segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Nota da direção e administração do Hospital da Laguna

A respeito dos motivos que levaram os médicos do corpo clínico a anunciarem a possibilidade de paralisação dos atendimentos a partir de 01/12/17.

A Direção e Administração do Hospital da Laguna vêm a público esclarecer que os atrasos dos pagamentos dos honorários médicos e o não pagamento integral do valor da hora-plantão dos médicos do Serviço de Emergência vêm ocorrendo pelo fato da instituição trabalhar com um déficit financeiro mensal de aproximadamente R$ 200 mil, o que a impede de honrar com todos os seus compromissos financeiros.

Atualmente, o Hospital da Laguna recebe, mensalmente, da Prefeitura, através do Fundo Municipal de Saúde, R$ 75 mil para pagamento da hora-plantão dos médicos do Serviço de Emergência, porém gasta entre R$ 94 a R$ 95 mil, já que mantém dois médicos, diariamente, entre 15 e 21 horas.
O Hospital recebe, ainda, R$ 19 mil para pagamento do sobreaviso do médico anestesista, porém gasta mensalmente, com esta especialidade, R$ 25 mil. Além disso, gasta mais R$ 55 mil para manutenção do sobreaviso dos médicos da Maternidade, Clínicas Médica, Cirúrgica, Pediátrica, Ortopédica e Cardiológica e dos serviços laboratoriais.

A situação já foi levada, inúmeras vezes, ao conhecimento da Prefeitura, Secretaria Municipal de Saúde, Conselho Municipal de Saúde, Câmara de Vereadores e Agência de Desenvolvimento Regional da Laguna, em diversas reuniões que contaram, inclusive, com a participação de representantes dos médicos da entidade. Estas reuniões tiveram como objetivo solicitar aumento dos repasses financeiros municipais, já que o valor per capita recebido pelo Hospital da Laguna é o menor da região, equivalendo a R$ 2,00 por habitante/mês, enquanto outros hospitais chegam ao dobro ou até ao triplo deste valor, mesmo atendendo quantidades menores de pacientes.

Além do aumento do repasse mensal, a Direção e Administração do Hospital da Laguna vêm reivindicando, também sem sucesso, ao poder público municipal e estadual, o recebimento de valores superiores a R$ 800 mil, referentes ao não pagamento de produção de serviços ambulatoriais realizadas entre os anos 2010 a 2012 e do Incentivo Hospitalar Estadual, cuja última parcela paga foi a de dezembro/16. Uma vez recebidos estes recursos, o Hospital poderia pagar os honorários médicos em atraso, assim como outros compromissos financeiros com fornecedores em geral.

A Direção e Administração do Hospital da Laguna esclarecem, por fim, que não foram procuradas pelo Sindicato dos Médicos para tratar das presentes questões, a não ser por meio de Notificação Extrajudicial.
Atenciosamente.

Laguna, em 20 de novembro de 2017.
Regina Ramos dos Santos Presidente
Carlos Alberto Batista Administrador 

Animais de rua serão castrados. Lá em Imbituba

Um problema recorrente nas cidades é a presença de animais abandonados, perdidos ou mesmo que vivem nas ruas, sujeitos a todo risco de doenças, acidentes e maus tratos.
No último dia 10 de novembro, a Prefeitura de Imbituba realizou uma licitação emergencial para firmar convênio com clínica veterinária do município, que irá castrar 400 animais de rua (cães e gatos) ou acolhidos por entidades protetoras de animais, nesta primeira etapa.

Em Imbituba, o último censo realizado em 2012, contabilizou cerca de 20 mil animais, sem estimativa certa de qual percentual estaria em situação de abandono.
Mas, infelizmente, conforme a diretora de Vigilância Sanitária daquela Prefeitura, Camila Fermino, o número pode aumentar, e a responsabilidade é também da população.
 “É preciso cuidar do animal de estimação, é preciso que se leve no veterinário, os medicamentos são caros, por isso criar um animal exige planejamento. As pessoas aceitam um ser vivo em casa, mas na primeira chateação soltam. Cão solto na rua gera problemas. Aumenta o risco de doenças, de acidente de trânsito, o risco de que os cachorros agridam pessoas, e até o número de atropelamentos dos cachorros cresce”.
E completa dizendo que o controle populacional de animais abandonados é uma conquista da população, pois tem o objetivo de garantir a saúde dos cidadãos, e é também um ato de carinho e cuidado com os animais errantes. Através da esterilização de animais abandonados poderemos promover um melhor controle das zoonoses e garantir uma existência digna para estes animais”, finaliza a diretora.
Para ler a matéria na íntegra, clique aqui

Enquanto isso na Laguna...
não se vê nenhuma ação por parte do poder público nesse sentido, visando minimizar o problema a médio e longo prazo. A alegação de sempre é que não há recursos. Quem sabe para o ano que vem...

Munir Soares está de volta

Depois de um susto nos familiares e amigos, com internação de algumas semanas no SOS Cárdio em Florianópolis, já está de volta a sua casa e ao nosso convívio, o bancário aposentado e consagrado colunista da imprensa lagunense, Munir Soares.
Ao seu lado, filhos, netos, além da esposa Salete, que com fé e orações é presença devotada, trazendo bastante energia positiva no tratamento.
Foto: Elvis Palma
Aliás, bem que o presidente Ademir Arnon, da Associação Catarinense de Imprensa (ACI) - Casa do Jornalista, poderia homenagear merecidamente com o Troféu Prensa, o decano do colunismo impresso da Laguna, Munir Soares – são mais de 40 anos publicando sua página “Comunidade”. Seu estilo é peculiar, com muito humor, abordando os assuntos cotidianos da nossa Laguna, em todas as áreas. 
É uma constatação. Quem se propuser a escrever sobre a Laguna nos últimos 42 anos tem que passar necessariamente pelos seus escritos cotidianos da nossa terra e gente. Agora na internet, com seu Blog.
Nosso abraço.

sábado, 18 de novembro de 2017

Médicos podem suspender serviços no Hospital da Laguna, diz sindicato da categoria

Em correspondência datada de 14 de novembro último e enviada ao presidente do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina, Nelson Grisard, o Sindicato dos médicos do estado, através da Diretoria Regional da Laguna, presidente Odimar Pires Pacheco e assessoria jurídica, informa que “poderá haver a suspensão dos serviços médicos prestados ao Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos a partir de 1º de dezembro de 2017”.
Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos. Foto: Elvis Palma
Entre os motivos alegados pelo sindicato para a suspensão, estão “o não pagamento de honorários médicos provenientes do SUS e convênios de todos os médicos do corpo clínico deste nosocômio, bem como retendo parte do pagamento relativo a horas plantão dos médicos que atuam na emergência daquele serviço”.

