13 junho 2022

Festeiros de Santo Antônio dos Anjos 2023 - Nominata



Nossas centenárias Bandas Musicais

     Na Festa de Santo Antônio dos Anjos da Laguna 2022 a participação tradicional das nossas centenárias Sociedades Musicais União dos Artistas (maestro Gesiel Fernandes) e Carlos Gomes (maestro Deroci de Oliveira).
Banda União dos Artistas com o maestro Gesiel Fernandes à frente.

Banda Carlos Gomes com o maestro Deroci de Oliveira à frente.


Santo Antônio rogai por nós

 
Hoje é dia de Santo Antônio. Homenagem das mais justas a um dos Santos mais populares da Igreja Católica.
Foi através de seus ensinamentos, seus milagres, sua obediência e sua pobreza que tornou-se o mais bendito entre tantos.
Os lagunenses sentem-se orgulhosos de seu Padroeiro. Bem-vindo Santo Antônio dos Anjos e faça com que nossa cidade seja mais humana.
Que dela sejam afastadas as doenças, as mentiras, os desamores, as desarmonias, as calúnias, as invejas e os politiqueiros.
E que ilumine o caminho dos verdadeiros políticos para que se tornem dignos representantes do povo.
E o dia amanheceu com um arco-íris embelezando o céu da Laguna.
Que o franciscano Antônio e as sete cores da criação faça a nossa cidade mais feliz.
Viva Santo Antônio dos Anjos!!!

11 junho 2022

6ª Semana Nacional de Arquivos foi sucesso

Na última quinta-feira (9) aconteceu em nossa cidade a 6ª Semana Nacional de Arquivos, organizada pela Fundação Lagunense de Cultura.

Participantes. Fotos: PML/Divulgação
O evento, que foi o maior sucesso e que atraiu um bom público, constou de Oficina de higienização e conservação de documentos, visita técnica sobre a edificação e acervo da Casa Candemil.
Além de palestra ministrada por Alzemir Machado com o tema "A Hemeroteca Digital Catarinense e sua importância na guarda, preservação e democratização do acesso à memória bibliográfica de Santa Catarina". 
Alzemir Machado em sua palestra.
Alzemir é Mestre em Educação e Cultura e Coordenador Técnico da Hemeroteca Digital Catarinense, aliás, um apaixonado por tudo que diz respeito aos jornais catarinenses, sempre em busca de exemplares de antigos periódicos para enriquecer o acervo da Hemeroteca. Conhece muito.
Parabéns aos participantes e organizadores.


30 maio 2022

Encontro de Bandas em junho na Laguna

No próximo dia 5 de junho (domingo) acontece em nossa cidade o 1º Encontro de Bandas de Concerto que reunirá cerca de 400 participantes.
Banda União dos Artistas - Maestro Gesiel Fernandes

Banda Carlos Gomes - Maestro Deroci de Oliveira
 A iniciativa do evento partiu das Bandas União dos Artistas e Carlos Gomes, através de seus atuantes presidentes Giovani Sebastião Cardoso e Bianca Silva de Oliveira Vieira, respectivamente.
Nesse dia, além das duas centenárias bandas lagunenses, estão confirmadas a participação da Banda Lira de Tubarão, Banda Amor e Arte de Florianópolis, Banda Unidos de Imaruí, Banda Cruzeiro do Sul e da Banda SATC, as duas últimas de Criciúma.
O 1º Encontro de Bandas de Músicas de Concerto iniciará com um desfile às 9 horas partindo do Cine Teatro Mussi. Em seguida as apresentações das bandas ocorrerão no palco externo da 345º Festa de Santo Antônio dos Anjos, a partir das 10h30.
No período da tarde, as bandas continuarão com suas apresentações e às 17h30, juntas, farão um desfile ao redor do Jardim Calheiros da Graça, na Praça Vidal Ramos.
Prestigie.

