19 março 2021

Triste fim de um Conservatório de Música

 
Ontem à noite, uma placa descartada numa caçamba de entulho defronte à Casa Paroquial, ao lado da igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos, era o retrato fiel, simbólico, metafórico até, de um tempo que passou.
A placa do Conservatório Lagunense de Música descartada no entulho. Aos fundos o prédio dos Vicentinos onde ele funcionou. Foto: Valmir Guedes Jr.
Na placa branca em mosaico com letras na cor azul, o sonho, a realidade e o fim do Conservatório Lagunense de Música que funcionou em salas ali em frente, no prédio São Vicente de Paulo (dos Vicentinos).
Placa que ficava tradicionalmente afixada na parede frontal do quase centenário edifício.
O Conservatório fechou suas portas há muitos anos, em 2014.
A placa ontem misturada a outros detritos, móveis e velhos instrumentos musicais é a lápide que faltava em seu túmulo. 

Histórico
O Conservatório Lagunense de Música, fundado em 17 de julho de 1986 pelo então padre e pároco Antônio Gerônimo Herdt, ensinou e formou toda uma geração de músicos. Muitos também foram os professores e maestros desta instituição cultural de ensino.
Músicos profissionais e amadores que estão em bandas militares e civis por todo o Brasil ou em carreira solo. Estão por aí, se apresentando em recitais, corais, orquestras, quartetos, em shows, gravando discos e tirando seus sustentos de vida.
Os cursos do Conservatório nos melhores anos incluíam o violino, violoncelo, guitarra, violão, piano, teclado, acordeom, saxofone, flauta doce, baixo acústico, técnica vocal, teoria musical, ballet e dança latina.
Em 2008 foi montada um Orquestra de Cordas reunindo músicos do próprio Conservatório, com apresentações no encerramento daquele ano.
Prédio dos Vicentinos onde funcionou o Conservatório de Música ainda ostentando a placa frontal.

Durante dezessete anos Herdt o dirigiu, subsidiado por verbas oficiais (subvenções sociais) em convênios obtidos com muito empenho e dificuldades com o estado e o município. Além de bolsas de estudos conseguidos ao Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Na época, ao final do curso de quatros anos, o aluno recebia um certificado emitido pelo MEC, de formação em teoria musical em nível de Ensino Médio.
O Conservatório foi declarado de Utilidade Pública pela Lei Estadual nº 9.330, de 24 de novembro de 1993, assinada pelo governador Vilson Pedro Kleinubing.
Depois, outros maestros e diretorias o dirigiram, inclusive implantando cobrança de mensalidades dos alunos para tentar mantê-lo.
Por diversos fatores, principalmente a falta de apoio, o Conservatório encerrou suas portas em 2014.
Uma lamentável perda da comunidade lagunense – mais uma! – e que também entrou tristemente para o extenso rol do “LAGUNA JÁ TEVE”.
 
Conseguirá um dia a comunidade lagunense retornar com o seu Conservatório de Música, que pelo constatado continua ativo nos registros cadastrais?
Renascerá ele das cinzas? Quem empunhará essa bandeira?

Carta de uma mãe: “Perdi um filho!”

 
Luiz Felipe Remor faleceu na Laguna aos 58 anos no último dia 7 de março, vítima da Covid-19. (Ver post aqui).
Um choque para sua família, amigos e a todos que conviveram com ele.
Uma morte repentina que enlutou a comunidade lagunense onde era bastante conhecido e exerceu diversos cargos públicos.
Ontem, passados dez dias do triste acontecimento, sua querida mãe, professora aposentada Hilta Garcia Remor, residente lá em São José, na Grande Florianópolis, postou em sua rede social uma emocionante carta de desabafo, a título de despedida.
São palavras simples de uma mãe, tristes, mas vindas do fundo d' alma, escritas na dor do coração e da aflição, entre lágrimas derramadas.
Mas trazem o lenitivo da fé e esperança, tão necessárias a cada um de nós e a todos que perderam e estão perdendo seus entes queridos e amigos.
Tomo a liberdade de aqui reproduzir a carta da dª Hilta porque mais do que seu testemunho de genitora, são palavras de fé, compreensão e esperança na espiritualidade, tão necessárias neste momento que estamos passando, com tantas vidas perdidas a cada dia.

