sábado, 1 de julho de 2017

Quem foi Romeu Ulysséa

Professor Romeu Ulysséa.
Romeu Cabral Ulysséa nasceu na Laguna, em 15 de julho de 1890, filho de Ana Guimarães Cabral (dª Santa) e Ismael Pinto de Ulysséa.
Teve 18 irmãos (nem todos aqui nominados): Julieta, Heitor, Gilberto, Leonor, Renato, Ramiro, Otília, Juracy, Nicanor e Modeno, além de Laura, Tobias, Jandira, Aurora e Murilo. Esses cinco últimos faleceram em tenra idade.
Seu pai foi médico ilustre e o primeiro lagunense e primeiro no sul catarinense a formar-se em medicina. Também foi deputado estadual e constituinte em 1892.

Após os primeiros estudos feitos em nossa cidade, em 1902, aos 12 anos, Romeu Ulysséa foi para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Latino-Americano, dirigido pelo renomado filólogo José Oiticica e sua esposa Francisca Bulhões, que teve entre seus alunos Antônio Houaiss e Manuel Bandeira.
Problemas em sua saúde fizeram com que retornasse para Laguna, onde prestou concurso e foi aprovado para o magistério. Em 1915 foi nomeado Lente Catedrático da Escola Complementar, anexa ao Grupo Escolar Jerônimo Coelho, inaugurado em 1912 e onde por 44 anos lecionou Português, Francês, Latim, História Natural, Física e Química. Aposentou-se em 1958.

Em 1938, também professor do Ginásio Lagunense, fundado em 1932, e onde exerceu o cargo de diretor, Romeu Ulysséa juntamente com os demais professores daquele educandário que marcou época no ensino do sul catarinense, fundou a “Congregação dos Professores”. Entre os membros destacavam-se Sargento Egeus Laus, Dr. Paulo Carneiro, Oscar Leitão, Joaquim Cabral, Germano Donner, José Varela Júnior, Mário Cabral, Paulo Gailit, Antônio Dib Mussi e Ruben Ulysséa.
O órgão viria responder pela manutenção do estabelecimento escolar, que funcionou no mesmo prédio onde hoje se situa a Biblioteca Pública que leva seu nome, na rua Voluntário Fermiano, nº 101, centro.
A Congregação dos Professores do Ginásio Lagunense: Sargento Egeus Laus, Dr. Paulo Carneiro, Oscar Leitão, Joaquim Cabral, Germano Donner, José Varela Júnior e Mário Cabral. Sentados: Paulo Gailit, Romeu Ulysséa, Antônio Dib Mussi e Ruben Ulysséa.
Muitos dos seus alunos ainda hoje relembram suas aulas de Português e noções de Latim, com suas proposições, verbos e regências gramaticais.
Aliás, uma das insistências em suas aulas é quando ele ensinava aos alunos que não era indiferente reger o termo da oração com a preposição “a” ou a preposição “para”, quando se queria exprimir destino. O “a” indicava destino provisório, e “para” destino demorado ou definitivo.
Assim, explicava o renomado professor, se digo vou a Tubarão, quero dizer que vou a Tubarão e volto. Já se digo vou para Tubarão quero dizer que vou para lá e fico.
Quando professor do Ginásio Lagunense, Romeu Ulysséa por diversas vezes recebeu convites para lecionar no renomado Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Declinou de todos eles porque seu desejo foi sempre o de permanecer em sua terra natal.
Também lecionou na Escola Técnica de Comércio Lagunense.

Uma pequena história engraçada
José Bessa, em seu livro “Gente de Minha Terra”, narra uma história interessante e ao mesmo tempo engraçada.
Antes de contá-la, o autor frisa que considerava Romeu Ulysséa o melhor professor de português de todos os tempos. “Os seus ensinamentos ficaram de tal maneira impregnados, foram tão bem assimilados, que continuam presentes como se tivessem sido aprendidos ontem”.
Houve um período em que Romeu Ulysséa assumiu a direção do Ginásio Lagunense, mas logo renunciou ao cargo, devido ao seu temperamento introspectivo, fechado. Ele era extremamente tímido.
Vamos ao “causo”:

“Aula de latim. O professor Oscar Leitão, juiz de Direito, chega e imediatamente faz a chamada. Um dos alunos levanta-se para responder: “presente”, aliviando ao erguer-se a pressão no ventre e deixando escapar, quase ao mesmo tempo, um som bastante estranho para o momento e o local, uma sala mista de alunos e alunas: PUM! O professor indignado retira-se imediatamente. Vai chamar o diretor a quem comunica o fato.
O diretor Romeu, mestre no português, que não falava palavrões ou têrmos chulos, vai até a sala, mas sem nenhuma vontade de punir alguém. Constrangido, não sabe como relatar a queixa recebida:
- Contaram-me que um dos alunos soltou um... um... um....

