13 setembro 2020

Nota de falecimento +

Faleceu em nossa cidade na manhã deste domingo, Nelson João de Souza (Dedinho), aos 91 anos.
Filho de Zoê Fernandes de Souza e João Ranulfo de Souza.
Corpo está sendo velado na capela mortuária Nossa Senhora Auxiliadora no bairro Progresso e sepultamento será às 17 horas no cemitério da Cruz.
Deixa a esposa Selma e os filhos Gelson Luiz, Ronaldo Luiz, Nelson Magno, Paulo Roberto, Magda Regina e Sayonara, netos e bisnetos.
Sentimentos aos familiares e amigos.

P S: Em 14 de maio de 2018 entrevistei o seu Nelson para este Blog. Repito a matéria em sua homenagem:


Um craque do passado: 
Nelson (Dedinho) João de Souza

Ele nasceu no bairro Magalhães, em 23 de julho de 1929, e com apenas um ano de idade veio morar no bairro Roseta (atual Progresso) onde reside até hoje.
É filho de Zoê Fernandes de Souza e João Ranulfo de Souza. Seu pai trabalhava nas obras da empresa Cobrasil, que construiu os molhes da nossa Barra.

Entrevistando Nelson João de Souza (Dedinho).
Futebol lagunense
Nelson João de Souza, ou Nelson Dedinho, como é carinhosamente chamado e conhecido, desde criança era apaixonado por futebol.
O apelido de uma vida toda veio do avô que lutou na Guerra do Contestado e nas escaramuças perdeu um dos dedos da mão. O apelido se estendeu aos descendentes.
Foi estofador na fábrica de móveis do “seo” Antônio Teixeira, ali na antiga Praça da Bandeira, hoje República Juliana, defronte ao Museu Anita Garibaldi.
Trabalhou ao lado de Hélio Pereira (de quem aprendeu os macetes da profissão), de Jucemar Pinto, Otávio dos Passos, Alberto Guedes (Dudu, meu tio), Luiz Guedes e Orlando Carvalho.
Aos 12 anos já tinha organizado um time em seu bairro: o Rua da Frente F.C.
Aos 15 já estava disputando o campeonato juvenil, pelo Fluminense, do Campo de Fora.
Com 20 anos, em 1949, fundou o Bangú, time filiado à Liga Amadora Lagunense de Futebol (Lamal).

Dois anos depois já jogava como aspirante no Flamengo de nossa cidade, arquirrival do Barriga Verde F.C. Logo tornou-se titular da agremiação. Foi a primeira vez que calçou um par de chuteiras.

Flamengo F. C. em 1951: Em pé: João Júlio Oliveira, Walter, Jupy, Tyrone, Barrica, Barbacena,
 Fernando e Batista Abrahão. Agachados: Jairo, Dario, Nelson, Neri e Nelson Souza (Dedinho).
Em 1952 transferiu-se para Criciúma, vestindo as camisas dos times Boa Vista e depois do Próspera, com contrato assinado. Ficou pouco tempo logo retornando a nossa cidade natal. Foi jogar no Vasquinho do Magalhães. Braz Barreto, presidente do time lhe escalou para jogar de zagueiro, posição que iria atuar dali em diante. Sagrou-se campeão amador da cidade em 1953.

 Formou dupla de zaga com Jupy Viana
No ano seguinte ingressou novamente no Flamengo, formando dupla de zaga com Jupy Viana, de tantas alegrias. Júlio Marcondes de Oliveira era presidente do time.
Nelson (Dedinho) João de Souza.
Encerrou sua carreira futebolística em 1957, numa memorável partida contra o Barriga Verde F.C.
Foi quando o Flamengo findou suas atividades, com o campo de futebol onde jogava sendo cedido ao governo do estado para construção do Conjunto Educacional Almirante Lamego (Ceal).
Estádio do Lamego, em 1939, palco de memoráveis partidas, onde hoje é o Ceal. No fundo o Morro da Roseta e os cômoros de areia. Observem as únicas fileiras de casas existentes. À direita o Campo de Fora; e à esquerda, na hoje avenida Colombo Machado Salles.
Em sua opinião o melhor jogador que presenciou foi Élcio Bianchini: - “Um craque, tinha uma classe com a bola, jogou pelo Barriga Verde depois foi para o Figueirense. Aliás, os três jogadores do Barriga Verde que ainda estão vivos são o Élcio, Dalmo Faísca e Darci Corrêa”.

