05 julho 2018

Todos pela Fernanda Eloase

Fernanda Eloase Chefer de Souza, 22 anos, é uma lagunense que precisa de nossa ajuda.
Ela foi diagnosticada com Epifisiolise bilateral.
É uma doença que se caracteriza pelo escorregamento da cabeça do fêmur na bacia.
Ela precisa realizar duas cirurgias a um custo de R$ 60 mil.
Bem por isso, amigos e familiares criaram uma “Vakinha virtual” para arrecadar esta quantia. Ela explica melhor o seu problema em seu depoimento no site.
Vamos colaborar, contribuindo com a Fernanda. 
Clique para ler mais e contribuir aqui:

Divagando sobre o Passado X Presente

Quando a realidade não está agradável, o presente não está muito bom no país, no estado, em nossa cidade, em nossas vidas, e as decepções são muitas e esperanças poucas, costumamos mergulhar no passado.
Vamos buscar momentos felizes, de fatos acontecidos que nos trouxeram alegrias, relembrando nomes que nos fizeram bem, em algum período de nossas trajetórias.
A idade também contribui muito para isso. Mas, por outro lado, há tanta gente nova por aí saudosa... como explicar?
Saudosismo é auto-defesa?
Dizem alguns especialistas no assunto, que esse saudosismo seria uma espécie de autodefesa do organismo psíquico, uma chave liga-desliga (hoje mais conhecida em inglês por power) momentânea, como uma espécie de retorno ao passado que nos repõe as energias, nos distancia de alguns odores putrefatos de "tenebrosas transações" políticas do presente, para continuarmos nossas tarefas atuais. Enfim, continuar respirando. E vivendo.
A memória seleciona e idealiza
Mas o passado é para ir e voltar. Há os que insistem em ficar por lá, se perdem e aí o perigo é passar a viver fora da realidade.
Osvaldo Rodrigues Cabral, nosso historiador, costumava dizer que “O passado é um bom lugar para se visitar, mas ninguém quer morar lá”.

Existe uma frase, que gosto muito, do personagem Pedro, no livro Aos meus amigos, de Maria Adelaide Amaral, que depois virou série na  Globo, lembra? Ela, a frase, diz:
Não sei se a gente tem saudade daquilo que realmente viveu, ou daquilo que pensou ter vivido, ou daquilo que desejou viver. A memória seleciona e idealiza”.

E não é bem isso? Quantas pessoas, fatos vividos, relacionamentos, experiências, lugares morados e visitados, passados os anos, na distância que tudo ameniza, tornamos hoje melhores, muito melhores do que realmente o foram?
Será que aquele namorado ou namorada, marido, esposa, amigo, amiga, foi tudo de bom realmente? Ou éramos nós que nos contentávamos com muito pouco? Será que na maioria das vezes não idealizado?
Às vezes só fica o bagaço. De ambas ou de todas as partes
Se pensarmos bem e melhor, se extrairmos a essência, o que sobra? O que pode ser aproveitado? Às vezes fica somente o bagaço, não é mesmo? De ambas ou de todas as partes.

Tenho também dúvidas naquelas expressões que a gente tanto ouve por aí, nas conversas, que afirmam que “antes era melhor”; “no meu tempo era diferente”; “a gente aproveitava mais”; "as festas eram melhores", “o pessoal era mais humano”; “havia verdadeiras amizades”.
É de se perguntar: era melhor mesmo? Era diferente? Aproveitava-se mais? Eram melhores? Eram mais humanos? Eram verdadeiras as amizades?
Será?

E há ainda – e aí penso ser uma espécie de masoquismo, só pode! – os que idealizam a miséria em que viviam. Verdadeiras Amélias a dizerem: “A gente não tinha nada, passava fome, mas era feliz”. Como feliz? Feliz? Uma ova! Duvido. Quer voltar?