Não encontrou um sinônimo adequado, mesmo sendo responsável pela cátedra de português. Até que falou:
- Um vento.

O riso, ou melhor, a gargalhada foi geral, até das moças. Mesmo todo vermelhão e envergonhado, o professor Romeu disse que o fato era muito desagradável, etc. e tal.
O aluno, autor do estranho ruído, levantou-se e assumiu a responsabilidade do “vento”, dizendo que tinha sido involuntário.
Tudo estaria resolvido se ao sentar-se novamente o infeliz aluno não tivesse soltado mais uma vez outro barulhento “vento”.
Com essa, o nosso bom, tímido e educado professor Romeu saiu porta afora, desconcertado e em busca de novos ares".

Romeu Ulysséa também foi membro da Comissão Regional de Escoteiro, fundada em 23 de dezembro de 1912 por René Rollin, o primeiro estabelecimento em Santa Catarina. Em 1917, foi vice-presidente da Comissão.

Do Rio de Janeiro trouxe a primeira bola pneumática para Laguna
Em seu período no Rio de Janeiro, Romeu Ulysséa foi um dos fundadores do time de futebol America, onde jogava ao lado de seu primo Francisco Pinho.
Datam de 1909 os primeiros jogos de futebol em nossa cidade. Alguns cronistas dizem que foi anterior a esta data. Enfim.
Renato, Ramiro e Almy, todos Ulysséa, usavam uma bola de borracha. Chegando de férias do Rio de Janeiro, Romeu trouxe uma bola pneumática, uma novidade à época, e a um dos times da Laguna deu o nome de América, tal como no Rio de Janeiro.

Em 1917 foi fundado na Laguna o “Tiro de Guerra 137”, tendo Jones Pinho como seu primeiro presidente e Saul Ulysséa como vice. Romeu Ulysséa foi seu primeiro diretor e integrado à diretoria da entidade por vários anos.

Romeu Ulysséa colaborou com muita frequência para o jornal O Albor, fundado em nossa cidade em 1901 e que existiu até 1965. Usava quase sempre o pseudônimo de Rosaldo.
Foi redator, juntamente com Ivo de Aquino e Lucas Bainha, do jornal diário A Tarde, surgido em 1º de julho de 1914, de propriedade dos irmãos Fernando e Lucas Bainha e dirigido pelo seu fundador, o médico Estelita Lins.
Em 1917, editoriou, juntamente com seu pai Ismael e Saul Pinto de ’Ulysséa, seu tio, o jornal A Nota, fundado por Hugo Brinck Fischer, que era casado com Salomé Pinho de Ulysséa, sua tia.

As três Bibliotecas Públicas da Laguna
Em 29 de maio de 1980, na gestão de Mário José Remor/ João Gualberto Pereira (1977-1983), foi organizada, atualizada e inaugurada no prédio ao lado do Museu Anita Garibaldi, a Biblioteca Pública Municipal Romeu Ulysséa. Uma homenagem em vida ao emérito educador lagunense. Era secretário de Educação, Saúde e Promoção Social à época, José Paulo Arantes.
A Biblioteca Romeu Ulysséa havia sido criada pela Lei 14/69, de 19 de agosto de 1969, pelo prefeito Juacy Ungaretti.
A Biblioteca Pública Romeu Ulysséa, quando de sua inauguração na
 Praça República Juliana em 29 de maio de 1980.
Biblioteca Pública Romeu Ulysséa nos dias de hoje, instalada no mesmo
imóvel onde funcionou o Ginásio Lagunense.
Ao longo da história da Laguna, era a 3º Biblioteca que se inaugurava em nossa cidade. 
A primeira foi em 1876, quando do 2º centenário de sua fundação. Funcionava na então Praça Conde D’Eu, atual Praça República Juliana, mediante mensalidade de alguns cidadãos. Sua diretoria era assim constituída: Diretores: Custódio José de Bessa e Francisco Izidoro Rodrigues da Costa; secretário e tesoureiro: Antônio Fernandes Vianna; Bibliotecário: Antônio Luiz de Carvalho.
A segunda Biblioteca pertenceu ao extinto Centro Cultural Antônio Guimarães Cabral, denominada Cruz e Sousa e funcionava na mesma Praça, naquele casarão defronte ao Museu.