O sindicato também destaca na correspondência, que “Após algumas reuniões em que se buscou o diálogo, sem que tais irregularidades fossem sanadas, este órgão de classe notificou de forma Extrajudicial aquela instituição em mora, na data de 01 de novembro de 2017, solicitando a normatização dos pagamentos dos médicos, ou a apresentação de um plano para tal regularização dentro do prazo máximo de 15 (quinze) dias”.

O outro lado
A administradora do Hospital da Laguna, Regina dos Santos, informou por telefone a este Blog que irá se manifestar sobre o caso na próxima segunda-feira.

Projeto da Biblioteca Romeu Ulysséa está entre os dez melhores do Brasil

O único projeto finalista em Santa Catarina no “Retrato da Leitura” do Instituto Pró-Livro (IPL) está sendo desenvolvido na Laguna pela Biblioteca Pública Romeu Ulysséa. 
A iniciativa está entre os dez finalistas no Instituto criado pela Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).
A classificação de nossa cidade passou por especialistas voltados à leitura. O município concorre na categoria Biblioteca.
 Laguna está concorrendo com vários projetos de todo o Brasil. "Podemos nos orgulhar em representar, não somente o Estado, mas também dizer que estamos na direção certa no que concerne aos nossos projetos. Isto envolve recebermos um selo de qualidade pela premiação", descreveu a bibliotecária Kátia de Souza Borges.

O projeto indicado corresponde à leitura para reduzir a pena com trabalhos desenvolvidos na biblioteca com adultos e adolescentes como medidas alternativas e socioeducativas determinadas pela Justiça.
Outras atividades são elaboradas na própria Unidade Prisional de Laguna.

O principal objetivo da premiação é promover e difundir experiências para que ganhem amplitude e investimentos, orientem políticas públicas e inspirem outras iniciativas pelo Brasil. O Prêmio tem por finalidade, também, reconhecer e homenagear organizações que promovam práticas de fomento à leitura.

A premiação para os vencedores será dia 4 de dezembro, em São Paulo.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Publicações históricas serão digitalizadas. Lá em Blumenau

Fruto de um convênio entre a Fundação Cultural de Blumenau e a Fundação Catarinense de Cultura, as edições de “Blumenau em Cadernos” serão digitalizadas.
Também importantes jornais que circularam naquela cidade no passado, como Immigrant, Blumenauer Zeitung, Lume e A Naçãopassarão pelo processo e serão disponibilizados via internet ao público. Serviços deverão ser concluídos até março do ano que vem.
Para ler mais aqui

Enquanto isso na Laguna...
Arquivo Público da Laguna está fechado há um ano.
Enquanto isso na Laguna o nosso Arquivo Público está fechado há um ano e nada de oficial é divulgado no site da prefeitura. Exemplares de jornais antigos, como O Albor, Semanário de Notícias e O Renovador, além de importantes documentos do rico acervo da municipalidade e da Comarca, estão mofando em prateleiras e sacos plásticos e sendo comidos por traças e baratas.
Arquivo Público da Laguna deveria ser prioridade na área cultural por parte dos gestores da cidade. Ali está a nossa história no papel.
Mas qual o quê!

Querem somente aplausos (e likes?) de focas amestradas?

“Entre os animais ferozes, o de mais perigosa mordedura é o delator; entre os animais domésticos, o adulador”.
(Diógenes- filósofo da antiga Grécia).

Então agora é assim. Querem que a gente não comente, discuta, critique e mostre os problemas da cidade, não discorde de projetos, de requerimentos, decretos, resoluções, etc.

Querem simplesmente elogios (e likes, muitos likes nas redes sociais?) e que a gente bata palmas como uma foca amestrada?
Mas para isso - e faz tempo - já não existe alguns por aí aplaudindo entusiasticamente das arquibancadas? Se bem que até podem bater palmas, mas em cargos devidamente remunerados, lógico. 

Quem ousar discordar, não disser sim senhor!, muito bem senhor!, parabéns senhor!, vira logo oposicionista ou é incluído na meia-dúzia de “críticos contumazes”? 
Mesmo aqueles que votaram com esperança em dias melhores para Laguna e seu povo? Mesmo aqueles que confiaram?
Querem o quê? O cale-se? A boca fechada? O amém a todos os atos? 


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Danilo reeleito diretor do Ceal

Em eleição acontecida na segunda-feira (6), o atual diretor da Escola de Ensino Médio Almirante Lamego - Ceal, Danilo Prudêncio Costa foi reeleito ao cargo com estrondosos 82,17% dos votos dos pais, alunos, professores e funcionários.

Por mais dois anos, Danilo continuará seu trabalho com ética e competência à frente daquele tradicional estabelecimento de ensino de nossa cidade, que passa por ampla reforma, acompanhada diariamente e com entusiasmo pelo diretor Danilo.
Parabéns.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Vereadores aprovam convocação da secretária de Planejamento

Na última sessão da Câmara de vereadores, atendendo pedido do vereador Rhoomening (Pingo) Souza Rodrigues (PSDB), foi aprovado requerimento (nº 453/17) convocando a secretária de Planejamento e Desenvolvimento Econômico e Social, Silvânia Cappua Barbosa, para explicações ao Legislativo.

O vereador quer saber a situação de vários convênios em andamento, tais como “o convênio dos abrigos de passageiros, o mercado público e informações sobre o cabeamento subterrâneo do centro histórico”.
Rodrigues salientou que “a gente faz requerimento e não tem a resposta adequada. Cansei de fazer requerimento”.