Diz aí leitor, quer retornar a dormir com vários irmãos num quarto apertado? A não ter um lanche? A reaproveitar a roupa do mais velho? A andar remendado? A ter somente uma roupa e um sapato novos pra missa? Não ter uma moeda para a matinê de domingo no Cine Mussi? Ou para comer uma pipoca? Um chocolate ou um sorvete na Miscelânea? Comprar um gibi? Um pacote de figurinhas da Copa?
 Quer voltar quer?
Quer voltar a sonhar o ano inteiro com uma bola? A andar descalço ou com um chinelo velho por não poder ter um tênis? Que seja um mísero Kixute? Uma calça? Uma bicicleta? Uma boneca? Sonhar com um aparelho de TV? Um telefone? Um relógio? A comer galinha só no fim de semana. E se dizia que pobre só via galinha quando um dos dois estivesse doente. Churrasco era uma miragem, bicicleta ou automóvel uma utopia. E não faz tanto tempo assim, trinta, quarenta, cinquenta anos.
Quer voltar, quer? Verdade?

Diz aí minha senhora, quer voltar a lavar toda a roupa da filharada no tanque e passar com ferro à brasa? Cozinhar em fogão à lenha, soprando pra acender o fogo, em meio à fuligem? Quer viver grávida dez anos em vinte? Uma escadinha de filhos, sem o devido resguardo?
Quer voltar? Quer mesmo? Fala sério?

03 julho 2018

Estádio Municipal (do LEC): da construção e auge, ao abandono

O sonho de possuir um Estádio Municipal de futebol era antigo no meio futebolístico da Laguna e região. 
Na década de 60, na zona urbana da cidade, a área onde se situava o campo do Lamego F. C. havia sido doada ao governo do estado e em seu lugar, em 20 de setembro de 1964, foi inaugurado o prédio do Conjunto Educacional (hoje Escola de Ensino Médio) Almirante Lamego.
O Estádio Municipal (do LEC) em sua etapa final, já murado e gramado, com arquibancadas metálicas instaladas. Vestuário, sanitários e alojamentos seriam construídos posteriormente.
Em 1975 também desaparecia o Estádio Nereu Ramos, do Barriga Verde F.C. 
Em seu lugar surgiu o ginásio de esportes Bertholdo Werner e o prédio do Centro Industrial de Profissionalização, depois chamado de Centro Interescolar Profissionalizante e por fim de Centro Interescolar de Primeiro Grau Antônio Bessa (CIP), onde nos dias atuais se encontra instalada a UDESC, depois de ali também ter funcionado o Colégio Comercial Lagunense (CCL).
Portanto, a construção de um estádio de futebol e a montagem de um time que pudesse representar o município em torneios intermunicipais e campeonatos estaduais era um desejo de tempos.

Mesmo antes das eleições municipais de 1976 se realizarem, muitos desportistas lagunenses, além de jornalistas e radialistas da cidade cobravam essa obra de políticos, administradores e candidatos à prefeitura. Que a incluíssem em seus planos de governo, que ela fosse uma das metas.
Os falecidos Wilson Figueiredo pela Rádio Garibaldi, e Silvio Silveira em sua coluna Folha Seca, no jornal Semanário de Notícias, reverberavam esse anseio, sempre clamando pela construção de um estádio. 


Surge o aterro do Alagamar
O aterro da área do Alagamar sendo executado.

O Aterro do Alagamar visto do alto do Morro da Glória com a área do estádio sendo preparada.
Mário José Remor, vencedor das eleições de 1976 tendo como vice João Gualberto Pereira, conseguiu com o engenheiro Aurélio Remor, diretor em Santa Catarina do então Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) o aterro de uma área no bairro Magalhães. 
No local poderia ser implantado um estádio de futebol, tendo ao seu derredor um centro esportivo multiuso, além de uma área para instalação de indústrias em função do porto pesqueiro e até mesmo um núcleo habitacional.

Mas o estádio de futebol teve que esperar ainda alguns meses para o início de suas obras. Prioridades na administração, como salários atrasados dos servidores, débitos a fornecedores, carências nas áreas sociais, de saúde e educação, além da manutenção da infraestrutura do município, clamavam mais urgência.

Discussão sobre o melhor local
Por muito tempo discutiu-se o local mais adequado para levantar o estádio. Havia quem, como Silvio Silveira, reivindicasse sua construção numa área ao lado da Casa da Esperança (Hoje Fundação Hermon).
Preparando a drenagem do campo. 
Em abril de 1979 finalmente o martelo foi batido e optou-se por fazê-lo na área recém-aterrada do Alagamar (hoje Vila Vitória) no bairro Magalhães.      Com projeto de Jairo Duarte e levantamento topográfico de Antônio (Pirata) Duarte Filho, que eram funcionários da prefeitura, deu-se início a construção do Estádio (ou Centro Esportivo, como primeiramente foi denominado.

