28 fevereiro 2026

Jornal Agora Laguna homenageia Batista Cruz

 
Já circulando a edição quinzenal do jornal Agora Laguna trazendo importantes matérias.
Colunas de André Luiz, Elvis Palma, Arnaldo Limas, Wellington Linhares Martins, Paulo Cereja, Jotta Medeiros e Mariana Barcelos Sena.
Entre as reportagens: “Crítica após mudança”, sobre o Bloco da Pracinha; A instalação da quase Paróquia de Pescaria Brava; Promessas para a vida melhorar após um ano de governo; Folha Regional completa 25 anos; Acesso ao hospital precisa ser prioridade; Unidade fisioterapia é inaugurada no centro e TJ mantém suspenso leilão do antigo Sine.
E mais, muito mais, tudo com o talento e a credibilidade dos jornalistas André Luiz e Luiz Cláudio Abreu.
Agora Laguna impresso pode ser encontrado na Laguna Telecom, Laguna Discos e Café Matriz; Play Café (Komprão); Padaria Gisele (Progresso); Bar do Vilson (Barranceira) e Supermercado Tibio e Fera (Magalhães); e Supermais (Cabeçuda); Padaria Martins e DoCampo (Santiago, em Pescaria Brava); e Farol Tabacaria (Tubarão). Solicite seu exemplar pelo telefone (48) 9 9827-3496.
Inserido na edição um especial de quatro páginas presta um tributo à voz de João Batista Cruz, que completou 80 anos no último dia 16 de fevereiro. É uma homenagem ao radialista que ficou 59 anos à frente dos microfones lagunenses.
Colaboro com uma crônica sobre o nosso eterno rádio-repórter lagunense. Abaixo:

Jornal Agora Laguna edição nº 42 de 26/02/2026



23 fevereiro 2026

Foto-Retrô

 
Ano 1978 – Escritório das Organizações Gamasa, situado em nossa cidade. Primeiramente instalado na rua Raulino Horn (altos do prédio do Nunes). Depois foi transferido para o bairro Portinho, onde hoje se situa o Condomínio Açores.
Funcionários numa pequena reunião comemorativa. Da esquerda p/direita: Cleusa Martins, Glória Zuquinali, Marianto Fernandes, Antônio, Nilton, Iêda Schultz, Osmar Silveira e o diretor-chefe do Grupo, Osmar Girelli (de óculos).
Não está na foto, mas outro diretor era Isaac Nedeff, sobrinho e afilhado de Thadeu Annoni Nedeff, um dos donos do grupo.
As Organizações Gamasa eram compostas pelas empresas: Gaúcha Madeireira S.A., Indústria Catarinense de Adubos e Mineração Ltda (Incal), Indústria Extrativa Sulina Ltda (Inesul), Indústria de Móveis, Esquadrias e Beneficiamento de Madeiras Ltda (Imelat), além da Fazenda São Judas Tadeu e Fazenda Barbacena.

18 fevereiro 2026

Foi um carnaval que passou...

 

Esquina da Rua Raulino Horn com Barão do Rio Branco, centro da Laguna. Foto: Valmir Guedes Júnior

Entre confetes e serpentinas a sandália dourada da sambista lagunense agora repousa sobre os paralelepípedos da velha cidade. Tiras arrebentadas, saltos despedaçados que ainda guardam as lembranças do baticum, da cantoria e dos aplausos de um público que já se foi.
A foto é um símbolo a mostrar que todos nós, obrigatoriamente e de alguma maneira, desfilamos pela avenida da vida. E, em algum momento, vamos embora.
"Vai passar"...
Alguns já nascem em lugares de destaque. Outros, figurantes, anônimos e ainda assim todos brilham na passarela.
Mas sempre chega Quarta-Feira de Cinzas e o despertador, implacável, determina o retorno à realidade.
E como canta eternamente o Poetinha Vinícius:

"Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações, saudades e cinzas foi o que restou”... 

12 fevereiro 2026

FOTO-RETRÔ

 

No verso desta foto que fiz estão anotados o mês e o ano: junho de 1986. Era uma apresentação de um grupo de jovens músicos lagunenses no Palco do Clube Blondin. Será o Grupo Terra? Se for, faltam alguns componentes.
Da esquerda p/direita: saudoso Láercio Foss, Gero Perito, Adriana Nacif Carneiro (ao violão), Marlene Hoepers, Roberta Pinho e Rogério Martins.
Bons tempos.
PS: O braço e a mão, à esquerda na foto segurando o microfone não reconheço.

11 fevereiro 2026

Sinais - Gero Perito

"Agora chegou minha vez de mandar, tudo pra bem longe como ontem você disse pra mim"...

Nosso amigo Gero Perito lançou um novo single chamado "SINAIS" e que já está disponível em todas as plataformas de música e no You Tube.
Sucesso!