Álbum de figurinhas de futebol
Em tempos de Copa do Mundo e de álbum de figurinhas com jogadores internacionais, também tivemos o nosso álbum, regional. A foto do “seo” Nelson, de nº 77, foi estampada no disputado “Álbum Balas Esportivas”, cujas figurinhas vinham embrulhadas na Bala Seleções, de 1951, ao lado dos companheiros daquela época, para toda a posteridade.



É casado com dª Selma (Flamenguista) e seu filhos são Gelson Luiz, Ronaldo Luiz, Nelson Magno, Paulo Roberto, Magda Regina e Saynora.
E antes que eu me esqueça, o “seo” Nelson é Internacional.

Prestes em completar 89 anos, no próximo mês de julho, “seo” Nelson possui uma excelente memória e a sabedoria que só o tempo pode dar. Relembra com exatidão partidas de outrora, resultados, nomes de times e jogadores, conta “causos”.

Autor de hinos, coralista e professor de religião
É um verdadeiro álbum vivo de recordações não apenas do futebol lagunense, mas sobre a origem do bairro onde sempre residiu, das primeiras famílias, da música, da religião.
Foi professor de Ensino Religioso na Escola Comendador Rocha, tendo composto o Hino daquele estabelecimento escolar.
É também autor do Hino à Nª Sª Auxiliadora, padroeira do bairro Roseta (hoje Progresso). Durante muitos anos integrou o Coral Santo Antônio dos Anjos, desde sua criação, em 1948. Foi ministro da Eucaristia.
É autor de um livreto contendo um “Histórico da Capela Nossa Senhora Auxiliadora”, que bem merece uma reedição patrocinada.

A avó paterna do “seo” Nelson, Tomazia Altina de Souza, vinda de Imaruí em 1928, passou a residir no Morro da Roseta, no final do Campo de Fora, onde ministrava aulas de catequese. Juntamente com as religiosas Nail Ulysséa e Maria Cabreira, e do padre Bernardo Philippi, encetaram vitoriosa campanha para aquisição de uma casa que servisse de primeira capela do bairro, o que foi feito.

“Seo” Nelson anos depois seguiu os passos religiosos da avó, sendo tesoureiro e presidente da Comissão Diretora da Igreja Nª Sª Auxiliadora.
Foi o responsável, juntamente com sua diretoria, pela aquisição de terrenos e construção do Salão Social de Convivências, ao lado da igreja, e inaugurado em 1º de maio de 1985.

Merece ser homenageado
Nelson João de Souza (Dedinho). Eis um cidadão lagunense que há muito tempo está a merecer homenagens da nossa sociedade, através de seus representantes. Afinal foram anos de serviços prestados principalmente na área cultural, em prol de uma Laguna melhor.

Que a Fundação Lagunense de Cultura na próxima Semana Cultural, faça essa homenagem; ou quem sabe, através da Câmara de Vereadores.


12 setembro 2020

Foto-Retrô

A Turma de 1958 do Ginásio Lagunense
Na Foto-Retrô desta semana, seção deste Blog que já vem fazendo o maior sucesso de acessos, a Turma de 1958 do Ginásio Lagunense. O local é a então Praça da Bandeira, com seu Obelisco em homenagem à República Catarinense:

Na formação dos alunos de cima para baixo, da esquerda p/direita:
Márcio de Oliveira Ulysséa e José Carlos Pacheco.

Ibrahim Sérgio Bacha, Zirça Maria Silveira, Marilda Pereira Lopes, Vaiani Kotzias, Eneida Vieira Faria, Sidneia Fernandes Gaspar, Cecília Floriani, Rosita Clara Linderman, José Vioberto da Silva e Luiz Carlos Cardoso Jeremias.

Pedro Ernesto Silva Prudêncio, Otávio Sampaio Teixeira, Carlos Augusto Baião da Rosa, Pedro Bez, Roberto Rollin Remor e Jorge Antônio Bonazza.

Henrique Ramos Fortes Neto, João Afonso Zanini Neto, Luiz Fernando Ferreira, Sotto Pacheco Costa, Marney Soccas Ribeiro, Gerobal Guimarães e Ricardo Souza.

