segunda-feira, 15 de julho de 2019

Gente em Destaque

O sábado ensolarado foi movimentado na terrinha, no fim de semana. Presença de muita gente nas ruas, nos bares e restaurantes, e aproveitando o dia.

Na saborosa feijoada do Chedão no sábado, o “senadinho” estava animado, com plenário quase lotado. Aqui não tem recesso. Mas também não teve votação.
Destaque para Pedro Paulo Silva com a família, que veio de Floripa para aproveitar o fim de semana e saborear a feijoada do Chedão.

Graça Silva e Alberto (Beto) Prudêncio também deixaram a capital do estado e se fizeram presentes na deliciosa feijoada, além de reverem familiares e amigos.

 Laura e Caetano, os lindos filhos de Ana Paula Cittadin e Gean participaram da Festa Julina do Colégio Stella Maris.

Ex-prefeito (1989-1992) da Laguna Nelson Abrahão Neto e sua esposa Nilda após o almoço de sábado, curtiram momentos de sossego no Jardim Calheiros da Graça.

Maria Helena e Adacil, socialmente.

Equipe do Dízimo na Missa de ontem na Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos.
Terezinha, Lenira, Ivete, Jane e Salete, senhoras da nossa sociedade.


Maurício, Adriana Gomes e Joel Reis. Só sorrisos.
Eva Theodoro no fim de semana visitou o Santuário de Madre Paulina, em Nova Trento. Muita fé e orações.

PS: Agora toda segunda-feira,  GENTE EM DESTAQUE.


sexta-feira, 12 de julho de 2019

Juaci Ungaretti, um prefeito de visão

Nas eleições de 3 de outubro de 1965 foi eleito prefeito da Laguna, Juaci Ungaretti, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em coligação com o Partido Social Democrático (PSD). Uma gestão até hoje saudada como uma das melhores da Laguna. 

Dos episódios políticos que o marcaram, está a recepção aqui na Laguna a Carlos Lacerda, ex-governador da Guanabara, em viagem meio que incógnita de carro ao Uruguai em busca da formação da Frente Ampla com João Goulart, que lá se encontrava em sua fazenda. Uma foto (ver mais abaixo) registrou este momento histórico.
Dr. Juaci Ungaretti, ex-prefeito da Laguna. Foto: Márcio José Rodrigues.
Juaci Ungaretti disputou o cargo de prefeito numa eleição acirrada, polêmica, com Francisco Carlos Cabral Nunes, pela União Democrática Nacional (UDN), coligada com o Partido Democrático Cristão (PDC).
Assumiu como prefeito da Laguna em 31 de janeiro de 1966, governando até 31 de janeiro de 1970, quando passou o bastão de comando ao seu sucessor Saul Ulysséa Baião (Arena). 
Chegando para tomar posse como prefeito da Laguna, em 31 de janeiro de 1966, ao lado da esposa Lenice. Acervo João Carlos Wilke.
Vereador eleito Ângelo Machado, Juaci e esposa Lenice.
Presidente da Câmara de vereadores, Pompílio Pereira Bento, no exercício do cargo de prefeito, transmite o poder a Juaci Ungaretti.
Recepcionando o governador Ivo Silveira, juntamente com Norberto Ungaretti, e Armando Calil Bulos.
Juaci recebeu o cargo do presidente da Câmara em exercício no cargo de prefeito, Pompílio Pereira Bento.
Em encontro de prefeitos em Porto Alegre em 1966: Na segunda fila, da esquerda p/direita: Ataliba Azevedo, Juaci Ungaretti, Ronaldo Pinho Carneiro e o conhecido vereador Manoel José de Oliveira (Cazuza).
 Juaci é filho de Gil Ungaretti, nascido em 18 de agosto de 1892 e de dona Rosa Amantti Ungaretti. Juaci teve dois irmãos: Gilson e Gilsony (dª Sony).
Após o falecimento de sua primeira esposa dª Rosa, Gil Ungaretti casou-se em segunda núpcias com Otília Cabral Ulysséa, em 17 de outubro de 1931. Desta união nasceram os filhos Newton, Norberto, Edson e Heitor. Os dois últimos falecidos prematuramente.

