domingo, 28 de outubro de 2018

Resultados oficiais das eleições na Laguna -2º turno 2018

Para presidente do Brasil
Jair Bolsonaro: 18.029 (72,00%)
Fernando Haddad: 7.011 (28,00%)

O eleitorado da Laguna é de 34.796, conforme dados da Justiça Eleitoral. 112 seções.
Deste número, compareceram neste segundo turno 27.206 (78,19%), com uma abstenção de 7.590 (21,81%).
Brancos 555 (2,04%) 
Nulos 1.611 (5,92%).
Votos válidos 25.040 (92,04%).
Para ampliar clique na imagem:

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Para governador de Santa Catarina
Comandante Moisés: 17.249 (71,79%)
Gelson Merísio: 6.779 (28,21%)

Brancos: 829 (3,05%)
Nulos: 2.349 (8,63%)
Votos válidos: 24.028 (88,32%).
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sábado, 20 de outubro de 2018

O naufrágio do Vapor Catalão no Farol de Santa Marta

“Fazer jornalismo é produzir memórias”
(Geneton Moraes Neto)

Amanhecia naquela segunda-feira, 13 de março de 1911. Logo uma notícia correu como um rastilho de pólvora pela Laguna que acordava sonolenta para mais uma semana. Um navio havia naufragado na localidade do Farol de Santa Marta.

A embarcação se acidentou por volta das duas horas da madrugada, encalhando ao sul do Farol de Santa Marta, entre as Praias da Cigana e Cardoso, defronte ao Ilhote (que na verdade não é ilha) do Cardoso.
Desenho ilustrativo de um paquete a vapor do século XIX.
Imediatamente seguiram para o local o delegado de polícia da Laguna, Antônio Soares da Silva, dois guardas da Mesa de Rendas Federais e várias outras pessoas, curiosos em sua maioria, como sempre acontece quando se trata de acidentes.

O navio Catalão
Nas primeiras informações colhidas no local, soube-se que se tratava do Vapor Catalão, de 4 mil toneladas, que havia pertencido à Companhia Transatlântica Argentina, mas agora de propriedade da firma Darisch & Cia., do Rio de Janeiro. Era sua primeira viagem com bandeira brasileira. Vinha de Buenos Aires com destino ao Rio de Janeiro, Bahia e Pará.
O navio era um paquete, media 100m6cm de comprimento com 12m6cm de largura, construído pelo Estaleiro inglês Stephenson Robert & Co. Hebbun-On-Tyne, em 1889.
A tripulação, incluindo-se sua oficialidade, compunha-se de cinquenta pessoas.
Era comandante do navio, Lúcio Duarte Valente. Em protesto lavrado, informou que o acidente foi provocado “pela correnteza oceânica e a cerração que havia naquela fatídica noite”.

Carneiros, bois e vacas no porão
O carregamento constava de alfafa, charque, molhados e perfumaria. Não se achavam no seguro nem o casco do vapor nem sua carga.
Trazia também a bordo, em seus porões, cerca de 800 carneiros, além de 190 bois e vacas. Alguns desses animais de pura raça, como uma vaca holandesa e uma égua de puro sangue.
Muitos desses animais morreram na tentativa de salvamento, mas a maioria foi desembarcada ali mesmo, na praia, ficando solta nos campos vizinhos.

Um corpo embalsamado
Um fato curioso e deveras triste. A bordo vinha o corpo embalsamado da filha de um coronel de sobrenome Fragoso, que havia integrado a Casa Militar do ex-presidente do Brasil, Afonso Penna. “Falecendo em terra estrangeira quis ser sepultada em terra de sua pátria”. Certamente seu último desejo em vida. O jornal O Albor, de onde retirei a informação, não informa seu nome nem a causa mortis.
Já o jornal O Dia, de Florianópolis, edição do dia 18, informa que "O caixãozinho deu à praia no lugar do sinistro. Sabendo da ocorrência o governador do estado telegrafou ao superintendente Municipal da Laguna, Oscar Pinho, solicitando que o caixão fosse recolhido e posto à disposição dos parentes da criancinha".

Fiscalização
Em 16, chegava ao nosso porto o rebocador "Florianópolis", da Alfândega da capital do estado. Trazia o guarda-mor major Raul Tolentino, o escriturário Demóstenes Veiga, guardas e uma força de 20 praças do 54º Batalhão de Caçadores, de Florianópolis. O aparato era para fiscalizar, controlar saques e checar os muitos boatos que circulavam pela cidade, principalmente o de que a bordo do navio naufragado teria vindo grande quantidade de contrabando, principalmente o charque oriundo da Argentina.
Bem por isso a chegada de autoridades fiscalizadoras. O jornal O Albor também noticia que no dia 22 veio pelo navio “Meta”, proveniente de Florianópolis, o conferente da Alfândega Ignácio Mascaranhas. Dois dias antes já haviam chegado o inspetor da Alfândega, Vossio Brígido e o escriturário Sabino Espíndola Colombo.
Reclamações e queixas
O proprietário do Catalão, o armador Pedro Santerre Guimarães se queixava às autoridades do tratamento recebido. Numa carta enviada ao jornal O País, do Rio de Janeiro e publicada em 22, denunciava que muitos animais seus haviam sido abatidos ou se perderam; que seu vapor havia sido invadido, saqueado, com consumo de conservas/suprimentos que restavam.
Reclamava que a fiscalização da Alfândega queria enviar a carga para Florianópolis “com grandes dispêndios e prejuízos, quando tenho neste porto um vapor especialmente fretado para esse fim. O dono das cargas, que se acha presente, deseja reembarcar para o Rio, tomando o fisco as providências no lugar conveniente para acautelar seus interesses”.
E finalizava: “Vou lavrar um termo de abandono do vapor, protestando por perdas e danos causados”.
De fato, desde o dia 20 daquele mesmo mês, portanto sete dias após o incidente, estava atracado em nosso cais do porto do centro da cidade, o vapor "Nacional Oceano", também de propriedade de Santerre Guimarães. Era comandado por Estevão Lopes Maurício e aguardava o desenrolar dos acontecimentos com intuito de levar os salvados, tripulantes e oficiais do Catalão para o Rio de Janeiro, destino final e interrompido.

