sábado, 29 de setembro de 2012

Jornal Notisul/IPC deste sábado divulga a segunda pesquisa eleitoral à prefeitura da Laguna

Segundo os números da pesquisa estimulada, a chapa Everaldo dos Santos (PMDB) e Ivete Cadorin (PSD) segue à frente nas intenções de voto para prefeito e vice de Laguna, com 51,6%.

Em segundo lugar, aparecem a dupla Tanara Cidade de Souza (PT) e Jefferson Crippa (PRB), citados por 28,4%.

Antônio César da Silva Laureano, o Tono (DEM), e Bento Pereira (PDT), aparecem em terceiro, foram citados por 2,6% dos entrevistados.

Ronaldo Mariano Chaves, o Ronaldo Rosinha, e Evandro Dias Nunes, o Kilika, do PHS, obtiveram 1,4% da preferência na estimulada.
É grande o percentual dos eleitores lagunense que afirmam não saber ainda em quem votar: 11,4%. Outros 4,6% garantem que não votarão em nenhuma das quatro opções.

Para ler mais dados da pesquisa, basta clicar em:

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Nota de falecimento+

Faleceu nesta sexta-feira, em Florianópolis, vítima de infarto, a lagunense, jornalista Lúcia Maria de Barros Silveira, aos 47 anos, filha de Álvaro Silveira e Marlene Barros Silveira. Deixa um casal de filhos.
Seu sepultamento vai ocorrer amanhã, sábado, às 11 horas no cemitério Jardim da Paz, no Itacorubi, na Capital do Estado.
Sentimentos aos familiares e amigos.

P S: Lúcia Maria trabalhou na prefeitura de Florianópolis como assessora de imprensa. Gostava muito da história de nossa cidade, criou um blog onde comenta os anos do jornal O Albor. Sua progenitora, Marlene Barros Silveira encontra-se internada (UTI) há alguns meses.

Convite

Juiz Fernando de Castro Faria convidando os leitores do Blog para o lançamento de seu livro "A Perda de Mandato Eletivo", neste sábado, 29, às 18 horas, na Sede do Iphan, Praça Vidal Ramos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Democráticas esquinas

Muitos foram os lugares onde desde imemoráveis tempos o homem exerceu o direito de se manifestar. Exprimir-se democraticamente ou aos cochichos, olhando para os lados temendo eventuais ditaduras e perseguições de governos, através de suas polícias políticas.

Os cafés sempre foram ponto de encontros democráticos
No interior ou defronte às antigas boticas, em armazéns, mercados e bodegas, cafés e bares, simpatizantes, candidatos e filiados, jornalistas, artistas e escritores se reúnem em conversas e discussões, compartilhando dúvidas e sugestões, criando, aliviando tensões, fomentando oposições, criando resistências e apoios a esse ou àquele governo.
São lugares de suma importância como fórum de socialização política, de pluralidade opinativa.
Alguns desses locais, bares e cafés, esquinas e ruas ficaram famosos e são lembrados por gerações.

Em Porto Alegre, por exemplo, a esquina da avenida Sarmento Leite com avenida Osvaldo Aranha, no bairro Bom Fim, é um deles. Durante anos foi conhecida como Esquina Maldita. Nos bares da região reuniam-se intelectuais, professores e alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A rua da Praia igualmente é uma via onde pulsam as notícias e novidades assim também como o Largo da prefeitura.

Em Florianópolis, a conhecida esquina democrática, entre a Trajano e Felipe Scmidt, com seu tradicional Ponto Chic, durante anos abrigou os mais diferentes públicos. Do funcionário do governo que dava uma fugidinha para um cafezinho e saber das últimas, a jornalistas em busca de fontes; do vendedor de bilhetes de loteria ao “mordedor” em busca de uns trocados. Político que se prezava tinha que diariamente dar uma passada por ali onde facilmente se encontrava vereadores, prefeito, deputados e até o governador.
Basta ver que o próprio presidente da República João Batista Figueiredo em novembro de 1979 lá passou para um tradicional cafezinho e logo depois resultou numa confusão que já vinha desde o Palácio Cruz e Souza e Praça XV, no episódio conhecido como Novembrada.

Em Curitiba, a Boca Maldita, o espaço ao redor de cafés, bancas de revistas e calçadão da rua Luiz Xavier (Rua das Flores) é um conhecido local no centro da cidade das mais diferentes manifestações políticas, sociais e artísticas. Há até um obelisco em homenagem à área.
E também uma confraria que “existe para debater e criticar tudo sem qualquer restrição, expressando as vontades e expressões populares”
O lema da entidade, por paradoxal que seja é “Nada vejo, nada ouço, nada falo”.
Anualmente há um jantar quando pessoas recebem o título de “Cavaleiro da Boca Maldita”.

