Como programada,
divulgada e ansiosamente aguardada, a tradicional Festa em Honra ao Padroeiro
Santo Antônio dos Anjos da Laguna 2026 vai acontecer de 31 de maio a 14 de junho.
Um encontro
religioso de muita fé e devoção que atravessa gerações.
Mas, no passado, Festas de Santo Antônio já foram adiadas e até cancelada
A título de
curiosidade, ao longo da história católica lagunense há registros de adiamentos e até cancelamento dos tradicionais
festejos em honra a Santo Antônio dos Anjos.
Pelos mais diferentes
motivos:
Ano 1886 – Coincidência
com a data do Espírito Santo
As festividades
em honra a Santo Antônio dos Anjos que seriam realizadas no dia 13 de junho
desse ano de 1886 foram adiadas para o dia 20 do mesmo mês, precedidas de cinco
novenas, com missa solene e procissão pelas ruas do centro.
Qual teria sido
o motivo?
De acordo com
aviso publicado no jornal Echo Lagunense em sua edição de 19 de junho
daquele mês, a mudança foi provocada pela coincidência das festividades do
Espírito Santo ter caído justamente no dia 13.
Na época existia
em nossa paróquia uma Irmandade do Espírito Santo congregando muitos irmãos.
Nail Ulysséa em Três
séculos na Matriz, informa que a Irmandade do Espírito Santo “Realizava a
festa mais importante da cidade, suplantando a festa do padroeiro”.
O aviso vinha
assinado por José Monteiro Cabral, secretário da Irmandade do Santíssimo
Sacramento e Santo Antônio dos Anjos.
Ano 1902 – Santo
Antônio dos Anjos estava no Rio de Janeiro
Neste ano as
festividades tradicionalmente programadas para o mês de junho não aconteceram.
Isso porque a
imagem de Santo Antônio dos Anjos não se encontrava na Laguna.
Como assim?
Explico. É que
no início do ano a Irmandade decidiu enviá-la ao Rio de Janeiro para ser
encarnada (restaurada) por técnicos da área.
Era para estar
de volta após os trabalhos finalizados, ainda no começo do mês de junho, em
tempo para as festividades.
Os dias passaram,
junho se aproximava e nada do Santo retornar.
![]() |
Clichê com desenho de Santo Antônio dos Anjos publicado no jornal lagunense Correio do Sul de 13 de junho de 1942. Notem que o Menino Jesus ainda estava sem sua tradicional roupinha. |
Nesse meio tempo
correu a notícia na Laguna que a imagem teria causado grande impressão entre
religiosos e apreciadores de arte sacra no Rio de Janeiro desde que chegou. Bem
por isso estaria havendo propostas para troca por outra imagem do santo
casamenteiro.
Imagine o
rebuliço que essa notícia causou na Laguna. O disse-me-disse pelas esquinas,
cafés e boticas tomou conta da cidade.
Não se sabe se a
notícia tinha algum fundamento ou foi uma fake news da época.
Logo aconteceram
várias reuniões com pedidos de providências urgentes.
O provedor da
Irmandade, que agora já era João Monteiro Cabral, o Janjão, foi convocado e tomou o primeiro
navio com destino ao Rio de Janeiro. Missão: apressar os trabalhos e trazer a
imagem de volta à Laguna.
Somente em 8 de
julho o provedor retornou com a imagem do santo encaixotada à bordo do vapor Industrial.
Houve uma grande
recepção. A imagem foi levada para a capela do Hospital com a transladação para
a matriz prevista para o dia 19 do mesmo mês. No dia marcado caiu um temporal e
o translado não aconteceu.
Somente no dia
26 de julho de 1902 é que a imagem, “com grande número de fiéis” foi
transportada da Capela do Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos para seu altar
na matriz.
No dia seguinte
Missa cantada e Te-Deum pela volta da imagem.