O requerimento foi aprovado por maioria, com exceção do voto do vereador Kléber Roberto Lopes Rosa (PP), que disse não à convocação.
Aliás, não é a primeira vez. Sempre que requerimentos com esse teor são apresentados ao plenário, o vereador Kek vota contra, alegando que os secretários são ocupadíssimos, que precisam de auxílio dos seus assessores para se explicarem e que basta uma visita até a prefeitura in loco para dirimir quaisquer dúvidas.
 Parece, mas não é
Desta vez, por sua repetitiva atitude, houve protesto de seus pares e teve que ouvir duras palavras.
Dizem alguns dos seus colegas, que o vereador Kek oficialmente não é, mas parece ser líder do governo no Legislativo, tal seu grau de defesa e tentativas de blindagem da atual gestão. Aliás, como foi igualmente defensor de praticamente todos os atos da gestão passada.

Museu Anita Garibaldi foi arrombado

Foto: Divulgação/PML
Arrombaram no início da noite de ontem (domingo) a porta superior do Museu Anita Garibaldi, na escadaria.
A Guarda Municipal, em ronda, foi quem descobriu o arrombamento.
A Prefeitura informa em seu site, “que por consequência da variação climática, com chuvas e trovoadas ocorridas nos últimos dias, o alarme foi desabilitado”.
Cá pra nós, uma desculpa das mais esfarrapadas. Já pensaram se todos os alarmes fossem desligados por causa de chuvas? Até mesmo porque sábado e domingo não choveu, nem "deu" trovoada.
E a gente se pergunta: e as câmeras internas de segurança, também estavam desligadas? Porque elas existem e foram instaladas quando da reforma/revitalização do prédio.

Diz a prefeitura, através do presidente da Fundação de Cultura, “que nada foi levado, apenas arrombamento”. É mesmo? Já foi feito um arrolamento, um inventário completo e minucioso? Mas se tu dix...
Já não basta o "sino do povo" furtado há mais de um ano e outras peças que desapareceram com o tempo, agora virou uma sina arrombamento de prédios públicos na Laguna. A Casa de Anita é outra que já foi arrombada mais de uma vez, assim como o chamado Memorial Tordesilhas – que de memorial não tem nada -, e onde hoje funciona a sede da Fundação Lagunense de Cultura.

A verdade é que os monumentos públicos da Laguna estão entregues ao abandono, como canso de denunciar aqui. Falta iluminação, limpeza, conservação das estátuas e dos bustos com cera de carnaúba. A estátua de Nª Senhora da Glória precisa de limpeza e pintura, sem falar do acesso ao local. O Monumento de Tordesilhas está mergulhado na escuridão, piso quebrado, sem placa do ponto Sul.
E a gente pergunta: e as câmeras de segurança nos postes, que sumiram? Dinheiro do povo que foi pelo ralo. Ninguém mais fala de suas (re)instalações. Será que não há um novo projetinho básico para isso?
E como dizia aquele personagem: não me venham com chorumelas. Da próxima, mostro fotos atualizadas do abandono, do desleixo. Há quem precise ver para crer.
Mais um ano se foi e nada foi feito, nem o mínimo, o arroz com feijão. Muito blábláblá. E não admitem críticas, se acham intocáveis. Querem sempre derramados elogios.
Pois sim! Cara feia pra mim é fome. Ou sede.

Querem mais uma vez alterar nome de rua. É pisar na história

“A lembrança é uma honra; o esquecimento uma vergonha”.

Há alguns dias, em conversa, um político na Laguna se manifestou pela alteração do nome da rua Luiz Severino Duarte para “Curvas do Iró”.
Se esse projeto de lei for proposto – espero que não - e aprovado pela Câmara de vereadores, mais uma vez um nome de nossa história será riscado, apagando-se lembranças de um antepassado que em algum momento, pelo seu trabalho e exemplo, serviu à Laguna e sua gente e bem por isso foi homenageado.
Rua Luiz Severino Duarte atravessa o costão da Praia do Iró.
Nos últimos tempos, parece que virou moda na Laguna trocar nomes de logradouros públicos. Eu não sei se é falta do que fazer de certos políticos ou se é puro desconhecimento dos nossos antepassados. Ou ambas as alternativas. Trocar nomes de logradouros, além de falta de respeito, é pisar na história da cidade e em seus vultos.
Se sua excelência não sabe quem foi Luiz Severino Duarte, tomo a liberdade de mostrar em algumas linhas.
Vejamos:

Quem foi Luiz Severino Duarte
Luiz Severino Duarte ou Luizinho como era carinhosamente conhecido por todos, deixou sua cidade natal, Jaguaruna, nos últimos anos da primeira década do século XX e aqui veio se estabelecer.
De espírito progressista, triunfou no comércio da Laguna, iniciando com tecidos e logo ampliou os negócios, entrando no ramo armador e exportador. Era o acionista maior da empresa de Navegação Santo Antônio.
Numa propaganda de seu estabelecimento comercial, a Casa Luiz Severino & Cia, podemos observar que foi fundada em 1913:
Numa crônica publicada no jornal Sul do Estado, de 12 de novembro de 1982, o músico e colunista Agenor Bessa salientou: “Nenhum lagunista foi tão bom lagunista quanto Luiz Severino Duarte”.

Tão logo aqui se estabeleceu se inseriu à sociedade lagunense, sempre dedicado às causas da terra que resolveu adotar, viver e investir.
Em pouco tempo tornou-se presidente do Clube de Regatas Almirante Lamego e foi também escolhido presidente da Associação Comercial da Laguna.

Diz Bessa:
“Neste cargo teve a oportunidade de fazer sentir a todos o quanto possuía de espírito público, pois defendeu não só o nosso comércio como toda a comunidade e, na questão da Barra, chegou a ser ameaçado por certo engenheiro, tal a veemência como abraçou a nossa causa”.

