sábado, 10 de novembro de 2018

Lançamento literário

Escritor Dinovaldo Gilioli na próxima terça-feira (13), em Florianópolis, das 18h00 às 21h30, no Café Barió, no Centro Integrado de Cultura (CIC), o livro de poema Inventário de Auroras.
O livro apresenta poemas curtos em linguagem clara, com humor, fina ironia e transitando por temas diversos.
Inventário de Auroras é resultado do Prêmio Miau de Literatura e foi selecionado entre 328 obras inscritas, de escritores de todas as regiões do país. Feito de forma artesanal e com papel reciclado, foi publicado pela editora Costelas Felinas, de São Vicente-SP, promotora do Prêmio.
Gilioli tem sete livros e poemas em mais de 20 antologias, devido a premiações literárias, além de possuir artigos publicados em jornais e revistas do Brasil, principalmente veículos alternativos, e ter sido editor da Revista Pantanal, divulgando trabalhos de poetas e contistas brasileiros.

Dino foi dirigente do Sinergia e trabalhador da Eletrosul, onde integrou o Conselho de Administração. O escritor, ativo colaborador do jornal Linha Viva, é natural de Leópolis, no interior do Paraná, e reside em Florianópolis há cerca de 40 anos.
Durante o evento, aberto a todos, o poeta fará uma intervenção com o objetivo de aproximar a palavra poética do público.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Concerto em comemoração a Proclamação da República

 Delegacia da Capitania dos Portos da Laguna, através do capitão de corveta Aldo Carvalho da Rocha, convida a comunidade para prestigiar a apresentação da Banda de Música do Grupamento de Fuzileiros Navais em Rio Grande, em comemoração a Proclamação da República.
Foto: Folha Militar/Divulgação
O concerto é gratuito e será realizado no dia 15 de novembro as 19h, na Sociedade Recreativa 3 de Maio, localizada na Rua João Pessoa, Magalhães.

Ingenuidade política?

Tem político do PP da Laguna já entabulando conversas com vistas à filiação no PSL, pensando numa eventual candidatura à prefeitura em 2020.
É uma saída, já que ficou sem chão no partido ao não apoiar as candidaturas dos Amin eleitos: Esperidião (senador), Ângela (deputada federal) e João Amin (deputado estadual).
É o que dá não ouvir conselhos dos amigos e fazer escolhas errôneas. De repente pode até jogar fora uma carreira política, nesse verdadeiro jogo de xadrez.

Atchim!

Tem um político do MDB da Laguna, oportunista como ele só, que agora basta um deputado eleito da região dar um simples espirro que o sujeito corre para as redes sociais  e logo escreve: 
- Saúde deputado, amém.
Isso que o deputado ainda não tomou posse. 
O que não se faz por um cargo.

Carioca fechada

Prefeitura da Laguna fechou a Carioca temporariamente para manutenção nesta quarta-feira (7). Segue “sugestão” do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comdema).
Foto: PML/Divulgação
O fechamento se deu tendo em vista alguns parâmetros diagnosticados em desconformidade com a legislação do Conselho Nacional do Meio Ambiente, conforme o comunicado do Condema.
Não foi divulgado o laudo nem sua data de execução.

Diz a prefeitura que a secretaria de Obras irá realizar a limpeza externa do local, como retiradas de folhas, galhos e demais sujeiras e que uma empresa especializada na limpeza interna dos canos e maquinários será contratada.

Chamo aqui para um detalhe de suma importância. De acordo com o comunicado do Condema a última manutenção na Carioca foi realizada há oito anos!!!

Quer dizer: a falta de manutenção atravessou os últimos dois anos da gestão do ex-prefeito Célio Antônio (2011-2012), os quatros anos do ex-prefeito Everaldo dos Santos (2013-2016) e mais esses dois anos do prefeito Mauro Candemil (2017-2018). Pra mim isso se chama má gestão. Ou não?

A verdade é que a manutenção deveria ser periódica (seis em seis meses, ano a ano), assim como os testes de potabilidade da água.
A Carioca, além de abastecer a população, é um dos pontos turísticos dos mais visitados. E estamos às portas de mais uma temporada de veraneio.

A Júlia Nascimento foi promovida?

Pode parecer de menos, eu sei, mas alguém tem que avisar ao pessoal da gerência de Comunicação da prefeitura que as obras de pavimentação, drenagem, etc., estão sendo executadas na “RUA” Professora Júlia Nascimento e não “AVENIDA”, como consta em releases distribuídos à imprensa.
Não basta somente consultar em google maps, que contém erros.

Política & políticos

Daqui não saio
Semana passada o deputado eleito Felipe Estevão, juntamente com sua esposa, fez um vídeo ao vivo (live) na Praça Paulo Carneiro, defronte ao Mercado Público da Laguna, desmentindo especulações em redes sociais de que estaria se mudando para Balneário Camboriú.
O deputado afirma que continua residindo na Laguna, ali no Magalhães e a partir de 2019, logicamente por conta de suas atividades no legislativo catarinense, ficará alguns dias da semana na capital do estado, numa espécie de apartamento funcional.

Líder da bancada
A propósito, o que se comenta no mundo político catarinense, é que o deputado Felipe Estevão será o líder da bancada do PSL. Já o deputado Onir Mocellin será o líder do governo e o deputado Ricardo Alba concorrerá a um cargo na mesa diretora na Assembleia Legislativa a partir do próximo ano. 
O seis deputados estaduais do PSL.
Anúncio oficial deve sair no dia de hoje (9) em encontro do partido em Águas Mornas.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Quem foi o padre lagunense Walmor de Castro

Em 16 de março de 1914, nascia na Laguna Walmor Martins de Castro, filho de Salomão André de Castro e Armanda Martins de Castro.
Cursou o primário no Colégio Stella Maris e com apenas 13 anos, em 1927, entrou para o Seminário Nossa Senhora de Lourdes em Brusque (criado naquele ano), onde cursou seus primeiros anos de formação sob orientação de Dom Jaime Câmara, então padre e reitor daquele Seminário.
Padre Walmor Martins de Castro. Foto: Arquivo Marega.
Em 7 de fevereiro de 1934 recebeu a batina das mãos de Dom Joaquim Domingues de Oliveira. Em dezembro deste mesmo ano terminou seus curso de filosofia, data em que também recebeu a tonsura, cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordinando, ao conferir-lhe o primeiro grau de Ordem no clero.
No ano seguinte, em 13 de maio, seguiu para o Seminário Central de São Leopoldo (RS), visando se iniciar nos estudos de teologia, terminando-o no Seminário Central de Ipiranga, em São Paulo.
Finalizado os estudos, recebeu as ordens de Subdiaconato a 11 de dezembro de 1938 e a de Diaconato em 17 de dezembro do mesmo ano.
Em 1939, em 5 de março, recebeu as ordens de sub-presbítero, rezando sua primeira missa na manhã do dia seguinte, na Matriz Santo Antônio dos Anjos da Laguna.