10 setembro 2020

Sacristão Ladislau Domingos Carvalho, o “seu” Lalau

 Conhecido em todo o sul do estado, Ladislau Domingos Carvalho, o “seu” Lalau, foi sacristão da paróquia Santo Antônio dos Anjos por mais de 50 anos.
Ladislau Domingos Carvalho, o seu Lalau.
Nasceu em 1870 e faleceu já quase centenário, aos 96 anos, em 9 de abril de 1966. Foi casado com Joana Lopes de Carvalho e deixou extensa prole na Laguna entre filhos, netos, bisnetos e tataranetos.

Entre os seus filhos, me lembro do seu Manoel - e como não poderia deixar de ser - mais conhecido como Maneca do Lalau, sempre trajando uma camiseta regata, às vezes com uma manga curta por cima, fizesse frio ou calor, postado na velha rodoviária, prestativo, educado, de confiança no acompanhar de solitários jovens estudantes-passageiros madrugadores, com suas malas e sacolas, transportados pelas empresas Santo Anjo ou São Cristóvão. 
E também colado com seu ouvido ao rádio de pilha, notívago, insone, a caminhar nas calçadas noites e madrugadas adentro, flamenguista que era, ouvindo as últimas do futebol nos programas de esportes transmitidos pelas Rádios Tupi ou Globo do Rio de Janeiro. 

Da irmã dª Marta, pessoa boníssima, sempre às voltas com a criação de filhos e netos; do "seu" José (Zeca) ou Xará, que no ocaso de seus anos de vida ficava à janela de sua casa (bem defronte à murada da nossa, na rua Voluntário Benevides e por isso o meu lembrar) horas e horas  a observar o mundo passar; "seu" Orlando (este último falecido em 2014 e um dos jovens fundadores, junto com meu pai, do Cordão Carnavalesco Xavante (hoje Escola de Samba) e pai do Teco da prefeitura, não tem?); e mais os filhos Maria, Otília, Ceci, Leonor e Lizete. 

Seu Lalau era morador na rua Voluntário Benevides, bem em frente a rua Ulysséa (rua Nova).
Após seu falecimento foi homenageado com o nome de uma Travessa no bairro Portinho.
Pessoa boa, honesta e querida por todos os lagunenses que o conheceram. Muitos ainda o relembram com saudade. Entrou o século XX exercendo o ofício cristão.

Era também um grande contador de histórias, as mais variadas, principalmente de pescarias, seu passatempo predileto. 
Onde estava, sempre ao seu redor reuniam-se os amigos e muitos curiosos para ouvi-las. Sabia prender a atenção na narração. Podia aumentar um tantinho os causos, é bem verdade. Mas nunca foi de inventar.
Na igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos "seu" Lalau foi sacristão durante mais de 50 anos.
Em 1902, a imagem de Santo Antônio dos Anjos foi levada ao Rio de Janeiro para ser “encarnada”.
Quando do retorno do Santo, seu Lalau tão logo avistou o vapor “Industrial” aportando nos velhos trapiches do centro da Laguna (o atual cais em granito vai ser construído a partir de 1910) e que trazia a imagem em seu porão, saiu pelas ruas da cidade em debandada correria e felicidade, aos gritos, avisando, alvissareiro, da chegada de preciosa carga:
- O Santo Antônio chegou! O Santo Antônio chegou!

Sobre Santo Antônio dos Anjos, dois fatos interessantes contava seu Lalau.
Dizia que ele que:

Estando uma noite na sacristia, ultimando os preparativos para a missa do dia seguinte, já tendo fechado as portas da igreja, sentiu um arrastar de bancos no adro. Veio ao centro da igreja, olhando para o adro e, com surpresa, viu que tudo estava em ordem. Voltou à sacristia, quando ouviu novamente o mesmo ruído. Contava ele que teve um pensamento: “Isto é coisa de Santo Antônio”.
Veio, então, novamente ao centro da igreja, mas desta vez, em vez de olhar o adro, olhou para o altar-mor. Teve, então, o espanto de ver que havia uma vela acesa, já caída, começando a queimar as toalhas do altar.
E narrava outro fato, atribuindo os alertas (milagres?) ao nosso Santo padroeiro.
Ao voltar de uma pescaria, à noite, chegou cansado em casa e foi se deitar. Mal passara por um cochilo, teve a impressão, ou sonho, de que Santo Antônio dizia-lhe que havia fogo na escada do coro da igreja. Acordou sobressaltado e viu que era um sonho, mas impressionado com isto, levantou-se e foi à igreja verificar.
Na realidade, a escada estava pegando fogo, já bastante alastrado pelo corrimão. Prontamente apagou as labaredas que estavam ainda em seu início.