Em 1980 a construção, ocupando uma área de 10.612,00m2 andava a passos de tartaruga, porque bancada exclusivamente pelos cofres municipais.          Procurava-se financiamento através do FAS, da Caixa Econômica Federal, mas o estabelecimento bancário negou o empréstimo por já ter financiado o Centro Social Urbano (CSU) do bairro Progresso.
O mandato ia expirando e parecia que o sonho do estádio de futebol teria que ficar para o próximo prefeito. 
Mas aí, naquele ano o Congresso Nacional votou e aprovou projeto do deputado por Goiás, Anísio de Souza (Arena) que prorrogava os mandatos municipais por mais dois anos.

Reunião confecciona estatutos e forma diretoria
Em 23 de maio de 1981, reunião na prefeitura tratou da formação de uma equipe básica de futebol de campo com a denominação de Laguna Esporte Clube (LEC), além de tratar da concretização do término da construção do estádio.       Presentes, além do prefeito Mário José Remor, o vice, João Gualberto Pereira, o presidente da Câmara Antônio Pedro dos Santos (Nico Coelho), Igor Ivanov, Edir Cabral, Ibraim Abrahão, Silvio Sebastião Silveira, Wilson Figueiredo, Waldemar Manoel de Souza, Alberto Crippa, Nildo Ulysséa, Flávio Delgado, Júlio e Jairo Marcondes, Luiz Destre Napoleão e o presidente da Liga Amadora Lagunense (LAL), Itamar dos Santos, entre outros desportistas.
Ao final da reunião decidiu-se pelo início dos trabalhos de confecção dos estatutos e a nomeação de membros à primeira diretoria do LEC.

Oficialmente o LEC foi fundado em 13 de abril de 1982, sendo seu primeiro presidente João Batista Whendausen Moraes. 
Poucos sabem, mas o musicista Agenor dos Santos Bessa, em homenagem à criação do LEC compôs o hino da agremiação esportiva:

Hino do LEC
Para triunfar – Glória alcançar
Pé na bola firme pra chutar (bis)
E a vitória ostentar

Hip-hip-hurra – Esporte Clube Laguna
Vamos pra frente sem parar (bis)
 Que atrás vem gente querendo passar (bis)

Para se vencer – O time enaltecer
Haja resistência no pé (bis)
Vamos chutar com fé (bis)

O ex-goleiro integrante da seleção Uruguaia campeã da Copa do Mundo de 1950 e que também atuou pelo Internacional de Porto Alegre, Jorge Américo La Paz, aqui residente com a família acumularia, no início do processo, as funções de selecionador de atletas, técnico e administrador do Estádio Municipal. La Paz chegou a nossa cidade em 1951, casando-se com Wally Cook.

A estreia do LEC
Em 13 de junho de 1982 o LEC estreou e abriu o campeonato estadual de Amadores, vencendo o Guatá em seu campo, pelo placar de 2 X 0. 
O LEC jogou com Rodney, Escurinho, Chede, Anu e Gelson; Nortinho, Marquinhos e Ferrugem; Beto, Alemão e Sérgio. Reservas: Nelo, Cacá, Joãozinho, Marinho e Gil. Alterações: Teco no lugar de Marquinhos e Gil substituiu Beto. Técnico: Eraldo.

Uma semana depois, em 20, o LEC jogou em casa, estreando o estádio do LEC – ainda sem inauguração oficial - que se encontrava parcialmente em obras.            Era uma tarde fria de domingo de vento sul. O jogo foi contra o Guarani de Palhoça e levou um grande número de torcedores ao estádio. 
O LEC venceu a partida por 3 X 2. O juiz foi Toquinho, de Lauro Müller, auxiliado pelos bandeiras lagunenses Gilson e Neném.
Numa partida com o Juventus F.C. de Jaraguá do Sul, em 7 de setembro de 1982, o goleiro Manga jogou de goleiro para o LEC, que ganhou de 2 X 0, gols de Anu e Chireia. 
  O jogador convidado havia sido o Garrincha, mas por problemas de saúde não pode viajar. 
Em pé: Almir Alves (Anu), Roxo, Nem Chede, Manga, Jacson e Itamir. Agachados: Chico, Nortinho, Chireia, Beto Laguna, Ferrugem e Serginho Iru.
O Time do LEC: Rodney, Escurinho, Anu, Chede, Gelson, Nortinho, Beto, Marquinhos, Alemão, Ferrugem e Serginho. Beto foi substituído por Gil. E Marquinhos por Jacques. 
Os três gols do time da Laguna foram de Serginho, Alemão e Ferrugem. Três meses depois, o LEC dava adeus ao campeonato, perdendo para o União de Criciúma, por 4 X 2.

