12 junho 2020

Se milagres desejais... Santo Antônio e as cartas das moças lagunenses

As tradições nada mais são do que a ciência de um povo, cultura, hábitos, normas e doutrinas que compõe o arcabouço de seu patrimônio imaterial, atravessando gerações.
Pois são as mais diversas as tradições que o povo lagunense pratica ao longo dos anos, em relação ao seu padroeiro Santo Antônio dos Anjos.

Uma delas é que, ao encerrar da festa, os devotos, pós-procissão, colhem as flores do andor. Uma verdadeira relíquia para os fiéis.
Outra tradição, ainda amplamente praticada, é a colocação de bilhetinhos em nichos da imagem, antes de ser conduzida ao altar-mor, alguns dias após as festividades.
Nos bilhetes, os mais variados pedidos, em gesto de esperança e fé do povo.
De todos os santos é bem provável que Santo Antônio seja o mais venerado.
Veio de Portugal para o Brasil com fama de casamenteiro e por aqui se tornou também conhecido.
Além de ser o santo das causas perdidas, a quem o crente recorre no momento de desespero e de procura, através do responso.

A paradinha do Santo
Outra tradição que foi incorporada à cultura local, é a famosa paradinha da imagem do santo.
Dizem os costumes que, se no dia da Procissão o santo der uma paradinha casual defronte a uma casa e nela estiver uma moça solteira, é batata. Casamento na certa, e em breve.
E que ninguém duvide, porque atestam os mais antigos que Santo Antônio dos Anjos já operou verdadeiros milagres por essas bandas, “desencalhando” muitas titias que já eram dadas como casos perdidos.
No entanto, há um porém: se o santo desse a paradinha e não houvesse moça com vistas a matrimônio, morreria uma pessoa ali residente.
Imaginem a torcida. Ou não.
Bem por isso, contam os mais antigos da Laguna, que casais de mais idade ou que não tinham filhas, convidavam sobrinhas, parentes ou moças conhecidas para se postarem nas janelas de suas casas.
Uma forma de fugir a presságios, digamos, funestos. Como se alguém pudesse ludibriar o santo...

O Toc-Toc-Toc na porta da igreja
Outra tradição que ainda se perpetua nos dias atuais, se dá por volta da meia-noite do dia 12 para 13 de junho quando, com a igreja fechada, moças se posicionam defronte à porta frontal e central da matriz, formulando o desejo de encontrar seu príncipe encantado.
Em cada batida na porta o diálogo com o santo, repetido três vezes:
- Toc. Toc. Toc. Santo Antônio, Santo Antônio, se estais dormindo acorda. Se estais acordado, responda pela boca de alguém o nome da pessoa com quem vou me casar.
Nas próximas 24 horas deve se ficar com orelhas em pé, captando as conversas dos outros para ouvir o nome do futuro amado. Não vale diálogos de familiares ou amigas.

A mesma roupa e até peças íntimas
A sempre lembrada Nair Ulysséa, estudiosa que foi das manifestações religiosas em nossa cidade, em sua obra “Três Séculos na Matriz...”, relembra que muitos devotos na Festa de Santo Antônio dos Anjos “prometiam assistir a todas as novenas, com a mesma roupa, para conseguirem o que estavam pedindo ao Santo”.
Há quem fale que algumas pessoas repetiam em todas as noites de trezenas as mesmas peças íntimas.
Qué qué isso minha gente...
O que não se faz...

E continua dona Nair:
“Moças, ao contrário, assistiam a todas as novenas, cada noite com um vestido novo, para casar naquele ano.
Na procissão do Santo, se o andor parasse diante de uma casa, é que casaria, naquele ano, uma moça da família; se, porém, não houvesse moça casadoira na casa, morreria uma pessoa ali residente”.

As três cartas das moças a Santo Antônio
Sobre promessas e esperanças de casamento, encontrei no jornal O Albor, de 13 de junho de 1908, páginas 2 e 3, com o título “Às vezes”, uma história pitoresca e contada de forma humorada.
Nela, sob o pseudônimo de Bento Rosado, o articulista informa que recebia muitas cartas e cartões de moças lagunenses “e algumas velhas”, pedindo que intercedesse junto aos encarregados das festividades para que o Santo parasse defronte as suas casas.
Ele então reproduz três cartas. A leitura é prazerosa e é bem provável que a história tenha sido criada pela mente fértil do articulista. Mas poderia muito bem ter acontecido. Vai saber.
Só atualizei a ortografia para melhor compreensão:

