22 julho 2021
Semana Cultural: E a homenagem a Jerônimo Coelho?
Conforme programação divulgada
pela prefeitura da Laguna, através da Fundação Lagunense de Cultura, a Semana Cultural da Laguna começa dia 28 de julho.
Não consta no programa qualquer homenagem ao lagunense Jerônimo Coelho.
Pois foi neste dia, há exatos 190
anos, portanto em 1831, que o lagunense Jerônimo Francisco Coelho, considerado o maior estadista
do Império, lançava em Nª Sª do Desterro o primeiro jornal em nosso estado, O
Catharinense, além da criação da Maçonaria, através da Loja Concórdia.
Jerônimo Coelho foi também quem
alinhavou os termos do acordo de paz de Poncho Verde, que pôs fim a Revolução
Farroupilha.
Ele não merece neste dia 28 uma retreta por uma das bandas em frente ao busto do jornalista, que fica bem ali na Praça que leva seu nome, no Largo do Rosário?
Ou uma corbelha de flores com direito a discursos e hino da Laguna com as presenças de Veneráveis e irmãos das cinco Lojas de nossa cidade?
Não consta nenhuma homenagem na programação divulgada, como já escrevi.
Por que não haverá?
Para conferir a programação basta clicar aqui
20 julho 2021
Foto-Retrô
Década de
1970. Em um coquetel realizado, penso eu, na Biblioteca ou na Sala de Docentes do Colégio Comercial
Lagunense, reunindo um timaço de professores e diretores, além do ex-prefeito da
Laguna Juaci Ungaretti.
Sentados, da
esquerda p/direita: Juaci Ungaretti, Ari Siqueira, Luiz Francisco Wildner da
Fonseca (Lelé da Caixa Econômica) e Sérgio Martins Nacif.
Em pé: advogados
Adib Abrahão Massih, Ronaldo Pinho Carneiro e o diretor do estabelecimento Édio
Silva de Oliveira.
Desses, Luiz
Francisco, Sérgio Nacif e drs. Adib e Ronaldo foram meus mestres.
17 julho 2021
Semana Cultural: Esqueceram do fundador?
Prefeitura da
Laguna divulgou ontem, sexta-feira (16) em seu site, através da Fundação Lagunense de Cultura, a programação da 39ª
Semana Cultural.
Praticamente
será toda ela realizada no Cine Teatro Mussi, com exposições, feiras
artesanais, minidocumentários, danças, shows, coral, retreta, etc.
O que causa surpresa e estranheza na programação do dia 29, aniversário da Laguna em seus 345 anos, é a ausência matutina ou vespertina e ao ar livre, de qualquer tipo de homenagem ao nosso fundador Domingos de Brito Peixoto.
Nem uma retreta por uma das bandas aos pés do Monumento do fundador que fica bem ali defronte ao Cine Mussi? Ou uma corbelha de flores com direito a discursos e hino da Laguna?
Nada consta
sobre isso na programação divulgada. Esqueceram ou haverá?
Para conferir
a programação basta clicar aqui
15 julho 2021
Faleceu Geraldo Amboni +
Faleceu no começo da noite de hoje, em Tubarão, onde estava
internado, Geraldo Amboni (Chonga), aos 85 anos, completados neste 12 de julho.
Filho de
Erlindo Amboni e Lenir (Moreira) Netto Amboni, Geraldo tem como irmãos Antônio
Guido (in memoriam) (casado com Maria Teresa Pinho Medeiros), Raimundo José (casado com Diva
Maria Pinho Gomes) e Lenira Maria (casada com Antônio de Pádua Nicolazzi (in memoriam).
Geraldo Amboni
foi proprietário durante muitos anos do Armazém Amboni, situado na rua Gustavo
Richard, estabelecimento comercial que herdou do pai a quem desde jovem ajudava no balcão.
Aliás, o Armazém Amboni, Armazém do Antônio Amândio, Armazém 1º de Abril (Lídio Corrêa) e Armazém do Edú Barreiros, formavam o quarteto de vendas/armazéns do Centro Histórico da Laguna, décadas de 60/70.