Inauguração oficial do Estádio
No dia 29 de janeiro de 1983, finalmente o Centro Esportivo (Estádio Municipal) foi oficialmente inaugurado. 
Foi um sábado repleto de entregas de obras e a apenas três dias do prefeito Mário Remor deixar o governo.
Descerrando a placa de inauguração, prefeito Mário Remor juntamente com o diretor do então DNOS em Santa Catarina, engenheiro Aurélio Remor e o secretário estadual de Transportes e Obras, Grubba. De costas, Antônio de Pádua Heleodoro de Souza.
Toda a área do Estádio Municipal havia sido aterrada com o material retirado quando da retificação do leito do Rio Tubarão e Bacia de evolução do Porto, trabalho executado pelo DNOS. 
Depois o terreno foi nivelado e lastreado com milhares de m2 de barro. Além disso, foi executada a drenagem do gramado com centenas de tubos visando infiltração das águas pluviais.
O Estádio Municipal, todo murado, contava com vestuários e sanitários, bar, bilheterias, iluminação com refletores (doados pelo presidente da Celesc Paulo de Freitas Melro) para jogos noturnos e algumas arquibancadas metálicas.
Adib Abrahão Massih discursa na inauguração do estádio. Ao seu lado Terson Ubirajara dos Santos, o prefeito Mário José Remor e o ex-prefeito Venâncio Luiz Vieira.
    Às 11h30m procedeu-se a inauguração com descerramento de placa e a realização de um torneio de abertura entre equipes de futebol amador de nossa cidade. 
E às 21 horas daquela noite, uma partida amistosa entre o Laguna Esporte Clube (LEC) e o Figueirense Futebol Clube, de Florianópolis, selou com chave de ouro a festa.

Transmissão ao vivo 
O jogo foi transmitido pelas duas emissoras de rádio da Laguna. Na Garibaldi a narração estava sob a responsabilidade de João de Souza Júnior, o Dão. Na Difusora o comando esportivo coube a Evilázio Silveira. 
Entre torcedores, jogadores, autoridades e público em geral, o prefeito Mário José Remor, idealizador do Estádio era o mais emocionado e o que mais recebia cumprimentos pela obra. 
O prefeito Mário, de boné, assiste à partida inaugural. Ao seu lado o presidente do Figueirense F.C. e logo após o então presidente da Associação Comercial da Laguna Edgar Pereira e seu filho Rodrigo Fernandes Pereira. Mais à direita o delegado de Polícia Péricles Faria.
Era presidente do LEC à ocasião, João Wendhausen Moraes, dedicado desportista, depois vereador. 
Mais tarde, com seu falecimento, o Estádio receberá seu nome. 
O placar foi de 0 x 0 e o destaque da partida foi o jogador Ferrugem que estava sendo contratado pelo Figueirense.       
O ponta direita do LEC, Carlos Alberto (Beto Laguna) Fernandes, também estava em períodos de testes no Figueirense, tendo no segundo tempo vestido a camisa do time da capital do estado.
O LEC à direita na foto, numa partida amistosa com o Fluminense (RJ). Pelo LEC, em pé: Chede, Almir (Anu) Alves, Edson Scott, Esquerdinha e Décio. 
     Agachados: Rogério, Ferrugem, Gelson Luiz Pacheco (Bizorro), Serginho Irú, Tico Lira e Marcos Faria. 
         Fluminense: Em pé: Paulo Vitor, Mauro, Ricardo Gomes, Jandir, Aldo e Branco. Agachados: Wilsinho sabonete, Chico, Maurinho, Leomir, Machado e Tato. Placar: 1 x 1. Gols de Tico Lira e Maurinho.
      Curiosidade: A renda do jogo foi de Cr$ 587 mil cruzeiros, com uma despesa de Cr$ 487.600,00 (entre pagamento da quota ao Figueirense: Cr$ 195 mil, bicho dos jogadores do LEC: Cr$ 91 mil e a compra de chuteiras e meias, foguetes, telegramas, flâmulas, passagens, etc.). Lucro: Cr$ 99.400,00.