O pai, Gil Ungaretti
Gil Ungaretti, progenitor de Juaci, era gaúcho do município de General Câmara. Cirurgião Dentista formado em 1923 pelo Instituto Polytécnico de Florianópolis. Em seguida veio residir na Laguna.
Dr. Gil Ungaretti. Álbum de família.
Cirurgiões dentistas de 1923. O Governador: Hercílio Luz. Diretor do Instituto: Dr. Ferreira Lima. Vice-diretor: Desembargador José Boiteux. Orador: lagunense J.P. Varella Júnior. Paraninfo: Dr. Achilles Gallotti. Nomes ilustres. Álbum de família.


Com a revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, Gil Ungaretti foi nomeado prefeito da Laguna pela Aliança Liberal, pela Junta Governativa que assumiu o estado.
Gil Ungaretti governou Laguna poucos dias, de 12 de outubro de 1930 a 28 do mesmo mês. Ficou no cargo somente até a vitória da revolução, onde o transmitiu para o Coronel José Fernandes Martins (Zeca Fernandes).
 Faleceu na Laguna em 26 de março de 1973. Hoje é nome de rua no bairro Esperança.
Consultório do dr. Gil Ungaretti. Álbum de família.
Juaci Ungaretti
Juaci Ungaretti nasceu em 23 de outubro de 1926, portanto, vai completar 93 anos em 2019.
Diploma de Odontologia de Juaci Ungaretti, em 1958, pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Santa Catarina. Álbum de família.
Graduou-se em Odontologia em 1958 pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Santa Catarina, vindo logo após exercer a mesma profissão de seu pai, em sua terra natal, Laguna.

Com os filhos Sérgio (e a nora Simone), Gil e Liliana; e netas.
Com a filha Jane.
Aqui casou com Lenice Martins e tiveram cinco filhos: Jane, Gil, Sérgio, Liliana e Juaci.
Na novena de Santo Antônio dos Anjos deste ano, como os filhos Juaci (Xará) e Gil. Foto: Elvis Palma

Com a neta Tatiana, seguindo a tradição familiar em Odontologia. Álbum de família.


Sua neta Tatiana Ungaretti formou-se em Odontologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, sendo assim a terceira geração da família na profissão. Possui clínica em nossa cidade.
Participando nas manifestações cívicas, pela democracia, contra a corrupção. Aqui Juaci com os filhos Liliana e Gil.
Foto:  Elvis Palma.
Uma gestão focada no turismo
Eleito prefeito da Laguna em 1965, desde o início Juaci Ungaretti implementou uma gestão baseada no desenvolvimento turístico da Laguna, planejando o futuro econômico e social do município nesta área. Percebeu antecipadamente, quando nem se falava nisso por aqui, o potencial turístico futuro da Laguna.
Juaci recepciona o governador Ivo Silveira, acompanhado do secretário estadual (sem pasta), Armando Calil. Acervo João Carlos Wilke
Criou uma política de incentivo fiscal a empresários que quisessem investir principalmente no desenvolvimento do Balneário Mar Grosso, então um local bucólico, deserto e sem qualquer tipo de empreendimento comercial.
Abriu e calçou as primeiras vias daquele bairro, entre elas as ruas Tubarão e Criciúma. Juaci diz:
"Quando assumi a prefeitura tinha apenas dois caminhões velhos. Quando deixei, entreguei 13 viaturas, inclusive ambulância e máquinas rodoviárias".
Carnaval de 1966, primeiro ano de sua administração. Um carnaval colorido e iluminado na ornamentação. Rua XV de Novembro.
Foto: João Carlos Wilke.
O radialista João Carlos Wilke lembra que Juaci seguiu os passos do prefeito Dr. Walmor de Oliveira, aliás, ambos do mesmo partido, o PTB, sendo criativo, progressista, dinâmico e esforçado. 

“Foi um prefeito participativo, de personalidade forte, com visão. Administrou Laguna com seriedade, um abnegado pelo que fazia. Além da pavimentação de inúmeras ruas deu ênfase ao turismo, ao carnaval. O destaque da festa se dava com a ornamentação e iluminação das ruas onde aconteciam os desfiles. Marcou muito aos foliões a ornamentação em losangos e a iluminação”, ressalta Wilke.

Os pioneiros hotéis da Laguna
Continuando em sua luta para criar os primeiros passos no turismo em nossa terra, Juaci criou a infraestrutura adequada, sedimentando os alicerces empresariais, numa época em que o turismo dava os primeiros passos.

Hotel Renascença
Em meados de 1968, numa reunião na Associação Comercial da Laguna, lançou um desafio aos comerciantes da nossa cidade: que em sociedade construíssem um hotel para impulsionar o desenvolvimento turístico.
O pioneiro hotel no Mar Grosso foi o Balneário Hotel, de Paulo Calil, que não mais existia.