Divergências
Em sua edição de 19 de março o jornal O Dia noticia que de acordo com o guarda-mor da Alfândega, Raul Tolentino, os salvados até aquele dia foram: 140 vacas, 2 cavalos, 180 ovelhas e 65 volumes com mercadorias diversas. "Sabemos que 50 marinheiros vagueiam pela praia sem recursos".
Na edição do dia seguinte, o mesmo jornal informa que "mais 600 carneiros foram salvos (arrecadados), assim como mobílias, espelhos e alguns caixotes com seda".
Há uma informação importante também. A de que o Catalão (casco e equipamentos) teria sido vendido a negociantes da Laguna (sem citar seus nomes). O jornal O Albor, em 19, havia dito tratar-se de João Guimarães Pinho e Francisco Martins Cabral. O valor? 5:000$000 (cinco contos de réis). Numa conversão aproximada hoje com o nosso real, cada conto de réis equivaleria a cerca de R$ 120.000,00. 

Divergências
O Albor comenta que havia divergências entre o proprietário do navio naufragado, Santerre Guimarães, e os representantes do fisco.
Mas até o fim daquele mês, ao que se deduz tudo foi legalizado, ânimos acalmados, multas pagas, impostos e taxas recolhidos pelo transporte da carga, principalmente o charque. Os proprietários, do navio e da carga, devem ter entrado num acordo com os fiscais da Alfândega e regularizado todas as pendências. Não haveria outra saída, devem ter chegado à conclusão. Era isso ou o prejuízo total.
Em sua edição de 29 de março, O Dia informa que "o comandante do Catalão foi autorizado a reembarcar no "Oceano" a carga que vinha naquele vapor".

No dia 31, os salvados partem
No dia 31 de março, O Albor noticiava que do cais do velho porto, zarpava o vapor "Nacional Oceano", “conduzindo os salvados do paquete Catalão!”.
Lá se ia o que pode ser recuperado, além dos tripulantes e a oficialidade que por aqui ficaram hospedados 17 dias. O jornal não informa se todos os animais que foram salvos também seguiram nos porões ou se alguns deles ficaram para trás, negociados na praça.
E o corpo embalsamado da filha do coronel Fragoso? Nem uma linha do semanário. Imaginemos que também seguiu viagem em busca da paz do seu campo final de repouso, em sua terra natal.

“Acompanhando os salvados seguiu a bordo o sr. Colombo Espíndola Sabino, escriturário da Alfândega e um guarda”. Trata-se de Manoel Luiz Barbosa, de acordo com o jornal O Dia, de Florianópolis.
Com tudo o que aconteceu, a presença das duas autoridades certamente era uma garantia que a viagem seguiria até o Rio de Janeiro sem maiores paradas ou contratempos.

Um cartão, a guisa de despedida
No mesmo dia 31, a bordo do navio Oceano, o comandante do Catalão se despedia dos lagunenses, pronto para partir.
Ao jornal O Albor enviou um cartão com os seguintes dizeres:
“Lúcio Duarte Valente, comandante do Vapor Catalão, envia as suas despedidas, pedindo o obséquio de tornar público o seu reconhecimento pelas muitas provas de carinho e afeto que recebeu do povo da Laguna. Sem mais, subscrevo-me, admirador, amigo e obrigado”.
Eis o lagunense, sempre dando mostras de sua hospitalidade, principalmente nas adversidades. E isso lá no início do século XX.


Deixados para trás
 O jornal O Dia, noticia em sua edição de 2 de abril, que "Apresentaram-se na Capitania dos Portos da Capital, três tripulantes do Vapor Catalão, deixados na Laguna pelo respectivo comandante, em abandono sem pagar-lhes as soldadas". (salários). O capitão dos Portos de Santa catarina, capitão de corveta Tito Alves de Brito telefonou para a Capitania do Rio de Janeiro a respeito e conseguiu passagens para esses homens pelo paquete "Sírio".