Perdi um filho, meu filho amado

“Gente, vocês não imaginam perder alguém da sua família, aconteceu comigo e meus outros filhos.
Dia 7 de março, às 10 horas, meu filho mais velho, Luiz Felipe Remor, deixou este mundo, indo para junto de Deus.
Entendo que estamos emprestados aqui na terra, mas é um sofrimento sem ele junto de nós.
Felipe esteve me visitando, ficando de sexta-feira até segunda.
Queria me abraçar, mas não deixei, por causa da Covid-19, então ele me respondeu que havia feito o teste e deu negativo.
Na noite de sábado, seu irmão Benito esteve aqui, riram bastante e pediram pizzas. Segunda-feira passou na praia para pegar um botijão de gás. Minha nora Ana esposa de Gustavo conversaram e riram bastante com ele, foi tudo maravilhoso e foi para Laguna cidade onde nasceu e morava.
Sua irmã Bee Scott que mora em São Paulo falava com ele todos os dias e no dia que foi internado, foi para ela que ele ligou.
Após sua saída de Florianópolis, depois de uma semana contou-me que estava com Covid-19, mas se tratando com o médico, tomando o tal kit covid-19, mesmo assim falava que a qualquer hora o hospital não teria lugar nem pra rico nem pra pobre.
Ele comentava comigo que não tinha lugar no hospital. Rezei muito aos céus para a cura de meu filho e do mundo inteiro, porém não consegui.
Quando recebi a notícia de sua partida e fiquei reclusa, minhas noras estavam comigo neste momento, passei dias não querendo falar com ninguém, só queria pensar nele, questionar sua partida.
Hoje entendo os desígnios de Deus, seu ciclo na Terra havia terminado.
Sei que estamos na Terra de passagem, mas o egoísmo é mais forte para o coração de uma mãe!
Queria-o vivo, fizemos sete dias de Evangelho no lar, minha filha é espírita e eu católica, mas o que importa é acreditar em Deus e as mensagens que lemos me confortou bastante, me fazendo mudar o pensamento e desejar que ele esteja com os espíritos iluminados e seja bem recebido.
Todos temos a nossa hora! É a única certeza dessa vida!
Ainda tenho muito que aprender e agradeço a todos que me mandaram lindas mensagens, confortando-me e a todos os meus filhos.
Perdi um filho. Meu filho amado. Perda e luto”.
Hilta Garcia Remor

 

15 março 2021

Prefeitura da Laguna tem R$ 4,5 milhões confiscados em suas contas. “Um cavalo de Tróia”, diz prefeito

         Em razão do não pagamento de Precatórios de 2020, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) instaurou procedimento de sequestro de R$ 4,5 milhões das contas do município da Laguna, para quitação da dívida.

O fato foi divulgado na última quinta-feira (11) pelo Tribunal.


“A situação fiscal do município se complica ainda mais. Estamos buscando meios para assegurar o mínimo de condição para manter os pagamentos em dia, estamos na tentativa de parcelar esta dívida que era para ter sido liquidada ainda no ano passado, na antiga gestão”, disse o prefeito Samir Ahmad.

Um Cavalo de Tróia com uma dívida de R$ 4,5 milhões, diz prefeito.

Em entrevista ao radialista Batista Cruz hoje pela manhã no Programa Rádio Revista, pela Rádio Difusora, o prefeito afirmou sobre o surgimento dessa dívida: “Não está sendo fácil. Praticamente um Cavalo de Tróia”.

Essa dívida vem se somar aos valores devidos deste ano de 2021 de Precatórios que também terão de ser pagos.

 

O que é Precatório? É a requisição expedida pelo Poder Judiciário contra a Fazenda Pública, no caso a prefeitura, para que esta promova os pagamentos dos valores devidos em virtude de condenação judicial transitada em julgado, ou seja, em processo que não caibam mais recursos.

14 março 2021

Prefeito, há que se fazer também o trivial, o arroz com feijão, o bê-a-bá

 
Na política e em toda administração, seja ela pública ou particular, lições são ministradas diariamente. Devemos aprender com elas e não cair nas tentações e em velhos erros do passado, alguns até grosseiros.
Pena que muitos não costumam fazer o dever de casa.
Muitos gestores anteriores na Laguna preocuparam-se demasiado em elaborar projetos e a buscar vultosas verbas para executá-los.
Pois bem. Algumas dessas obras foram e são intermináveis, atravessando os anos. E outras de duvidoso aproveitamento, como o chamado restaurante-escola, ou escola-restaurante, sei lá, o que dá no mesmo porque até hoje não funcionou. 

Nestes primeiros três meses de nova gestão o que se observa é que as queixas sobre os problemas da cidade se avolumam, o descontentamento vai se tornando regra.
Basta ter olhos para ver e ouvidos para ouvir a voz rouca das ruas para se perceber essa realidade.
Problemas que de pontuais vão se avolumando e se tornando comuns, afetando o dia a dia da população.
Pouco adianta falsos elogios vindos de baba-ovos, incluídos os que estão em folhas de pagamento, quando esses louvores não condizem com a realidade.
Ninguém engana mais ninguém.