Seis comerciantes toparam o desafio e em 30 de setembro de 1968 iniciaram a construção de um empreendimento.
Em 20 de dezembro de 1969 era inaugurado o Hotel Renascença, nome sugerido pelo próprio prefeito. Em seu discurso à época, Juaci disse que acreditava que a inauguração do hotel seria o início do renascimento da Laguna, o pontapé inaugural do desenvolvimento turístico da nossa terra.

Ravena Cassino Hotel
Depois de inaugurado o Hotel Renascença, o prefeito Juaci Ungaretti foi buscar a continuidade da construção do Ravena Cassino Hotel.

Bem por isso, buscou alguns empresários, entre eles Antônio Chede, lá em Curitiba. O empreendimento estava completamente parado, inconcluso, no “esqueleto”, há muitos anos.
O "esqueleto" do Hotel Ravena, ao fundo. Onde estão estacionados esses automóveis é a futura rua Tubarão, antigo calçadão.
Após muitas negociações, Nico Chede  adquiriu as cotas de diversos sócios da empresa, formada alguns anos antes com aquela finalidade, tornando-se único proprietário do empreendimento. Finaliza as obras e o inaugura.
Juaci Ungaretti na inauguração do Ravena Cassino Hotel, juntamente com o proprietário Antônio Chede e o padre Vendelino Schlikmann. Acervo João Carlos Wilke.
Mar Grosso Hotel e Laguna Palace Hotel
Foi através do incentivo de Juaci que os irmãos Machado de Souza -Ângelo e Amaury- construíram nos anos seguintes os hotéis Mar Grosso e Laguna Palace Hotel, respectivamente.

Participação na sociedade
Juaci Ungarettti sempre é lembrado também pelo incentivo que deu ao carnaval de blocos, clubes e Escolas de Samba, além da ornamentação das ruas do Centro Histórico para o desfile. Promoveu na mídia do Brasil, a nossa tradicional festa.
Foi fundador do então Clube dos 100 (hoje Laguna Praia Clube) e do Iate Clube da Laguna, onde foi Comodoro em duas oportunidades.
Foi chefe do Posto de Atendimento Médico (PAM, ex-Inamps), e da Unidade Central de Saúde (situada em frente à Carioca).
Foi integrante de várias diretorias de Sociedades de nossa cidade, entre elas o Clube 3 de Maio, Praia Clube, Iate Clube e Sociedade Musical União dos Artistas.
Pela lei nº 14/1969, de 19 de agosto de 1969, criou a Biblioteca Professor Romeu Ulysséa, mas somente instalada em 29 de maio de 1980, na gestão do prefeito Mário José Remor.
É diplomado pela Escola Superior de Guerra (Adesg) e foi professor do Colégio Comercial Lagunense (CCL).

Na política, fundador do PTB e MDB da Laguna
Juaci era filiado ao PTB, partido em que se elegeu prefeito da Laguna. Com a criação pelo regime militar do bipartidarismo (Aliança Renovadora Nacional (Arena) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB) pelo Ato Institucional (AI nº 2 - em seu Ato Complementar 4, de 20 novembro de 1965), Juaci se filiou ao MDB, partido em que foi um dos fundadores em nosso município e estado.

Quem primeiro presidiu o MDB em Santa Catarina foi Doutel de Andrade, secretariado por José de Miranda Ramos.
Entre os fundadores no estado podemos destacar:
Pedro Ivo Campos (Joinville), Evelásio Vieira (Blumenau), Delfin Peixoto Filho (Itajaí), Genir Destri (Chapecó), Juaci Ungaretti (Laguna), Nilo Belo (Tubarão), Manoel Dias (Içara), Lírio Rosso e Walmor de Lucca (Criciúma), Carlos Buechle (Concórdia), Lourenço Brancher (Capinzal), Ivo Knoll (Rio do Sul), Luiz Müller (Ibirama), Paulo Macarini (Joaçaba), Lauro Vieira Brito (Tijucas) e Nilo Freitas (Indaial).

Eleições
Nas eleições municipais de 1972, os ex-prefeitos, Juaci pelo MDB 1 e Walmor de Oliveira pelo MDB 2 foram candidatos novamente à prefeitura; assim como Lino Mattos pela Arena 1 e Francisco de Assis Soares pela Arena 2. Assis Soares foi eleito prefeito da Laguna com 5.627 votos. O MDB recebeu nas duas chapas 3.780 votos.