A Ordenação e primeira Missa
A Ordenação do padre Walmor de Castro se deu em 5 de março de 1939, um domingo.
A cerimônia aconteceu às 9h30min na igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos, com missa solene celebrada por Dom Joaquim Domingues de Oliveira, Arcebispo Metropolitano de Florianópolis.
A igreja estava lotada de fieis, além de inúmeros convidados, amigos e autoridades locais.
Após a missa, defronte à Casa Paroquial, foi promovida uma manifestação de saudação ao Arcebispo.
Usou da palavra Vinicius Colaço de Oliveira (advogado, filho do também advogado João de Oliveira), diretor do jornal Correio do Sul. Foi também orador Antônio Nunes Varela, que “(...) em belas palavras homenageou o padre Walmor de Castro”.
Logo após, às 14 horas, um almoço para cerca de 40 pessoas no prédio São Vicente de Paulo (Vicentinos), com a presença, entre outros, do Arcebispo Dom Joaquim, prefeito Giocondo Tasso, monsenhor Francisco Giesbert, monsenhor Trombock, frei Evaristo Schurmann, padre Bernardo Philippi, então vigário da Paróquia da Laguna, padre Antônio Marangoni, coadjutor da Paróquia de nossa cidade, padre Roberto Wirobeck, frei Norberto, padres José Poggel, Luiz Cordiolli e César Rossi, Vinicius Colaço de Oliveira, Antônio Nunes Varella, comandante João Moreira (comandante Moreira), subdiáconos Augusto Zucco e Wilson Schmidt, Olavo Magalhães, João Guimarães Cabral, minoristas Loccks e Hobold, Antônio Tomé de Oliveira, Claudino Rocha, Salomão Castro (pai do padre Walmor Castro), Manoel José Machado, Francisco Pestana, Alexandre Pagani, Carlos Emmendoerfer, José Espíndola, Taciano Barreto e Waldomiro Leite.

Transcrevo acima todos esses nomes, copiados da matéria do jornal O Albor, porque muitos leitores aqui do Blog às vezes buscam nos textos aqui publicados o encontro escrito e histórico com muitos de seus antepassados.

Após a Ave Maria
Fim de tarde, começo da noite, após a benção da Ave Maria na igreja Matriz, o padre Walmor Castro foi acompanhado por considerável público até a residência de seus pais, na Praça Conselheiro Mafra (atual República Juliana. É a casa onde há pouco tempo funcionou o Café Garibaldi, ao lado do prédio, hoje em ruínas, onde existiu a fábrica de móveis de Antônio Teixeira). Acompanharam a comitiva as Bandas musicais da cidade, União dos Artistas e Carlos Gomes.
E diz o jornal Sul do Estado de 12 de março de 1939, do jornalista José (Zeca) Duarte Freitas:
“Chegando à residência, falou em nome do povo lagunense o sr. Manoel José Machado, oferecendo ao padre Walmor um missal como lembrança de sua ordenação.
Mas foram outros inúmeros presentes recebidos, conforme registra O Albor, cheio de adjetivos para eles:
“Uma estola, oferecida pela senhorita Odete Pinho, como lembrança de sua irmã Mariela Pinho Magalhães, madrinha do homenageado; um bem confeccionado jogo de objetos de madeira para escritório, oferecido por Eduardo Silva; paramentos sacerdotais, oferta dos parentes do sacerdote, Belinha, Belica e Emilia Cabreira; uma belíssima alva, oferta de sua irmã Nair Castro Carneiro; um mimoso porta relíquia, oferta de Enedina Moreira Netto; duas caixas com toalhas, oferecidas pelas irmãs do Hospital e Colégio Stella Maris; uma preciosa imagem do Coração de Maria, luminosa, para mesa de cabeceira, dádiva de Taciano Barreto; um utilíssimo livro de "Cartas do Padre Anchieta” e um roupão de banho, ofertados por Carmem Castro. Além de ofertas monetárias de João Rodrigues Moreira (o comandante Moreira), Pedro Castro, Samuel Castro, Hermínio Faísca e Antonina Martins Castro”.

Usaram ainda da palavra os srs. Júlio Barreto e padre Bernardo Philippi, tendo agradecido o homenageado.
Logo após, “foi servida a todos que o foram cumprimentar, uma lauta mesa de doces e bebidas, tendo, por fim, usado da palavra o nosso distinto conterrâneo Mário Cabral que foi muito aplaudido”.

Trajetória
Após sua ordenação na Laguna em 1939, o padre Walmor Castro assumiu a Paróquia de Itajaí.
De acordo com o padre José Artulino Bensen em seu Blog, em 11 de novembro de 1940 o padre João Dominoni, de Cocal, escreveu ao vigário geral comunicando que o padre Luiz Gilli, vigário de Urussanga, estava doente, solicitando um coadjutor para as capelas daquela paróquia. No ano seguinte, 1941, foi nomeado o padre Walmor Castro, transferido de Itajaí. 
O grande empecilho foi o idioma, o italiano, falado por muitos fiéis das comunidades da região, e pelos próprios padres, como  Gilli e Miguel Giacca, de Nova Veneza, que pregavam nessa língua, em plena 2ª Guerra Mundial, com toda a animosidade reinante, o que provocou certos desentendimentos. 
Depois, padre Castro foi coadjutor em São Bonifácio, atendendo Teresópolis e Anitápolis. Mais uma vez o idioma estrangeiro atrapalhou, já que não aceitava a confissão em alemão.
Ainda conforme o padre Bensen, padre Walmor Castro “foi para o Rio de Janeiro em início de 1945. Lá era arcebispo e cardeal Dom Jaime de Barros Câmara, seu ex-reitor no Seminário de Azambuja”.
Em 15 de julho de 1944, aconteceu a fundação da Paróquia de São José, em Ricardo de Albuquerque, no estado do Rio, sob a gestão de padre Alício Ribeiro e depois Walmor de Castro.
Em maio de 1960, conforme registra o jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, padre Walmor rezava missa solene na Festa da Sagrada Família de Nazaré, da Irmandade Nossa Senhora Mãe dos Homens, onde era capelão.
Em 1964, de acordo com o jornal O Albor, o já cônego Walmor Castro era vigário cooperador da Paróquia do Jardim Botânico e capelão do Hospital dos bancários, no Rio de Janeiro.

Jubileu dos 25 anos em 1964
No dia 4 de março de 1964, Laguna recebia o padre Walmor de Castro, procedente do Rio de Janeiro.
“Vinha render louvores a Deus, de coração agradecido pelos seus 25 anos de vida sacerdotal”, assinala o jornal O Albor, de 7 do mesmo mês.
A intenção do padre Castro era de fazer “simples e individualmente, um ato de louvor a Deus, na mesma igreja em que foi ordenado”.
Mas seus inúmeros amigos se associaram à comemoração e fizeram rezar uma missa solene, às 19 horas.
A cerimônia foi oficiada por Monsenhor Bernardo Peters, vigário geral da Diocese de Tubarão, e monsenhor Frederico Hobold, vigário geral da Arquidiocese de Florianópolis, acompanhada pelo Coral Santo Antônio dos Anjos.
Logo após, no Clube Blondin, amigos do padre Walmor o homenagearam com um jantar. Na ocasião falou o vigário padre Boleslau Smieleski, saudando o homenageado em nome da paróquia. Também discursou o jornalista e secretário geral da prefeitura José Duarte Freitas que o saudou em nome da municipalidade, dos amigos e conterrâneos.  