Dona Nail Ulysséa, que escreveu extenso capítulo sobre a igreja Matriz no livro “Santo Antônio dos Anjos da Laguna – Seus valores históricos e humanos”, 1976 – IOESC, e que narra os dois fatos acima, finaliza dizendo:
“Ainda em 1944, antes das obras da igreja, quando a escada foi substituída, verificaram-se os vestígios deste princípio de incêndio. Milagres para os crentes, ficção para os descrentes".

Pois aí está um pouco da história do "seu" Lalau, sacristão da nossa igreja por mais de meio século, um personagem riquíssimo em causos que, reunidos, dariam um livro. Marcou época em nossa história e deixou seu legado entre nós.

08 setembro 2020

Foto-Retrô

No registro inaugural da FOTO-RETRÔ deste Blog, a turma do 1º ano (1960) da Escola Técnica de Comércio Lagunense, do Ginásio Lagunense, cujo diretor era o dr. Paulo Carneiro.
Da esquerda p/ direita: Nilza Luz, Jucélia Zanini, Ema Maria Baião da Rosa, Marina Candemil Boff, Zaida Nicolazzi Reis, Cirege Neto Duarte, Maria Aparecida Waterkemper, Cláudio Carvalho, Carlos Prudêncio, Sidnei Bandarra Barreiros, João Carlos Pacheco e Henrique Fortes Neto.
Em pé, no fundo da sala: Luciano Rosa, Carlos Augusto Baião da Rosa, Geraldo Barzan, Paulo Pacheco, Manoel Silva (monitor) e Celso Sombrio.
Sentados: Nelson Abraham Netto e Jairo Gruner Carneiro (lendo).

Nota de falecimento +

Faleceu nesta terça-feira (8) aos 74 anos, Maurício de Paula Carneiro.
Filho de Lisete e Jacy de Paula Carneiro. Foi funcionário do Cine Mussi e Tecidos João Mussi e da antiga Telesc, empresa onde se aposentou. Membro da Irmandade Santo Antônio dos Anjos, onde chegou a exercer o cargo de provedor. Exerceu cargos na diretoria do Clube Blondin, Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos e Ação Comunitária Social e Cultural (Caep) de nossa matriz.
Velório ocorre até às 16h30 na sala mortuária da Casa Funerária Gomsan.
Logo após, sepultamento no Cemitério da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio dos Anjos.
Deixa a esposa Ângela Pereira Carneiro, os filhos Emerson, Patrícia, Maurício e netos. 
Sentimentos aos familiares e amigos.

06 setembro 2020

Mais de 800 mil acessos

Agora há pouco este Blog ultrapassou  800 mil acessos, conforme o contador oficial registra à direita da página da web. 800.388 mil para sermos exatos, às 10h04min horas da manhã deste domingo.
Um recorde digno de registro, principalmente em se tratando de um Blog que se dedica à história, a trazer personagens e antepassados nossos e fatos e fotos interessantes acontecidos na Laguna e região. 
“Do contar local se chega ao universal”, escreveu Salvador Dali.
Meu agradecimento a todos os leitores, aos que sempre comentam aqui, ou deixam mensagens por e-mail, pelo meu WhatsApp e pelo Facebook da minha esposa Julita que sempre compartilha o divulgado. E a todos os demais compartilhamentos feitos por todos os amigos.
E vamos que vamos.

04 setembro 2020

Nota de falecimento +

Faleceu na manhã desta sexta-feira (4), no Hospital Nª Sª da Conceição em Tubarão, Adair Armando Borges (Tainha), aos 77 anos.
Nossos sentimentos à esposa, filhos, netos, demais familiares e amigos.
Fica a saudade de um ser humano querido, trabalhador, batalhador, justo e companheiro leal de seus amigos.
Primeiramente na direção de um táxi e depois na boleia do caminhão levou a vida, transportando riquezas por este Brasil. Carga pesada. Foi Pedro e Bino juntos na estrada do destino.
Velório vai ocorrer na sala mortuária da Funerária Central de Luto Cristo Rei, proximidades do Ceal a partir das 13 horas e sepultamento ocorre às 17 horas no Cemitério da Glória.
Nossos sentimentos à esposa, filhas, filhos, netos, demais familiares e amigos.

