terça-feira, 24 de julho de 2018

A polêmica construção da primeira ponte ferroviária de Cabeçuda

Um fato curioso e polêmico que se perdeu nas brumas do tempo e da história, aconteceu em nossa cidade quando da construção da Estrada de Ferro Thereza Christina. Tudo por causa da não inclusão de um vão móvel na ponte Ferroviária de Cabeçuda para passagem de embarcações.
Os fatos a seguir narrados se deram no recuado ano de 1881.
A ponte Ferroviária de Cabeçuda em 1910. Acervo Marega.
Walter Zumblick diz em seu livro “Teresa Cristina A Ferrovia do Carvão”, que “Em 7 de março de 1876, organizou-se na praça de Londres uma companhia com o título “The Donna Thereza Christina Railway Company Limited”, que foi autorizada a funcionar no Brasil pelo Decreto nº 6.343, de 20 de setembro de 1876".
Em 18 de julho de 1882 pela primeira vez um trem percorreu o trajeto Imbituba-Laguna. E em 1º de setembro de 1884 a ferrovia foi inaugurada oficialmente.
Sem dúvida alguma a ferrovia deu uma propulsão extraordinária ao desenvolvimento, ao progresso da região sul e, em particular aos municípios de Imbituba, Laguna e Tubarão. A grandiosa obra também beneficiou todas as áreas que compunham as regiões de extração de mineração, situadas nas fraldas da Serra do Rio do Rastro.

Início da Estrada de Ferro
Numa correspondência publicada no jornal A Verdade, de 9 de janeiro de 1881 e endereçada ao ministro Buarque Macedo, dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, o engenheiro Fiscal da Estrada de Ferro, João Carlos Greenhalgh, comunica que em 18 de dezembro de 1880 foram iniciados oficialmente os trabalhos de construção da Estrada.
Anúncio da Estrada de Ferro no jornal A Verdade de
16 de janeiro de 1881, para compra de tábuas.
Os primeiros engenheiros ingleses com seus mapas e projetos chegaram a nossa região dez dias depois, em 28, conforme noticiou o jornal A Verdade, de 1º de janeiro de 1881.
Seus nomes: H. Gale (engenheiro-chefe), J.E. Hartley (engenheiro representante da companhia), Frederico Berry, Charles Perry, C. Roberts e F. Somers. Junto veio também James Perry, capitalista em Londres e contratador dos trabalhos da estrada, conforme informa o próprio jornal.

Os trabalhos da ferrovia começaram por Imbituba
Os serviços se davam a partir do porto de Imbituba (um simples trapiche que será melhorado e ampliado) local em que chegavam as ferragens, vagões e locomotivas. Uma estação e oficina também serão construídas por lá, então uma simples vila de pescadores. Já o escritório da “companhia”, como era denominado pelos habitantes, foi instalado na Laguna.  No auge da construção da ferrovia a Companhia chegou a contar com cerca de 500 empregados.
Conjuntamente com a indenização aos proprietários e preparação do terreno e colocação dos trilhos, passou-se a construção de uma ponte, ou viaduto, como era então chamado, na Cabeçuda, sobre o canal das Laranjeiras, na Lagoa Santo Antônio dos Anjos.
Obra arrojada, avançada para a época, "com os férreos pilares de pontas de chumbo encaracoladas à maneira de saca-rolhas gigantes que o sistema Mitchell enroscou no lodoso leito daquele mar parado".
Uma locomotiva passa exatamente no local onde foi instalado o vão móvel.
Acervo Museu Ferroviário de Tubarão.
A falta de um vão móvel na ponte gera a polêmica
Pois foi justamente a construção da ponte que gerou uma grande polêmica, inflamou a população lagunense, principalmente comerciantes, políticos, armadores, pescadores e pequenos agricultores.
O assunto ganhou as primeiras páginas dos jornais da cidade, debates acalorados na Câmara de vereadores, além de intensa troca de correspondência entre autoridades da nossa cidade, da Província, Governo Imperial e os engenheiros ingleses que projetaram e construíram a estrada de ferro.

A título de informação, João Rodrigues Chaves era presidente (governador) da Província de Santa Catarina; Francisco Fernandes Martins era o superintendente (prefeito) municipal da Laguna e Marcolino Cabral o presidente da Câmara de vereadores da Laguna.

