer ao evento, mas daqui deste espaço vai um forte abraço ao agora sexagenário João Carlos (mas já, tão rápido, parece um guri) com desejos sinceros de muitas felicidades e saúde.

Mamam quase oito anos, depois, conforme os ventos, jogam fora a mamadeira

A gente fica sabendo de cada uma...
Sujeito mama bem mamadinho as tetas da viúva durante quase oito anos. (Alguns foram somente 4 anos, vá lá). E briga. E discute com familiares e amigos protegendo o leitinho.
Com um novo cenário se desenhando no horizonte e a possibilidade da úbere úmida e farta secar, troca de mamadeira bem rapidinho, numa evidente traição das mais vergonhosas. E tem a ousadia de agora posar de oposição!
Evidentemente que quer continuar mamando em novas tetas por mais 4 anos.
O ser humano é patético.

11 setembro 2012

Mas somente agora?

Durante sete anos e meio os usuários de ônibus na Laguna ficaram expostos ao sol, chuva e vento, em pé, aguardando sem qualquer tipo de abrigo, os coletivos municipais.
Inúmeras reclamações por parte dos passageiros, fazendo eco em alguns poucos colunistas da imprensa e radialistas, além de blogs e um ou dois vereadores.
Aqui mesmo neste espaço abordei várias vezes a falta de abrigos.
Agora, faltando pouco menos de um mês às eleições, uns modestos abrigos finalmente começam a ser instalados nos bairros Mar Grosso, Magalhães e Portinho.
Se claramente não são obras eleitoreiras, de véspera, sinceramente não sei mais o que é isso.
Bem por isso um usuário comentou:
- Me engana que eu gostio.

10 setembro 2012

A voz rouca das ruas

O grande problema de um governante – seja ele quem for - é cair na real quando chega a hora da verdade.
Quem não ouve ninguém, acha-se auto-suficiente e vive com o ego inflado por causa das bajulações dos áulicos que lhe rodeiam e com os elogios de parcela da mídia comprada a peso de ouro, cai logo do cavalo.
Saber ouvir as críticas da população, dar satisfações aos que cobram explicações e soluções, é o mínimo que um gestor público tem e deve fazer.
Sentir-se professor de Deus, fazer pouco caso da voz rouca das ruas e achar que todo mundo é oposição, inclusive promovendo mesquinhas perseguições pessoais, é o caminho mais curto à derrota.
Ninguém engana todo mundo o tempo todo.

09 setembro 2012

Miscelânea

Há muitos candidatos a vereadores em nossa cidade que não estampam, em seus santinhos, em banners, nem em plotters, o nome e/ou fotografia do candidato de seu partido ou coligação à vaga majoritária.
Evidentemente que muitos assim não o fazem porque estão apoiando candidatos de outros partidos e seria considerada traição partidária, sujeitos à expulsão do partido.
Mas alguns, pessoalmente ou em carros pela cidade, na maior, pedem em alto e bom som, votos para candidatos adversários à prefeitura.
Uma verdadeira miscelânea. Traições a mil estão acontecendo.

08 setembro 2012

Nota de falecimento+

Faleceu ontem à noite nos Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos, Marlon Pacheco Lapa, aos 32 anos.

O último adeus

Marlon estava passando uns dias em nossa cidade, onde seus pais possuem residência. Veio de Gravataí-RS. À tarde sentiu-se indisposto e foi encaminhado ao hospital, onde teve parada cardiorrespiratória.
É meu primo-irmão, filho dos meus tios pelo lado materno Tereza/Loureiro Pacheco Lapa a quem nutro um carinho especial.
Seu corpo está sendo velado na capela Santo Antônio dos Anjos, avenida Colombo Machado Salles (ex-cine Roma) e o sepultamento ocorre às 16h30m deste sábado.
Que Deus em sua infinita bondade ilumine o caminho de Marlon para a nova morada e que com sua sabedoria infinita console os pais, irmãos, demais familiares e amigos neste momento tão triste.

07 setembro 2012

D. Pedro I esteve na Laguna

   Você sabia estimado(a) leitor(a) deste blog que o Imperador do Brasil D. Pedro I esteve na Laguna? Pois esteve, em rápida passagem, é bem verdade. E mais: Aqui pernoitou!