 

05 fevereiro 2026

Nos tempos das carochas nos carnavais da Laguna

       Ontem à noite pesquisava algumas fotos e rabiscava frases sobre carnavais de antigamente na Laguna quando, pela janela aberta, entrou e pousou sobre a minha mesa uma carocha.
Estática e atenta, com suas pequenas antenas ali ficou a me observar pelos cantos dos seus olhos.
Juro, nunca uma carocha me olhou desse jeito. 
Logo a fotografei.

Tipo de carocha que chegava com os carnavais lagunenses do passado.

Para quem não conhece (foto), a carocha é um inseto, um tipo de besouro com carapaça. Esta tem a coloração metálica preta.
Pois houve época em nossa cidade que, com o carnaval, chegavam também milhares dessas carochas, lembra?
A invasão das carochas não acontecia sempre, não seguia um padrão sazonal, temporal.  Às vezes passavam-se anos e elas não apareciam.
Os entendidos diziam que as carochas hibernavam e, coincidentemente, acordavam nos meses de fevereiro e março quando surgiam entre nós. O fato devia-se ao potencial reprodutivo da espécie, conforme o calor e as chuvas, explicavam outros.

Um tapete delas
Havia também quem diagnosticasse que esse tipo de besouro era atraído pelas luzes (holofotes) instaladas para os desfiles carnavalescos nas extensões das ruas Raulino Horn  e XV de novembro (pré-carnaval) e Jerônimo Coelho (desfile oficial).
Mas as carochas quando surgiam eram aos milhares pelas ruas do centro, despencando nos quintais, entrando pelas portas e janelas abertas das casas, enfiando-se pelas frinchas, meio que confusas, paralisadas, desorientadas.
Pelo grande volume delas tornavam-se uma praga urbana.
Em poucas horas morriam e houve ano em que formaram um verdadeiro tapete, tal a quantidade.
Lembro dos funcionários da prefeitura munidos com dezenas de vassouras e pás a retirá-las dos leitos das vias e as despejando em carrinhos de mão e nas carrocerias de caminhões em direção ao aterro de lixo.
Se assim não o fizessem, poucos dias depois, com o passar das rodas dos automóveis e o pisar dos transeuntes sobre elas, que estouravam, formava-se uma pasta viscosa, pútrida, exalando mau cheiro.

Uma solitária carocha chegou para o carnaval da Laguna 2026.

Nos mais antigos jornais de nossa cidade não encontrei relatos das chegadas das carochas em nossos carnavais.
Somente no ano de 1965 é que começam as notícias sobre o aparecimento delas.
Nesse ano, a quantidade foi tamanha que além de todo os transtornos que causaram nas vias públicas, prejudicaram os componentes dos blocos e das Escolas de Samba que não conseguiam sambar sem escorregar sobre elas.
Tanto é verdade que o jornal de Itajaí A Nação, de 27 de março de 1965, comentando sobre a nossa maior festa popular, disse:

“Carnaval de Carochas
Uma súbita invasão de “carochas” prejudicou em grande parte o carnaval de rua em Laguna este ano.
Comentando o ocorrido, dois lagunenses radicados em Blumenau, Drs. Vinícius Colaço de Oliveira e Plácido Machado Goulart da Rosa, afirmavam que em “1965 em Laguna não houve desfile de cabrochas e sim de carochas”.

Jornal A Nação (Itajaí) de 27 de março de 1965.

Figurantes na festa
Esta carocha que chegou à minha mesa, veio desacompanhada, solitária em sua rápida visita.
Quero crer que surgiu para lembrar que em meus escritos sobre o carnaval lagunense do passado, também a incluísse, juntamente com a história de suas ancestrais.
Afinal, mesmo indesejadas, foram figurantes em vários anos nas nossas folias de Momo. Além de 1965, no ano de 1972, se não me engano, houve novamente outra grande invasão.
Mesmo passados muitos anos, elas continuam presentes em nossas memórias de crianças que, mesmo com certo receio e proibidos pelos pais, as tocávamos e as juntávamos com as mãos para observá-las.
Bem por isso escrevi este pequeno texto sobre a presença das carochas nos carnavais lagunenses de outrora.
Logo que o finalizei, observei que a carocha esfregou suas duas patinhas dianteiras, vibrou suas asas e alçou novamente voo. E pela mesma janela que entrou, partiu livre na imensidão da noite. 
Provavelmente em busca de um portal do tempo, em direção a um passado que logo se fechou e não volta mais a abrir. 
Nunca mais.

02 fevereiro 2026

Cacareco, o Bloco de carnaval que marcou época e foi sucesso na Laguna

 
Em 1960 estreou no carnaval da Laguna o Bloco de rua carnavalesco-humorístico Cacareco, nascido no bairro Magalhães.