Na edição de 2 de abril, O Albor noticiava que na mesma data em partiu o vapor "Nacional Oceano" com os salvados para o Rio de Janeiro, partiu também pelo "Max", este para Florianópolis, o Inspetor da Alfândega, Vossio Brígido e o 2º escriturário Demóstenes Veiga.
Na mesma viagem seguiu o tenente João Costa Mesquita, comandante do 54º de Caçadores, “que aqui permaneceu por alguns dias”, com seus soldados. Fez questão de comparecer à redação do "O Albor" “agradecendo a maneira gentil porque foi tratado pelos lagunenses”.

O telégrafo ligando o Farol ao centro da cidade
Nesta mesma edição, O Albor noticiava que o capitão de Fragata Tito Alves de Brito, dos Portos de Santa Catarina, solicitava ao governo Federal a instalação de uma linha telefônica ligando o Farol de Santa Marta à Estação Telegráfica do centro da cidade da Laguna.
O pedido tinha razão de ser. O Farol, de tamanha importância para segurança marítima, ficava isolado. Todo e qualquer acidente, principalmente naufrágios, uma constante naquela região, dependia de comunicação via terrestre ou marítima pelo Rio Tubarão e Lagoa até ao centro da cidade. Ou a cavalo, por caminhos quase sempre tomados por cômoros de areia.
Dois meses depois, em 16 de julho, o telégrafo era anunciado para breve, ligando o centro àquela localidade. Era a comunicação chegando finalmente à “região da ilha”.

Restos mortais do navio podem ainda ser vistos
Na Laguna ficaram os restos do navio Catalão, a poucos metros ao sul do Farol de Santa Marta, defronte ao Ilhote do Cardoso.
Os restos do navio Catalão, partido ao meio, defronte ao Ilhote do Cardoso,
ao sul do Farol de Santa Marta. Há divergências. Pode ser também parte do navio Aldabi,
naufragado anos depois, em 1937  e no mesmo local.
Com o tempo, o açoite do mar e os ventos, a embarcação foi se desmanchando, dividida ao meio, sendo engolida aos poucos pela areia do mar.
Seus restos, submersos, tornaram-se um rico parcel e ainda podem ser observados em rasos mergulhos, apesar da correnteza sempre perigosa. Quando o mar está calmo a silhueta do navio pode ser vista da superfície.
Infelizmente não encontrei até aqui uma foto do navio quando do naufrágio ou mesmo anteriormente.

O navio Catalão se enquadra no conceito de patrimônio cultural subaquático, “definido pela Unesco como todo resquício de existência humana que esteja submerso por pelo menos 100 anos”.
Lá está, há 107 anos, resto de esqueleto carcomido pela maresia. Lá está, submerso numa praia que lhe serviu de túmulo. Não singra mais os mares deste mundo, levando riquezas e homens-marinheiros sonhando todos os portos.
Lá está, sobra de uma história que se perdeu no tempo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Antônio Guimarães Cabral, o Pereira, o maior orador da Laguna

O orador na Laguna que mais se destacou ao longo de trinta anos em nossa sociedade, foi Antônio Guimarães Cabral, o Pereira.

É fato que Laguna sempre foi pródiga em oradores, em seus discursos nos estilos mais variados: político, esportivo, recreativo, religioso, social e literário.
Dentre alguns nomes podemos destacar padre Manoel João, Osvaldo Rodrigues Cabral, Norberto Ulysséa Ungaretti, Armando Calil Bulos, Ruben de Lima Ulysséa, Abelardo Alcântara. Mais recentemente, Juacy Ungaretti, Adib Abrahão Massih, Ronaldo Pinho Carneiro, Archimedes de Castro Faria, José Paulo Arantes, entre outros.
Dentre as mulheres, Maria de Lourdes Barros, Amélia Baungarten Baião, Hilda Soares Bicca, Maria Serafina de Oliveira, Nêmesis de Oliveira.

Quem foi Antônio Guimarães Cabral
Nasceu na Laguna, em 18 de junho de 1879. Filho de Rita Torres Guimarães Cabral e Francisco Carlos Cabral, tronco de onde originou-se a numerosa família “Guimarães Cabral”.
João Guimarães Cabral, o Pereira, discursa. Foto: Acervo Antônio Carlos Marega.
Era irmão de João Guimarães Cabral (João Neném), que foi superintendente (prefeito) da Laguna, José Guimarães Cabral (Juca), este, juntamente com Ataliba Goulart Rollin (seu cunhado), foi quem criou a Sociedade Aformoseadora, com a construção do cais (1910) e Jardim Calheiros da Graça (1915). Outros dos seus irmãos: Ana Guimarães Cabral (dª Santa), esposa do dr. Ismael Ulysséa, Felipe, Alice, Maria (Mariquinha), Elisa (dª Tuná), Manuela, Josefa, Marfiza e Lília (tia Velha). As três últimas sem descendentes.