Radioamador
desde cedo, sua grande paixão, fez muitos amigos e ajudou lagunenses no
encontro e recados entre afastados familiares e aquisição de remédios, numa era de precárias
comunicações a longas distâncias. Torcedor do Vasco, era também criador e
apreciador do canto de canários.
Deixa a esposa
Maria de Lourdes (dª Lurdete) Netto Amboni, os filhos Ricardo (in memoriam,
falecido em 26 de abril deste ano), Ronaldo e Robson, dez netos e dois
bisnetos.
Sentimentos
aos familiares e amigos.
Corpo será velado na Central de Luto Cristo Rei (ao lado Ceal) nesta sexta-feira (16) das 8 às 11 horas.
Sepultamento no Cemitério do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio dos Anjos.
13 julho 2021
Estátua pede socorro!
Um dos maiores
e mais bonitos da Laguna e também um dos mais tradicionais, o
Monumento aos Trabalhadores, situado na rótula entre os bairros Mar Grosso e Magalhães,
está precisando urgentemente de manutenção.
Entre os
problemas, o mato crescendo nas caixas das luminárias (holofotes) e as esculturas precisando de uma passada
de cêra de carnaúba. Está feio o visual. Para uma cidade que se diz turística e cultural...
Falta também
uma placa informativa com dados sobre o local, datas, nome do artista que o
concebeu, etc.
Alô, alô
Fundação Lagunense de Cultura. Alô, alô secretaria de Turismo.
08 julho 2021
Tomba e desaparece o que restou da Árvore de Anita
Com as
chuvas e o vento na semana passada, tombou de vez o que restava da centenária
Árvore de Anita, situada no Jardim Calheiros da Graça, na Praça Vidal Ramos, no
Centro Histórico da Laguna.
![]() |
| Um canteiro vazio e a placa mostrando o passado. |
Desde a
década de 1990 a árvore apresentava problemas sem que nenhuma providência fosse
tomada. Aos poucos foi secando, folhas caindo, galhos quebrando.
Em meu
jornal Tribuna Lagunense de 30 de
abril de 1999 abordei o problema e aqui mesmo neste Blog alertei sobre o fato
várias vezes.
Os links com as matérias estão ao final deste texto.
![]() |
| A centenária Árvore de Anita em seu último registro. Apenas um tronco. |
A histórica
figueira, nascida na quilha da carcaça do Barco Seival, da frota de Giuseppe
Garibaldi, foi transladada e replantada naquele local em 1921, portanto há
exatos cem anos, em cerimônia cívica que contou com um Grupo de Escoteiros e autoridades. Uma placa inaugural em prata foi afixada e depois se perdeu. Uma outra foi colocada num pedestal de granito em 1949, na gestão do prefeito Alberto Crippa.
A Árvore vira agora mera
lembrança em álbum e pastas virtuais de fotografias. Mais uma a compor o rol do “já teve”.
Espera-se que pelo menos uma muda da originária árvore seja ali plantada em
substituição à centenária figueira, com direito a discursos, novas placas e
muitas fotos para compor o book de algumas vaidosas autoridades. E que seja cuidada e preservada!
E a Árvore
de Anita tem alguns “filhotes”, como o existente em frente ao Ceal em nossa
cidade.
Há
alguns anos, nosso pesquisador e historiador Antônio Carlos Marega recolheu
algumas sementes da chamada “Árvore de Anita” e plantou-as no quintal de sua casa.
Quando
vingaram, uma das mudas da figueira foi doada pelo Marega à
professora Márcia Brígido e plantada no pátio defronte à Escola de Ensino Médio
Almirante Lamego - Ceal, numa pequena solenidade reunindo estudantes.
É a
árvore da foto acima.
Na década de 1970 outra muda foi plantada no imóvel da família do arquiteto e historiador Wolfgang Ludwig Rau, no bairro Encantada, em Garopaba. O ato foi oficializado com certidão municipal assinada pelo prefeito da Laguna, Saul Baião em 29 de março de 1971. Há um pequeno monumento no local assinalando o fato.
