quarta-feira, 13 de junho de 2018

Alterações na Festa de Santo Antônio dos Anjos geram polêmicas

Além da alteração este ano do itinerário da transladação de Santo Antônio dos Anjos, outras mudanças também causaram polêmicas.
Foto: Jeferson Baldo/Secom
O roteiro da transladação, apesar de ser bem mais longo, numa verdadeira maratona, parece ter agradado aos moradores católicos do bairro Mar Grosso. A imagem do santo padroeiro partiu da Capela Santa Teresinha, pela Travessa Voluntário Pedro Luís, avenidas senador Gallotti e João Pinho, entrou pela rua Padre Manoel João, Praça Polidoro Santiago e Travessa Itaparica, saindo na avenida Getúlio Vargas.

A tal “cordinha de segurança”
Outra mudança que deu o que falar foi a implantação de uma “cordinha de segurança” ao redor do santo.
Dentro dela, de acordo com a decisão do esforçado e polêmico provedor Leonardo Demétrio e membros da diretoria da Irmandade, só poderiam vir o governador e o prefeito, com suas respectivas primeiras damas. Além, é lógico, dos padres e de membros da irmandade empurrando o carrinho-andor.
Demais autoridades, políticos, deputados, vereadores, foram proibidas terminantemente de adentrarem ao “recinto”, quebrando uma cultura enraizada há muitos anos. Medida questionável? Penso que nem tanto.
Acostumados anualmente a serem o centro das atenções e caminharem coladinhos ao primeiro mandatário do estado dando os costumeiros tchauzinhos para o povo, vocês imaginem a surpresa por não adentrarem na área vip?
Houve protestos, insistências de alguns e até o famoso carteiraço, mas decisão tomada foi decisão cumprida. Há quem jure ter ouvido um sujeito de camisa na cor rosa reclamando e dizendo que era autoridade, diretor de não sei o quê na Laguna. Não teve choradinha.  
O Provedor da Irmandade Leonardo Demétrio na noite de ontem cantando as pedras do Bingão.
 O homem está em todas. Bate escanteio, cabeceia para o gol e vai buscar a bola no fundo da rede.
Foto: Elvis Palma
Diríamos que muitos políticos e outras autoridades ficaram na “turma da pipoca”, isso é, caminhando fora da cordinha. Por causa desse fato houve quem, chateado, não acompanhasse a transladação. Santo Antônio dos Anjos, o homenageado, observava em silêncio as picuinhas e perdoava certos pecados humanos, principalmente os da vaidade e orgulho. 

Sem cadeiras preferenciais
Havia outras surpresas. Foi quando alguns políticos ficaram sabendo que não existiam mais suas cadeiras especiais, como anualmente acontecia para acompanharem a trezena. Foram reservadas somente quatro assentos para o governador e prefeito. Quem quisesse lugar lá na frente que adentrasse à igreja pelos corredores laterais, como qualquer mortal cristão. Houve protestos. Uma deputada teria procurado o padre para reclamar. Foi ouvida mas não atendida. Quem sabe da próxima vez vá se queixar ao bispo?
Prefeito Mauro Candemil e Elys; governador Eduardo Pinho Moreira e Nicole recebem a benção
 do Santíssimo, conduzido pelo padre Itamar Faísca.
Foto: Elvis Palma
 Sem coquetel na Casa Paroquial
Por fim, outra alteração foi a não realização este ano do tradicional coquetel na casa paroquial, ao lado da matriz. Soube que o padre Lenoir Steiner Becker tomou a decisão de não realizar o fino rega-bofe, mesmo com certas insistências de algumas senhoras da nossa sociedade. 