Porque o que atinge o sujeito e sua família, o que irrita o cidadão e mexe com sua dignidade e o frustra em suas esperanças de um futuro melhor, são os problemas cotidianos.
É o buraco e/ou mato em sua rua, a lâmpada de iluminação do poste queimada, a falta de abrigo para passageiros, a insegurança, o lixo nas ruas não recolhido ou recolhido pessimamente, a cidade menosprezada e feia, praças e monumentos sujos e abandonados, etc.
A ausência de um tampão de bueiro, de uma lixeira, de uma faixa de segurança ou de um posto de saúde fechado, faz mais estrago político que um adversário se queixando em bares ou pelos microfones ou uma crítica em redes sociais.
Prefeito, há que se fazer o trivial, o arroz-com-feijão, o bê-á-bá.

É bem verdade que há que se dar um tempo, desconto e certa tolerância por dificuldades iniciais em uma gestão.
Mas que isso não seja desculpa, um apanágio para não se atender necessidades básicas da população. Não dá para o prefeito pedir paciência para tudo, a todo momento, a cada problema surgido.
O tempo está passando e já vamos completar três meses da gestão 2021-2024 de Samir Ahmad e Rogério Medeiros.

Pode-se até elaborar dezenas de projetos e pedir vultosos recursos para isso e para aquilo, a serem realizados a médio e longo prazo. É justo e necessário.
Mas se providências não atingirem diretamente os problemas de varejo da cidade, não buscar-se resolver dificuldades imediatas e cotidianas do cidadão, o administrador está trilhando caminhos errados e já sobejamente conhecidos.
Gestor que age dessa maneira está invariavelmente condenado ao erro. A história bem demonstra isso.

09 março 2021

Superando desafios. Histórica natação até à Ilha dos Lobos

 

No dia 17 de fevereiro último (quarta-feira de cinzas), um percurso de natação foi feito dos Molhes da Barra da Laguna até à Ilha dos Lobos, situada defronte às Praias do Mar Grosso e Gi.

Fernando, Honorato e Nando Grilo na Ilha dos Lobos, com o Farol ao fundo.

O lagunense Fernando Lopes Joaquim, 42 anos, Guarda Vidas Civil desde 1998, sem a utilização de nadadeiras (pés de pato), completou os nove quilômetros de distância em três horas, com partida às 7h30 e chegada às 10h30.


Fernando ao chegar na Ilha dos Lobos.

Teve o suporte e apoio do Guarda Vidas Honorato e do multiatleta Nando Grilo que o acompanharam em seus respectivos caiaques, inclusive filmando e fotografando a façanha.

Após o feito, retornaram de carona no Jet Sky do Bombeiro da Laguna Maycon.

Parabéns ao Fernando, filho do conhecido e querido casal Marilúcia Schiefler Lopes Joaquim e Eraldo Joaquim, pela superação do desafio.


Honorato, Maycon, Nando Grilo e Fernando de volta da Ilha, já nas areias da Praia do Mar Grosso.

O circuito percorrido de 9 quilômetros até a Ilha dos Lobos.


07 março 2021

Faleceu dª Zaida M. Ramos Souza

Faleceu na manhã deste domingo em nossa cidade, no Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos, Zaida M. Ramos Souza, aos 84 anos, vítima de complicações pela Covid-19.
Dª Zaida era moradora no bairro Magalhães e bastante conhecida em nosso meio, sempre com sua disposição, vitalidade e alegria. Mãe de Zaira e da Zoraide (Preta), (sogra de Jairo Chede (Chedão) e avó do Patrick). 
Dona Zaida é irmã dos saudosos José Carlos Ramos (Juca da Livraria) e Haroldo Ramos (Deca) e do radialista João Batista Ramos.
Sentimentos aos familiares e amigos.

Atualizando: Velório acontece neste domingo na sala mortuária Santo Antônio da  Casa Funerária Gomsan das 16h às 17h., e sepultamento no Cemitério da Cruz.