17 maio 2022

Relógio da Matriz: 87 anos marcando as cinzas das horas

 A partir de março de 1935 uma novidade agitou Laguna, que passou a contar com um relógio público a marcar as horas de seu dia a dia. O aparelho foi instalado nos altos da igreja matriz, entre as duas torres. Dali em diante os afazeres, eventos, refeições e compromisso dos lagunenses serão por ele regulados em suas marcações das cinzas das horas. Portanto, o relógio completou neste 2022, seus 87 anos.

O relógio da Matriz em seus 87 anos de existência marcando as cinzas das horas.

Tudo começou em 1909, quando os lagunenses Saul Ulysséa e Luiz Néry Pacheco dos Reis constituíram uma comissão para este fim: aquisição de um grande relógio público.
O jornal O Albor de 26 de setembro daquele ano registrou o fato, ressaltando:
“Aí está uma iniciativa útil e que merece o apoio da população. Útil por vir satisfazer a uma falta há muito sentida em nosso meio social”.

O tradicional semanário do jornalista Antônio Bessa se regozijava com a novidade e explicava as deficiências e problemas que o relógio iria suprir e resolver:

“Não há nesta cidade relógio público, de sorte que não raro em rodas familiares, num círculo de pessoas, consultarem-se os relógios e cada um marcar sua hora. Às vezes entre dez não se encontram dois de acordo. Compreende-se claramente os inconvenientes oriundos deste desacordo; por isto, uma sessão, qualquer ato público nunca se efetuam à hora designada”.

A primeira contribuição financeira  partiu de Francisca Ulysséa, eleita naquele ano juíza (leia-se festeira) da Festa de Santo Antônio dos Anjos. Ela doou a quantia de 100$000 (cem mil réis) para a aquisição.

Campanha entrou pelos anos
Mas a campanha para aquisição do relógio entrou pelos anos. Serão quase três décadas até o projeto se concretizar. Membros da comissão formada para angariar recursos serão substituídos por causa de falecimentos e/ou mudanças de domicílios. Mas Saul Ulysséa, comerciante, historiador, escritor e autor da ideia continuará firme em seu propósito.
Relação de doadores e seus respectivos valores serão publicados periodicamente no jornal O Albor.
A igreja Matriz em cartão-postal de 1910, ainda sem o relógio entre as duas torres.
Em reunião da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio, realizada em 1929, um dos seus membros, Antônio Pedro da Silva Medeiros encampou a ideia de Ulysséa e auxiliado por Agostinho Faísca, então Provedor, montaram uma nova comissão para esse fim. Era formada por Saul Ulysséa, João Guimarães Cabral, Apolônio Remor, Padre Ignácio Ort e o próprio Medeiros. Tempos depois o padre Ort foi substituído em nossa paróquia pelo vigário Bernardo Philippi.
Era uma nova tentativa, inclusive para aproveitar os recursos já angariados e depositados no Banco do Commércio (então já denominado de  Banco Nacional do Commércio) que totalizavam 627$000 (seiscentos e vinte e sete mil réis).
Seis anos depois a quantia arrecadada chegava a 7:242$000 (sete contos e duzentos e quarenta e dois mil réis).
Adquirido o relógio da empresa Bruno Schwertner, da cidade de Estrela (RS), ele chegou à nossa cidade em fevereiro de 1935 e em 10 de março de 1935 foi inaugurado.

