sábado, 21 de julho de 2018

Laguna: Monumentos abandonados. Vergonha!

Veja o estado em que se encontram apenas dois - há mais - monumentos turísticos e históricos da nossa cidade, a Estátua de Nª Senhora da Glória e o Monumento de Tordesilhas:
 Fiz a foto da imagem da Glória no último domingo, acompanhando uns casais de amigos de fora que não a conheciam. Senti vergonha. Por mim e por Laguna!

Vários turistas que visitavam a cidade no local comentavam o desleixo com a estátua, completamente encardida, suja, precisando ser lavada e pintada. Um dos turistas num grupo até perguntou ao guia:
 -Não existe prefeito nesta cidade?

Pergunto: É assim que se quer fazer turismo na Laguna? Desta maneira? De que adianta participar de seminários, workshops, estandes, encontros, etc. se não fazem o básico? O arroz com feijão?

Antigamente dois ou três operários em andaimes faziam rapidamente o serviço. Agora ao que me parece precisa projeto, contratação de um firma especializada, licitação, enfim, deverá custar uma fortuna ao pobre do contribuinte. Ou vão também querer buscar verba junto ao governo estadual ou federal para isso?

Tordesilhas quebrado, sujo e às escuras
Já o Monumento de Tordesilhas além de sujo está quebrado em vários locais, além de necessitar de limpeza, placa e iluminação. As fotos abaixo são desta semana.
E o Monumento fica defronte ao prédio onde está situado agora novamente grande parte da prefeitura!!!  Local do gabinete do prefeito e do vice!!!
Ninguém olha lá de cima para o desleixo???



Alô, alô Fundação Lagunense de Cultura, alô, alô Secretaria de Turismo!!! Alô, alô prefeito Mauro Candemil!!! 

 Enquanto isso na vizinha cidade azul....

Tubarão vai implantar QR Codes em seus monumentos e espaços turísticos.
       
“O departamento de Turismo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da prefeitura de Tubarão está concluindo o processo de revitalização dos espaços públicos do município, com a colocação de placas de identificação, por meio da tecnologia QR Code”, diz a reportagem publicada neste sábado no jornal Notisul.

Com isso, diz o departamento de Turismo de Tubarão, qualquer pessoa poderá conhecer a história e as curiosidades sobre os monumentos que visita, ali mesmo no local, de forma instantânea, bastando para isso aproximar seu telefone celular, com conexão à internet, e realizar a leitura na plaquinha do QR Code.
O órgão de Turismo espera que até o fim da próxima semana os serviços estejam todos concluídos e os espaços públicos todos revitalizados.

Viram só? Lá, no organograma da prefeitura o turismo nem recebe status de secretaria, é departamento de Turismo, mas a tecnologia é de primeiro mundo, como em cidades da Europa. Parabéns povo de Tubarão.

E nós ainda aqui na Laguna dando milho aos pombos, pedindo limpeza e pintura aos nossos monumentos e pontos turísticos...

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Estreia o Programa “Recordar é viver”

Na próxima quinta-feira (19), estreia pela Rádio Laguna Web, das 16 às 18 horas, o programa “RECORDAR É VIVER”.
Apresentação de João Carlos Wilke e Domingos Carvalho da Rosa.
Convidado para este primeiro programa lá estarei para um bate-papo entre amigos.
Para sintonizar a Rádio Laguna Web e/ou dar o seu recado basta clicar aqui ou pelo Facebook

O telefone da emissora é (48) 99957-5359 (WhatsApp).

A gruta da Genoveva ou a Genoveva da gruta

Defronte à pequena Praia do Iró, na rua Luiz Severino Duarte, sobre um bloco de pedras, existe hoje uma pequena caverna conhecida pelos mais antigos como a gruta da Genoveva. Lembro que há 35, 40 anos, quando pescávamos no local em nossa turma, era ali que nos abrigávamos das chuvas repentinas.
O local em frente era dos mais piscosos, com seus mariscos e siris, que no recuo das ondas ficavam na areia ou nas reentrâncias das pedras, lá embaixo. Com um molinete muito papa-terra pesquei por ali, local perigoso onde qualquer escorregadela era fatal. Com o passar dos anos e recuo do mar, a prainha se formou e ficou um baixio. Em maré vazante hoje praticamente se atravessa a pé, defronte ao costão.

Dizem os mais antigos que antes da abertura da via que passa pelo local, existiu uma enorme caverna, em dois cômodos, cortada ao meio quando surgiu a estrada. Nela morou uma senhora franzina, que pedia esmolas pela cidade carregando sempre um ramalhete. E ouvi muitas estórias sobre ela, inclusive que teria sido uma feiticeira que preparava suas próprias poções numa grande panela de ferro.

O saudoso José Bessa, em seu livro Gente da minha terra - Memórias da Laguna, escreveu belo texto sobre a Genoveva da gruta. Nela, em licença poética, discorreu sobre quem teria sido a mulher. Sem dúvida daria um filme ou no mínimo um documentário.
Mas Bessa salienta, ao final, que gostaria que a história da Genoveva tivesse sido como ele narrou. “Mas, a realidade como a vida, na maioria das vezes é vazia, não oferece grandes lances”. Belas palavras e verdades de José Bessa.
Querem ler a citada crônica? É extensa para os padrões de hoje, mas linda. Pois aqui está:


 ******
A Genoveva da Gruta
Por José Bessa

A gruta ficava à beira da praia, nos rochedos do costão. Nessa época o mar vinha cá em cima, batia sobre a escarpa em rampa suave e subia, lambendo com a espuma branca o lajeado vermelho. Lá na ponta, os mariscos pretos, uma franja de limo verde. Depois o mar resolveu recuar, abandonando por completo suas visitas à encosta inclinada. Em cima como um comandante atento às atividades dos seus subordinados, ficava a gruta, uma enorme laje de pedra, com quatro a cinco metros de altura e uns vinte de comprimento, apoiada em alguns pontos sobre outros blocos de granito rosa-encarnado, fechado por trás, formando uma grande caverna.