Ponte foi paralisada em seu início
Com um comprimento de 1.480 metros, a construção da ponte foi iniciada com projeto, planos e ferragens confeccionadas na Inglaterra, mas logo foi paralisada.
Tudo porque se descobriu que no projeto não constava um vão móvel para a passagem de canoas e iates que diariamente faziam o percurso entre o centro da cidade e seu antigo porto e o norte de Cabeçuda, como as regiões de Pescaria Brava, Vila Nova, Mirim e Imaruí.
Os engenheiros ingleses defendiam que o vão móvel não era necessário, que a navegação que passava no local era de pouca importância, feita por canoas e um diminuto número de iates. Afirmavam também que se fossem modificadas as respectivas mastreações das embarcações elas poderiam continuar nos serviços de navegação, já que a ponte teria ficado com 4 metros de altura.
O representante da Companhia, engenheiro J. E. Hartley numa correspondência datada de 7 de abril de 1881 contestava o vão móvel:

“(...) Um vão móvel é sempre uma fonte de perigos para os trens que passam e rquer constante cuidado e vigilância para prevenir acidentes. A Companhia certamente objetaria colocar um vão móvel na Cabeçuda; principalmente ela construindo uma estação à margem da Lagoa a fim de favorecer as freguesias situadas na margem da Lagoa.
Julgo que há este tempo, uma grande parte do material metálico está encomendada para a ponte, na Inglaterra e qualquer mudança traria demora e aumentaria a despesa”.

O assunto fervia na Laguna
Enquanto isso a Laguna se mexia. Reuniões e mais reuniões. Protestos, discursos na Câmara. Nos cafés e bares do centro da cidade o assunto dominava em acalorados debates.
Em meados de maio (13) de 1881, uma correspondência (representação) com assinaturas “de cento e tantos comerciantes, lavradores e outros cidadãos residentes na Laguna” se mostravam contra a decisão de construir a ponte sem o vão móvel. O documento foi enviado às autoridades do estado e à capital do Império, o Rio de Janeiro.
E o caso vai assim se arrastando pelos meses seguintes, com as obras da ponte paradas até a nomeação pelo governo imperial do engenheiro Nicolau Viriato Chaves Barcellos para estudar detalhadamente o caso e dar um parecer.
Um iate com seus mastros passa sob a ponte, com seu vão móvel recolhido. Por causa
desse tipo de embarcação nas nossas lagoas, e que eram muitas, é que houve o protesto na Laguna.
Acervo Marega
Corte Imperial decide pelo vão móvel na ponte
Um mês depois, em 15 de junho, sai o resultado a favor do vão móvel e logo o governo imperial comunica a decisão. Há festa na Laguna, certamente com muitos fogos, como de praxe:

“À vista do parecer apresentado pelo engenheiro Viriato deve a ponte ser construída próximo às Laranjeiras na parte mais profunda do canal atual, tendo uma trave giratória de 20 metros de vão livre, sendo feita a parte fixa com as precisas precauções de modo a evitar a obstrução do mencionado canal, para dar franca entrada e saída às embarcações, respeitando-se assim os direitos adquiridos pela navegação local, como reclamaram a presidência desta Província, e a Câmara Municipal da cidade da Laguna, além de uma comissão de pessoas qualificadas desta Corte e grande número de habitantes da província, interessados na questão”.

Decisão pelo vão móvel é contestada
Mesmo após a decisão da Corte houve ainda protestos por parte dos engenheiros da Estrada de Ferro, tentando alterá-la. Em carta ao engenheiro Fiscal Greenhalgh, o engenheiro J.E. Hartley representante da Companhia contestou a decisão e argumentou:

"Peço sem demora para protestar contra esta decisão, e para informar a V.Sª que não posso aceitar por parte da Companhia a responsabilidade de empregar uma viga móvel nesse viaduto, a que querem obrigar de uma maneira tão arbitrária e contrária aos decretos em que foi baseada a concessão desta ferrovia, pelas razões seguintes:

1) Uma viga móvel n'um Viaduto de tamanho comprimento deverá sempre ser uma fonte de perigo.
2) A posição do Viaduto, situado como está n'uma estreita garganta diretamente exposta aos ventos prevalecentes, NE & SO obstará em muitas ocasiões trabalhar-se a viga móvel, e por consequência torna-se inútil quando for preciso.
3) O custo adicional será muito grande.
4) Em consequência da demora da construção que afetará a terminação dos trabalhos dentro do prazo estipulado, o Viaduto estando situado no 32º quilômetro, o transporte do material será necessariamente retardado.
5) Como o maior tráfego virá do distrito acima do viaduto é importante para os interesses da Companhia que não haja demora na abertura da porção da Linha entre Cabeçuda e Tubarão.
6) O material metálico está todo encomendado e está agora em viagem para aqui.
7) Impõe a Companhia uma despesa adicional de custeio, visto que instruídos e experimentados homens devem estar encarregados dia e noite.
8) A construção da ponte pode ser começada economicamente do lado de Laranjeiras onde se acha o canal, e a construção terá de ser parada até que desenhos estejam preparados pelo engenheiro Consultivo, aprovados pelo Governo do Brasil e devolvido à Europa, o mecanismo e material metálico fabricado e remetido para cá, trazendo um período de demora de perto de 12 meses, e neste ínterim sofrerão todos os trabalhos na porção da Linha acima.
Todas as demoras e despesa precedentes serão postas n'uma Companhia de estrada de ferro de não pequena importância, por nenhuma outra razão senão a de acomodar tão pequenos barcos como os que V.Sª já explicou a S. Exª e que usam essa via marítima.
Tenho a honra de pedir uma resposta com brevidade visto que os trabalhos deste Viaduto estão parados por ordem de V.Sª até que o novo plano possa ser preparado e aprovado".
Trem passando pela ponte, sobre o vão móvel. Museu Ferroviário Tubarão.
Navios com ferragens afundam em Imbituba
Conta o historiador Walter Zumblick em sua obra já mencionada, que “contra o vão fixo conspiravam, além do comércio da cidade, até as próprias forças da natureza!!”. E explica que os dois navios que traziam material da Inglaterra para a ferrovia, e em especial para a ponte,  por causa do forte vento nordeste foram à praia de Imbituba em 24 de outubro de 1881, com perda total. Chamavam-se J. Greaves e Pendle Hill.

