quarta-feira, 31 de julho de 2019

Praça Vidal Ramos - Jardim Calheiros da Graça

Nos primeiros anos do século XX, comerciantes, armadores e autoridades da Laguna se reuniram para dar uma nova cara à cidade.
Foi criada, em 14 de julho de 1907, por iniciativa de Ataliba Goulart Rollin e seu cunhado José Guimarães (Juca) Cabral, uma “Comissão de Aformoseamento” para sugestões, projetos e arrecadação de numerários para as futuras obras.
O Jardim Calheiros da Graça na década de 1960. Cartão Postal/Foto Bacha
Entre elas a construção do cais em granito, passeios, calçamento de ruas, iluminação elétrica, etc.
O Jardim Calheiros da Graça na década de vinte, ainda com o muro e cerca de proteção, que foram retirados em 1925. Observe o pequeno tamanho das palmeiras na esquina da rua Santo Antônio com XV de Novembro. À direita na foto, a bandeira do Clube Blondin tremulando em sua antiga sede, onde hoje se situa o escritório do Iphan.

Entre 1914 e 1915 organizam o Jardim Calheiros da Graça com chafariz, palmeiras e iluminação. O local é inaugurado em 25 de abril de 1915, juntamente com o chafariz, construído por Marcos Gazola.
O Jardim Calheiros da Graça entre as décadas de 1930/40.

A Praça recebeu o nome de Vidal Ramos e o Jardim foi batizado como Calheiros da Graça.
Vez por outra lemos por aí – inclusive em releases distribuídas à imprensa - certa confusão entre os dois.

O Jardim é Calheiros da Graça e a Praça é Vidal Ramos
O Jardim fica situado na Praça. Segue o exemplo de Florianópolis, onde o Jardim Oliveira Belo fica na Praça XV de Novembro.
Então, quando flores são plantadas, quando bancos são instalados eles os são no Jardim, que fica situado na Praça. Nunca ao contrário.

Até hoje não entendo a não instalação naquela área, por parte de gestores que se sucederam na Laguna, de placas/bustos com uma pequena biografia de cada um dos homenageados: Calheiros da Graça e Vidal Ramos.

Aqui vai minha contribuição, com um texto-resumo de cada um deles, além de duas fotografias. Quem sabe a Fundação Lagunense de Cultura ou a de Turismo, ou a Fundação Irmã Vera, que está promovendo melhoramentos naquele local, não encampe a ideia e instale duas placas em acrílico ou vidro estampando esse dois vultos de nossa história?

Quem foi Francisco Calheiros da Graça

O Capitão-Tenente Francisco Calheiros da Graça, secretário da Repartição Hidrográfica no Rio de Janeiro, foi um dos primeiros técnicos do nosso Porto.
No recuado ano de 1886 elaborou diversos estudos e plantas classificando a situação da barra da Laguna como privilegiada, realçando como a natureza foi pródiga para com a Laguna, dando dois morros como barreira natural e o paredão de pedras ao sul. Com relação a este afirmou: “Tudo deve ser feito para evitar que se afaste o canal do paredão de pedras”.

Em seus estudos, por exemplo, consta que o molhe norte deveria ser construído praticamente em direção à Ilha dos Lobos. Já quanto ao molhe sul este nem precisaria existir.
Foi contrariado em seus projetos e pareceres. E depois de anos, outros engenheiros assassinaram o nosso porto, construindo erroneamente os molhes em forma de tenaz.

O lagunense deu o nome, merecidamente, de Calheiros da Graça ao seu principal jardim, e também a uma rua situada ali na Paixão. O tempo provou que ele estava correto em seus estudos. Outros engenheiros que por aqui passaram sumiram na urina da história. Se tivessem seguido seus estudos e conselhos quanto à construção da barra bem provável que a história da Laguna poderia ser bem outra.

Calheiros da Graça serviu durante três anos na Guerra do Paraguai. Chegou a contra-almirante, cumprindo quase sempre missões científicas.

Foi um dos principais responsáveis pelo mapeamento do litoral do Brasil, por meio da determinação das posições geográficas exatas dos seus principais acidentes.
Como Primeiro-Tenente, acompanhou, na Corveta Vital de Oliveira, em 1873, as primeiras sondagens feitas para imersão do cabo submarino inglês, que ligaria nossas costas à Europa.
Orientou o levantamento e a elaboração de inúmeras cartas marítimas e plantas hidrográficas, e inventou um aparelho, o transferidor de sondas.

Nasceu em Maceió-AL, em 3 de julho de 1849 e faleceu na Baía de Jacuecanga-RJ, em 21 de janeiro de 1906, quando do desastre do Encouraçado Aquidabã.

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Quem foi Vidal José de Oliveira Ramos Júnior

Já quanto à Praça, recebeu a homenagem Vidal Ramos, governador de Santa Catarina de 1910 a 1914 e ainda hoje lembrado pela reorganização de ensino que promoveu em seu governo.

Vidal José de Oliveira Ramos Júnior (Lages, 24 de outubro de 1866 — Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 1954) foi um político brasileiro.
Nasceu em Lages. Filho de Vidal José de Oliveira Ramos e Júlia Ribeiro de Sousa Ramos, casado com Teresa Fiuza Ramos, de cuja união nasceram 14 filhos.
Dos filhos de seu matrimônio com D. Tereza, dois foram Governadores do Estado de Santa Catarina: Nereu de Oliveira Ramos e Celso Ramos.