Um pouco à esquerda abaixo, começa, ou terminava uma praia, deserta de casas e de gente, rica em peixe e frutos do mar. Sua imponência, de uma beleza rude e bruta, com areia fina e branca, cômoros que se deslocavam ao sabor dos ventos dominantes. Nas ventanias do nordeste que assobiava assustador entre as frestas da gruta, a praia e a encosta tornavam-se mais horrivelmente belas, na força do vento, na violência do mar, no passeio da areia seca, voando a pouca altura, castigando as pernas nuas das pessoas. A cada obstáculo se amontoavam. O paralelismo das ondas que se formam na quebrada da maré, com a espuma na crista que se desmancha na praia, ao longo daqueles quilômetros de extensão, numa monotonia que não cansa, sempre a despertar a curiosidade, como se repentinamente surgisse das profundezas do oceano o monstro Titã para devorar Andrômeda.

É a praia, mais as encostas escarpadas, sucedidas pelos morros verdes, para novamente voltar à restinga de areia bege.
É a solidão de quem não está só. Parece haver fantasmas familiares por toda parte nos acompanhando. É triste na sua imensa amplidão que nos farta de um sentimento de liberdade, gostosamente melancólico. Nada mais do que céu, mar e areia, mas parecem esconder surpresas que poderão surgir a qualquer momento; nos fala muito intimamente de fantasias sexuais, aventuras incríveis por acontecer.

Próximo, no alto do morro, onde hoje está um belíssimo hotel, havia uma casa para doentes contagiosos, conhecido como “Lazareto”. Era comum na época, os navios chegarem, trazendo portadores de males transmissíveis. Levavam imediatamente para serem ali isolados. Quem sabe, hoje, quantos fantasmas dormem naqueles ricos apartamentos?

Ilustração: Joris Marengo/Livro Gente da Minha Terra

A gruta lá está, impassível, dura, indiferente, como se perscrutasse a tudo e a todos. Não sente, não fala, mas, compõe magnificamente bem a paisagem. Dentro, mora uma mulher. Chama-se Genoveva, dando o nome ao local, a Gruta da Genoveva.
A natureza, caprichosa ou caridosamente, montou quarto e sala. Um espaço mais amplo na entrada e ao lado, meio escondido, um vão menor. No centro da sala uma pequena fogueira e atrás dela, com um olhar enigmático, a mulher, velha, enrugada de franzir o senho para enfrentar o vento salgado, bronzeada dos sóis de inverno e verão.
Sua origem, ninguém sabe, ela não conta.

Como pode viver ali? Ninguém se importa em saber. Vive de siris, mariscos e peixes, acompanhados quase sempre de pirão de farinha de mandioca e, quando possível uma xícara de café com um pedaço de pão seco. Algumas vezes esmola pela cidade, afastada uns cinco quilômetros, amparando-se na caridade alheia. Ao passar pela praça entra na igreja. Posta-se ereta, fecha os olhos numa atitude de quem está orando. Certa vez um cidadão muito carola, chamou-lhe a atenção rispidamente, mandando ajoelhar-se para rezar. Respondeu – e quem lhe disse que estou rezando de pé?

Nunca se soube de qualquer ato de banditismo praticado contra ela, vivendo naqueles ermos. Que se saiba possui duas poderosas armas de defesa: a lenda de ser uma poderosa feiticeira e um cheiro forte de restos de peixe, cascas e outros dejetos jogados por ali. Quando pela cidade, Genoveva exalava um cheiro agradável, mistura de ervas. Na verdade, há um córrego descendo o morro e passando próximo à gruta, possibilitando-lhe certa higiene e servindo para abastecer de água doce as suas panelas muito pretas, sobre o fogão no chão, próprias para um bom feitiço. Nunca se soube como ela resolvia suas necessidades fisiológicas.

A sua aparência não é das mais simpáticas. Mais alta do que baixa, magra, nariz avantajado, rosto fino, tez muito clara, cabelos lisos desalinhados e descuidados. Diziam que era inglesa ou descendente de ingleses e o seu verdadeiro nome, Jane. Quando moça, contavam, veio para o Brasil, casada com um engenheiro de minas, brasileiro, que esteve fazendo curso na Inglaterra. Morou muitos anos no sul do estado, onde o marido trabalhava em minas de carvão. Teve quatro lindas louras crianças, às quais dedicava toda a sua desambientação no país. Amava-as duas vezes: amor de mãe e de estrangeira que não se adaptou bem à nova terra. O marido compreendia o desajuste e tudo fazia para amenizar a situação.

Os tempos passaram e uma tragédia num choque entre o automóvel da família e o trem, deixou-a só no mundo. Não conseguiu reunir forças sequer para voltar ao seu país. Desesperada, fechou-se cada vez mais na sua desdita e foi perdendo aos poucos a razão. Quando avistava um grupo de crianças parecia recobrar o equilíbrio, para, em seguida, voltar à sua apatia. A companhia onde seu esposo havia trabalhado, foi até certo ponto condescendente e compreensiva, mas acabou tomando-lhe a casa destinada ao novo engenheiro que veio substituir o seu marido. A princípio pessoas caridosas a recolheram. Depois saiu vagando e desapareceu por muito tempo, ou quem sabe, para sempre.

Anos mais tarde surgiu aquela mulher na beira do mar, falando com certa dificuldade, com todas as características de uma estrangeira. Julgaram ser a inglesa. Esta suspeita se tornava quase certeza quando à vista de uma criança loura seu semblante se transformava, parecendo adquirir uma nova vida.