Faleceu Luiz Felipe Remor

 
Faleceu na manhã deste domingo em nossa cidade, no Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos, vítima de complicações pelo Covid-19, Luiz Felipe Remor, aos 58 anos.
Felipe estava internado desde semana passada na UTI do nosso hospital e deu entrada com 80% do pulmão comprometido.
Bastante conhecido em nosso meio, filho primogênito de tradicional família, (Hilta Garcia Remor e Benito Remor), irmão de Berenice, Benito e Gustavo, Felipe Remor foi candidato a vereador pelo PMDB em 2016 ficando na suplência (787 votos) e assumindo a titularidade em algumas ocasiões.
Era formado em Farmácia pela Ufsc.
Foi diretor na administração do Terminal Pesqueiro da Laguna.
Foi gerente regional de Saúde na extinta ADR e secretário da mesma.
Foi secretário municipal de saúde na gestão do prefeito Everaldo dos Santos (2013-2016).
Na gestão de Mauro Candemil (2017-2020) foi chefe de gabinete e presidente da Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama).
Felipe foi casado com Carla Pinho Remor.
Deixa o filho Carlos Alberto Remor.
Ainda não há informações sobre horário de velório e sepultamento.
Sentimentos aos familiares e amigos.

Atualizando: Velório na Casa Funerária Gomsan, com sepultamento no Cemitério da Glória no fim da tarde de hoje em cerimônia restrita à familiares.

04 março 2021

Faleceu Jorge Pacheco dos Reis (Major)

 
Faleceu ontem em Criciúma, o lagunense Jorge Pacheco dos Reis conhecido como Major, aos 69 anos de idade.
Jorge é filho de dª Lenir Maria David dos Reis, moradora mais antiga do Largo do Rosário, no Centro Histórico da Laguna, viúva do saudoso Almiro Pacheco dos Reis.
Jorge é irmão de Altamiro (já falecido), Ambrosina, Arlindo, Jair, Ivonete, Almiro, e Jorgeane.
Foi velado na sala mortuária da Central de Luto Cristo Rei (ao lado do Ceal) e sepultado em nossa cidade. Que Deus ilumine o seu caminhe e o receba na eternidade.
Sentimentos aos familiares e amigos.

03 março 2021

Asilo faz campanha para reformar telhado

O Asilo Santa Isabel de nossa cidade está promovendo Campanha para reformar o telhado do prédio daquela entidade.
Asilo Santa Isabel - Laguna. Foto Elvis Palma

Vazamento d'água da chuva no telhado está comprometendo a estrutura. Para isso o Asilo está arrecadando materiais de construção como: cimento, chapa de calha de 50cm, telha Onduline.
Uma conta bancária para depósito de qualquer valor também foi disponibilizada visando o pagamento da mão de obra.
A Associação Beneditina da Providência, que é quem administra o Asilo Santa Isabel, avisa que estará prestando conta de todos os gastos em suas redes sociais e agradece a colaboração. 

Conta para depósito:
Banco do Brasil
Agência 0345-X
Conta corrente 179128-1
CNPJ: 02.765097/0010-40 

Facebook/asilosantaisabel70
Instagram/asilosantaisabellaguna 

Maiores informações pelo telefone (48)3644-0543


26 fevereiro 2021

Fofocas e traições atingiram até Francisco de Brito Peixoto, filho do fundador da Laguna


A história da Laguna é repleta de maledicências, intrigas e traições.
Vários foram os acontecimentos ao longo desses mais de três séculos que ficaram registrados nesse chão sulino.
Se a terra lagunense foi palco e cenário de muitos feitos heroicos que mereceram o registro nos anais da história pátria, foi, igualmente, lugar de sórdidas tramas, de mesquinhas atitudes e de acontecimentos nefastos tramados nos bastidores.
Das maledicências, das intrigas, das fofocas, não escapou nem mesmo Francisco de Brito Peixoto, fundador da Laguna juntamente com seu pai Domingos de Brito Peixoto. 
Francisco de Brito Peixoto chegou a ser encarcerado em 1720 pelo juiz da Vila da Laguna, Manoel Gonçalves Ribeiro, por ordem do governador do Rio de Janeiro e para lá Francisco foi enviado, preso, conforme nos conta o historiador Oswaldo Rodrigues Cabral em sua obra intitulada: “Laguna e Outros Ensaios”, às páginas 47 a 59, editada em 1939.
Encarcerado devido às intrigas de Manoel Manso de Avelar ("que apesar do sobrenome não era manso coisa nenhuma"), residente na Ilha de Nossa Senhora do Desterro. Um mandão, um maioral lá da Freguesia de Santo Antônio de Lisboa.

Diz Cabral que Francisco de Brito Peixoto soube se inocentar, acusando Avelar e outros, de formarem uma quadrilha que explorava contrabando. (Não me admira que quisessem destruir o correto e honesto Francisco de Brito Peixoto).
Alguns meses depois, em 1721, Francisco de Brito Peixoto foi solto e nomeado neste mesmo ano, em 1º de fevereiro, Capitão-mor da Vila da Laguna.
Voltou para cá já portando uma ordem do governador de São Paulo, D. Rodrigo César de Menezes para prender Manoel Manso de Avelar e associados, entre eles um francês de nome Pedro Jordão (Jourdain?). A ordem também era para confiscar todos os bens dos envolvidos, inclusive de quem o prendeu.