Nas eleições municipais de 1976, Juaci Ungaretti novamente concorreu ao cargo de prefeito pelo MDB. Mas o ex-prefeito relembra que o partido estava desestruturado e fazia apenas seu papel de oposição. “Algumas lideranças se destacavam, mas faltava principalmente respaldo financeiro para manter uma campanha até o seu final”, pontua. O slogan de campanha era “Um olhar sobre Laguna”.
Além disso, o momento estava confuso. O vice de Juaci primeiramente foi Itamar Duarte Nunes, que depois renunciou. Em nova convenção assumiu em seu lugar José Nazareno Duarte (Pisca). Era a chapa 1. Já na chapa 2 Alda Crippa Ribeiro era cabeça de chapa, tendo como vice Ido Severino Duarte, que era também vice de Antenor Machado, na chapa 3. 
Uma confusão. A legislação da época  assim o permitia, com todos os casuísmos e artifícios para acomodar políticos rivais e de várias correntes em apenas duas agremiações partidárias.

A Arena, com Mário José Remor e João Gualberto Pereira foi a vencedora, recebendo 6.841 votos; enquanto o MDB com Juaci e Nazareno recebeu 3.633 votos.
Da esquerda p/direita: os ex-prefeitos da Laguna Juaci Ungaretti, Saul Ulysséa Baião, Mário José Remor, ex-governador Colombo Machado Salles, ex-prefeitos João Gualberto Pereira, Célio Antônio, e o desembargador aposentado Norberto Ungaretti, no Clube Congresso Lagunense, em 2004, quando do lançamento do livro "Laguna Memória Histórica", de Ruben Ulysséa, organizado pelo seu filho Rogério Ulysséa. Foto: Valmir Guedes Jr.

O dia em que Carlos Lacerda esteve na Laguna
Carlos Lacerda foi jornalista, membro da União Democrática Nacional (UDN). Havia sido vereador, deputado federal e governador do então estado da Guanabara (1960-65). Era proprietário do jornal Tribuna da Imprensa e orador dos mais contundentes.
Fez severa oposição a Getúlio Vargas, unindo-se a militares intervencionistas. Participou também, junto a militares e à direita udenista, para impedir a eleição e posse do presidente Juscelino Kubitschek e seu vice João Goulart.
Atacou também o presidente Jânio Quadros pelo rádio, jornal e televisão, em 24 de agosto de 1961. Jânio Quadro renunciou no dia seguinte.
Recepcionando o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, em viagem de automóvel ao Uruguai em busca da consolidação da Frente Ampla com João Goulart. Acervo Valmir Guedes Jr. /Foto Bacha.
Governador da Guanabara, foi um dos principais articuladores civis do regime militar que se instalou a partir de 1964 e derrubou o presidente João Goulart. Esperava ser candidato a presidente em 1965, em eleições democráticas. Com a prorrogação do mandato do presidente Castelo Branco, viu seu sonho desmanchar-se, voltando-se por isso contra o regime instalado.

Em novembro de 1966 lançou a chamada Frente Ampla, um movimento de resistência ao regime militar, aliado aos seus antigos opositores, os ex-presidentes Juscelino e João Goulart.
Em meados de 1968 ia de automóvel do Rio de Janeiro para o Uruguai, ao encontro de João Goulart quando passou por Laguna, meio que incógnito. Em abril daquele ano o governo já havia proibido todas as atividades da Frente Ampla.

O ex-prefeito Juaci relembra o encontro:
“Eu estava no meu gabinete na prefeitura quando alguém veio me avisar que Carlos Lacerda estava passando pela nossa cidade, naquele momento visitando o Museu Anita Garibaldi. Imediatamente o convidei para uma visita à prefeitura e ele prontamente aceitou. Conversamos quase meia hora e ele me falou sobre a formação da Frente Ampla, sobre sua desilusão com o regime instalado. Me disse também que estava indo de carro até o Uruguai para se encontrar com Jango, que lá estava morando em sua fazenda. Jango havia sido do meu partido, o PTB, mas naquela ocasião eu já estava no MDB, devido ao bipartidarismo criado em 1966. Nos despedimos e Lacerda seguiu viagem.
No final daquele ano soube pela imprensa que ele havia sido cassado e preso. Lembro que quem fez a nossa foto foi o Ibrahim Bacha, chamado às pressas por algum assessor da prefeitura. Só ele e seu pai Almiro tinham máquinas fotográficas. É uma foto que considero histórica. Posamos sentados num sofá, na verdade um banco do meu gabinete, onde conversamos. A prefeitura funcionava ali em cima do Mercado Público”.

