quinta-feira, 4 de junho de 2020

Festa de Santo Antônio dos Anjos não foi realizada em 1905

Por todo o século XX, 1905 foi o único ano em que a Festa de Santo Antônio dos Anjos da Laguna não foi realizada.
Mesmo durante os anos das duas Guerras Mundiais as festividades transcorreram normalmente, com novenas, procissões e transladações.
Havia dúvida se este evento religioso teria sido realizado durante a gripe Espanhola, em 1919.
Em pesquisa constatei que sim, ele de fato aconteceu no ano de 1919. É o que se verifica nos jornais da época. Mesmo porque a pandemia que ceifou milhões de vidas pelo mundo, teve seu pico em nossa cidade em dezembro de 1918. Nos meses do ano seguinte, os casos foram rareando.
Bem por isso, todas as cerimônias religiosas foram realizadas em 1919, inclusive o carnaval, que aconteceu em março daquele ano.

"Unicamente uma missa"
E por que em 1905, a Festa de Santo Antônio dos Anjos não ocorreu?  É o que vamos ler a seguir:
Jornal O Albor, página 2, de 11 de junho de 1905.
Numa pequena nota na página 2, publicada no jornal “O Albor” de 11 de junho de 1905, a Irmandade informava aos fiéis da Laguna que “devido à falta de recursos, a Irmandade de Santo Antônio resolveu mandar rezar unicamente uma missa no dia do padroeiro desta cidade”.
Além da “falta de recursos”, outro fator que certamente preponderou foram diversas obras que precisavam ser executadas no prédio da matriz. Eram serviços necessários há anos.

Obras, muitas obras
Em 1892 grandes serviços haviam sido realizados na igreja, como a substituição das janelas frontais e, principalmente, a construção das duas torres, trabalhos estes executados pelos senhores Marcos Gazola (o mesmo que vai construir o chafariz do Jardim Calheiros da Graça, em 1915) e Batista Uliano.
Daquele ano em diante nenhum outro reparo ou obra foram executados. Portanto, em 1905, já se tinham passado 12 anos.

Nail Ulysséa em seu “Três Séculos na Matriz”, diz que em 1903 a Matriz já necessitava de grandes reparos, mormente o assoalho das capelas e da sacristia.
“Tão estragados que estavam ameaçando as paredes e altares. Era tão deplorável o estado da igreja que deixaram, naquele ano, de fazer a transladação de Nosso Senhor dos Passos, devido ao mau estado da Matriz, fazendo apenas a procissão, isto porque, a imagem após a transladação, ficava na Matriz até o dia seguinte, quando voltava ao Hospital”.

De fato. A situação do prédio devia estar mesmo em situação deplorável. Um ano depois continuava no mesmo estado ou até pior.
Se não vejamos:
Com o título “Matriz em ruínas”, o semanário lagunense “O Comércio”, de 28 de fevereiro de 1904, informa que a convite do Provedor da Irmandade de Santo Antônio dos Anjos, João Monteiro Cabral, o redator do jornal havia ido até a Matriz e subido até ao madeiramento do templo.
Nele “pudemos observar o estado de ruínas em que se acha, e nos parece que só por milagre de equilíbrio não tem desabado”.
E finaliza o articulista do “O Comércio” alertando: “Não há recursos para as obras mais urgentes e o senhor Monteiro Cabral faz um apelo justíssimo ao povo lagunense para contribuir à medida de suas forças, para que a matriz de nossa terra não desabe”.
Jornal O Comércio, de 28 de fevereiro de 1904.
Veja leitor que a coisa estava feia mesmo. Até o telhado ameaçava desabar sobre os cocurutos das pessoas enquanto oravam.
E rezavam em pé, pelo menos os homens, com as mulheres e crianças sentadas por todo o assoalho.
Os bancos somente foram colocados em 1912. Bancos simples de madeira que foram substituídos pelos atuais no ano de 1952, desenho de um sacerdote do Colégio Dehon, de Tubarão.


