28 agosto 2026

Zavério Eghert, o mago do visual do carnaval lagunense

 
Foram dezenas de pessoas que podemos chamar de baluartes do carnaval lagunense ao longo da nossa história.
Dentre os nomes de carnavalescos, alguns já destacados neste Blog, está o de Zavério Eghert.

Zavério Bergamini Eghert, em foto de 1955.

Em 3 de agosto de 1921, nasceu na Laguna, na casa de nº 73 na rua Voluntário Fermiano, no Centro Histórico, Zavério Bergamini Eghert.
Filho de Beatriz Bergamini Eghert e Franz Eghert.
Seus avós maternos foram dos primeiros imigrantes italianos que se estabeleceram no sul de Santa Catarina.
Seus nomes? Giácomo Bergamini e Luigia Frontini Bergamini, que tiveram duas filhas nascidas no Brasil: Beatriz e Ida.
Beatriz casou-se com o alemão Franz Eghert que veio para Laguna trabalhar como mecânico na Companhia de Mineração e Metalurgia do Brasil (Cobrasil), responsável pela construção dos Molhes da Barra da Laguna.
Foram irmãos de Zavério, hoje já falecidos: Fernando, Orestes (Mestre), Sinalda, Rinalda, Humberto e Helaine.

Família de veia artística
Todos eles dotados de veia artística. Fernando foi músico, compositor e coralista na Matriz Santo Antônio dos Anjos. Compôs muitos sambas e marchas de carnaval. Pertenceu à Sociedade Musical União dos Artistas.
Rinalda foi atuante durante muitos anos em peças teatrais exibidas em nossa cidade.
Orestes Bergamini Eghert, chamado Mestre, foi folião do nosso carnaval, sempre compondo personagens críticos, satíricos.
Do Mestre, o radialista e colunista João Carlos Wilke certa vez escreveu:
 
“O Mestre era criador de frases absolutamente espirituosas, as quais caíam como uma luva no gosto popular.
Sabia como ninguém fazer pilhérias do gênero, divertindo e encantando a todos, contrapondo às mais sérias e céticas situações do nosso cotidiano”.

Cordão Carnavalesco Bola Branca
Zavério entrou para o Cordão Carnavalesco Bola Branca em 1953, quando assumiu como responsável pela Comissão de Fantasia. Seu irmão Orestes já havia pertencido à diretoria, como 2º tesoureiro por alguns mandatos no início da década de 1940.
As décadas de 1950 e 1960 foram a época de ouro do carnaval de salão lagunense.
O Bloco Bola Branca rivalizava com o Bola Preta e as belezas de suas fantasias, luxuosas, ultrapassavam fronteiras.
Enquanto os componentes às entradas e nos desfiles nos salões recebiam os aplausos, Zavério assistia de longe, modesto, a glória dos vitoriosos.
E foram muitas as fantasias de Zavério que entraram para a história do carnaval lagunense do Bola Branca, entre outras
Barba Azul (1953), Fidalgos de Verona (1954), Adoradores do Sol (1955), Caudilhos de Cuba (1957), Tártaros (1958), Rigoletto (1959), Guerreiros Astecas (1961), Rei da Folia (1962), Satã o Rei do Inferno (1963), Cigano Rico (1964), Balumbas (1966), Maracatu Dourado (1967), Kon-Tiki (1968)...

Cordão Carnavalesco Bola Branca - Fantasia Cigano Rico - Ano 1964. Componentes fila superior da esquerda p/direita: José E. Fonseca, Miscelau Speck, João Carlos Pacheco, João Oliveira Neto, Juarez Fonseca de Medeiros, Hamilton Goulart e Norberto Pinho. Fila abaixo, da esquerda p/direita: Ivan Vieira, Pedro Tasso Oliveira, Nivaldo Ulysséa Mattos, a rainha Maria da Graça Silva, Oclândio Siqueira, Alberto Prudêncio e João Batista S. Pereira.

Zavério era muito inteligente. Leitor voraz, autodidata, dominava muitos assuntos, principalmente artes e história. Mas falava sobre óperas e até geologia.
Desenhava suas fantasias estilizadas baseadas em figurinos de filmes assistidos, em páginas de revistas e livros que estampavam povos, origens, costumes, vestimentas.

Na Vila Isabel e Os Bem Amados
Mais tarde, com o declínio dos cordões carnavalescos, tendo com principal motivo os altos custos das fantasias, Zavério se transferiu para a Escola de Samba Vila Isabel.
Foi um período auge da “Escola do Morro”, com muito luxo e brilho em suas fantasias.
E, ainda, a partir de meados da década de 1970, Zavério colaborou nas fantasias da Escola de Samba Os Bem Amados, trazendo cores e luxo para a rua Conselheiro Jerônimo Coelho, a então nossa passarela do carnaval.

Falecimento
Zavério Bergamini Eghert faleceu na madrugada de 11 de julho de 1983 aos 61 anos em hospital de Florianópolis, onde estava internado.
Seu corpo foi transladado para Laguna e sepultado no dia seguinte às 11 horas.
É nome de via pública no bairro Portinho.

Rua Zavério Bergamini Eghert, no bairro Portinho.

Quando do falecimento de Zavério, o saudoso colunista Munir Soares escreveu: 

“Lidava com as cores como ninguém, era um misto de Morubixaba e Pagé. Era o que já se chamou de “Mago do visual”.
Morreu Zavério, o mágico das cores, foi levado numa urna escura, fria, sem nenhuma combinação de cores, para um túmulo cinzento. Se a morte, como afirmam as religiões, é a passagem para uma vida melhor, então porque se usam nos enterros cores tão tétricas.”

Quando do seu funeral, um velho sambista cantarolou um antigo samba do seu irmão Fernando Eghert que fez muito sucesso anos antes:

“Vesti a camisa amarela,
E fui para a avenida sambar
Por acaso encontrei-me com ela,
A mulher que não soube amar
Você não quis...você não quer...”
(silêncio)

Já Ivaldo Roque, músico e compositor, também de saudosa memória, escreveu em sua coluna de jornal:

“Quem é carnavalesco sabe que morre um folião, mas sempre surge outro dando ênfase à alegria. Mas o falecimento do Zavério desanima nossa folia”.

O legado de Zavério Bergamini Eghert o tempo não apagará. Seu nome continua na galeria dos notáveis, dos grandes baluartes do carnaval lagunense.

5 comentários:

  1. Geraldo de Jesus29/08/2026, 11:42

    Bom dia. Era uma família de artistas. Zaverio dava um show de cores nas suas fantasias. Boa lembrança.

    ResponderExcluir
  2. O conheci bem mais idoso, as vezes ficava no café tupy. Mas morreu só com 61 anos veja só. Na época parecia ter mais idade. Ou eu que era novinha.

    ResponderExcluir
  3. Lourival Tomaz29/08/2026, 13:14

    Ler teus artigos me traz a um tempo que Deus me proporcionou viver, isso na maioria dos escritos. Aqueles que não vivi o momento parece que alguem viveu por mim e me atualizou e me colocou no contesto.

    ResponderExcluir
  4. As cores e a alegria foram cedo embora, mas que bom que temos o Valmir para nos lembrar das histórias.

    ResponderExcluir
  5. Valmir, sensacional o resgate feito por ti dos saudosos Bolas (do Branca, quantos na foto pude reconhecer) e, mais ainda, o do nosso saudoso, boa-praça, inspirado e genial Zavério, que tanto brilho e cores emprestou aos nossos carnavais e a nós. Parabéns! Abraço

    ResponderExcluir