O radialista João Carlos Wilke conta que estava descendo as escadas da prefeitura quando se deparou com Carlos Lacerda que subia sozinho. “Na hora nem acreditei que era ele, como eu ia imaginar. Mas o reconheci, era forte, alto. Seu motorista, que acho que também fazia o papel de segurança ficou com o carro estacionado bem em frente, era um Dodge Dart, daqueles enormes. Fosse hoje eu o entrevistaria e o fotografaria na hora”.

Em 13 de dezembro daquele mesmo ano, após o AI 5, Carlos Lacerda foi preso e teve seus direitos políticos suspensos por dez anos. Era o fim da sonhada Frente Ampla. Solto após uma semana de greve de fome, viajou para o exterior, voltou a trabalhar como jornalista e também na editora Nova Fronteira, que havia fundado em 1965.
Lacerda vai falecer em maio de 1977 por problemas cardíacos. A proximidade das mortes dos três líderes da Frente Ampla (Lacerda, Juscelino e Jango) levantou teorias conspiratórias, que nunca foram comprovadas.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Iphan vai restaurar Conjunto Ferroviário da Laguna, situado no Campo de Fora

O Conjunto Ferroviário da Laguna está prestes a ser restaurado. A estrutura receberá pouco mais de R$ 3 milhões em melhorias, financiados com recursos do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD). A obra será realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Divulgação/Iphan
Com a obra, o espaço, que até então estava inutilizado, poderá ser aproveitado pela população. Além disso, haverá a dinamização do bairro Campo de Fora, onde ele se localiza. O projeto prevê a construção de um anexo para sanitários, área de serviços, depósito e a restauração dos prédios da Estação Ferroviária e do Armazém de Cargas. Também há uma proposta para implantação de um parque no local, para uso da comunidade.

O Conjunto Ferroviário da Laguna (SC)
Fundada em 1676, Laguna é uma das cidades mais antigas de Santa Catarina. Seu centro histórico é tombado pelo Iphan e dá suporte a uma das principais atividades econômicas da cidade, o turismo.
A Estação Ferroviária da Laguna no Campo de Fora. Década de 60. Foto Bacha.
O Conjunto Ferroviário de Laguna, inserido na Lista do Patrimônio Cultural Ferroviário por meio da Portaria Iphan nº 407/2010, é um dos componentes do Patrimônio Cultural da cidade.  Ele conta com duas edificações: A antiga estação de passageiros e o galpão das oficinas. O ramal ferroviário neste trecho hoje está desativado e os trilhos foram retirados em 1973, restando apenas as edificações, onde se destaca a antiga estação de passageiros por seu projeto arquitetônico que tem influência do estilo art déco.

Sobre o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos
O FDD é um fundo de natureza contábil, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Criado em 1988, ele surgiu para gerir os recursos procedentes de situações como multas de condenações judiciais e danos ao consumidor. 
Eles financiam projetos de órgãos públicos e entidades civis que visem à reparação dos danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico, paisagístico, por infração à ordem econômica e a outros interesses difusos e coletivos.
Fonte: Iphan

quinta-feira, 4 de julho de 2019

No tempo das barraquinhas

Décadas de 70/80. A foto mostra um tempo de outrora. Ao lado do Mercado Público, em seu lado norte,  em forma de semielipse, as barraquinhas coloridas  de madeira enfeitavam a paisagem. E a gente sabia de cor e salteado: Barraca do Cláudio,  do Valdo, do "seu" Odair, da dona Bela...

Vendiam brinquedos, bolas, bonecas,  relógios,  rádios, lembranças da Laguna, anéis, óculos de sol, cadeiras de praia,  boias, guarda-sóis... Uma miscelânea. O nosso shopping das antigas. A minha primeira calculadora de 4 operações básicas foi comprada ali.
A foto, clicada pelo Geraldo Luiz da Cunha, o Gê, atravessa os tempos, mas continua viva em nossa memória
.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

O borriquete do cais

Imagens: Internet/WhatsApp

Nas redes sociais corre um vídeo que teria sido feito neste domingo (30/6), (há dúvidas se não foi no ano passado) fim de tarde, frente à nossa Lagoa Santo Antônio dos Anjos, no Centro Histórico da Laguna.
Mostra um borriquete (miraguaia) de bom tamanho sendo pescado. Calculo que deva pesar de 4 a 5 quilos. O local é bem ali no cais, ao lado de um supermercado, perto da “escadinha”. Uma fisgada para alegria dos pescadores.
Isso que a Lagoa está assoreada. Agora imagine toda essa área dragada, aumentada sua profundidade.
Há uns 40, 50 anos era assim, bem comum, principalmente ali no chamado "estaleiro", ao lado do Iate Clube. Comum também e tradicional era a pesca de camarão usando pomboca. 