O surgimento do Alagamar e posteriormente a Vila Vitória
No início, além do estádio, somente um grande aterro despontava no local. Em 1993, na gestão do prefeito Jorge Tadeu Zanini, 36 famílias foram assentadas nas imediações do estádio, no então chamado aterro do Alagamar. 
Era o início, o embrião de um processo de assentamento, ocupação/doação/comercialização que durante os anos seguintes uniu alguns religiosos, lideranças políticas, movimentos sociais e poder público.
Com o passar do tempo os lotes foram regularizados, doados, comercializados, além de urbanizados, com calçamento nas principais ruas, iluminação, água, etc., além de construção de creche, ginásio de esportes, associações e estabelecimentos comerciais. 
Tornou-se a Vila Vitória, com uma população hoje residente girando em torno de 5 mil pessoas, mas com diversos problemas básicos de infraestrutura e socioeconômicos a resolver.
O estádio municipal do LEC ficou lá, isolado numa área densamente povoada, com algumas casas praticamente coladas ao muro que cerca o estádio.

A mais recente edificação construída no local, em abril de 2016, foi a estação de tratamento compacta de esgoto, levantada a poucos metros do estádio, em área cedida pelo Secretaria de Patrimônio da União (SPU) à Casan.
Vila Vitória hoje, densamente povoada. No lado direito o Estádio do LEC, com a Estação de Tratamento de Esgoto bem ao lado. Foto: Elvis Palma.
O abandono do Estádio
Já o abandono do estádio iniciou muito antes. A partir do fim da década de 80 começou o lento declínio do estádio municipal. 
O time do LEC deixou de existir. Sem jogos, sem participação em campeonatos, apenas alguns torneios com times amadores do município foram realizados no estádio.
Fotos atuais da atual situação do Estádio Municipal (do LEC).

A realização de shows em 1998 no local, num período de intensas chuvas, arruinou o campo e grande parte das instalações do estádio. O gramado, que já não era bom, ficou imprestável. 
As arquibancadas de concreto previstas para uma segunda etapa, nunca foram construídas. 
Em 2004 houve algumas reformas (gestão Adílcio Cadorin) realizada pela prefeitura. Depois novamente o abandono.
Fotos atuais do estádio do LEC.
A verdade é que sucessivas administrações da Laguna abandonaram por completo o estádio, sem maiores conservações e manutenções.  Nunca houve uma zeladoria.
Em 2012 (gestão Célio Antônio) o local foi cedido pela prefeitura para uma empreiteira instalar seus maquinários e equipamentos utilizados na instalação da rede coletora de esgoto do município. 
Foi a pá de cal que faltava no local que, desde então, completamente abandonado, se deteriora mais e mais com o passar do tempo e assim se encontra nos dias atuais, conforme demonstram as fotos feitas nesta segunda-feira. 
Até quando?

02 julho 2018

Nota de falecimento+

Faleceu nos primeiros minutos desta segunda-feira no Hospital Socimed, em Tubarão, onde estava internado, Carlos da Silva Rollin, aos 75 anos.
Corpo está sendo velado na sala mortuária da funerária Santo Antônio dos Anjos e sepultamento no cemitério da Cruz vai ocorrer às 17 horas de hoje. 
Carlinhos Rollin como era mais conhecido, de tradicional família lagunense, morador da rua Santo Antônio, no centro, era bancário aposentado do antigo Besc. Foi presidente e membro da diretoria do Clube Congresso Lagunense Blondin F.C. e técnico do Candemil F.C., de futebol de salão. Por onde passou deixou sempre muitos amigos pelo seu jeito simples e espontâneo de ser. Soube cultivar a paz e o calor humano de quem o conheceu.
Deixa a esposa Leda, os filhos Luiz Eduardo e Daniel e as netas Marcelly e Eduarda.
Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