Os grupos escolares costumavam fazer piquenique na praia nos dias ensolarados de outono e primavera. Numa das vezes, o tempo quente convidava a um banho de mar e duas meninas com idade de dez anos, burlando a vigilância das mestras, entraram na água e foram colhidas por traiçoeira corrente. Uma agarrada à outra debatiam-se desesperadamente, enquanto apavoradas colegas e professoras, da praia a tudo assistiam impotentes. Chegaram a entrar no mar, mas sem coragem de enfrentar as ondas traiçoeiras.

Genoveva, de dentro de sua gruta foi alertada pelo alarido, pois, ainda, não havia percebido a presença da excursão. Exímia nadadora e profunda conhecedora das manhas do mar e suas correntes traiçoeiras, em poucos minutos alcançou as crianças e contornando a saída d’água, trouxe-as tranquilamente à praia. As pequenas não sofreram mais do que um grande susto.

O fato, muito comentado, tornou-se por demais conhecido. Genoveva perdeu o sossego. Passou a ser visitada com frequência. Os pais das jovens resgatadas mostraram muita gratidão, trazendo-lhe ajuda de toda espécie, mas, dali ela não quis sair. Sua vida mudou. O seu próprio drama já adormecido, como guardado nos compartimentos do seu cérebro, despertou, foi trazido para fora. A depressão aumentou. Seu ato heroico, que bem poderia ter melhorado suas condições de vida, ao contrário, deixou-a prostrada.

Naquelas bandas eram comuns os temporais de leste, a chamada lestada. São sete dias, no mínimo, de chuva com vento do mar que, ao final, se torna intermitente, enquanto as rajadas mudam constantemente de direção.
Foi durante um período desses, de chuva fina fustigada pelo vento forte que Genoveva desapareceu. Ao longo da costa, a dezenas de milhas de distância, fica uma ilha deserta. Há quem afirme que a viu nadando para lá.

A gruta ficou abandonada durante muitos anos, servia de refúgio para pescadores e excursionistas, até que um raio deslocou um dos apoios e a enorme laje ruiu fragorosamente, fazendo um tremendo estrondo. Ainda bem que não haviam pessoas no seu interior, abrigando-se da tempestade, o que era comum.
Com o progresso foi construído um belíssimo hotel nas proximidades do local onde ficava a gruta e com isto a necessidade de uma estrada de acesso em boas condições, cujo traçado cortou aquela laje que havia sido o teto da Genoveva, em forma de caixa e que ainda hoje pode ser vista em duas partes, com a rodovia ao meio.

Desapareceu parte da cena que abrigou uma grande dama, a ser verdadeira a identidade da Genoveva, a coincidir a sua loucura mansa com o desvairamento da inglesa Jane. Pouco restou do espaço onde viveu um cérebro ansioso por encontrar explicação para uma aparente injustiça dos Céus, a destruição de sua família.
Os homens, com o desenvolvimento, trocaram a beleza agreste pelo conjunto de instalações balneárias capaz de atrair turistas de todo o mundo e que sepultou para sempre as cinzas e o carvão que restou das fogueiras que mantinham aquecidas nas noites de inverno a Genoveva.

A verdadeira história de Genoveva é um pouco diferente. Ela era baixinha, andava sempre com um ramo de flores seguro nas duas mãos e completamente desequilibrada mental. Morava na gruta, isto sim. Gostava de rezar na igreja, é verdade. E é uma pena que a sua verdadeira vida não tenha sido a que foi contada antes. Assim eu preferia que fosse. Teria sido muito bonita, mais recheada de fatos. Mas, a realidade como a vida, na maioria das vezes é vazia, não oferece grandes lances. As únicas coisas que tornavam a Genoveva diferente era morar na gruta e ser demente. E assim fica muito triste!

Protestos pela morte de jovem em lombada

Jovem Rafael Nascimento, 20 anos, ao passar no início da madrugada de sábado por duas lombadas recém-instaladas na avenida Calistrato Müller Salles, perdeu o controle do veículo que dirigia, uma motocicleta Biz, caiu e se chocou com uma base de concreto na calçada, vindo a falecer.
Protestos e homenagem ao jovem Rafael.
No domingo, quando da passagem do translado para o sepultamento de Rafael, familiares e amigos do jovem realizaram homenagens a ele e protestos no local quanto à precária sinalização.

As lombadas foram instaladas na última sexta-feira à tarde (13) pela secretaria de Obras do município “atendendo ao pedido dos usuários da via e dos moradores da região” informou a prefeitura em nota publicada em seu site SOMENTE NO SÁBADO (14) pela manhã, após o falecimento de Rafael. Não houve pré-divulgação, um aviso, um alerta aos munícipes, sobre a construção da obra.
Operários executam a obra na sexta-feira (13). Foto Marco Bocão/Divulgação
Na tarde do mesmo sábado, operários pintaram com faixas na cor amarelo as duas lombadas, assim como outra lombada construída há mais de uma semana na avenida senador Gallotti, no Mar Grosso.

Que a família possa encontrar a paz e o conforto nesse momento de muita dor.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Clito Araújo: o soldado lagunense que não voltou

“Histórias são para sempre, mas só se você contá-las”.