O aniversário de um século de nascimento
Até o fim de sua vida, Romeu Ulysséa viveu na residência edificada no local da mesma casa onde nasceu, na rua Conselheiro Jerônimo Coelho, aos cuidados de sua irmã, a professora Otília Ulysséa Ungaretti.
Os quatro irmãos reunidos no aniversário de um século de Romeu.
Da esquerda p/direita: Romeu Ulysséa, Renato Ulysséa, Ramiro Ulysséa e Otília Ulysséa Ungaretti.
Foto: Miriam Massignani Glasenapp Ulysséa. Arquivo Rogério Ulysséa
Por ocasião do seu centenário de vida, em 15 de julho de 1990, uma solenidade foi realizada na Câmara de vereadores da Laguna, que contou com apresentação especial do Coral Santo Antônio dos Anjos no recinto e defronte à sua residência. Homenagens e discursos emocionados de ex-alunos.

O advogado e ex-deputado por Laguna Armando Calil Bulos, assim se manifestou nas páginas do jornal O Estado, sobre o aniversariante:

“Singular personalidade. Manteve-se longe da esquina, das rodas de bar e de café. Guardou a palavra para as salas de aula.
Ao ruído das ruas preferiu o silêncio da biblioteca onde sobressaía a gramática que conheceu em profundidade e na qual se tornou mestre admirado além do município natal.
Romeu Ulysséa. Bebi da límpida vertente desse talento. E alinho-me aos discípulos cuja memória resistiu à distância no tempo e hoje o abraçam com emoção. Um século de fecunda existência.
A classe em Santa Catarina confere-lhe destaque no quadro de seus maiores valores. E nós o vemos entre os humanos da predileção divina”.

Rui Marques, outro ex-aluno, escreveu:
“Todos relembram, com carinho e gostosa saudade, a figura ímpar do mestre culto, competente e responsável que tinha o dom especial de transmitir-lhes o saber de um modo todo seu, eficiente, fácil.
Dele emanava como que uma aura infundindo nos alunos respeito e admiração. A modéstia – apanágio dos sábios – trescalava em todo seu ser, em cada lição, em cada gesto, em cada palavra, mesmo quando corrigia um erro, com autoridade, suavemente, sem melindrar”.

Munir Soares, ex-aluno, em sua prestigiada coluna no jornal O Renovador, fiel ao seu estilo, recordou, saudoso:

“Quando passos firmes e cadenciados ecoavam por todo o pátio interno, tudo mudava na sala, os alunos colocavam assento na cadeira e esperavam “silenciosos e curvos como uma vírgula”. O professor Romeu Ulysséa estava chegando, de cabeça baixa, sempre com um único livro numa das mãos, em duas passadas alcançava a escrivaninha e iniciava sua aula.
A correção dos textos, a análise no diagrama, redação, conjugação de verbos, leitura, etc., tudo com método próprio, simples e eficiente. O mestre, considerado o maior linguista catarinense, tinha a humildade dos sábios e às vezes, talvez, nem percebesse o milagre que sua sabedoria produzia em todos nós.
Com ele, desvendávamos o mistério de cada palavra, penetrávamos o mistério de berço latino. Sabia como ninguém lidar com todos os elementos, gregos ou latinos, radicais ou não. Em pouco tempo, com a benfazeja chuva primaveril, ele produzia o milagre da floração, adquiríamos o ‘status’ de substantivo próprio. Rosas, narcisos e margaridas, perdiam a timidez pois já tiravam a língua de letra”.

Seu sobrinho, o desembargador Norberto Ulysséa Ungaretti, de saudosa memória, em artigo publicado no mesmo jornal, ressaltou:

“Vejo-o no seu quarto de celibatário, que era igualmente seu modesto gabinete de trabalho.
Ao longo da parede, as estantes de boa e antiga madeira guardavam os livros, muitos livros, amigos fiéis da sua vida inteira e que lhes preenchiam as longas horas de estudo e solidão.
Ao centro, a sua mesa, os lápis e lapiseiras cuidadosamente arrumados, o tinteiro que abastecia a bela caneta Parcker de tampa dourada, as folhas de papel com as suas anotações e não raro com os desenhos, esboços e caricaturas em que se comprazia, por mero desfastio, revelando ignorado talento de artista.
Era isto, aliás, assim como a sua própria letra, elegante e caprichada, nítida manifestação da sua sensibilidade estética.
É assim que Romeu Ulysséa chega à celebração destes dias, velho de um século, mas puro como criança, honrado pelo respeito da sua gente, acarinhado pela gratidão dos milhares dos hoje avós e bisavós a quem serviu e ajudou a formar, durante quase 50 anos, transmitindo-lhes lições que ficaram para sempre guardadas”.
E concluiu Ungaretti:

“Felizes dos que, como ele, aguardam o seu tempo, alcançando serenamente, sem inquietações e sem remorsos, este luminoso crepúsculo”.

Romeu Ulysséa faleceu em 8 de agosto de 1990, algumas semanas após completar seu centenário de vida. Manteve até o fim sua modéstia, cultura e nobreza de caráter, traços dominantes da sua personalidade.