Foi Intendente, Superintendente, Deputado e Senador da República, mas na política catarinense também foi Governador do Estado, uma vez no período de novembro de 1902 a 30 de outubro de 1905; e outra no período de 28 de setembro de 1910 a 28 de setembro de 1914, sucedendo Lauro Müller.

Vidal Ramos, por sua vez, não demoraria à frente do cargo, eleito, foi para Câmara Federal. Foi, então, Senador pelo mesmo Estado, de 1915 a 1929, na vaga de Felipe Schmidt, que se elegeu Governador.
Foi deputado à Assembleia Legislativa Provincial na 26ª legislatura, de 1886 a 1887, deputado estadual na 1ª legislatura, de 1894 a 1895, na 2ª legislatura, de 1896 a 1897, na 4ª legislatura, de 1901 a 1903. Foi deputado federal na 6ª legislatura, de 1906 a 1908, na 7ª legislatura, de 1909 a 1911, renunciando em 1910, na 13ª legislatura, de 1927 a 1929.

Em 1910, Vidal Ramos empreendeu não a reorganização da instrução pública do Estado, mas a sua verdadeira organização, em moldes científicos e atuantes. Para isto contratou uma comissão de professores paulistas que implantou um novo sistema que permitiu o posterior desenvolvimento da instrução pública. 

Foram criados, então os primeiros grupos escolares nas principais cidades do Estado, entre eles o nosso Grupo Escolar Jerônimo Coelho (inaugurado em 1912), enquanto a Escola Normal passava a formar professores que seriam disseminados por todo o território catarinense. Este é considerado o marco inicial de todo o progresso do setor educacional de Santa Catarina.
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Para ler mais sobre a Praça Vidal Ramos e Jardim Calheiros da Graça clique Aqui Aqui Aqui 

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Entrevista à Rádio Difusora

Nesta terça-feira (30/7) serei o entrevistado de Rafael Bicca, na Rádio Difusora da Laguna, a partir das 14 horas, Programa A Tarde é Nossa.
Vários serão os assuntos abordados, num bate-papo informal. 

Para sintonizar a emissora em seu rádio, no dial 91,5 FM. Pela internet aqui ou pelo Facebook. O telefone da rádio é o (48) 3644.0025
O Whatsapp (48) 98405-8251

Participe!

Veja e ouça aqui a entrevista:

Entrevista à Rádio Difusora da Laguna

Gente em Destaque

Lagunense Gustavo Tasso Borges Fernandes participou da 5ª Academia Canto, em Trancoso, na Bahia. De lá trouxe momentos inesquecíveis. "Pude aperfeiçoar minha técnica, além de conhecer outros profissionais do canto, pessoas incríveis. Gratidão ao Mozarteum Brasileiro pela brilhante iniciativa". Foto: Cauê Diniz.
Aniversariou no dia 23 de julho seus 90 anos e comemorou no último sábado (27) junto a familiares e amigos, com uma festa julina típica, Nelson (Dedinho) João de Souza. Nossos parabéns.
Aurora de Oliveira Remor e Carlos Eduardo Zukoski Remor. Almoço em família.
O lagunense Jorge Abrahão (de camisa bordô, ao centro) após 48 anos dedicados à Saúde Pública do Estado, lá em Florianópolis, agora vai curtir merecida aposentadoria. Fechou o ciclo com um café da manhã com seus colegas de trabalho.
Sônia Mara de Oliveira, proprietária da Sônia Boutique, sempre colaborando com a causa animal de nossa cidade.

Rosa Maria Ungaretti Branco, com as sobrinhas Mayara e Luana. Uma mulher guerreira que enfrenta às adversidades sempre com um sorriso. Muita luz.
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Toda segunda-feira GENTE EM DESTAQUE.


Parabéns Laguna pelos seus 343 anos

Homenagem dos artistas Gilson Ramos (Banda Sentapua), João Rodrigues (Banda Ave de Rapina) e deste Blog à Laguna em seu aniversário de 343 anos, neste dia 29 de julho de 2019, e ao seu fundador Domingos de Brito Peixoto:

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Mês de Julho sem Semana Cultural. Mais uma vez

Pelo segundo ano consecutivo não será realizada agora em julho a tradicional Semana Cultural da Laguna.
Este ano, mais uma vez, conforme anunciado no site da prefeitura, a data mudou para agosto e setembro, de 26 a 1º. A programação ainda não foi divulgada.

Todos sabem. Desde 1981, quando foi criada, a Semana era realizada anualmente e tradicionalmente de 23 a 29 de julho.

Intenção era aproveitar as férias escolares e promover um turismo cultural em nossa cidade, num mês frio e sem maiores atrativos, com a ociosidade da rede hoteleira, de restaurantes e bares.
Durante a "Semana" eram promovidas (e divulgadas antecipadamente) inúmeras atrações: exposições, gincanas, culinária, desfiles, bandas, danças, corais, teatros, culminando com o aniversário da cidade no dia 29 de julho, com corte de bolo, etc. 