Às vezes
“Vai hoje percorrer as ruas da cidade o Santo Antônio, nosso padroeiro.
Quantos olhares ternos se dirigirão ao miraculoso santo!
Quantos lábios rosados balbuciarão uma prece à sua passagem!
Quanta esperança de um próximo casamento se aninhará no coração de minhas gentis patrícias!
Fosse eu rapaz, tomaria o encargo de, bem na cauda da procissão de hoje, observar sem me denunciar, a posição contrita das mocinhas que desejam casar.
Esta, estará de mãos postas, atirando olhares ternos para o céu e resmungando uma oração adequada ao caso.
Àquela, de joelhos, à passagem do andor, baterá no peito as três pancadas de mea culpa, repetindo: Casamento! Casamento! Casamento!
Diziam os nossos antepassados e afirmam os nossos contemporâneos que, é prenúncio de muitos casamentos, a saída de Santo Antônio à rua.
Esta crença está tão enraizada em nosso meio, que são inúmeros os cartões e cartas que me tem sido dirigidos por diversas moças... e algumas velhas.
Pedem meus bons ofícios junto ao encarregado da festividade, para obter a parada do Santo, em frente às suas casas.
São em tão grande número os pedidos que, para satisfazê-los todos seria preciso cinco dias de procissão.
São dignas de leitura algumas dessas missivas e, como não sou egoísta, vou publicar algumas, para que o bom leitor as aprecie, guardando, só para mim, as suas assinaturas.
Não quero que me taxem de indiscreto”.

Vamos às cartas:

“Caro sr. Bento,
Tenho dezoito anos e diz o meu espelho que não sou feia.
Não sou de toda desajeitada, porque minhas amigas afirmam que caminho regularmente.
Nos bailes dizem os moços com quem danço que valso bem.
Sou católica.
Tenho ido regularmente às novenas, conduzindo, às vezes, uma tocha.
No entanto, sr. Bento, não me tem aparecido um noivo.
Penso ser isto devido a nunca parar em frente à minha casa o andor de Santo Antônio.

Pois bem, venho pedir-lhe o favor de obter esta graça. Se o conseguir, muito lhe agradecerá a (xxxxx)”.

**********

“Simpático sr. Bento,
Tenho vinte anos. Não sou magra nem gorda.
Olhos e cabelos pretos.
Nas faces claras, trago sempre a vegetar duas rosas.
Meus lábios são duas fitinhas rosadas.
Meus dentes, dentro de minha boca pequenina, são um colar de pérolas.
Minhas mãos calçam luvas letra A.
Meus pés acomodam-se bem, num sapatinho 32.
Para completar minha felicidade, preciso de um noivo que me compreenda.
Quero um moço que seja meigo como o Joca Moreira, alto como o Neneco, e gordo como o Dudú, que use pastinhas como o Manequinha, que seja elegante como o Joca Carvalho, que tenha uma capa como o Pereira, enfim, um moço que reúna todas as qualidades boas.
Alcançarei isto, se o sr. conseguir fazer parar em frente à minha casa, o andor do milagroso Santo Antônio.
Ah! Como lhe agradecerá a sua amiguinha (xxxxx)”.

**********

“Meu prezado sr. Bento Rosado,
Nesta nossa terra, quem mais faz, menos merece.
Meu pai, durante muitos anos, foi encarregado da Festividade do Espírito Santo.
Ajudou sempre o Fragoso a arrumar altares e enfeitar andores e, no entanto, nunca tive a dita de ver parado em frente à minha porta, o andor de Santo Antônio Grande.
É um desaforo! Isto não é privilégio de três ou quatro, é para todo filho de Deus!
Mas, vamos ao caso.
Estou com 50 anos.
Já tive sarampo, catapora e bexigas, deixando-me estas, na face, o sinal de sua passagem.
Dizia minha mãe que foram das tais de lixa. Estive envolvida em folhas de bananeiras e devo a minha salvação no miraculoso chá de Jasmim de cachorro, que tomei em quantidade.
Não sou velha, pois, não tenho cabelos brancos, nem pés de galinha.
Quero casar-me, seja com quem for, moço ou velho, torto ou aleijado.
Até o senhor me serve.
Faça parar o andor em frente ao meu ninho e venha falar comigo” (xxxxx).
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Cruz!
Olhe, minha senhora, eu agradeço, muito penhorado, o seu oferecimento.
Não estou resolvido a andar agarrado a um inverno chuvoso e frio.
Um conselho: vá criar pintos.
Assinado: Bento Rosado

09 junho 2020

Santo Antônio dos Anjos esteve no Rio de Janeiro

Com exceção anual da data dos festejos em honra a seu nome no mês de junho, raras vezes a imagem do padroeiro da Laguna Santo Antônio dos Anjos deixou o seu altar, nos altos da capela-mor.
Lembro-me que no ano de 1978, aconteceu recepção com o padroeiro postado em frente à Matriz à caravana com os participantes lagunenses e torcida organizada, que foram disputar em São Paulo a gincana Cidade X Cidade, do programa Sílvio Santos.