Jornalista Zeca Freitas e seu discurso
O jornalista José Duarte Freitas era o proprietário do jornal Sul do Estado, quando da Ordenação do padre Walmor Castro lá em 1939. Os dois eram amigos de infância.
Em 1964, 25 anos depois, Zeca Freitas estava à frente da prefeitura da Laguna, como secretário geral. Não havia ainda a figura do vice-prefeito. Tinha atravessado várias gestões no cargo. Era um faz-tudo, inclusive na substituição ao prefeito em caso de vacância do titular por férias ou licenças.
Colaborou durante muitos anos com crônicas para a Rádio Difusora da Laguna. Seus textos, de uma primazia ímpar, eram feitos à mesa do Café Tupy, entre uma cerveja e outra. Eram escritos em qualquer folha de papel, de embrulho ou até mesmo no verso de pacotes de cigarros. Exercia o típico jornalismo romântico que hoje não existe mais.
Infelizmente suas crônicas na emissora não ficaram à posteridade, extraviadas pelo tempo. Mas o jornal O Albor reproduziu o discurso de Zeca Freitas no Clube Blondin quando do jantar do jubileu. É um fato raro porque este semanário comumente não estampava na íntegra os discursos feitos nos acontecimentos sociais, esportivos e políticos da Laguna.
Então, pela preciosidade, pela inteligência, pela rica cultura de José Duarte Freitas, o reproduzo aqui para aqueles que, como eu, apreciam um bom texto.

“Quiseram os lagunenses aqui reunidos para homenagear um conterrâneo dileto no decurso do 25º aniversário da sua Ordenação Sacerdotal, que eu interpretasse o sentir geral das classes representativas e do povo, nesta auspiciosa data.
Não o faço muito desembaraçadamente, nem com os recursos da cultura e do talento, necessários à honrosa incumbência.
Mas, faço-o com inteira consciência da responsabilidade, e voltado para as tradições da Laguna, no que elas têm de dignidade, de heroísmo e de inteligência.
Devo, de início, referir-me à sagrada missão dos que servem o altar.
Segundo ilustre pensador moderno, por toda a história da espécie humana, percorre, qual imperceptível, um fio de ouro, que é a Verdade compreendida pelos grandes espíritos. De outro vulto da intelectualidade, por sinal nitidamente cético, li que o gênero humano pode ser dividido em três classes: um pequeno número de seres úteis, um número bem avantajado de exploradores, e a grande massa amorfa, a se deslocar no cinerama da vida.
Destas duas definições, nada religiosas, eu tirei uma conclusão, que me parece acertada: o sacerdote se prende àquele fio de ouro e se inclui entre os seres úteis. Se exceções existem, a culpa não será do sacerdócio, mas da fragilidade humana.
Não é de hoje, nem apenas da era cristã, que o sacerdócio vem dirigindo as sociedades num sentido melhor. Até nas religiões mais primitivas, quando as hordas tribais se arrastavam no animismo e na adoração das forças da natureza, já o sacerdócio era, de certa forma exercido, através da magia e dos conhecimentos astrológicos.
Ao aflorarem no pensamento humano as primeiras crenças dualistas e redentoristas, que iriam projetar-se no futuro, fundindo-se numa cristandade universal e perene, o sacerdócio, embora privativo de castas, continuava na sua órbita moralizadora, saneando os costumes e arejando as mentalidades.
No Egito, na Índia, na Pérsia, na Mesopotâmia, na Palestina, as classes sacerdotais, quase sempre circunscritas a algumas famílias privilegiadas, tentavam preservar a ética, acima das ambições, do ódio e das conquistas.
Já por aquelas eras, milênios recuados, um povo nômade e semibárbaro, pejado de sexo e de insatisfações, vinha carregando a responsabilidade imensa da predestinação divina, depositário que era da semente da Redenção.
Faltava-lhes, entretanto, algo insubstituível, uma essência de âmbito mais amplo e mais acendrado, que eles aspiravam ardentemente, profetizavam com veemência, e, não raro, temiam arrasadoramente: a encarnação do Verbo, que estava na palavra dos seus pregadores e na própria consciência da raça eleita.
Veio, então, o Filho de Deus feito homem, o primeiro, o único, Sacerdote ungido pelo Criador Todo Poderoso.
Na continuidade dos apóstolos e de seus sucessores, todos sacerdotes, a crença nova foi se propagando. Vencendo distâncias, superando obstáculos, contornando dificuldades, evoluindo nos tempos, a doutrina sublime atingiu as nossas plagas e os nossos dias, sempre aureolada pela dedicação apostolar de seus ministros.
Foi uma longa e árdua trajetória, registrada nos fastos da renúncia, do pacifismo, da humildade, do amor ao próximo, do perdão das injúrias, do martírio, da santidade, e da cultura civilizadora. No decorrer de quase dois mil anos de doutrinação do Evangelho de Cristo, os sacerdotes de Deus Criador, não somente implantaram a Fé redentora no mundo, como também estiveram presentes em todos os grandes eventos da humanidade.
Seria por demais demorado, inoportuno mesmo, discorrer sobre a participação desprendida e heroica desses homens de fé, de princípios e de boa vontade.
Basta-nos mencionar que, na conturbada hora presente, quando a estrutura social da nossa civilização, todos os fundamentos éticos que embasam nossas convicções honestas e cristãs, veem-se ameaçados pela investida insensata das forças da negação e da odiosidade, ainda é a Igreja Católica Apostólica Romana a única força moral e espiritual capaz de suster impertérrita e intangível, a famigerada onda materialista, cujos corifeus, indígenas ou internacionais, sabem muito bem disto.

Padre Walmor:
A unção que recebestes, no dia 5 de março de 1939, é a mesma de agora, porque sois sacerdote para todo o sempre.
Laguna festeja vosso Jubileu Sacerdotal de prata, numa reverente homenagem a um dos seus filhos, integrante desse valoroso exército da Fé.
Há uma emoção natural em todos nós, muito especialmente daqueles, como eu, que vos conheceram desde a infância, que tiveram sólidas ligações de amizade com vossa distinta família, que acompanharam o desenvolver da vossa vocação e de vossos estudos, que assistiram as solenidades da vossa ordenação há 25 anos, na nossa vetusta igreja matriz, engalanada como hoje, na Missa Solene, que vimos de assistir.
Represento, neste instante, também o chefe do Executivo lagunense, que me pediu vos transmitiste suas felicitações.
Em nome dos vossos amigos, cuja solidariedade se demonstra na esplêndida acorrência a este ágape, abraço-vos cordialmente, assegurando-vos prolongados anos de útil existência, na carreira dignificante que escolhestes”.