Diz ainda Oswaldo Cabral que, avisados, os comparsas fugiram e se esconderam por três meses e meio nas matas, mas finalmente foram capturados e remetidos “para um calabouço da Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, em Santos.
O confisco dos bens foi decepcionante “pela pouca valia dos bens arrecadados”.
Sabedores do que ia acontecer teriam transferido suas propriedades e bens para nomes de terceiros? Usado "laranjas" em contratos de gavetas? Vai saber...

Acusações pra cá, defesa pra lá envolvendo dois poderosos, imagine o rebuliço na população da Vila da Laguna e da Póvoa da Ilha de Santa Catarina que vai virar Vila de Nossa Senhora do Desterro somente em 23 de março de 1726.
Os acusados conseguiram se safar, ganhando despacho favorável em 25 de junho de 1722 e voltaram à Ilha de Santa Catarina.
E daí, ambos, Brito Peixoto e Manso de Avelar “cada qual em sua póvoa, temendo-se vigiado pelo outro, recomeçaram os trabalhos, sob a arguta fiscalização de Dom Rodrigo Cesar de Menezes, governador e capitão general da Capitania de São Paulo”, a quem a Capitania de Santa Catarina estava jurisdicionada.

Mas escreve Oswaldo Cabral que os acontecimentos de tal maneira prejudicaram Brito Peixoto que mais no futuro de nada lhe adiantaram os pedidos ao El Rei, através do governador de São Paulo, de “um quinhão de terras para a lavoura”. Não mais no litoral sul lagunense, “mas junto às coxilhas do Rio Grande de São Pedro onde se preava o gado”.
Em agosto de 1733 Francisco de Brito Peixoto escreveu ao El Rei (D. João V, O Magnânimo, contando a narrativa dos serviços que seu pai (Domingos) e ele haviam realizado, pedindo-lhe “huns campos e terras que começão de hum Rio, a que chamão Taramandi (Tramandaí), da parte do Norte, correndo athé o Rio Grande”.
E finalizava Brito em sua carta:

“Para Vossa Majestade dispor o que for mais de seu serviço, lhe faço esta representação e suplico por os olhos de sua grandeza nos meus requerimentos e serviços que andam no tribunal, para que ao menos na minha velhice veja premiados os grandes trabalhos e despesas que eu e meu pai, que Deus haja, temos padecido em fazer e aumentar esta povoação para aumento deste estado e fazenda de Vossa Majestade”.

 E El Rei mandou o requerimento de Brito ao Conde de Sarzedas do governo de São Paulo, para que lhe desse informação sobre a conveniência da concessão.

O Conde passou os pedidos de informações à Câmara da Laguna que lhe respondeu.
Penso ser interessante a reprodução neste Blog da carta que enviaram os vereadores da nossa cidade com as informações devidas sobre Francisco de Brito Peixoto, e que Oswaldo Cabral trouxe na íntegra em seu valioso trabalho de pesquisa:

“Exmo. Sr.

Sobre o informe que V. Ex. nos pede ter sido ou não o capitão-mor desta Vila, Francisco de Brito Peixoto que abriu o caminho desta Vila para o Rio Grande de São Pedro e do Rio Grande para a nova Colônia, certificamos a V. Ex. ser verdade e sem dúvida alguma que além dele dito Capitão-mor e seu pai Domingos de Brito Peixoto terem sido os povoadores desta Vila da Laguna a custa de suas fazendas sem adjutório da Fazenda Real e despesa alguma ser verdade ter sido o dito Capitão-mor o que descobriu e facilitou o caminho e campos desta Vila para o Rio Grande de São Pedro e do Rio Grande para a nova Colônia como acima o dizemos por ordem que teve do Exmo. Sr. Francisco de Távora, governador e Capitão General que foi desta Comarca por assim lhe ordenar Sua Majestade a quem Deus guarde o que tudo fez o dito Capitão-mor a sua custa sem querer aceitar ajuda de custo com que lhe mandava assistir o dito senhor por ordem de Sua Majestade que Deus Guarde e hoje se acha facilitados os ditos caminhos que em quaisquer tempos se vai e vem por ele trazem gados e cavalgaduras há mais de sete ou oito anos de que se tem feito dos gados muita carniça de que tem ido muitas embarcações carregadas para a Vila de Santos e Rio de Janeiro e há coisa de dois anos e meio pouco mais ou menos que tem ido bastante cavalgaduras para a Vila de Curitiba a donde pagam os direitos a Sua Majestade.