Pedido de socorro
Bem. O pedido de socorro funcionou. Tanto que uma comissão foi montada para angariar donativos. Em sua composição, Francisco Bertero (pároco), Manoel José Dias de Pinho, Luiz Nery Pacheco dos Reis e Saul Ulysséa.
Meses depois as obras iniciaram pela reforma completa do telhado, executada pela firma Bianchini & Irmão.
Foi trocado o assoalho, no adro, e revestido de ladrilhos, com a pintura interna completa feita pelo artista Adalberto Ribas.
E salienta Nail Ulysséa que o “movimento religioso foi transferido para a capela do Hospital”.
Somente em 1908 foi completada a restauração interna e “a 25 de março foi reaberta a igreja, com benção, missa solene e “Te-Deum”, ficando por terminar a reforma externa”.

Baseado nas informações acima – movimento religioso transferido para capela do Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos e reabertura da igreja com benção e missa somente em 1908 – fica-se com a impressão que a igreja fechou em 1905,1906, 1907 e parte de 1908.
Sem maiores preciosismos, mas deve haver algum engano na informação. Isso porque os jornais da época noticiam que cerimônias religiosas foram realizadas na matriz nos anos de 1906 e 1907, inclusive as novenas de Santo Antônio dos Anjos.


Até o surgimento da então capela de Nossa Senhora dos Navegantes, no Magalhães; e Nossa Senhora Auxiliadora, no então bairro Roseta (hoje Progresso), não existia, é evidente, a chamada Transladação de Santo Antônio dos Anjos como hoje acontece.

A imagem de Santo Antônio percorria, em procissão, as ruas do centro na tarde do dia 13 de cada ano, no mesmo percurso até hoje. Quando chovia (e se constata que chovia muito naqueles anos), o evento era transferido para o próximo domingo. 


"Santo Antônio que se contente..."
A não realização da Festa de Santo Antônio dos Anjos em 1905 parece ter descontentado muita gente do mundo católico lagunense.
Em carta cheia de reticências, não assinada, e publicada em 18 de junho daquele ano nas páginas do jornal O Albor, a missivista, que é viúva (se deduz pela leitura da carta), critica veementemente a Irmandade e lamenta a não realização do evento religioso.
Vejamos:

(...)
“Que os juízes não se importem com a festa, que neguem mesmo dinheiro e dedicação... lamenta-se, mas tolera-se... O que não se compreende, nem se tolera, nem se perdoa, é que os irmãos em Santo Antônio se reúnam e resolvam nada fazer por falta de dinheiro.
Uma missa cantada, três ladainhas, e uma procissão não consomem assim tanto dinheiro...
(...) Só o que faltou, meu amigo, foi vontade da Irmandade, e isto digo mesmo nas bochechas de qualquer irmão.
Se se tratasse de um baile, de um grupo carnavalesco, de um espetáculo ou de uma eleição, o dinheiro não faltaria; mas como se trata de Santo Antônio, que só tem feito bem a todos... a crise é tremenda...
(...) Uma missa rezada só... e Santo Antônio que se contente com isto, que a Irmandade não tem dinheiro...
Pois olhem: - Quando isto era Vila um só ano não se passou sem que a festa do miraculoso orago fosse feita inteirinha, com as trezenas, a missa solene, a procissão e sermão...
Aquilo é que eram tempos... Ai! Que saudades eu tenho d’aqueles tempos e do meu defunto marido...”

Em 1906 novamente a Festa correu risco de não se realizar
Em 1906, tal qual tinha acontecido um ano antes, novamente as festividades em honra ao padroeiro corriam sério risco de novamente não serem realizadas. Mas foi aí que um grupo de senhoritas da nossa sociedade católica lagunense assumiu as rédeas da organização, arrecadando recursos para realizá-las.
Quer saber os nomes das senhoritas que compunham a comissão? O jornal O Albor de 12 de junho daquele ano os relaciona: Enedina Moreira, Eudoxia Bessa, Joana Varejão, Noêmia Cordeiro, Maria Lima, Francisca Bessa, Ubaldina Varejão e Anna Machado.
E finaliza a nota do jornal dizendo que “não menos dignos de louvores são as senhoras Altina Alano e Cândida Amante e o senhor Manoel Fragoso que se prestam gratuitamente, as primeiras a enfeitar os andores e o segundo o templo”.

Dali por diante, todos os anos, atravessando o século XX, adentrando o XXI, a Festa de Santo Antônio dos Anjos da Laguna foi realizada sempre com brilhantismo e acompanhada tradicionalmente pelas Bandas de Música Carlos Gomes e União dos Artistas.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Morte de padre adiou festejos de Santo Antônio dos Anjos em 1984

Em 1984 a morte trágica de um padre adiou por uma semana os festejos em honra a Santo Antônio dos Anjos.