Para ler com
mais detalhes essa história já publicada neste Blog clique Aqui
Ano 1905 – Falta
de recursos
O jornal O
Albor em sua edição de 11 de junho deste ano publicava a notícia que por
falta de recursos para bancar as festividades em honra a Santo Antônio dos
Anjos, iria ser rezada “unicamente” uma missa cantada e terço à noite no dia 13
de junho.
O caixa deveria estar mesmo zerado. Outro
motivo provável é porque a igreja matriz estava em péssimas condições físicas,
necessitando de obras de manutenção e melhoramentos. Desde o ano anterior os
jornais da cidade alertavam que o madeiramento do teto da igreja ameaçava ruir.
Tanto é verdade
que o jornal O Albor dizia:
“Não há recursos
para as obras mais urgentes e o sr. João Monteiro Cabral faz um apelo
justíssimo ao povo lagunense para contribuir à medida de suas forças para que a
matriz de nossa terra não desabe”.
A não realização
da festa e procissão não deve ter caído muito bem junto à comunidade católica e
as críticas foram muitas.
Quitéria Cabrita reclamou pelo jornal
Uma longa carta
publicada na edição seguinte, de 18 de junho no mesmo O Albor com o
título “O Nosso Padroeiro” reclamava da decisão.
Era assinada com
o estranho pseudônimo de Quitéria Cabrita, que tanto podia ser alguma carola da
igreja, um membro da Irmandade desgostoso com a decisão. Ou até mesmo alguém da
redação do jornal. Vai saber.
Pois a Quitéria
Cabrita reclamava que não acreditou quando leu a notícia em O Albor.
E logo a seguir
sobrou para os membros da Irmandade quando ela diz:
“Que os juízes
não se importem com a festa, que neguem mesmo dinheiro e dedicação...
lamenta-se, mas tolera-se... O que não se compreende, nem se tolera, nem se
perdoa, é que os irmãos em Santo Antônio se reúnam e resolvam nada fazer por
falta de dinheiro.
Uma missa
cantada, três ladainhas, e uma procissão não consomem assim tanto dinheiro...”.
E
depois de comentar sobre várias pessoas da comunidade que poderiam ajudar
gratuitamente na realização da festa com ornamentação, velas e foguetes, ela continua
dando pauladas:
“Só
o que faltou, meu amigo, foi vontade da Irmandade, e isto digo mesmo nas
bochechas de qualquer irmão.
Se
se tratasse de um baile, de um grupo carnavalesco, de um espetáculo ou de uma
eleição, o dinheiro não faltaria; mas como se trata de Santo Antônio, que só
tem feito bem a todos... a crise é tremenda...”.
(...) “Uma missa
rezada só... e Santo Antônio que se contente com isso, que a Irmandade não tem
dinheiro...”.
E ela finaliza
saudosista dos velhos tempos quando Laguna ainda era uma Vila e de seu finado
marido, levando obviamente a gente concluir que ela era viúva:
“Pois olhem... –
quando isto era Vila um só ano não se passou sem que a festa do miraculoso
orago fosse feita inteirinha, com trezenas, missa solene, a procissão e
sermão...
Aquilo
é que eram tempos.... Ai! Que saudades eu tenho d’aqueles tempos e do meu
defunto marido”.
Ano
1963 – Morte do Papa
Neste
ano, tendo em vista a morte do Papa João XXIII ocorrida no dia 3 de junho de
1963, as festividades de Santo Antônio dos Anjos foram adiadas do dia 13 de
junho para 23 do mesmo mês.
Mas
já a partir do dia 11 as novenas foram realizadas, cantadas pelo Coral Santo
Antônio dos Anjos, com alguns músicos das Bandas Musicais Carlos Gomes e União
dos Artistas.
A
Transladação na noite de 22 com a imagem veio da igreja Nossa Senhora
Auxiliadora, na então Roseta, hoje bairro Progresso.
No
dia 23 Missa solene pela manhã na Matriz com a presença do bispo Diocesano D.
Anselmo Pietrulla.
À
tarde aconteceu a procissão pelas ruas do centro.