Também nos pede V. Ex. informemos a distância que irá de Tramandaí até o Rio Grande sendo pela costa do mar grosso fazem ter pouco mais ou menos trinta léguas, porém não é esta a distância que pede o Capitão-mor desta Vila, só sim nos consta ter pedido a S. Majestade uns campos da praia para dentro sendo estes distintos dos mais campos que se segue para o Rio Grande como também lhe falta a comunicação para os campos de dentro para o Viamão por se dividirem por dois rios, um chamado Capivara Vermelha e outro Montiorí e este dois rios deságuam no Rio Grande e entre estes dois rios ficam os campos que pede o Capitão-mor que de comprido serão dez léguas pouco mais ou menos e de largo em parte terá meia légua e assim se vai seguindo em partes mais em partes menos esta é a verdadeira informação que podemos dar a V. Ex.

Passa o referido na verdade em fé do que passamos a presente certidão debaixo de juramento de nossos cargos passada em Câmara nesta Vila da Laguna, a 10 de novembro de 1734,

e eu João da Silva Pinto escrivão eleito por falta do da Câmara nesta Vila o escrevi. Manuel J, da Costa, Manuel Corrêa, Francisco de Moura Pires e Joseph Pinto Bandeira


O pedido de Francisco de Brito Peixoto foi negado. Logo a ele que depois de tantos sacrifícios e dedicação à sua pátria, onde empregou todos os seus recursos pessoais na povoação e exploração das terras ao sul. Logo a Brito, heroico bandeirante paulista, “patriarca da família rio-grandense”, com seus gestos patrióticos e de resignação.
Logo a Brito, Capitão-mor da Vila da Laguna e dos distritos da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande. Negado por um Rei a quem tanto serviu, denominado paradoxalmente "O Magnânimo". 
Medalhão de Francisco de Brito Peixoto no Monumento de seu pai, Domingos de Brito Peixoto, situado no centro da Laguna.

O pedido de terras foi negado sabe por quê? Porque uma comissão já havia enviado documento assinado ao El Rei, “fazendo a caveira” do Capitão-mor da Laguna, onde afirmava que Francisco de Brito Peixoto não havia ajudado a desbravar o sul. 
Deslavada e calhorda mentira! 
Atente ao detalhe: um grupelho mandou um documento direto ao El Rei, fazendo fofoca.
Veja só!
Ir à Capital do Brasil, Rio de Janeiro a partir de 1763, e a El Rei em Portugal ou remeter um documento desmerecendo um conterrâneo,  tentando destruí-lo,  já acontece desde aquela época!
Desde 1734!!! 

Diz Cabral que o documento contestando era assinado por Manoel de Barros Pereira, padre Manuel da Silva Albuquerque e Antônio L. Cardoso, e “evidentemente passado de encomenda por interessados em terras naquela zona e prevaleceu sobre o atestado pela Câmara da Laguna, valendo-se o governador sobre quantos documentos comprobatórios havia já fartas vezes apresentado o desbravador”.
E veja o que é a vida. Um deles que contestou, Antônio L. Cardoso inclusive havia sido agraciado um ano antes pelo próprio Capitão-mor Francisco de Brito Peixoto com terras nos campos de Itapoan. Baita traição.

Muita gente também ia à Desterro (e depois a já capital Florianópolis) a cavalo, ou pelo mar, a bordo de palhabotes para fazer intrigas. Nada muito diferente do que acontece em dias do presente e bem mais rápido do que naqueles tempos.
Por conta dessas fofocas, Francisco de Brito Peixoto, o filho do fundador Domingos, morreu amargurado, na miséria, em 31 de outubro de 1735, esperando suas terras no Rio Grande de São Pedro, tendo ao lado somente sua amada sobrinha, Ana de Brito, mulher que o confortou em seu leito de morte, conta Cabral. Há historiadores que defendem que Ana seria sua filha.
Pouco antes de fechar os olhos para todo o sempre, pediu que fosse enterrado aos pés da imagem de Santo Antônio dos Anjos. 

E finaliza Cabral na página 112 de sua obra citada: “Da terra bastava-lhe agora àquela que recebera o seu velho e cansado corpo. Assim recompensou El Rei ao seu vassalo”. 

Pouco depois, nem bem os olhos de Brito Peixoto haviam fechado para a vida e sesmarias (estâncias) às dezenas começaram a ser concedidas por El Rei no caminho e no Rio Grande de São Pedro, principalmente nos Campos de Viamão.