O sistema mecânico do vão móvel ainda está lá
Enfim, o vão na ponte Ferroviária de Cabeçuda foi construído. Não de maneira giratório como sugerido pelo engenheiro Viriato, mas com outra solução técnica. Certamente não deram este gostinho ao engenheiro contratado pela Corte que deu seu parecer favorável ao vão móvel.
Aviso de 24 de junho de 1884,  portanto dois meses antes da inauguração Estrada de Ferro ,
assinado pelo representante da Companhia, fornecendo os dias e horários da abertura do vão móvel. 
O sistema funcionava assim: os trilhos e sua base também de ferro eram recolhidos por um sistema de engrenagens e manivelas a uma outra base fixa de pedras. Isso em determinados dias e horários para a passagem de embarcações, conforme demonstra o quadro acima.
O local e o mecanismo ainda estão lá na velha ponte Ferroviária de Cabeçuda, tombada pelo decreto municipal nº 34 de 3 de novembro de 1977. E podem ser observados, mesmo passados 137 anos de uma polêmica que agitou a população da cidade, as autoridades e os jornais e mexeu com os interesses econômicos e sociais de nossos antepassados.

sábado, 21 de julho de 2018

Laguna: Monumentos abandonados. Vergonha!

Veja o estado em que se encontram apenas dois - há mais - monumentos turísticos e históricos da nossa cidade, a Estátua de Nª Senhora da Glória e o Monumento de Tordesilhas:
 Fiz a foto da imagem da Glória no último domingo, acompanhando uns casais de amigos de fora que não a conheciam. Senti vergonha. Por mim e por Laguna!

Vários turistas que visitavam a cidade no local comentavam o desleixo com a estátua, completamente encardida, suja, precisando ser lavada e pintada. Um dos turistas num grupo até perguntou ao guia:
 -Não existe prefeito nesta cidade?

Pergunto: É assim que se quer fazer turismo na Laguna? Desta maneira? De que adianta participar de seminários, workshops, estandes, encontros, etc. se não fazem o básico? O arroz com feijão?

Antigamente dois ou três operários em andaimes faziam rapidamente o serviço. Agora ao que me parece precisa projeto, contratação de um firma especializada, licitação, enfim, deverá custar uma fortuna ao pobre do contribuinte. Ou vão também querer buscar verba junto ao governo estadual ou federal para isso?

Tordesilhas quebrado, sujo e às escuras
Já o Monumento de Tordesilhas além de sujo está quebrado em vários locais, além de necessitar de limpeza, placa e iluminação. As fotos abaixo são desta semana.
E o Monumento fica defronte ao prédio onde está situado agora novamente grande parte da prefeitura!!!  Local do gabinete do prefeito e do vice!!!
Ninguém olha lá de cima para o desleixo???



Alô, alô Fundação Lagunense de Cultura, alô, alô Secretaria de Turismo!!! Alô, alô prefeito Mauro Candemil!!! 

 Enquanto isso na vizinha cidade azul....

Tubarão vai implantar QR Codes em seus monumentos e espaços turísticos.
       
“O departamento de Turismo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da prefeitura de Tubarão está concluindo o processo de revitalização dos espaços públicos do município, com a colocação de placas de identificação, por meio da tecnologia QR Code”, diz a reportagem publicada neste sábado no jornal Notisul.

Com isso, diz o departamento de Turismo de Tubarão, qualquer pessoa poderá conhecer a história e as curiosidades sobre os monumentos que visita, ali mesmo no local, de forma instantânea, bastando para isso aproximar seu telefone celular, com conexão à internet, e realizar a leitura na plaquinha do QR Code.
O órgão de Turismo espera que até o fim da próxima semana os serviços estejam todos concluídos e os espaços públicos todos revitalizados.