   Conta-nos o historiador Oswaldo Rodrigues Cabral, em sua obra “História da Política em Santa Catarina durante o Império”, volume I, páginas 215 a 218, que em 12 de novembro de 1826, no Rio de Janeiro, portanto quatro anos após o grito da Independência, D. Pedro anunciou que viajaria para o sul, “a fim de ver com os meus próprios olhos as necessidades do Exército em operações bélicas destinadas a conservar unida ao Império a Província Cisplatina”.


   Outros autores contam que o afastamento foi proposital. D. Pedro queria afastar-se da Corte, e principalmente do lar, dar um tempo, como se diz hoje, afinal tinha estourado seu caso não tão secreto assim, com Domitila de Castro, a Marquesa de Santos. O falatório, os comentários na Corte, leitor(a), devia ser grande e a orelha de D. Pedro por certo estava ardendo de tão vermelha.
   Em 23 de novembro de 1826 D. Pedro I embarcou e a 24 já estava em direção ao sul.
   Ao entardecer do dia 29, conta-nos Cabral, a esquadra fundeava na enseada de Canasvieiras. Na manhã seguinte desceu em Desterro.


   O reboliço foi grande. Imaginem o Imperador em pessoa visitando a pequena cidade.
   Foguetes, sinos, autoridades. Os mandões, câmara municipal, clero, milícias, missa e jantar.
   A 1º de dezembro embarcou pelas 4 e meia, chegando à Araçatuba às 8 e meia. Almoçou, montou a cavalo e chegou à Garopaba às 4 e meia.
   No dia 2, continua Cabral, extraindo essa informações de Henrique Boiteux e do próprio diário do Imperador, “saiu a comitiva imperial às oito, passou pela Vila Nova quase ao meio-dia, aí jantando, descansou ao calor do dia e mais ou menos às quatro horas, com a fresca, e pela praia, passando por Imbituba, Itapirubá e Gi, chegou à Laguna, depois da Ave-Maria”.
   E continua Cabral:


“Aí, ouviu missa às 6 horas do dia 3, atravessou a barra antes das 8, montou e seguiu sempre pela praia, assinalando o diário os acidentes topográficos, para atravessar o Araranguá no dia 4 às 9 da manhã e o Mampituba às 7 horas do dia 5, entrando no Rio Grande pelo caminho de Torres”.


   Pronto! Essa foi a rápida passagem do Imperador por Laguna. Mas notem um detalhe, leitor(a):
   O Imperador chegou por aqui no dia 2, “depois da Ave-Maria”. Aí ouviu missa às 6 horas do dia 3”.
   Conclusão: O Imperador D. Pedro I pernoitou na Laguna entre 2 e 3 de dezembro de 1826.
   Onde teria dormido? Em que casa? Algum "hotel"? Pousada? Em que leito? De que autoridade?
   Laguna já estava em franco desenvolvimento, era importante entreposto comercial, tanto que 13 anos depois, em 1839, os farrapos tomarão seu porto, aqui fundando a República Catharinense, mas isso é outra história.
   Pena que não existia jornal na Laguna para registrar o fato, a chegada de D. Pedro I.
   Aliás, não existia nem na Província de Santa Catarina, não esqueçamos que “O Catharinense”, de Jerônimo Coelho, só vai surgir em 1831.
   Mas o registro está lá, no diário do Imperador, tão bem pesquisado por Henrique Boiteux e Oswaldo Rodrigues Cabral.
   Para completar nossa história, a Imperatriz Leopoldina, grávida, abortara dia 2 de dezembro e por complicações, morre a 11, no Rio de Janeiro, aos 29 anos. D. Pedro recebeu a notícia da morte da esposa no sul, dia 25 e retorna imediatamente ao Rio de Janeiro.          Refaz o mesmo trajeto e chega ao Rio de Janeiro em 15 de janeiro de 1827. 
   Dom Pedro I
morreu de tuberculose, em Portugal, aos 36 anos, em 1834.