A mais recente saída foi mês passado, no dia 3 de maio,  quando a imagem do Santo ficou postada em seu andor na soleira da porta frontal e central da igreja e passou o dia abençoando os fiéis que para lá se dirigiram ou passavam nas imediações do local.
Gêneros alimentícios foram arrecadados.
Aliás, uma feliz iniciativa de membros da Irmandade, através de seu provedor Leonardo Demétrio.
Tudo com garantias quanto a protocolos sanitários de distanciamento e higienização.
E neste domingo, 7 de junho, quando repetiu-se a cena, mas aí já  estamos no mês de junho, em dias que são consagrados em sua homenagem.

Pode ter havido outras ocasiões de saídas da imagem do nosso querido Tonico? Desconheço. Mas pode sim. Eis um tema a ser pesquisado.
Mas houve uma vez que o nosso Santo Antônio dos Anjos foi visitar – vejam só! - o Rio de Janeiro, então capital federal do Brasil.
Era para ser uma visita rápida, tipo vapt-vupt, mas durou quase seis meses e deu o que falar.

Vamos aos fatos:
Bem no início do século XX, em seu segundo ano, 1902, a Irmandade de Santo Antônio dos Anjos da Laguna, tendo em vista o péssimo estado em que se encontrava a imagem do santo, decidiu enviá-la ao Rio de Janeiro para ser encarnada (restaurada) por técnicos da área.
Era um trabalho para ser finalizado antes das festividades, em junho daquele ano.
A majestosa imagem de Santo Antônio dos Anjos foi esculpida na Bahia, no século XVIII, em madeira de nossa cidade, remetida para este fim.
Diz Nail Ulysséa, estudiosa que foi do catolicismo local, em seu escrito “Três séculos na Matriz”... “Que o artista que a esculpiu, devia ser um artista original, pois não é comum encontrar-se imagens sorridentes e de ar festivo, além de ter ousado enfeitar, com uma orla dourada, o humilde burel de franciscano”.
E continua dona Nail: “Se era um original, não era menos um homem modesto. Apesar de ter produzido uma obra de arte, ainda hoje admirada, não deixou gravado nela um nome, um número, uma data ou outro sinal que o pudesse identificar”.

Já disseram alguns especialistas que os traços da imagem guardam semelhança com os traços usados pelo escultor baiano, João do Sacramento. Mas nada é conclusivo.
A fonte que poderia esclarecer a autoria seriam os livros de atas da Irmandade, de 1807 a 1890 que, ao que se sabe, foram consumidas num incêndio.

Proposta para troca de imagem apavorou Laguna. Verdade? Ou teria sido fake news?
Quando a imagem chegou ao Rio de Janeiro causou grande impressão entre religiosos e apreciadores de arte sacra. Bem por isso, teria havido propostas para uma troca com outra imagem do santo casamenteiro.
Não se sabe como esse assunto chegou a Laguna. Certamente trazida por algum passageiro dos navios que faziam o percurso regular entre os portos das duas cidades.
As redes sociais naquela época podiam ser mais demoradas. Mas funcionavam. O disse-me-disse pelas esquinas, armazéns, cafés e bares de nossa cidade se espalhou. Logo a notícia correu pelo mundo católico, ampliada com o boato de que uma troca de imagens já teria até acontecido!
Imaginem o agito na nossa Laguna.
Se a notícia tinha algum fundo de verdade não se sabe. Poderia ser um fake news da época.

Mas o assunto tomou grande repercussão, ainda mais com os festejos de junho se aproximando e nada do santo retornar. Reuniões aconteceram em busca de providências. O vigário da paróquia Padre Manoel João foi convocado.
 Decidiu-se que o provedor da Irmandade à época, João Monteiro Cabral, conhecido carinhosamente como Janjão, teria que ir ao Rio apressar os trabalhos e trazer pessoalmente a imagem original para Laguna. Foi o que fez, tomando o primeiro navio.
Um vapor no antigo porto da Laguna,
no início do século XX, antes da construção do cais.
Semanas depois retornou o provedor com a imagem do santo encaixotado a bordo do vapor “Industrial” em 8 de julho (após a data da festa, portanto). 
Grande multidão foi até o cais assistir a chegada.

O Santo Antônio chegou! O Santo Antônio chegou!
Os mais antigos na Laguna contavam que quando do retorno do Santo, o sacristão da igreja, Ladislau Domingos Carvalho, o seu Lalau, tão logo avistou o vapor aportando nos velhos trapiches do centro da Laguna (o atual cais em granito vai ser construído a partir de 1910) e que trazia a imagem em seu porão, saiu pelas ruas da cidade em debandada correria e felicidade, aos gritos, avisando, alvissareiro, da chegada de preciosa carga: O Santo Antônio chegou! O Santo Antônio chegou!
Grande seu Lalau, 50 anos como sacristão da nossa matriz. Faleceu aos 96 anos, em 1966.