03 setembro 2020

O desaparecimento do navio “Oswaldo Aranha” com 36 pessoas a bordo

Além do desaparecimento do navio “Laguna II”, com seus 15 tripulantes, matéria já abordada neste Blog aqui, outro navio consta da lista dos mistérios da navegação brasileira-catarinense.
Trata-se do sumiço do navio cargueiro “Oswaldo Aranha”, que partiu do porto de Imbituba na manhã de 1º de abril de 1949, em direção ao Rio de Janeiro.
Capa da "Noite Ilustrada" RJ de 26 de abril de 1949. Desenho de Reconstituição de Monteiro Filho.
O cargueiro nunca chegou ao seu destino e além da embarcação, todas as 36 pessoas a bordo também desapareceram misteriosamente.
Foram mobilizadas nas buscas pela Marinha e pela FAB centenas de profissionais e gastas milhares de horas-homens, mas a procura, após semanas, foi infrutífera.
O que teria acontecido? Colisão? Excesso de carga? Tempestade em alto mar e seu consequente naufrágio? Por que não houve pedido de socorro? Por que não houve sobreviventes?
É o que veremos a seguir.

O navio cargueiro “Oswaldo Aranha” – Dados técnicos
O navio mercante “Oswaldo Aranha” foi construído em 1912 pela empresa Mackie Thompson Ltda, no estaleiro de Glasgow, na Inglaterra.
Seu nome de batismo era “Jacuhí” e foi adquirido pela empresa brasileira Pereira Carneiro & Cia Ltda, do Rio de Janeiro, sua proprietária de 1912 a 1935.
O navio "Oswaldo Aranha", quando ainda se chamava "Jacuhí".
Em 1935 passou à propriedade da Companhia de Comércio e Navegação, situada no mesmo estado, e recebeu a nova nomenclatura..

Seu casco era de aço, com as dimensões de 82m88cm; boca 13m, pontal 5,00m; calado máximo 16 pés, mínimo, 6 pés; propulsores: 2 hélices; velocidade: máxima, 8 milhas, econômica, 7 milhas; tonelagem: bruta, 1.951 ton - líquida 654 ton – sob convés, 1.599 ton; calado: de carga, 1.750 ton
Força em cavalos nominais: HPN 208
Propulsão: a vapor de propulsão tripla
Consumo de carvão: 26 ton/dia
Consumo de óleo: 18 litros em 24 horas
Consumo de água: 4 ton/em 24 horas
Número de guinchos: 8
Paus de carga: 12
Caldeiras: 2
Capacidade das carvoeiras: 589 ton
Porões de carga: 4 tanques de lastro, 5 com capacidade para 862 ton
Água potável: 243 ton
Telegrafia sem fio. Indicativo de chamada: PUGH

Tripulação
A tripulação do navio mercante “Oswaldo Aranha” em sua última e fatídica viagem era composta de 36 pessoas (35 tripulantes e uma passageira).
Comandante: Luiz Sutter
Imediato: Osmarino Lameira de Carvalho
1º Piloto: Cincinato Pires de Albuquerque
2º Piloto: Lourival de Jaime Maia
Radiotelegrafista: Ataliba Lopes de Vasconcelos
Mestre: João Álvares Conceição Anjos
Marinheiros: Raimundo Fagundes de Paiva, Juvenal Brasiliano Vieira, Pedro Silva, Felício Gomes da Silva, Leobino Bispo.
Moços de convés: José Costa Sobrinho, Antônio José dos Santos, Luiz Câmara Fonseca.
1º Maquinista: Adão Eduardo Angelo Porto
2º Maquinista: Pedro Marinho de Lima
3º Maquinista: Oscar Ribeiro dos Santos
Cabos-foguistas: Firmino Francisco dos Santos, Angelo de Andrade e Américo de Andrade.
Foguistas: Raul Pinheiro, Antônio Felipe, Praxedes Teodoro dos Santos, Manoel Joaquim de Santana e Heitor Amaro da Anunciação.
Carvoeiros: Antônio Ponciano, Severino Felipe Ferreira, Nicolau Bispo dos Santos e Francisco Xavier dos Santos.
Comissário: Antônio Ribeiro Cardoso
2º Cozinheiro: Carlos Alberto da Silva
3º Cozinheiro: Hemetério Tomaz de Aquino
Taifeiros: João Gonçalves Camargo, Manoel dos Santos e Aureliano Santos Machado.