Dados técnicos
“O relógio é provido de corda para a marcha 10 e para as batidas 8 dias, com batidas auto-ajuste, batendo os 1, 2, 3 e 4/4 em dois sinos e as horas completas em um só sino; rodas tambor com 250mm de diâmetro, escapamento âncora Graham com impulso constante por meio de engrenagens diferenciais Sistema Planetar e haste pêndula de madeira.
O maquinário do relógio. Foto: Thiago Santiago.
2 mostradores adaptadores ao relógio internamente, sendo um para a marcação dos segundos e o outro para os minutos e as horas, funcionando em combinação com os ponteiros externos, exclusivamente para o controle destes, rolos para a derivação, rolos para os pesos, todos de rolamento de esferas; 3 mecanismos para acionar os martelos das batidas. 
1 mostrador externo de 150cm de diâmetro, 1 eixo para acionar os ponteiros com sua respectiva transmissão, cabos de aço, ponteiros e todos os seus pertences, porém sem fornecimento dos competentes pesos, que foram feitos de cimento armado, no lugar da instalação.
O pequeno mostrador controle, colocado pela parte de dentro, está provido dum foco elétrico, que será posto na cruz da torre da igreja e que acenderá para anunciar a hora oficial uma vez por noite.
Esse foco acenderá sete minutos antes e apagar-se-á na hora em ponto, que será às 9, no verão, e às 8, no inverno”.

A inauguração
No dia 10 de março de 1935, um domingo, após a missa das 9:00h, o relógio finalmente foi inaugurado.
Além do padre Bernardo Philippi, eram membros da comissão quando da inauguração, os comerciantes Antônio Pedro da Silva Medeiros, Apolônio Remor, João Guimarães Cabral (que havia sido prefeito de nossa cidade na década de 1920) e Saul Ulysséa.
Foto tomada no dia da inauguração do relógio da Matriz, 10 de março de 1935, com os membros da comissão responsável por angariar fundos para sua aquisição:
Da esquerda p/direita em cima do degrau: Antônio Pedro da Silva Medeiros, Apolônio Remor e padre Bernardo Philipi.
Os dois na frente são João Guimarães Cabral e Ruben Ulysséa, esse representando seu pai, Saul Ulysséa que encontrava-se em viagem.  Arquivo do autor.
Além dos membros da comissão estavam presentes os seguintes paraninfos do relógio (sim, sim o relógio teve padrinhos):
Antônio Batista da Silva, Arthur da Silva Teixeira, Octávio Lebarbenchon, Rodolfo Weickert, João Nunes Netto, João Mussi, Leandro Crippa, Olypio Motta, Plínio Braziliense, dr. Paulo Carneiro, Humberto Zanella, Romeu Machado, Luiz Severino Duarte, Francisco Martins Fonseca, João Thomaz de Souza, Paulo Cali, o prefeito da Laguna Giocondo Tasso, Leonardo Petrelli, Mário Mattos, dr. Sílvio Ferraro, Eduardo Silva, dr. Claribalte Galvão e Dolvino Felipe Martins, todos eles acompanhados de suas respectivas esposas.
E Salvato Pinho e Maria Otília Pinho Carneiro, João Rodrigues Moreira e sua filha Maria Moreira Carpes, Tancredo Pinto, Thomázia Carneiro Vianna e Lincoln Magalhães, além de enorme público e muitos fiéis católicos que haviam participado da missa.

O prefeito Giocondo Tasso puxou a fita que fazia descer a cortina que cobria o mostrador do relógio já afixado lá em cima, entre as duas torres levantadas por Marcos Gazola, o mesmo que já havia construído o chafariz do Jardim Calheiros da Graça inaugurado em 1915. Em seguida Tasso fez o mecanismo funcionar pontualmente às 10 horas.
O vigário padre Bernardo Philippi celebrou o benzimento do relógio e logo a seguir fez uso da palavra o orador do evento, médico lagunense Antônio Mussi.
Durante a solenidade tocaram as Bandas Musicais União dos Artistas e Carlos Gomes.
O sino que marcou a hora inaugural, situado na torre norte, foi colocado e batizado muitos anos antes, em 13 de junho de 1903 pelo padre Manoel João Luiz da Silva. A peça em bronze foi doada pelos lagunenses d. Quinota Fernandes Cabral e Manoel José Dias Pinho.