06 setembro 2012

Pela primeira vez um debate sobre cultura na Laguna

Fato inédito na história da Laguna aconteceu na noite desta quarta-feira.
O Cineclube Laguna/Cine Sesc, através do Iphan, convidou os quatros candidatos à prefeitura lagunense para um debate em suas dependências versando especificamente sobre cultura. Apresentar suas plataformas de governo para a área.
Antes, foi aprsentado o curta Novembrada, filme de Eduardo Paredes abordando os incidentes com o então presidente da República João Figueiredo, em novembro de 1979, em Florianópolis.
Dos quatro candidatos, o único que não compareceu foi Everaldo dos Santos (PMDB), alegando em correspondência enviada pelo coordenador e tesoureiro de campanha, Robson Caporal, que compromisso anteriormente assumido o impediam de participar do debate.
Lastima-se a sua ausência, pela oportunidade desperdiçada. Se por acaso for estratégia de marqueteiros por estar à frente em pesquisa, perdeu uma ótima oportunidade para mostrar seu plano de governo na área.

Lá então estiveram três candidatos: Tanara Cidade de Souza (PT), Antônio Laureano (DEM) e Ronaldo Rosinha (PHS), para participar dos quatro blocos programados.
Uma grande platéia surpreendeu os organizadores do evento. Jornalistas, radialistas, estudantes, artistas, professores, escritores e muitas pessoas ligadas à cultura do município, além de candidatos à vereança e detentores de cargos no atual governo, o que já era esperado.
Como o debate versava única e exclusivamente sobre cultura, em seus mais variados aspectos, ficou um pouco engessado. Tema de uma nota só. Nem poderia ser diferente.

O que achei?
Além do problema irritante com os microfones, um debate muito genérico e morno. Os candidatos, de uma maneira geral, se ativeram a repetir bordões já conhecidos sobre cultura. Muitos lugares comuns.
Tipo:
a)     Em meu governo vamos incentivar o carnaval, as bandas, as manifestações folclóricas como boi de mamão, pau de fita, etc;
b)    No meu plano de governo os artistas da terra, como músicos, escritores, pintores e artesãos receberão apoio;
c)     Vou fazer mensalmente atrações culturais na cidade;
d)    Vou criar inúmeros museus sobre vários temas com não sei-quantos-funcionários;
e)     O Cine Mussi vai ser a maior Casa de Espetáculos culturais de Santa Catarina;
f)      Quero transformar Laguna numa Nova Trento, como turismo religioso. (Não sei como, se até a construção da estátua de Santo Antônio foi proibida);
g)     Vamos fazer rampas para cadeirantes em todas as calçadas;
h)     Vamos contar a verdadeira história, mostrar quem foi Garibaldi;
i)       E dá-lhe boi de mamão isso, o boi de mamão aquilo, o boi de mamão...
j)   ...

Ronaldo Rosinha (PHS), arrancou, em certos momentos do debate, risos da platéia por algumas propostas não tão bem colocadas e mal explicitadas. Havia muitas verdades em seus discursos, mormente na passagem de alguns momentos históricos, saliente-se, mas o tempo era escasso e havia necessidade de ser conciso e preciso.
Recebeu também aplausos quando criticou a ausência de Everaldo e elogiou os demais candidatos presentes.
Registre-se as críticas e indagações de dois estudantes da Udesc pelo não aproveitamento e participação daquela Instituição de ensino na cultura do município, através de projetos e ideias, por parte do Poder Executivo Municipal.
Eis um ótimo tema a ser aproveitado pelo futuro prefeito da Laguna. Fiquem certos, Instituições de Ensino em nossa cidade, principalmente de nível superior, não podem ser desprezadas. É uma nova realidade existente. E são centenas de alunos convivendo durante anos em nossa comunidade.

Nas perguntas reservadas ao público tive oportunidade de indagar, mas as respostas foram mais uma vez genéricas. Perguntei sobre as propostas efetivas para as próximas Semanas Culturais que, criada com grande sucesso no governo de Mário José Remor em 1981, se tornando um grande evento cultural do município, bem antes de Tomadas e Repúblicas, nos anos seguintes foram seguidamente esvaziadas, ao ponto de receber um público diminuto nos últimos anos. A Semana Cultural caiu na mesmice, essa é que é a verdade, com o público se desinteressando do evento.