A partida de Imbituba
Manhã de sexta-feira, 1º de abril de 1949. Sob o comando do capitão Luis Sutter, o navio cargueiro “Oswaldo Aranha”, às 9 horas da manhã, com um carregamento de 2.450 toneladas de carvão mineral, parte do porto de Imbituba, no litoral catarinense, com destino ao porto do Rio de Janeiro.
Era a mesma tonelagem de carga que o navio levara em viagens anteriores. A capacidade da embarcação era de 2.713 toneladas.
O “Oswaldo Aranha havia sido docado em Imbituba em 23 de fevereiro daquele ano.
Era, como de costume, uma navegação direta. O mercante alcançava Naufragados e após a marcação deste farol, fazia rumo direto à capital federal da República, onde sua chegada estava prevista para o dia 3 ou no mais tardar no dia 4 pela manhã.
Em velocidade reduzida, o navio foi se afastando do cais do porto de Imbituba. Ainda a pouca distância, como de praxe, ouviu-se três apitos da embarcação a guisa de despedida.
A temperatura era considerada elevada naquele dia, com máxima de 28.8 e a mínima prevista de 24.2, ventos do quadrante Norte, com rajadas frescas. O céu estava límpido, com pequenas nuvens, mas a previsão do tempo para as próximas horas publicada no jornal O Estado marcava tempo instável, agravando-se com chuvas, trovoadas e vento sul.

O navio "Taquari", da mesma empresa, irmão gêmeo do "Oswaldo Aranha", que manteve o último contato.  Foto J. Souza. Jornal A Noite RJ.

Às 19 horas do mesmo dia da partida, o “Oswaldo Aranha” comunicou-se pelo rádio com o vapor “Taquari”, da mesma Companhia, com quem cruzara e que ia em direção a Imbituba. Não houve relatos de qualquer problema.

O desaparecimento e as providências
O “Oswaldo Aranha” deveria ter chegado ao porto de destino em 3 de abril. Não acontecendo, autoridades marítimas e portuárias deram o alarme em busca do paradeiro da embarcação.
Estações radiotelegráficas foram avisadas, assim como todos os navios e aviões em tráfego na rota que a embarcação deveria ter percorrido receberam ordens para procurá-lo.
O então ministro da Marinha, Sílvio de Noronha deu ordens para que o contratorpedeiro “Baependi” partisse em direção ao sul para cooperar nas buscas, assim como o rebocador “Tritão”.
(Não confundir com o paquete Baependi, navio brasileiro afundado anos antes, em 15 de agosto de 1942 pelo submarino alemão U-507, com 270 mortes).
Desenho publicado no jornal A Noite RJ de 26 de abril de 1949, mostra o trajeto da embarcação, o provável local do naufrágio e o aparecimento de seus vestígios, como salva-vidas e baleeiras.
O Ministério da Marinha expediu o seguinte telegrama:
“O almirante Flávio Figueiredo de Medeiros, chefe do Estado-Maior da Armada, recebeu, na tarde de ontem (11 de abril) comunicação do comandante do 5º Distrito Naval, sediado em Florianópolis, de que aviões da F.A.B. sobrevoaram a costa sul entre aquela capital e Imbituba, nenhum vestígio encontrado do navio mercante “Oswaldo Aranha”, desaparecido há dias”.
Já o Ministério da Aeronáutica informou o seguinte: “Estando o governo empenhado em descobrir o paradeiro do navio “Oswaldo Aranha”, há alguns dias desaparecido, determinou o ministro Armando Trompowski que os aviões da Força Aérea Brasileira procedessem buscas no litoral, entre Imbituba e o Rio de Janeiro.
O comandante da 4ª Zona Aérea, brigadeiro Carlos Brasil, comunicou ao titular da pasta da Aeronáutica que as buscas procedidas com aviões B-25 produziram resultados negativos”.