Semana Cultural atravessou várias gestões
A Semana Cultural é uma tradição que desde o ano passado está se perdendo em sua data e realização. Foi criada em 1981, pelo prefeito Mário José Remor, com ideias e concepção de José Paulo Arantes, Salun Nacif e Abelardo Calil Bulos.

A Semana Cultural realizada sempre em julho atravessou algumas gestões, como as dos prefeitos Mário José Remor (1977-1982), João Gualberto Pereira (1983-1988), Nelson Abrahão Netto (1989-1992), Jorge Zanini/ Nazil Bento Jr. (1993-1996), João Gualberto Pereira (1997-2000), Adílcio Cadorin (2001-2004, Célio Antônio (2005-2012) e Everaldo dos Santos (2013-2016).

Frio, falta de público e férias escolares seriam os motivos para a mudança, diz prefeito
O prefeito Mauro Candemil alega que a modificação da data deve-se ao frio, pouca participação da população e férias escolares.
Se frio fosse problema ninguém subia serra. O ex-prefeito Cadorin realizava a Tomada da Laguna com frio e chuva. E a cidade lotava; pouca participação da sociedade deve-se à falta de maior divulgação e/ou fraqueza dos atrativos; e as férias escolares é justamente um dos motivos para realizá-la em julho. 
Muitos estudantes saem da Laguna, diz o prefeito. E as centenas, milhares que entram? Ou podem entrar? Esta semana, por exemplo, são várias as caravanas (excursões) de estudantes que circulam pela nossa cidade. Não se deve olhar somente por um viés.

Quebrando paradigmas
Já o secretário de Turismo, Evandro Flora alega que a modificação da data visa quebrar “paradigmas”.
Fico imaginando alguém propor alterar a data da Semana Farroupilha realizada em setembro lá no Rio Grande do Sul. Duvido que se quebre àquela tradição. Pode-se alegar que paradigma for. Não muda e pronto! Isso se chama tradicionalismo.

A alteração da data de realização da Semana Cultural, penso que modifica sobremaneira os objetivos de sua criação. E não vai aqui nenhum conservadorismo em minha opinião. É uma constatação de mais uma tradição que estamos perdendo.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Gente em Destaque

Lagunense brilha lá fora
A cientista Juliana Martins da Rosa, lagunense, (filha da professora Rosária Martins da Rosa e de Antônio Carlos Baião da Rosa, sobrinha do Carlos Augusto Baião da Rosa, não tem?), foi incorporada à Unidade de Investigação do Hospital Nacional de Paraplégicos, Centro Dependente do Serviço de Saúde de Castilha – La Mancha (Sescam), na Espanha.
Doutora Juliana Martins Rosa. Foto: El Digital CLM
O projeto que executará faz parte do Programa Horizonte 2020, da União Europeia, que estudará os efeitos provocados por uma lesão medular a nível do córtex cerebral. A duração dos estudos será de dois anos, com um financiamento de 175.000 euros.
Juliana Martins da Rosa é doutora pela Universidade Autônoma de Madri e já trabalhou em universidades internacionais de alto prestígio, como a Universidade de Cambridge (Reino Unido) e na Universidade da Califórnia, em Berkeley (EE.UU.).
Seu trabalho já foi reconhecido em prestigiadas publicações internacionais, como Neuron, Current Biology e Journal of Neuroscience, que lhe projetaram cientificamente como especialista em estudo de circuitos neuronal.
Nossos parabéns à cientista lagunense doutora Juliana, que brilha lá fora. E aos seus orgulhosos pais.

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Julho, mês de férias.
O pessoal sobe a serra catarinense ou gaúcha ou curte o litoral, reúne-se, saboreia almoços e conversas em família ou com os amigos.
Balneário Camboriú, Nova Veneza, Pomerode, Bento Gonçalves,  Gramado, Floripa... ou recepcionando aqui na Laguna. Recantos e encantos nossos ou tão perto da gente.
Maria Bernadete Fernandes Pereira (Dª Betinha), recepcionando na Laguna o irmão Dalton Fernandes com a esposa Vera de Carvalho Fernandes. Leitores assíduos deste Blog, lá em Porto Alegre. Aqui no Café Passado.

Zenite e João Lucindo com amigos, Cravo e esposa, Zilá e Vande Moreira. Só no esquenta na Serra Gaúcha. 
O conhecido Zé Calão (José Silva), ali do Magalhães, com filhas, genros, neto e o vereador Petterson Crippa, ao fundo, almoçando em Nova Veneza.

Avós corujas, Marilúcia Schiefler Lopes e Heraldo Joaquim com a neta Yasmin no aniversário dos 8 anos.
Tânia Barreiros com o filho Fernando  e a neta Valentina. Curtindo o Zoológico de Pomerode.

Luísa e Flávio Brandão Delgado curtindo o veranico de julho em Balneário Camboriú. Só no pedal.
Edésio Joaquim com a filha Grasiela. Conversa em família ao sabor de um bom vinho.
João Carlos Wilke e Marlei comemoraram o aniversário dela com almoço no restaurante Caiçara.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Liberada verba para restauração do Clube Congresso Lagunense

Com o objetivo de restaurar o patrimônio que integra o Centro Histórico da Laguna, o governo federal liberou R$ 1.247.780,84 por meio do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. O recurso será utilizado para a restauração do Clube Congresso Lagunense. 