01 julho 2018

Nota de falecimento +

Faleceu neste sábado no Hospital Nossa Senhora da Conceição em Tubarão, onde estava internado, o economista Djalma Búrigo, aos 80 anos, residente na rua Jacinto Tasso, no centro da Laguna. Era filho de Otávio Búrigo, antigo e tradicional comerciante em nossa cidade, proprietário da balsa que fazia a travessia do canal da Barra.
Corpo está sendo velado na sala mortuária da funerária Cristo Rei, ao lado do Ceal e sepultamento ocorre às 9 h de hoje, no cemitério da Irmandade.
Barriga Verde F.C. 1962
Djalma foi jogador do Barriga Verde F.C., ao lado dos nossos craques do passado. Teve também sua foto estampada em álbuns de figurinhas de futebol nos torneios realizados naquele período (1959-1962).
Marcou época também jogando no time de futebol de salão do Blondin F.C.: Araba, Luiz Paulo Carneiro, Lelé Fonseca (da Caixa), Djalma Búrigo e João Alfredo Dias (Babá).

29 junho 2018

Lagunenses no elenco da ópera-rock Frankenstein

Gustavo Tasso Borges Fernandes é estudante de engenharia mecânica na UFSC, além de músico. Foto: Divulgação Camerata.
O lagunense Gustavo Fernandes, 25 anos, subiu ao palco na noite da última quarta-feira (27), no Teatro CIC em Florianópolis, na ópera-rock Frankenstein. Ele compõe o coro masculino no espetáculo como o juiz da história, um personagem, perverso e impiedoso inspirado na obra da escritora Mary Sheley, adaptada numa versão mais rock pela Camerata de Florianópolis.
Sua interpretação integra o enredo com os personagens principais do conto clássico. Gustavo estudou engenharia mecânica na capital, sem nunca abandonar a música, principalmente, o canto lírico. Filho de Fernando e Angelita Tasso Borges Fernandes, moradores do Mar Grosso. Gustavo já participou de concertos e toca instrumentos musicais.
Nos violinos outra lagunense
Outro lagunense integra a ópera-rock Frankenstein. Trata-se de Débora Remor Silva, filha de Pedro Henrique Silva e Maria Teresa Remor Silva, que toca os primeiros violinos da Camerata.
Há show previsto para esta sexta-feira.

Quem foi Frankenstein?
O drama que completou 200 anos, conta a história do cientista Victor Frankenstein. Ainda estudante, ele descobre como dar vida a corpos inanimados. Constrói um ser de estatura gigantesca, mas, assim que alcança sua meta, é atingido pelo horror e acaba abandonando-a.

A criatura sobrevive e se refugia junto a uma família. Aprende a falar, a entender os sentimentos dos humanos e percebe o que não tem: família, propriedade, carinho e amor. Para se vingar, mata 2 pessoas do círculo familiar de Victor e volta a procurar seu criador, pedindo por uma companheira. Victor hesita, começa a nova criação, mas a destrói.
Morre então o melhor amigo do cientista, mas Victor é acusado e detido pelo crime. O cientista tenta proteger sua noiva, que também havia sido ameaçada, mas chega tarde demais. Decide perseguir o monstro, que vai para as terras geladas do norte.
De acordo com o diretor do espetáculo Alberto Heller a ópera-rock se propõe a resgatar a dimensão trágica e existencial do original, distanciando-se das adaptações cinematográficas. Tem duas horas de duração e mais de 100 pessoas envolvidas.

O espetáculo tem como compositor Alberto Heller. A produção é uma realização da Camerata Florianópolis, com regência de Jeferson Della Rocca, direção cênica de Renato Turnes, direção artística do próprio Alberto Heller e produção executiva de Maria Elita Pereira.
Nos papéis principais, grandes nomes do canto lírico e do rock nacional como Alirio Netto (no papel da Criatura), Rodrigo “Gnomo” Matos (Victor Frankenstein), Carla Domingues (Elizabeth), Masami Ganev (Justine), Daniel Galvão (Henry), Alexei Leão (Robert Walton) e Claudia Ondrusek (Agatha) – além de coro masculino, banda e orquestra sinfônica. 

25 junho 2018

A “Pedra da Paixão” levada da Laguna

A primeira preciosidade histórica levada da Laguna, cujos desdobramentos ficaram registrados em jornais da época e nos Anais históricos, foi denominada “A Pedra da Paixão”.

