domingo, 1 de março de 2015

Diário de bordo, data estelar 27 de fevereiro de 2015. Adeus Sr. Spok

Sou fã dos seriados americanos da década de 60.
Tanto que possuo todos os boxes de DVD’s das famosas séries, que foram relançados.
Vez ou outra não canso de revê-los. Momentos revival, sabe?
São filmes, séries, que fizeram a cabeça da petizada que hoje está na faixa etária entre 50, 60 anos, na chamada meia-idade. Ui!

Evidentemente que os efeitos especiais vistos aos olhos de hoje, com toda a tecnologia moderna, soam amadores às novas gerações. Mas cá pra nós. Eram e sempre serão muito especiais. E anteciparam criações tecnológicas atuais. Sem falar que havia mais conteúdo, diálogos inteligentes e conhecimentos científicos bem pesquisados.
Bem por isso existem fás clubes deles espalhados pelo mundo.

Perdidos no Espaço, Terra dos Gigantes, Viagem ao Fundo do Mar, Batman e Robin, Túnel do Tempo e, em especial, Jornada nas Estrelas, são alguns. Ainda tem Rin-tin-tin, o brasileiro Vigilante Rodoviário, Bonanza, Missão Impossível, etc.

Quantos fins de tardes, sentados no assoalho da sala lá de casa, não passamos grudados à tela de TV, TV Tupi, repetidora através da gaúcha Piratini, de Porto Alegre, quase sempre tela cheia de chuviscos, imagens em preto & branco, se divertindo e torcendo pelos nossos heróis?
O aparelho de TV era da marca Empire, montado pelo meu pai, com peças recondicionadas aqui e ali, válvulas adquiridas com muito esforço e tubo usado de outros aparelhos, que levava uma "carga" de sobrevida. Possuir um aparelho de TV era um luxo para a época. Bem por isso a platéia lá em casa era lotada de coleguinhas, meus convidados. E eu não cobrava ingressos.

A galera de hoje não faz ideia da felicidade estampada em nossos rostos infanto-juvenis. Deixávamos as brincadeiras de lado, o futebol na rua por instantes, para não perder as séries. Época de sonhos e fantasias.

Pensando bem, éramos felizes com tão pouco. Hoje muitas crianças e jovens têm tudo e estão sempre mergulhados no vazio existencial, do sempre querer mais materialmente e do nunca estar contentes ou satisfeitos com a vida que levam. Sem falar nas drogas.
E há tanto a conquistar...

Pois um dos nossos heróis, digamos o mais “cabeça” deles, racional, respostas lógicas, sem mentiras e falsidades, metade humano (sua mãe, a professora Amanda Grayson), metade extraterrestre (seu pai Sarek), com suas sobrancelhas arqueadas e orelhas pontiagudas, nos deixou semana passada, aos 83 anos, conforme o noticiário.
Cedo, já que um "vulcano" morre lá pelos 240 anos. 

Quem não lembra de seu golpe pressionando o músculo trapézio dos inimigos e os desacordando num piscar de olhos; ou a famosa saudação vulcana com as mãos: A expressão “Vida longa e próspera”, juntando os dedos mindinho (mínimo) e seu-vizinho (anelar), separados dos dedos médio (pai-de-todos) e indicador (fura-bolo), os dois juntos, com o polegar (mata-piolho) separado.
Nunca consegui. E fazíamos concurso entre a gurizada para tentar imitar o gesto. Putz...

Morreu o ator Leonard Nimoy, lógico, porque o personagem, uma lenda, ficará sempre vivo em nossas memórias. Seu papel Spock hoje seria considerado um lerd, mas na época essa expressão nem existia. Ele demonstrava - antecipando em décadas - a noção de que ser inteligente podia ser interessante.


Não me admira que o pessoal do The Big Band Theory, principalmente o físico teórico Sheldon Cooper (Bazinga!) o tenha como um dos seus personagens favoritos entre os filmes de ficção científica. Até porque ambos raciocinam com base na lógica.
Num dos episódios, Sheldon fica toda feliz quando ganha de Penny (a loira vizinha, não tem?) um guardanapo usado e autografado de Leonard Nimoy.

Nimoy interpretou o senhor Spock em Jornada nas Estrelas (Star Trek), que ao lado do capitão Kirk e do dr. McCoy faziam o trio principal do famoso seriado, servindo a federação a bordo da nave USS Enterprise.
Jornada nas Estrelas foi uma série de ficção científica - que virou cult - que estreou nos Estados Unidos, pela NBC, em 8 de setembro de 1966. Produtor e roteirista Gene Roddenberry.


A série possuía em seu elenco William Shatner como o Capitão James T. Kirk, Leonard Nimoy como Spock, DeForest Kelley como Dr. Leonard McCoy, James Doohan como Montgomery Scott, Nichelle Nichols como Uhura, George Takei como Hikaru Sulu e Walter Koenig como Pavel Chekov.

Antecipou diversas tecnologias de aparelhos utilizados comumente hoje, como o Tablet, Palmtop e celulares. 
Não. O teletransporte ainda não foi inventado.
Uma das inovações da série foi seu elenco multirracial – estamos falando na década de 60. Na ponte da nave Enterprise havia um piloto japonês, um navegador russo, uma oficial de comunicações negra, um engenheiro escocês e um primeiro oficial alienígena.
Sem falar no primeiro beijo interracial planejado da televisão americana, entre Kirk e Uhura.


Depois de três temporadas e 80 episódios, a série foi cancelada e seu último episódio foi ao ar em 3 de junho de 1969.

No Twiter, o ator Leonard Nimoy deixou uma mensagem que correu o mundo:

"A vida é como um jardim. Momentos perfeitos podem ter acontecido, mas não preservados, exceto na memória".

Boa viagem Sr. Spok, obrigado por participar de minha infância e a de muitos, e fazê-la mais feliz. E conquiste novos mundos, muito além das estrelas onde nenhum ser humano vivo jamais esteve.

Nenhum comentário:

Postar um comentário