A liberação da verba foi feita em reunião do Conselho Gestor do FDD, no último dia 11, e oficializada nesta quarta-feira (17), após publicação da ata da reunião no Diário Oficial da União (DOU). 

Clube Congresso Lagunense. Foto: Iphan/Divulgação
O clube foi tombado em 1985 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), assim como o Centro Histórico da Laguna, que reúne cerca de 600 imóveis.

O Iphan é a entidade vinculada ao Ministério da Cidadania responsável pela preservação e divulgação do patrimônio brasileiro. O ministro da Cidadania, Osmar Terra, destaca que o patrimônio é uma pauta prioritária do governo. “Coloquei como prioridade da minha gestão a recuperação e a preservação do patrimônio histórico. Com o restauro do Clube Congresso Lagunense, um prédio de muita importância simbólica para todo o conjunto arquitetônico do centro histórico de Laguna, nós damos mais um passo nesse sentido de preservar nossa memória, além de devolver à população um local de atividades sociais”, afirmou.

Estrategicamente inserido no contexto urbano da cidade, o Clube Congresso Lagunense encontra-se próximo a locais de relevante importância sociocultural, histórica e econômica para o município, como a Igreja matriz Santo Antônio dos Anjos, a Praça Vidal Ramos e a Casa de Anita. Ainda há em seu entorno prédios históricos atualmente utilizados para serviços públicos e comércio, todos dentro da poligonal de tombamento. A edificação é uma construção com características arquitetônicas do movimento eclético e, apesar de intervenções já realizadas, a edificação ainda conserva seus atributos.

O diretor-tesoureiro do Clube, Luiz Eduardo Ulysséa Rollin, destaca a integração do espaço – atualmente fechado – com a cidade: “É um clube centenário e aquilo ali faz parte da história da sociedade lagunense. Muitas festas, bailes de debutantes aconteceram ali. Então é necessário que esse clube volte à atividade, já está há cinco anos parado”.

A verba do governo federal será utilizada para uma reparação geral, ampliação e adaptação para acessibilidade. Serão reformados os banheiros masculinos e femininos, além de ampliados os espaços da cozinha e o depósito. Todo o clube será reformado para adequar o espaço destinado ao palco e aos camarins e para a construção de uma escada para acessar a torre da cúpula.

Raulino Horn com novo prazo para término. Será que agora vai?

Mais uma vez o prazo para conclusão da chamada Revitalização e Cabeamento da rua Raulino Horn foi prorrogado.
A obra, que iniciou em 6 de abril de 2015, já teve seu prazo de término alterado por diversas vezes, conforme anotação na placa. Se arrasta por mais de 4 anos.
Inicialmente o término foi previsto para 31/12/2015; depois alterado para 08/02/2018; depois estendido para 07/02/2019.
Desta vez, o fim dos trabalhos foi marcado para 31 de dezembro de 2019, portanto, daqui a 5 meses.

Segundo a secretária de Planejamento da prefeitura da Laguna, Silvania Cappua Barbosa "Na obra licitada em 2014, na gestão anterior, não estava prevista em momento algum a rede de telefonia, motivo pelo qual até hoje não foi concluída. Portanto, desde o início da nossa gestão temos trabalhado nessa documentação para conclusão. O projeto da rede de telefonia subterrânea sequer existia”, comenta Silvania, que elaborou um projeto, sendo aprovado pela empresa OI, detentora do sistema.

As intervenções do projeto, dentro do PAC das Cidades Históricas, abrangem a revitalização e o cabeamento no Largo do Rosário, ruas Raulino Horn, Jerônimo Coelho, 15 de Novembro e entorno da Praça Vidal Ramos (da matriz).


Após o cabeamento telefônico, estão previstas as retiradas dos postes, migração da rede de energia, telefônica e internet antigas para a nova, além de suas instalações nas edificações. Grande parte dos novos postes com luminárias já foi instalada, mas sem funcionamento.
Hoje, funcionários da empresa foram vistos abrindo galerias da rede subterrânea da rua Raulino Horn.
Será que agora vai?

Para ler matérias já publicadas sobre este assunto aqui no Blog, clique aqui e aqui

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Entrevista à Rádio Laguna Web

Nesta quinta-feira (18) estarei, das 18:00 às 19:00 horas, na Rádio Laguna Web, Programa Quitanda.
Apresentação de Ricardo Cardoso/João Carlos Wilke.

Convidado, lá estarei para um bate-papo entre amigos.

Para sintonizar a Rádio Laguna Web e/ou dar o seu recado basta clicar Aqui ou pelo Facebook
O telefone da emissora é (48) 99957-5359 (WhatsApp).

terça-feira, 16 de julho de 2019

Jardim Calheiros da Graça passa por revitalização

Fundação Irmã Vera, através de seu dinâmico presidente Valmor Pacher, vem promovendo a revitalização e paisagismo do Jardim Calheiros da Graça, na Praça Vidal Ramos.

Além de novos bancos em madeira que foram colocados em substituição aos antigos e quebrados, uma bancada em madeira foi instalada no círculo central. Nunca ninguém fez.
Além do mais, semana passada canteiros começaram a ser revitalizados com plantio de grama, mudas de árvores e flores, além de proteção em gradil.
Parabéns ao secretário. Gente que faz. Continue assim.

