segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Nota de falecimento+

Faleceu na noite deste domingo, por volta das 19 horas, vítima de enfarte, enquanto dormia, Paulo Canhola, o “Palomba”, aos 77 anos. Figura das mais conhecidas, ligada aos meios futebolísticos.
Corpo está sendo velado na sala mortuária da funerária Central de Luto Cristo Rei, ao lado do Ceal e sepultamento vai ocorrer às 16 horas no cemitério municipal.
Nossos sentimentos aos familiares e amigos, principalmente a esposa Leila (Lita). Lá se vai o seu "papai".

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Paulo Canhola, o “Palomba”
Uma das memórias do nosso futebol, principalmente dos jogos locais dos áureos tempos do Barriga Verde F.C. 

Palomba era um sujeito de muitas histórias, jogador de futebol que também o foi, como tantos outros, como o lagunense Mengálvio, meio-campista do Santos e da Seleção Brasileira, de quem era amigo. E dos seus irmãos Figueiró: Luiz Marona e Beneval (já falecidos) e Tuíco, que brilharam no futebol gaúcho.

Sempre me socorria - dele, do Dalmo Faísca ou do “seu” Nelson (dedinho) Souza - quando queria saber de antigas escalações de times da cidade, em desbotadas fotografias do passado.

Ainda semana passada, quase meio-dia, o encontrei ali perto do calçadão da XV de Novembro.
-Guedes, ele me chamou ao longe. Logo notei seu ar preocupado, sem o costumeiro sorriso.
Explicou que não encontrava o seu carro e que a Leila (Lita) o esperava em casa para o almoço.  Já tinha dado duas voltas pelo Jardim o procurando, apertado o alarme de busca e alerta junto à chave de ignição, e nada.

-Será que roubaram? Ou é o “alemão” já me pegando? Indagou, brincando.
-Nada disso, retruquei, querendo consolá-lo. Essas coisas acontecem nas melhores famílias, meu caro Palomba. É porque deves ter estacionado o carro em local diferente do lugar que estás acostumado a parar todos os dias. Saísse da rotina. Só isso. Já aconteceu comigo e certamente com um monte de gente por aí. 
E propus ajudá-lo a procurar o veículo.
Acompanhando seus passos vagarosos, no estilo bonachão, lá fomos nós com os olhos atentos nos estacionamentos e conversando sobre o Vasco, seu time de coração.

Ao passar pela esquina do antigo Café Tupi comentei que havia lido certa vez que quando essas coisas acontecem, esses tipos de esquecimentos, a gente deve procurar fazer uma ligação indireta, uma espécie de retrospectiva dos últimos momentos do que sumiu. 
-Como assim, indireta?
-Procurar lembrar algum detalhe, um fato acontecido ou percebido, por exemplo, logo ao descer do carro. Não lembras de nada?

Ele olhou pra mim certamente estranhando a conversa. Coisa de doido, deve ter pensado. Se ele não lembrava nem onde havia deixado o carro, como iria lembrar de algum detalhe? Ora bolas!
Alguns passos adiante parou de repente e me olhou novamente. Seu ar de preocupação havia sumido e já estava sorrindo.

Sim! Sim! Agora lembrava, quase gritou. Quando desceu do carro tinha visto um bonito tênis na vitrine de uma loja e pensou em comprá-lo. Dito e feito. Havia estacionado seu carro em frente à Rainha Calçados, na rua Gustavo Richard. Lá estava ele.

Chegando ao lado do veículo, abriu a porta para entrar, deu um obrigado pela ajuda e disse:
-Guedes, a tua ideia deu certo mesmo hein? Valeu! Vamos lá em casa almoçar? Tomar uma cervejinha?
Agradeci o convite, respondi que já tinha compromisso, ficasse para outro dia.

Dei tchau, ele também deu tchau e foi assim que me despedi para sempre de Paulo Canhola, o Palomba.

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