Não sabe o que é pomboca? Vai estudar mais, menino. Pergunte aos mais velhos o que é. Dá um google.  Esse menino só pensa naquilo, como diria a dona Bela.

sábado, 29 de junho de 2019

Feira do Ribeirão Grande nas décadas de 1970/80 na Laguna - Filmagem

Uma reportagem atravessa o tempo. Ela trata da Feira do Ribeirão Grande na Laguna nas décadas de 1970/80. Os produtos hortifrutigranjeiros eram oferecidos em tabuleiros, bancas improvisadas na rua Gustavo Richard, pelos próprios produtores, de origem açoriana.
A feira tinha a supervisão da Epagri e seus engenheiros, entre eles o então jovem agrônomo Joel Gaspar que aparece como entrevistado na matéria.  
A reportagem, com belas imagens e fundo musical de conhecidos sucessos do Grupo Engenho, mostra desde a plantação nos terrenos dos morros do Ribeirão, passando pelo transporte até a chegada ao centro da Laguna para a comercialização.

Entrevista também conhecidos agricultores, produtores lá do Ribeirão, como Brázinho da Mela, Cid do Luiz Bonifácio e Deco do Fernando Neca. Esses dois últimos ainda continuam trabalhando na feira, tantos anos passados. Dois heroicos remanescentes de um tempo.
Além de consumidores, como dª Ema Bacha, Odete Cecy Nunes e outros. Muitos deles que já não estão entre nós, mas avôs e avós, pais e mães de toda uma geração.

Na filmagem, onde não aparece os créditos, nome do repórter, produtora, ou a data, se percebe o prédio da antiga rodoviária e os dois pequenos postos de combustíveis então existentes, o da frente, em primeiro plano, do seu Milton Cunha. Os três Imóveis derrubados em 1988, na gestão do prefeito João Gualberto Pereira (1983-1988). E também alguns estabelecimentos comerciais de outrora, como a Discos Record, Casa Regina (Edgar Pereira), Murilo Speck, etc.

A feira até hoje se mantém, agora com outra denominação, chamada “Feira de Produtos Coloniais”, numa estrutura menor, sob um toldo, todas às sextas-feiras, na Praça Paulo Carneiro, defronte ao Mercado Público e na mesma rua Gustavo Richard. Conta ainda com a supervisão da mesma Epagri.

Uma interessante reportagem com a duração de 11m14s com alguns trechos falhados, truncados, mas histórica, saudosista, uma verdadeira preciosidade jornalística e memorialista.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Descobrimento do Brasil já foi comemorado em 3 de maio. Bem por isso o nome do Clube no Magalhães

Aprendemos desde muito tempo, em livros e nos bancos escolares, que o Descobrimento do Brasil se deu no dia 22 de abril de 1500, não é mesmo?
Mas você sabia que nem sempre foi em 22 de abril que a data foi exaltada?
Pois é. Há algum tempo, querendo saber por que algumas sociedades, associações, etc receberam pelo nosso país o nome de “3 de maio” e em especial no caso da Laguna, a Sociedade Recreativa 3 de Maio, do bairro Magalhães, fui atrás do motivo. E o encontrei. Veja abaixo:

Vera Cruz para Santa Cruz
Após o advento da Proclamação da República (1889), e até a Revolução de 30, o Brasil celebrava seu Descobrimento na data de 3 de maio, que era feriado nacional.
Esta teria sido a data do Descobrimento segundo o historiador lusitano Gaspar Correia (1495-1561), que a deduziu do fato de Cabral ter batizado a terra de “Vera Cruz”, nome mudado pelo rei dom Manuel para “Santa Cruz”, em função da comemoração religiosa de mesmo nome, que ocorria a 3 de maio.
O próprio José Bonifácio, o Patriarca da Independência do país, propôs que a abertura da primeira Assembleia Constituinte brasileira, em 1823, caísse nesse dia, para coincidir com o descobrimento do Brasil. E assim foi feito.