Ei, você leu bem leitor. Quem está promovendo esses serviços é a Fundação Irmã Vera, e não a Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama), ou a secretaria de Turismo, ou a secretarias de Planejamento ou a de Obras. Não é atividade meio da Fundação,  mas no vácuo de ações, alguém vem e preenche.

Duas sugestões, secretário Parker
Aliás, faço aqui duas sugestões ao secretário Valmor Pacher, já que ele está com boa vontade e se me permite. Execute-as e deixe seu nome gravado na história:
1)  Que tal uma placa em acrílico ou vidro com os nomes, fotos e uma pequena biografia dos homenageados daquele local, Calheiros da Graça e Vidal Ramos? O pedestal até já existe (foto) e pode ser aproveitado. Aí sim, lagunenses, estudantes e turistas saberão onde estão situados no Centro Histórico e quem foram esses vultos em nossa história.

2)  A Árvore de Anita secou, ficou somente no tronco, por causa do desleixo de gestões passadas. Um ponto turístico dos mais conhecidos, símbolo valioso de nossa história. 

Que tal replantar uma muda (e cuidar) de um filhote da Árvore que existe defronte ao Ceal?  Ou de outro filhote que existe no próprio Jardim?

Uma parte do tronco da atual poderia ser serrada e levada pro Museu Casa de Anita, para compor o acervo, com uma placa explicativa. 

Ou pelo menos que se estude a possibilidade de clonar a Árvore de Anita ou um estudo do seu DNA através do Laboratório de Produção Vegetal da Unisul, como foi feito com a chamada Rosa de Anita.

A Árvore de Anita, sabemos todos nós, nasceu na quilha do Seival, barco de Garibaldi. Depois a pequena muda foi transplantada para o Jardim, em 1921. Portanto há toda uma história, inclusive atestada pelos nossos historiadores e escritores.

PS: Se você quiser ler mais sobre a Árvore de Anita e o Jardim Calheiros da Graça que escrevi ao longo dos anos, clique aqui

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

Gente em Destaque

O sábado ensolarado foi movimentado na terrinha, no fim de semana. Presença de muita gente nas ruas, nos bares e restaurantes, e aproveitando o dia.

Na saborosa feijoada do Chedão no sábado, o “senadinho” estava animado, com plenário quase lotado. Aqui não tem recesso. Mas também não teve votação.
Destaque para Pedro Paulo Silva com a família, que veio de Floripa para aproveitar o fim de semana e saborear a feijoada do Chedão.

Graça Silva e Alberto (Beto) Prudêncio também deixaram a capital do estado e se fizeram presentes na deliciosa feijoada, além de reverem familiares e amigos.

 Laura e Caetano, os lindos filhos de Ana Paula Cittadin e Gean participaram da Festa Julina do Colégio Stella Maris.

Ex-prefeito (1989-1992) da Laguna Nelson Abrahão Neto e sua esposa Nilda após o almoço de sábado, curtiram momentos de sossego no Jardim Calheiros da Graça.

Maria Helena e Adacil, socialmente.

Equipe do Dízimo na Missa de ontem na Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos.
Terezinha, Lenira, Ivete, Jane e Salete, senhoras da nossa sociedade.


Maurício, Adriana Gomes e Joel Reis. Só sorrisos.
Eva Theodoro no fim de semana visitou o Santuário de Madre Paulina, em Nova Trento. Muita fé e orações.

PS: Agora toda segunda-feira,  GENTE EM DESTAQUE.


sexta-feira, 12 de julho de 2019

Juaci Ungaretti, um prefeito de visão

Nas eleições de 3 de outubro de 1965 foi eleito prefeito da Laguna, Juaci Ungaretti, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em coligação com o Partido Social Democrático (PSD). Uma gestão até hoje saudada como uma das melhores da Laguna. 

Dos episódios políticos que o marcaram, está a recepção aqui na Laguna a Carlos Lacerda, ex-governador da Guanabara, em viagem meio que incógnita de carro ao Uruguai em busca da formação da Frente Ampla com João Goulart, que lá se encontrava em sua fazenda. Uma foto (ver mais abaixo) registrou este momento histórico.
Dr. Juaci Ungaretti, ex-prefeito da Laguna. Foto: Márcio José Rodrigues.
Juaci Ungaretti disputou o cargo de prefeito numa eleição acirrada, polêmica, com Francisco Carlos Cabral Nunes, pela União Democrática Nacional (UDN), coligada com o Partido Democrático Cristão (PDC).
Assumiu como prefeito da Laguna em 31 de janeiro de 1966, governando até 31 de janeiro de 1970, quando passou o bastão de comando ao seu sucessor Saul Ulysséa Baião (Arena). 
Chegando para tomar posse como prefeito da Laguna, em 31 de janeiro de 1966, ao lado da esposa Lenice. Acervo João Carlos Wilke.
Vereador eleito Ângelo Machado, Juaci e esposa Lenice.
Presidente da Câmara de vereadores, Pompílio Pereira Bento, no exercício do cargo de prefeito, transmite o poder a Juaci Ungaretti.
Recepcionando o governador Ivo Silveira, juntamente com Norberto Ungaretti, e Armando Calil Bulos.
Juaci recebeu o cargo do presidente da Câmara em exercício no cargo de prefeito, Pompílio Pereira Bento.
Em encontro de prefeitos em Porto Alegre em 1966: Na segunda fila, da esquerda p/direita: Ataliba Azevedo, Juaci Ungaretti, Ronaldo Pinho Carneiro e o conhecido vereador Manoel José de Oliveira (Cazuza).
 Juaci é filho de Gil Ungaretti, nascido em 18 de agosto de 1892 e de dona Rosa Amantti Ungaretti. Juaci teve dois irmãos: Gilson e Gilsony (dª Sony).
Após o falecimento de sua primeira esposa dª Rosa, Gil Ungaretti casou-se em segunda núpcias com Otília Cabral Ulysséa, em 17 de outubro de 1931. Desta união nasceram os filhos Newton, Norberto, Edson e Heitor. Os dois últimos falecidos prematuramente.