06 julho 2021
Faleceu Chiquinho Guedes +
Faleceu, vítima de câncer na noite desta terça-feira no Hospital Nª Sª da Conceição em Tubarão, Francisco Vargas Guedes,
aos 74 anos, morador do bairro Magalhães, filho da dona Irene e do seu Gilberto Guedes.
Chiquinho, como era mais conhecido, trabalhou muitos anos na Relojoaria
Ideal, de Luiz César Guedes, na rua Raulino Horn, no centro da Laguna, com consertos de relógios e gravações em metal. Com seu jeito simples de ser, apreciava uma pescaria, era torcedor do Vasco e tinha sempre muitas
histórias para contar, além de inúmeros amigos.
Sentimentos aos amigos e familiares, esposa Wanda e filhos Marco Antônio, Ana Elisa e Rafael e seus cinco netos.
Velório acontece na Capela Mortuária Nossa Senhora dos Navegantes, no Magalhães, a partir das 10 horas desta quarta-feira e sepultamento vai ocorrer às 11 horas no Cemitério da Cruz.
O adeus ao radialista Vânio Santos +
A cidade foi surpreendida agora pela manhã com o falecimento do radialista
Vânio Luiz dos Santos Justino, aos 64 anos.
Vítima de um AVC hemorrágico na madrugada desta terça-feira (6), Vânio ainda
ontem apresentou seus dois programas de grande sucesso pela Rádio Difusora da
Laguna, o Manhã Total e o A Noite é show.
Nascido em Siderópolis e criado desde criança na antiga Roseta (hoje
bairro Progresso) na Laguna, o filho do seu Nerino e da dª Zulma desde cedo demonstrou
o gosto pelo rádio.
Na adolescência, aos 14 anos, começou na Rádio Garibaldi se transferindo posteriormente para a Rádio Difusora convidado pelo radialista João Batista Cruz.
Aliás, atualmente os dois formavam uma dupla imbatível, com Vânio atuando
como sonoplasta (hoje chamado operador de áudio) do programa Rádio Revista do Batista nas manhãs da Difa.
Vânio trabalhou também nas rádios Marconi (Urussanga), Hulha Negra
(Criciúma) e Tubá (Tubarão).
Vânio Pop, Vânio DJ da boate New Wave. Vânio DJ da boate do Tourist Hotel. A Nini do programa Balaio de Gato.
Foi narrador esportivo, mestre de cerimônias e dublador, principalmente do
cantor Sidney Magal.
Vânio adorava os cantores e as músicas da Jovem Guarda. Seu cantor
predileto era Roberto Carlos.
Comunicativo, amigo, simples, de um coração bondoso, Vânio cativava seus
ouvintes com seu jeito alegre de ser.
Uma perda lamentável para a comunicação lagunense. Foram 50 anos de rádio.
Em 2013 foi secretário-adjunto de Comunicação na gestão do prefeito Everaldo
dos Santos.
Pai de Thaís e Marina deixa a esposa Ana, uma companheira que o deixava
feliz.
Sentimentos aos amigos e familiares.
Corpo será velado na Central de Luto Cristo Rei (ao lado Ceal) a partir das 13 horas e sepultamento ocorrerá às 16 horas de hoje, no Cemitério da Cruz.
05 julho 2021
29 junho 2021
Foto-Retrô
22 de Agosto de 1970. Confraternização (churrascada) no Morro da Glória do time de Futebol de Campo do Clube Atlético Cultural Olímpico (C.A.C.O.), pela conquista do Título Lagunense de Futebol Amador.
Da esquerda p/direita: Ataliba Lopes, (?), Nilton (genro do Rodolfo Michels), Aroldo Fretta, Luiz (goleiro), Rogério Rollin (Bolinha), do Banco do Brasil, (de jaqueta escura), Sérgio Barbosa de Castro (braços levantados), Eduardo Luiz Schiefler Lopes (Piston), Nelson Gomes Mattos, Idalino Zanetti (de bigode), Rogério Siqueira, Luiz Paulo da Fonseca Carneiro e Batista Abrahão.