No Rio de Janeiro, a Confeitaria Colombo, na rua Gonçalves Dias, criada em fins do século XIX tornou-se ponto obrigatório de uma elite que desde a República frequentou seus salões desfilando elegância e luxo tão bem apreciados e descritos pelos cronistas.
Ponto de encontro de artistas, intelectuais e políticos, como Olavo Bilac, Rui Barbosa, Chiquinha Gonzaga, Villa Lobos, Getúlio Vargas...
Seus gigantescos espelhos belgas, mármores e o mobiliário são testemunhas até hoje de mais de um século de história.
A Rua do Ouvidor igualmente é conhecida por ser uma das mais famosas da então Capital Federal. Um escritor a ela assim se referiu:
“A Rua do Ouvidor, a mais passeada e concorrida, e mais leviana, indiscreta, bisbilhoteira, esbanjadora, fútil, noveleira, poliglota e enciclopédica de todas as ruas da cidade do Rio de Janeiro”.
A Cinelândia também vai marcar sua época.

Em São Paulo, o Vale do Anhangabaú, as Avenidas São João e Ipiranga, com seu cruzamento imortalizado na canção Sampa, de Caetano, também são lembradas. E o Centro Novo com seus bares, confeitarias, restaurantes, livrarias, e estúdios das principais emissoras de rádio e redações de jornais.

Na Laguna
A Casa da Câmara em nossa cidade, ao contrário de Nossa Senhora de Desterro e de São Francisco, foi erigida em outro local que não à Praça de sua matriz principal.
Bem por isso a Praça da Cadeia, como em princípio era chamada a atual Praça República Juliana, constituiu-se no palco principal onde se sucediam os fatos e acontecimentos na Laguna.
Não foi por menos que ali, naquele prédio histórico, de sua sacada foi proclamada a República Catarinense, em 29 de julho de 1839.

Diz Saul Ulysséa em sua sempre citada obra Laguna de 1880, referindo-se à edificação, que “A parte mais baixa foi edificada em 1747, com a denominação de Paço do Conselho.”
O pavimento térreo era ocupado pela cadeia pública, ficando na parte fronteira ao lado norte o corpo da guarda. Já o sobrado na parte menor pelo Conselho Municipal e na parte mais alta o Tribunal do Júri e repartição municipal.
Como vemos, ali eram criadas as leis que regiam a população, onde os julgamentos aconteciam e eram anunciados, através do sino, horários de audiência, fechamento do comércio e dos escravos se recolherem.
Hoje chamaríamos de Centro Administrativo onde funcionariam conjuntamente os três poderes, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Havia também na praça uma biblioteca fundada em 1876 com quase quinhentos volumes e que recebia regularmente exemplares de jornais, como o Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro.

Em seu entorno, no começo da rua então chamada Direita (atual Raulino Horn), em casarão ainda existente na esquina desta rua com Barão do Rio Branco (antiga rua 1º de Março) funcionava a Estação telegráfica da Laguna, inaugurada em 4 de janeiro de 1867.
E é por esta Estação que chegavam e partiam notícias, encomendas eram feitas às principais praças, negócios eram fechados e onde se ficava sabendo das últimas novidades.

A esquina do ABC
Pois foi esta esquina certamente a primeira da Laguna onde o pessoal mais se aglomerava e surgiam rodinhas para uma prosa.
Logo foi denominada pelo povo de esquina do ABC. Por quê?
Vejamos. Em uma das esquinas havia um armazém do seu Antônio Bessa, conhecido por Bembem. (Onde hoje funciona o Sine), ligado ao Partido Republicano.
Defronte a este, a casa comercial de Acácio Soares Moreira (Conservador) No sobrado do outro lado da rua, um armazém de comestíveis e miudezas, pertencente a Antônio Candemil.
Em frente a este sobrado, na esquina, onde hoje é o prédio do extinto hotel Rio Branco, a farmácia de Américo Antônio da Costa, do partido Liberal, que tinha no seu filho e ajudante Manoel Américo, um gozador nato que costumava pilheriar e satirizar quem não gostava, principalmente correligionários de partidos adversários.

Esquina do ABC


E diz Ulysséa na sua já citada obra “A este local da cidade apelidavam “ESQUINA DO ABC”, em consequência de serem as quatro esquinas ocupadas por pessoas com as iniciais ABC: Acácio e Américo,  Bembem (Bessa) e Candemil”.

O Café Tupi e sua esquina
Em 1905 surgia na Laguna, na esquina das ruas XV de Novembro com Raulino Horn, um empreendimento que vai marcar época e se tornar o mais famoso estabelecimento comercial lagunense.
Nos primeiros dias de abril daquele ano surgia O Café-Restaurant Tupi, de propriedade de Ulysséa e Cia, tendo como gerente Jacob Ulysséa.
O jornal O Albor assim noticiou o fato:

Logo o local se tornou popular. O mundo político, industrial e comercial, intelectual e jornalístico ali vai se reunir por gerações. Em suas mesas de tampos de mármore e pés de ferro, confabulações serão feitas, planos urdidos. Suas paredes testemunharão nascimentos de associações, times de futebol, entidades carnavalescas...
Poetas declamarão versos, embalados pelo vento nordeste que certamente soprará lá fora. Músicos comporão partituras e com seus mais variados instrumentos musicais puxarão acordes que se perderão no tempo.

Anos depois, com o surgimento do serviço de alto falante Tupã, sua corneta instalada na esquina e a criação da Rádio Difusora, em 1946, memoráveis crônicas serão ali rabiscadas pelos nossos mais competentes cronistas, embalados por xícaras de café e rodadas de cerveja. Ali acorrerão populares para ouvir os resultados das apurações eleitorais. Gritos de torcedores ecoarão em comemorações esportivas, aplausos reverbarão por desfiles carnavalescos.