Antônio Guimarães Cabral, o Pereira. Seu apelido perdeu-se no tempo, talvez recebido na infância por causa de um bloco de carnaval com seu famoso refrão. Ou terá sido por causa do sogro, de sobrenome Pereira? São apenas conjecturas. Vários de seus colegas que escreveram postumamente em sua homenagem nas páginas dos jornais, disseram ignorar o motivo da alcunha. 
Pois Antônio Guimarães Cabral fez seus estudos primários em nossa cidade, no Colégio Duarte, fundado em 1882 pelo professor João Maria Duarte. Depois Cabral foi para Blumenau estudar no Colégio dos Padres. Mais tarde se transferiu para Florianópolis onde terminou com brilhantismo o curso secundário no “Partenon”.
Dali seguiu para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Faculdade de Medicina da então Capital Federal.
Doente de uma “estafa nervosa”, como se denominava a atual depressão, por causa dos rigorosos estudos, foi forçado a abandoná-los no segundo ano do curso.
Regressou a Laguna, onde abriu uma escola particular.
Em 1910, foi nomeado promotor da Comarca da Laguna.
Depois, exerceu o cargo de secretário da prefeitura de nossa cidade, representando-a em vários congressos pelo estado.
Alguns anos mais tarde foi nomeado fiscal de estatística da Inspetoria Federal de Portos, Rios e Canais, com atividades no porto da Laguna.

Quando em 1933 a Inspetoria foi transformada em Departamento Nacional de Portos e Navegação, passou ao cargo de escrevente, com posto no porto de Paranaguá (PR). Voltou a Laguna alguns meses depois, já com a promoção de escriturário na mesma repartição.
Era colaborador do jornal O Albor e jornalista filiado à Associação Catarinense de Imprensa.
Foi presidente do Clube Congresso Lagunense em 1914/1915.
Em 1933, juntamente com toda a diretoria daquela tradicional sociedade recreativa, formada por Pedro Silva, Antônio Baião, Manuel Pinho, Carlos Cabral e Ildefonso Batista, demoliram o velho casarão do clube, construído em 1897.
Em seu lugar ergueram outro mais compatível com o franco desenvolvimento da cidade.
Em 4 de novembro de 1934 o novo edifício foi inaugurado, situado entre as ruas Voluntário Carpes e Jerônimo Coelho, e é o que conhecemos, estando atualmente fechado à espera de reforma e revitalização.

Falecimento
Na madrugada de 19 de abril de 1938, João Guimarães Cabral, o Pereira, falecia repentinamente, envelhecido precocemente, em sua residência aos 59 anos, deixando a esposa Maria Antunes Neto (da família de Thomaz Pereira Neto, conforme nos informa Norberto Ulysséa Ungaretti em seu livro “Laguna um pouco do passado”, pg. 253, edição do autor, 2002) e quatro filhas (Dagmar, Ivete, Débora e Diana).
Por ironia do destino ou silêncio respeitoso de seus amigos, foi sepultado sem discurso, ele que tanto usou da palavra ao longo de sua vida.
Ainda na edição de 9 de abril de 1938, portanto dez dias antes do seu falecimento, o jornal O Albor publicava em sua capa um derradeiro artigo seu sobre os 50 anos da Associação Brasileira de Imprensa e uma análise sobre a imprensa catarinense.

O mesmo jornal O Albor noticiava na edição seguinte a morte de seu assíduo colaborador:

“Laguna perdeu um dos seus maiores filhos. O seu elevado espírito de bairrismo, tantas vezes demonstrado nas tribunas, na imprensa e nas suas palestras acaloradas, tornara-no o maior defensor da terra que lhe serviu de berço.
Para muitos ele foi um visionário. Para outros, porém, que melhor o compreenderam, ele foi a voz do passado, a alma viva do presente, vibrando pela grandeza futura da Laguna”.

Mário Mattos, numa crônica no jornal O Albor, despediu-se de seu grande amigo escrevendo poeticamente:

“Antônio Guimarães Cabral, que por mais de trinta anos disse as melhores orações ao nosso povo em praça pública, não há de se negar ter sido o apóstolo moldado na pertinácia de São Paulo.
Morreu quando, sem forças para mais dizer, subia a colina, a ver do alto, no enlevo de uma poesia sagrada, o espetáculo do crepúsculo encantador de nossas tardes, como a dizer por último, naquele estertor sublime do poeta:
- Adeus céu da minha terra! Adeus colorido encantador que me fascinaste a vida! Adeus infinita grandeza que tanto sonhei em vão, mas que muito me conduziu para a verdade! Fica, e fala por mim aos meus conterrâneos de agora para sempre!”.

“O namorado da Laguna”
Alguns cronistas contemporâneos seus deixaram na escrita suas impressões sobre o orador e a pessoa do Pereira. Belos textos, sábias e lindas palavras que o homenagearam há época ou alguns anos depois e que merecem a lembrança e transcrição de alguns trechos aqui nesta página.
Antônio Guimarães Cabral,
com sua típica indumentária: capa,
chapéu côco  e seu inseparável
guarda-chuva.
Arquivo: Marega
Numa crônica transcrita pelo jornal O Albor, poucas semanas após o falecimento do Pereira, o colunista  da Gazeta do Rio de Janeiro, Renato Barbosa assim se expressou sobre o maior orador da Laguna:

“No crescente utilitarismo dos dias que se sucedem, Antônio Guimarães Cabral – o Pereira, enamorado de sua terra e sempre embevecido de sua gente -, era um dos derradeiros românticos da velha Laguna”. (...).
“Discursou muito, porque gostava de discursar. Discursou pela mocidade afora e discursou pela velhice adentro”. (...).
“Apaixonado pela história possuía apreciáveis conhecimentos da vida catarinense e, em cada nota de tradição, destacava e relembrava a ocorrência determinante.
Era um justo, sem dúvida; intelectual, não possuía tempo para destruir, nem para invejar, pois vivia debruçado nos alcandorados mirantes dos seus sonhos, para dentro da paisagem de si próprio; jornalista, ele o soube ser, com admirável sentido de brasilidade; orador, a sua voz se fez sempre a voz da exaltação, pela bondade; a voz da emoção, pelo exemplo.
Parece que estou a vê-lo a se agitar, sorrindo sempre dentro do estonteante poema que diviso daqui, neste entardecer lagunense: alto, magro, sobraçando sempre jornais e revistas, ávido de leitura, deslizando pelos entrechoques brutais da vida de hoje, cheia de colisões e de conflitos de interesses, como rápida iluminura da Laguna romântica de outros tempos” (...).
E com chave de ouro, finaliza sua escrita poética dizendo:

“Quando soube de seu falecimento, compreendi que a cidade perdera um dos organizadores da sua feição peculiar.
É que, entre eles – entre Pereira e a Laguna -, existiu sempre um namoro inconsequente de crianças, que só a morte consegue destruir”.

Um devorador de almanaques sempre com um jornal ou livro sob o braço
Arno Duarte, do Rio de Janeiro, escreveu sobre o Pereira em dezembro de 1947, na "Revista Cidade Juliana", publicação do Cordão Carnavalesco Bola Preta, de nossa cidade, em edição única, comemorativa pelo 10º aniversário do Bloco:

“Era garoto, mas me lembro bem dele. Quase sempre de guarda-chuva, quer chovesse ou fizesse sol, de roupa escura, gravata comum, colarinho duro, passeava pelas ruas da Laguna, lendo aqui ou acolá, um trecho de um livro ou período de um artigo de uma revista qualquer.
Teve sempre também, predileção pelos almanaques. - Por que será que quase todos os intelectuais gostavam de lê-los? Rui Barbosa dizia a seus amigos:
- Fulano, leia, leia sempre, até mesmo almanaques. Machado de Assis, também gostava e muito. Lincoln, o grande estadista norte-americano, passava horas e horas lendo almanaques.
Pereira, também o fazia. No final de cada ano, percorria farmácia por farmácia, solicitando almanaques para o ano vindouro. E os devorava pela leitura, todos, sem exceção”.

E Duarte demonstra toda sua admiração pelo Pereira, ao dizer:
“Foi e será sempre um incentivo aos moços pobres e provincianos. Porque pobre e provinciano foi em vida. Porque pobre e provinciano morreu. Mas, viveu como rico, como milionário em espírito.
Nunca, pelas ruas sinuosas e poeirentas de sua cidade, viu-se o grande lagunense, o maior de todos, sem dúvida, sem um jornal ou livro sob o braço. Fazia seu “ponto” diariamente, numa livraria, sito naquela época, na rua Tenente Bessa. Nessa casa, as obras mais recentes, assim como, revistas e jornais, eram vasculhadas por ele. A leitura era indispensável. Talvez a alimentação não o fosse. A espiritual era”.

“Frases ricas e belas imagens”
Todos esses testemunhos da época dão conta da grandiloquência de Antônio Guimarães Cabral, do seu dom pela oratória, chegando mesmo a ofuscar, a sufocar os mais diversos outros oradores que usassem a palavra a sua frente.
O colunista Agenor dos Santos Bessa, numa crônica publicada muito tempo depois, no jornal Sul do Estado, de 18 de setembro de 1982, relembra o Pereira, a quem conheceu em sua mocidade:

“Sua palavra quando jogada ao ar, era toda composta de frases tão ricas de belas imagens, que só ao surgir sua figura ao alto, diante das multidões, os aplausos ao estrugir, contaminavam o lagunense de entusiasmo que aquele tipo de Demóstenes infundia para envaidecer o conterrâneo”.

Bessa destaca mais adiante:
“O Pereira tinha não só o gosto pela oratória. Ele carregava consigo o dom da palavra e não se furtava em romper o verbo em qualquer ocasião que se prestasse para tal. Como surgiam os improvisos nos momentos tão adequados! Mesmo sem ser convidado ou que houvesse sido incumbido de discursar nas reuniões promovidas pela prefeitura, da qual era secretário, ele pedia a palavra e, como se estivesse preparado adredemente, brilhava para gáudio dos presentes, por que naquele tempo todos sabiam apreciar a boa palavra”.

Sucesso e emoção em discurso em teatro em Paranaguá
O colunista Agenor Bessa conta uma história passada em Paranaguá, no vizinho estado do Paraná.
Antônio Guimarães Cabral, o Pereira, estava trabalhando naquela cidade e foi convidado por um amigo para assistir uma peça musical no teatro local. O amigo havia adquirido ingressos e o instalou num camarote.
A certa altura o nosso Pereira, num dos intervalos, levantou-se e soltou o verbo. A plateia ouviu a tudo em silêncio e ao final desmanchou-se em salvas e palmas pela brilhante oração. “Pereira não conteve o entusiasmo e chorou”.
E Bessa finaliza seu testemunho dizendo: “Para ele dirigir-se ao hotel, teve que esperar mais de uma hora para poder sair do teatro, porque toda aquela gente queria conhecer-lhe e cumprimentar-lhe”.