Agachados: Manoel Silva, sua voz e seu violão, Cabinho (filho do Cabo Mário), Djalma Búrigo, Décio Cabral, Márcio Westphal (batendo palmas) e Volnei Fretta (deitado na frente).
Velhos tempos... Belos dias...
PS: Você conhece quem está ao lado do Ataliba Lopes, em primeiro plano, cantando?
23 junho 2021
Foto-Retrô
Laguna Esporte Clube - LEC em
1982
Numa partida em casa com o Juventus F.C. de
Jaraguá do Sul, em 7 de setembro de 1982, o goleiro Manga jogou para o L.E.C.,
que ganhou de 2 X 0, gols de Anu e Chireia. O jogador convidado havia sido Garrincha, mas por problemas de saúde não pode viajar.
Em pé: Almir Alves (Anu), Roxo, Nem
Chede, Manga, Jackson Calazans e Itamir.
Agachados: Chico, Nortinho Luchina,
Chireia, Beto Laguna, Ferrugem e Serginho Iru.
Bons tempos.
17 junho 2021
Foto-Retrô
TEP – Turma da Esquina do Paulista
O time de
futebol TEP -Turma da Esquina do Paulista, fez história no futebol de campo amador da
Laguna na década de 1970.
Formado por jovens
que se reuniam na esquina da rua Custódio Bessa com a avenida João Pessoa, no
Magalhães, onde existia um armazém/bar do "seu" Paulista, como era conhecido.
A turma ali se
agrupava para conversar, tocar violão, cantar e paquerar as alunas do Colégio Stella Maris, quando das saídas das aulas.
Mizinho Cidade
de Souza e Décio Cabral juntos com outros amigos resolveram formar um time.
Muitos bailes no
Clube 3 de Maio foram promovidos pelo TEP para aquisição de materiais esportivos,
como calções, camisetas e chuteiras.
Foram campeões
de vários Torneios, principalmente os realizados no campinho do Magalhães,
Praça Polidoro Santiago.
Na primeira foto, uma das formações do TEP:
Ageu, Marinho Cabral,
Nilson Algarves (goleiro), Randal, Décio Cabral, Mizinho Cidade de Souza, Paulista
(dono do armazém/bar) e Caíco.
Agachados:
Sérgio, Edmundo Ungaretti Branco, Hamilton de Bem (Abelha), Hélio, Ricardo Ribeiro e Tião.
Neste segundo
registro:
Nilton,
Marinho Cabral, Mizinho Cidade de Souza, Nilson Algarves, Décio Cabral, Mi, Randal,
Odilon e Bada.
Agachados:
Caíco, Hélio, Joãozinho Matos, Márcio Carneiro, Hamilton de Bem (Abelha), Cláudio e Ricardo Ribeiro.
Fotos/acervo:
Mizinho Cidade de Souza.
PS: Observe a torre da nova igreja Nª Sª dos Navegantes ainda sendo construída.
15 junho 2021
Faleceu Gelson Luiz de Souza +
Faleceu nesta
terça-feira (15/06), em Tubarão, o advogado Gelson Luiz de Souza, aos 59 anos.
Na semana passada Gelson havia passado por intervenção cirúrgica no estômago e recuperava-se em sua residência no Mar Grosso. Teve complicações, foi internado novamente e não resistiu.
Filho de
Nelson (Dedinho) João de Souza e Selma, Gelson foi funcionário do Fórum de nossa cidade e Procurador-Geral do município da
Laguna entre os anos de 2005 a 2012.
Em 2012 foi nomeado chefe do Núcleo de Operação e Manutenção do Porto da Laguna. Atualmente ocupava o cargo de Assessor
Jurídico da Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama).
Seu pai, Nelson João de Souza, faleceu em 13 de setembro de 2020.