Mas Brito Peixoto não estava mais entre nós para presenciar essas cenas e mais esse desgosto. 

Como se vê, há sempre na Laguna uma comissão no meio do caminho. E sempre foi esse tipo de comissão que prejudicou esta cidade ao longo de toda a nossa história. Comissões formadas, na maioria das vezes, por pessoas que dizem amar Laguna, mas que cruelmente emperram o progresso desta terra e da sua gente, visando quase sempre seus próprios interesses.
Comissões que chegaram a esbarrar-se em antessalas de governadores e autoridades outras, cada uma puxando a sardinha para seu braseiro, impondo dificuldades, dividindo e enfraquecendo.
Uma comissão entrava no gabinete solicitando algo para a cidade. Em seguida outra comissão visitava a mesma autoridade e também solicitava, só que ao contrário, para que o pedido anterior não fosse atendido.  Laguna só perdia.

A união, por esses lados, nos dicionários de muitos, não existe. É ausente. Brigas, picuinhas, ciúmes políticos (e ciúme político de homem é mil vezes pior do que ciúme de amor de mulher), questiúnculas, disse-me-disse e fofoquinhas vão se sobrepondo a tudo e todos.
União! Eis a palavra chave. Enquanto este sentimento não vicejar por aqui continuaremos de pires na mão, “pedinchões”, aceitando migalhas e lamentando reivindicações nunca atendidas.

24 fevereiro 2021

Faleceu Anna Maria Rodrigues

Faleceu em nossa cidade na tarde de ontem, terça-feira, por complicações de um AVC, Anna Maria Rodrigues, aos 87 anos, viúva do saudoso mestre João Rodrigues (portuga) (falecido em 1993), que tantos serviços prestou à arte sacra da Laguna, principalmente como restaurador da nossa igreja matriz, e também ao nosso carnaval, principalmente na Escola de Samba Os Democratas.
Dª Anna fez parte do Coral Santo Antônio dos Anjos. Mãe de Albino, Rafael, Raquel e João Rodrigues Jr. Deixa ainda quatro netos e cinco bisnetos.
Corpo está sendo velado na sala mortuária da Central de Luto Cristo Rei (ao lado do Ceal) e sepultamento ocorre às 14 horas no cemitério da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio dos Anjos. 
Sentimentos aos familiares e amigos.

15 fevereiro 2021

Foto/Retrô/Carnaval da saudade

 
Sem a realização de carnaval neste mês de fevereiro, o pessoal ficou na saudade, com muitos relembrando e folheando velhos álbuns de fotografias amareladas pelo tempo.
Bem por isso escolhi alguns registros de jovens foliãs de carnavais passados. Algumas são até fáceis de identificar, suas fisionomias quase não se alteraram ou mudaram muito pouco. Outras nem tanto.
Mas para conhecê-las a gente conta com os leitores deste Blog, sempre tão atentos aos mínimos detalhes.
E quem sabe algumas delas, participantes, ao se identificarem nas fotos, possam citar os nomes de suas colegas, em carnavais de outrora que ficaram na saudade. 
Vai também duas fotos de arquibancadas com foliões/torcida. 
Não costumo aqui publicá-las mas abro uma exceção e trago duas do meu álbum de família.
Ano 1973. Bloco das lindas Pintoras no Clube Congresso. Em pé, da esquerda p/direita: Jaqueline Alcântara, Cleide Ungaretti Branco, Marcília Soccas, Rosana Novi, Maria Antônia Gomes Amboni, Maria José Gomes Amboni, Lisdelize Barreiros de Meira, Gizi Siqueira Mafra e Fernanda Mussi.
Agachadas: Luzana de Carvalho, Edelweiss Simas de Aguiar, Carmen Lúcia Laranjeira, Suelena Rollin, Julita da Silva Barreiros Guedes e Liliane Willemann Ungaretti. Diz a Julita que elas adentraram ao salão cantando a canção de Sérgio Sampaio de grande sucesso na época: "Eu quero é botar, meu bloco na rua/Brincar, botar pra gemer"...



Jovens Floristas em meados da década de 1960, com a Bandeira do Cordão Carnavalesco Bola Preta, no Obelisco da Praça Almirante Lamego, no Campo de Fora. Entre as componentes, Amélia Isabel Silva, Sônia Carpes Lameira, Magali Nicolazzi Bez, Rosa Branco, Viviane Crippa, Janete Speck, Maria Lúcia Rollin, Marilúcia Lopes Joaquim, as irmãs Elen e Elis Schneider. Quem mais? Quem mais?