De 6 de setembro de 1944 a 2 de maio de 1945, durante os 239 dias de combate dos soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, aconteceram 468 baixas, entre mortos e desaparecidos brasileiros.
Entre eles, o soldado lagunense Clito Antônio de Araújo, que integrava a 4ª Cia do 6º RI (Regimento de Infantaria Ypiranga), morto aos 24 anos.
O soldado Clito Araújo. Álbum de família. Acervo: Marega.
Clito Araújo nasceu na localidade de Siqueiro, na Laguna (hoje pertencente à Pescaria Brava), em 1920. Era filho de Antônio Ciríaco de Araújo e Fernandina Medeiros de Araújo.
Fez parte do 1º Escalão da FEB a embarcar para o teatro das operações na Itália, em 2 de julho de 1944, a bordo do navio general Mann.
Distintivo da FEB. A cobra vai fumar.
Seguiu viagem junto a outros companheiros lagunenses, como Ezio Pagani, Manoel Ismael da Silva, Waldemar Apolônio Antunes, Sadi Silva Ferminio, Jovino Salvador da Silva, Milton Fonseca, David Lemos, Manoel Moura de Jesus, Bernadino Vieira de Andrade, Antônio Juvêncio Corrêa e Valdiniro Abrahão Pereira (Xavante), entre outros.
Esse primeiro escalão brasileiro com 5.075 soldados desembarcaria em Nápoles em 16 de julho de 1944. O total efetivo chegaria a 25.334 participantes, com 956 soldados vindos do solo catarinense.

No front da guerra
Nos primeiros dias de novembro de 1944, os soldados da FEB são transferidos de Castelnuovo di Garfagnana para o front de guerra, no Vale do Rio Reno.
Nos Apeninos vão enfrentar o rigoroso inverno, com muita chuva, neve e depois lama, além de ataques contínuos dos alemães. Lutam contra a denominada Linha Gótica.
Mapa da Vitória na IIª Guerra, distribuído pelo Exército Brasileiro.
A fase compreendida entre 5 de novembro e 12 de dezembro de 1944 será conhecida como “Defensiva-Agressiva”, desenvolvida inteiramente no Vale do Reno. A intenção dos comandantes era a conquista de Bolonha antes do natal daquele ano. Tal não vai acontecer.  Somente no ano seguinte. A FEB atuará nesta região por mais de três meses, integrando o IV Corpo do Exército.
Neste período acontecerão as batalhas e as tomadas de Montese, Soprassasso e Monte Castelo. Lutarão contra a 148ª Divisão Panzer da Infantaria, até a completa rendição alemã.

A morte em batalha por estilhaços de granada
Conta-se que a morte em combate do pracinha lagunense, pertencente à Infantaria Brasileira, deu-se da seguinte forma:
Era para ser um “Golpe de mão”, assim chamado um assalto à trincheira inimiga para aprisionamento de soldados. Clito Araújo teria prosseguido em marcha na batalha em Marano, Itália, quando se viu sozinho, entre muita fumaça e tiros, no meio de um pelotão inimigo. Tinha avançado demasiado no terreno íngreme e escorregadio. Logo seria descoberto e sua morte era iminente.
Que fez? Teria detonado uma granada, pondo fim a sua vida e a dos inimigos ao seu redor. Com o silêncio no front, vários pracinhas brasileiros logo acorreram ao local, conquistando mais terreno na batalha travada.
Mas logo obtiveram a explicação acima para o ocorrido, reconhecendo então a coragem do lagunense Clito Antônio Araújo, com apenas 24 anos. Era o entardecer chuvoso do dia 13 de novembro de 1944. Quem contava essa história a este autor era outro pracinha lagunense, o veterano tenente Sadi Ferminio.

Moraes fala sobre o período de Defensiva-Agressiva
O general comandante da FEB J.B. Mascarenhas de Moraes, em suas memórias lembrando aquelas batalhas diz:

“Prematuramente aspirada para a linha de combate, a divisão brasileira distendeu-se numa frente da ordem de 15 quilômetros. Seu setor era tão devassado pelas alturas ocupadas pelo inimigo que o comando americano houve por bem instalar nessa região uma cortina de fumaça permanente, a fim de permitir os rápidos e indispensáveis movimentos na estrada nº 64, que liga Porreta a Bolonha e está implantada à margem do Reno. Inteiramente dominada pela contínua linha de alturas que vai de Belvedere a Castelnuovo, ficava esta estrada ao alcance eficiente de morteiros e até tiros diretos das armas automáticas instaladas nesses maciços montanhosos. Durante o período de Defensiva-Agressiva, o IV Corpo empreendeu algumas operações ofensivas. Dadas as deficiência e limitações já expostas, não poderia alcançar senão amargos reveses”.

Vasco Gondin, outro veterano da guerra, em seu livro de Memórias “Liberdade escrita com sangue”, sobre o primeiro revés dos brasileiros afirma:
“Assistíamos o avanço dos alemães, pedíamos barragens de artilharia, munição, alimentação, etc., e elas não vinham. Defendemos como podíamos com nossas armas, granadas de mão e alguns tiros de morteiro. Mas nada detinha o alemão, parecendo-nos um rolo compressor”. (...) “A luta chega ao corpo a corpo”.

Sepultamento
Os combatentes da FEB que pereceram na IIª Guerra Mundial foram primeiramente sepultados no cemitério militar de Pistóia (Itália). O jazigo de Clito Araújo ficava na quadra C, fileira nº 10, sepultura nº 119.
Monumento Nacional aos Mortos na 2ª Guerra, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Foto: FEB.
Posteriormente, em 1960, os restos mortais de todos os pracinhas sepultados na Itália foram transferidos para o Monumento Nacional aos Mortos na 2ª Guerra, inaugurado em 5 de agosto daquele ano, no Parque do Flamengo, na Gávea, no Rio de Janeiro. Nele encontra-se o túmulo do soldado desconhecido, com a pira eterna, e o mausoléu com 468 jazigos.