Bloco Cacareco -1962 - Laguna -SC - Acervo: Valmir Guedes Júnior

Logo o bloco se tornou a alegria das crianças e o queridinho do público. Mas também assustava com os malabarismos e performances de um hipopótamo, de um gorila  e seu domador. Bem por isso justamente o sucesso.
 
O carnaval lagunense começou mais cedo em 1960
Na noite do dia primeiro de janeiro a Escola de Samba Brinca Quem Pode inovou, botou o bloco mais cedo na rua e saiu desfilando pelas vias do centro histórico mostrando “o batuque de seus tamborins”.
O Xavante do Magalhães não ficou atrás e também fez o mesmo, mas somente após uma quinzena, quando desfilou na noite de 17 daquele mesmo mês de janeiro.
Era acompanhado de seu Bloco infanto-juvenil Os Aymorés.
Choveu muito nos dias dos desfiles oficiais de 1960, em fevereiro. Mas nada que prejudicasse a alegria dos foliões.
Nos intervalos dos aguaceiros o público se divertia, principalmente com a estreia do Bloco Cacareco e seus bichos. Um sucesso!

No Cacareco, o gorila e Gonçalo Barbosa de domador com a corrente e a vara com ponta de ferro que arrancava faíscas nos paralelepípedos.  A criançada atenta adorava a brincadeira. À esquerda na foto, quase encoberto o então vereador (e futuro prefeito) João Gualberto Pereira.

Entre os componentes Inaiá Rodrigues da Rosa (filho do maestro Felipe Rosa), Melquiades Soares, Ivo Simião da Luz, Íris Luz, João Maiate, Acary Palma, Carlos Felipe de Queiróz, Antônio Tavares (que incorporava o gorila, dividindo-se com Gonçalo Barbosa de domador), Mozart (Carioca), Álvaro (Alvim) Ávila, Nereu Machado, Dodô do Pedro Maurício,  César Guedes, e muitos outros.
Carlos Felipe Queiróz desfilava sempre com um cabrito de nome "Cheiroso". Bem por isso "seo" Queiroz acabou recebendo esse apelido.
Maioria deles morador da rua João Henrique, a conhecida rua do Valo, no bairro Magalhães.
Vários membros pertenciam às diretorias dos Clubes Ideal e 3 de maio, além de também serem componentes da Bandinha Maluca e Os Palhaços de Momo.
 
Candidato Cacareco, o mais votado em São Paulo
Cacareco, o nome do Bloco, foi em homenagem a um popular personagem que no ano anterior havia entrado para o folclore-político-brasileiro.
Em 1959, ano de eleições municipais, os eleitores de São Paulo mandaram um recado aos políticos incompetentes.
Como na época se escrevia na cédula o nome do candidato a ser eleito, os eleitores votaram num rinoceronte (na verdade uma fêmea) chamado Cacareco.
O bicho havia sido emprestado do Zoológico do Rio de Janeiro a pedido do governador de São Paulo, Jânio Quadros que havia criado o Zoológico de São Paulo em 1957 (inaugurado em 1958).
Cacareco havia sido o primeiro rinoceronte nascido em cativeiro na América do Sul.
A população paulista compareceu em massa ao Zoológico, cujos bichos fizeram muito sucesso, principalmente o Cacareco.
Foi o que bastou para que o jornalista Itaboraí Martins, do jornal O Estado de São Paulo, numa mesa de bar lançasse a candidatura de Cacareco para o cargo de vereador na eleição de 4 de outubro de 1959.

Rinoceronte Cacareco - Foto/Crédito: Alesp

Até “santinhos” do bicho foram impressos e distribuídos. E teve jingle: “Cansados de tanto sofrer/E de levar peteleco/Vamos agora responder/Votando no Cacareco”.
Resumindo: a candidatura de Cacareco recebeu quase 100 mil votos, sendo estrondosamente o mais votado. Sua votação daria para eleger os 15 vereadores mais votados na época.
É evidente que o TRE-SP declarou como nulos os votos do Cacareco.
Dias depois, certamente para evitar que o povo paulista empossasse na marra o rinoceronte, ele foi devolvido ao Zoológico do RJ.
Anos mais tarde, em 1988 no RJ, outro bicho seria consagrado nas urnas: o macaco Tião. Mas isso é outra história.

Estreia do Bloco Cacareco na Laguna
O jornal O Albor registrou a estreia do Bloco Cacareco no carnaval lagunense de 1960: 
“Menção especial merece o Cacareco que quase “entrou bem”, numa história muito particular.
Os integrantes daquele conjunto que muito se divertiram com as arremetidas do hipopótamo-chefe, prometem para amanhã nova e sensacional apresentação daquela equipe e que se denominará “Cacareco encontra Gorila”. Vamos ver”.