Falecimento
Padre Walmor Martins de Castro faleceu no Rio de Janeiro, aos 65 anos, em 16 de julho de 1979, município que o homenageou com nome de uma rua, assim também como o fizeram Florianópolis e Laguna. Em nossa cidade o nome da via, que fica localizada no bairro Esperança, foi através da Lei nº 05/1980, de 17 de março de 1980, na gestão do prefeito Mário José Remor/João Gualberto Pereira.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Prefeitura declara de utilidade pública terreno no centro da Laguna

Diário Oficial de 1º de novembro de 2018, traz o teor do Decreto Lei nº 5.085/18, de 26/10/2018, assinado pelo prefeito Mauro Candemil, declarando de Utilidade Pública e de interesse social, uma área de terras no centro da Laguna, “para fins de concessão do direito de uso a título gratuito a ser autorizado pela SPU/SC”.

Trata-se daquela área situada ao lado da avenida Colombo Machado Salles (na Paixão), defronte às margens (cais) da Lagoa Santo Antônio dos Anjos, hoje utilizada em parte para estacionamento de ônibus de turismo.

O citado terreno urbano tem as seguintes confrontações, conforme o Decreto:
Frente: na extensão de 144m16cm com a avenida Colombo Machado Salles; Fundos na extensão de 136m75cm com o cais; Lateral Sul, na extensão de 28m29cm com propriedade de Santinho Empreendimentos Turísticos S.A.; Lateral Norte, na extensão de 19,00m com propriedade de Celestina Daufemback. Perfaz uma área total, englobando quatro lotes, de 3.270,00m2.
Diz o decreto que “As áreas de terras ora declaradas de Utilidade Pública destinam-se à instalação e criação de um espaço público que possa ser aproveitado como área de lazer e recreação para a população”.

Em seu artigo 4º, o Decreto diz que “a municipalidade convalida-se na posse do imóvel descrito na área total, que já era exercida de fato e agora passa a ser de direito”. 
Já em seu artigo 5º o Decreto prevê que eventuais terceiros que se oponham ao teor do Decreto devem apresentar requerimento ou defesa no setor de Protocolo da prefeitura no prazo máximo de 10 dias da publicação do Decreto.
Clique na imagem para ampliá-la:
Decreto nº 5.085/2018 de 26/10/2018.


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Câmara da Laguna cassa mandato de vereador

Os vereadores da Laguna estiveram reunidos na noite da última segunda-feira (29) para votar o relatório da Comissão Processante que apurou denúncias contra o vereador Antônio Cesar da Silva Laureano (MDB).
Divulgação/CML
O presidente da Câmara já havia solicitado que a Secretaria Legislativa convocasse o suplente do PP, pois o vereador Roberto Alves  (PP) estava impedido de votar nesta matéria por ser o denunciante.
O 6° suplente do Partido Progressista, Jairo Abílio Mendonça, o “Jairinho da Ponta das Pedras”, foi quem votou no lugar de Roberto Alves.
Os outros cinco primeiros suplentes (Luiz Otávio Pereira, José Luiz Siqueira, Hirã Ramos, Jackson Barbosa e Antônio da Silva) desistiram de assumir a cadeira alegando incompatibilidade de horário e problemas particulares.

O vereador Rodrigo Luz de Moraes (PR) – relator – leu o relatório, sugerindo a cassação e perda do mandato de Laureano. O edil processado está preso desde novembro de 2017, na operação “Seival” do Departamento Estadual de Investigação Criminal – Deic.
A defesa de Laureano foi sustentada pelo advogado Luiz Carlos Rovaris, que falou por aproximadamente 1h20min.
Em seguida o presidente do parlamento, Cleosmar Fernandes, colocou o relatório em votação.

O relatório favorável a cassação e perda do mandato do vereador foi votado e aprovado por unanimidade pelos 12 vereadores presentes, com exceção do vereador Kléber (Kek) Roberto Lopes Rosa (PP) que não compareceu à sessão.
 Além de perder o mandato, Antônio Laureano, ficará inelegível por oito anos. Ao final foi lida e aprovada a Ata da Sessão.
Nádia Tasso Lima, 1ª suplente, que já ocupa o lugar de Laureano, passa a ser titular da cadeira no parlamento Lagunense.

domingo, 28 de outubro de 2018

Resultados oficiais das eleições na Laguna -2º turno 2018

Para presidente do Brasil
Jair Bolsonaro: 18.029 (72,00%)
Fernando Haddad: 7.011 (28,00%)

O eleitorado da Laguna é de 34.796, conforme dados da Justiça Eleitoral. 112 seções.
Deste número, compareceram neste segundo turno 27.206 (78,19%), com uma abstenção de 7.590 (21,81%).
Brancos 555 (2,04%) 
Nulos 1.611 (5,92%).
Votos válidos 25.040 (92,04%).
Para ampliar clique na imagem:

**********************************
Para governador de Santa Catarina
Comandante Moisés: 17.249 (71,79%)
Gelson Merísio: 6.779 (28,21%)

Brancos: 829 (3,05%)
Nulos: 2.349 (8,63%)
Votos válidos: 24.028 (88,32%).
             Para ampliar clique na imagem:


sábado, 20 de outubro de 2018

O naufrágio do Vapor Catalão no Farol de Santa Marta

“Fazer jornalismo é produzir memórias”
(Geneton Moraes Neto)

Amanhecia naquela segunda-feira, 13 de março de 1911. Logo uma notícia correu como um rastilho de pólvora pela Laguna que acordava sonolenta para mais uma semana. Um navio havia naufragado na localidade do Farol de Santa Marta.

A embarcação se acidentou por volta das duas horas da madrugada, encalhando ao sul do Farol de Santa Marta, entre as Praias da Cigana e Cardoso, defronte ao Ilhote (que na verdade não é ilha) do Cardoso.
Desenho ilustrativo de um paquete a vapor do século XIX.
Imediatamente seguiram para o local o delegado de polícia da Laguna, Antônio Soares da Silva, dois guardas da Mesa de Rendas Federais e várias outras pessoas, curiosos em sua maioria, como sempre acontece quando se trata de acidentes.

O navio Catalão
Nas primeiras informações colhidas no local, soube-se que se tratava do Vapor Catalão, de 4 mil toneladas, que havia pertencido à Companhia Transatlântica Argentina, mas agora de propriedade da firma Darisch & Cia., do Rio de Janeiro. Era sua primeira viagem com bandeira brasileira. Vinha de Buenos Aires com destino ao Rio de Janeiro, Bahia e Pará.
O navio era um paquete, media 100m6cm de comprimento com 12m6cm de largura, construído pelo Estaleiro inglês Stephenson Robert & Co. Hebbun-On-Tyne, em 1889.
A tripulação, incluindo-se sua oficialidade, compunha-se de cinquenta pessoas.
Era comandante do navio, Lúcio Duarte Valente. Em protesto lavrado, informou que o acidente foi provocado “pela correnteza oceânica e a cerração que havia naquela fatídica noite”.

Carneiros, bois e vacas no porão
O carregamento constava de alfafa, charque, molhados e perfumaria. Não se achavam no seguro nem o casco do vapor nem sua carga.
Trazia também a bordo, em seus porões, cerca de 800 carneiros, além de 190 bois e vacas. Alguns desses animais de pura raça, como uma vaca holandesa e uma égua de puro sangue.
Muitos desses animais morreram na tentativa de salvamento, mas a maioria foi desembarcada ali mesmo, na praia, ficando solta nos campos vizinhos.