O episódio se deu em fins do século passado, precisamente no recuado ano de 1887.
No início daquele ano, jornais daqui e de Desterro noticiaram que alguns exploradores, inclusive estrangeiros, estavam em nossa região em busca de preciosidades arqueológicas.
A Pedra da Paixão que foi levada da Laguna teria sido uma itacoatiara "pedra com inscrição rupestres", à exemplo desta existente na Praia do Campeche, em Florianópolis? Foto: Acervo Iphan.
Registros
O lagunense Osvaldo Rodrigues Cabral, historiador-mor de Santa Catarina, escreveu sobre o fato em 1968, nos Anais do Instituto de Antropologia, págs. 91/100, com o título “A Pedra da Paixão”.
Já o padre João Alfredo Rohr no capítulo “Pré-História da Laguna”, págs. 34/36, do livro “Santo Antônio dos Anjos da Laguna – Seus Valores Históricos e Humanos”, 1976, Ioesc, também abordou o assunto.

O caso
A história é a seguinte: no ano já citado de 1887, visitava o Brasil a segunda expedição alemã ao Xingu, formada pelos cientistas Guilherme von den Steinen, Paulo Ehrenreich e Pedro Vogel.

Quem eram os exploradores
Steinen, além de explorador, era médico, etnólogo e antropólogo. Era pesquisador da Universidade de Berlim e presidente da Sociedade Geográfica nesta cidade, além de professor da Universidade de Marburg.
Em 1884, em sua primeira expedição ao Brasil, partindo de Cuiabá desceu pelo Rio Xingú indo até o Pará. Estudou as tribos indígenas dos Bacairis.
Dois anos depois publicou seus estudos na obra “Durch Central-Brasilien (Através do Brasil Central).
Em sua segunda expedição, em 1887, veio acompanhado do também etnólogo e antropólogo Paul Ehrenreich e de Pedro Vogel.
Por causa de uma epidemia de cólera no Paraguai a expedição teve que aguardar os meses de fevereiro e março para prosseguir viagem. Os cientistas, enquanto esperavam o vapor “Rio Apa” que entraria pelo Rio da Prata levando-os a Corumbá, fizeram uma escala em Santa Catarina, aqui visitando alguns sambaquis, como o da Armação da Piedade, Areias da Praia Grande (Tijuquinhas) e o da Ponta da Paixão na Laguna. 

Grande parte das duas expedições de Steinen foi custeada pelo Instituto Bibliográfico de Leipzig, mas também contou com recursos financeiros do Império Brasileiro. Estávamos, então, nos estertores do regime monárquico.
Capa do livro de Steinen contendo os estudos da 2ª expedição ao Brasil.
No ano seguinte retornou a Europa e em 1897 publicou os resultados dos estudos da 2ª expedição no livro “Unter den Naturvölkern Zentral-Brasiliens” (Entre os Povos do Brasil Central).

Nos sambaquis da Laguna
Chegaram a Laguna em 23 de março daquele ano, acompanhados de Gervásio Nunes Pires e Manoel Moreira da Silva. Imediatamente visitaram o Sambaqui da Ponta da Paixão, ou “das alminhas” como era mais conhecido, segundo Saul Ulysséa. Hoje o local é denominado Morro do Peralta. 

O significado da palavra Paixão
A palavra "Paixão", dizem os mais antigos na Laguna, seria um termo marítimo para argolas encrustadas nas pedras daquela ponta do Morro que servia como caminho para o então arrabalde Magalhães. As argolas eram utilizadas para fixar barcos e navios; há quem afirme que a palavra significaria o verdadeiros martírio que era antigamente atravessar o local devido aos ventos, pedregulhos e poeira. Fico com a primeira alternativa.
Em 1910, portanto 23 anos após esses acontecimentos, o caminho para o Magalhães, ainda sem o aterro e cais, que será construído por Arcângelo Bianchini. No centro da foto pode-se observar o casarão do capitão Francisco Fernandes Martins, onde hoje é o Colégio Stella Maris. À esquerda, a encosta do Morro, hoje chamado de Peralta, na rua Calheiros da Graça. Em seu final, a Ponta da Paixão e o sambaqui. Mais ao fundo a hoje Ponta das Pedras, ainda sem construções.
O objetivo da expedição era conhecer “curiosa pedra coberta de inscrições rupestres”, uma legítima Itacoatiara. (No tupi-guarani Ita=pedra, coatiara=pintado, gravado, escrito. Na ortografia vigente: Itaquatiara).
Ela, a pedra, havia sido descoberta dois anos antes pelo lagunense Augusto Carneiro dos Santos, que comunicou o achado ao juiz da Comarca da Laguna Dr. Manoel do Nascimento Fonseca Galvão, estudioso dos assuntos indígenas.
A comissão científica interessou-se pela pedra, logo tratando de providenciar sua retirada para levá-la para a Alemanha. Um bloqueiro foi contratado para efetuar o serviço.