Prefeitura
decretou três dias de luto em todo o Paço Municipal.
Corpo será
velado na Capela Mortuária Nª Sª Auxiliadora no bairro Progresso a partir das 8
horas desta quarta-feira (16) e sepultamento ocorrerá às 11 horas no Cemitério
da Cruz.
Sentimentos aos familiares e amigos, em especial a sua mãe Selma, aos irmãos Ronaldo Luiz, Nelson Magno, Paulo Roberto, Magda Regina e Sayonara, e a esposa Rosane Silva, filhos e netos.
Foto-Retrô
Esperança Futebol Clube (Morro)
14 junho 2021
O adeus ao músico Ricardo Fiúza Brandl
Sepultado em
nossa cidade neste domingo (13/06), o músico Ricardo Fiúza Brandl, aos 85 anos.
Ricardo é
filho de Ignácio Otto Brandl e Jacyra Fiúza Brandl.
Durante muitos
anos foi integrante do Conjunto Jazz Lagunense e Conjunto Melódico Ravena. Neste último foi um dos fundadores
em 1957, juntamente com Álvaro Alano, Hélio Dias e Newton Careca.
O Conjunto
animou memoráveis bailes por Laguna e todo o sul do estado, inclusive com
apresentações em programas de televisão.
Ricardo foi também representante (fiscal) em nossa cidade do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD) e funcionário do Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina S.A. (Inco).
A Sociedade
Musical Carlos Gomes fez uma homenagem ao músico, defronte à Funerária Santo
Antônio dos Anjos, onde seu corpo foi velado.
Sentimentos
aos familiares e amigos.
***
A título de informação, o Hino do Coral Santo Antônio dos Anjos é de autoria de Archimedes de Castro Faria (Letra) e música do maestro Acácio Santana.
04 junho 2021
O menino perdido no Mar Grosso
Quando a história a seguir aconteceu, a Praia do Mar Grosso na Laguna não era, evidentemente, o que é hoje. Era ainda chamada de Arrabalde do Mar Grosso.
Enormes dunas
de areia compunham o cenário e se espalhavam com sua vegetação rasteira
por toda aquela extensão.
Casas somente algumas situadas nas encostas do morro perto das pedras do Iró. E era
só.
![]() |
| O Mar Grosso na década de 1920. No canto do morro, nas proximidades das pedras do Iró, as poucas casas de veraneio das famílias abastadas da Laguna. |
Além disso,
existiam pequenas lagoas, principalmente nas proximidades das encostas do morro pelo
lado sul, já quase no Magalhães.
Numa delas, de
maior porte, em suas águas escuras e
profundas habitavam jacarés de papo amarelo, de vários tamanhos. Bem por isso o
local foi conhecido popularmente como Lagoa Preta. Hoje a região é denominada
Bairro Navegantes.
Era usual
naquela época o fogão a lenha com o combustível sendo adquirido em feixes nas
canoas que aportavam nas Docas ao lado do Mercado Público, no centro da cidade.
Os menos
afortunados retiravam dos morros que circundam a cidade a sua lenha, através do
recolhimento de galhos secos caídos e do corte proibitivo de árvores, sem nenhuma
preocupação com preservação ambiental.
A esperança nas cinzas das horas
Dona Maria Mercedes
era mulher humilde, trabalhadora. Lavava roupas para fora nas águas da fonte da
Toca da Camila, no Magalhães, arrabalde onde morava.
Em algumas tardes
percorria as trilhas das matas em busca do combustível oriundo da natureza
para fazer o fogo e preparar a comida para sua família.
O marido Antônio
era pescador, sempre envolto com redes, barcos, viagens e histórias do mar.
Neste dia, por exemplo, estava pescando, embarcado lá pras bandas do Farol de Santa Marta.
Retornaria no dia seguinte.
Dª Maria
Mercedes tinha como único filho o José, menino de seis anos, seu maior tesouro. Complicações no parto a impediram de novos rebentos.