Viram só? Lá, no organograma da prefeitura o turismo nem recebe status de secretaria, é departamento de Turismo, mas a tecnologia é de primeiro mundo, como em cidades da Europa. Parabéns povo de Tubarão.

E nós ainda aqui na Laguna dando milho aos pombos, pedindo limpeza e pintura aos nossos monumentos e pontos turísticos...

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Estreia o Programa “Recordar é viver”

Na próxima quinta-feira (19), estreia pela Rádio Laguna Web, das 16 às 18 horas, o programa “RECORDAR É VIVER”.
Apresentação de João Carlos Wilke e Domingos Carvalho da Rosa.
Convidado para este primeiro programa lá estarei para um bate-papo entre amigos.
Para sintonizar a Rádio Laguna Web e/ou dar o seu recado basta clicar aqui ou pelo Facebook

O telefone da emissora é (48) 99957-5359 (WhatsApp).

A gruta da Genoveva ou a Genoveva da gruta

Defronte à pequena Praia do Iró, na rua Luiz Severino Duarte, sobre um bloco de pedras, existe hoje uma pequena caverna conhecida pelos mais antigos como a gruta da Genoveva. Lembro que há 35, 40 anos, quando pescávamos no local em nossa turma, era ali que nos abrigávamos das chuvas repentinas.
O local em frente era dos mais piscosos, com seus mariscos e siris, que no recuo das ondas ficavam na areia ou nas reentrâncias das pedras, lá embaixo. Com um molinete muito papa-terra pesquei por ali, local perigoso onde qualquer escorregadela era fatal. Com o passar dos anos e recuo do mar, a prainha se formou e ficou um baixio. Em maré vazante hoje praticamente se atravessa a pé, defronte ao costão.

Dizem os mais antigos que antes da abertura da via que passa pelo local, existiu uma enorme caverna, em dois cômodos, cortada ao meio quando surgiu a estrada. Nela morou uma senhora franzina, que pedia esmolas pela cidade carregando sempre um ramalhete. E ouvi muitas estórias sobre ela, inclusive que teria sido uma feiticeira que preparava suas próprias poções numa grande panela de ferro.

O saudoso José Bessa, em seu livro Gente da minha terra - Memórias da Laguna, escreveu belo texto sobre a Genoveva da gruta. Nela, em licença poética, discorreu sobre quem teria sido a mulher. Sem dúvida daria um filme ou no mínimo um documentário.
Mas Bessa salienta, ao final, que gostaria que a história da Genoveva tivesse sido como ele narrou. “Mas, a realidade como a vida, na maioria das vezes é vazia, não oferece grandes lances”. Belas palavras e verdades de José Bessa.
Querem ler a citada crônica? É extensa para os padrões de hoje, mas linda. Pois aqui está:


 ******
A Genoveva da Gruta
Por José Bessa

A gruta ficava à beira da praia, nos rochedos do costão. Nessa época o mar vinha cá em cima, batia sobre a escarpa em rampa suave e subia, lambendo com a espuma branca o lajeado vermelho. Lá na ponta, os mariscos pretos, uma franja de limo verde. Depois o mar resolveu recuar, abandonando por completo suas visitas à encosta inclinada. Em cima como um comandante atento às atividades dos seus subordinados, ficava a gruta, uma enorme laje de pedra, com quatro a cinco metros de altura e uns vinte de comprimento, apoiada em alguns pontos sobre outros blocos de granito rosa-encarnado, fechado por trás, formando uma grande caverna.

Um pouco à esquerda abaixo, começa, ou terminava uma praia, deserta de casas e de gente, rica em peixe e frutos do mar. Sua imponência, de uma beleza rude e bruta, com areia fina e branca, cômoros que se deslocavam ao sabor dos ventos dominantes. Nas ventanias do nordeste que assobiava assustador entre as frestas da gruta, a praia e a encosta tornavam-se mais horrivelmente belas, na força do vento, na violência do mar, no passeio da areia seca, voando a pouca altura, castigando as pernas nuas das pessoas. A cada obstáculo se amontoavam. O paralelismo das ondas que se formam na quebrada da maré, com a espuma na crista que se desmancha na praia, ao longo daqueles quilômetros de extensão, numa monotonia que não cansa, sempre a despertar a curiosidade, como se repentinamente surgisse das profundezas do oceano o monstro Titã para devorar Andrômeda.

É a praia, mais as encostas escarpadas, sucedidas pelos morros verdes, para novamente voltar à restinga de areia bege.
É a solidão de quem não está só. Parece haver fantasmas familiares por toda parte nos acompanhando. É triste na sua imensa amplidão que nos farta de um sentimento de liberdade, gostosamente melancólico. Nada mais do que céu, mar e areia, mas parecem esconder surpresas que poderão surgir a qualquer momento; nos fala muito intimamente de fantasias sexuais, aventuras incríveis por acontecer.