Ainda ficou uma dívida de 3:719$000 (Três contos e setecentos dezenove mil réis) a ser liquidada com a empresa.
Para ajudar a saldá-la o prefeito Giocondo Tasso no ato da inauguração entregou à Comissão 1:$000 (Um conto de réis) em nome da prefeitura da Laguna.
Algumas semanas depois, em 31 de março daquele mesmo ano, a Comissão publicou no jornal O Albor a respectiva prestação final de contas num total de 9:952$300 (Nove contos, novecentos e cinquenta e dois mil e trezentos réis).
Numa rápida conversão aproximada, com cada conto transformado em atuais R$ 123.000,00 (Cento e vinte e três mil reais) o valor total hoje do relógio ultrapassaria 1 milhão de reais. Uma fortuna! Não me admira que por isso a arrecadação tenha levado décadas.
A Prestação de Contas final.
O relógio está parado
O relógio da Matriz atualmente, e à véspera de mais uma Festa de Santo Antônio dos Anjos, não está funcionando. Seus ponteiros não marcam mais as horas, os quartos de hora. Estão em estáticos dez e vinte. O som dos sinos situados na torre Norte não repica, não badala mais as horas e não mais ecoa pelos velhos casarios e ruas estreitas da cidade. 
Quem sabe seja em vã tentativa de fixar uma época, de parar um tempo que não volta. Não volta nunca mais...

PS: Depois da matéria e do registro do mecanismo parado, o relógio voltou a funcionar.

Curiosidades

·        Com o passar dos anos o foco de luz instalado na cruz da torre foi retirado e o mostrador do relógio passou a ser iluminado internamente no período noturno;

. Assim também vários mecanismos do aparelho foram substituídos por mais modernos. Diversas peças não mais possuíam condições de conserto. Desgastadas pelo tempo e uso não mais podiam ser recuperadas;

· Durante muitos anos Adelino Waterkemper, membro da Irmandade, foi quem deu assistência técnica gratuita quando do mau funcionamento do relógio;

·  O número 4 no mostrador do relógio da matriz é assinalado pelos algarismos romanos IIII e não IV como é usual.

O detalhe curioso: o número 4 no mostrador assinalado pelos
algarismos romanos IIII e não IV como é usual.


28 abril 2022

Divagando numa tarde chuvosa sobre o passado X presente

 Quando a realidade não está agradável, o presente não está muito bom no país, no estado, em nossa cidade, em nossas vidas, e as decepções são muitas e esperanças poucas, costumamos mergulhar no passado.

Vamos buscar momentos felizes, de fatos idos que nos trouxeram alegrias, relembrando nomes que nos fizeram bem em algum período de nossas trajetórias.
A idade também contribui muito para isso. Mas, por outro lado, há tanta gente tão nova por aí e saudosa... como explicar?

 Saudosismo é auto-defesa?
Dizem alguns especialistas no assunto, que esse saudosismo seria uma espécie de autodefesa do organismo psíquico, uma chave liga-desliga (hoje fala-se power) momentânea, como uma espécie de retorno ao passado que nos repõe as energias, nos distancia de alguns odores putrefatos de "tenebrosas transações" políticas do presente, para continuarmos nossas tarefas atuais. Enfim, continuar respirando. E vivendo.

      A memória seleciona e idealiza
Mas o passado é para ir e voltar. Há os que insistem em ficar por lá, se perdem e aí o perigo é passar a viver fora da realidade. Já cantava Belchior: "o passado é uma roupa que não nos serve mais".
Osvaldo Rodrigues Cabral, nosso historiador, costumava dizer que “O passado é um bom lugar para se visitar, mas ninguém quer morar lá”.

Existe uma frase, que gosto muito, do personagem Pedro, no livro Aos meus amigos, de Maria Adelaide Amaral, que depois virou série na  Globo, lembra? Ela, a frase, diz:
“Não sei se a gente tem saudade daquilo que realmente viveu, ou daquilo que pensou ter vivido, ou daquilo que desejou viver. A memória seleciona e idealiza”.