Sexta-feira, 1º de junho de 1984. O dia amanhece cinzento e frio na Laguna, a despeito do sol que teimava em brilhar.
Na noite anterior a cidade foi dormir mais tarde devido à carreata (então chamada de serenata) realizada a partir da meia-noite de quinta-feira pelas ruas e avenidas, percorrendo o centro e bairros.

São dezenas de automóveis circulando, com festeiros e demais fiéis promovendo a abertura de mais uma Festa em honra ao padroeiro da cidade, a ser realizada de 1º a 17 daquele mês e ano. Buzinas e foguetório marcam todo o trajeto.

Trágico acidente
Após as 10 horas da manhã daquela sexta-feira uma triste notícia, como um rastilho de pólvora, também vai percorrer a Laguna.
Um acidente automobilístico acontecido na BR-101 havia ceifado a vida do padre Luiz Agostinho Zocche Saccon, pároco auxiliar, ou vigário cooperador, como era então chamado, da Matriz Santo Antônio dos Anjos.
Incredulidade e tristeza geral no mundo religioso.

Logo chegou a confirmação. Sim, de fato, logo pela manhã, na BR-101, imediações de Imbituba e vindo de Florianópolis, padre Agostinho havia se acidentado com seu automóvel Voyage e uma carreta e, infelizmente, estava morto.

Padre Agostinho
Padre Agostinho. 
Foto: acervo de Victória Saccon Tramontin
Padre Agostinho, 30 anos, nascido em 24/12/1955, no hospital São Sebastião, em Turvo.
Foi batizado em 3 de janeiro de 1956 na paróquia de Turvo, pelo Frei Gregório Dalmont. Foram padrinhos Joaquim Lourenço (Victoria Saccon) Tramontin.
Era bastante conhecido no mundo católico da região sul e fazia um ótimo e elogiado trabalho, principalmente entre os jovens, faixa etária onde era muito querido. 
Havia sido ordenado padre em 20 de dezembro de 1982. Filho de Francisca Zocche Saccon e Domingos Valentin Fachin Saccon, moradores de Meleiro - SC, descendentes dos primeiros italianos que colonizaram a localidade.

Extremamente amigo e conselheiro, sempre estava postos a ajudar, estendendo a mão amiga em Cristo para retirar do mundo das drogas os que caíram no vício pernicioso e destruidor. 
Comandava a Pastoral da Juventude. E tinha apoio de Grupos de Jovens como a JUM - Juventude Unida do Magalhães, Macaro - Movimento Católico Marechal Cândido Rondon, da Vila Cohab do Portinho, e JUC - Juventude Unida Católica. Entre seus grandes amigos destacavam-se José Nazareno Duarte (Pisca), José Alves Fernandes (Mala) e Viviane Crippa.

Nosso amigo Mala relembra aqueles dias e de uma frase que lhe marcou:
"Quando batia o desânimo nos trabalhos em prol do próximo, principalmente pelo retorno de alguns jovens ao vício, padre Agostinho costumava aconselhar: 
- Não desanima, fé em Deus porque tudo tem conserto".


Sempre promovia os chamados “Retiros”, reunindo jovens da comunidade.
Padre Agostinho, com a família, quando de sua ordenação em 1982.
Foto: acervo de Victória Saccon Tramontin
No dia seguinte a sua morte, 2 de junho, um sábado, iria promover no Clube Blondin, às 20 horas, o “Primeiro Encontro da Perseverança”, no intuito da descoberta do jovem a si mesmo, a Cristo e aos que lhe são caros.

Ainda em 11 de maio, padre Agostinho reuniu vários amigos em sua residência. Animando o encontro, o seresteiro Manoel Silva com seu violão. Muitas pessoas de sua relação compareceram. Prefeito Mário José Remor, Oscar Pinho, Olga Cabral, Padre Marcos Herdt, Fernando Guedes, Licélio Freitas e Edgar Pereira, entre outros.

Velório foi realizado durante todo o dia na Matriz de nossa cidade com centenas de pessoas se despedindo, principalmente jovens. 
No fim de tarde, começo de noite, os lagunenses, a pé, de ônibus e carro, foram até o trevo de nossa cidade, cantando, rezando e balançando lenços brancos no último adeus. Seu corpo foi sepultado em Meleiro-SC.

