sexta-feira, 15 de junho de 2012

Balcão de negócios

Na impossibilidade de incluir os nomes de muitos políticos em folhas de pagamento de órgãos públicos, encontraram uma saída, fazendo-os constar de folhas de pagamento de empresas privadas conhecidas ou recém criadas, onde poucos têm acesso às informações. Empresas, empreiteiras que, evidentemente, tem contratos com órgãos públicos.
Bem por isso cabos eleitorais e candidatos são cooptados e traições pipocam por aí.
O que tem de gente jogando para platéia é brincadeira, dissimulados que são.
Aliás, soube pelas internas de inúmeras vantagens que estão sendo oferecidas para que o sujeito apóie tal e tal candidato, ou até componha chapa nas chamadas alianças políticas. Cargos, empregos são os mais costumeiros.

Mas há também vantagens que chegam a milhares de reais, tendo como moeda de troca automóvel e até apartamento em Florianópolis.
Evidentemente que depois uns otários chamados contribuintes vão pagar a fatura.
No Brasil de hoje parece não haver mais ideologias, programas partidários, dignidade, ética, combatividade.
Só interesses próprios, benesses, boquinhas e uma maneira de levar vantagem em tudo. O dinheiro público domesticando todas as cabeças.

No dizer do escritor Emanuel Medeiros Vieira em um de seus escritos “Nos nossos tempos, há uma espécie de cansaço generalizado, de que “nada vale a pena”. “O negócio é lucrar, o resto que se dane”, falam as almas que só pensam em dinheiro. Valemos pelo número do nosso cartão de crédito”.
E ainda diz:
“A banalização do mal parece vigorar. A mercantilização das relações, a hegemonia do ter e o do parecer, o estímulo à futilidade e ao egoísmo geraram um ilhamento”.

Por isso a desilusão de muitos que não podem nem ouvir falar em política e em políticos. Não é para menos.

Um comentário:

  1. Afonso Prates da Silva18 de junho de 2012 21:39

    Prezado Valmir
    Transcrevo neste comentário duas estratégias das
    dez publicadas por Noam Chomsky,acho que se coaduna com o teu artigo. Parabéns.

    Noam Chomsky elaborou a lista das “10 Estratégias de Manipulação” através da mídia. Em seu livro “Armas Silenciosas para Guerras Tranqüilas”, ele faz referência a esse escrito em seu decálogo das “Estratégias de Manipulação”.

    1 – A Estratégia da Distração.

    O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças que são decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.
    A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, economia, psicologia, neurobiologia ou cibernética.
    “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais” (citação do texto ‘Armas Silenciosas para Guerras Tranquilas’).

    2 – Criar problemas e depois oferecer soluções.

    Este método também se denomina “Problema-Reação-Solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que seja este quem exija medidas que se deseja fazer com que aceitem. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja quem demande leis de segurança e políticas de cerceamento da liberdade.

    Ou também: criar uma crise econômica para fazer com que aceitem como males necessários o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

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