Prédio onde funcionou o Café Tupi
 Depois, o Café Tupi será vendido e arrendado inúmeras vezes. Um dos proprietários por mais tempo foi Manoel Fiúza Lima que, além do salão de bilhar, dotou o estabelecimento de farto sortimento de bebidas e gêneros alimentícios, como se pode constatar neste reclamo, como então se denominava a publicidade:
 
Evidentemente que existem e existiram outros locais como palcos democráticos para manifestações. Salões de clubes como o do Blondin e Congresso, barbearias, boticas, armazéns, livrarias, bancas, padarias.
O próprio Mercado Municipal, o Café Bascherotto, o Monte Carlo, o Brigitte Bar, o Bar do Chico, para ficarmos em alguns mais recentes. Mas, o Café Tupi (e sua esquina), talvez – também - pela sua longevidade, pontifica na liderança como o mais conhecido. Ainda hoje, mesmo após anos de seu desaparecimento é comum ouvir de pessoas que viveram àqueles anos, a utilização do nome Café Tupi como ponto de referência.

E nos dias atuais? Existirá uma esquina na Laguna que ainda represente o palco e platéia onde se mesclam atores e público, em que o pensamento navega em desconhecidos mares e a palavra é livre? Onde se pratica o hábito desde que o homem é homem, de falar da vida alheia?
Em qual estabelecimento ainda reúnem-se seres em torno de uma mesa em busca da ágape fraternal que satisfaça paladares e igualmente forneça respostas existenciais e espirituais para nossas dúvidas?

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Mudanças em locais de votação

Cartório eleitoral de nossa cidade comunicando mudanças em dois locais de votação. Quem votava nas seções do Clube Blondin passa a votar no Centro Cultural Santo Antônio. Já quem votava na Escola Básica Ana Gondin, no bairro Magalhães, vai votar no salão da igreja Nossa Senhora dos Navegantes.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Conjuntos, bandas e baladas

Final da década de 60 e por todos os anos da de 70, eram muitos os bailes em nossa região.
Na Laguna as festas realizadas no Clube 3 de Maio, no Magalhães e na S.R. Anita Garibaldi, no Campo de Fora eram garantias de sucesso. Casa cheia, não só pelo público jovem, mas pelo pessoal também da, digamos, segunda idade, formada quase que exclusivamente por casais casados ou recém.
Havia também o Siderurgia, em Capivari, então bairro de Tubarão; e o Jangadeiro, na praia de Imbituba.

Hoje praticamente não existe mais esse tipo de baile e as festas são realizadas visando a determinado público. Aos muitos jovens; ou ao pessoal da chamada terceira/divina idade.
O sujeito de meia-idade (entre 30, 40, 50 anos) que ousa comparecer ao primeiro tipo de festa se sente tiozinho e tiazinha em meio a sobrinhos. Já quem comparece ao segundo fica fora do contexto, inclusive musical. Há quem prefira um ou outro, mas são exceções.
Dizem que a gente faz o ambiente, mas não tenho como verdadeira essa premissa.
Como assim a gente faz? Dependendo do meio-ambiente você se sente um peixe fora d’água. Bem por isso as expressões “minha tribo” e “não é a minha praia” são tão corriqueiras e acertadas.
Mas retorno ao tema que me propus, a gente acaba divagando e fugindo...

Quem nos animava naqueles longínquos anos? Quem nos puxava para as pistas de danças depois de um convite devidamente aceito àquela menina que não parava de nos fitar com um olhar futuro 43, da RPM? Quem tocava e reproduzia os sucessos das rádios e nas bolachas long play de 33rpm e fitas que ouvíamos em nossos toca-discos e toca-fitas, repetidamente, exaustivamente?
Alguns Conjuntos e Bandas destacavam-se em nossa região. American Night, de Siderópolis; Brazilian Boys, de Tubarão e por fim o não menos famoso The Claytons, de Imbituba.

Os Claytons, como dizíamos, aportuguesando o artigo, penso que tinha a nossa cidade como morada. Houve época mesmo que aqui se apresentavam semanalmente.
Não tivessem eles se apresentado pela primeira vez aqui na Laguna, em um bingo dançante realizado em 17 de abril de 1967, no Clube 3 de Maio.

O nome da Banda foi inspirado numa famosa margarina da época que trazia estampada no rótulo da embalagem a frase “Um produto Anderson Clayton”. E seguia a tendência de outros nomes de conjuntos e bandas, como The Beatles, The Fevers e The Rolling Stone.
Parecia tão simples e inspirador na época, não é mesmo?
E tudo havia começado nos intervalos dos ensaios da extinta Orquestra Samuara, de Imbituba.
Cinco amigos utilizavam-se dos instrumentos e tiravam o seu sonzinho, improvisando e reproduzindo canções de sucesso nacional e internacional.