Sábias palavras e conselhos
Alguns dias antes, Padre Agostinho disse a um grupo de adolescentes: “O jovem deve procurar em Santo Antônio um exemplo de união”, e “casado é quem bem vive”. Disse também que “Antes de querermos ter devemos ser”.

A última carta
Naquela tarde de quinta-feira, padre Agostinho entregou na redação do Jornal O Renovador uma matéria (carta) para ser publicada. Com o jornal praticamente fechado, o escrito somente foi estampado na semana seguinte a sua morte.

Eis, na íntegra:


Retiro Descoberta
“Aconteceu neste último fim de semana (quinta a domingo à noite), encerrando com a Santa Missa em São Ludgero, um Retiro entre 33 jovens de nossa comunidade.
Retiro Descoberta, de fato promoveu a descoberta do Jovem a si mesmo, a Cristo e aos seus que lhe são caros.
Entre eles haviam drogados, marginalizados com os quais iremos continuar a reuni-los e fazermos a perseverança da Descoberta do Cristo a Deixa da droga.
Primeiro Encontro de Perseverança será no próximo sábado, dia 2 de junho, às 20 horas, no Clube Blondin. Todos eles estão com muito amor no coração, amor a si, a todos os seus e a todos. Querem de fato viver essa Descoberta. Vamos ajudá-los.
Vai ser feito também um trabalho de crescimento, de ajuda, de aceitação com os pais e familiares desses jovens que tanto necessitam de ajuda.
Com muito amor no coração, agradecemos a todas as pessoas que nos ajudaram a realizar esse Retiro Descoberta. Eles se descobriram e também descobriram a Cristo. Vamos ajudá-los a viver esta descoberta e a Cristo em seus corações e em suas vidas. Contamos com todos vocês. Se o seu filho não é drogado, maior motivo para ajudar os que são.
Ajudando os outros, você estará ajudando um irmão seu que sofre e que Cristo sofre nele.
Nós contamos com ajuda de todos. Muito obrigado, com muito amor”. Assinado: Padre Agostinho

Premonição?
No dia anterior a sua morte, emocionou com suas palavras as pessoas do bairro Roseta (hoje Progresso) que compareceram ao velório de dª Doraci Tomázia (Dedinho) de Souza, uma das fundadoras da igreja Nossa Senhora Auxiliadora.
Na encomenda do corpo deixou muita gente impressionada ao ouvi-lo dizer:
“Aos parentes e amigos os meus pêsames sinceros. A Doraci Tomázia, parabéns que vai ao encontro de nosso Pai. Hoje, é a Doraci, amanhã poderá ser um de nós”.


Festejos adiados
Anúncio da Festa já com a data de sua realização alterada. Jornal O Renovador de 8 de junho de 1984.

Por causa de seu falecimento, a Festa em honra ao padroeiro daquele ano foi adiada, só iniciando na sexta-feira seguinte, 8, após a realização da missa de sétimo dia. Padre Agostinho estava escalado para ser o orador da primeira trezena.
Hoje é nome de Creche no bairro Progresso, na Laguna, e rua em Meleiro - SC.


Foram festeiros daquele ano:


Cláudio Dias de Castro Ramos (desistência), Adelaide Pinho Moreira, Celso Schambeck, Maria Salete Folchini Barreiros, Maurício de Paula Carneiro, Adamândia Andreadis, Geraldo Izidoro Barreto, Beatriz da Silva Bem, Carlos Gonçalves Netto, Maria Salete Bez Birollo Teixeira, Antônio Maiatte, Olímpia Algarves, Mário Luiz Spillere da Silva (Bau) (não aceitou o convite) e Adriana Nacif Carneiro.