Taça do Bloco mais preferido em 1962
No carnaval de 1961 novamente o bloco esteve presente, trazendo inclusive um carro alegórico intitulado “Foguete à Lua”, que fez grande sucesso entre o público.
No carnaval de 1962, o Bloco Cacareco recebeu da Rádio Difusora, então situada num prédio da Praça Vidal Ramos, a “Taça do Bloco mais preferido”, juntamente com o Cordão Carnavalesco Bola Preta, Bola Azul, Respingados e Xavante, igualmente homenageados.
Uma das marchinhas que o pessoal cantava, compunha-se da seguinte letra:
Ca, Ca, Ca, Careco
Cacareco é o maior
Ca, Ca, Ca, Careco
Cacareco que ninguém tem dó
Eu encontrei o Cacareco
Tomando chope com salsicha e rabanada
Tomando chope com salsicha na esquina
E o povo dizia: aqui Geraldina

A enorme galinha do Bloco Cacareco, que tanto sucesso fez no carnaval lagunense.

E pelos anos seguintes, inclusive nos primeiros da década de 1970, o Cacareco participou do carnaval lagunense, sempre com muita alegria e descontração, inovando, trazendo novos bichos para as ruas da cidade, entre eles uma enorme galinha e mais sapos, cobras e lagartos.
Mas em seguida, por um motivo ou outro, o Bloco Cacareco desapareceu do cenário do nosso carnaval.

No Bloco Cacareco, Gonçalo Barbosa como domador e sua lança e o assustador (para a época) gorila.

Da minha infância lembro do saudoso Gonçalo Barbosa, que se dividia entre o personagem gorila e o domador, tirando chispas dos paralelepípedos com sua lança-chicote com ponta de metal.
À noite, o efeito colorido das faíscas impressionava. Era teatral e assustador. 

"A fera espalhava a multidão"
O lagunense Oclândio Siqueira em seu livro “Em cantos da alma”, dá o seu testemunho sobre o Bloco Cacareco:
 
“O Cacareco, homenagem a um rinoceronte do jardim zoológico de São Paulo que, numa das eleições municipais para vereador recebera a maior votação registrada a um candidato a esse cargo eletivo, era agora objeto de tributo de um bloco de carnaval, que vinha do Magalhães.
Devidamente caracterizada, assim se compunha toda a turma do boteco do Íris. O rinoceronte, muito bem-feito, sua confecção inspirada no estilo das bernunças dos bois-de-mamão, bravio, espalhava a multidão e era vigorosamente contido por seu domador, o próprio Íris, que, coberto com peles que nem um viking, segurava com ares de força a inquietação da fera.
Carlos Queiroz, vulgo “Cabrito”, auxiliava Íris a conter o ímpeto do bicho, que investia contra a troça que o rodeava.
Também assim acontecia com um enorme orangotango, preso por pesada corrente da qual de vez em quando se soltava, e que, arrastando aqueles pesados grilhões pelos paralelepípedos das ruas, tirava faíscas e amedrontava a todos.
Dizem, no entanto, que o bafo que os componentes do bloco exalavam era, surpreendentemente, de outra fera: o de “onça” ...

O retorno do Bloco
Em 15 de agosto de 1988 foi ensaiado o retorno ao carnaval lagunense do Bloco Cacareco, numa tentativa de reerguê-lo, inclusive com registro oficial e constituição de CNPJ. Quem encabeçava a volta era um velho componente, o Dodô do Pedro Maurício.
O Cacareco, em nova fase, desfilou nos carnavais de 1989 e 1990, juntamente com outros blocos que haviam surgido em anos anteriores, como Saímos Sem Querer, Saímos na Marra, Bloco da Pulguinha, Bloco da Latinha, além do Bloco Pirão d’Água, da Roseta (atual bairro Progresso).
O Pirão d’Água foi outra agremiação tradicional do nosso carnaval com registros de sua participação desde a década de 1950.
Seu criador foi Mané Pintado, sob a batuta do maestro Vicente. O bloco satirizava a pobreza lagunense com suas cantigas e jogos de vozes e fazia muito sucesso.
Eis outra história que também merece um futuro capítulo aqui neste Blog.

01 fevereiro 2026

Bloco da Pracinha: Abadás já estão à venda

 
Carnavalescos Sérgio Farias Gomes, o popular Minguifa com a primeira dama do Bloco, sua esposa Maria Nunes convidam:
Venham para o Bloco da Pracinha, o maior do sul do Brasil.
Os abadás já estão à venda (R$ 50,00) na Praça Sousa França (Pracinha do Necrotério Bar, no Magalhães) na loja Edna Variedades.
Contato: 99694-6080.