Próximo, no alto do morro, onde hoje está um belíssimo hotel, havia uma casa para doentes contagiosos, conhecido como “Lazareto”. Era comum na época, os navios chegarem, trazendo portadores de males transmissíveis. Levavam imediatamente para serem ali isolados. Quem sabe, hoje, quantos fantasmas dormem naqueles ricos apartamentos?

Ilustração: Joris Marengo/Livro Gente da Minha Terra

A gruta lá está, impassível, dura, indiferente, como se perscrutasse a tudo e a todos. Não sente, não fala, mas, compõe magnificamente bem a paisagem. Dentro, mora uma mulher. Chama-se Genoveva, dando o nome ao local, a Gruta da Genoveva.
A natureza, caprichosa ou caridosamente, montou quarto e sala. Um espaço mais amplo na entrada e ao lado, meio escondido, um vão menor. No centro da sala uma pequena fogueira e atrás dela, com um olhar enigmático, a mulher, velha, enrugada de franzir o senho para enfrentar o vento salgado, bronzeada dos sóis de inverno e verão.
Sua origem, ninguém sabe, ela não conta.

Como pode viver ali? Ninguém se importa em saber. Vive de siris, mariscos e peixes, acompanhados quase sempre de pirão de farinha de mandioca e, quando possível uma xícara de café com um pedaço de pão seco. Algumas vezes esmola pela cidade, afastada uns cinco quilômetros, amparando-se na caridade alheia. Ao passar pela praça entra na igreja. Posta-se ereta, fecha os olhos numa atitude de quem está orando. Certa vez um cidadão muito carola, chamou-lhe a atenção rispidamente, mandando ajoelhar-se para rezar. Respondeu – e quem lhe disse que estou rezando de pé?

Nunca se soube de qualquer ato de banditismo praticado contra ela, vivendo naqueles ermos. Que se saiba possui duas poderosas armas de defesa: a lenda de ser uma poderosa feiticeira e um cheiro forte de restos de peixe, cascas e outros dejetos jogados por ali. Quando pela cidade, Genoveva exalava um cheiro agradável, mistura de ervas. Na verdade, há um córrego descendo o morro e passando próximo à gruta, possibilitando-lhe certa higiene e servindo para abastecer de água doce as suas panelas muito pretas, sobre o fogão no chão, próprias para um bom feitiço. Nunca se soube como ela resolvia suas necessidades fisiológicas.

A sua aparência não é das mais simpáticas. Mais alta do que baixa, magra, nariz avantajado, rosto fino, tez muito clara, cabelos lisos desalinhados e descuidados. Diziam que era inglesa ou descendente de ingleses e o seu verdadeiro nome, Jane. Quando moça, contavam, veio para o Brasil, casada com um engenheiro de minas, brasileiro, que esteve fazendo curso na Inglaterra. Morou muitos anos no sul do estado, onde o marido trabalhava em minas de carvão. Teve quatro lindas louras crianças, às quais dedicava toda a sua desambientação no país. Amava-as duas vezes: amor de mãe e de estrangeira que não se adaptou bem à nova terra. O marido compreendia o desajuste e tudo fazia para amenizar a situação.

Os tempos passaram e uma tragédia num choque entre o automóvel da família e o trem, deixou-a só no mundo. Não conseguiu reunir forças sequer para voltar ao seu país. Desesperada, fechou-se cada vez mais na sua desdita e foi perdendo aos poucos a razão. Quando avistava um grupo de crianças parecia recobrar o equilíbrio, para, em seguida, voltar à sua apatia. A companhia onde seu esposo havia trabalhado, foi até certo ponto condescendente e compreensiva, mas acabou tomando-lhe a casa destinada ao novo engenheiro que veio substituir o seu marido. A princípio pessoas caridosas a recolheram. Depois saiu vagando e desapareceu por muito tempo, ou quem sabe, para sempre.

Anos mais tarde surgiu aquela mulher na beira do mar, falando com certa dificuldade, com todas as características de uma estrangeira. Julgaram ser a inglesa. Esta suspeita se tornava quase certeza quando à vista de uma criança loura seu semblante se transformava, parecendo adquirir uma nova vida.

Os grupos escolares costumavam fazer piquenique na praia nos dias ensolarados de outono e primavera. Numa das vezes, o tempo quente convidava a um banho de mar e duas meninas com idade de dez anos, burlando a vigilância das mestras, entraram na água e foram colhidas por traiçoeira corrente. Uma agarrada à outra debatiam-se desesperadamente, enquanto apavoradas colegas e professoras, da praia a tudo assistiam impotentes. Chegaram a entrar no mar, mas sem coragem de enfrentar as ondas traiçoeiras.