10 comentários:

  1. Parabéns pelo texto e pesquisa.Nota 10. Merece ser reproduzida em todas as escolas de Laguna e afixada no hall da Biblioteca para que todos conheçam, os mais novos quem foi esse homem. Edison de Jesus Florianópolis

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  2. E bom lembrar a figura do prof. Romeu. Sérgio Faraco e Angulski brigavam e ninguém conseguia apartar. Deram a volta completa ao redor do Ginásio, brigando. Até que ouviram um grito: Olha o professor Romeu. Ele chegou, não disse uma palavra e a briga acabou.
    Carlos Augusto Baião da Rosa

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  3. Foi meu excelente PROFESSOR de Português e de Latim e graciosamente nos dava elementos gregos, formadores de palavras da língua portuguesa. ALÉM DE SER UM HOMEM DE INVEJÁVEL CULTURA, NOBREZA E CARÁTER. Ter sido seu aluno e depois seu amigo é ponto muito alto em minha vida. JOÃO JERÔNIMO DE MEDEIROS - aluno do GINÁSIO LAGUNENSE-Turma 1956.

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  4. Foi meu professor no Ginásio, o que aprendi com ele até hoje não esqueci, considero, e acredito que muitos, o melhor professor de Português do país. Afonso Prates Silva

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  5. Que surpresa boa. Era como se fosse meu tio e não tio-avô, tamanha a proximidade eis que morava com a vó Tilinha. Pessoa ímpar. Muitas lembranças tenho. O DVD da comemoração do seu centenário está comigo; o Coral foi cantar "parabéns" para ele numa noite de forte nordeste, ele já há dias dizia que não iria aparecer e nem receber ninguém (aliás fazia mais de década que não era visto); foi aberta a janela do seu quarto no segundo piso da casa e de luz apagada ele ficou sentado escutando o Coral. O "parabéns" a você fecharia a homenagem e eu estava com ele e o convenci a ir a janela e abanar em agradecimento. Lembro que foi um acontecimento a aparição dele. Muito bacana. Obrigado. Saudades do tio Romeu... Norberto Ungaretti Júnior

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  6. Viajei no tempo. Participei muito das reuniões com a família na casa do professor Romeu. Neneca Medeiros Vieira

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  7. Caro Valmir, boa noite
    Mais uma vez de forma brilhante, você resgata uma figura lagunense de grande destaque, que dedicou toda sua vida ao magistério. Não há dúvida que o Professor Romeu Cabral Ulysséa, marcou toda uma geração... que tiveram o privilégio de serem alunos deste excepcional mestre.
    Não tive a honra de tê-lo como professor, mas, em função de proximidade familiar com uma das suas sobrinhas (no caso, a professora Elizabeth Ulysséa Arantes), encontrei e conversei algumas vezes com o Professor Romeu na década de 70 e 80. Assim, mesmo que naquela época ele já estivesse com a idade bem avançada... continuava com uma boa memória e, sempre disposto a conversar... principalmente sobre a Laguna antiga, da qual ele lembrava com detalhes. Uma coisa que me chamava a atenção era o fato dele sempre buscar se nivelar com seu interlocutor, nunca demonstrando conhecimento (que ele tinha de sobra) ou mesmo utilizando palavras mais refinadas... ao contrário, se expressava de forma extremamente correta, mas, ao mesmo tempo simples e clara.
    Grande abraço – Adolfo Bez Filho (Joinville / SC).

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  8. Linda e merecida homenagem! Obrigada, Valmir Guedes! Conheci o Sr. Romeu Cabral Ulysséa após seus 82 anos, e passei a chamá-lo carinhosamente de tio Romeu, por ter casado com o seu sobrinho Eng. Gilberto Ulysséa, filho do Ramiro Cabral Ulysséa. De Florianópolis, passávamos sempre em Laguna para visitá-lo e também aos tios Renato Ulysséa e Otília Ulysséa Ungaretti! Pessoa extremamente agradável, gentil, conversava sobre os mais variados assuntos. Lembro-me de que numa dessas visitas ter me falado que gostava de ouvir o cantor Jessé cantar a música “Voa Liberdade”, música que também me tocava e ainda toca meu coração. Estivemos em Laguna, terra que meu marido tem muito carinho, pois fez o ginásio ali, por ocasião do 100º aniversário do tio Romeu. Aliás, aquela foto onde aparecem os quatro irmãos é de minha autoria. Haviam me dito que ele não gostava de fotografias, por isso antes de batê-la pedi sua autorização. Infelizmente foi a última vez que o vimos nessa vida... Acabara o tempo dele entre nós! Ele partiu, deixou a saudade e todo o ensinamento e sabedoria que semeou! Mirian Massignani Glasenapp Ulysséa

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  9. Agradeço pelo comentário. Já acrescentei o crédito na foto.

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