O Centro Cultural que levou seu nome
Em 22 de julho de 1943, quatro anos após seu falecimento, foi fundado na Laguna o Centro Cultural Antônio Guimarães Cabral.
A instituição foi criada, entre outros, por João Ezequiel de Souza, José Paulo Arantes, Osmar Cook, Gabriela Grandemagne, Elisabeth Ulysséa, Asdrúbal Martins Alcântara, Aceson Lopes, João Rodolfo  Gomes (Joca Moreira), José Lopes Ferraz e Francisco Coelho.
Uma reunião solene do Centro  Cultural Antônio Guimarães Cabral na década de 1950.
À mesa, entre outros, o então prefeito da Laguna Alberto Crippa (gestão1948-1951),
José Paulo Arantes e Ruben Ulysséa. Foto: Acervo Antônio Carlos Marega.
Uma verdadeira Academia literária
O Centro Cultural era dirigido por uma diretoria que se alterou ao longo dos anos, mas as decisões, sempre por votação, eram tomadas por 21 membros efetivos.
“Reuniam-se semanalmente, às sextas-feiras, dividindo os trabalhos em dois períodos: expediente, tratando do movimento da tesouraria e secretaria; e o literário, abrangendo a dissertação de temas, comentários sobre fatos históricos e ligados à literatura, além de exaltação aos patronos das respectivas cadeiras.
É interessante saber-se que cada membro efetivo tem seu patrono escolhido dentre as figuras mais expressivas da literatura e história nacional”.

Como se pode constatar, uma verdadeira Academia Lagunense de Letras. Isso em 1943!

Criado por membros do Bola Preta
O Centro Cultural primeiramente funcionou na sede do Clube (Cordão Carnavalesco) Bola Preta, na Rua Raulino Horn, local onde foi criado, já que a maioria de seus membros fundadores pertencia ao Bola Preta.
A Biblioteca do Centro Cultural Antônio Guimarães Cabral recebeu o nome do nosso maior poeta simbolista, o catarinense Cruz e Sousa.
Em seu início, contou em seu acervo com apenas 116 livros doados pelos próprios sócios do Bola Preta que, por sinal, mantinham uma biblioteca em sua sede.
Em quatro anos de existência, através de aquisições e doações, a Biblioteca do Centro Cultural já contava com 1.104 volumes e já funcionava em outro local, numa casa na então Praça da Bandeira, hoje República Juliana.
Foi a terceira biblioteca pública criada na Laguna.
A primeira foi em 1876; a segunda, a Biblioteca Sávio Siqueira, criada pelo Cordão Carnavalesco Bola Preta em sua sede; a quarta e atual, denominada Biblioteca Professor Romeu Ulysséa, foi criada em 19 de agosto de 1969 pela Lei nº 14/69, no governo do prefeito Juaci Ungaretti, mas somente instalada em 29 de maio de 1980, na gestão do prefeito Mário José Remor.
Registre-se que o secretário de Educação e Esportes de Mário Remor era José Paulo Arantes, um dos fundadores do Centro Cultural lá em 1943.

Cursos de inglês e esperanto
O Centro Cultural fez tanto sucesso, que chegava a 500 visitas mensais em 1947 e em duas salas adaptadas funcionavam dois cursos: o de inglês e de esperanto, “oferecendo desta forma, oportunidade às pessoas que desejavam iniciar-se nos conhecimentos destas duas línguas, largamente difundidas nos dias que correm”.

Embrião do Museu Anita Garibaldi
Aliás, foi em suas salas, a partir de 1947, que se começou a preservar as primeiras peças e móveis de época para compor o futuro e eclético Museu Anita Garibaldi.
Em 1949, o Centro Cultural homenageou o centenário da morte de Anita Garibaldi (4 de agosto), com eventos nos dias 31 de julho e 1º de agosto.
No dia 31 aconteceu a posse da nova diretoria da entidade, e às 16h30m a inauguração de um pequeno museu, já denominado Anita Garibaldi, além das novas instalações do Centro, que passou a funcionar em duas salas com entrada pelo lado norte do atual prédio.
Já no dia 1º de agosto, às 20 horas, aconteceu uma conferência sobre a nossa heroína proferida pelo professor Ruben Ulysséa.
O Museu foi inaugurado oficial e solenemente bem mais tarde, em 17 de abril de 1956, no centenário da Comarca, ocupando todo o prédio que serviu no passado de Câmara e cadeia. Um dos maiores batalhadores pelo Museu foi o juiz da Comarca da Laguna, João Tomaz Marcondes de Matos, aqui chegado em 1954.
Porém, o Museu só foi oficializado seis meses depois, pela Lei nº 222, de 15/10/1956, assinada pelo prefeito Walmor de Oliveira.