Na arquibancada, década de 60, sentadinhos aguardando o desfile, reconheço o seu Lulú Nicolazzi (de gorro) e o médico e ex-prefeito da Laguna Dr. Paulo Carneiro, logo atrás.

Década de 60. Em outra arquibancada montada entre o Clube Blondin e o Banco do Brasil, Bloco animado de casais. Entre eles, na primeira fila, Maria Salete Remor e Munir Soares de Souza, Liane Laranjeira com o marido, Maria Amélia e Otto Siqueira. Lá em cima, na frente do rapaz de sombreiro, Nilza Luz e César Guedes. Quem mais? Quem mais?

Ano 1978. Bloco das lindas Melindrosas na rua Jerônimo Coelho, passarela do samba, preparando-se para adentrar ao Baile no Blondin: Nadir Rodrigues, Kátia Regina Guedes, Rosangêla Lemos e Vera Lúcia Teixeira. Fiz esta foto com minha primeira máquina fotográfica, uma Kodak Instamatic 54X, com flash embutido. Um luxo!

Do álbum de família descubro uma rara foto (1965) onde estou de Sheik com seu turbante, com minha irmã Kátia Regina, fantasiados, com nossa mãe Lorena Pacheco Guedes no Jardim Calheiros da Graça, na Praça Vidal Ramos, logo depois de um baile infantil no Clube Congresso. Ao fundo, à esquerda, a hoje conhecida Casa de Anita. A foto foi batida pelo meu pai Valmir Guedes. Na época não era praxe sorrir para fotos, ou o fotógrafo pedir um X, muito menos alguém fazer biquinho. Ou vai ver que não gostamos muito do baile, sei lá.

Faleceu a professora Elisabeth Daux Mussi

Faleceu nesta tarde em Florianópolis, onde residia e estava internada há alguns dias, a nossa eterna professora de Português, a lagunense Elisabeth Daux Mussi, aos 82 anos. Faria 83 no próximo dia 24 de abril.

Filha de Marta Daux Mussi e Mussi Dib Mussi. Irmã de Astride e Miriam. Residiu naquele sobrado situado na esquina das ruas Barão do Rio Branco com Duque de Caixas, aqui no centro da Laguna.
Faleceu um dia depois de seu primo-irmão, advogado Eduardo Luiz Mussi. (post anterior).
Elisabeth foi professora no então Conjunto Educacional Almirante Lamego (Ceal). Foi também professora de Catequese em nossa Paróquia. 
Educada, gentil, inteligente, dotada de ampla cultura, sabia transmitir os ensinamentos e era querida por todos nós seus alunos, além de direção e colegas discentes. Era formada em Letras pela Ufsc.
Que o Pai Celestial a receba com muita luz.
Sentimentos aos familiares e amigos.

14 fevereiro 2021

Faleceu o advogado Eduardo Luiz Mussi

Faleceu em Florianópolis na manhã deste domingo (14), o lagunense, advogado Eduardo Luiz Mussi, aos 79 anos.
Era filho de Carlos Mussi e Elisa Bulos Mussi. Irmão de Megálvio, Carlinhos Mussi, Amir e Ana Vitória.
Advogado Eduardo Mussi. Foto: OAB Tubarão.
O advogado Eduardo Mussi se destacou na área trabalhista em nossa região. Durante muitos anos, morando em nossa cidade, se deslocou para Tubarão, local de seu escritório. Depois, lá passou a residir em definitivo.
Promulgada a Lei do Divórcio no Brasil, em 1977, através de projeto do senador Nelson Carneiro, Eduardo Mussi foi o primeiro advogado na vizinha cidade azul a atuar nesta causa.
Em 2013 foi homenageado com uma placa pela OAB Subseção de Tubarão pelos serviços prestados à advocacia catarinense.
Corpo de Eduardo Mussi, que era portador de Alzheimer e estava internado para tratamento numa clínica na capital do estado, será cremado em Florianópolis nesta segunda-feira.
Sentimentos aos familiares e amigos.

05 fevereiro 2021

Foto-Retrô

Na década de 90, professoras aposentadas do então Conjunto Educacional Almirante Lamego (CEAL) posam à posteridade defronte à Estátua de Anita Garibaldi, em seu encontro anual de confraternização.
Entre elas, da esquerda p/ direita: Regina Ulysséa, Maria Isabel Bellaguarda Nacif, Rosilda Carneiro Mussi, Maria da Penha Silveira Pinho, Lúcia Baumgarten, Natércia Faria Ferreira, Ana Maria Mendes, Amélia Ulysséa Baumgarten Baião, Marília Faria Pagani, Rúbia Mendonça, (?) e Solange Nacif.

Nossos leitores podem citar outros nomes de professoras da foto?