sábado, 30 de maio de 2020

A lição de honestidade do Waldir

Ele pode ser encontrado quase que diariamente na esquina de um supermercado no Centro Histórico da Laguna.
Vive sentado em sua cadeira de rodas, com um velho e pequeno toldo a lhe proteger do sol e da chuva. A cadeira/bicicleta é necessária pela ausência de uma das pernas, subtraída devido a uma infecção contraída anos atrás.
Waldir, em foto anterior à pandemia e isolamento social.
Fica sempre ali, olhar pensativo, meio-sorriso no rosto, observando os transeuntes. Pedinte.
É conhecido da maioria das pessoas, mas sua história de vida vem de longe, tempo distante, atravessando os anos. Aliás, 68 anos completados no dia 8 de novembro de 2019.
Waldir Carola é seu nome. Melhor dizendo: Waldir Banana, como é mais conhecido.
Compõe mais um tipo popular, dos mais variados que vivem e viveram em nossa cidade, de todas as épocas. Pessoa simples, sem títulos honoríficos e medalhas.
São chamados de anti-heróis anônimos, seres humanos que exprimem a alma coletiva, na lição do drama da realidade da vida.
Vez por outra alguém lhe estende uma moeda, uns trocados, nas dificuldades do dia-a-dia.
Em sua infância e juventude, na idade dos divertimentos, dos cinemas, dos namoros de todo mundo, Waldir trabalhava. Vendia amendoim torradinho, pasteis e doces pelo centro da cidade, principalmente no então movimentado Jardim Calheiros da Graça. 
Foi também engraxate, dentre os inúmeros que existiam antigamente.

Dias atuais. 
Certa manhã qualquer de um dia de semana (antes do isolamento social por causa da pandemia do corona), uma senhora, sua conhecida, abre a bolsa e depois a carteira e lhe estende uma cédula de R$ 2,00. Agradecimento.
Ela segue seu caminho, rápida, em direção a compromissos outros em casas comerciais.
Cerca de uma hora mais tarde, a senhora retorna à sua residência, situada nas imediações da Praça República Juliana. Ao chegar à soleira da porta encontra o Waldir lhe aguardando.
Em silêncio, sorrindo, ele lhe entrega uma cédula de R$ 100,00. A senhora logo compreende:
- Não me diz que te dei 100 reais no lugar de 2 reais?
- Isso mesmo dona, são parecidas. Mas quando percebi a senhora já ia longe. Como sei onde a senhora mora, vim devolver. 
A senhora agradeceu, comovida e emocionada pelo gesto de honestidade, tão em falta em certas classes de engravatados de nosso país.
E fez mais. Aumentou a gorjeta, agora com alguns exemplares da cédula correta e mais uma boa recompensa, desejando ao Waldir que Deus o abençoasse.

É mais uma simples história, eu sei leitor, um singelo gesto acontecido na correria do dia-a-dia de uma pequena cidade.
Poderia passar despercebido em meio a tantas notícias? Sim, é verdade, mas quis registrá-lo nesta página, como lenitivo e esperança de que ainda há salvação.
Bem, e depois? 
Depois lá se foi o Waldir tocando pelas mãos as rodas de sua velha cadeira que rangia pelos paralelepípedos das estreitas ruas da nossa histórica Laguna.
Ia cantando feliz, com a consciência limpa e na tranquilidade dos justos.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Faleceu Adalbi Abrahão Massih