O Centro Cultural foi declarado de Utilidade Pública pela Lei Estadual nº 319, de 31/10/1949. Projeto de Lei apresentado à Assembleia Legislativa pelo deputado estadual, o lagunense Osvaldo Rodrigues Cabral.
Ainda em 1962, o Centro Cultural Antônio Guimarães Cabral funcionava e tinha sua diretoria constituída, conforme pode ser observado numa circular publicada no jornal O Albor, abaixo. 
Era presidente da entidade José Paulo Arantes, com Maria Serafina de Oliveira como secretária. No ano seguinte assumiria este cargo, Ada Teixeira, irmã do conhecido Osni Teixeira, conforme informação a este autor de Carlos Augusto Baião da Rosa. Como se percebe na relação, o dr. Gil Ungaretti foi o primeiro diretor do pequeno Museu criado.
Pouco depois, aos poucos, com a diminuição do interesse pela leitura e o aparecimento da televisão, o Centro Cultural Antônio Guimarães Cabral entrou para o rol do Laguna já teve.
O acervo de livros do Centro foi doado à Biblioteca do Conjunto Educacional Almirante Lamego (Ceal), inaugurado em 1965, que por sua vez encampou o Ginásio Lagunense.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Faleceu o lagunense Celso Martins, jornalista, historiador e escritor

Faleceu nesta madrugada em Florianópolis, o lagunense Celso Martins da Silveira Júnior, aos 62 anos, vítima de infarto.
Celso nasceu na Laguna, em 23 de novembro de 1955, filho de Celso Martins da Silveira, nascido em Florianópolis, e da lagunense Dircéa Martins da Silveira.
Em 1959 foi morar com a família em Florianópolis.
Iniciou no jornalismo em 1976, atuando nos principais jornais catarinenses.

Na década de 70 foi responsável pela circulação do semanário Movimento, além de colaborar com outros órgãos da imprensa alternativa, como Voz da Unidade e Hora do Povo. Exerceu também atividades na Rádio Guarujá e TV Barriga Verde, além de repórter da sucursal do jornal A Notícia em Florianópolis (AN Capital).
Em meados dos anos 70 editou seis livretos de poemas, mimeografados: Basta, Além de gritos, berros e empurrões, 11 poemas, Alguns Novos Poemas e Outros, Sai de Baixo, e Libelo Acusatório.
Era formado em História pela Udesc.
Seu primeiro livro foi "Vida Dura", poemas, lançado em Joinville em 1981.
Em 1989 começou a pesquisar sobre Anita Garibaldi e o episódio da República Catarinense, em parceria com seu primo, o arquiteto Dagoberto Martins. Da pesquisa resultou um tabloide de 24 páginas, intitulado República Catarinense – A Revolução Juliana de 1839 em Laguna.
Em 1994, a parceria resultou no livro infanto-juvenil intitulado "Anita Garibaldi – Heroína da Liberdade" (47 páginas, ilustrações de Clovis Geyer), Editora terceiro Milênio.
Em 1999, os dois primos Celso e Dagoberto foram os autores do projeto editorial, pesquisas e textos do caderno especial Aninha virou Anita (A Notícia, 4 de agosto de 1999), transformado no mesmo ano em livro de 192 páginas, editado pelo mesmo jornal.
Em 1995 Celso Martins produziu "Os Comunas – Álvaro Ventura e o PCB Catarinense", pela Editora Paralelo 27/Fundação Franklin Cascaes.
Em 1997 escreveu o livro "Farol de Santa Marta – A Esquina do Atlântico" (Editora Garapuvu), uma grande reportagem.
Em 1999 editou e redigiu os textos do folder "Farol de Santa Marta", com fotos de Eduardo Tavares e apoio da Fundação Rasgamar.
No início do ano de 2000 fundou e dirigiu o jornal de bairro Daqui na Rede, com notícias dos bairros Sambaqui, onde morava, Barra do Sambaqui e Santo Antônio de Lisboa. 

Seus mais recentes trabalhos foram os livros “Tabuleiro das águas – Resgate histórico e cultural de Santo Amaro da Imperatriz”, “Os quatro cantos do sol – Operação Barriga Verde”, e “O mato do tigre e o campo do gato – José Fabrício e o combate do Irani”.

Seu último trabalho foi o livro “Memórias das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina – No meio do caminho havia um Armando”, uma obra memorialística do oficial da Marinha e empresário Armando Luiz Gonzaga. O texto é de Celso que documenta também com fotos a atuação desse empresário com a preservação dos monumentos.

Seu corpo está sendo velado na capela mortuária da Igreja Nossa Senhora das Necessidades, em Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis, e o sepultamento ocorre às 17 horas de hoje no cemitério daquela localidade.
Sentimentos aos seus familiares, a companheira Margaret Grando, a filha Anita, e amigos.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Laguna, finalmente, com um representante na Alesc

Ele foi o 7º deputado estadual mais votado, deixando para trás muitos políticos calejados do cenário catarinense. Desbancou velhas raposas felpudas que se repetem há anos em vários mandatos. 
Recebeu 47.390 (1,29%) votos. Na Laguna obteve 5.256 votos (21,11%), topo na votação do município.