Genoveva, de dentro de sua gruta foi alertada pelo alarido, pois, ainda, não havia percebido a presença da excursão. Exímia nadadora e profunda conhecedora das manhas do mar e suas correntes traiçoeiras, em poucos minutos alcançou as crianças e contornando a saída d’água, trouxe-as tranquilamente à praia. As pequenas não sofreram mais do que um grande susto.

O fato, muito comentado, tornou-se por demais conhecido. Genoveva perdeu o sossego. Passou a ser visitada com frequência. Os pais das jovens resgatadas mostraram muita gratidão, trazendo-lhe ajuda de toda espécie, mas, dali ela não quis sair. Sua vida mudou. O seu próprio drama já adormecido, como guardado nos compartimentos do seu cérebro, despertou, foi trazido para fora. A depressão aumentou. Seu ato heroico, que bem poderia ter melhorado suas condições de vida, ao contrário, deixou-a prostrada.

Naquelas bandas eram comuns os temporais de leste, a chamada lestada. São sete dias, no mínimo, de chuva com vento do mar que, ao final, se torna intermitente, enquanto as rajadas mudam constantemente de direção.
Foi durante um período desses, de chuva fina fustigada pelo vento forte que Genoveva desapareceu. Ao longo da costa, a dezenas de milhas de distância, fica uma ilha deserta. Há quem afirme que a viu nadando para lá.

A gruta ficou abandonada durante muitos anos, servia de refúgio para pescadores e excursionistas, até que um raio deslocou um dos apoios e a enorme laje ruiu fragorosamente, fazendo um tremendo estrondo. Ainda bem que não haviam pessoas no seu interior, abrigando-se da tempestade, o que era comum.
Com o progresso foi construído um belíssimo hotel nas proximidades do local onde ficava a gruta e com isto a necessidade de uma estrada de acesso em boas condições, cujo traçado cortou aquela laje que havia sido o teto da Genoveva, em forma de caixa e que ainda hoje pode ser vista em duas partes, com a rodovia ao meio.

Desapareceu parte da cena que abrigou uma grande dama, a ser verdadeira a identidade da Genoveva, a coincidir a sua loucura mansa com o desvairamento da inglesa Jane. Pouco restou do espaço onde viveu um cérebro ansioso por encontrar explicação para uma aparente injustiça dos Céus, a destruição de sua família.
Os homens, com o desenvolvimento, trocaram a beleza agreste pelo conjunto de instalações balneárias capaz de atrair turistas de todo o mundo e que sepultou para sempre as cinzas e o carvão que restou das fogueiras que mantinham aquecidas nas noites de inverno a Genoveva.

A verdadeira história de Genoveva é um pouco diferente. Ela era baixinha, andava sempre com um ramo de flores seguro nas duas mãos e completamente desequilibrada mental. Morava na gruta, isto sim. Gostava de rezar na igreja, é verdade. E é uma pena que a sua verdadeira vida não tenha sido a que foi contada antes. Assim eu preferia que fosse. Teria sido muito bonita, mais recheada de fatos. Mas, a realidade como a vida, na maioria das vezes é vazia, não oferece grandes lances. As únicas coisas que tornavam a Genoveva diferente era morar na gruta e ser demente. E assim fica muito triste!

Protestos pela morte de jovem em lombada

Jovem Rafael Nascimento, 20 anos, ao passar no início da madrugada de sábado por duas lombadas recém-instaladas na avenida Calistrato Müller Salles, perdeu o controle do veículo que dirigia, uma motocicleta Biz, caiu e se chocou com uma base de concreto na calçada, vindo a falecer.
Protestos e homenagem ao jovem Rafael.
No domingo, quando da passagem do translado para o sepultamento de Rafael, familiares e amigos do jovem realizaram homenagens a ele e protestos no local quanto à precária sinalização.

As lombadas foram instaladas na última sexta-feira à tarde (13) pela secretaria de Obras do município “atendendo ao pedido dos usuários da via e dos moradores da região” informou a prefeitura em nota publicada em seu site SOMENTE NO SÁBADO (14) pela manhã, após o falecimento de Rafael. Não houve pré-divulgação, um aviso, um alerta aos munícipes, sobre a construção da obra.
Operários executam a obra na sexta-feira (13). Foto Marco Bocão/Divulgação
Na tarde do mesmo sábado, operários pintaram com faixas na cor amarelo as duas lombadas, assim como outra lombada construída há mais de uma semana na avenida senador Gallotti, no Mar Grosso.

Que a família possa encontrar a paz e o conforto nesse momento de muita dor.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Clito Araújo: o soldado lagunense que não voltou

“Histórias são para sempre, mas só se você contá-las”.