Mausoléu de Clito Araújo no Monumento do Aterro do Flamengo, no RJ. Foto: Carlos Augusto Baião da Rosa.
Condecorações e homenagens
Clito Araújo foi agraciado com as Medalhas de Campanha, Sangue do Brasil e Cruz de Combate de 2ª Classe.
Medalha Sangue do Brasil. Reprodução wikipédia..
Medalha de Campanha. Reprodução wikipédia.
Medalha Cruz de Combate 2ª Classe. Reprodução wikipédia.
Clito Araújo é nome de via pública no centro histórico da cidade Juliana, (Travessa entre as ruas José Joahnny e Tenente Bessa, a rua das árvores como alguns a chamam).
Laguna também prestou homenagem a Clito Araújo com nome de uma via no centro histórico da cidade, além de um monumento.
No Rio de Janeiro, em Paciência, nosso herói também foi homenageado com nome de rua. Assim como no bairro Jardim Figueira, em Guarulhos, São Paulo.
Busto de Clito Araújo, na Praça do Ex-combatentes, na Laguna.
Em 1995, o 3º sgt Nilson Vasco Gondin, que exercia a presidência da Associação Nacional dos Veteranos da FEB-Seção Regional de Florianópolis (já falecido), e o lagunense José Paulo Fortunato Goulart, presidente da Liga de Defesa Nacional - Seção de Santa Catarina (também já falecido) constituíram uma comissão para angariar recursos para construir um monumento para homenagear o soldado expedicionário lagunense. 
Contaram com o apoio do prefeito da Laguna Nazil Bento Jr., do presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Pedro Bittencourt Neto, e do Tenente-Coronel Lincoln Ungaretti Branco, comandante do 63º Batalhão de Infantaria (BI) Fernando Machado.
Artista plástico Plínio Verani esculpe o busto do veterano morto em batalha na Itália, Clito Araújo. Foto: Nilson Vasco Gondin no livro "Liberdade escrita com sangue".
O monumento, com o busto de Clito Antônio de Araújo, obra do artista plástico catarinense Plínio Verani Júnior foi inaugurado em 17 de janeiro de 1996, na Praça do Expedicionário, situada entre a rua Calheiros da Graça e avenida Colombo Machado Salles, na Laguna.

Por mais terras que eu percorra...
Clito Antônio Araújo. Ele deu sua vida para salvar outros, em nome da democracia e da liberdade, lutando contra o nazifascismo.
Eis um verdadeiro herói lagunense, tão esquecido pelas novas gerações.

Na saída do Monumento Nacional aos Mortos da 2ª Guerra, no Aterro do Flamengo, no Rio, encontram-se os seguintes dizeres:

E enquanto subir os degraus rumo ao sol, certo de que na penumbra da cripta há mais luz do que no adro do Monumento, lembre-se de que aqueles homens, tão jovens e tão cheios de ardor pela Pátria, pela qual iriam morrer, cantavam esperançosos o estribilho da Canção do Expedicionário:

"Por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá, sem que leve por divisa, esse "V" que simboliza a vitória que virá".
***************

P S: O monumento em homenagem a Clito Araújo precisa de manutenção, assim como a própria Praça dos Expedicionários. Limpeza, pintura e um “banho” de cêra de carnaúba no busto de bronze urgente!
Alô, alô, prefeito. Alô, alô presidente da Fundação Lagunense de Cultura.

sábado, 7 de julho de 2018

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Todos pela Fernanda Eloase

Fernanda Eloase Chefer de Souza, 22 anos, é uma lagunense que precisa de nossa ajuda.
Ela foi diagnosticada com Epifisiolise bilateral.
É uma doença que se caracteriza pelo escorregamento da cabeça do fêmur na bacia.
Ela precisa realizar duas cirurgias a um custo de R$ 60 mil.
Bem por isso, amigos e familiares criaram uma “Vakinha virtual” para arrecadar esta quantia. Ela explica melhor o seu problema em seu depoimento no site.
Vamos colaborar, contribuindo com a Fernanda. 
Clique para ler mais e contribuir aqui:

Divagando sobre o Passado X Presente

Quando a realidade não está agradável, o presente não está muito bom no país, no estado, em nossa cidade, em nossas vidas, e as decepções são muitas e esperanças poucas, costumamos mergulhar no passado.
Vamos buscar momentos felizes, de fatos acontecidos que nos trouxeram alegrias, relembrando nomes que nos fizeram bem, em algum período de nossas trajetórias.
A idade também contribui muito para isso. Mas, por outro lado, há tanta gente nova por aí saudosa... como explicar?
Saudosismo é auto-defesa?
Dizem alguns especialistas no assunto, que esse saudosismo seria uma espécie de autodefesa do organismo psíquico, uma chave liga-desliga (hoje mais conhecida em inglês por power) momentânea, como uma espécie de retorno ao passado que nos repõe as energias, nos distancia de alguns odores putrefatos de "tenebrosas transações" políticas do presente, para continuarmos nossas tarefas atuais. Enfim, continuar respirando. E vivendo.
A memória seleciona e idealiza
Mas o passado é para ir e voltar. Há os que insistem em ficar por lá, se perdem e aí o perigo é passar a viver fora da realidade.
Osvaldo Rodrigues Cabral, nosso historiador, costumava dizer que “O passado é um bom lugar para se visitar, mas ninguém quer morar lá”.

Existe uma frase, que gosto muito, do personagem Pedro, no livro Aos meus amigos, de Maria Adelaide Amaral, que depois virou série na  Globo, lembra? Ela, a frase, diz:
Não sei se a gente tem saudade daquilo que realmente viveu, ou daquilo que pensou ter vivido, ou daquilo que desejou viver. A memória seleciona e idealiza”.

E não é bem isso? Quantas pessoas, fatos vividos, relacionamentos, experiências, lugares morados e visitados, passados os anos, na distância que tudo ameniza, tornamos hoje melhores, muito melhores do que realmente o foram?
Será que aquele namorado ou namorada, marido, esposa, amigo, amiga, foi tudo de bom realmente? Ou éramos nós que nos contentávamos com muito pouco? Será que na maioria das vezes não idealizado?
Às vezes só fica o bagaço. De ambas ou de todas as partes
Se pensarmos bem e melhor, se extrairmos a essência, o que sobra? O que pode ser aproveitado? Às vezes fica somente o bagaço, não é mesmo? De ambas ou de todas as partes.