Foi também juiz substituto da Comarca da Laguna durante muitos anos; um dos benfeitores e membro da comissão, na qualidade de tesoureiro, da construção, ao lado da matriz, do prédio São Vicente de Paula, mais conhecido como prédio dos Vicentinos. Foi um local de tantos serviços prestados à comunidade lagunense, servindo como palco de peças teatrais, formaturas, aulas de catequese, sede de reuniões para grupos de jovens (JUC), alcoólicos anônimos, e mais recentemente, o Conservatório Lagunense de Música.

Luiz Severino Duarte foi um dos primeiros a construir casa de veraneio no Mar Grosso.
Quando do governo do prefeito Giocondo Tasso, necessitando a municipalidade de abrir uma via através das encostas do Iró, Luiz Severino Duarte doou ao município uma área de terras de 900 m2 para que a prefeitura pudesse abrir a então rua projetada que hoje leva merecidamente seu nome.
Trouxe os irmãos e também os Candemil
Luiz Severino Duarte trouxe também para Laguna seus irmãos para auxiliá-lo, aumentando assim o quadro de sócios de sua empresa.

E assinala Agenor Bessa:
“Trouxe também outros bons cidadãos como Sady Candemil (pai do atual prefeito Mauro Candemil) e João Wendhausen, elementos utilíssimos não só na firma, mas de muito valor na sociedade, onde conduziram-se com a dignidade e a confiança que os diretores neles depositavam”.
“Como Laguna deve a Luiz Severino Duarte!”, ressalta Bessa.
Com o aumento das exportações na década de 20, Sady Candemil “também atingido pelo entusiasmo”, separou-se da firma Severino Duarte e fundou sua própria casa comercial, juntamente com outros sócios e mais seu irmão José Candemil da Silva, que trouxe da vizinha Imaruí.
Posteriormente trouxe para morar com ele seus irmãos: Carmen, Alda, Ruth, Prudência, Zulma, Dinorah, Maria da Glória, Haroldo e Euclides.
Alda (tia do atual prefeito) casou-se com Ido Severino Duarte (irmão de Luiz Severino Duarte) e tiveram dois filhos, Regina e Aldo.

Notaram como as famílias se enlaçam na Laguna e acaba todo mundo em algum nível de parentesco na árvore genealógica? 
Já houve quem disse que na Laguna as pessoas ou são parentes, amigas ou afins.

Pois bem. Na sala da frente de sua residência, a hoje chamada Casa Candemil – Arquivo Público (que se encontra vergonhosamente fechado, com seu acervo deteriorando-se), situada entre a Travessa Manoel Pinho e Fernando Machado (Rincão), funcionava o escritório da Empresa Lagunense de Navegação. 
Era uma sociedade formada por João Thomaz de Souza, Pinho & Cia e Sady Candemil & Cia, proprietários dos navios “Laguna” e “Adelaide”. Operava no ramo de exportação de cereais, farinha, madeira, camarão seco, entre outros produtos.

Mas voltemos a Luiz Severino Duarte:
Em 13 de junho de 1920, num terreno baldio entre as ruas Tenente Bessa e Duque de Caxias, Luiz Severino Duarte inaugurou sua residência, um verdadeiro palacete, um dos prédios mais bonitos e pomposos da Laguna, no estilo eclético. A alta sociedade da Laguna prestigiou o evento, abrilhantado pela Banda Amor à Pátria, de Jaguaruna, cidade natal do proprietário e entidade musical da qual foi membro na juventude.
Luiz Severino Duarte era casado com Francisca Barreiros Duarte. O casal não teve filhos.
Francisca era irmã de Francisco, Geraldino, João, Maria Barreiros e de Thomázia Barreiros da Silva casada com Antônio (Totônio) Batista da Silva, pais de Judith Batista (Remor).
Numa charrete nas areias entre a Praia do Mar Grosso e Iró, Luiz Severino Duarte com sua esposa Francisca Barreiros Duarte e algumas crianças, provavelmente sobrinhos do casal. Ao fundo, na elevação do Morro, sua casa de veraneio. Foto: Arquivo Marega.
 Quando dos falecimentos de Francisca e posteriormente de Luiz Severino, seus bens, aí incluído o palacete no centro da cidade, ficaram para sua sobrinha Judith Batista Remor e seu marido Carlos Alberto Remor, de saudosas memórias. Proprietários que sempre trataram com zelo e carinho o familiar imóvel. Pais de Aurélio, Luiz Carlos, Rogério, Antônio Carlos e Maria Helena Remor.
Tenho certeza que muitos ainda se lembram do Antônio Carlos (Totá), um dos filhos do casal, caminhando no varandão do imóvel balbuciando rezas ou dedilhando lindos acordes ao piano na imensa sala do casarão.
Mais tarde o palacete foi adquirido pela Celesc e onde ainda hoje funciona o escritório da empresa.

Em 1978, a homenagem
Em 4 de abril de 1978, o vereador Leandro José Crippa, o Juca, tio do atual vereador Peterson (Preto) Crippa da Silva (PP), apresentou projeto de lei (nº 16/78) denominando de Luiz Severino Duarte “a via pública do bairro Mar Grosso, tendo início na terminação da avenida senador Galotti com seu término na avenida da Praia do Iró” (hoje Cláudio Horn).
Na justificativa ao projeto o vereador Juca Crippa,  informou:

“Luiz Severino Duarte pertenceu ao honrado comércio lagunense durante mais de cinquenta anos; fez parte da Empresa de Navegação Santo Antônio Ltda., que mandou construir no estaleiro desta cidade, o iate a motor “Santo Antônio” que foi o orgulho da construção naval da Laguna e que serviu durante 24 anos no transporte das riquezas produzidas nesta região.
Foi Juiz substituto da Comarca da Laguna durante muitos anos merecendo menções honrosas de Juízes e Corregedores pela maneira justa e equilibrada no desempenho de seu cargo; foi presidente da Associação Comercial, a qual serviu com muita dedicação e acerto; fez parte da Comissão construtora do Prédio São Vicente de Paula, na qualidade de tesoureiro e benfeitor.
Em 1920 quando poucos lagunenses acreditavam no futuro da Laguna ele teve a coragem de mandar construir, nesta cidade, uma das mais belas residências que, ainda hoje, embeleza o centro da cidade.
Finalmente, foi ele que, através de seu amigo Carlos Alberto Remor, fez doação de uma área de cerca de 900 metros quadrados de terra para que a Prefeitura pudesse rasgar a Rua Projetada o que se propõe seja dado o nome desse benemérito lagunista”.