Nas palavras da dona Nail, "A imagem foi encaixotada, remetida ao Hospital, para depois, com grande alegria e entusiasmo, ser novamente entronizada na igreja”.
O que estava marcado para acontecer no próximo dia 19 de julho, mas neste dia um temporal caiu sobre a nossa cidade, adiando a data de transferência.
Jornal O Albor de 31 de julho de 1902.
Finalmente, no dia 26 de julho de 1902, com grande número de fiéis, a imagem foi transportada em transladação da Capela do Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos para seu altar na matriz.
O jornal O Albor (acima) do dia 31 de julho do mesmo mês registrou numa pequena nota:
“A Imagem que, como já dissemos, está esplendidamente encarnada, foi conduzida em rico andor de belíssimo efeito, adquirido recentemente no Rio de Janeiro".
 No dia seguinte Missa cantada e Te-Deum pela volta da Imagem.
E assim, encerrava-se mais um capítulo na história religiosa da Laguna, com o bom filho de volta ao lar e a sua morada.

04 junho 2020

Festa de Santo Antônio dos Anjos não foi realizada em 1905

Por todo o século XX, 1905 foi o único ano em que a Festa de Santo Antônio dos Anjos da Laguna não foi realizada.
Mesmo durante os anos das duas Guerras Mundiais as festividades transcorreram normalmente, com novenas, procissões e transladações.
Havia dúvida se este evento religioso teria sido realizado durante a gripe Espanhola, em 1919.
Em pesquisa constatei que sim, ele de fato aconteceu no ano de 1919. É o que se verifica nos jornais da época. Mesmo porque a pandemia que ceifou milhões de vidas pelo mundo, teve seu pico em nossa cidade em dezembro de 1918. Nos meses do ano seguinte, os casos foram rareando.
Bem por isso, todas as cerimônias religiosas foram realizadas em 1919, inclusive o carnaval, que aconteceu em março daquele ano.

"Unicamente uma missa"
E por que em 1905, a Festa de Santo Antônio dos Anjos não ocorreu?  É o que vamos ler a seguir:
Jornal O Albor, página 2, de 11 de junho de 1905.
Numa pequena nota na página 2, publicada no jornal “O Albor” de 11 de junho de 1905, a Irmandade informava aos fiéis da Laguna que “devido à falta de recursos, a Irmandade de Santo Antônio resolveu mandar rezar unicamente uma missa no dia do padroeiro desta cidade”.
Além da “falta de recursos”, outro fator que certamente preponderou foram diversas obras que precisavam ser executadas no prédio da matriz. Eram serviços necessários há anos.

Obras, muitas obras
Em 1892 grandes serviços haviam sido realizados na igreja, como a substituição das janelas frontais e, principalmente, a construção das duas torres, trabalhos estes executados pelos senhores Marcos Gazola (o mesmo que vai construir o chafariz do Jardim Calheiros da Graça, em 1915) e Batista Uliano.
Daquele ano em diante nenhum outro reparo ou obra foram executados. Portanto, em 1905, já se tinham passado 12 anos.

Nail Ulysséa em seu “Três Séculos na Matriz”, diz que em 1903 a Matriz já necessitava de grandes reparos, mormente o assoalho das capelas e da sacristia.
“Tão estragados que estavam ameaçando as paredes e altares. Era tão deplorável o estado da igreja que deixaram, naquele ano, de fazer a transladação de Nosso Senhor dos Passos, devido ao mau estado da Matriz, fazendo apenas a procissão, isto porque, a imagem após a transladação, ficava na Matriz até o dia seguinte, quando voltava ao Hospital”.

De fato. A situação do prédio devia estar mesmo em situação deplorável. Um ano depois continuava no mesmo estado ou até pior.
Se não vejamos:
Com o título “Matriz em ruínas”, o semanário lagunense “O Comércio”, de 28 de fevereiro de 1904, informa que a convite do Provedor da Irmandade de Santo Antônio dos Anjos, João Monteiro Cabral, o redator do jornal havia ido até a Matriz e subido até ao madeiramento do templo.
Nele “pudemos observar o estado de ruínas em que se acha, e nos parece que só por milagre de equilíbrio não tem desabado”.
E finaliza o articulista do “O Comércio” alertando: “Não há recursos para as obras mais urgentes e o senhor Monteiro Cabral faz um apelo justíssimo ao povo lagunense para contribuir à medida de suas forças, para que a matriz de nossa terra não desabe”.
Jornal O Comércio, de 28 de fevereiro de 1904.
Veja leitor que a coisa estava feia mesmo. Até o telhado ameaçava desabar sobre os cocurutos das pessoas enquanto oravam.
E rezavam em pé, pelo menos os homens, com as mulheres e crianças sentadas por todo o assoalho.
Os bancos somente foram colocados em 1912. Bancos simples de madeira que foram substituídos pelos atuais no ano de 1952, desenho de um sacerdote do Colégio Dehon, de Tubarão.