PS:  Mesmo constando na programação divulgada, houve uma desistência dois meses antes; e uma não aceitação de convite, conforme acima. Na época não era usual a substituição de festeiros.
A pedidos, repito esta matéria, corrigida e ampliada, e publicada há cinco anos.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Festejos em honra a Santo Antônio dos Anjos este ano serão diferentes

Este ano de 2020, devido à pandemia do coronavírus,  conforme decisão da Irmandade em 19 de maio último, as celebrações religiosas  de Santo Antônio dos Anjos serão transmitidas pelas redes sociais.
Foto/Divulgação/cartaz de 2017.
No dia 13 de junho, entre 9h30 e 17h, a imagem do Santo padroeiro da Laguna estará exposta na porta central da matriz. Os membros da irmandade e os festeiros farão a proteção da estátua, com a distribuição dos tradicionais pãezinhos.
Uma carreata às 17 horas deverá ocorrer e uma hora depois, uma live será promovida com a banda Carlos Gomes em frente à matriz. A missa será feita pela internet.

A rifa será prorrogada e sorteada em 24 de dezembro, após a missa da matriz.
A Festa de Santo Antônio dos Anjos vai ocorrer ano que vem de 1º a 13 de junho, com a mesma equipe de festeiros deste ano”, salienta o provedor Leonardo Demétrio.
A tradicional festa em louvor a Santo Antônio dos Anjos da Laguna de forma presencial ocorrerá somente no ano que vem.

sábado, 30 de maio de 2020

A lição de honestidade do Waldir

Ele pode ser encontrado quase que diariamente na esquina de um supermercado no Centro Histórico da Laguna.
Vive sentado em sua cadeira de rodas, com um velho e pequeno toldo a lhe proteger do sol e da chuva. A cadeira/bicicleta é necessária pela ausência de uma das pernas, subtraída devido a uma infecção contraída anos atrás.
Waldir, em foto anterior à pandemia e isolamento social.
Fica sempre ali, olhar pensativo, meio-sorriso no rosto, observando os transeuntes. Pedinte.
É conhecido da maioria das pessoas, mas sua história de vida vem de longe, tempo distante, atravessando os anos. Aliás, 68 anos completados no dia 8 de novembro de 2019.
Waldir Carola é seu nome. Melhor dizendo: Waldir Banana, como é mais conhecido.
Compõe mais um tipo popular, dos mais variados que vivem e viveram em nossa cidade, de todas as épocas. Pessoa simples, sem títulos honoríficos e medalhas.
São chamados de anti-heróis anônimos, seres humanos que exprimem a alma coletiva, na lição do drama da realidade da vida.
Vez por outra alguém lhe estende uma moeda, uns trocados, nas dificuldades do dia-a-dia.
Em sua infância e juventude, na idade dos divertimentos, dos cinemas, dos namoros de todo mundo, Waldir trabalhava. Vendia amendoim torradinho, pasteis e doces pelo centro da cidade, principalmente no então movimentado Jardim Calheiros da Graça. 
Foi também engraxate, dentre os inúmeros que existiam antigamente.

Dias atuais. 
Certa manhã qualquer de um dia de semana (antes do isolamento social por causa da pandemia do corona), uma senhora, sua conhecida, abre a bolsa e depois a carteira e lhe estende uma cédula de R$ 2,00. Agradecimento.
Ela segue seu caminho, rápida, em direção a compromissos outros em casas comerciais.
Cerca de uma hora mais tarde, a senhora retorna à sua residência, situada nas imediações da Praça República Juliana. Ao chegar à soleira da porta encontra o Waldir lhe aguardando.
Em silêncio, sorrindo, ele lhe entrega uma cédula de R$ 100,00. A senhora logo compreende:
- Não me diz que te dei 100 reais no lugar de 2 reais?
- Isso mesmo dona, são parecidas. Mas quando percebi a senhora já ia longe. Como sei onde a senhora mora, vim devolver. 
A senhora agradeceu, comovida e emocionada pelo gesto de honestidade, tão em falta em certas classes de engravatados de nosso país.
E fez mais. Aumentou a gorjeta, agora com alguns exemplares da cédula correta e mais uma boa recompensa, desejando ao Waldir que Deus o abençoasse.