O pai, Gil Ungaretti
Gil Ungaretti, progenitor de Juaci, era gaúcho do município de General Câmara. Cirurgião Dentista formado em 1923 pelo Instituto Polytécnico de Florianópolis. Em seguida veio residir na Laguna.
Dr. Gil Ungaretti. Álbum de família.
Cirurgiões dentistas de 1923. O Governador: Hercílio Luz. Diretor do Instituto: Dr. Ferreira Lima. Vice-diretor: Desembargador José Boiteux. Orador: lagunense J.P. Varella Júnior. Paraninfo: Dr. Achilles Gallotti. Nomes ilustres. Álbum de família.


Com a revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, Gil Ungaretti foi nomeado prefeito da Laguna pela Aliança Liberal, pela Junta Governativa que assumiu o estado.
Gil Ungaretti governou Laguna poucos dias, de 12 de outubro de 1930 a 28 do mesmo mês. Ficou no cargo somente até a vitória da revolução, onde o transmitiu para o Coronel José Fernandes Martins (Zeca Fernandes).
 Faleceu na Laguna em 26 de março de 1973. Hoje é nome de rua no bairro Esperança.
Consultório do dr. Gil Ungaretti. Álbum de família.
Juaci Ungaretti
Juaci Ungaretti nasceu em 23 de outubro de 1926, portanto, vai completar 93 anos em 2019.
Diploma de Odontologia de Juaci Ungaretti, em 1958, pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Santa Catarina. Álbum de família.
Graduou-se em Odontologia em 1958 pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Santa Catarina, vindo logo após exercer a mesma profissão de seu pai, em sua terra natal, Laguna.

Com os filhos Sérgio (e a nora Simone), Gil e Liliana; e netas.
Com a filha Jane.
Aqui casou com Lenice Martins e tiveram cinco filhos: Jane, Gil, Sérgio, Liliana e Juaci.
Na novena de Santo Antônio dos Anjos deste ano, como os filhos Juaci (Xará) e Gil. Foto: Elvis Palma

Com a neta Tatiana, seguindo a tradição familiar em Odontologia. Álbum de família.


Sua neta Tatiana Ungaretti formou-se em Odontologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, sendo assim a terceira geração da família na profissão. Possui clínica em nossa cidade.
Participando nas manifestações cívicas, pela democracia, contra a corrupção. Aqui Juaci com os filhos Liliana e Gil.
Foto:  Elvis Palma.
Uma gestão focada no turismo
Eleito prefeito da Laguna em 1965, desde o início Juaci Ungaretti implementou uma gestão baseada no desenvolvimento turístico da Laguna, planejando o futuro econômico e social do município nesta área. Percebeu antecipadamente, quando nem se falava nisso por aqui, o potencial turístico futuro da Laguna.
Juaci recepciona o governador Ivo Silveira, acompanhado do secretário estadual (sem pasta), Armando Calil. Acervo João Carlos Wilke
Criou uma política de incentivo fiscal a empresários que quisessem investir principalmente no desenvolvimento do Balneário Mar Grosso, então um local bucólico, deserto e sem qualquer tipo de empreendimento comercial.
Abriu e calçou as primeiras vias daquele bairro, entre elas as ruas Tubarão e Criciúma. Juaci diz:
"Quando assumi a prefeitura tinha apenas dois caminhões velhos. Quando deixei, entreguei 13 viaturas, inclusive ambulância e máquinas rodoviárias".
Carnaval de 1966, primeiro ano de sua administração. Um carnaval colorido e iluminado na ornamentação. Rua XV de Novembro.
Foto: João Carlos Wilke.
O radialista João Carlos Wilke lembra que Juaci seguiu os passos do prefeito Dr. Walmor de Oliveira, aliás, ambos do mesmo partido, o PTB, sendo criativo, progressista, dinâmico e esforçado. 

“Foi um prefeito participativo, de personalidade forte, com visão. Administrou Laguna com seriedade, um abnegado pelo que fazia. Além da pavimentação de inúmeras ruas deu ênfase ao turismo, ao carnaval. O destaque da festa se dava com a ornamentação e iluminação das ruas onde aconteciam os desfiles. Marcou muito aos foliões a ornamentação em losangos e a iluminação”, ressalta Wilke.

Os pioneiros hotéis da Laguna
Continuando em sua luta para criar os primeiros passos no turismo em nossa terra, Juaci criou a infraestrutura adequada, sedimentando os alicerces empresariais, numa época em que o turismo dava os primeiros passos.