Pedido de socorro
Bem. O pedido de socorro funcionou. Tanto que uma comissão foi montada para angariar donativos. Em sua composição, Francisco Bertero (pároco), Manoel José Dias de Pinho, Luiz Nery Pacheco dos Reis e Saul Ulysséa.
Meses depois as obras iniciaram pela reforma completa do telhado, executada pela firma Bianchini & Irmão.
Foi trocado o assoalho, no adro, e revestido de ladrilhos, com a pintura interna completa feita pelo artista Adalberto Ribas.
E salienta Nail Ulysséa que o “movimento religioso foi transferido para a capela do Hospital”.
Somente em 1908 foi completada a restauração interna e “a 25 de março foi reaberta a igreja, com benção, missa solene e “Te-Deum”, ficando por terminar a reforma externa”.

Baseado nas informações acima – movimento religioso transferido para capela do Hospital Senhor Bom Jesus dos Passos e reabertura da igreja com benção e missa somente em 1908 – fica-se com a impressão que a igreja fechou em 1905,1906, 1907 e parte de 1908.
Sem maiores preciosismos, mas deve haver algum engano na informação. Isso porque os jornais da época noticiam que cerimônias religiosas foram realizadas na matriz nos anos de 1906 e 1907, inclusive as novenas de Santo Antônio dos Anjos.


Até o surgimento da então capela de Nossa Senhora dos Navegantes, no Magalhães; e Nossa Senhora Auxiliadora, no então bairro Roseta (hoje Progresso), não existia, é evidente, a chamada Transladação de Santo Antônio dos Anjos como hoje acontece.

A imagem de Santo Antônio percorria, em procissão, as ruas do centro na tarde do dia 13 de cada ano, no mesmo percurso até hoje. Quando chovia (e se constata que chovia muito naqueles anos), o evento era transferido para o próximo domingo. 


"Santo Antônio que se contente..."
A não realização da Festa de Santo Antônio dos Anjos em 1905 parece ter descontentado muita gente do mundo católico lagunense.
Em carta cheia de reticências, não assinada, e publicada em 18 de junho daquele ano nas páginas do jornal O Albor, a missivista, que é viúva (se deduz pela leitura da carta), critica veementemente a Irmandade e lamenta a não realização do evento religioso.
Vejamos:

(...)
“Que os juízes não se importem com a festa, que neguem mesmo dinheiro e dedicação... lamenta-se, mas tolera-se... O que não se compreende, nem se tolera, nem se perdoa, é que os irmãos em Santo Antônio se reúnam e resolvam nada fazer por falta de dinheiro.
Uma missa cantada, três ladainhas, e uma procissão não consomem assim tanto dinheiro...
(...) Só o que faltou, meu amigo, foi vontade da Irmandade, e isto digo mesmo nas bochechas de qualquer irmão.
Se se tratasse de um baile, de um grupo carnavalesco, de um espetáculo ou de uma eleição, o dinheiro não faltaria; mas como se trata de Santo Antônio, que só tem feito bem a todos... a crise é tremenda...
(...) Uma missa rezada só... e Santo Antônio que se contente com isto, que a Irmandade não tem dinheiro...
Pois olhem: - Quando isto era Vila um só ano não se passou sem que a festa do miraculoso orago fosse feita inteirinha, com as trezenas, a missa solene, a procissão e sermão...
Aquilo é que eram tempos... Ai! Que saudades eu tenho d’aqueles tempos e do meu defunto marido...”

Em 1906 novamente a Festa correu risco de não se realizar
Em 1906, tal qual tinha acontecido um ano antes, novamente as festividades em honra ao padroeiro corriam sério risco de novamente não serem realizadas. Mas foi aí que um grupo de senhoritas da nossa sociedade católica lagunense assumiu as rédeas da organização, arrecadando recursos para realizá-las.
Quer saber os nomes das senhoritas que compunham a comissão? O jornal O Albor de 12 de junho daquele ano os relaciona: Enedina Moreira, Eudoxia Bessa, Joana Varejão, Noêmia Cordeiro, Maria Lima, Francisca Bessa, Ubaldina Varejão e Anna Machado.
E finaliza a nota do jornal dizendo que “não menos dignos de louvores são as senhoras Altina Alano e Cândida Amante e o senhor Manoel Fragoso que se prestam gratuitamente, as primeiras a enfeitar os andores e o segundo o templo”.

Dali por diante, todos os anos, atravessando o século XX, adentrando o XXI, a Festa de Santo Antônio dos Anjos da Laguna foi realizada sempre com brilhantismo e acompanhada tradicionalmente pelas Bandas de Música Carlos Gomes e União dos Artistas.

02 junho 2020

Morte de padre adiou festejos de Santo Antônio dos Anjos em 1984

Em 1984 a morte trágica de um padre adiou por uma semana os festejos em honra a Santo Antônio dos Anjos.