E não é bem isso? Quantas pessoas, fatos vividos, relacionamentos, experiências, lugares morados e visitados, passados os anos, na distância que tudo ameniza, tornamos hoje melhores, muito melhores do que realmente o foram?
Será que aquele namorado ou namorada, marido, esposa, amigo, amiga, foi tudo de bom realmente? Ou éramos nós que nos contentávamos com o pouco? Será que na maioria das vezes não idealizamos? E nós? Será que fomos tudo isso mesmo?

Às vezes resta o bagaço. De ambas as partes
Se pensarmos bem e melhor, se extrairmos a essência, o que sobra? O que pode ser aproveitado? Às vezes fica somente o bagaço, não é mesmo? De ambas ou de todas as partes.
Tenho também dúvidas naquelas expressões que a gente tanto ouve por aí, nas conversas que afirmam que “antes era melhor”; “no meu tempo era diferente”; “a gente aproveitava mais”; "as festas eram melhores", “o pessoal era mais humano”; “havia verdadeiras amizades”.
É de se perguntar: era melhor mesmo? Diferente? Aproveitava-se mais? Eram melhores? Eram mais humanos? Eram verdadeiras as amizades? Será?

E há ainda – e aí penso ser uma espécie de masoquismo, só pode! – os que idealizam a miséria em que viviam. Verdadeiras Amélias a dizerem: “A gente não tinha nada, passava fome, mas era feliz”. Como feliz? Feliz? Uma ova! Duvido. 
Quer voltar, quer?

E dizer que "mesmo a tristeza da gente era mais bela", como cantava o poeta, só fica bonito mesmo em poesia, não é verdade?

Diz aí leitor, quer retornar a dormir com vários irmãos num quarto apertado? A não ter um lanche? A reaproveitar a roupa do mais velho? A andar remendado? A ter somente uma roupa e um par de sapatos novos pra missa? Não ter uma moeda para a matinê de domingo no Cine Mussi? Ou para comer uma pipoca? Um chocolate ou um sorvete na Miscelânea? Comprar um gibi? Um pacote de figurinhas da Copa?

      Quer voltar quer?
Quer voltar a sonhar o ano inteiro com uma bola? A andar descalço ou com um chinelo velho por não poder comprar um tênis? Que seja um mísero Kixute? Uma calça? Uma bicicleta? Uma boneca? Sonhar com um aparelho de TV? Um telefone? Um relógio? A comer galinha só no fim de semana. E dizia a voz popular que pobre só via galinha quando um dos dois estava doente. Churrasco era uma miragem, bicicleta ou automóvel uma utopia. E não faz tanto tempo assim, trinta, quarenta, cinquenta anos.
Quer voltar, quer? Verdade? Duvido.

Diz aí minha senhora, mas diz sinceramente, quer voltar a lavar toda a roupa da filharada no tanque e passar com ferro à brasa? Cozinhar em fogão à lenha, soprando pra acender as chamas em meio à fuligem? Quer viver grávida dez anos em vinte? Uma escadinha de filhos, sem o devido resguardo? 
Tenho é pena das nossas mães e avós. Coitadas!
Quer voltar? Quer mesmo? Fala sério?

04 abril 2022

Miguelito: o craque de bola que o tempo não esqueceu

 
Ele é lembrado no meio futebolístico da Laguna quando a conversa é sobre craques de futebol do passado.
Fez sua história nos campinhos de várzea ao lendário Barriga Verde F.C.
Do Hercílio Luz ao Esporte Clube Ferroviário.
E na Bolívia, onde jogou nos Clubes Aurora, Oriente Petrolero e Jorge Wilstermann, disputando jogos na Libertadores.
Um craque do futebol que o tempo não esqueceu.
 
Santelino Bonifácio Vieira assim está registrado em sua certidão de nascimento. Mas quem o procurar por este nome dificilmente o encontrará. Já Miguel... Miguelito é como ficou conhecido.
Miguelito com a camisa do Barriga Verde F.C. em 1967.