O Projeto de Lei foi aprovado por unanimidade pelo Legislativo. Em poucos dias, em 28 de abril de 1978, o prefeito Mário José Remor sancionou a Lei nº 15/78, dando a denominação de Luiz Severino Duarte à citada rua.
Se a mudança de alteração de nome da via for proposta e aprovada pelo Legislativo lagunense, mais uma vez será pisar em nossa história e desrespeitar a memória de nossos antepassados.

Ah... esses projetos...

O leitor já deve ter observado, que administrar uma cidade hoje em dia é um imenso projeto, feito de centenas de outros projetinhos.
A gente fala em problemas pontuais e lá vem sempre a desculpa:
- Estamos elaborando um projeto para resolver. 
Assim mesmo, tudo dito e escrito no gerúndio.
É projeto pra isso, é projeto pra aquilo, até para decidir os problemas mais triviais. Nada mais se faz sem antes praticar doutos estudos jurídicos sobre o tema e com pareceres de tais e tais órgãos.
Querem tapar buracos nas ruas? Vamos fazer um projeto.
Querem instalar abrigos para passageiros de ônibus? Estamos elaborando um projeto; Canteiros com flores? Projetos mil; bancos em praças? Projeto pedindo verba.
Arrumar o telhado da Casa de Anita? Estamos aguardando a aprovação do projeto; Restauração Casa Candemil- Arquivo Público? Projeto em andamento; Higienização, catalogação e escaneamento do acervo? Projeto está em Brasília.

Substituir um bueiro quebrado? Estamos estudando sua viabilidade e vai ser preciso um projeto. Trocar uma placa de sinalização? Aguardem o projeto; Semáforos? Projeto; Câmeras de Segurança? Projeto; Arrumar os Molhes? Temos um projeto grandioso para lá; Pintar a estátua de Nossa Senhora da Glória? Projeto escolhendo a tinta; Limpar e iluminar os pontos turísticos e monumentos? Projetos aguardando aprovação, e assim por diante.

Antigamente não tinha nada disso e problemas triviais de uma cidade rapidamente se resolviam com um pouco de vontade e trabalho.

É bem por isso que a coisa não anda, que a máquina emperra. É muita burocracia, às vezes por nada.

sábado, 4 de novembro de 2017

Sem sexo

Ontem à tarde, no “senadinho” da rua Raulino Horn, defronte à Farmácia Popular (do Valmir Souza), a turma estava reunida conversando sobre as últimas.
Nisso passa o conhecido barbeiro Atanásio Silveira. Vem caminhando meio de banda, quase que agachado, gemendo e apertando as costas com uma das mãos.
Alguém da roda, gozador, exclama:
- Ih! Atanásio tais prejudicado, hoje à noite em casa não vai ter sexo.
Atanásio responde de bate-pronto:
- Rapaz, se eu conseguir fazer cocô hoje à noite já tá bom.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Árvore de “bilros”?

No jardim frontal de uma casa no centro histórico da Laguna, uma árvore de “bilros” chama a atenção dos transeuntes.
-Têm para todos os gostos e paladares, exclamavam alguns jovens, curiosos e espantados na tarde desta sexta-feira, enquanto apreciavam a cena, aos risos. 
- Olhem só os tamanhos: PP,P,M,G,GG e XG. E tem até um king size! E um extra-fino!
No que outro, mais alegre e meio que saltitante respondeu:
- Uau! É uma verdadeira árvore da sorte, ou da fortuna.
Uma velhinha que passava ao lado, finalizou a conversa:
-Meus filhos, no meu tempo não dava em árvore não. Hoje tá tudo tão mudado, tão moderno, bem mais fácil né?
***
Bem por isso se diz que a maldade está nos olhos de quem vê.
Mas que parece, parece! Ou não?
Cruzes!

PS: Só não dou a localização da árvore porque um importante político aqui da Laguna é bem capaz de cortar uma das raízes para fazer um chá de infusão na tentativa de levantar seu "velho guerreiro", cansado de guerras. Afinal, o homem só pensa "naquilo".

sábado, 28 de outubro de 2017

O Café Tupy marcou época na Laguna e atravessou gerações

No início do século XX foi inaugurado um estabelecimento comercial na Laguna que marcou época na cidade e em todo o sul do estado, atravessando gerações: o tradicional Café Tupy. Situado no centro, entre as ruas Raulino Horn e XV de Novembro, o local será palco e testemunha das transformações sociais, econômicas e políticas da sociedade lagunense. Sua esquina democrática se transformará em ponto geográfico de referência.
Eis uma foto das mais simbólicas de uma época da Laguna. À esquerda o Café Tupy e a placa do estabelecimento na esquina. Em seguida a placa vertical da Panificadora Imperatriz em sua entrada pelos fundos, onde ficava os fornos; no prédio seguinte no térreo funcionava a sinuca do Nonô e na parte superior a Rádio Difusora; a casa seguinte, na cor verde, era residência da dª Gabriela Grandemagne, que será derrubada para construção do prédio da Joana Papelaria; depois um terreno baldio do Miguel Chede, onde em 1977 vai surgir a Pizzaria Chedão, depois vendido para o Besc; depois a casa de Luiz Remor, hoje do Marega. À direita, na esquina, a Relojoaria Werner, de Fernando Guedes; em seguida a Barbearia Santos, do Zé Barbeiro; e a Miscelânea, de Antônio Urbano. Na esquina, com seu vasto bigode, vendo a banda passar, Carlos Rollin que acha que a foto foi feita no começo da década de 1960. Como o primeiro veículo na foto é uma Variant, da Volks, lançado em 1969/1970, acho que é mais por aí. O segundo veículo é um Opala, da GM, que foi lançado no Brasil a partir de 1968. Logo... Enfim, essa esquina tem histórias...
Democráticas esquinas
Muitos foram os lugares onde desde imemoráveis tempos o homem exerceu o direito de se manifestar. Exprimir-se democraticamente ou aos cochichos, olhando para os lados temendo eventuais ditaduras e perseguições de governos, através de suas polícias políticas.
 
No interior ou defronte às antigas boticas, em armazéns, mercados e bodegas, cafés e bares, simpatizantes, candidatos e filiados, jornalistas, artistas e escritores se reúnem em conversas e discussões, compartilhando dúvidas e sugestões, criando, aliviando tensões, fomentando oposições, criando resistências e apoios a esse ou àquele governo.
Os cafés sempre foram ponto de encontros democráticos
São lugares de suma importância como fórum de socialização política, de pluralidade opinativa.
Alguns desses locais, bares e cafés, esquinas e ruas ficaram famosos e são lembrados por gerações.

Em Porto Alegre: A esquina da avenida Sarmento Leite com avenida Osvaldo Aranha, no bairro Bom Fim, é um deles. Durante anos foi conhecida como Esquina Maldita. Nos bares da região reuniam-se intelectuais, professores e alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A rua da Praia igualmente é uma via onde pulsam as notícias e novidades assim também como o Largo da prefeitura.

Em Florianópolis: A conhecida esquina democrática, entre a Trajano e Felipe Schmidt, com seu tradicional Ponto Chic, durante anos abrigou os mais diferentes públicos. Do funcionário do governo que dava uma fugidinha para um cafezinho e saber das últimas, a jornalistas em busca de fontes; do vendedor de bilhetes de loteria ao “mordedor” em busca de uns trocados. Político que se prezava tinha que diariamente dar uma passada por ali onde facilmente se encontrava vereadores, prefeito, deputados e até o governador.
Basta ver que o próprio presidente da República João Batista Figueiredo em novembro de 1979 lá passou para um tradicional cafezinho e logo depois resultou numa confusão que já vinha desde o Palácio Cruz e Souza e Praça XV, no episódio conhecido como Novembrada. A confeitaria do Chiquinho e sua famosa empada também marcou época.

Em Curitiba: A Boca Maldita, o espaço ao redor de cafés, bancas de revistas e calçadão da rua Luiz Xavier (Rua das Flores) é um conhecido local no centro da cidade das mais diferentes manifestações políticas, sociais e artísticas. Há até um obelisco em homenagem à área.
E também uma confraria que “existe para debater e criticar tudo sem qualquer restrição, expressando as vontades e expressões populares”.
O lema da entidade, por paradoxal que seja é “Nada vejo, nada ouço, nada falo”.
Anualmente há um jantar quando pessoas recebem o título de “Cavaleiro da Boca Maldita”.

No Rio de Janeiro: A Confeitaria Colombo, na rua Gonçalves Dias, criada em fins do século XIX tornou-se ponto obrigatório de uma elite que desde a República frequentou seus salões desfilando elegância e luxo tão bem apreciados e descritos pelos cronistas.
Ponto de encontro de artistas, intelectuais e políticos, como Olavo Bilac, Rui Barbosa, Chiquinha Gonzaga, Villa Lobos, Getúlio Vargas...
Seus gigantescos espelhos belgas, mármores e o mobiliário são testemunhas até hoje de mais de um século de história.
A Rua do Ouvidor igualmente é conhecida por ser uma das mais famosas da então Capital Federal. Um escritor a ela assim se referiu:
“A Rua do Ouvidor, a mais passeada e concorrida, e mais leviana, indiscreta, bisbilhoteira, esbanjadora, fútil, noveleira, poliglota e enciclopédica de todas as ruas da cidade do Rio de Janeiro”.
A Cinelândia também vai marcar sua época.

Em São Paulo: O Vale do Anhangabaú, as Avenidas São João e Ipiranga, com seu cruzamento imortalizado na canção Sampa, de Caetano, também são lembradas. E o Centro Novo com seus bares, confeitarias, restaurantes, livrarias, e estúdios das principais emissoras de rádio e redações de jornais.

O surgimento do Café Tupy
Em 22 de outubro de 1905, um domingo, surgia na Laguna, na esquina das ruas XV de Novembro com Raulino Horn, um empreendimento que vai marcar época na cidade e em todo o sul do estado e se tornar o mais famoso estabelecimento comercial lagunense: O Café-Restaurant Tupy, de propriedade de Ulysséa e Cia, tendo como gerente-proprietário, Jacob Ulysséa.
O jornal O Albor assim noticiou o fato:
 
Na verdade, era uma troca de nome, uma transformação com pequenas modificações nas instalações, já que no mesmo local funcionava o Café Lagunense, inaugurado em 1900, do mesmo proprietário.

Jacob Pinto de Ulysséa
De acordo com Rogério Ulysséa em seu livro sobre a genealogia da família Ulysséa, Jacob nasceu na Laguna, em 1º de outubro de 1872. Era filho do importador e exportador (Casa Ulysséa) português Joaquim José Pinto de Ulysséa e de Alexandrina Luiza Dias de Pinho Ulysséa. Foi quem construiu, em 1867, a casa ao lado da Carioca, cópia de uma Quinta de Portugal.
Jacob Pinto de Ulysséa.
Após os primeiros estudos em nossa cidade, Jacob foi para o Rio de Janeiro trabalhar com seu irmão Saul. Lá conheceu a espanhola de Barcelona Laura Santandreu, com quem casa em 1897 e terá onze filhos (Iracema, Jandyra, Pery, Jacy, Irê, Arary, Juracy, Juracy, Jupy, Jupyra e Jupy). A repetição de dois nomes é pelos falecimentos dos primeiros em tenra idade.
Após o nascimento de sua primeira filha Iracema, retornará a Laguna, tentando vários negócios na cidade.
Morava no mesmo prédio de seu estabelecimento comercial. Conserta va máquinas de costura. A esposa Laura ajudava no sustento da casa, costurando sacos de alinhagem para o comércio.
“Era boníssimo, querido por todos na cidade. Andava sempre a cavalo e gostava de nomes indígenas que colocou em todos os seus filhos”, diz Rogério Ulysséa na genealogia.
Vem daí, leitor, o batismo de seu Café com o nome Tupy, língua falada e do povo indígena que habitava a maior parte do litoral do Brasil.
Era frequentador do Centro Espírita e da Loja Maçônica, sendo de ambos, fundador e membro da diretoria.

A festa de inauguração
A inauguração do Café Tupy deu-se ao meio-dia e foi um grande acontecimento na cidade, noticiada em jornais.
A Banda União dos Artistas participou quando da abertura das portas, e a Banda Carlos Gomes fez uma retreta ao entardecer. Diz O Albor, noticiando o fato com detalhes:

“Ao meio-dia já era muito elevado o número de pessoas que ia levar ao simpático proprietário, nosso estimado conterrâneo Jacop Pinto de Ulysséa alegre e efusivos cumprimentos pela criação do útil estabelecimento e percorria todas as dependências do Tupy: - O buffet, a sala do bilhar, a destinada a diversos jogos, e a esplêndida entrada ao ar livre, ladeada de dois elegantes galpões, onde estão colocadas algumas mesas, galpões que arrematam num pequeno chalet que tem pintado no fundo, caprichosamente, um belo chafariz, cujo efeito, à noite, torna-se deslumbrante pela luz magnífica do acetileno.
Meia hora depois, aproximadamente, comparecia a Banda de Música União dos Artistas, recebida num espocar de foguetes, e, oferecido gentilmente um copo de deliciosa cerveja aos assistentes, inaugurava-se o Café Restaurant Tupy. Usaram da palavra n’essa ocasião os nossos amigos dr. Américo Rabello e Antônio Cabral, aos quais saudaram o fundador d’aquela casa que vinha satisfazer incontestavelmente uma palpitante necessidade de nosso meio e representava mais um passo dado pela Laguna  na estrada amplíssima do progresso.
Dispersado o grande círculo que se formara em torno dos oradores, improvisaram-se logo partidas de tiro ao alvo, de bilhar de damas, de dominó e de muitos outros jogos, ao passo que os que não queriam jogar fortaleciam o estômago com doces, sanduíches, pastéis, queijo, fiambres, etc.
A banda musical à que já nos referimos permaneceu no Café até 3 horas da tarde, executando belos trechos de música e atraindo ao estabelecimento muitas pessoas.
Mais tarde apresentou-se a “filarmônica” Carlos Gomes, que fez uma magnífica retreta, mantendo-se o Tupy sempre concorrido e animado até perto da 1 hora da madrugada”.

Como vimos um grande acontecimento, com participação das duas Bandas, além da boca-livre com gentis copos de deliciosa cerveja, doces, sanduíches, pastéis, queijos, fiambres... Hummm... E foguetes, muitos foguetes que a cidade, sabemos todos nós, é fogueteira desde sempre. E a festa foi até à uma hora da manhã! À luz de bruxuleantes lampiões!
“Além de servir doces e salgados, possuía bilhar, jogo de damas, dominó e tiro ao alvo. Sua maior atração era um “zonofone” uma espécie de gramofone (fonógrafo), avô dos toca-discos, e bisavô dos CD's, aonde os fregueses iam ouvir música”. Hoje diríamos curtir um som. Em 1905!
E tinha até teatrinho em seu interior. Em 18 de fevereiro de 1906, os jornais anunciavam no Café Tupy a apresentação de “Um variado espetáculo de cenas cômicas, nas quais tomarão parte o impagável Joca Barbeiro e o afamado Zé Guedes”.
Este último certamente algum antepassado meu. Mas um Guedes cômico? Tão difícil... Um ponto fora da curva.

Em 27 de janeiro de 1907, menos de dois anos após a inauguração, Jacob põe o Café Tupy à venda “por necessidade de se retirar para fora da cidade”, explica no anúncio publicado no O Albor.
Jacob Ulysséa após outros investimentos no comércio, mais tarde foi nomeado fiscal do Imposto de Consumo, inicialmente na Laguna e depois transferido para Joinville e Itajaí, onde vai falecer, aos 52 anos, em 1925. Sua esposa Laura falece em 1962, aos 82 anos, em Florianópolis, deixando extensa prole.

Otávio Teixeira o segundo proprietário
Quem adquire o estabelecimento é Otávio Teixeira que vai administrá-lo até 1927, quando do seu falecimento.
Teixeira, o novo proprietário por vinte anos, “vinha encontrar um local digno”, diz Agenor Bessa numa crônica intitulada “Memórias do Boêmio”, publicada no jornal O Renovador de 8 de abril de 1989:

“O prédio que fazia frente para a rua Direita (Raulino Horn), vinha encontrar, além do salão mais confortável possível, dois varandões que o cercavam pelo sul, deixando o centro ao ar livre; ditos varandões, cobertos e bem mobiliados, proporcionavam à sociedade, os momentos mais agradáveis capazes, principalmente nas noites de verão”, descreve Bessa.
O prédio antigo do Café Tupy.
À noite, o local era iluminado por lampiões a querosene. Isso até 1915, quando a cidade passou à luz elétrica gerada por uma usina a óleo, da prefeitura.
Dois personagens caminham, em 1924, pela rua Direita (Raulino Horn). À direita da foto o prédio do Café Tupy, com o letreiro, já meio apagado pelo tempo, pintado na parede do estabelecimento.
Ruben Ulysséa numa crônica publicada no jornal Semanário de Notícias em 26 de março de 1977, escrevendo sobre cafés e bares de sua mocidade (nasceu em 1902), relembra:

“Digno de nota, só o tradicional Café Tupy, de propriedade de Otávio Teixeira. O Café Tupy na realidade, pouco café vendia; vendia mais cerveja e cigarros “Colossista”, fabricado por um irmão do proprietário. Era, sobretudo, o ponto onde os grandes tacos da comuna se reuniam para os jogos de bilhar, cercados sempre de grande assistência de desocupados que torciam em silêncio”.

Manoel Fiúza Lima o terceiro proprietário
O terceiro proprietário será Manoel Fiúza Lima, que adquire o velho imóvel, com o falecimento de Otávio Teixeira em 1927, conforme já informado. O prédio é demolido para construção de um novo edifício, de dois andares, que é o mesmo existente até os dias atuais.
Informa Bessa que Fiúza Lima “Em vista do não pequeno número de familiares, viu-se na contingência de desmanchar o prédio para construir outro no mesmo local, que pudesse residir com a família, além de ficar o andar térreo para a parte comercial, substituindo então, o poético pelo útil”.

Fiúza Lima dotou o estabelecimento de farto sortimento de bebidas e gêneros alimentícios, como se pode constatar neste reclamo, como então se denominava a publicidade:
A frequência e o ambiente eram seletos, “liderado pelo proprietário, Fiúza Lima, homem culto, inteligente e boêmio, deu-nos a impressão de que ali, era o centro da intelectualidade lagunense”, sublinha Bessa.
Em suas mesas podiam ser vistos, em variados anos, o jornalista José (Zeca) Duarte Freitas rabiscando suas crônicas para a Rádio Difusora, João Clemente de Carvalho, Boaventura Barreto, Eitel Bürger Frambach, médicos Ângelo Novi e Paulo Carneiro, Germano Donner, Pompílio Pereira Bento, Walmor de Oliveira, Manoel Américo de Barros, Dante Tasso, Luiz Remor, Antônio Bessa, Alberto Crippa, Juaci Ungaretti, Joca Moreira, Fernando Guedes (CEF), Giocondo Tasso, Nelson Almeida, Agilmar Machado, Archimedes de Castro Faria, João de Oliveira, Osmar Cook...
Sem falar dos carnavalescos de todas as épocas, Egeu Laus, Remi Fermino, Zavério Erght e muitos outros, de Blocos, Bolas e Escolas de Samba, “que ali permaneciam a desenvolver palestras das mais elevadas, que prendiam um e outro notívago que lá chegasse”.

E finaliza Bessa, poético:
“Eruditos e boêmios, que necessitavam horas de espiritualidade, procuravam àquelas mesas para tais encontros, onde a literatura, a filosofia, a história universal, eram abordadas naqueles momentos em que se confundiam com alguma quantidade de álcool, o incentivador das ideias adormecidas”.
Logo o local se tornou dos mais conhecidos. Talvez tenha sido sua fase mais áurea.
Anos depois, com o surgimento do serviço de alto falante Tupã, com sua corneta instalada na esquina em frente e depois a criação da Rádio Difusora, em 1946, memoráveis crônicas serão ali rabiscadas pelos nossos mais competentes cronistas, embalados por xícaras de café e rodadas de cerveja. Ali acorrerão populares para ouvir os resultados das apurações eleitorais. Gritos de torcedores em comemorações esportivas e aplausos ressoarão nos desfiles carnavalescos.

O mundo político, industrial e comercial, intelectual e jornalístico ali vai se reunir por gerações. Em suas mesas de tampos de mármore e pés de ferro, confabulações serão feitas, planos urdidos, dobradinhas formadas. Suas paredes testemunharão nascimentos de associações, times de futebol, entidades carnavalescas...
Poetas declamarão versos, embalados pelo vento nordeste que certamente soprará lá fora, dobrando a esquina em rajadas ou ao vento sul, vindo da Lagoa. Músicos comporão partituras e com seus mais variados instrumentos musicais puxarão acordes que se perderão no tempo.

Em 1968 o local estava fechado e deteriorado quando por sugestão do prefeito Juacy Ungaretti, Haroldo Izidro da Costa (pai do Aurélio do Antigo Big Ben) e mais tarde proprietário da lanchonete Brasão, assumiu o local em sociedade com seu Iugui Andrade.
Há uma completa reformulação nas instalações, com aquisição de modernos balcões e mesas em fórmica, geladeiras, freezers, etc. Transforma-se numa lanchonete, condizente com aqueles anos. Um ano depois será vendido. Diversos outros proprietários e arrendatários passaram pelo Café Tupy: Otto Pereira, Luiz Moreira, Irê Santiago da Silva, Pedro Cardoso, Jucemar Fernandes, José de Bem,  Luiz de Bem, Rui Silva, etc. 

Em meados da década de 1980 o imóvel, de propriedade de Cirilo Faria, novamente encontrava-se fechado, inclusive com tapumes em seu redor. É quando Paulo Roberto Lopes Magalhães e João Batista dos Santos (Batista da lotérica) o adquirem em sociedade. Paulo para ali transfere a Instaladora Rádio Elétrica, que havia pertencido a Aliatar Barreiros e posteriormente vendida a Dário Carvalho e Batista dos Santos.

Hoje no local do Café Tupy encontra-se a Instaladora Rádio Elétrica e outras lojas. No andar superior funciona a Associação Comercial e Industrial da Laguna – Acil, além do escritório da Junta Comercial (Jucesc). A parte superior já foi residência de várias famílias ao longo dos anos. Lembro que o saudoso radialista João Manoel Vicente ali também morou. No local também funcionou a Câmara de Vereadores.

 Evidentemente que existem e existiram outros locais como palcos democráticos para manifestações. Salões e buffets de clubes como o do Blondin, Congresso, Anita, 3 de Maio, barbearias, boticas, farmácias, armazéns, livrarias, bancas e padarias.
Os bares do Mercado Municipal em seu primeiro e segundo prédio,  da rodoviária antiga, o Café Bascherotto, o Monte Carlo, Café do Comércio, Brigitte Bar, o Brasão, Bar do Chico, para ficarmos em alguns mais recentes.

Mas, o Café Tupy (e sua decantada esquina), talvez – também - pela sua longevidade, pontifica na liderança como o mais conhecido. Ainda hoje, mesmo após anos de seu desaparecimento é comum ouvir de pessoas que viveram àqueles anos, a utilização do nome Café Tupy como ponto de referência.

E nos dias atuais? Existirá uma esquina na Laguna que ainda represente o palco e plateia onde se mesclam atores e público, em que o pensamento navega em desconhecidos mares e a palavra é livre? Onde se pratica o hábito desde que o homem é homem, de falar da vida alheia?
Em qual estabelecimento ainda reúnem-se seres em torno de uma mesa em busca da ágape fraternal que satisfaça paladares e igualmente forneça respostas existenciais e espirituais para nossas dúvidas?