The Claytons na TV Piratini, em Porto Alegre em 1967

João Rosa, João Rodrigues, Levi Ramos Martins, Jair Freitas e Sueli Rosa Rodrigues a partir daí trilharam seu próprio caminho, embalando toda uma geração ao som de muito Rock, sucessos da Jovem Guarda e de praticamente todas as bandas e cantores nacionais e internacionais.

Bastava uma canção entrar nas paradas de sucesso que poucos dias depois The Claytons já a executava e a reproduzia nas apresentações. E com a máxima fidelidade, nos mínimos detalhes. Elton John, Demis Roussos, Abba, Bee Gees (esta já na fase disco), Belchior, além de muito Raul Seixas e até os instrumentais de Rick Wakeman em seu Rock Progressivo e Sinfônico. Lembram do álbum Journey to the Centre of the Earth?

Quando Time, uma das faixas do LP The Dark Side off de Moon (1973)  com a capa do prisma, um clássico do Pink Floyd, estourou mundialmente, The Claytons a executou em primeira mão num baile no Clube Anita Garibaldi. Sou testemunha ocular e auditiva. Quando começaram os primeiros acordes - do som dos despertadores e dos tiques-taques de relógios - o público dançante estancou para acompanhar vidrado o som que saia dos instrumentos. E não havia playback, tudo era feito ao vivo, em execução de guitarras-solos, bateria, teclado e sintetizador e no vocal principal de Sueli Rosa Rodrigues. Delírio geral da platéia e pedidos de bis.
(Anos depois, em 1979, The Claytons vai repetir a dose com a reprodução integral, em sua três partes, de Another Brick In The Wall (Live), de Rogers Waters, e a introdução ensurdecedora e psicodélica das hélices de helicópteros).

Em 1976 cantávamos as letras de um cearense que sabia como nunca interpretar nossos sentimentos. "Velha roupa colorida", "Como nossos pais" e "Apenas uma rapaz americano", de Belchior estavam nas paradas.
The Claytons foi a banda contratada para o baile de formatura da minha turma do Colégio Comercial Lagunense - CCL, da então 3ª série B, Técnico em Contabilidade, que mesclava alunos daqui, Tubarão e Imbituba. O Baile realizado no 3 de Maio (velho) em dezembro de 1977, foi um arraso. Tantas lembranças, amigos e amigas que passaram, mas que estão ainda por aí, neste mundão de Deus e outros que já se foram para todo o sempre. Pra nunca mais...

Atualmente, 45 anos depois, The Claytons já se apresentou em praticamente todas as cidades do litoral catarinense.
Sua formação atual é: João Rosa (único fundador ainda presente), Valmir e Fabrício Rosa, Gláucia, Alceu e Chapolim.
Na Festa do Camarão deste ano, em Imbituba, em show realizado, com gravação de um DVD, que reuniu um público de quatro mil pessoas, Serginho Martins, filho do baterista Levi Ramos Martins (irmão do prefeito Beto (do Levi) Martins, não tem?) foi homenageado em memória de seu pai e família.
Há um vídeo no Youtube, com a presença do guitarrista Mateus Perfeito. (Guardem bem esse nome, o cara é fera).


E também uma entrevista de João Rodrigues e apresentação da Banda para a Webtv Pioneira, de Imbituba. Vejam:


The Claytons vez por outra está por aqui, na Laguna, mas ainda não assisti suas apresentações. Quero fazê-lo na primeira oportunidade, para curtir e relembrar velhos tempos de alegrias que ficaram na parede da memória.

Adendo
Hoje, ao observar os dizeres de Time, do Pink Floyd, percebo que alguns versos são muito mais atuais do que àqueles dias onde ainda jovens desconhecíamos nossos destinos e o tempo era somente uma ventania.
And then one day you find ten years have got behind you / No one told you when to run, you missed the starting gun" / "E então um dia você descobre que dez anos ficaram para trás de você / Ninguém lhe disse quando correr, você perdeu o tiro de partida", é um exemplo.

Vejam a letra em inglês e a tradução:

Time
Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an off hand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
You are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun

And you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking
And racing around to come up behind you again
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death

Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
(...)

Tempo
Tiquetaqueando os momentos que tornam um dia aborrecedor
Você queima e perde as horas de uma forma descontrolada
Perambulando ao redor de um pedaço de terra em sua cidade natal
Esperando por alguém ou algo que lhe mostre o caminho

Cansado de estar deitado à luz sol, ficando em casa para assistir a chuva
Você é jovem, a vida é longa, e há tempo para matar hoje.
E então um dia você descobre que dez anos ficaram para trás de você
Ninguém lhe disse quando correr, você perdeu o tiro de partida

E você corre e corre para estar junto ao sol, mas ele está se pondo
E gira ao redor para vir atrás de você novamente.
O sol é o mesmo de uma forma relativa, mas você está velho
Com menos fôlego e um dia mais próximo da morte

Cada ano está se tornando mais curto, nunca parecendo achar o tempo.
Planos que nunca são terminados ou ficam em meia página de linhas rabiscadas
(...)

Abaixo, Time e Another Brick In The Wall (Live, do Pink Floyd - 1ª parte):






segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Nova pesquisa eleitoral

Os resultados de uma nova pesquisa eleitoral à prefeitura da Laguna devem ser divulgados até quinta-feira sábado desta semana em jornais da região.
Vamos ver qual está sendo a tendência do eleitorado lagunense a pouco mais de dez dias das eleições.