Tickets para o churrasco
Logo após a trezena foram entregues em mãos às autoridades presentes, tickets para saborearem o churrasco no salão do Centro Cultural. Não tinham como recusar, o que seria evidentemente uma desfeita.
No meio do povo, atravessando o salão do Centro Cultural e sendo muito cumprimentados,
o governador Pinho Moreira e o prefeito Mauro Candemil com suas  respectivas primeiras damas.
Foto: Elvis Palma
E lá foram eles, governador, prefeito, padres, deputados, alguns vereadores, assessores e também os puxa-sacos – que estes sempre os há, em qualquer tempo e lugar - no meio da multidão, sorrindo, pedindo licença para um, abraçando outro ali, apertando a mão de um terceiro acolá, até chegar à área designada. Ufa! Cansa, mas a eleição, vocês sabem, já é em outubro vindouro.

E para substituir o tradicional coquetel? Outro coquetel, ora bolas!
Para substituir o evento na casa paroquial, prefeitura organizou um coquetel para autoridades no salão do prédio do Iphan. Era uma forma de compensar o primeiro que não aconteceria. 
Por causa de informações desencontradas havia políticos completamente perdidos pela praça, sem saber que direção tomar. Casa Paroquial? Iphan? Centro Cultural Santo Antônio?

Um jornalista parecia uma barata tonta pelo Jardim em busca de um saco perdido - mas poderoso - para puxar e esticar. Vai que sai uma publicidadezinha...

Enquanto isso o público no palco externo ria muito com os "causos" contados pela dª Maricotinha, a manezinha vinda lá do Ribeirão da Ilha, de Floripa. Muita piada de sexo, a istepô. Coitado do seu marido Tibério. Então, então, então ...
Logo depois Juízo Final. A Banda.
Fiz o registro. Arrombastes dª Maricotinha. No canto direito do palco o repórter-fotográfico
Elvis Palma ri e prepara as afiadas lentes.
Bem, só lá depois das 11 da noite foi que o governador Pinho Moreira com o prefeito e pequena comitiva se dirigiram ao coquetel no prédio do Iphan. Por causa do atraso, com o tempo passando célere nos ponteiros do relógio da matriz, uma das organizadoras teria dado alguns chiliques do alto de seus finos saltos. Tic-tac-tic-tac.

Parabéns pela festa
Todas essas mudanças, essas alterações, foram temas das conversas na sociedade - e em sociedade tudo se sabe, já dizia o famoso colunista social Ibrahim Sued - com os respectivos prós e contras. 
No mais, neste dia 13 em honra ao padroeiro, fim de mais uma comemoração, os parabéns aos festeiros, aos padres Itamar e Lenoir e ao provedor Leonardo Demétrio e demais membros da Irmandade, pelo brilhantismo da festa.

4 comentários:

  1. A classe política esta um pouco desacreditada e para todos é mais fácil criticar do que ir atrás dos fatos. Não podemos generalizar. Acho que foi um ato errado ter proibido eles de vir acompanhando o santo. Até por que na hora de pedir dinheiro a igreja vai até eles em nome do Santo. Tem politico ali que independente de estar no poder ou não sempre veio a Laguna nessa data. Minha opinião foi um ato errado de quem proibiu. Luís Eduardo Ulysséa Rollin

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  2. Ótima descrição. Parecia que eu era testemunha. Ri muito. Só tu mesmo para deixar a gente por dentro dos bastidores.
    Edison de Jesus

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  3. Otimo relato, perfeita interpretação de comportamentos ridículos, independente de quem for, política não deve se misturar com fé e todos são iguais, sempre achei feio aqueles políticos agarrados no pé do Santo, se alguém pede algo para a cidade em nome do Santo é canalha, e é canalha quem compra redenção, dinheiro para os municípios é um direito é obrigação e não objeto de troca. Politicos não deviam ter medo ou qualquer outro motivo para não se misturar ao povo, palhaçada numa festa cristã e pessoas brigando por privilégios, e teve birrento abandonando a procissão, disseste bem o Santo a tudo vê.

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  4. Gostei da "cordinha". Acabou com aquela festa de políticos querendo se aparecer. E o coquetel era só pra uma elite, os escolhidos. Vão comer pinhão e tomar quentão como todo mundo.
    Geraldo Andrade Silva

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