A carta de Pero Vaz de Caminha traz a data correta
Mas ai surgiu um documento, fonte primária, que por três séculos ficou esquecido nos arquivos portugueses e que acabou vindo para o Brasil com D. João VI e toda a família imperial, em 1808. Era a Carta do escrivão da frota de Cabral, Pero Vaz de Caminha, testemunha ocular da história.
A descoberta do documento deveu-se ao pesquisador e padre Aires de Casal, que o publicou no ano de 1817.
Mesmo assim, a nova data não entrou oficialmente para o calendário.

Com o advento da República, em 1889, estabeleceu-se um calendário de festas cívicas. “Considerando que o regime republicano baseia-se no profundo sentimento de fraternidade universal; que esse sentimento não se pode desenvolver convenientemente sem um sistema de festas públicas destinadas a comemorar a continuidade e a solidariedade de todas as gerações humanas”, dizia o decreto 155b, de 14 de janeiro de 1890.

Os feriados criados no início da República
O decreto criou, entre outros, o feriado de 21 de abril em homenagens a Tiradentes. E a data de 3 de maio, feriado, continuou lá, como sendo a do Descobrimento do Brasil, mesmo que a própria imprensa, historiadores, pesquisadores e escritores já entendessem que a data correta era 22 de abril.
E continuou sendo assim até 1930, quando com o advento do Estado Novo, Getúlio Vargas acabou com o feriado de 3 de maio, e alterou finalmente e acertadamente o dia do Descobrimento do Brasil para 22 de abril.

Bem por isso, muitas associações, logradouros, clubes e sociedades as mais diversas que foram fundadas por esse Brasil afora até 1930, receberam o nome de 3 de maio.
Clube 3 de Maio da Laguna foi fundado em homenagem à antiga data do Descobrimento do Brasil

A tradicional Sociedade Recreativa 3 de Maio, situada no bairro Magalhães foi fundada com este nome em homenagem à antiga data do Descobrimento do Brasil. Aliás, esse é um fato ignorado pela maioria dos sócios e por muitos presidentes que por lá passaram. 
A versão divulgada que uma reunião teria ocorrida numa casa do bairro naquela data, com vistas à fundação de uma sociedade não se mostra plenamente correta. Bem, a reunião pode até ter acontecido, afinal era um dia de feriado, mas a homenagem dada, sem dúvida alguma, foi ao dia consagrado ao Descobrimento do Brasil.
Nota da inauguração do Clube Recreativo, Literário 3 de Maio, em 21 de julho de 1907. Jornal O Albor de 25/07/1907, pág. 2
Sobre esta Sociedade, há uma particularidade. Surgiu com a denominação oficial de Sociedade Recreativa e Literária 3 de Maio, fundada em 21 de julho de 1907, conforme nos informa Ruben Ulysséa, numa crônica publicada no jornal Correio do Sul, em 29/01/1939, sobre a fundação dos clubes lagunenses e transcrita no livro "Laguna - Memória Histórica", 2004, pág. 272.
No entanto, é comemorado anualmente seu aniversário na data de 3 de Maio, juntamente com outros aniversariantes do dia, como a Sociedade Musical União dos Artistas e o Colégio Stela Maris.

Não deveria sê-lo em 21 de julho, data oficial de sua fundação?
Se assim o fizessem, em minha opinião, se quebraria uma tradição de aniversário que vem se repetindo há muitos anos. Mas os fatos reais são esses acima. Alguém se propõe a mudar? 
Fundadores do Clube 3 de Maio
Para finalizar, de acordo com Ruben Ulysséa, foram fundadores do Clube 3 de Maio: Joaquim de Souza Júnior, Joaquim João, Tácito Estevam Soares, João Lopes de Carvalho, Alcides Soares da Silva, Merêncio Alves da Luz, Manuel João Laguna, Zelindro Antonio dos Santos, Agostinho Faísca, Paulino da Silva Costa, Tomaz Ricardo, João Pedro Cidade, Manuel Martins Pinho, Francisco Martins Fonseca, Heleodoro Tomaz da Cunha, Antonio Ezequiel de Sousa, Aristides Soares da Silva, Antônio Palma e outros.
A primeira diretoria do Clube estava assim composta:
Presidente: Joaquim de Sousa Júnior
Vice-presidente: João Estevam Soares
Secretário: Paulino da Silva Costa
Tesoureiro: Merêncio Alves da Luz
Orador: Antônio Guimarães Cabral (O Pereira)
Zeladores: Agostinho Faísca e Zelindro Antônio dos Santos.