Sexta-feira, 1º de junho de 1984. O dia amanhece cinzento e frio na Laguna, a despeito do sol que teimava em brilhar.
Na noite anterior a cidade foi dormir mais tarde devido à carreata (então chamada de serenata) realizada a partir da meia-noite de quinta-feira pelas ruas e avenidas, percorrendo o centro e bairros.

São dezenas de automóveis circulando, com festeiros e demais fiéis promovendo a abertura de mais uma Festa em honra ao padroeiro da cidade, a ser realizada de 1º a 17 daquele mês e ano. Buzinas e foguetório marcam todo o trajeto.

Trágico acidente
Após as 10 horas da manhã daquela sexta-feira uma triste notícia, como um rastilho de pólvora, também vai percorrer a Laguna.
Um acidente automobilístico acontecido na BR-101 havia ceifado a vida do padre Luiz Agostinho Zocche Saccon, 29 anos, pároco auxiliar, ou vigário cooperador, como era então chamado, da Matriz Santo Antônio dos Anjos.
Incredulidade e tristeza geral no mundo religioso.

Logo chegou a confirmação. Sim, de fato, logo pela manhã, na BR-101, imediações de Imbituba e vindo de Florianópolis, padre Agostinho havia se acidentado com seu automóvel Voyage e uma carreta e, infelizmente, estava morto.

Padre Agostinho
Padre Agostinho. 
Foto: acervo de Victória Saccon Tramontin
Padre Agostinho, nascido em 24/12/1955, no hospital São Sebastião, em Turvo.
Foi batizado em 3 de janeiro de 1956 na paróquia de Turvo, pelo Frei Gregório Dalmont. Foram padrinhos Joaquim Lourenço (Victoria Saccon) Tramontin.
Era bastante conhecido no mundo católico da região sul e fazia um ótimo e elogiado trabalho, principalmente entre os jovens, faixa etária onde era muito querido. 
Havia sido ordenado padre em 20 de dezembro de 1982. Filho de Francisca Zocche Saccon e Domingos Valentin Fachin Saccon, moradores de Meleiro - SC, descendentes dos primeiros italianos que colonizaram a localidade.

Extremamente amigo e conselheiro, sempre estava postos a ajudar, estendendo a mão amiga em Cristo para retirar do mundo das drogas os que caíram no vício pernicioso e destruidor. 
Comandava a Pastoral da Juventude. E tinha apoio de Grupos de Jovens como a JUM - Juventude Unida do Magalhães, Macaro - Movimento Católico Marechal Cândido Rondon, da Vila Cohab do Portinho, e JUC - Juventude Unida Católica. Entre seus grandes amigos destacavam-se José Nazareno Duarte (Pisca), José Alves Fernandes (Mala) e Viviane Crippa.

Nosso amigo Mala relembra aqueles dias e de uma frase que lhe marcou:
"Quando batia o desânimo nos trabalhos em prol do próximo, principalmente pelo retorno de alguns jovens ao vício, padre Agostinho costumava aconselhar: 
- Não desanima, fé em Deus porque tudo tem conserto".


Sempre promovia os chamados “Retiros”, reunindo jovens da comunidade.
Padre Agostinho, com a família, quando de sua ordenação em 1982.
Foto: acervo de Victória Saccon Tramontin
No dia seguinte a sua morte, 2 de junho, um sábado, iria promover no Clube Blondin, às 20 horas, o “Primeiro Encontro da Perseverança”, no intuito da descoberta do jovem a si mesmo, a Cristo e aos que lhe são caros.

Ainda em 11 de maio, padre Agostinho reuniu vários amigos em sua residência. Animando o encontro, o seresteiro Manoel Silva com seu violão. Muitas pessoas de sua relação compareceram. Prefeito Mário José Remor, Oscar Pinho, Olga Cabral, Padre Marcos Herdt, Fernando Guedes, Licélio Freitas e Edgar Pereira, entre outros.

Velório foi realizado durante todo o dia na Matriz de nossa cidade com centenas de pessoas se despedindo, principalmente jovens. 
No fim de tarde, começo de noite, os lagunenses, a pé, de ônibus e carro, foram até o trevo de nossa cidade, cantando, rezando e balançando lenços brancos no último adeus. Seu corpo foi sepultado em Meleiro-SC.

Sábias palavras e conselhos
Alguns dias antes, Padre Agostinho disse a um grupo de adolescentes: “O jovem deve procurar em Santo Antônio um exemplo de união”, e “casado é quem bem vive”. Disse também que “Antes de querermos ter devemos ser”.

A última carta
Naquela tarde de quinta-feira, padre Agostinho entregou na redação do Jornal O Renovador uma matéria (carta) para ser publicada. Com o jornal praticamente fechado, o escrito somente foi estampado na semana seguinte a sua morte.

