Foram dezenas de
pessoas que podemos chamar de baluartes do carnaval lagunense ao longo da nossa
história.
Em 3 de agosto
de 1921, nasceu na Laguna, na casa de nº 73 na rua Voluntário Fermiano, no Centro
Histórico, Zavério Bergamini Eghert.
Filho de Beatriz
Bergamini Eghert e Franz Eghert.
Seus avós
maternos foram dos primeiros imigrantes italianos que se estabeleceram no sul
de Santa Catarina.
Seus nomes? Giácomo
Bergamini e Luigia Frontini Bergamini, que tiveram duas filhas nascidas no
Brasil: Beatriz e Ida.
Beatriz casou-se
com o alemão Franz Eghert que veio para Laguna trabalhar como mecânico na Companhia
de Mineração e Metalurgia do Brasil (Cobrasil), responsável pela construção dos
Molhes da Barra da Laguna.
Foram irmãos de
Zavério, hoje já falecidos: Fernando, Orestes (Mestre), Sinalda, Rinalda,
Humberto e Helaine.
Família de veia artística
Todos eles
dotados de veia artística. Fernando foi músico, compositor e coralista na
Matriz Santo Antônio dos Anjos. Compôs muitos sambas e marchas de carnaval.
Pertenceu à Sociedade Musical União dos Artistas.
Rinalda foi
atuante durante muitos anos em peças teatrais exibidas em nossa cidade.
Orestes
Bergamini Eghert, chamado Mestre, foi folião do nosso carnaval, sempre compondo
personagens críticos, satíricos.
Do Mestre, o
radialista e colunista João Carlos Wilke certa vez escreveu:
“O Mestre era
criador de frases absolutamente espirituosas, as quais caíam como uma luva no
gosto popular.
Sabia como
ninguém fazer pilhérias do gênero, divertindo e encantando a todos, contrapondo
às mais sérias e céticas situações do nosso cotidiano”.
Cordão Carnavalesco Bola Branca
Zavério entrou
para o Cordão Carnavalesco Bola Branca em 1953, quando assumiu como responsável
pela Comissão de Fantasia. Seu irmão Orestes já havia pertencido à diretoria,
como 2º tesoureiro por alguns mandatos no início da década de 1940.
As décadas de
1950 e 1960 foram a época de ouro do carnaval de salão lagunense.
O Bloco Bola Branca
rivalizava com o Bola Preta e as belezas de suas fantasias, luxuosas,
ultrapassavam fronteiras.
Enquanto os
componentes às entradas e nos desfiles nos salões recebiam os aplausos, Zavério
assistia de longe, modesto, a glória dos vitoriosos.
E foram muitas
as fantasias de Zavério que entraram para a história do carnaval lagunense do Bola
Branca, entre outras:
Barba Azul (1953), Fidalgos de Verona (1954), Adoradores do Sol
(1955), Caudilhos de Cuba (1957), Tártaros (1958), Rigoletto (1959), Guerreiros
Astecas (1961), Rei da Folia (1962), Satã o Rei do Inferno (1963), Cigano Rico
(1964), Balumbas (1966), Maracatu Dourado (1967), Kon-Tiki (1968)...
Zavério era
muito inteligente. Leitor voraz, autodidata, dominava muitos assuntos,
principalmente artes e história. Mas falava sobre óperas e até geologia.
Desenhava suas
fantasias estilizadas baseadas em figurinos de filmes assistidos, em páginas de
revistas e livros que estampavam povos, origens, costumes, vestimentas.
Na Vila Isabel e Os Bem Amados
Mais tarde, com
o declínio dos cordões carnavalescos, tendo com principal motivo os altos
custos das fantasias, Zavério se transferiu para a Escola de Samba Vila
Isabel.
Foi um período
auge da “Escola do Morro”, com muito luxo e brilho em suas fantasias.
E, ainda, a
partir de meados da década de 1970, Zavério colaborou nas fantasias da Escola
de Samba Os Bem Amados, trazendo cores e luxo para a rua Conselheiro
Jerônimo Coelho, a então nossa passarela do carnaval.
Falecimento
Zavério Bergamini
Eghert faleceu na madrugada de 11 de julho de 1983 aos 61 anos em hospital de Florianópolis,
onde estava internado.
Seu corpo foi
transladado para Laguna e sepultado no dia seguinte às 11 horas.
É nome de via
pública no bairro Portinho.
Quando do
falecimento de Zavério, o saudoso colunista Munir Soares escreveu:
“Lidava com as
cores como ninguém, era um misto de Morubixaba e Pagé. Era o que já se chamou
de “Mago do visual”.
Morreu Zavério,
o mágico das cores, foi levado numa urna escura, fria, sem nenhuma combinação
de cores, para um túmulo cinzento. Se a morte, como afirmam as religiões, é a
passagem para uma vida melhor, então porque se usam nos enterros cores tão
tétricas.”
Quando do seu
funeral, um velho sambista cantarolou um antigo samba do seu irmão Fernando Eghert
que fez muito sucesso anos antes:
“Vesti a camisa
amarela,
E fui para a
avenida sambar
Por acaso
encontrei-me com ela,
A mulher que não
soube amar
Você não
quis...você não quer...”
(silêncio)
Já Ivaldo Roque, músico e compositor, também de saudosa memória, escreveu em sua coluna de jornal:
“Quem é
carnavalesco sabe que morre um folião, mas sempre surge outro dando ênfase à
alegria. Mas o falecimento do Zavério desanima nossa folia”.
O legado de Zavério Bergamini Eghert o tempo não apagará. Seu nome continua na galeria dos notáveis, dos grandes baluartes do carnaval lagunense.



Bom dia. Era uma família de artistas. Zaverio dava um show de cores nas suas fantasias. Boa lembrança.
ResponderExcluirO conheci bem mais idoso, as vezes ficava no café tupy. Mas morreu só com 61 anos veja só. Na época parecia ter mais idade. Ou eu que era novinha.
ResponderExcluirLer teus artigos me traz a um tempo que Deus me proporcionou viver, isso na maioria dos escritos. Aqueles que não vivi o momento parece que alguem viveu por mim e me atualizou e me colocou no contesto.
ResponderExcluirAs cores e a alegria foram cedo embora, mas que bom que temos o Valmir para nos lembrar das histórias.
ResponderExcluirValmir, sensacional o resgate feito por ti dos saudosos Bolas (do Branca, quantos na foto pude reconhecer) e, mais ainda, o do nosso saudoso, boa-praça, inspirado e genial Zavério, que tanto brilho e cores emprestou aos nossos carnavais e a nós. Parabéns! Abraço
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