Quem é Felipe Estevão
O deputado eleito Felipe Estevão (PSL).
Foto: Divulgação
Felipe Estevão, 29 anos, que concorreu pelo Partido Social Liberal (PSL), a mesma sigla do candidato Bolsonaro, é natural da Laguna, onde é empresário. Já morou também em Criciúma e Florianópolis.
É pastor da Igreja União em Cristo, casado, pai de um filho.
Em 2016 entrou na política, e pelo Partido Social Cristão (PSC), concorreu a vice-prefeito da Laguna, tendo na cabeça de chapa o ex-vereador Renato Borges. A dupla ficou em quarto lugar, obtendo 1.594 (6,00%) votos.
Logo após, ingressou no PSDB, presidindo a ala jovem em nossa cidade. Houve dificuldades no entendimento com um vereador da atual legislatura do mesmo partido, já que disputavam igual espaço político.
Saiu do ninho dos tucanos e foi um dos fundadores do Partido Social Liberal (PSL) em nosso estado, juntamente com o vereador de Tubarão, Lucas Esmeraldino, presidente do partido em SC, outro candidato que surpreendeu nesta eleição o mundo político de Santa Catarina, ficando em terceiro lugar na disputa ao senado. Faltou muito pouco para chegar lá e desbancar o eleito Jorginho Melo.

"Agora é arregaçar as mangas"
Usando as redes sociais, após a divulgação dos números e da confirmação de sua eleição, o deputado eleito Felipe Estevão comentou através de uma live, que conseguiu a eleição sem a utilização de fundo partidário e graças ao patriotismo das pessoas. 
“Porque eu acreditei que tinha um povo que confiasse, que se botasse alguém sério, alguém honesto, com o coração patriota, pode-se fazer história. E nós ganhamos!”, comemorou.
“Agora é arregaçar as mangas, trabalhar e mostrar o nosso valor”, sublinhou Estevão.

Um fenômeno eleitoral
Numa rápida análise dos resultados na planilha do TRE, constata-se que Felipe Estevão foi contemplado com votos na maioria dos municípios catarinenses.
Se na Laguna foram 5.256 votos (21,11%), em Tubarão, ele recebeu estonteantes 8.365 (15,09%), principalmente, dizem os analistas, graças à colagem de seu nome ao do vereador Lucas Esmeraldino, candidato ao senado, também em expressiva votação. E, evidentemente, devido ao tsunami eleitoral chamado Jair Bolsonaro. 

     Votação na quase totalidade dos municípios catarinenses
Na região da Amurel, em todos os municípios, a votação de Felipe Estevão foi bastante expressiva.
Em Imbituba 2.658 (11,03%), em Capivari de Baixo 2.019 (16,54%). Em Imaruí 501 (7,86%), em Garopaba 403 (3,17%), em Pescaria Brava 434 (7,59%).
Já em Criciúma 805 (0,77%), em Içara 221 (0,84%), em Gravatal foi o segundo mais votado, com 671 (9,77%) votos. Treze de Maio 328 (6,73%). Braço do Norte 350 (1,89%). Armazém 326 (6,43%).
 Em Florianópolis 3.415 (1,38%) eleitores digitaram seu número 17.777. Em São José 2.393 (2,01%), em Paulo Lopes 501 (10,27%), em Palhoça foram 2.649 (3,08%) eleitores, em Biguaçu 492 (1,41%). Tijucas 695 (3,69%), São João Batista 271 (1,75%).
Em Joinville, por exemplo, foram 2.188 (0,76%) votos. Em Blumenau 786 (0,44%). Em Balneário Camboriú 420 (0,66%). Em Schroeder 135 (1,41%) votos. Em Chapecó 132 (0,12%). Em Lages 154 (0,18%) votos. 

Enfim, mesmo nos municípios mais distantes de sua base, ele obteve votação. No oeste, no extremo sul, no planalto catarinense, no litoral. Um fenômeno eleitoral desafiando analistas e políticos da velha guarda metidos a sabichões. Verdadeiramente deu um banho. E sem muito alarde. 
Uma prova cabal, juntamente com a votação e colocação dos candidatos, Esmeraldino (senado) e do comandante Moisés, que vai ao segundo turno na eleição a governador, que as pesquisas eleitorais terão que ser repensadas daqui pra frente.
Os nossos parabéns ao novo deputado.

Um pouco de história
Após a República Velha (1889-1930), Laguna teve apenas três deputados titulares na bancada da Assembleia Legislativa.
Armando Calil Bulos foi deputado pelo Partido Social Democrático (PSD) na primeira legislatura (1947-1951).
Osvaldo Rodrigues Cabral, deputado pela União Democrática Nacional (UDN), o foi na primeira legislatura (1947-1951) como suplente convocado, e titular na 2ª legislatura (1951-1955).
Walmor de Oliveira foi deputado por duas vezes. Na 4ª legislatura (1959-1963), eleito pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). E na 5ª legislatura (1963-1967), como suplente convocado eleito pelo mesmo partido. Além da Laguna, os votos recebidos em Imbituba, onde Walmor trabalhou como médico, alavancaram sua eleição.

Na década de 70, o ex-prefeito da Laguna Juaci Ungaretti também assumiu a suplência como deputado por algumas semanas, pelo PTB.
O atual prefeito da Laguna, Mauro Candemil candidato nas eleições de 1994 à Assembleia, também assumiu a suplência por algumas semanas, pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).