Eis, na íntegra:


Retiro Descoberta
“Aconteceu neste último fim de semana (quinta a domingo à noite), encerrando com a Santa Missa em São Ludgero, um Retiro entre 33 jovens de nossa comunidade.
Retiro Descoberta, de fato promoveu a descoberta do Jovem a si mesmo, a Cristo e aos seus que lhe são caros.
Entre eles haviam drogados, marginalizados com os quais iremos continuar a reuni-los e fazermos a perseverança da Descoberta do Cristo a Deixa da droga.
Primeiro Encontro de Perseverança será no próximo sábado, dia 2 de junho, às 20 horas, no Clube Blondin. Todos eles estão com muito amor no coração, amor a si, a todos os seus e a todos. Querem de fato viver essa Descoberta. Vamos ajudá-los.
Vai ser feito também um trabalho de crescimento, de ajuda, de aceitação com os pais e familiares desses jovens que tanto necessitam de ajuda.
Com muito amor no coração, agradecemos a todas as pessoas que nos ajudaram a realizar esse Retiro Descoberta. Eles se descobriram e também descobriram a Cristo. Vamos ajudá-los a viver esta descoberta e a Cristo em seus corações e em suas vidas. Contamos com todos vocês. Se o seu filho não é drogado, maior motivo para ajudar os que são.
Ajudando os outros, você estará ajudando um irmão seu que sofre e que Cristo sofre nele.
Nós contamos com ajuda de todos. Muito obrigado, com muito amor”. Assinado: Padre Agostinho

Premonição?
No dia anterior a sua morte, emocionou com suas palavras as pessoas do bairro Roseta (hoje Progresso) que compareceram ao velório de dª Doraci Tomázia (Dedinho) de Souza, uma das fundadoras da igreja Nossa Senhora Auxiliadora.
Na encomenda do corpo deixou muita gente impressionada ao ouvi-lo dizer:
“Aos parentes e amigos os meus pêsames sinceros. A Doraci Tomázia, parabéns que vai ao encontro de nosso Pai. Hoje, é a Doraci, amanhã poderá ser um de nós”.


Festejos adiados
Anúncio da Festa já com a data de sua realização alterada. Jornal O Renovador de 8 de junho de 1984.

Por causa de seu falecimento, a Festa em honra ao padroeiro daquele ano foi adiada, só iniciando na sexta-feira seguinte, 8, após a realização da missa de sétimo dia. Padre Agostinho estava escalado para ser o orador da primeira trezena.
Hoje é nome de Creche no bairro Progresso, na Laguna, e rua em Meleiro - SC.


Foram festeiros daquele ano:


Cláudio Dias de Castro Ramos (desistência), Adelaide Pinho Moreira, Celso Schambeck, Maria Salete Folchini Barreiros, Maurício de Paula Carneiro, Adamândia Andreadis, Geraldo Izidoro Barreto, Beatriz da Silva Bem, Carlos Gonçalves Netto, Maria Salete Bez Birollo Teixeira, Antônio Maiatte, Olímpia Algarves, Mário Luiz Spillere da Silva (Bau) (não aceitou o convite) e Adriana Nacif Carneiro.

PS:  Mesmo constando na programação divulgada, houve uma desistência dois meses antes; e uma não aceitação de convite, conforme acima. Na época não era usual a substituição de festeiros.
A pedidos, repito esta matéria, corrigida e ampliada, e publicada há cinco anos.

01 junho 2020

Festejos em honra a Santo Antônio dos Anjos este ano serão diferentes

Este ano de 2020, devido à pandemia do coronavírus,  conforme decisão da Irmandade em 19 de maio último, as celebrações religiosas  de Santo Antônio dos Anjos serão transmitidas pelas redes sociais.
Foto/Divulgação/cartaz de 2017.
No dia 13 de junho, entre 9h30 e 17h, a imagem do Santo padroeiro da Laguna estará exposta na porta central da matriz. Os membros da irmandade e os festeiros farão a proteção da estátua, com a distribuição dos tradicionais pãezinhos.
Uma carreata às 17 horas deverá ocorrer e uma hora depois, uma live será promovida com a banda Carlos Gomes em frente à matriz. A missa será feita pela internet.

A rifa será prorrogada e sorteada em 24 de dezembro, após a missa da matriz.
A Festa de Santo Antônio dos Anjos vai ocorrer ano que vem de 1º a 13 de junho, com a mesma equipe de festeiros deste ano”, salienta o provedor Leonardo Demétrio.
A tradicional festa em louvor a Santo Antônio dos Anjos da Laguna de forma presencial ocorrerá somente no ano que vem.