     Ele explica: “Quando criança eu ouvia no rádio as músicas do cantor mexicano Miguel Aceves Mejias. Vivia pela rua cantando os seus sucessos. Aí meus amigos de longe já sabiam quando eu vinha chegando:
   – Lá vem o Miguel cantando... Lá no México é o Miguel, aqui no Brasil, em Laguna é o Miguelito. Aí o nome pegou e ficou. No fim todos me conheciam assim, até gente da minha família, o meu pai mesmo me chamava assim”.

Bem. O Miguel mexicano brilhou na música e no cinema. O nosso daqui, prata da casa, vai brilhar no futebol.
Então vamos lá, porque a história só está começando.

Primeiros anos
Miguelito Bonifácio Vieira nasceu em São Tomaz, então distrito de Imaruí, em 4 de novembro de 1947, filho de Adílio Bonifácio Vieira e Maria Josina Vieira, a d. Cotinha.
Quando tinha quatro anos sua família veio morar na Laguna e ele foi matriculado na idade escolar no curso primário da Escola Básica Jerônimo Coelho.
Logo cedo começou a trabalhar. Primeiro como auxiliar/ajudante da família do seu Augusto Westphal. Depois no armazém do seu Lilico Machado, no Mercado Público.
Nos intervalos e fins de semana jogava num campinho improvisado que existia ali na Paixão, defronte ao Restaurante Peralta. Ouvia muito os jogos do Rio de Janeiro pela Rádio Globo, principalmente o Flamengo. Bem por isso virou flamenguista roxo. 
Depois o Wilfredo Silva que trabalhava e era locutor da Rádio Difusora montou um time chamado Banguzinho e Miguelito jogou numa posição que o consagraria no futuro: o de meia-esquerda.

No Barriga Verde F.C.
Depois, já aos 14 anos, em 1961, foi treinar no lendário Barriga Verde F.C. Logo a seguir passou a titular. Ele lembra:
“Foi um tempo muito bom, jogava Eraldo, Beto Pacheco, Juarez Fortes, Cacaio Pinho, Dido, Dalmo, Nereu, Odilon (que faleceu há poucos dias), Bel e tantos outros.”
Ressalta uma partida muito disputada entre Barriga Verde X Ferroviário, de Tubarão, onde o placar foi de 1 X 1, gol dele pelo Periquito. “Acho que o saudoso Bujú (José Carlos Natividade) foi quem fez o gol de empate pelo Ferrinho”.
Time do Barriga Verde em 1967. Em pé da esquerda p/direita: Tonico, Beto Pacheco, Ná Barzan, Rui, Dalmo Faísca e Cid Siqueira. Agachados: Juarez Fortes, Nereu, Eraldo, Miguelito e Dido. Foto: Bacha.
Certa vez, com o Barriga Verde de folga, a convite de amigos foi jogar pela Portuguesa do Magalhães numa partida em Torres (RS). “Aí um empresário viu o meu jogo, gostou e me convidou para o Comerciário, de Tubarão, onde jogava Valdomiro, Chiquinho, Parobé... fiquei uns seis meses e retornei para Laguna”.
Aqui continuou jogando futebol nos times da TEP (Turma da Esquina do Paulista), do Magalhães, Areal F.C. e pelo Veteranos do Flamengo.
Turma da Esquina do Paulista (TEP), do Magalhães. Em pé da esquerda p/direita: Orlei Pacheco, Décio Cabral, Lindomar (Nenem), Mizinho Cidade de Souza, Rui e Edésio Joaquim. Agachados: Valdemir (Mi), Juarez, Miguelito, Márcio Carneiro, Toninho Izidro e Mário José Barbosa.