Como se percebe, diversos sobrenomes de tradicionais famílias do bairro Magalhães que deixaram inúmeros descendentes.


quarta-feira, 26 de junho de 2019

Florianópolis mudou de idade em 2015. Mas lá o motivo foi justo e perfeito

Ontem, um vereador lagunense antes da sessão me disse que Florianópolis há poucos anos havia mudado de idade, trocado a data de sua fundação. E perguntou: Por que a Laguna não poderia fazer o mesmo?
Expliquei que lá na capital os motivos foram bem diferentes e até se justificaram plenamente. Lá se corrigiu uma verdadeira anomalia, porque até o ano de 2015, Florianópolis comemorava seu aniversário, a data de sua fundação, partindo de 23 de março de 1726, data em que a Ilha de Santa Catarina foi emancipada política e administrativamente da Laguna. Sim, senhores e senhoras, Florianópolis já pertenceu à Laguna, esteve vinculada a nossa cidade, por assim dizer.
Explico os fatos a seguir:

Em 2015, projeto de Lei de autoria do vereador Afrânio Boppré (PSOL), propôs mudança na data de aniversário de Florianópolis, comemorado anualmente em 23 de março.
Na verdade, o celebrado neste dia até então, era a emancipação política-administrativa da capital, ocorrida em 23 de março de 1726, quando a então Ilha de Santa Catarina (depois Nossa Senhora do Desterro) – mais uma vez! - se desmembrou da Laguna.

A proposta apresentada pelo vereador era a de que que o aniversário de Florianópolis fosse comemorado e contado a partir de sua fundação, no ano de 1673, pelo bandeirante Francisco Dias Velho. O projeto foi amplamente aceito pelos vereadores e aprovado em duas votações.
Foi posteriormente vetado pelo então prefeito César Souza Filho e teve o veto derrubado pelos vereadores. O projeto que se transformou em lei levou o número 15.709/15.
Portanto, desde o ano de 2015, Florianópolis comemora seu aniversário partindo do ano de 1673, três a menos do que Laguna. Este ano, portanto, foram comemorados lá seus 346 anos de fundação. Enquanto a Laguna vai comemorar em 29 de julho próximo seus 343 anos.
Na falta de dia e mês exatos, os vereadores optaram por deixar o 23 de março, até para não atrapalhar calendários e feriados. Um critério adotado.
Adiante:

A proposta de mudança partiu de um trabalho de pesquisa do saudoso professor, desembargador aposentado, historiador, escritor e ex-secretário de Estado, lagunense Norberto Ulysséa Ungaretti.
Na defesa da proposta, Ungaretti ressaltou que “contar a ‘idade’ de Florianópolis a partir da sua emancipação e não da sua fundação é como se a ‘idade’ do Brasil fosse contada a partir de 1822, data da independência”.
Outros estudiosos também defenderam a data, como Nereu do Vale Pereira e Evaldo Pauli em seu livro “A Fundação de Florianópolis”.

Lá não é como cá
Veja leitor, que me acompanha atentamente neste Blog, que a proposta, que depois virou lei municipal lá em Florianópolis, nada tem a ver com o sugerido cá aos vereadores, prefeito e comunidade lagunense pelos Cadorin na tribuna da Câmara, na audiência pública de ontem à noite.
Lá se oficializou a data de fundação para corrigir “uma anomalia”, no dizer de Ungaretti; cá foi sugerida a alteração no ano da fundação da Laguna, alegando ter sido ele escolhido aleatoriamente e pela passagem de pouco mais de um ano de um navio espanhol com seus náufragos por essas paragens, em 1552/1553, que depois daqui se foram, e através de uma carta do comandante da embarcação, Juan de Salazar Espinosa, datada de 1º de janeiro de 1552.

Lá na capital, penso que foi uma proposta justa e perfeita, defendida por muitos, com base histórica e visando corrigir uma distorção.
A alegação, o arrazoado do dr. Norberto encontrou guarida no Legislativo da capital.
E dou outro exemplo, além daquele citado da Independência do Brasil: contar idade a partir da emancipação é como se passássemos a aniversariar somente a partir dos 18 anos, ou 21, que seja, em nossa maioridade.

Enfim, eis rapidamente os fatos apresentados. Nos próximos posts vou procurar humildemente destrinchar mais a história. Sem paixão, mostrando o que dizem os vários historiadores sobre as primeiras viagens à costa catarinense por parte de navegantes espanhóis e portugueses