29 maio 2020

Faleceu Adalbi Abrahão Massih

Faleceu nesta sexta-feira (29), em Imbituba, onde residia, o professor, escritor e historiador Adalbi Abrahão Massih, aos 79 anos.
Nasceu na Laguna em 22 de novembro de 1940, filho de Ondina Abrahão Massih e Miguel Abdul Massih.
Adalbi é irmão do advogado Adib Abrahão Massih (já falecido), do odontólogo Aldo Abrahão Massih e do funcionário aposentado da Casan Almir Abrahão Massih.
Adalbi Massih em 2019, quando do recebimento da Comenda Henrique Lage pela prefeitura de Imbituba.
Foto: Prefeitura de Imbituba/ Divulgação
Sua atividade profissional começou cedo, em 1954, como vendedor da firma Armarinhos Boa Vista, de propriedade de seu pai.
Cursou o primário no Colégio Stella Maris de nossa cidade. Fez o 1º Grau no Ginásio Lagunense. O então chamado 2º Grau, no Curso de Técnico em Contabilidade, no Colégio Comercial Lagunense (CCL). O Curso Superior, em Ciências e Pedagogia na antiga FESSC, hoje Unisul.
Foi secretário no Conjunto Educacional Almirante Lamego (Ceal).
Casado com a professora aposentada Maria do Carmo Souza Massih, que foi secretária municipal de Educação em Imbituba, na gestão de Jerônimo Lopes (1993-1996).
 Pais de Antônio Luís Massih e Karla de Souza Masssih.
Em 1972, a convite do professor Renato Machado, começou a trabalhar como professor no Colégio Estadual Engenheiro Annes Gualberto, em Imbituba. Lecionou na Escola Básica Henrique Lage e Colégio João Guimarães Cabral, na vizinha cidade.
Em 1995 lançou seu primeiro livro: “Coletânea Folclórica”, resgatando tradições e influências açorianas, além das culturas afro-indígena.
"Santa Catarina - Prosa e Verso" foi lançado em 1998, com 240 páginas.
Em 1999, pela editora Copiart, lançou "Dicionário de História", 190 páginas.

Em 2003 publicou “Fatos, Fontes e Vultos Históricos da Laguna”, livro que dedicou aos seus pais Ondina e Miguel.

Na capa a foto em homenagem aos seus pais Ondina e Miguel.

A obra traz em breves resumos, a história da Laguna, seus fatos e vultos notáveis, além de discorrer sobre algumas famílias que marcaram o desenvolvimento da nossa cidade.


Em 2004 o Adalbi Massih publicou "Praças, Ruas e Avenidas de Imbituba", edição do autor.
Nas eleições deste mesmo ano foi candidato a vereador em Imbituba pelo PL, ficando na suplência.
Em 2006 surgiu de sua autoria “Brasil, Fatos, Fontes e Vultos Históricos”, uma ampla pesquisa de 229 páginas com variados assuntos em diversas áreas do Brasil. Ideal para estudantes e para candidatos a concursos.
Foi membro da Academia de Letras de Imbituba.
Palestrante sobre variados assuntos, principalmente os ligados à cultura e história.
Em 2017 recebeu a Medalha Poeta Vevé, da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina.
Em 2019 foi agraciado pela prefeitura de Imbituba com a Comenda Henrique Lage e recebeu a honraria das mãos do prefeito Rosenvaldo Júnior.
Sentimentos aos amigos e familiares.

PS: Tenho todos os seus livros editados, assim como as obras lançadas de todos os escritores lagunenses, de todas as épocas.
Lamento que o professor e escritor Adalbi Abrahão Massih nunca tenha sido homenageado em sua terra natal. E foram realizadas 38 semanas culturais...
Mas até aí nem uma novidade. Nossos pais e avós já diziam que Laguna sempre foi uma ótima madrasta e uma péssima mãe. 
Nada mais verdadeiro.

Eu voltei pras coisas que deixei...


Pois é. Fui dar uma pausa no Blog em setembro do ano passado, para realizar umas leituras e pesquisas históricas. E o tempo passou.
Foi-se o Natal de 2019, ano novo, carnaval de 2020 e quando vi, já estávamos de “quarentena”, no chamado isolamento social. E o Blog desde então foi deixado de lado, sem qualquer atualização.
Os amigos me encontravam, mandavam e-mail, ligavam, passavam um Whats indagando pelo retorno. Sinceramente, eu não me animava.
Agora, sem mais delongas retorno a ele, na continuação da publicação de pesquisas históricas, fatos e fotos da nossa Laguna. E seus personagens.
Não é todo mundo que gosta, mas há quem adore. É para esses que eu escrevo. Podem não ser muitos, mas são fiéis. Ninguém pode contentar e agradar a todos, afinal.
Antes um aviso: Este blog não é um canal de notícias da Laguna, atualizado diariamente. Para isso existem inúmeros portais por aí, de colegas muito mais qualificados, competentes e profissionais.
Aqui se quer apenas (re)lembrar o passado (com pinceladas no presente) em busca de uma leitura prazerosa e interessante, nos mais variados assuntos.
Se servir também de base, de alguma forma, para futuros pesquisadores e escritores em suas obras, me dou por satisfeito.
E, fiquem certos, há muito que pesquisar e escrever sobre a nossa Laguna. Em todas as áreas.