De 6 de setembro de 1944 a 2 de maio de 1945, durante os 239 dias de combate dos soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, aconteceram 468 baixas, entre mortos e desaparecidos brasileiros.
Entre eles, o soldado lagunense Clito Antônio de Araújo, que integrava a 4ª Cia do 6º RI (Regimento de Infantaria Ypiranga), morto aos 24 anos.
O soldado Clito Araújo. Álbum de família. Acervo: Marega.
Clito Araújo nasceu na localidade de Siqueiro, na Laguna (hoje pertencente à Pescaria Brava), em 1920. Era filho de Antônio Ciríaco de Araújo e Fernandina Medeiros de Araújo.
Fez parte do 1º Escalão da FEB a embarcar para o teatro das operações na Itália, em 2 de julho de 1944, a bordo do navio general Mann.
Distintivo da FEB. A cobra vai fumar.
Seguiu viagem junto a outros companheiros lagunenses, como Ezio Pagani, Manoel Ismael da Silva, Waldemar Apolônio Antunes, Sadi Silva Ferminio, Jovino Salvador da Silva, Milton Fonseca, David Lemos, Manoel Moura de Jesus, Bernadino Vieira de Andrade, Antônio Juvêncio Corrêa e Valdiniro Abrahão Pereira (Xavante), entre outros.
Esse primeiro escalão brasileiro com 5.075 soldados desembarcaria em Nápoles em 16 de julho de 1944. O total efetivo chegaria a 25.334 participantes, com 956 soldados vindos do solo catarinense.

No front da guerra
Nos primeiros dias de novembro de 1944, os soldados da FEB são transferidos de Castelnuovo di Garfagnana para o front de guerra, no Vale do Rio Reno.
Nos Apeninos vão enfrentar o rigoroso inverno, com muita chuva, neve e depois lama, além de ataques contínuos dos alemães. Lutam contra a denominada Linha Gótica.
Mapa da Vitória na IIª Guerra, distribuído pelo Exército Brasileiro.
A fase compreendida entre 5 de novembro e 12 de dezembro de 1944 será conhecida como “Defensiva-Agressiva”, desenvolvida inteiramente no Vale do Reno. A intenção dos comandantes era a conquista de Bolonha antes do natal daquele ano. Tal não vai acontecer.  Somente no ano seguinte. A FEB atuará nesta região por mais de três meses, integrando o IV Corpo do Exército.
Neste período acontecerão as batalhas e as tomadas de Montese, Soprassasso e Monte Castelo. Lutarão contra a 148ª Divisão Panzer da Infantaria, até a completa rendição alemã.

A morte em batalha por estilhaços de granada
Conta-se que a morte em combate do pracinha lagunense, pertencente à Infantaria Brasileira, deu-se da seguinte forma:
Era para ser um “Golpe de mão”, assim chamado um assalto à trincheira inimiga para aprisionamento de soldados. Clito Araújo teria prosseguido em marcha na batalha em Marano, Itália, quando se viu sozinho, entre muita fumaça e tiros, no meio de um pelotão inimigo. Tinha avançado demasiado no terreno íngreme e escorregadio. Logo seria descoberto e sua morte era iminente.
Que fez? Teria detonado uma granada, pondo fim a sua vida e a dos inimigos ao seu redor. Com o silêncio no front, vários pracinhas brasileiros logo acorreram ao local, conquistando mais terreno na batalha travada.
Mas logo obtiveram a explicação acima para o ocorrido, reconhecendo então a coragem do lagunense Clito Antônio Araújo, com apenas 24 anos. Era o entardecer chuvoso do dia 13 de novembro de 1944. Quem contava essa história a este autor era outro pracinha lagunense, o veterano tenente Sadi Ferminio.

Moraes fala sobre o período de Defensiva-Agressiva
O general comandante da FEB J.B. Mascarenhas de Moraes, em suas memórias lembrando aquelas batalhas diz:

“Prematuramente aspirada para a linha de combate, a divisão brasileira distendeu-se numa frente da ordem de 15 quilômetros. Seu setor era tão devassado pelas alturas ocupadas pelo inimigo que o comando americano houve por bem instalar nessa região uma cortina de fumaça permanente, a fim de permitir os rápidos e indispensáveis movimentos na estrada nº 64, que liga Porreta a Bolonha e está implantada à margem do Reno. Inteiramente dominada pela contínua linha de alturas que vai de Belvedere a Castelnuovo, ficava esta estrada ao alcance eficiente de morteiros e até tiros diretos das armas automáticas instaladas nesses maciços montanhosos. Durante o período de Defensiva-Agressiva, o IV Corpo empreendeu algumas operações ofensivas. Dadas as deficiência e limitações já expostas, não poderia alcançar senão amargos reveses”.

Vasco Gondin, outro veterano da guerra, em seu livro de Memórias “Liberdade escrita com sangue”, sobre o primeiro revés dos brasileiros afirma:
“Assistíamos o avanço dos alemães, pedíamos barragens de artilharia, munição, alimentação, etc., e elas não vinham. Defendemos como podíamos com nossas armas, granadas de mão e alguns tiros de morteiro. Mas nada detinha o alemão, parecendo-nos um rolo compressor”. (...) “A luta chega ao corpo a corpo”.