Vestígios do navio
Dias depois uma baleeira e dois salva-vidas do navio “Oswaldo Aranha” apareceram na Ponte de Jureia, em Iguape, na costa sul de São Paulo.
Outra das baleeiras foi encontrada boiando de bordo a 10 milhas e 67 graus da Lage da Conceição, litoral de Santos.
De número 1, essa baleeira tinha capacidade para 24 pessoas, estando com a vela enrolada debaixo de um dos brigues, demonstrando com isso que a pequena embarcação nem chegou a ser utilizada pela tripulação.
Uma da baleeiras e o salva-vidas do navio. Foto: J. Souza. Jornal A Noite R.J. 26 de abril de 1949.
Foram os únicos vestígios do “Oswaldo Aranha” encontrados.
Da causa real de seu desaparecimento, do drama que se passou a bordo e do destino dos seus tripulantes nunca se ficou sabendo, porque nenhum deles jamais foi encontrado.
No dia 12 de abril o “Baependi” recebeu ordens para o regresso, encerrando com isso suas pesquisas em busca do navio.
No dia seguinte, 13, as autoridades navais já consideravam oficialmente perdido o navio mercante “Oswaldo Aranha”.
Um navio que desapareceu nas águas sem que fosse emitido um pedido de socorro, sem que uma vida fosse salva, sem um corpo no mar ou nas praias para demonstrar o naufrágio da embarcação e para familiares chorarem e prantearem seus mortos. Um verdadeiro mistério marítimo.

Imprensa catarinense não noticiou
O desaparecimento do navio e dos 36 tripulantes do “Oswaldo Aranha” em 1º de abril de 1949, partindo do porto de Imbituba para o Rio de Janeiro transportando carvão catarinense, estranhamente não mereceu qualquer destaque na grande imprensa de nosso estado.
Em pesquisa realizada na Hemeroteca da Biblioteca Pública de Santa Catarina não encontrei uma nota sequer sobre o fato em nossos diários ou semanários da época. 
Já outros jornais do Brasil noticiaram amplamente o incidente, inclusive com elaboração de cadernos especiais.
Capa jornal Diário de Notícias RJ de 8 de abril de 1949.

Capa Jornal A Noite RJ de 13 de abril de 1949.

Jornal Correio Paulistano de 10 de abril de 1949.

Jornal de Notícias SP, 14 de abril de 1949.
Jornais de São Paulo como Jornal de Notícias e Correio Paulistano traziam diariamente reportagens; assim como os jornais Correio da Manhã, Diário de Notícias, Gazeta de Notícias e A Noite, do Rio de Janeiro.

A decisão do Tribunal Marítimo
O Anuário de Jurisprudência do Tribunal Marítimo de cinco de junho de 1951, dois anos depois dos fatos, publicou o Acórdão que levou o nº 1.782, sobre o acontecimento, conclusões e decisões.
No documento consta: “Presume-se que o desaparecimento do navio “Oswaldo Aranha” tenha sido do dia 2 para 3, no trecho compreendido entre o Farol de Bom Abrigo e Queimada Grande. 
Nesse dia um forte temporal varreu o trecho da costa por onde costumava navegar o citado navio e aconteceu ao vapor “Maria Luíza”, sob o comando do capitão Marcos Otto, nessa mesma ocasião, quando navegava de Santos para Porto Alegre, ser obrigado a arribar ao porto de Florianópolis, com o convés destroçado, não o tendo feito a Bom Abrigo, Paranaguá ou outro qualquer local, por não ser possível fazê-lo”.

Ouvidas todas as testemunhas dos portos e especialistas, observados os documentos da embarcação, manifesto de carga e o inquérito realizado, o Tribunal Marítimo, após duas sessões realizadas em 31 de maio e 5 de junho de 1951, concluiu:
“O “Oswaldo Aranha” sofreu um grave acidente, em circunstâncias excepcionais e instantâneas, não dando tempo a que fossem emitidos sinais radiotelegráficos de socorro ou noticia do que ocorria, nem tampouco permitindo que a tripulação abandonasse o navio nas baleeiras”.

Os ministros consideraram em decisão, isentar de culpa a companhia proprietária e considerar o acidente resultante de “fortuna do mar, face à robusta prova sobre o mau tempo reinante durante a viagem”.