É mais uma simples história, eu sei leitor, um singelo gesto acontecido na correria do dia-a-dia de uma pequena cidade.
Poderia passar despercebido em meio a tantas notícias? Sim, é verdade, mas quis registrá-lo nesta página, como lenitivo e esperança de que ainda há salvação.
Bem, e depois? 
Depois lá se foi o Waldir tocando pelas mãos as rodas de sua velha cadeira que rangia pelos paralelepípedos das estreitas ruas da nossa histórica Laguna.
Ia cantando feliz, com a consciência limpa e na tranquilidade dos justos.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Faleceu Adalbi Abrahão Massih

Faleceu nesta sexta-feira (29), em Imbituba, onde residia, o professor, escritor e historiador Adalbi Abrahão Massih, aos 79 anos.
Nasceu na Laguna em 22 de novembro de 1940, filho de Ondina Abrahão Massih e Miguel Abdul Massih.
Adalbi é irmão do advogado Adib Abrahão Massih (já falecido), do odontólogo Aldo Abrahão Massih e do funcionário aposentado da Casan Almir Abrahão Massih.
Adalbi Massih em 2019, quando do recebimento da Comenda Henrique Lage pela prefeitura de Imbituba.
Foto: Prefeitura de Imbituba/ Divulgação
Sua atividade profissional começou cedo, em 1954, como vendedor da firma Armarinhos Boa Vista, de propriedade de seu pai.
Cursou o primário no Colégio Stella Maris de nossa cidade. Fez o 1º Grau no Ginásio Lagunense. O então chamado 2º Grau, no Curso de Técnico em Contabilidade, no Colégio Comercial Lagunense (CCL). O Curso Superior, em Ciências e Pedagogia na antiga FESSC, hoje Unisul.
Foi secretário no Conjunto Educacional Almirante Lamego (Ceal).
Casado com a professora aposentada Maria do Carmo Souza Massih, que foi secretária municipal de Educação em Imbituba, na gestão de Jerônimo Lopes (1993-1996).
 Pais de Antônio Luís Massih e Karla de Souza Masssih.
Em 1972, a convite do professor Renato Machado, começou a trabalhar como professor no Colégio Estadual Engenheiro Annes Gualberto, em Imbituba. Lecionou na Escola Básica Henrique Lage e Colégio João Guimarães Cabral, na vizinha cidade.
Em 1995 lançou seu primeiro livro: “Coletânea Folclórica”, resgatando tradições e influências açorianas, além das culturas afro-indígena.
"Santa Catarina - Prosa e Verso" foi lançado em 1998, com 240 páginas.
Em 1999, pela editora Copiart, lançou "Dicionário de História", 190 páginas.

Em 2003 publicou “Fatos, Fontes e Vultos Históricos da Laguna”, livro que dedicou aos seus pais Ondina e Miguel.

Na capa a foto em homenagem aos seus pais Ondina e Miguel.

A obra traz em breves resumos, a história da Laguna, seus fatos e vultos notáveis, além de discorrer sobre algumas famílias que marcaram o desenvolvimento da nossa cidade.


Em 2004 o Adalbi Massih publicou "Praças, Ruas e Avenidas de Imbituba", edição do autor.
Nas eleições deste mesmo ano foi candidato a vereador em Imbituba pelo PL, ficando na suplência.
Em 2006 surgiu de sua autoria “Brasil, Fatos, Fontes e Vultos Históricos”, uma ampla pesquisa de 229 páginas com variados assuntos em diversas áreas do Brasil. Ideal para estudantes e para candidatos a concursos.
Foi membro da Academia de Letras de Imbituba.
Palestrante sobre variados assuntos, principalmente os ligados à cultura e história.
Em 2017 recebeu a Medalha Poeta Vevé, da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina.
Em 2019 foi agraciado pela prefeitura de Imbituba com a Comenda Henrique Lage e recebeu a honraria das mãos do prefeito Rosenvaldo Júnior.
Sentimentos aos amigos e familiares.

PS: Tenho todos os seus livros editados, assim como as obras lançadas de todos os escritores lagunenses, de todas as épocas.
Lamento que o professor e escritor Adalbi Abrahão Massih nunca tenha sido homenageado em sua terra natal. E foram realizadas 38 semanas culturais...
Mas até aí nem uma novidade. Nossos pais e avós já diziam que Laguna sempre foi uma ótima madrasta e uma péssima mãe. 
Nada mais verdadeiro.

Eu voltei pras coisas que deixei...