Sepultamento
Os combatentes da FEB que pereceram na IIª Guerra Mundial foram primeiramente sepultados no cemitério militar de Pistóia (Itália). O jazigo de Clito Araújo ficava na quadra C, fileira nº 10, sepultura nº 119.
Monumento Nacional aos Mortos na 2ª Guerra, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Foto: FEB.
Posteriormente, em 1960, os restos mortais de todos os pracinhas sepultados na Itália foram transferidos para o Monumento Nacional aos Mortos na 2ª Guerra, inaugurado em 5 de agosto daquele ano, no Parque do Flamengo, na Gávea, no Rio de Janeiro. Nele encontra-se o túmulo do soldado desconhecido, com a pira eterna, e o mausoléu com 468 jazigos.

Condecorações e homenagens
Clito Araújo foi agraciado com as Medalhas de Campanha, Sangue do Brasil e Cruz de Combate de 2ª Classe.
Medalha Sangue do Brasil. Reprodução wikipédia..
Medalha de Campanha. Reprodução wikipédia.
Medalha Cruz de Combate 2ª Classe. Reprodução wikipédia.
Clito Araújo é nome de via pública no centro histórico da cidade Juliana, (Travessa entre as ruas José Joahnny e Tenente Bessa, a rua das árvores como alguns a chamam).
Laguna também prestou homenagem a Clito Araújo com nome de uma via no centro histórico da cidade, além de um monumento.
No Rio de Janeiro, em Paciência, nosso herói também foi homenageado com nome de rua. Assim como no bairro Jardim Figueira, em Guarulhos, São Paulo.
Busto de Clito Araújo, na Praça do Ex-combatentes, na Laguna.
Em 1995, o 3º sgt Nilson Vasco Gondin, que exercia a presidência da Associação Nacional dos Veteranos da FEB-Seção Regional de Florianópolis (já falecido), e o lagunense José Paulo Fortunato Goulart, presidente da Liga de Defesa Nacional - Seção de Santa Catarina (também já falecido) constituíram uma comissão para angariar recursos para construir um monumento para homenagear o soldado expedicionário lagunense. 
Contaram com o apoio do prefeito da Laguna Nazil Bento Jr., do presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Pedro Bittencourt Neto, e do Tenente-Coronel Lincoln Ungaretti Branco, comandante do 63º Batalhão de Infantaria (BI) Fernando Machado.
Artista plástico Plínio Verani esculpe o busto do veterano morto em batalha na Itália, Clito Araújo. Foto: Nilson Vasco Gondin no livro "Liberdade escrita com sangue".
O monumento, com o busto de Clito Antônio de Araújo, obra do artista plástico catarinense Plínio Verani Júnior foi inaugurado em 17 de janeiro de 1996, na Praça do Expedicionário, situada entre a rua Calheiros da Graça e avenida Colombo Machado Salles, na Laguna.

Por mais terras que eu percorra...
Clito Antônio Araújo. Ele deu sua vida para salvar outros, em nome da democracia e da liberdade, lutando contra o nazifascismo.
Eis um verdadeiro herói lagunense, tão esquecido pelas novas gerações.

Na saída do Monumento Nacional aos Mortos da 2ª Guerra, no Aterro do Flamengo, no Rio, encontram-se os seguintes dizeres:

E enquanto subir os degraus rumo ao sol, certo de que na penumbra da cripta há mais luz do que no adro do Monumento, lembre-se de que aqueles homens, tão jovens e tão cheios de ardor pela Pátria, pela qual iriam morrer, cantavam esperançosos o estribilho da Canção do Expedicionário:

"Por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá, sem que leve por divisa, esse "V" que simboliza a vitória que virá".
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P S: O monumento em homenagem a Clito Araújo precisa de manutenção, assim como a própria Praça dos Expedicionários. Limpeza, pintura e um “banho” de cêra de carnaúba no busto de bronze urgente!
Alô, alô, prefeito. Alô, alô presidente da Fundação Lagunense de Cultura.

sábado, 7 de julho de 2018

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Todos pela Fernanda Eloase

Fernanda Eloase Chefer de Souza, 22 anos, é uma lagunense que precisa de nossa ajuda.
Ela foi diagnosticada com Epifisiolise bilateral.
É uma doença que se caracteriza pelo escorregamento da cabeça do fêmur na bacia.
Ela precisa realizar duas cirurgias a um custo de R$ 60 mil.
Bem por isso, amigos e familiares criaram uma “Vakinha virtual” para arrecadar esta quantia. Ela explica melhor o seu problema em seu depoimento no site.
Vamos colaborar, contribuindo com a Fernanda. 
Clique para ler mais e contribuir aqui: