28 novembro 2025

A Viagem de D. Pedro I à Laguna

 

Em 2012, em pesquisas sobre Laguna, descobri num parágrafo de um pequeno folheto editado pelo nosso historiador Oswaldo Rodrigues Cabral, a informação preciosa que D. Pedro I havia passado por Laguna, aqui pernoitado e assistido uma missa em nossa matriz em 1826.
Um fato histórico até então desconhecido do grande público, de escritores, pesquisadores, jornalistas, professores e alunos de história. 
Ou seja: a passagem por essa região de um vulto da família imperial, história nunca abordada pela imprensa lagunense dos séculos XIX e XX.
Fui em busca de maiores dados e pude assim escrever a matéria que publiquei em meu Blog em 7 de setembro de 2012, lá se vão treze anos. Na época ninguém deu maior importância. Aqui

Eis uma passagem histórica que merece sim! ser registrada e entrar para o nosso calendário histórico-turístico-cultural, inclusive com encenações teatrais (como ocorre neste sábado), cavalgadas, palestras, etc.

A avenidas Costa Carneiro e Lucas Bicalho não existiam no século XIX e primeiras décadas do XX

   Só um importante detalhe: 
  Em 1826 não existiam as ruas Costa Carneiro e Lucas Bicalho. Logo, D. Pedro I não pode ter passado ou chegado ao centro da cidade cavalgando por ali.
   E não sou eu que estou dizendo que as vias públicas não existiam, mas sim Saul Ulysséa em seu livro A Laguna de 1880, quando diz textualmente na página 63 se referindo ao Mar Grosso:
     “NÃO HAVIA AS AVENIDAS COSTA CARNEIRO E BICALHO”.

E aí leitor, se não existiam essas ruas em 1880, data-base referência da obra de Ulysséa, imaginem em 1826! Mais de cinquenta anos antes.
A Costa Carneiro foi inaugurada em 1919 e a Lucas Bicalho em fins da década de 1920.
Depois, já na década de 1960, foi aberta a rua Luiz Severino Duarte (curvas do Iró), com o fechamento e desaparecimento da Lucas Bicalho para construção do Laguna Tourist Hotel.
Mas, como tudo hoje são narrativas...
 
E como se chegava à Laguna?
No século XIX chegava-se à Laguna, é óbvio, pelo mar, a bordo de navios e barcos. Ou pelo Norte, através de picadas, trilhas e cavalgando pelas areias das praias.
Por exemplo, o viajante vinha de Desterro e ao chegar ao costão do Iró com seu alto paredão de pedras de granito rosado, costeava esse costão pela franja do morro em direção à rua Almirante Lamego, no Campo de Fora, saindo depois já no centro da cidade.
Bem por isso a Estação da Estrada de Ferro foi construída em 1880 e inaugurada em 1º de setembro de 1884, bem ao lado de um Sambaqui existente então chamado Caeira.
Era a única passagem, já que toda a extensão ao lado, em direção aos hoje bairros Progresso e Portinho, eram lagoas profundas (mar) e cômoros de areia perigosos ao viajante. Intransitável.

Dois viajantes contam suas chegadas à Laguna por terra no século XIX
Esse foi o trajeto que o viajante Auguste de Saint-Hilaire fez em 1820 quando passou por nossa cidade (então Vila), vindo de Desterro:
Passamos paralelo ao Morro da Laguna e chegamos à Laguna à margem leste da lagoa também desse nome,” registrou ele em seu diário.

Outro viajante Roberto Avé-Lallemant que aqui passou em 1858 disse:
“Afinal, pareceu terminar então nossa cavalgada. Um dorso da montanha nos obrigou a abandonar a costa e a andar mais uma légua sobre areia. Depois, subitamente, defrontou-se-nos Laguna, com a sua larga baía e, minutos depois, era eu amavelmente recebido pelo Dr. Vieira, primeiro magistrado da pequena cidade”.

5 comentários:

  1. Geraldo de Jesus28/11/2025, 22:43

    Valmir, já ouvisse a expressão "papagaio come milho periquito leva a fama"? Pois é...

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  2. Edison de Andrade28/11/2025, 23:22

    Bem que eu estranhei numa matéria que li no Agora Laguna, d. Pedro I ter passado por essas ruas, pelo morro. Vai ter encenação não é? História tem que ser a mais verdadeira possível, não se pode inventar fatos.

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  3. Valmir, se quem pede é atendido e quem procura acha, quem pesquisa faz mais que isso, pois além de achar, de encontrar, desvenda e compartilha. Parabéns pela revelação de agora, não tão recente assim, como outrora por ti já publicada, e de grande valia para o acervo histórico lagunense. Abraço

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  4. Muito obrigada por nos apresentar uma parte de nossa história, até então desconhecida. Creio que ainda exista mais... Fatima ( por enquanto Blumenau).

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  5. Valmir, Laguna dá importância e valoriza forasteiros, doutores. Prata da casa é renegado. A tal história do chupim que bota ovo no ninho do vira-bosta, conhece né?

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