Obras importantes recebidas

Recebo em mãos da professora Deisi Scunderlick Eloy de Farias, do Grupo de Pesquisas em Educação Patrimonial e Arqueologia – Grupep/Unisul, algumas obras, que me presenteia.
O livreto “Arqueologia e Preservação – Sambaqui do Morro do Peralta”, de autoria da professora juntamente com Daniela da Costa Claudino, aborda o sítio arqueológico descoberto aqui na Laguna em 2007, no Morro do Peralta, ali na Paixão, lembram?


Foi em abril daquele ano quando um proprietário de terreno e casa naquele local, Rogério Mota, descobriu em frente a sua residência, praticamente na soleira, vestígios de sepultamentos.
Contatado, o Iphan de nossa cidade através da arquiteta Ana Paula Cittadin comunicou o ocorrido ao Grupep, que imediatamente foi ao local, constatou que o patrimônio arqueológico estava em risco e solicitou ao Iphan autorização para realizar o salvamento.
O terreno foi dividido em quadrículas de 1 m X 1m, que foram escavados lentamente, até a exposição total dos sepultamentos. Além dos dois esqueletos do sexo feminino, com cerca de 2 mil anos, todos os vestígios arqueológicos foram desenhados em papel milimetrado, depois fotografados. Por fim, o material arqueológico foi retirado com cuidado e levado ao Grupep-Arqueologia, para higienização, catalogação e análise.
Saul Ulysséa, em seu livro “Laguna de 1880”, já nos fala da presença de um sambaqui naquele local, chamado de “Sambaqui das Alminhas”, que se localizava por todo o lado sul do Morro, abrangendo toda a área onde se localiza hoje um prédio de uma empresa de telefonia. Por conta de calcário e de retirada de material para sedimentação de ruas, o sambaqui foi destruído.

Da professora Deisi, juntamente com Andreas Kneip, também recebo o livro “Panorama Arqueológico de Santa Catarina – Editora Unisul, 2010. 306 p.
A obra, em seus capítulos iniciais “fala do conceito de sítio arqueológico, da diversidade de apresentação desses sítios, das tradições culturais que representam”.
Mas a quase totalidade de suas páginas é a listagem dos sítios por município catarinense, com a identificação nominal e numérica, a localização geográfica exata, a atribuição cultural, idade e estado de conservação, além de outros dados quando existentes.

Professora Deisi e Andreas Kneip

 Trabalho de fôlego, sem dúvida, que demonstra um grande potencial de pesquisa em Santa Catarina.

Meus agradecimentos sinceros à professora Deisi e à equipe do Grupep pelas obras recebidas, e as congratulações pelos trabalhos que realizam no entendimento de nossa pré-história e na contribuição e influência no processo de gestão e preservação dos sítios arqueológicos de Santa Catarina.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O homem-locomotiva

No início do século XX poucas eram as atrações aqui na Laguna dirigidas ao povão. Peças apresentadas no Teatro 7 de setembro e em clubes eram frequentadas pela elite. Para o Zé povinho havia os circos que ocasionalmente por aqui passavam; corridas de cavalos no Campo de Fora e Magalhães, festas religiosas, retretas gratuitas nas praças e ruas pelas Bandas União dos Artistas e Carlos Gomes e, sem dúvida, o carnaval anualmente, com seus entrudos, blocos e limões de cheiro, no que foi sempre uma festa popular.

Todos os tipos de novidades logo aqui aportavam, vindas diretamente do Rio de Janeiro, então capital federal ou de Florianópolis. Objetos e os últimos lançamentos em costumes e na moda eram para cá trazidos pelos ricos comerciantes e armadores.
Pois em dezembro de 1904 aqui aportou um andarilho, o espanhol José Porro, dizendo-se o homem mais rápido do mundo. Já havia percorrido e se apresentado em inúmeras cidades e ninguém o havia superado em velocidade nas corridas, a pé ou em bicicleta.
Naqueles recuados anos nada era mais rápido do que o trem. Bem por isso, seu mote promocional não poderia deixar de ser: O HOMEM- LOCOMOTIVA.
Propagandeava que percorria três léguas em uma hora. (19.800 metros) E desafiava contendores.

Naquela tarde a rua da Praia (Gustavo Richard) encheu-se de populares para presenciar o espetáculo. Comerciantes, marinheiros, políticos, imprensa e outros curiosos postaram-se ao longo da via, beira do mar ainda sem o cais de granito.
Todos queriam testemunhar a novidade e comprovar com os próprios olhos se o homem era mesmo veloz, como afirmava.
Seu desafiante na bicicleta foi Alcino Dutra que, mal grado os esforços, acabou em segundo lugar. Palmas, assovios e vivas para o Homem- Locomotiva.
Mas um espírito de porco, que esses sempre os há, em qualquer tempo e lugar, aproveitou a ocasião e o ajuntamento no local para soltar um foguete busca-pé.
Foi um deus-nos-acuda. Correria, gritos, xingamentos, com a multidão dispersando-se para todos os lados da rua da Praia.
Certamente houve neguinho – e branquinho também, é lógico – que correu mais que o artista que estava se apresentando. Também pudera, com o foguete no encalço das canelas, quem não correria? Mas ninguém cronometrou o tempo, portanto...
O Albor na edição seguinte registrou o fato e lamentou o incidente, com a seguinte manchete:

Imprudência:
“Na ocasião em que o andarilho sr. Porro corria na rua Coronel Gustavo Richard, foi imprudentemente lançado sobre um grupo de pessoas que assistia à corrida, um busca-pé, que, felizmente, não produziu as más consequências que essas irrefletidas brincadeiras muitas vezes trazem”.