Lagunenses protestam
Sabedores do que estava para acontecer, alguns cidadãos da Laguna protestaram junto ao presidente da Câmara de Vereadores, Luiz Nery Pacheco dos Reis, “que imediatamente deu ordem de suspender o serviço e deixar a pedra em seu lugar”. Em suma: embargou a retirada da pedra.

Ordens e contraordens
Mas aí surgiu uma contraordem do capitão dos portos que mandou prosseguir os serviços, já que a tal pedra encontrava-se em terreno de Marinha.
Entra na confusão Manuel da Costa Barreiros, delegado do Museu Nacional na Laguna (sim, sim, já tivemos esse cargo por aqui) que alerta por telegrama sobre os fatos o diretor do Museu Nacional, Ladislau de Souza Melo e Neto, já que a pedra estava prometida para compor o acervo daquele Museu, situado no Rio de Janeiro.
Rapidamente Ladislau telegrafa ao presidente da Câmara da Laguna nos seguintes termos:
“Remeta ao Museu Nacional trabalho indígena pago despesas serviço prestado ao Estado importante”.

Presidente da Província entra na confusão
O presidente da Câmara da Laguna, diante de tal impasse, recorre ao presidente da Província Catarinense, Francisco José da Rocha, narrando todos os fatos. Rocha dá a seguinte ordem:
“Entregue aos exploradores científicos ou a pessoas por eles autorizadas a pedra existente no lugar denominado Paixão”.

As ordens e contraordens, o leva e não leva, duraram uma semana, com várias trocas de telegramas entre as autoridades, inclusive falando da existência de mais duas pedras no local.

Jornal publica o desfecho
No dia 1º de abril, o jornal O Conservador, publicado em Desterro, trouxe a seguinte notícia:
“A Comissão de exploradores, dirigida pelo Sr. Dr. Von Den Steinen, voltou de sua excursão aos sambaquis da Laguna, onde fez grande colheita de preciosidades, que vão ser enviadas para a Europa”.

Ao fim e a cabo, a pedra foi entregue ao cientista alemão e levada para a Alemanha.
A Pedra da Paixão seria uma pedra com amoladores, a exemplo desta existente às margens do canal da Barra da Lagoa, na capital do estado? Foto: Valmir Guedes Jr.
Padre Rohr termina seu capítulo afirmando em 1976 - sem citar qualquer base para tal e por que chegou a esta conclusão - que a chamada Pedra da Paixão ou Pedra da Laguna “na realidade não era uma itacoatiara ou “pedra coberta com inscrições rupestres”, mas, sim, uma pedra com amoladores, em forma de pratos e frisos, onde os indígenas outrora amolavam e poliam os seus artefatos de pedra. São semelhantes a outras existente no litoral do Cabo de Santa Marta e na Praia da Galheta, na Laguna”.

Já Osvaldo Cabral finaliza nos Anais do Instituto de Antropologia: “Se os bombardeios da última guerra não destruíram o museu para onde a levaram, deve figurar em alguma vitrine da Europa, como testemunha de uma cultura extinta em nosso país”.

Sábado festivo

Mesa festiva na tradicional Feijoada do Chedão no último sábado. Lá estavam Sidnei (Chefe) Soccas Ribeiro e Marlene Coral Carrer, Lenira Amboni Nicolazzi, Julita da Silva Barreiros Guedes, Salete Remor de Souza, Terezinha Tenfen Alberton e Otávio Luiz Alberton.

Avaí, meu Avaí...

Jorge Abrahão, avaiano que não perde um jogo no Estádio da Ressacada do seu clube de coração, na série B do Campeonato Brasileiro. Esse time faz “côsa”.