Mesmo
com o adiamento da transladação e procissão para os dias 22 e 23,
respectivamente, todas as noites “havia concorridas barraquinhas, acompanhadas
de músicas que alegravam o ambiente, até bem tarde”, diz O Albor de 29
de junho de 1963, de onde retirei essas informações.
Foram
juízes da festa, Osmar Brum e Dilma Neto Mendonça.
E
divulgados os nomes de Pedro Bascherotto e Cerize Rollin Remor como juízes do
ano seguinte, 1964.
Na
época chamava-se de juízes aos atuais festeiros, formados somente por um par
(casal), não necessariamente casado.
Em
tempo: O novo Papa escolhido em conclave para substituir João XXIII foi o
cardeal Giovanni Montini que adotou o nome de Paulo VI.
Ano
1984 – Morte do padre
Estava
tudo pronto para a realização da festa nesse ano. Iria acontecer de 1º a 17
daquele mês de junho.
Na
noite de 31 de maio a cidade foi dormir mais tarde devido à carreata acontecida
à partir da meia-noite. Naquela época dizia-se serenata.
No
dia seguinte, uma sexta-feira após às 10 horas da manhã, a notícia chegou e
percorreu rapidamente toda à cidade.
Um
acidente automobilístico havia ceifado a vida do padre Luiz Agostinho Zocche
Saccon, aos 20 anos de idade, pároco auxiliar ou vigário cooperador, como então
se chamava, da Matriz Santo Antônio dos Anjos da Laguna.
Era
um sacerdote amigo e conselheiro sempre prestes a ajudar o próximo. Era ligado
aos grupos de jovens existentes na comunidade e comandava a Pastoral da
Juventude.
Velório
aconteceu durante todo o dia em nossa própria matriz. Fim de tarde seu corpo
foi levado a a cidade de Meleiro, onde foi sepultado.
![]() |
Jornal lagunense O Renovador de 8 de junho de 1984, com anúncio da festa e a data adiada para 8 a 17 de junho. |
Por
causa de seu falecimento, a festa em Honra ao padroeiro da Laguna foi adiada,
só iniciando na sexta-feira seguinte, 8, após a realização da Missa de Sétimo
Dia.
Padre
Agostinho (e não Augustinho como está escrito na creche criada tempos depois em
sua homenagem) estava escalado para ser o orador da primeira trezena.
Para
ler mais sobre a trajetória de vida e o acidente que causou a morte do padre Agostinho leia Aqui
Ano
2020 – Pandemia – Covid
Por
causa das restrições sanitárias causadas pela pandemia da Covid, as
tradicionais festividades de junho de 2020 não ocorreram.
Inicialmente
a festa foi transferida para o mês seguinte, período de 3 a 16 de agosto. Mas
depois foi cancelada.
Sem
a possibilidade da realização de trezenas, aconteceram de 1º a 12 de junho a
partir das 19 horas devocionais ao padroeiro feitas pelos padres Lenoir Steiner
Becker e Itamar Nunes Faísca, com mensagens a cargo dos festeiros de 2020/2021.
Transmissão
pelo Facebook, além de mostras de vídeos e fotos de trezenas de anos
anteriores.
No
dia 13 aconteceu a Alvorada, com carreatas partindo de várias regiões da
cidade.
Em
seguida saudação à Carreata feita por Neusa Preuss e Gero Perito, com uma live
logo após da Sociedade Musical União dos Artistas.
A
imagem de Santo Antônio dos Anjos ficou exposta aos fiéis em frente à Matriz,
tendo guarda de honra da Irmandade. Atendendo a pedidos, fiéis depositaram em frente quilos de alimentos a serem distribuídos às famílias necessitadas.
Houve
distribuição dos tradicionais pãezinhos.
Às
12 horas aconteceu repique de sinos em todas as igrejas das três paróquias.
Às
17 horas procissão motorizada. Às 18 horas live da Sociedade Musical
Carlos Gomes. Às 19 horas na Matriz foi realizada Santa Missa em honra ao
Padroeiro e às 20 horas Terço em honra ao Sagrado Coração de Jesus.








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