Repito que um debate sobre cultura em nossa cidade com candidatos à prefeitura é feito inédito e devemos comemorar a oportunidade e parabenizar os organizadores, em especial ao pessoal do CineClube/Cine Sesc e ao Iphan e aos que lá estiveram para presenciar e participar. A intermediadora do debate, Gisely Cesconetto, soube muito bem conduzi-lo e com sua simpatia e jogo de cintura, manter tudo em ordem, o que não é muito fácil  nessas ocasiões.
Há muito mais a comentar sobre o debate e sobre a cultura lagunense, mas não vou mais me alongar.

05 setembro 2012

Do Blog do César Valente, citado pelo Renato Souza:

"Tão importante quanto saber quem é o candidato, é saber qual é a turma do candidato. Quem paga suas contas e quem vai cobrar, mais adiante, a lealdade. Quem, enfim será o dono e senhor do mandato."

A gente vota no que vê e dá mais poder pra quem a gente não vê...

Pulando fora

Na política, como sempre, os vivaldinos costumam pular fora do barco (ou será do navio?) quando a água começa a adentrar ao porão. Basta uma marola e os ratos são os primeiros a saltar de banda, reza a lenda.
Querem sempre se dar bem, seja com quem for o eleito. Trocam de camisa rapidinho, os oportunistas. E nesse meio tem de tudo, funcionário, contratado, diretor, chefe, até jornalista, radialista e blogueiro. Questão de sobrevivência.
Na Laguna é o que mais se vê. Traições às dezenas acontecendo. E falta pouco mais de um mês para as eleições.
Tem candidato a vereador completamente estressado, porque na segunda-feira acerta com um cabo eleitoral e na terça-feira o sujeito já se bandeou para outro candidato. Nada é certo, tudo é dúvida, incertezas.
Há também candidatos dizendo uma coisa e fazendo outra; cabos eleitorais de noite em palanques e durante o dia pedindo votos para o adversário, na maior cara de pau; eleitores pulando daqui para acolá, conforme as conveniências.
A verdade é que muita água ainda vai passar pela barra assoreada até o sete de outubro.

01 setembro 2012

Getúlio – 1882-1930

Estou lendo Getúlio – 1882-1930, de Lira Neto, o primeiro livro da trilogia, que mostra os anos de formação à conquista do poder.
Companhia das Letras, 630 páginas.

A obra tem recebido boa acolhida de especialistas do mundo acadêmico. As resenhas publicadas em jornais e revistas têm sido positivas.
Sobre o livro, o autor disse ao jornal Zero Hora que vinha flertando com o tema há vários anos. “Sempre me surpreendeu o fato de Getúlio ainda não ter sido alvo de uma biografia jornalística, moderna, exaustiva”, salientou.
Lira Neto já lançou cinco biografias antes de Getúlio. O Poder e a Peste: A Vida de Rodolfo Teófilo (1999), Castello - A Marcha para a Ditadura (2004), O Inimigo do Rei: uma biografia de José de Alencar (2006), Maysa - Só Numa Multidão de Amores (2007) e Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão (2009).
"Esse livro, como todos os outros que escrevi, pretende ser apoiado, essencialmente, em fontes primárias. Não é uma simples pesquisa bibliográfica. Queremos trazer à luz uma série de documentos pouco visitados pela historiografia ou, em grande parte, absolutamente inéditos", destaca.
Como bem frisa Boris Fausto na contracapa da obra, “Seu livro contribui significativamente para a compreensão do personagem que, para bem ou para mal, foi a maior figura política do Brasil no século XX. Este primeiro volume da trilogia Getúlio vai do nascimento de Vargas a sua ascensão ao poder, no bojo da Revolução de 1930”.

Salta aos olhos a importância do Rio Grande do Sul, de seus inúmeros políticos nas primeiras décadas do século XX e dos entreveros sangrentos e também as inúmeras revoluções e levantes pelo país.
E como morreram civis e soldados por este Brasil, contrariando o lugar comum que afirma não ter havido revoluções neste território.
Obra imperdível para se conhecer um país em dramática formação.