Mas Maria
precisava trabalhar para completar a renda da família. A pescaria do Antônio era incerta. Às vezes rendia e em outras ocasiões não dava nem pra comida do dia-a-dia.
Certa tarde, como vez ou outra fazia, deixou seu filho aos cuidados de uma vizinha e subiu o morro em busca de lenha.
Ia cantando velhas canções, sem reclamar da vida e pensando: Fazer o quê? Importante é ter saúde para trabalhar e seguir em frente. Se Deus Nosso Senhor Jesus Cristo quiser um dia tudo isso melhora.
- E ele há de querer! Exclamava.
As horas passaram
rápido, nem se apercebeu. Concentrada no afazer, demorava-se.
O desaparecimento
Fugindo aos
olhos não tão atentos da vizinha, envolvida nos trabalhos da casa, o franzino Zezinho,
como era chamado, decidiu ir ao encontro da mãe. Devia estar por perto, pensou.
Pensou coisas de criança. Foi.
Saiu
caminhando por uma trilha rente ao morro. Sempre chamando pela mãe, entrou numa
vereda, outra vereda, mas eram tantos os caminhos... Confundiu-se. Subiu e
desceu cômoros. Já ia longe do ponto de partida a criança.
O sol já se
punha no fim de tarde quando Maria Mercedes retornou. Trazia às costas, nos ombros, um grande
feixe com o produto recolhido.
Na cerca da
vizinha chamou:
Zezinho? Onde tu
estás Zezinho? Vem... Joséé...
Não obteve resposta. A vizinha cuidadora não sabia explicar. Ele estava ali, no quintal
agora há pouco, brincando com umas pedrinhas, imitando bichos.
A mãe se desespera. Sai pela
vizinhança perguntando:
- Viram o meu
filho Zezinho por aí? O Zezinho está aí? Cadê o Zezinho, meu Deus?
Ninguém tinha
visto. Anoitece. Os homens ficam condoídos da situação da pobre mãe angustiada que
chorava sem parar. Montam turmas e com lampiões nas mãos saem a procurar.
Dividem-se. Um
grupo vai em direção ao Molhe Norte que está sendo construído com pedras
retiradas à Pedreira da Lagoa Preta. Este pessoal vai seguir depois pela praia;
outra turma margeia a encosta do morro; e um terceiro grupo segue pelas
trilhas, circundando a grande e profunda Lagoa com seus animais de olhares
noturnos, jacarés de bocas grandes, famintos. Deus-me-livre!
Ficam de se
encontrar no caminho que vai pelo morro. Uma turma ao chegar espera a outra.
Dali em diante é a pequena Praia do Iró e em sua continuação a extensa e
solitária Praia do Gi, o menino não poderia ter ido tão longe, todos concordam.
Passam distantes
de uma conhecida pedra na encosta do morro da Lagoa Preta, onde o povo contava, diz o historiador Saul Ulysséa em seu livro "Laguna de 1880", que
existia um defunto seco que aparecia à noite. Caminham murmurando:
Por Laguna!
Por São Jesus!
Passo aqui
Sem levar cruz!
Lendas e mistérios de uma cidade.
Verdade? Mentira? Pelo sim, pelo não, muitas pessoas evitavam caminhar por
ali no período noturno.
Apressaram os passos.
- Zezinho? Zééééée???
O estranho hóspede
João Guimarães
Cabral era um homem abastado. Rico comerciante em nossa cidade,
sócio-proprietário da firma Cabral & Irmão. Mais tarde será prefeito da
Laguna, no final da década de 1920.
Mas ainda
estamos em 20 de novembro de 1913, quando se passa a nossa história.
Com os
primeiros calores do verão era usual que algumas famílias que possuíam casas na
– então chamada - praia de banhos do Mar Grosso, para lá se dirigissem.
Passavam dias,
às vezes uma temporada toda. Era uma viagem em carroças levando toda a família,
empregados e mantimentos, atravessando o morro pela rua Voluntário Benevides, a
antiga rua dos Andradas, como algumas pessoas ainda a denominavam, certamente
saudosas da Monarquia.