Areal F.C. De pé da esquerda p/direita: Waldo, Mimo, Lilo, Milton, Zazá, Aírton, Silvinho Silveira e Lelo. Agachados: Djalma, Vavá, Zé Carlos, Miguelito e Paulo Sérgio.
No Ferroviário
O radialista Wilfredo Silva (olha ele aí de novo), fez contato com uns amigos do Ferroviário e Miguelito foi contratado. Em 1968 foi escolhido o craque do ano.
Esporte Clube Ferroviário - 1970. Em pé da esquerda p/direita: Chico Salgado, Acioli, dr. Gilberto, Adilson da Costa, Ernesto, Silvestri, César, Paulo César, Carlinhos, Gunga, Angelo Zabot, Gaiola (técnico), Alberto Botega, Domingos, Amilton e Geraldo (roupeiro). Agachados: Péricles, Miguelito, Márcio, Armando, Bahia, Rainoldo Vieira, Cesinha, Cissa e Eraldo.
Em 1970 o Ferroviário sagrou-se campeão do campeonato estadual. Em seguida Miguelito foi emprestado para o Hercílio Luz, onde ficou por seis meses e retornou para Laguna.
Miguelito e Eraldo jogando juntos no Esporte Clube Ferroviário.
Na Bolívia
Ele continua narrando sua história: “Neste meio tempo o Eraldo foi jogar na Bolívia, a convite de um empresário. Numa de suas visitas ao Brasil me convidou pra ir pra lá e lá fui eu jogar naquele país”.
Na cidade de Cochabamba Miguelito jogou pelo Clube Aurora, Clube Oriente Petrolero e Clube Jorge Wilstermann. “Fiz muitos jogos pela Libertadores contra o Boca Júniors (Argentina), River Plate (Uruguai) e Olimpia (Paraguai)”.
Jogando no Aurora da Bolívia. Miguelito é o terceiro em pé, da esquerda p/direita.

Diploma de Honra ao jogador Miguelito pelo título de vice-campeão do Clube Aurora em 1974.

A imprensa boliviana destacando os jogos. O ataque do Clube Jorge Wilstermann em 1978 formado por Oviedo, Vargas, Miguelito e Eraldo.
Miguelito ficou jogando na Bolívia até 1979. Antes disso casou aqui na Laguna com Ida Maria. Sua primeira filha Andréia nasceu naquele país. As outras duas, Aline e Amanda, nasceram no Brasil.

Entre o futebol e uma guerra civil
“Ai estourou uma guerra civil por lá. Uma disputa por território com o Chile. O peso se desvalorizou e quase todo o dinheiro que se ganhou sumiu. Ficou muito pouco na troca pelo nosso dinheiro, o cruzeiro. Não deu pra fazer um grande pé de meia”, lembra.
De fato o período foi bastante conturbado. Golpes de estado, regime militar, tensões entre a Bolívia, que buscava uma saída pelo mar pelo Mediterrâneo e o Chile. Houve protestos estudantis e de operários, congelamento de preços, bombas, etc. O país parou.

Retorno ao Brasil
“Retornei para o Brasil e fui treinar no Novo Hamburgo (RS), mas precisou um documento de lá da Bolívia me liberando para a transferência e não havia como buscar. Não tinha a facilidade de hoje com telefone e internet. Tudo era demorado e difícil e o time não podia esperar e aí puseram outro no meu lugar”, explica e lamenta Miguelito.
Miguelito retornou para Laguna e foi trabalhar em outras áreas em empresas do ramo de madeiras e alumínio e também como segurança no Clube Congresso Lagunense.

Dias atuais
Em 1984, a convite de alguns amigos, ingressou na Casan, no escritório da Laguna onde trabalhou até a sua aposentadoria, depois de 33 anos de serviço. Participou dos Jogos Abertos promovidos pela empresa.
Miguelito em seu apartamento na Laguna em abril de 2022.
Viúvo já há alguns anos, casou com Maria Regina Francisco. O casal reside no bairro Portinho em nossa cidade.
Em 2009 foi homenageado pelo desportista Amauri Luchina com um brasão do Barriga Verde F.C. escrito:
“Miguelito, todo lagunense orgulha-se de tê-lo como atleta do Barriga Verde F.C. e Copa do Torcedor”.

Aproveito estes dizeres acima para finalizar essas lembranças e também a minha homenagem ao craque de bola Miguelito, que o tempo não esqueceu.