Em seguida o jornal anunciava uma nova corrida para o próximo domingo, desta vez a pé.
Dito e feito. Na edição seguinte o semanário anunciava que “O homem-locomotiva correu na Praça Marechal Floriano, perante enorme concorrência”.
Mas aí começou a chover e o povo aglomerado no local mandou o espanhol parar, afinal não iam ficar encharcados presenciando a apresentação. E ele concordou.
E escreve mais uma vez o redator do Albor, que como vemos, acompanhava atentamente as apresentações:

“Devido à chuva e aos protestos do povo, que bradava Para! Para!, o incansável campeão não concluiu a corrida , para cujo termo faltava dez minutos. O sr. José Porro deu no espaço de 50 minutos 42 duas voltas em redor d’aquela praça, que mede 270 metros, tendo, portanto, corrido 9.940 metros”.
50 minutos= 9.940 metros. Bem longe, portanto das 3 léguas (19.800 metros em 60 minutos que ele tanto se gabava).
Providencial chuva...

Alguns lagunenses, movidos pelo desafio da velocidade que ora se apresentava e certamente meio que enciumados pelo sucesso do atleta perante o público e em especial junto a algumas respeitáveis senhorinhas, apostaram com o campeão espanhol uma contenda para as seis da tarde da sexta-feira seguinte, no mesmo local, desta vez com a utilização de bicicletas. Desafio aceito.
Durante a semana não se falou em outra coisa na Laguna.

No dia e hora marcados – desta vez sem chuva - a multidão era enorme na Praça. Houve quem tenha se arrancado dos arrabaldes do Magalhães, Campo de Fora e Areal para exclusivamente presenciar a peleja.
O único diferencial era o nome da Praça que havia sido alterado naquela semana, outra vez, por força de lei municipal.
No passado era Praça da Cadeia, depois virou Praça Conde D’eu, depois  Marechal Floriano, após Praça Conselheiro Mafra. É a nossa conhecida e atual Praça República Juliana, antes também denominada Praça da Bandeira. Êta pracinha pra mudar de nome!
O redator de O Albor sempre muito bem atualizado (terá sido o seu Tonico Bessa?) anotou lá em seu caderninho com o título:

Corrida:
“Brilhantemente disputada pelos respeitáveis ciclistas Manoel Pinho Netto, Luiz da França Fonseca, Manoel Custódio de Bessa e Arlindo Pires, realizou-se na Praça Conselheiro Mafra, a corrida anunciada pelo andarilho sr. José Porro, cujas condições eram-se dar 60 voltas  àquela praça  no espaço de um hora. A corrida durou apenas 50 minutos, vencendo em primeiro lugar, o ciclista Manoel Pinho Netto, que deu 65 voltas , e em 2º o sr. Porro, que deu 60. Não obstante ter sido vencido, o andarinho nada sofreu em seu valor de corredor emérito”.

"Nada sofreu" uma ova! Para quem se dizia o homem mais rápido do mundo foi um verdadeiro vexame, essa é que é a verdade. O campeão espanhol havia sido desmoralizado na corrida de bicicleta. E por um lagunense! A honra tinha sido lavada por um valente ciclista da terra.
Alguém deve ter soltado alguns foguetes para comemorar a façanha, do jeito que essa terra é fogueteira...

O jornal depois disso não aborda mais o assunto – e sobre perdedor ninguém fala, é sempre assim -, mas é bem provável que o sr. José Porro,  envergonhado, tenha tomado o primeiro vapor no porto e chispado dessas bandas. Ou será que, o denominado Homem- Locomotiva daqui partiu em trem até Tubarão ou Imbituba?
Vai saber...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Por falta de um Museu na Laguna, material retirado das escavações em sambaquis está sendo armazenado em Tubarão

Ontem conversei com a coordenadora do Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia (Grupep) da Unisul, professora Deisi Escunderlick Eloy de Farias.

Trabalhos de escavações continuam
A coordenadora explicou que os trabalhos de escavação no sambaqui de Cabeçuda começaram há três semanas e devem ser encerrados nos próximos dias. “Há toda uma complexidade nos trabalhos, temos que detalhar os achados, fotografá-los, etiquetá-los. Além dos artefatos líticos, adornos e manchas de fogueira, havíamos encontrado onze esqueletos e nesta terça-feira encontramos mais quatro, totalizando até agora, 15 esqueletos".

A professora informou que este sambaqui era utilizado como uma área de ritual, antes ou após os sepultamentos. O sambaqui tem uma idade aproximada entre 4 a 5 mil anos.
 