Um corpo embalsamado
Um fato curioso e deveras triste. A bordo vinha o corpo embalsamado da filha de um coronel de sobrenome Fragoso, que havia integrado a Casa Militar do ex-presidente do Brasil, Afonso Penna. “Falecendo em terra estrangeira quis ser sepultada em terra de sua pátria”. Certamente seu último desejo em vida. O jornal O Albor, de onde retirei a informação, não informa seu nome nem a causa mortis.
Já o jornal O Dia, de Florianópolis, edição do dia 18, informa que "O caixãozinho deu à praia no lugar do sinistro. Sabendo da ocorrência o governador do estado telegrafou ao superintendente Municipal da Laguna, Oscar Pinho, solicitando que o caixão fosse recolhido e posto à disposição dos parentes da criancinha".

Fiscalização
Em 16, chegava ao nosso porto o rebocador "Florianópolis", da Alfândega da capital do estado. Trazia o guarda-mor major Raul Tolentino, o escriturário Demóstenes Veiga, guardas e uma força de 20 praças do 54º Batalhão de Caçadores, de Florianópolis. O aparato era para fiscalizar, controlar saques e checar os muitos boatos que circulavam pela cidade, principalmente o de que a bordo do navio naufragado teria vindo grande quantidade de contrabando, principalmente o charque oriundo da Argentina.
Bem por isso a chegada de autoridades fiscalizadoras. O jornal O Albor também noticia que no dia 22 veio pelo navio “Meta”, proveniente de Florianópolis, o conferente da Alfândega Ignácio Mascaranhas. Dois dias antes já haviam chegado o inspetor da Alfândega, Vossio Brígido e o escriturário Sabino Espíndola Colombo.
Reclamações e queixas
O proprietário do Catalão, o armador Pedro Santerre Guimarães se queixava às autoridades do tratamento recebido. Numa carta enviada ao jornal O País, do Rio de Janeiro e publicada em 22, denunciava que muitos animais seus haviam sido abatidos ou se perderam; que seu vapor havia sido invadido, saqueado, com consumo de conservas/suprimentos que restavam.
Reclamava que a fiscalização da Alfândega queria enviar a carga para Florianópolis “com grandes dispêndios e prejuízos, quando tenho neste porto um vapor especialmente fretado para esse fim. O dono das cargas, que se acha presente, deseja reembarcar para o Rio, tomando o fisco as providências no lugar conveniente para acautelar seus interesses”.
E finalizava: “Vou lavrar um termo de abandono do vapor, protestando por perdas e danos causados”.
De fato, desde o dia 20 daquele mesmo mês, portanto sete dias após o incidente, estava atracado em nosso cais do porto do centro da cidade, o vapor "Nacional Oceano", também de propriedade de Santerre Guimarães. Era comandado por Estevão Lopes Maurício e aguardava o desenrolar dos acontecimentos com intuito de levar os salvados, tripulantes e oficiais do Catalão para o Rio de Janeiro, destino final e interrompido.

Divergências
Em sua edição de 19 de março o jornal O Dia noticia que de acordo com o guarda-mor da Alfândega, Raul Tolentino, os salvados até aquele dia foram: 140 vacas, 2 cavalos, 180 ovelhas e 65 volumes com mercadorias diversas. "Sabemos que 50 marinheiros vagueiam pela praia sem recursos".
Na edição do dia seguinte, o mesmo jornal informa que "mais 600 carneiros foram salvos (arrecadados), assim como mobílias, espelhos e alguns caixotes com seda".
Há uma informação importante também. A de que o Catalão (casco e equipamentos) teria sido vendido a negociantes da Laguna (sem citar seus nomes). O jornal O Albor, em 19, havia dito tratar-se de João Guimarães Pinho e Francisco Martins Cabral. O valor? 5:000$000 (cinco contos de réis). Numa conversão aproximada hoje com o nosso real, cada conto de réis equivaleria a cerca de R$ 120.000,00. 

Divergências
O Albor comenta que havia divergências entre o proprietário do navio naufragado, Santerre Guimarães, e os representantes do fisco.
Mas até o fim daquele mês, ao que se deduz tudo foi legalizado, ânimos acalmados, multas pagas, impostos e taxas recolhidos pelo transporte da carga, principalmente o charque. Os proprietários, do navio e da carga, devem ter entrado num acordo com os fiscais da Alfândega e regularizado todas as pendências. Não haveria outra saída, devem ter chegado à conclusão. Era isso ou o prejuízo total.
Em sua edição de 29 de março, O Dia informa que "o comandante do Catalão foi autorizado a reembarcar no "Oceano" a carga que vinha naquele vapor".

No dia 31, os salvados partem
No dia 31 de março, O Albor noticiava que do cais do velho porto, zarpava o vapor "Nacional Oceano", “conduzindo os salvados do paquete Catalão!”.
Lá se ia o que pode ser recuperado, além dos tripulantes e a oficialidade que por aqui ficaram hospedados 17 dias. O jornal não informa se todos os animais que foram salvos também seguiram nos porões ou se alguns deles ficaram para trás, negociados na praça.
E o corpo embalsamado da filha do coronel Fragoso? Nem uma linha do semanário. Imaginemos que também seguiu viagem em busca da paz do seu campo final de repouso, em sua terra natal.

“Acompanhando os salvados seguiu a bordo o sr. Colombo Espíndola Sabino, escriturário da Alfândega e um guarda”. Trata-se de Manoel Luiz Barbosa, de acordo com o jornal O Dia, de Florianópolis.
Com tudo o que aconteceu, a presença das duas autoridades certamente era uma garantia que a viagem seguiria até o Rio de Janeiro sem maiores paradas ou contratempos.

Um cartão, a guisa de despedida
No mesmo dia 31, a bordo do navio Oceano, o comandante do Catalão se despedia dos lagunenses, pronto para partir.
Ao jornal O Albor enviou um cartão com os seguintes dizeres:
“Lúcio Duarte Valente, comandante do Vapor Catalão, envia as suas despedidas, pedindo o obséquio de tornar público o seu reconhecimento pelas muitas provas de carinho e afeto que recebeu do povo da Laguna. Sem mais, subscrevo-me, admirador, amigo e obrigado”.
Eis o lagunense, sempre dando mostras de sua hospitalidade, principalmente nas adversidades. E isso lá no início do século XX.


Deixados para trás
 O jornal O Dia, noticia em sua edição de 2 de abril, que "Apresentaram-se na Capitania dos Portos da Capital, três tripulantes do Vapor Catalão, deixados na Laguna pelo respectivo comandante, em abandono sem pagar-lhes as soldadas". (salários). O capitão dos Portos de Santa catarina, capitão de corveta Tito Alves de Brito telefonou para a Capitania do Rio de Janeiro a respeito e conseguiu passagens para esses homens pelo paquete "Sírio".

Na edição de 2 de abril, O Albor noticiava que na mesma data em partiu o vapor "Nacional Oceano" com os salvados para o Rio de Janeiro, partiu também pelo "Max", este para Florianópolis, o Inspetor da Alfândega, Vossio Brígido e o 2º escriturário Demóstenes Veiga.
Na mesma viagem seguiu o tenente João Costa Mesquita, comandante do 54º de Caçadores, “que aqui permaneceu por alguns dias”, com seus soldados. Fez questão de comparecer à redação do "O Albor" “agradecendo a maneira gentil porque foi tratado pelos lagunenses”.