Tenho também dúvidas naquelas expressões que a gente tanto ouve por aí, nas conversas, que afirmam que “antes era melhor”; “no meu tempo era diferente”; “a gente aproveitava mais”; "as festas eram melhores", “o pessoal era mais humano”; “havia verdadeiras amizades”.
É de se perguntar: era melhor mesmo? Era diferente? Aproveitava-se mais? Eram melhores? Eram mais humanos? Eram verdadeiras as amizades?
Será?

E há ainda – e aí penso ser uma espécie de masoquismo, só pode! – os que idealizam a miséria em que viviam. Verdadeiras Amélias a dizerem: “A gente não tinha nada, passava fome, mas era feliz”. Como feliz? Feliz? Uma ova! Duvido. Quer voltar?

Diz aí leitor, quer retornar a dormir com vários irmãos num quarto apertado? A não ter um lanche? A reaproveitar a roupa do mais velho? A andar remendado? A ter somente uma roupa e um sapato novos pra missa? Não ter uma moeda para a matinê de domingo no Cine Mussi? Ou para comer uma pipoca? Um chocolate ou um sorvete na Miscelânea? Comprar um gibi? Um pacote de figurinhas da Copa?
 Quer voltar quer?
Quer voltar a sonhar o ano inteiro com uma bola? A andar descalço ou com um chinelo velho por não poder ter um tênis? Que seja um mísero Kixute? Uma calça? Uma bicicleta? Uma boneca? Sonhar com um aparelho de TV? Um telefone? Um relógio? A comer galinha só no fim de semana. E se dizia que pobre só via galinha quando um dos dois estivesse doente. Churrasco era uma miragem, bicicleta ou automóvel uma utopia. E não faz tanto tempo assim, trinta, quarenta, cinquenta anos.
Quer voltar, quer? Verdade?

Diz aí minha senhora, quer voltar a lavar toda a roupa da filharada no tanque e passar com ferro à brasa? Cozinhar em fogão à lenha, soprando pra acender o fogo, em meio à fuligem? Quer viver grávida dez anos em vinte? Uma escadinha de filhos, sem o devido resguardo?
Quer voltar? Quer mesmo? Fala sério?

terça-feira, 3 de julho de 2018

Estádio Municipal (do LEC): da construção e auge, ao abandono

O sonho de possuir um Estádio Municipal de futebol era antigo no meio futebolístico da Laguna e região. Na década de 60, na zona urbana da cidade, a área onde se situava o campo do Lamego F. C. havia sido doada ao governo do estado e em seu lugar, em 20 de setembro de 1964, foi inaugurado o prédio do Conjunto Educacional (hoje Escola de Ensino Médio) Almirante Lamego.
O Estádio Municipal (do LEC) em sua etapa final, já murado e gramado, com arquibancadas metálicas instaladas. Vestuário, sanitários e alojamentos seriam construídos posteriormente.
Em 1975 também desaparecia o Estádio Nereu Ramos, do Barriga Verde F.C. Em seu lugar surgiu o ginásio de esportes Bertholdo Werner e o prédio do Centro Industrial de Profissionalização, depois chamado de Centro Interescolar Profissionalizante e por fim de Centro Interescolar de Primeiro Grau Antônio Bessa (CIP), onde nos dias atuais se encontra instalada a UDESC, depois de ali também ter funcionado o Colégio Comercial Lagunense (CCL).
Portanto, a construção de um estádio de futebol e a montagem de um time que pudesse representar o município em torneios intermunicipais e campeonatos estaduais era um desejo de tempos.

Mesmo antes das eleições municipais de 1976 se realizarem, muitos desportistas lagunenses, além de jornalistas e radialistas da cidade cobravam essa obra de políticos, administradores e candidatos à prefeitura. Que a incluíssem em seus planos de governo, que ela fosse uma das metas.
Os falecidos Wilson Figueiredo pela Rádio Garibaldi, e Silvio Silveira em sua coluna Folha Seca, no jornal Semanário de Notícias, reverberavam esse anseio, sempre clamando pela construção de um estádio. 


Surge o aterro do Alagamar
O aterro da área do Alagamar sendo executado.

O Aterro do Alagamar visto do alto do Morro da Glória com a área do estádio sendo preparada.
Mário José Remor, vencedor das eleições de 1976 tendo como vice João Gualberto Pereira, conseguiu com o engenheiro Aurélio Remor, diretor em Santa Catarina do então Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) o aterro de uma área no bairro Magalhães. No local poderia ser implantado um estádio de futebol, tendo ao seu derredor um centro esportivo multiuso, além de uma área para instalação de indústrias em função do porto pesqueiro e até mesmo um núcleo habitacional.

Mas o estádio de futebol teve que esperar ainda alguns meses para o início de suas obras. Prioridades na administração, como salários atrasados dos servidores, débitos a fornecedores, carências nas áreas sociais, de saúde e educação, além da manutenção da infraestrutura do município, clamavam mais urgência.

Discussão sobre o melhor local
Por muito tempo discutiu-se o local mais adequado para levantar o estádio. Havia quem, como Silvio Silveira, reivindicasse sua construção numa área ao lado da Casa da Esperança (Hoje Fundação Hermon).
Preparando a drenagem do campo. 
Em abril de 1979 finalmente o martelo foi batido e optou-se por fazê-lo na área recém-aterrada do Alagamar (hoje Vila Vitória) no bairro Magalhães. Com projeto de Jairo Duarte e levantamento topográfico de Antônio (Pirata) Duarte Filho, que eram funcionários da prefeitura, deu-se início a construção do Estádio (ou Centro Esportivo, como primeiramente foi denominado.