Os dois locais de escavação estão situados exatamente onde serão fincados dois pilares para a futura ponte.

Na foto, pode-se observar três esqueletos descobertos no dia de ontem

- Para onde vai o material retirado, indaguei.
- Todo o material retirado do local será levado para o laboratório do Grupep, na Unisul, em Tubarão.
- E depois?

- Por lei todo o material deve voltar ao local de origem, mas por falta de um local apropriado na Laguna, afinal não há um Museu específico, o material depois de analisado e etiquetado, fica depositado em caixas e sacos guardados no laboratório da Unisul.

Professora Deisi conferindo os trabalhos
Vejam, senhores, a oportunidade que estamos desperdiçando há muitos anos por não possuírmos um museu do sambaqui. Eleição após eleição, candidatos lançam em seus planos de governo a criação deste museu, mas tão logo eleitos esquecem a promessa. Fica tudo no papel, balela para ludibriar incautos eleitores ligados à cultura de nosso município.

Um esqueleto

Depois de eleitos, se pudessem – e alguns até já o fizeram – patrolavam todas essas áreas para futuros loteamentos.

Observe leitor a riqueza que possuímos em nossa Laguna, através -  também - de sítios arqueológicos onde as populações primitivas deixaram sinais ou marcas de sua passagem.
Por que então, além de conservar e estudar, não explorar mais esse potencial histórico-turístico?
Estudantes, professores, historiadores, curiosos, poderiam observar in loco um sambaqui, através de um roteiro e depois conferir o material retirado, seus estudos e explicações, visitando um Museu do Sambaqui.

A volta do chocolate Lollo

Leio na imprensa que a Nestlé vai relançar o chocolate Lollo, lembram?
O chocolate foi um dos ícones de gerações de crianças e adolescentes dos anos 70 e 80. Claro que também lembram do slogan do produto? “O chocolate fofinho da Nestlé”?
Nhannn... Hummmm...
A empresa atende assim aos inúmeros pedidos, principalmente em redes sociais.
E ele volta ao mercado com a receita original e a mesma embalagem original, para encantar saudosistas e em busca de novos fãs.
Daqui a pouco vocês verão na mídia o mote da propaganda “Ele voltou”.
Sou primeirão da fila...

E aí me bate uma saudade e as glândulas gustativas da memória me trazem o sabor e a delícia de saborear outras guloseimas que marcaram época.
Que tal o retorno do pirulito Zorro? Da bala Chita? Ou para os mais antigos, da bala Juquinha e do drops Dulcora?
Vontade de encher os bolsos com as balas Jujuba e quase se afogar com as Soft, remember? As balas redondinhas Soft num descuido da gente deslizavam inteiras para a garganta e aí era um salve-se-quem-puder de alguns segundos angustiantes.
E da torradinha quentinha vendida por alguns rapazes (O Valdir “Banana” era um deles) naqueles copinhos, onde a gente sempre pedia um chorinho a mais? Ou uma inhapa, como se dizia.

Saudade de mascar um chiclete Ping Pong comprado na Miscelânea ou no baleiro do Cine Mussi, molhar o papel com a língua para transferir as tatuagens que vinham estampadas. Depois pressioná-lo em nossos braços e mãos ou nas peles rosadas de namoradinhas e amiguinhas, o que já era considerada uma precoce conquista.
Tatuagens que assim como aqueles nossos verdes anos eram efêmeras e na primeira lavadela iam embora de nossos corpos, mas como se percebe, ficaram grudadas e estampadas em nossas memórias. Para todo o sempre.
Saudades... Saudades...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

TRESC publicou resultados dos julgamentos

Assessoria de imprensa do TCESC publicou ontem à noite no site da instituição, os acórdãos dos julgamentos e deferimento das candidaturas de Everaldo dos Santos e Tanara Cidade de Souza, notícia que este blog deu em primeira mão na quinta-feira, 13 último.
Cabe recurso ao TSE, mas soube pelas internas que as coligações não vão recorrer ao órgão maior eleitoral.
Para ler a matéria na íntegra, inclusive os acórdãos, que estão em arquivo pdf, basta clicar em:

E a Laguna não fica com nada?

Por conta das obras da ponte que vão acontecer em Cabeçuda, na BR-101, equipe do Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia (Grupep) da Unisul há algumas semanas realiza escavações no sambaqui daquela localidade.
Até o momento onze esqueletos, artefatos líticos e adornos foram encontrados numa pequena área onde ficará o 10º pilar da nova ponte.
Calcula-se em 4 a 5 mil anos a idade deste sambaqui, um dos mais ricos da região.

Reportagem da sempre atenta Amanda Manger, estampada na edição de hoje do jornal Diário do Sul, aborda o assunto.
Sabemos que esse tipo de salvamento é realizado – e exigido por lei – quando existem obras que impactam um sítio arqueológico, como pontes, túneis, rodovias, barragens e lagos.
Sabe-se que do sambaqui de Cabeçuda já foram retirados muitos materiais e mais de 300 esqueletos em escavações anteriores. Onde foram parar? Onde estão? Para onde foram levados?
O que também chama a atenção na matéria do DS é quando salienta que “Todo o material retirado do local será levado para o laboratório do Grupep, na Unisul, em Tubarão”.