O telégrafo ligando o Farol ao centro da cidade
Nesta mesma edição, O Albor noticiava que o capitão de Fragata Tito Alves de Brito, dos Portos de Santa Catarina, solicitava ao governo Federal a instalação de uma linha telefônica ligando o Farol de Santa Marta à Estação Telegráfica do centro da cidade da Laguna.
O pedido tinha razão de ser. O Farol, de tamanha importância para segurança marítima, ficava isolado. Todo e qualquer acidente, principalmente naufrágios, uma constante naquela região, dependia de comunicação via terrestre ou marítima pelo Rio Tubarão e Lagoa até ao centro da cidade. Ou a cavalo, por caminhos quase sempre tomados por cômoros de areia.
Dois meses depois, em 16 de julho, o telégrafo era anunciado para breve, ligando o centro àquela localidade. Era a comunicação chegando finalmente à “região da ilha”.

Restos mortais do navio podem ainda ser vistos
Na Laguna ficaram os restos do navio Catalão, a poucos metros ao sul do Farol de Santa Marta, defronte ao Ilhote do Cardoso.
Os restos do navio Catalão, partido ao meio, defronte ao Ilhote do Cardoso,
ao sul do Farol de Santa Marta. Há divergências. Pode ser também parte do navio Aldabi,
naufragado anos depois, em 1937  e no mesmo local.
Com o tempo, o açoite do mar e os ventos, a embarcação foi se desmanchando, dividida ao meio, sendo engolida aos poucos pela areia do mar.
Seus restos, submersos, tornaram-se um rico parcel e ainda podem ser observados em rasos mergulhos, apesar da correnteza sempre perigosa. Quando o mar está calmo a silhueta do navio pode ser vista da superfície.
Infelizmente não encontrei até aqui uma foto do navio quando do naufrágio ou mesmo anteriormente.

O navio Catalão se enquadra no conceito de patrimônio cultural subaquático, “definido pela Unesco como todo resquício de existência humana que esteja submerso por pelo menos 100 anos”.
Lá está, há 107 anos, resto de esqueleto carcomido pela maresia. Lá está, submerso numa praia que lhe serviu de túmulo. Não singra mais os mares deste mundo, levando riquezas e homens-marinheiros sonhando todos os portos.
Lá está, sobra de uma história que se perdeu no tempo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Antônio Guimarães Cabral, o Pereira, o maior orador da Laguna

O orador na Laguna que mais se destacou ao longo de trinta anos em nossa sociedade, foi Antônio Guimarães Cabral, o Pereira.

É fato que Laguna sempre foi pródiga em oradores, em seus discursos nos estilos mais variados: político, esportivo, recreativo, religioso, social e literário.
Dentre alguns nomes podemos destacar padre Manoel João, Osvaldo Rodrigues Cabral, Norberto Ulysséa Ungaretti, Armando Calil Bulos, Ruben de Lima Ulysséa, Abelardo Alcântara. Mais recentemente, Juacy Ungaretti, Adib Abrahão Massih, Ronaldo Pinho Carneiro, Archimedes de Castro Faria, José Paulo Arantes, entre outros.
Dentre as mulheres, Maria de Lourdes Barros, Amélia Baungarten Baião, Hilda Soares Bicca, Maria Serafina de Oliveira, Nêmesis de Oliveira.

Quem foi Antônio Guimarães Cabral
Nasceu na Laguna, em 18 de junho de 1879. Filho de Rita Torres Guimarães Cabral e Francisco Carlos Cabral, tronco de onde originou-se a numerosa família “Guimarães Cabral”.
João Guimarães Cabral, o Pereira, discursa. Foto: Acervo Antônio Carlos Marega.
Era irmão de João Guimarães Cabral (João Neném), que foi superintendente (prefeito) da Laguna, José Guimarães Cabral (Juca), este, juntamente com Ataliba Goulart Rollin (seu cunhado), foi quem criou a Sociedade Aformoseadora, com a construção do cais (1910) e Jardim Calheiros da Graça (1915). Outros dos seus irmãos: Ana Guimarães Cabral (dª Santa), esposa do dr. Ismael Ulysséa, Felipe, Alice, Maria (Mariquinha), Elisa (dª Tuná), Manuela, Josefa, Marfiza e Lília (tia Velha). As três últimas sem descendentes.

Antônio Guimarães Cabral, o Pereira. Seu apelido perdeu-se no tempo, talvez recebido na infância por causa de um bloco de carnaval com seu famoso refrão. Ou terá sido por causa do sogro, de sobrenome Pereira? São apenas conjecturas. Vários de seus colegas que escreveram postumamente em sua homenagem nas páginas dos jornais, disseram ignorar o motivo da alcunha. 
Pois Antônio Guimarães Cabral fez seus estudos primários em nossa cidade, no Colégio Duarte, fundado em 1882 pelo professor João Maria Duarte. Depois Cabral foi para Blumenau estudar no Colégio dos Padres. Mais tarde se transferiu para Florianópolis onde terminou com brilhantismo o curso secundário no “Partenon”.
Dali seguiu para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Faculdade de Medicina da então Capital Federal.
Doente de uma “estafa nervosa”, como se denominava a atual depressão, por causa dos rigorosos estudos, foi forçado a abandoná-los no segundo ano do curso.
Regressou a Laguna, onde abriu uma escola particular.
Em 1910, foi nomeado promotor da Comarca da Laguna.
Depois, exerceu o cargo de secretário da prefeitura de nossa cidade, representando-a em vários congressos pelo estado.
Alguns anos mais tarde foi nomeado fiscal de estatística da Inspetoria Federal de Portos, Rios e Canais, com atividades no porto da Laguna.

Quando em 1933 a Inspetoria foi transformada em Departamento Nacional de Portos e Navegação, passou ao cargo de escrevente, com posto no porto de Paranaguá (PR). Voltou a Laguna alguns meses depois, já com a promoção de escriturário na mesma repartição.
Era colaborador do jornal O Albor e jornalista filiado à Associação Catarinense de Imprensa.
Foi presidente do Clube Congresso Lagunense em 1914/1915.
Em 1933, juntamente com toda a diretoria daquela tradicional sociedade recreativa, formada por Pedro Silva, Antônio Baião, Manuel Pinho, Carlos Cabral e Ildefonso Batista, demoliram o velho casarão do clube, construído em 1897.
Em seu lugar ergueram outro mais compatível com o franco desenvolvimento da cidade.
Em 4 de novembro de 1934 o novo edifício foi inaugurado, situado entre as ruas Voluntário Carpes e Jerônimo Coelho, e é o que conhecemos, estando atualmente fechado à espera de reforma e revitalização.