Em 1980 a construção, ocupando uma área de 10.612,00m2 andava a passos de tartaruga, porque bancada exclusivamente pelos cofres municipais. Procurava-se financiamento através do FAS, da Caixa Econômica Federal, mas o estabelecimento bancário negou o empréstimo por já ter financiado o Centro Social Urbano (CSU) do bairro Progresso.
O mandato ia expirando e parecia que o sonho do estádio de futebol teria que ficar para o próximo prefeito. Mas aí, naquele ano o Congresso Nacional votou e aprovou projeto do deputado por Goiás, Anísio de Souza (Arena) que prorrogava os mandatos municipais por mais dois anos.

Reunião confecciona estatutos e forma diretoria
Em 23 de maio de 1981, reunião na prefeitura tratou da formação de uma equipe básica de futebol de campo com a denominação de Laguna Esporte Clube (LEC), além de tratar da concretização do término da construção do estádio. Presentes, além do prefeito Mário José Remor, o vice, João Gualberto Pereira, o presidente da Câmara Antônio Pedro dos Santos (Nico Coelho), Igor Ivanov, Edir Cabral, Ibraim Abrahão, Silvio Sebastião Silveira, Wilson Figueiredo, Waldemar Manoel de Souza, Alberto Crippa, Nildo Ulysséa, Flávio Delgado, Júlio e Jairo Marcondes, Luiz Destre Napoleão e o presidente da Liga Amadora Lagunense (LAL), Itamar dos Santos, entre outros desportistas.
Ao final da reunião decidiu-se pelo início dos trabalhos de confecção dos estatutos e a nomeação de membros à primeira diretoria do LEC.

Oficialmente o LEC foi fundado em 13 de abril de 1982, sendo seu primeiro presidente João Batista Whendausen Moraes. Poucos sabem, mas o musicista Agenor dos Santos Bessa, em homenagem à criação do LEC compôs o hino da agremiação esportiva:

Hino do LEC
Para triunfar – Glória alcançar
Pé na bola firme pra chutar (bis)
E a vitória ostentar

Hip-hip-hurra – Esporte Clube Laguna
Vamos pra frente sem parar (bis)
 Que atrás vem gente querendo passar (bis)

Para se vencer – O time enaltecer
Haja resistência no pé (bis)
Vamos chutar com fé (bis)

O ex-goleiro integrante da seleção Uruguaia campeã da Copa do Mundo de 1950 e que também atuou pelo Internacional de Porto Alegre, Jorge Américo La Paz, aqui residente com a família acumularia, no início do processo, as funções de selecionador de atletas, técnico e administrador do Estádio Municipal. La Paz chegou a nossa cidade em 1951, casando-se com Wally Cook.

A estreia do LEC
Em 13 de junho de 1982 o LEC estreou e abriu o campeonato estadual de Amadores, vencendo o Guatá em seu campo, pelo placar de 2 X 0. O LEC jogou com Rodney, Escurinho, Chede, Anu e Gelson; Nortinho, Marquinhos e Ferrugem; Beto, Alemão e Sérgio. Reservas: Nelo, Cacá, Joãozinho, Marinho e Gil. Alterações: Teco no lugar de Marquinhos e Gil substituiu Beto. Técnico: Eraldo.

Uma semana depois, em 20, o LEC jogou em casa, estreando o estádio do LEC – ainda sem inauguração oficial - que se encontrava parcialmente em obras. Era uma tarde fria de domingo de vento sul. O jogo foi contra o Guarani de Palhoça e levou um grande número de torcedores ao estádio. O LEC venceu a partida por 3 X 2. O juiz foi Toquinho, de Lauro Müller, auxiliado pelos bandeiras lagunenses Gilson e Neném.
Numa partida com o Juventus F.C. de Jaraguá do Sul, em 7 de setembro de 1982, o goleiro Manga jogou de goleiro para o LEC, que ganhou de 2 X 0, gols de Anu e Chireia. Em pé: Almir Alves (Anu), Roxo, Nem Chede, Manga, Jacson e Itamir. Agachados: Chico, Nortinho, Chireia, Beto Laguna, Ferrugem e Serginho Iru.
O Time do LEC: Rodney, Escurinho, Anu, Chede, Gelson, Nortinho, Beto, Marquinhos, Alemão, Ferrugem e Serginho. Beto foi substituído por Gil. E Marquinhos por Jacques. Os três gols do time da Laguna foram de Serginho, Alemão e Ferrugem. Três meses depois, o LEC dava adeus ao campeonato, perdendo para o União de Criciúma, por 4 X 2.

Inauguração oficial do Estádio
No dia 29 de janeiro de 1983, finalmente o Centro Esportivo (Estádio Municipal) foi oficialmente inaugurado. Foi um sábado repleto de entregas de obras e a apenas três dias do prefeito Mário Remor deixar o governo.
Descerrando a placa de inauguração, prefeito Mário Remor juntamente com o diretor do então DNOS em Santa Catarina, engenheiro Aurélio Remor e o secretário estadual de Transportes e Obras, Grubba. De costas, Antônio de Pádua Heleodoro de Souza.
Toda a área do Estádio Municipal havia sido aterrada com o material retirado quando da retificação do leito do Rio Tubarão e Bacia de evolução do Porto, trabalho executado pelo DNOS. Depois o terreno foi nivelado e lastreado com milhares de m2 de barro. Além disso, foi executada a drenagem do gramado com centenas de tubos visando infiltração das águas pluviais.
O Estádio Municipal, todo murado, contava com vestuários e sanitários, bar, bilheterias, iluminação com refletores (doados pelo presidente da Celesc Paulo de Freitas Melro) para jogos noturnos e algumas arquibancadas metálicas.
Adib Abrahão Massih discursa na inauguração do estádio. Ao seu lado Terson Ubirajara dos Santos, o prefeito Mário José Remor e o ex-prefeito Venâncio Luiz Vieira.
Às 11h30m procedeu-se a inauguração com descerramento de placa e a realização de um torneio de abertura entre equipes de futebol amador de nossa cidade. E às 21 horas daquela noite, uma partida amistosa entre o Laguna Esporte Clube (LEC) e o Figueirense Futebol Clube, de Florianópolis, selou com chave de ouro a festa.