Pois é. Fui dar uma pausa no Blog em setembro do ano passado, para realizar umas leituras e pesquisas históricas. E o tempo passou.
Foi-se o Natal de 2019, ano novo, carnaval de 2020 e quando vi, já estávamos de “quarentena”, no chamado isolamento social. E o Blog desde então foi deixado de lado, sem qualquer atualização.
Os amigos me encontravam, mandavam e-mail, ligavam, passavam um Whats indagando pelo retorno. Sinceramente, eu não me animava.
Agora, sem mais delongas retorno a ele, na continuação da publicação de pesquisas históricas, fatos e fotos da nossa Laguna. E seus personagens.
Não é todo mundo que gosta, mas há quem adore. É para esses que eu escrevo. Podem não ser muitos, mas são fiéis. Ninguém pode contentar e agradar a todos, afinal.
Antes um aviso: Este blog não é um canal de notícias da Laguna, atualizado diariamente. Para isso existem inúmeros portais por aí, de colegas muito mais qualificados, competentes e profissionais.
Aqui se quer apenas (re)lembrar o passado (com pinceladas no presente) em busca de uma leitura prazerosa e interessante, nos mais variados assuntos.
Se servir também de base, de alguma forma, para futuros pesquisadores e escritores em suas obras, me dou por satisfeito.
E, fiquem certos, há muito que pesquisar e escrever sobre a nossa Laguna. Em todas as áreas.


sábado, 7 de setembro de 2019

Concessão de Quiosque no Mar Grosso, após licitação, será por 10 anos

Tramita na Câmara de Vereadores, em caráter de urgência, projeto de lei nº 0059/19, de autoria do Poder Executivo, que outorga a Concessão de Uso Oneroso de área pública, constante de um terreno acrescido de marinha, com um quiosque edificado, medindo 198,00m², incluindo os bens que a integram e área adjacente com 470,00m², em frente à Praça Seival, localizado na Av. Maurílio Kfouri (quadra A), na orla da Praia do Bairro Mar Grosso. 
A concessão, após o devido processo licitatório, será por dez anos, podendo ser prorrogada por mais dez.
Na justificativa ao projeto, o Executivo diz que “vislumbra-se através do presente projeto de lei uma alternativa sustentável, tanto no que atina à manutenção quanto à possibilidade de colher frutos, na forma de arrecadação em favor do erário, sem perder de vista a obtenção de outros benefícios, tais como, o fomento do turismo”.

O projeto já foi aprovado por unanimidade pelos vereadores em primeira votação na noite de terça-feira última (3) e segue para segunda votação na sessão do próximo dia 10.

Vento derruba postes no Mar Grosso

Os fortes ventos que sopram na região sul derrubaram dois postes com luminárias no Balneário Mar Grosso, defronte à Praça Nelson Moreira Netto (do Vila).
Por causa do mau tempo o desfile de 7 de setembro foi cancelado na Laguna.
Fotos de Auri Aloísio.



sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Casa de Anita foi reinaugurada

O centro de histórico recebeu mais um prédio revitalizado. Nesta sexta-feira (30), foi reinaugurado o Museu Casa de Anita, prédio de 1711. Obra do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), recursos provenientes do PAC das Cidades Históricas, no valor R$ R$ 482.812,44, do Governo Federal. 
Casa de Anita. Foto: PML/Divulgação
Solenidade contou com autoridades dos três poderes e também de órgãos federais, como o ministro da Cidadania, Osmar Gasparine; governador do Estado Carlos Moisés; presidente nacional do Iphan, Katia Bórgea, vereadores e secretários municipais.
Fotos: Elvis Palma
A presidente do Iphan, falou sobre a importância da revitalização da Casa.
"Anita é uma guerreira, uma mulher que é uma das heroínas da nação Brasileira e é importante que o Iphan, que é responsável pela memória desta nação, consiga fazer trabalhos como esse em prol da memória. É necessário que a geração presente e a geração futura saibam quem é Anita e o seu legado pelo nosso país."
Até domingo, dia 1º, a entrada será gratuita no museu Casa de Anita, a partir do dia 2, volta a ser cobrada a taxa de R$ 6,00.
No pátio do museu foi plantada uma rosa, denominada Anita. Contou com a participação de italianos: a prefeita da cidade de Verucchio, Stefania Sabba; o arqueólogo, historiador, escritor e diretor do Museu e Biblioteca Renzi, Andrea Antonioli; Giampaolo Grill, colaborador do museu e co-autor do projeto;  Enrico Signorelli, secretário nacional da Unione Nazionale Ufficiali e Alessia Semprini, relações públicas. 
É uma iniciativa do museu e Biblioteca Renzi, de San Giovanni in Galilea, é uma muda de rosa desenvolvido pelo ex-combatente Giulio Pantoli, de Ravena, que denominou Anita Garibaldi, doou ao Instituto Técnico Garibaldi-Da Vinci. 
Outras pequenas rosas estão sendo desenvolvidas pelo departamento de Agronomia da Unisul, através da muda trazida da Itália. As plantas serão distribuídas em todo o Estado durante as comemorações do bicentenário da lagunense celebrado em 2021.