Falecimento
Na madrugada de 19 de abril de 1938, João Guimarães Cabral, o Pereira, falecia repentinamente, envelhecido precocemente, em sua residência aos 59 anos, deixando a esposa Maria Antunes Neto (da família de Thomaz Pereira Neto, conforme nos informa Norberto Ulysséa Ungaretti em seu livro “Laguna um pouco do passado”, pg. 253, edição do autor, 2002) e quatro filhas (Dagmar, Ivete, Débora e Diana).
Por ironia do destino ou silêncio respeitoso de seus amigos, foi sepultado sem discurso, ele que tanto usou da palavra ao longo de sua vida.
Ainda na edição de 9 de abril de 1938, portanto dez dias antes do seu falecimento, o jornal O Albor publicava em sua capa um derradeiro artigo seu sobre os 50 anos da Associação Brasileira de Imprensa e uma análise sobre a imprensa catarinense.

O mesmo jornal O Albor noticiava na edição seguinte a morte de seu assíduo colaborador:

“Laguna perdeu um dos seus maiores filhos. O seu elevado espírito de bairrismo, tantas vezes demonstrado nas tribunas, na imprensa e nas suas palestras acaloradas, tornara-no o maior defensor da terra que lhe serviu de berço.
Para muitos ele foi um visionário. Para outros, porém, que melhor o compreenderam, ele foi a voz do passado, a alma viva do presente, vibrando pela grandeza futura da Laguna”.

Mário Mattos, numa crônica no jornal O Albor, despediu-se de seu grande amigo escrevendo poeticamente:

“Antônio Guimarães Cabral, que por mais de trinta anos disse as melhores orações ao nosso povo em praça pública, não há de se negar ter sido o apóstolo moldado na pertinácia de São Paulo.
Morreu quando, sem forças para mais dizer, subia a colina, a ver do alto, no enlevo de uma poesia sagrada, o espetáculo do crepúsculo encantador de nossas tardes, como a dizer por último, naquele estertor sublime do poeta:
- Adeus céu da minha terra! Adeus colorido encantador que me fascinaste a vida! Adeus infinita grandeza que tanto sonhei em vão, mas que muito me conduziu para a verdade! Fica, e fala por mim aos meus conterrâneos de agora para sempre!”.

“O namorado da Laguna”
Alguns cronistas contemporâneos seus deixaram na escrita suas impressões sobre o orador e a pessoa do Pereira. Belos textos, sábias e lindas palavras que o homenagearam há época ou alguns anos depois e que merecem a lembrança e transcrição de alguns trechos aqui nesta página.
Antônio Guimarães Cabral,
com sua típica indumentária: capa,
chapéu côco  e seu inseparável
guarda-chuva.
Arquivo: Marega
Numa crônica transcrita pelo jornal O Albor, poucas semanas após o falecimento do Pereira, o colunista  da Gazeta do Rio de Janeiro, Renato Barbosa assim se expressou sobre o maior orador da Laguna:

“No crescente utilitarismo dos dias que se sucedem, Antônio Guimarães Cabral – o Pereira, enamorado de sua terra e sempre embevecido de sua gente -, era um dos derradeiros românticos da velha Laguna”. (...).
“Discursou muito, porque gostava de discursar. Discursou pela mocidade afora e discursou pela velhice adentro”. (...).
“Apaixonado pela história possuía apreciáveis conhecimentos da vida catarinense e, em cada nota de tradição, destacava e relembrava a ocorrência determinante.
Era um justo, sem dúvida; intelectual, não possuía tempo para destruir, nem para invejar, pois vivia debruçado nos alcandorados mirantes dos seus sonhos, para dentro da paisagem de si próprio; jornalista, ele o soube ser, com admirável sentido de brasilidade; orador, a sua voz se fez sempre a voz da exaltação, pela bondade; a voz da emoção, pelo exemplo.
Parece que estou a vê-lo a se agitar, sorrindo sempre dentro do estonteante poema que diviso daqui, neste entardecer lagunense: alto, magro, sobraçando sempre jornais e revistas, ávido de leitura, deslizando pelos entrechoques brutais da vida de hoje, cheia de colisões e de conflitos de interesses, como rápida iluminura da Laguna romântica de outros tempos” (...).
E com chave de ouro, finaliza sua escrita poética dizendo:

“Quando soube de seu falecimento, compreendi que a cidade perdera um dos organizadores da sua feição peculiar.
É que, entre eles – entre Pereira e a Laguna -, existiu sempre um namoro inconsequente de crianças, que só a morte consegue destruir”.

Um devorador de almanaques sempre com um jornal ou livro sob o braço
Arno Duarte, do Rio de Janeiro, escreveu sobre o Pereira em dezembro de 1947, na "Revista Cidade Juliana", publicação do Cordão Carnavalesco Bola Preta, de nossa cidade, em edição única, comemorativa pelo 10º aniversário do Bloco:

“Era garoto, mas me lembro bem dele. Quase sempre de guarda-chuva, quer chovesse ou fizesse sol, de roupa escura, gravata comum, colarinho duro, passeava pelas ruas da Laguna, lendo aqui ou acolá, um trecho de um livro ou período de um artigo de uma revista qualquer.
Teve sempre também, predileção pelos almanaques. - Por que será que quase todos os intelectuais gostavam de lê-los? Rui Barbosa dizia a seus amigos:
- Fulano, leia, leia sempre, até mesmo almanaques. Machado de Assis, também gostava e muito. Lincoln, o grande estadista norte-americano, passava horas e horas lendo almanaques.
Pereira, também o fazia. No final de cada ano, percorria farmácia por farmácia, solicitando almanaques para o ano vindouro. E os devorava pela leitura, todos, sem exceção”.

E Duarte demonstra toda sua admiração pelo Pereira, ao dizer:
“Foi e será sempre um incentivo aos moços pobres e provincianos. Porque pobre e provinciano foi em vida. Porque pobre e provinciano morreu. Mas, viveu como rico, como milionário em espírito.
Nunca, pelas ruas sinuosas e poeirentas de sua cidade, viu-se o grande lagunense, o maior de todos, sem dúvida, sem um jornal ou livro sob o braço. Fazia seu “ponto” diariamente, numa livraria, sito naquela época, na rua Tenente Bessa. Nessa casa, as obras mais recentes, assim como, revistas e jornais, eram vasculhadas por ele. A leitura era indispensável. Talvez a alimentação não o fosse. A espiritual era”.

“Frases ricas e belas imagens”
Todos esses testemunhos da época dão conta da grandiloquência de Antônio Guimarães Cabral, do seu dom pela oratória, chegando mesmo a ofuscar, a sufocar os mais diversos outros oradores que usassem a palavra a sua frente.
O colunista Agenor dos Santos Bessa, numa crônica publicada muito tempo depois, no jornal Sul do Estado, de 18 de setembro de 1982, relembra o Pereira, a quem conheceu em sua mocidade:

“Sua palavra quando jogada ao ar, era toda composta de frases tão ricas de belas imagens, que só ao surgir sua figura ao alto, diante das multidões, os aplausos ao estrugir, contaminavam o lagunense de entusiasmo que aquele tipo de Demóstenes infundia para envaidecer o conterrâneo”.