Faleceu nesta sexta-feira (29), em Imbituba, onde residia, o professor, escritor e historiador Adalbi Abrahão Massih, aos 79 anos.
Nasceu na Laguna em 22 de novembro de 1940, filho de Ondina Abrahão Massih e Miguel Abdul Massih.
Adalbi é irmão do advogado Adib Abrahão Massih (já falecido), do odontólogo Aldo Abrahão Massih e do funcionário aposentado da Casan Almir Abrahão Massih.
Adalbi Massih em 2019, quando do recebimento da Comenda Henrique Lage pela prefeitura de Imbituba.
Foto: Prefeitura de Imbituba/ Divulgação
Sua atividade profissional começou cedo, em 1954, como vendedor da firma Armarinhos Boa Vista, de propriedade de seu pai.
Cursou o primário no Colégio Stella Maris de nossa cidade. Fez o 1º Grau no Ginásio Lagunense. O então chamado 2º Grau, no Curso de Técnico em Contabilidade, no Colégio Comercial Lagunense (CCL). O Curso Superior, em Ciências e Pedagogia na antiga FESSC, hoje Unisul.
Foi secretário no Conjunto Educacional Almirante Lamego (Ceal).
Casado com a professora aposentada Maria do Carmo Souza Massih, que foi secretária municipal de Educação em Imbituba, na gestão de Jerônimo Lopes (1993-1996).
 Pais de Antônio Luís Massih e Karla de Souza Masssih.
Em 1972, a convite do professor Renato Machado, começou a trabalhar como professor no Colégio Estadual Engenheiro Annes Gualberto, em Imbituba. Lecionou na Escola Básica Henrique Lage e Colégio João Guimarães Cabral, na vizinha cidade.
Em 1995 lançou seu primeiro livro: “Coletânea Folclórica”, resgatando tradições e influências açorianas, além das culturas afro-indígena.
"Santa Catarina - Prosa e Verso" foi lançado em 1998, com 240 páginas.
Em 1999, pela editora Copiart, lançou "Dicionário de História", 190 páginas.

Em 2003 publicou “Fatos, Fontes e Vultos Históricos da Laguna”, livro que dedicou aos seus pais Ondina e Miguel.

Na capa a foto em homenagem aos seus pais Ondina e Miguel.

A obra traz em breves resumos, a história da Laguna, seus fatos e vultos notáveis, além de discorrer sobre algumas famílias que marcaram o desenvolvimento da nossa cidade.


Em 2004 o Adalbi Massih publicou "Praças, Ruas e Avenidas de Imbituba", edição do autor.
Nas eleições deste mesmo ano foi candidato a vereador em Imbituba pelo PL, ficando na suplência.
Em 2006 surgiu de sua autoria “Brasil, Fatos, Fontes e Vultos Históricos”, uma ampla pesquisa de 229 páginas com variados assuntos em diversas áreas do Brasil. Ideal para estudantes e para candidatos a concursos.
Foi membro da Academia de Letras de Imbituba.
Palestrante sobre variados assuntos, principalmente os ligados à cultura e história.
Em 2017 recebeu a Medalha Poeta Vevé, da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina.
Em 2019 foi agraciado pela prefeitura de Imbituba com a Comenda Henrique Lage e recebeu a honraria das mãos do prefeito Rosenvaldo Júnior.
Sentimentos aos amigos e familiares.

PS: Tenho todos os seus livros editados, assim como as obras lançadas de todos os escritores lagunenses, de todas as épocas.
Lamento que o professor e escritor Adalbi Abrahão Massih nunca tenha sido homenageado em sua terra natal. E foram realizadas 38 semanas culturais...
Mas até aí nem uma novidade. Nossos pais e avós já diziam que Laguna sempre foi uma ótima madrasta e uma péssima mãe. 
Nada mais verdadeiro.

Eu voltei pras coisas que deixei...


Pois é. Fui dar uma pausa no Blog em setembro do ano passado, para realizar umas leituras e pesquisas históricas. E o tempo passou.
Foi-se o Natal de 2019, ano novo, carnaval de 2020 e quando vi, já estávamos de “quarentena”, no chamado isolamento social. E o Blog desde então foi deixado de lado, sem qualquer atualização.
Os amigos me encontravam, mandavam e-mail, ligavam, passavam um Whats indagando pelo retorno. Sinceramente, eu não me animava.
Agora, sem mais delongas retorno a ele, na continuação da publicação de pesquisas históricas, fatos e fotos da nossa Laguna. E seus personagens.
Não é todo mundo que gosta, mas há quem adore. É para esses que eu escrevo. Podem não ser muitos, mas são fiéis. Ninguém pode contentar e agradar a todos, afinal.
Antes um aviso: Este blog não é um canal de notícias da Laguna, atualizado diariamente. Para isso existem inúmeros portais por aí, de colegas muito mais qualificados, competentes e profissionais.
Aqui se quer apenas (re)lembrar o passado (com pinceladas no presente) em busca de uma leitura prazerosa e interessante, nos mais variados assuntos.
Se servir também de base, de alguma forma, para futuros pesquisadores e escritores em suas obras, me dou por satisfeito.
E, fiquem certos, há muito que pesquisar e escrever sobre a nossa Laguna. Em todas as áreas.