Sessão na Assembleia Legislativa destacou os 198 anos de nascimento de Anita Garibaldi

Os 198 anos de nascimento de Anita Garibaldi, também conhecida como a “heroína dos dois mundos” por sua participação em combates de ordem revolucionária, no Brasil e na Itália, foram destacados na noite desta quinta-feira (29) em uma sessão especial realizada na Assembleia Legislativa.
Na ocasião também foi lançada a programação das atividades que serão realizadas para a celebração do bicentenário de nascimento de Anita, e homenageadas pessoas e instituições que contribuíram para a preservação e divulgação da história da catarinense, nascida em 30 de agosto de 1921 no município da Laguna.
Guardiãs de Anita se apresentando.
A solenidade foi presidida pelo deputado Felipe Estevão (PSL), que na ocasião se disse emocionado por fazer parte dos festejos do nascimento de uma personalidade tão significativa para a história do estado de Santa Catarina. 
Segundo o pesquisador Adílcio Cadorin, Anita é reverenciada na Itália e conhecida no Uruguai, mas ainda muito pouco valorizada no Brasil e até mesmo no seu estado de origem, fato que pretende mudar por meio do projeto “Dois Mundos e Uma Rosa para Anita”. A iniciativa, do qual é coautor, tem por meta divulgar a vida e os feitos da catarinense. “Santa Catarina, agora com a preparação dos festejos do bicentenário de nascimento de Anita, se prepara para resgatar o valor dessa grande mulher, que tem feitos incomensuráveis que a maioria da população catarinense também desconhece.”

Também participante do projeto, o arquiteto e historiador italiano Andrea Antonioli, que atualmente atua como diretor da Biblioteca Pública e Museu Renzi, ressaltou a importância da catarinense para a própria existência da Itália como país. “Anita é considerada uma figura feminina muito importante para nós, pois além de ter participado das lutas junto com Giuseppe Garibaldi, abriu as portas para a unificação italiana.”
Na sequência, foi realizada a apresentação do vídeo “Anita è il tuo nome”, de autoria de Maria Gabiella Conti e direção de Stefano Caranti, que conta, de forma poética, a trajetória de vida da lagunense.
As guardiãs de Anita também fizeram umas bonita apresentação.
Fonte: Alexandre Back (Agência Alesc)  

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Gente em Destaque

Vereador Peterson Crippa da Silva e sua amada Eduarda (Duda), completam nesta segunda-feira (26), treze anos de um feliz casamento. Felicidades ao lindo casal.

Jacqueline Alcântara e Manlio Bianchini, nos Embalos de Sábado à Noite - Anos 60, em Floripa. É isso aí, Bicho! É uma brasa, mora?

Recuperando-se de delicada cirurgia, mas já em sua residência em Florianópolis junto aos seus familiares, músico Afonso Prates Silva, aqui ao lado de sua Salete. Nossos desejos de muita saúde.

Lagunenses Raquel e Daniel Cravo Silveira, casal amigo, bom papo, sempre juntinhos na noite da capital.

Ex-vereador Nelson Gomes Mattos, que sabe tudo sobre a política lagunense, todo feliz presenteado com camisa autografada pelo jogador de futebol, zagueiro Thiago Silva, do Paris Saint-Germain. 
Aqui com o filho Nelsinho Gomes Mattos Júnior, ele secretário de Meio Ambiente, Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Florianópolis.

Márcia Pereira e Júlio Villa em recente encontro social. Um casal apaixonado.

Marlene Coral Carrer, hoje residindo novamente em Cornélio Procópio, no Paraná, aqui com os filhos Ana Carolina, André e Milla, fez muitos amigos na Laguna.
Rose Souza e Zezo Lindermann, leitores assíduos deste Blog lá em Criciúma. Gente feliz.