Para passar a
temporada do lado de lá se despediam de vizinhos aqui no centro. Era como se
fossem para outra cidade.
Eram poucas
casas no Mar Grosso, maioria situada na encosta do Morro em direção à Praia do
Iró.
Ali o juiz de
Direito da Comarca Manoel Fonseca Galvão tinha casa, assim como o administrador
da Mesa de Rendas Francisco Maria da Silva, o comendador João de Sousa
Guimarães, entre outros poucos.
Mais para
perto do caminho do morro possuía também sua casa, João Guimarães Cabral.
Era por volta
das 8 da noite e o casal Cabral tinha ido ao entardecer visitar nas imediações outro
morador, o sr. Júlio Régis. Visita rápida. Uma criada de confiança ficou tomando conta de suas filhinhas.
No período da curta
ausência do casal apareceu uma criança, um menino pedindo para passar a
noite.
A criada com
as crianças a recebeu. Ela disse chamar-se José, Zezinho, como sua mãe a chamava.
Entrou e ficou encolhido, acocorado num canto da sala.
Quando o casal
Cabral chegou soube do ocorrido e do hóspede. Indagaram pelos fatos. O menino narrou
que saiu em busca de sua mãe que se chamava Maria e que tinha se perdido no
caminho. Morava no Magalhães. Pensou em pedir ajuda na primeira casa que
encontrou, já era noite.
Narrava calmo
o acontecido.
Deram-lhe
comida, prepararam uma cama e minutos depois José dormia sossegadamente.
Já o casal
estava preocupado e se indagava como uma criança se perdeu àquela hora da
noite, estava tão calma, não chorava ou chamava por sua mãe e ninguém a tinha procurado.
Dormiram
tarde, já pensando nas providências a tomar no dia seguinte.
Já passava da
meia-noite quando ouviram vozes e alguém chamando ao longe:
- José? José?
Zezinho?
Abriram a
porta e deram com um grupo de uns vinte homens, tendo à frente Luiz Costa,
morador do Magalhães, conhecido de vista de Guimarães Cabral.
Este que
parecia ser o líder deles explicou que estavam procurando uma criança que havia
se perdido de sua mãe que estava desesperada, chorando muito.
- Sim, sim o
menino está aqui, são e salvo, respondeu o dono da casa.
Foi um alívio.
- Graças a
Deus! exclamaram todos ao mesmo tempo.
Acordaram o
menino que foi levado no colo, numa viagem de volta até onde morava.
Imaginem a
felicidade da mãe, ao recebê-lo são e salvo, em sua humilde casa no Magalhães.
No dia
seguinte a história foi contada em detalhes nos estabelecimentos comerciais, nos
armazéns, barbearias, boticas e casas de moradia de nossa cidade.
O sucedido
mereceu até registro no jornal O
Albor de 23 de novembro de 1913.
Na primeira missa dali a alguns dias realizada com a inauguração da pequena Capela de Nª Sª dos Navegantes, no Magalhães, em 25 de dezembro de 1913, a história do menino perdido e encontrado foi citado pelo padre que pediu orações e agradeceu a Deus.
Dona Mercedes com o marido Antônio e o filho Zezinho estavam presentes para agradecer, com muita fé.
Muitos demonstraram
admiração pelo modo de agir da criança, sempre calma, completamente sozinha
pela praia, à noite, mas tendo o discernimento de pedir ajuda. E como pode ter caminhado tanto!
Um anjo da
guarda com certeza a protegeu e a guiou, diziam os mais fervorosos.
E durante
muitos anos na Laguna se contou às crianças antes de fazê-las dormir, a
história do menino perdido do Mar Grosso. Até que gerações se sucederam e
desapareceram todos os personagens desse acontecimento, transformando-se em poeira
dos tempos.
Mas ficou o
registro numa pequena nota perdida no rodapé de um velho jornal empoeirado e do
qual resgatamos a história para os nossos leitores, com os nomes reais dos personagens, acrescida por algumas licenças poéticas
deste autor.
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