Hotel Renascença
Em meados de 1968, numa reunião na Associação Comercial da Laguna, lançou um desafio aos comerciantes da nossa cidade: que em sociedade construíssem um hotel para impulsionar o desenvolvimento turístico.
O pioneiro hotel no Mar Grosso foi o Balneário Hotel, de Paulo Calil, que não mais existia.

Seis comerciantes toparam o desafio e em 30 de setembro de 1968 iniciaram a construção de um empreendimento.
Em 20 de dezembro de 1969 era inaugurado o Hotel Renascença, nome sugerido pelo próprio prefeito. Em seu discurso à época, Juaci disse que acreditava que a inauguração do hotel seria o início do renascimento da Laguna, o pontapé inaugural do desenvolvimento turístico da nossa terra.

Ravena Cassino Hotel
Depois de inaugurado o Hotel Renascença, o prefeito Juaci Ungaretti foi buscar a continuidade da construção do Ravena Cassino Hotel.

Bem por isso, buscou alguns empresários, entre eles Antônio Chede, lá em Curitiba. O empreendimento estava completamente parado, inconcluso, no “esqueleto”, há muitos anos.
O "esqueleto" do Hotel Ravena, ao fundo. Onde estão estacionados esses automóveis é a futura rua Tubarão, antigo calçadão.
Após muitas negociações, Nico Chede  adquiriu as cotas de diversos sócios da empresa, formada alguns anos antes com aquela finalidade, tornando-se único proprietário do empreendimento. Finaliza as obras e o inaugura.
Juaci Ungaretti na inauguração do Ravena Cassino Hotel, juntamente com o proprietário Antônio Chede e o padre Vendelino Schlikmann. Acervo João Carlos Wilke.
Mar Grosso Hotel e Laguna Palace Hotel
Foi através do incentivo de Juaci que os irmãos Machado de Souza -Ângelo e Amaury- construíram nos anos seguintes os hotéis Mar Grosso e Laguna Palace Hotel, respectivamente.

Participação na sociedade
Juaci Ungarettti sempre é lembrado também pelo incentivo que deu ao carnaval de blocos, clubes e Escolas de Samba, além da ornamentação das ruas do Centro Histórico para o desfile. Promoveu na mídia do Brasil, a nossa tradicional festa.
Foi fundador do então Clube dos 100 (hoje Laguna Praia Clube) e do Iate Clube da Laguna, onde foi Comodoro em duas oportunidades.
Foi chefe do Posto de Atendimento Médico (PAM, ex-Inamps), e da Unidade Central de Saúde (situada em frente à Carioca).
Foi integrante de várias diretorias de Sociedades de nossa cidade, entre elas o Clube 3 de Maio, Praia Clube, Iate Clube e Sociedade Musical União dos Artistas.
Pela lei nº 14/1969, de 19 de agosto de 1969, criou a Biblioteca Professor Romeu Ulysséa, mas somente instalada em 29 de maio de 1980, na gestão do prefeito Mário José Remor.
É diplomado pela Escola Superior de Guerra (Adesg) e foi professor do Colégio Comercial Lagunense (CCL).

Na política, fundador do PTB e MDB da Laguna
Juaci era filiado ao PTB, partido em que se elegeu prefeito da Laguna. Com a criação pelo regime militar do bipartidarismo (Aliança Renovadora Nacional (Arena) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB) pelo Ato Institucional (AI nº 2 - em seu Ato Complementar 4, de 20 novembro de 1965), Juaci se filiou ao MDB, partido em que foi um dos fundadores em nosso município e estado.

Quem primeiro presidiu o MDB em Santa Catarina foi Doutel de Andrade, secretariado por José de Miranda Ramos.
Entre os fundadores no estado podemos destacar:
Pedro Ivo Campos (Joinville), Evelásio Vieira (Blumenau), Delfin Peixoto Filho (Itajaí), Genir Destri (Chapecó), Juaci Ungaretti (Laguna), Nilo Belo (Tubarão), Manoel Dias (Içara), Lírio Rosso e Walmor de Lucca (Criciúma), Carlos Buechle (Concórdia), Lourenço Brancher (Capinzal), Ivo Knoll (Rio do Sul), Luiz Müller (Ibirama), Paulo Macarini (Joaçaba), Lauro Vieira Brito (Tijucas) e Nilo Freitas (Indaial).

Eleições
Nas eleições municipais de 1972, os ex-prefeitos, Juaci pelo MDB 1 e Walmor de Oliveira pelo MDB 2 foram candidatos novamente à prefeitura; assim como Lino Mattos pela Arena 1 e Francisco de Assis Soares pela Arena 2. Assis Soares foi eleito prefeito da Laguna com 5.627 votos. O MDB recebeu nas duas chapas 3.780 votos.