Transmissão ao vivo 
O jogo foi transmitido pelas duas emissoras de rádio da Laguna. Na Garibaldi a narração estava sob a responsabilidade de João de Souza Júnior, o Dão. Na Difusora o comando esportivo coube a Evilázio Silveira. Entre torcedores, jogadores, autoridades e público em geral, o prefeito Mário José Remor, idealizador do Estádio era o mais emocionado e o que mais recebia cumprimentos pela obra. 
O prefeito Mário, de boné, assiste à partida inaugural. Ao seu lado o presidente do Figueirense F.C. e logo após o então presidente da Associação Comercial da Laguna Edgar Pereira e seu filho Rodrigo Fernandes Pereira. Mais à direita o delegado de Polícia Péricles Faria.
Era presidente do LEC à ocasião, João Wendhausen Moraes, dedicado desportista, depois vereador. Mais tarde, com seu falecimento, o Estádio receberá seu nome. O placar foi de 0 x 0 e o destaque da partida foi o jogador Ferrugem que estava sendo contratado pelo Figueirense. O ponta direita do LEC, Carlos Alberto (Beto Laguna) Fernandes, também estava em períodos de testes no Figueirense, tendo no segundo tempo vestido a camisa do time da capital do estado.
O LEC à direita na foto, numa partida amistosa com o Fluminense (RJ). Pelo LEC, em pé: Chede, Almir (Anu) Alves, Edson Scott, Esquerdinha e Décio. Agachados: Rogério, Ferrugem, Gelson Luiz Pacheco (Bizorro), Serginho Irú, Tico Lira e Marcos Faria. Fluminense: Em pé: Paulo Vitor, Mauro, Ricardo Gomes, Jandir, Aldo e Branco. Agachados: Wilsinho sabonete, Chico, Maurinho, Leomir, Machado e Tato. Placar: 1 x 1. Gols de Tico Lira e Maurinho.
Curiosidade: A renda do jogo foi de Cr$ 587 mil cruzeiros, com uma despesa de Cr$ 487.600,00 (entre pagamento da quota ao Figueirense: Cr$ 195 mil, bicho dos jogadores do LEC: Cr$ 91 mil e a compra de chuteiras e meias, foguetes, telegramas, flâmulas, passagens, etc.). Lucro: Cr$ 99.400,00.

O surgimento do Alagamar e posteriormente a Vila Vitória
No início, além do estádio, somente um grande aterro despontava no local. Em 1993, na gestão do prefeito Jorge Tadeu Zanini, 36 famílias foram assentadas nas imediações do estádio, no então chamado aterro do Alagamar. Era o início, o embrião de um processo de assentamento, ocupação/doação/comercialização que durante os anos seguintes uniu alguns religiosos, lideranças políticas, movimentos sociais e poder público.
Com o passar do tempo os lotes foram regularizados, doados, comercializados, além de urbanizados, com calçamento nas principais ruas, iluminação, água, etc., além de construção de creche, ginásio de esportes, associações e estabelecimentos comerciais. Tornou-se a Vila Vitória, com uma população hoje residente girando em torno de 5 mil pessoas, mas com diversos problemas básicos de infraestrutura e socioeconômicos a resolver.
O estádio municipal do LEC ficou lá, isolado numa área densamente povoada, com algumas casas praticamente coladas ao muro que cerca o estádio.

A mais recente edificação construída no local, em abril de 2016, foi a estação de tratamento compacta de esgoto, levantada a poucos metros do estádio, em área cedida pelo Secretaria de Patrimônio da União (SPU) à Casan.
Vila Vitória hoje, densamente povoada. No lado direito o Estádio do LEC, com a Estação de Tratamento de Esgoto bem ao lado. Foto: Elvis Palma.
O abandono do Estádio
Já o abandono do estádio iniciou muito antes. A partir do fim da década de 80 começou o lento declínio do estádio municipal. O time do LEC deixou de existir. Sem jogos, sem participação em campeonatos, apenas alguns torneios com times amadores do município foram realizados no estádio.
Fotos atuais da atual situação do Estádio Municipal (do LEC).

A realização de shows em 1998 no local, num período de intensas chuvas, arruinou o campo e grande parte das instalações do estádio. O gramado, que já não era bom, ficou imprestável. As arquibancadas de concreto previstas para uma segunda etapa, nunca foram construídas. Em 2004 houve algumas reformas (gestão Adílcio Cadorin) realizada pela prefeitura. Depois novamente o abandono.
Fotos atuais do estádio do LEC.
A verdade é que sucessivas administrações da Laguna abandonaram por completo o estádio, sem maiores conservações e manutenções.  Nunca houve uma zeladoria.
Em 2012 (gestão Célio Antônio) o local foi cedido pela prefeitura para uma empreiteira instalar seus maquinários e equipamentos utilizados na instalação da rede coletora de esgoto do município. Foi a pá de cal que faltava no local que, desde então, completamente abandonado, se deteriora mais e mais com o passar do tempo e assim se encontra nos dias atuais, conforme demonstram as fotos feitas nesta segunda-feira. 
Até quando?