Um dos relatores do caso defendeu que o desastre do “Oswaldo Aranha” poderia ter ocorrido de duas formas:
a)   Rompimento da estrutura do casco (alquebramento) em virtude de grande esforço longitudinal proveniente de acentuado desequilíbrio entre o peso e a força de impulsão sobre os diversos pontos do casco;
b)  Emborcamento devido ao corrimento ou deslocamento da carga (carvão) para um dos bordos.

“Uma das duas é a verdadeira, devendo a primeira ser a mais provável. A ruptura do casco deu-se exatamente quando o navio se achava levantado sobre a crista da vaga”.

A misteriosa passageira
Além dos 35 tripulantes da embarcação, uma passageira também embarcou em Imbituba, totalizando assim 36 pessoas a bordo do “Oswaldo Aranha”.
Quem era essa mulher? Parente de algum tripulante? Alguém que ganhou uma mera carona até o Rio de Janeiro?
Testemunhos da época dizem que era uma mulher distinta, bonita, trajando um longo vestido.
Quem seria essa mulher? Eis mais um dos mistérios da história do navio cargueiro “Oswaldo Aranha”.

O sonho da esposa o salvou
Reportagem de Eva Ban para o jornal A Noite, do Rio de Janeiro de 26 de abril de 1949 trouxe impressionante entrevista com João Ferreira Soares, um velho oficial da Marinha Mercante. O título da matéria: “O homem que ficou”.
No relato ficamos sabendo que estava tudo certo para Soares viajar como imediato do navio “Oswaldo Aranha” para Imbituba e de lá retornar com a carga de carvão para o Rio de Janeiro. Viagem rotineira, feita há vários anos. Ele só aguardava o telefonema da empresa convocando-o.
Ao acordar na véspera da viagem, sua esposa Dalme contou que teve um sonho, na verdade um verdadeiro pesadelo com cenas de horror:
“- Meu querido, ó meu querido, não vás! Sonhei que vi o navio afundando, tragado pelas ondas gigantescas, aos clarões de milhares de relâmpagos. Havia escuridão e trevas incríveis se agigantavam para correr atrás do vapor que fugia, espavorido, em corrida louca... Mas nada adiantou. O turbilhão de águas alcançou o barco pequenino e, ó, meu querido! Vi teu corpo rolando pelo mar...”.
Soares achava bobagem, superstições da mulher. Onde já se viu deixar de viajar, deixar de trabalhar por causa de um sonho.
A esposa insistia:
“-Não vás... Não vás... Eu te amo! Não quero que morras! Fica... e se atirou aos seus pés, implorando”.
Mas Soares parecia irredutível.
Foi quando a esposa, num último gesto, em desespero, levantou a filhinha deles e disse:
“- Queres que ela fique órfã? Queres?”.

João, comovido, desistiu da viagem.
E salvou-se.
Em seu lugar foi convocado Osmarino Lameira de Carvalho.
Ao saber do trágico ocorrido, João Ferreira Soares misturava felicidade por continuar com a vida e estar com sua família, mas, ao mesmo tempo angustiado se perguntava:
“- Fui eu que levei outro homem à morte? Será que ele morreu, sumiu em meu lugar?”.

E a repórter Eva Baun termina sua comovedora reportagem dizendo:
“Decerto no livro dos destinos, riscaram um nome, deixando outro escrito com a tinta eterna que escreve sobre vida e morte”.

Final
No rugir dos relâmpagos, na noite e águas escuras do Oceano Atlântico, sem tempo de pedir socorro pelo rádio ou embarcar nos botes salva-vidas, submergiu em segundos o navio “Oswaldo Aranha” tragado rapidamente pelas vergas e levando com ele 36 almas para a pátria do eterno.
Em algum lugar do fundo do mar do nosso litoral sul está seu resto de esqueleto carcomido pela maresia, servindo de moradia para inúmeras espécies da fauna marinha.
Lá está ainda ecoando dos seus porões um sussurro rouco, infeliz, estranho, chorando seus mortos e destino ingrato.
Não singra mais os mares levando riquezas e homens-marinheiros sonhando todos os portos.
Lá está, submerso no fundo do mar, repousando tranquilo, como num túmulo.