Nas eleições municipais de 1976, Juaci Ungaretti novamente concorreu ao cargo de prefeito pelo MDB. Mas o ex-prefeito relembra que o partido estava desestruturado e fazia apenas seu papel de oposição. “Algumas lideranças se destacavam, mas faltava principalmente respaldo financeiro para manter uma campanha até o seu final”, pontua. O slogan de campanha era “Um olhar sobre Laguna”.
Além disso, o momento estava confuso. O vice de Juaci primeiramente foi Itamar Duarte Nunes, que depois renunciou. Em nova convenção assumiu em seu lugar José Nazareno Duarte (Pisca). Era a chapa 1. Já na chapa 2 Alda Crippa Ribeiro era cabeça de chapa, tendo como vice Ido Severino Duarte, que era também vice de Antenor Machado, na chapa 3. 
Uma confusão. A legislação da época  assim o permitia, com todos os casuísmos e artifícios para acomodar políticos rivais e de várias correntes em apenas duas agremiações partidárias.

A Arena, com Mário José Remor e João Gualberto Pereira foi a vencedora, recebendo 6.841 votos; enquanto o MDB com Juaci e Nazareno recebeu 3.633 votos.
Da esquerda p/direita: os ex-prefeitos da Laguna Juaci Ungaretti, Saul Ulysséa Baião, Mário José Remor, ex-governador Colombo Machado Salles, ex-prefeitos João Gualberto Pereira, Célio Antônio, e o desembargador aposentado Norberto Ungaretti, no Clube Congresso Lagunense, em 2004, quando do lançamento do livro "Laguna Memória Histórica", de Ruben Ulysséa, organizado pelo seu filho Rogério Ulysséa. Foto: Valmir Guedes Jr.

O dia em que Carlos Lacerda esteve na Laguna
Carlos Lacerda foi jornalista, membro da União Democrática Nacional (UDN). Havia sido vereador, deputado federal e governador do então estado da Guanabara (1960-65). Era proprietário do jornal Tribuna da Imprensa e orador dos mais contundentes.
Fez severa oposição a Getúlio Vargas, unindo-se a militares intervencionistas. Participou também, junto a militares e à direita udenista, para impedir a eleição e posse do presidente Juscelino Kubitschek e seu vice João Goulart.
Atacou também o presidente Jânio Quadros pelo rádio, jornal e televisão, em 24 de agosto de 1961. Jânio Quadro renunciou no dia seguinte.
Recepcionando o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, em viagem de automóvel ao Uruguai em busca da consolidação da Frente Ampla com João Goulart. Acervo Valmir Guedes Jr. /Foto Bacha.
Governador da Guanabara, foi um dos principais articuladores civis do regime militar que se instalou a partir de 1964 e derrubou o presidente João Goulart. Esperava ser candidato a presidente em 1965, em eleições democráticas. Com a prorrogação do mandato do presidente Castelo Branco, viu seu sonho desmanchar-se, voltando-se por isso contra o regime instalado.

Em novembro de 1966 lançou a chamada Frente Ampla, um movimento de resistência ao regime militar, aliado aos seus antigos opositores, os ex-presidentes Juscelino e João Goulart.
Em meados de 1968 ia de automóvel do Rio de Janeiro para o Uruguai, ao encontro de João Goulart quando passou por Laguna, meio que incógnito. Em abril daquele ano o governo já havia proibido todas as atividades da Frente Ampla.

O ex-prefeito Juaci relembra o encontro:
“Eu estava no meu gabinete na prefeitura quando alguém veio me avisar que Carlos Lacerda estava passando pela nossa cidade, naquele momento visitando o Museu Anita Garibaldi. Imediatamente o convidei para uma visita à prefeitura e ele prontamente aceitou. Conversamos quase meia hora e ele me falou sobre a formação da Frente Ampla, sobre sua desilusão com o regime instalado. Me disse também que estava indo de carro até o Uruguai para se encontrar com Jango, que lá estava morando em sua fazenda. Jango havia sido do meu partido, o PTB, mas naquela ocasião eu já estava no MDB, devido ao bipartidarismo criado em 1966. Nos despedimos e Lacerda seguiu viagem.
No final daquele ano soube pela imprensa que ele havia sido cassado e preso. Lembro que quem fez a nossa foto foi o Ibrahim Bacha, chamado às pressas por algum assessor da prefeitura. Só ele e seu pai Almiro tinham máquinas fotográficas. É uma foto que considero histórica. Posamos sentados num sofá, na verdade um banco do meu gabinete, onde conversamos. A prefeitura funcionava ali em cima do Mercado Público”.

O radialista João Carlos Wilke conta que estava descendo as escadas da prefeitura quando se deparou com Carlos Lacerda que subia sozinho. “Na hora nem acreditei que era ele, como eu ia imaginar. Mas o reconheci, era forte, alto. Seu motorista, que acho que também fazia o papel de segurança ficou com o carro estacionado bem em frente, era um Dodge Dart, daqueles enormes. Fosse hoje eu o entrevistaria e o fotografaria na hora”.

Em 13 de dezembro daquele mesmo ano, após o AI 5, Carlos Lacerda foi preso e teve seus direitos políticos suspensos por dez anos. Era o fim da sonhada Frente Ampla. Solto após uma semana de greve de fome, viajou para o exterior, voltou a trabalhar como jornalista e também na editora Nova Fronteira, que havia fundado em 1965.
Lacerda vai falecer em maio de 1977 por problemas cardíacos. A proximidade das mortes dos três líderes da Frente Ampla (Lacerda, Juscelino e Jango) levantou teorias conspiratórias, que nunca foram comprovadas.