Bessa destaca mais adiante:
“O Pereira tinha não só o gosto pela oratória. Ele carregava consigo o dom da palavra e não se furtava em romper o verbo em qualquer ocasião que se prestasse para tal. Como surgiam os improvisos nos momentos tão adequados! Mesmo sem ser convidado ou que houvesse sido incumbido de discursar nas reuniões promovidas pela prefeitura, da qual era secretário, ele pedia a palavra e, como se estivesse preparado adredemente, brilhava para gáudio dos presentes, por que naquele tempo todos sabiam apreciar a boa palavra”.

Sucesso e emoção em discurso em teatro em Paranaguá
O colunista Agenor Bessa conta uma história passada em Paranaguá, no vizinho estado do Paraná.
Antônio Guimarães Cabral, o Pereira, estava trabalhando naquela cidade e foi convidado por um amigo para assistir uma peça musical no teatro local. O amigo havia adquirido ingressos e o instalou num camarote.
A certa altura o nosso Pereira, num dos intervalos, levantou-se e soltou o verbo. A plateia ouviu a tudo em silêncio e ao final desmanchou-se em salvas e palmas pela brilhante oração. “Pereira não conteve o entusiasmo e chorou”.
E Bessa finaliza seu testemunho dizendo: “Para ele dirigir-se ao hotel, teve que esperar mais de uma hora para poder sair do teatro, porque toda aquela gente queria conhecer-lhe e cumprimentar-lhe”.

O Centro Cultural que levou seu nome
Em 22 de julho de 1943, quatro anos após seu falecimento, foi fundado na Laguna o Centro Cultural Antônio Guimarães Cabral.
A instituição foi criada, entre outros, por João Ezequiel de Souza, José Paulo Arantes, Osmar Cook, Gabriela Grandemagne, Elisabeth Ulysséa, Asdrúbal Martins Alcântara, Aceson Lopes, João Rodolfo  Gomes (Joca Moreira), José Lopes Ferraz e Francisco Coelho.
Uma reunião solene do Centro  Cultural Antônio Guimarães Cabral na década de 1950.
À mesa, entre outros, o então prefeito da Laguna Alberto Crippa (gestão1948-1951),
José Paulo Arantes e Ruben Ulysséa. Foto: Acervo Antônio Carlos Marega.
Uma verdadeira Academia literária
O Centro Cultural era dirigido por uma diretoria que se alterou ao longo dos anos, mas as decisões, sempre por votação, eram tomadas por 21 membros efetivos.
“Reuniam-se semanalmente, às sextas-feiras, dividindo os trabalhos em dois períodos: expediente, tratando do movimento da tesouraria e secretaria; e o literário, abrangendo a dissertação de temas, comentários sobre fatos históricos e ligados à literatura, além de exaltação aos patronos das respectivas cadeiras.
É interessante saber-se que cada membro efetivo tem seu patrono escolhido dentre as figuras mais expressivas da literatura e história nacional”.

Como se pode constatar, uma verdadeira Academia Lagunense de Letras. Isso em 1943!

Criado por membros do Bola Preta
O Centro Cultural primeiramente funcionou na sede do Clube (Cordão Carnavalesco) Bola Preta, na Rua Raulino Horn, local onde foi criado, já que a maioria de seus membros fundadores pertencia ao Bola Preta.
A Biblioteca do Centro Cultural Antônio Guimarães Cabral recebeu o nome do nosso maior poeta simbolista, o catarinense Cruz e Sousa.
Em seu início, contou em seu acervo com apenas 116 livros doados pelos próprios sócios do Bola Preta que, por sinal, mantinham uma biblioteca em sua sede.
Em quatro anos de existência, através de aquisições e doações, a Biblioteca do Centro Cultural já contava com 1.104 volumes e já funcionava em outro local, numa casa na então Praça da Bandeira, hoje República Juliana.
Foi a terceira biblioteca pública criada na Laguna.
A primeira foi em 1876; a segunda, a Biblioteca Sávio Siqueira, criada pelo Cordão Carnavalesco Bola Preta em sua sede; a quarta e atual, denominada Biblioteca Professor Romeu Ulysséa, foi criada em 19 de agosto de 1969 pela Lei nº 14/69, no governo do prefeito Juaci Ungaretti, mas somente instalada em 29 de maio de 1980, na gestão do prefeito Mário José Remor.
Registre-se que o secretário de Educação e Esportes de Mário Remor era José Paulo Arantes, um dos fundadores do Centro Cultural lá em 1943.

Cursos de inglês e esperanto
O Centro Cultural fez tanto sucesso, que chegava a 500 visitas mensais em 1947 e em duas salas adaptadas funcionavam dois cursos: o de inglês e de esperanto, “oferecendo desta forma, oportunidade às pessoas que desejavam iniciar-se nos conhecimentos destas duas línguas, largamente difundidas nos dias que correm”.

Embrião do Museu Anita Garibaldi
Aliás, foi em suas salas, a partir de 1947, que se começou a preservar as primeiras peças e móveis de época para compor o futuro e eclético Museu Anita Garibaldi.
Em 1949, o Centro Cultural homenageou o centenário da morte de Anita Garibaldi (4 de agosto), com eventos nos dias 31 de julho e 1º de agosto.
No dia 31 aconteceu a posse da nova diretoria da entidade, e às 16h30m a inauguração de um pequeno museu, já denominado Anita Garibaldi, além das novas instalações do Centro, que passou a funcionar em duas salas com entrada pelo lado norte do atual prédio.
Já no dia 1º de agosto, às 20 horas, aconteceu uma conferência sobre a nossa heroína proferida pelo professor Ruben Ulysséa.
O Museu foi inaugurado oficial e solenemente bem mais tarde, em 17 de abril de 1956, no centenário da Comarca, ocupando todo o prédio que serviu no passado de Câmara e cadeia. Um dos maiores batalhadores pelo Museu foi o juiz da Comarca da Laguna, João Tomaz Marcondes de Matos, aqui chegado em 1954.
Porém, o Museu só foi oficializado seis meses depois, pela Lei nº 222, de 15/10/1956, assinada pelo prefeito Walmor de Oliveira.

O Centro Cultural foi declarado de Utilidade Pública pela Lei Estadual nº 319, de 31/10/1949. Projeto de Lei apresentado à Assembleia Legislativa pelo deputado estadual, o lagunense Osvaldo Rodrigues Cabral.
Ainda em 1962, o Centro Cultural Antônio Guimarães Cabral funcionava e tinha sua diretoria constituída, conforme pode ser observado numa circular publicada no jornal O Albor, abaixo. 
Era presidente da entidade José Paulo Arantes, com Maria Serafina de Oliveira como secretária. No ano seguinte assumiria este cargo, Ada Teixeira, irmã do conhecido Osni Teixeira, conforme informação a este autor de Carlos Augusto Baião da Rosa. Como se percebe na relação, o dr. Gil Ungaretti foi o primeiro diretor do pequeno Museu criado.
Pouco depois, aos poucos, com a diminuição do interesse pela leitura e o aparecimento da televisão, o Centro Cultural Antônio Guimarães Cabral entrou para o rol do Laguna já teve.
O acervo de livros do Centro foi doado à Biblioteca do Conjunto Educacional Almirante Lamego (Ceal), inaugurado em 1965, que por sua vez encampou o Ginásio Lagunense.