E aí fiquei matutando com meus botões: e a nossa cidade não fica com o material para futuras exposições à população? Afinal o sambaqui está situado na Laguna.
A verdade é que há muito tempo deveria ter sido criado em nossa cidade um Museu do Sambaqui, que constituiria em mais uma atração histórica, cultural e turística de grande monta, além de preservar a história de nossos antepassados, dos primeiros habitantes que aqui chegaram e viveram.
Mas os governantes parecem não se interessar pelo assunto.  Vejam vocês quanto material dos nossos sambaquis foi e continua sendo levado daqui.
E ninguém diz nada, ninguém fala nada, não há um protesto, uma reivindicação pelo material escavado, como se fosse normal levar da nossa cidade as descobertas.
Alô, alô prefeito, alô, alô vereadores, alô, alô Iphan, o que dizem? Fica por isso mesmo? Não vamos reivindicar o material retirado?

Para ler a matéria do DS basta clicar em:

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Museu Anita Garibaldi foi reinaugurado, mas está quase vazio

Em linguagem bem popular, pode-se dizer que o Museu Anita Garibaldi foi reinaugurado à meia boca no que tange ao seu precioso acervo.
Vejamos. O Museu Anita Garibaldi foi reinaugurado em fins de julho passado (dia 28) pela atual administração da Laguna. Portanto, há quase dois meses.
Jornais, rádios, blogs e sites destacaram o fato, mas por certo até hoje lá não estiveram para conferir in loco.
Se lá comparecessem, constatariam o que vou divulgar.
Painéis, muitos painéis

Foram dois anos e quatros meses (O prédio do Museu foi fechado ao público em 24 de março de 2010, mas as obras só iniciaram em 17 de agosto do mesmo ano).
Esperava-se obviamente que além do prédio restaurado e revitalizado e entregue à população e visitantes no dia 28 de julho último, todo o rico e importante acervo já estivesse presente, limpo, conservado, etiquetado e em exposição.
Qual o quê!
Visitantes que lá chegam se deparam com um prédio praticamente vazio, alguns poucos móveis, salas com painéis e artefatos indígenas. E é só.

E para mostrar isso, quatro ou cinco funcionários estão presentes e tem que se pagar R$ 5,00 pelo ingresso. Para ver o quê?
- Onde estão todos os objetos? Perguntou um turista.
- Estão guardados no arquivo técnico e também em cima do Mercado Público, respondeu uma das atendentes.
- E quando serão aqui expostos?
- Não sabemos, na real só o prédio foi reinaugurado, completou.

Salas vazias, paredes nuas

O senhor já pagou os R$ 5 reais da entrada?

Gente, o Museu Anita Garibaldi externamente está completamente às escuras e internamente quase vazio! O que é isso?

Após DOIS ANOS E QUATROS MESES fechado a um custo de R$ 423.130,39, mais aditivo e “captações de saldos residuais”, o Museu foi reinaugurado à meia-boca, faltando grande parte de seu acervo.
Para entregar o prédio e abri-lo desta maneira o melhor era deixá-lo lacrado, em minha modesta opinião.
Pergunto: Quando realmente, VERDADEIRAMENTE, o Museu Anita Garibaldi será entregue à população e visitantes?

O que diz a Fundação Lagunense de Cultura - O outro lado
De acordo com informações prestadas a este blog na tarde desta segunda-feira pela presidente da Fundação Lagunense de Cultura, Maria Célia Bernardo da Silva, a reinauguração do Museu foi feita meio às pressas para aproveitar as comemorações do aniversário da cidade, em julho. A iluminação externa está a cargo da secretaria de Obras que até hoje não a refez. Como assim? Não estava incluída no projeto?
E continua: “Grande parte do acervo do Museu está depositada a sete chaves em cima do Mercado Municipal, no arquivo técnico e algumas peças estão expostas na Casa de Anita”, diz Célia.
“Dependemos de logística, de caminhões da prefeitura para o transporte, mas esta semana mesmo vamos começar a trazer todo o acervo para o Museu”, prometeu a presidente da Fundação Lagunense de Cultura.

Um vídeo feito em 2009 registrou todo o acervo do Museu
Há algum tempo já publiquei esta filmagem neste espaço. Pois a repito.
Está lá no Youtube. É uma ótima gravação de todo o acervo existente no Museu Anita Garibaldi, em 2009.
São 9 minutos e 56 segundos e já foi visto por mais de seis mil pessoas
É praticamente um levantamento (inventário) em imagens coloridas para que nosso patrimônio possa ficar registrado para todo o sempre.
É um vídeo amador, para fim escolar e didático diz o autor, Sebastião da Cruz que informa ser “aposentado, gastando seu tempo fazendo esse tipo de trabalho cultural, pessoalmente, sem vínculo com qualquer entidade pública ou privada. Assim espero estar contribuindo com a cultura de nosso povo”.
Bravo Sebastião, que ainda nos brinda com uma ótima trilha sonora.

Todo esse material que aparece gravado no vídeo tem que retornar ao Museu, e urgentemente, pois é patrimônio da população lagunense.
Confira o vídeo: